Para começar precisamos entender que, mesmo que Valorant não seja seu estilo de jogo ou muito menos seu estilo de fps preferido, não podemos negar que essas últimas semanas, especialmente estes últimos três dias passados desde do lançamento do beta no servidor brasileiro, no dia 5 de maio, o jogo é sem dúvidas um fenômeno.
Inicialmente intitulado “Project A”, Valorant já carregava um grande peso nas costas, ele era a aposta da Riot Games para os jogos de tiro em primeiro pessoa. A empresa consagrada por moldar todo um cenário de esporte eletrônico com o crescimento exorbitante do League of Legends, antes muito amador, com destaque apenas ao Counter-Strike, que mesmo com todo seu sucesso ainda era algo muito abstrato.
A estratégia de divulgação adotada pela Riot foi impecável: locar grandes nomes do fps nacional e mundial, para “testar” o jogo. Esse teste foi secreto, sem direito a imagens ou vídeos da gameplay, o que gerou ainda mais curiosidade para os possíveis jogadores do game, já que as personalidades que haviam jogado previamente, elogiavam e abriam a mente do seu público para um fps mais family friendly.
A Riot conseguiu disseminar sua sementinha em várias comunidades, a do CS, PUBG, Fortnite e entre outros. E para quem achou que iria para por ai, estava enganado, o beta fechado, na verdade não era tão fechado assim foi lançado.
Seguindo no marketing, a empresa bolou um plano, para ter acesso ao “beta fechado” bastava que você assistisse as streamings do jogo na Twitch, qualquer uma, até mesmo a de seu amigo com apenas 3 espectadores. O resultado vocês já sabem, milhões de canais jogando Valorant, e seus números de espectadores e jogadores aumentando de forma genial. Mesmo aqueles que não estavam tão empolgados, aderiram as streamings, e acabavam jogando, nem que fosse apenas sua introdução, ou uma partida rápida.
Mas o que achamos do jogo? O hype é real? Vale a pena mesmo sofrer com a aleatoriedade do drop do jogo nas streamings?
A resposta pra todas estas perguntas são bastante positivas. Valorant certamente ganhará um cenário competitivo em pouquíssimo tempo. Além do jogo ser bem didático, e com uma curva de aprendizagem bem leve, ele apresenta personagens com características distintas e habilidades diferentes de outros fps do gênero fantasia, ele é divertido de se assistir na mesma proporção que é tenso e gratificante, o que é um ponto muito positivo para o esporte eletrônico.
O modo ranqueado ainda não estava disponível no momento da publicação desta matéria, o que deixa os jogadores a participar de partidas casuais. De certa forma, não é ruim. Entretanto, para alguns jogadores mais competitivos é algo a se trabalhar, visto que ainda não existe um nivelamento. As partidas casuais estão repletas de jogadores sem nenhuma noção de fps, vindo de outros jogos da empresa, jogadores com noções básicas, e outros com absurdas noções de timing e posicionamento, tornando algumas partidas maçantes e outras muito desiguais.
Um ponto que muito jogadores apontavam como sendo negativo, era a questão dos “poderes” e habilidades dos personagens. Bem, em algumas situações específicas dentro da partida as habilidades fazem sim muita diferença. Mas nenhuma delas é desbalanceada, os 10 personagens jogáveis atualmente possuem três habilidades cada, além de uma habilidade ultimate. As habilidades funcionam como smokes e flashs e para ganhar informação dos locais no mapa. Apenas a ultimate que apresenta uma mecânica mais fantástica, onde o jogador consegue saltar mais alto que as “smokes” ou barreiras, voltar para um ponto específico ou atravessar paredes com seu disparo.
Entretanto, durante as partidas o jogador consegue lançar entre 3 ou 4 vezes esta habilidade suprema, algo que não impacta tão diretamente o resultado final, mas que em situações de cluth por exemplo, podem ser um auxílio e tanto.
As habilidades são compradas no início de cada round, assim como as armas. Elas estão categorizadas em pistolas, SMGs, shotguns, rifles, snipers e heavies. Algo muito semelhante ao Counter-Strike, funcionando também com os rounds de ataque e defesa, algo como os terroristas e contra terroristas do jogo da Valve. Nas partidas casuais, os rounds são divididos em 2 turnos de 12, ou seja, você defende por 12 rounds e ataca por 12 rounds, tendo fim no momento em que algumas das equipes alcança 13 pontos no placar, ou ao empatar por 12×12.
É certo que Valorant terá muito jogadores iniciantes no fps, já que a maioria se encontra na mesma situação. Este posto anteriormente era do Counter-Strike: Global Offensive, mas o mesmo necessitava de um conhecimento básico de posicionamento e nomenclaturas dentro dos mapas, para se orientar e poder passar informações.
Overwatch é outro jogo que alguns apontam como inspiração para o Valorant, entretanto devido a algumas escolhas da Blizzard, o cenário competitivo e o próprio jogo estão cada vez menos populares. Call of Duty e Rainbow Six mesmo tendo uma força teoricamente grande em seu cenário, são muito complexos para alguns, o que acaba gerando desinteresse.
Valorant e todo seu cenário são muito promissores, levando em conta todo o histórico positivo da Riot. Para um jogo em beta, a qualidade e gameplay entregue está no mais alto nível. Das horas jogadas, não encontrei nenhum problema assombroso. Pode-se dizer que o produto que temos em mãos é muito bom, e de fato tende a melhorar, principalmente pela adesão da comunidade.
“Dolores foi feita com uma sensibilidade poética”, afirma Bernard (Jeffrey Wright) em certo momento do sétimo episódio dessa nova temporada. Divertido notar a sutil semelhança que esta frase guarda com o como Westworld fora concebida: uma série com uma sensibilidade poética. Isto é, a forma de trazer assuntos tão presentes no gênero da ficção científica mais sofisticadamente. Sendo assim, fica óbvio entender a construção de um mundo que dialoga tanto com o western, representando a dissociação entre a evolução tecnológica e a simplicidade humana; afinal, em um futuro onde prédios parecem raciocinar sozinhos, quem iria optar pelo mundo do oeste? Aliás, os anfitriões do parque, que representam um dos marcos mais importantes da relação entre humanos e tecnologia, foram criados por um homem culto e ambicioso, atraído pela arte, que buscava em suas criaturas muito além da pura diversão perversa. Estes exemplos, entre outros, representam como Westworld tratou de sensibilizar sua abordagem à histórias que poderiam soar previsíveis e clichês.
Agora, o cenário que antes nos aproximava da humanidade, é substituído pelo ambiente pautado pela tecnologia. O mundo real parece menos real do que dentro do parque recreativo criado pela Delos; há um tom ameaçador nas arquiteturas rebuscadas e detalhadas dos prédios e monumentos, o elemento humano é pouco presente e quase desaparece nas cidades, a representação perfeita da ínfima relevância que o fator humano tem em um cenário controlado, onde o artificial e o real se confundem. Essa aproximação à estética cyberpunk cria um contraste interessante com o que vinha sendo o padrão de Westworld. Contudo, a luta de Dolores se mantém a mesma.
Dolores é a figura feminina mais bem trabalhada nas produções audiovisuais recentes. Embora a sua busca por emancipação esteja em um contexto amplo da consciência, e não puramente social, é notável ver como o protagonismo feminino da série cutuca assuntos atuais. Após anos tendo sido imposta a narrativas diversas, arquitetadas, tendo seu comportamento moldado e constantemente supervisionado, a sua vida no mundo real parece ser libertadora. Não há mais cordas e amarras, sua batalha será trilhada por si própria, e o objetivo de criar uma revolução sem precedentes é o grande foco da temporada. Enquanto nos habituamos com o novo cenário e alguns novos personagens, acompanhamos o desenrolar do plano de Dolores e entendemos gradualmente as intenções pouco óbvias da personagem. Esse mistério acerca da trama de Dolores nos deixa inquietos com uma indignação razoável: até onde valeria a luta pela nossa independência? Talvez a resposta seja cruel demais.
Além disso, o figurino de Dolores dá preferência a roupas mais escuras – distanciando-se do vestido azul predominante no parque -, refletindo o raciocínio da produção, que busca diminuir a aparência humana no cotidiano das cidades. Com o estilo pautado nas temáticas da história, o desenvolvimento da protagonista ganha volume e seriedade com a incrível atuação da Evan Rachel Wood, que já vinha de um trabalho fabuloso nas últimas temporadas, mantendo a expressividade dúbia que a carrega emocionalmente, e acompanhando o amadurecimento de suas convicções, estas, que colocam Caleb (Aaron Paul) na jogada.
Caleb é um ex-soldado do exército americano, onde sofreu perdas irreparáveis. Se o compararmos com qualquer outro arco de Westworld, é o personagem que mais se distancia dos eventos ocorridos no parque.Entretanto, é parecido com tantos outros do gênero, melancólico e isolado, além de guardar experiências traumáticas providas pela guerra civil que participara. Aaron Paul, prestigiado após Breaking Bad, mantém o nível – sempre alto – das performances do elenco, mesmo que a direção não consiga acompanhar as reviravoltas o envolvendo.
A participação de Caleb adiciona um contexto político e militar pouco aproveitado nas temporadas anteriores, e Serac (Vincent Cassel), assumindo o papel do “antagonista” (entre aspas, já que Westworld nunca propôs lados definidos, deixando o espectador julgar livremente as ações – discutíveis – de todos os envolvidos), amplia o tema para a influência do corporativismo na política mundial. Qualquer mundo cyberpunk tende a mostrar empresas privadas manipulando as políticas públicas em prol de seus próprios interesses e convicções. As redes de dados se tornaram arma fundamental para a prática do imperialismo das empresas, espalhando zonas de domínio com imposição de poder. E, se os dados providos pela Delos, ao estudar seus integrantes, tinham destinos pouco compreendidos por um momento, o que descobrimos sobre eles é completamente sórdido.
Serac também tem um panorama emocional profundo e bem detalhado. Apesar de apresentar certos clichês do “empresário malvado”, o seu passado meio obscuro e relatado em alguns flashbacks – e a possível guerra química ocorrida na França poderia ser explorada adiante -, ajudam a compreender as ações dele. Ademais, é responsável pela construção da inteligência artificial Rehoboam, capaz de, através de dados e estatísticas, projetar a narrativa de vida de qualquer ser humano. O que, certamente, impacta na liberdade individual do mundo (real?).
Mesmo com novos integrantes, Westworld tenta manter sua identidade com Maeve (Thandie Newton) e Bernard. Ambos ainda estão muito conectados com as vidas nos parques, e, de certo modo, precisam tomar atitude e escolher um lado na luta de Dolores. Infelizmente, Maeve é bem subaproveitada, enquanto fora um dos pilares da segunda temporada, aqui é só uma ninja que pouco compreende o porquê de estar lutando. Bernard idem, já que se transporta de locais com uma facilidade absurda e pouco agrega narrativamente. Contudo, nem todos os personagens já conhecidos pelo público são subaproveitados. Charlotte Hale, interpretada por Tessa Thompson, revela a dificuldade de conciliar seu comportamento ao estilo de vida da contraparte humana. As consequências severas dos atos de Hale irão refletir nos próximos anos.
William, interpretado magistralmente por Ed Harris, é o melhor personagem, com o melhor arco, da terceira temporada. Depois de passar duas temporadas tentando compreender a rebuscada história arquitetada pelo Dr. Ford (Anthony Hopkins) e Arnold, o Homem de Preto precisa entender a si próprio, combatendo seus demônios internos – entende-se como suas versões antigas. William nunca se encontrou na realidade, entendendo que o parque era o que mais o aproximava da vida, ao mesmo tempo que almejava a destruição dos anfitriões e o fim do labirinto de Arnold. Como um pequeno anfitrião, reprodução de um Dr. Ford criança, profetizou, o jogo encontraria William, que assume o papel do Homem de Branco, aquele que salvará o mundo da ameaça artificial.
A transformação do Homem de Preto e as reviravoltas de Caleb, contudo, são um pouco prejudicadas pelos mesmos responsáveis por deixar tantos personagens subaproveitados: diretores e roteiristas. O primeiro parágrafo fala, justamente, sobre a sutileza poética de Dolores e de Westworld, e o que vemos nesse terceiro ano é o desgaste dos responsáveis criativos. Em busca pela maior linearidade da história – requisitada por muitos, após episódios que abordavam linhas temporais diversas e que, em certo momento, se entrelaçavam – o roteiro força momentos que aparentam ter revelações bombásticas, ou sínteses dignas de um Pulitzer, mas que, na verdade, apresentam frases clichês e excessivamente expositivas. Enquanto, na direção, vemos uma narrativa apressada e deslocada – a pós-crédito é exemplo disso -, não conseguindo imprimir ritmo e tom harmônicos, atrapalhando a coesão e certas construções de personagens.
Nessa terceira temporada, o que vemos é a busca pela linearidade afetando a estética narrativa, trunfo de Westworld. Embora ainda mantenha ótimos personagens, tramas emocionalmente eficientes e um futuro promissor, há um notável desgaste na criatividade e na sensibilidade. Buscar novamente a essência de uma história que discute humanidade e consciência através da ficção, da perversão, da política e da arte, deve ser o objetivo principal dos criadores. Esse resgate trata de reconhecer a importância dos temas levantados por Westworld, comprovada na imagem sutil da abertura: uma mão artificial tocando um piano, até deixá-lo tocando sozinho. Existe maior representação de livre arbítrio do que essa?
O que torna uma personagem interessante? A resposta é conflito porque nós somos comovidos pelos atos grandiosos, mas por dilemas e a superação deles. Há quatro tipos de conflito na ficção: Indivíduo contra indivíduo, sociedade, natureza e ele mesmo. Apesar da não predominância de desafios externos, há diversos internos para Rey, a protagonista da última trilogia de Star Wars. Tais quais: A sensação de abandono, insegurança, a necessidade de aprovação, pertencimento e a busca por identidade. Logo, através deste longuíssimo artigo, nós discutiremos a jornada de Rey, de ninguém, à Palpatine e à Skywalker.
“A Força desperta…”
Você já se apaixonou por uma pessoa sem ver o rosto dela? Porque eu já.
A introdução de Rey é brilhante. Composta por quase nenhum diálogo, a contextualização do seu cotidiano é perfeita. Porque o entendimento é imediato: Ela é uma catadora sobrevivente solitária, ganhando um quarto de porção por dia. Apesar da solidão e tristeza, o tema composto por John Williams é ingênuo e pacífico. Os desejos da personagem são expostos visualmente, seja pelos números riscados em um AT-AT, ou a maneira como observa as naves que deixam Jakku. Entretanto, só será verbalizado quando ela é atraída para a aventura por BB8: “Eu sei tudo sobre espera. Pela minha família. Eles voltarão. Um dia.” A partir dessa fala, a esperança dela é compreendida por nós, mesmo com uma trágica realidade por trás.
Quando o planeta é deixado por ela em prol da missão, Rey ascende socialmente: Ela faz amizade com Finn, um stormtrooper desertor, e uma breve figura paterna é descoberta em Han Solo. Durante a cena do compressor, outra característica é exposta: A necessidade de aprovação, nesse caso, de Solo. Assim como um auto desprezo: “Eu sou apenas uma catadora.” Há também um senso de deslumbramento constante na personagem, não apenas quando avista um planeta repleto de verde, contrário ao seu planeta desértico. Assim como quando as histórias sobre a Força, os Jedi, os Sith e Luke Skywalker são confirmadas. Novas possibilidades estão abertas a ela, através da proposta de emprego por Han e a missão da busca pelo mapa. Conforme apresentado pelo filme, ela é extremamente habilidosa como catadora, piloto e até mesmo, mecânica. Por que ela não aceitaria a oferta?
Ela ama verde <3
Porque na filosofia de Rey, se, após a missão, ela não voltar para Jakku, não estará lá para o retorno de seus pais. Ao mesmo tempo em que o desejo é fruto de um otimismo, é um fator de um repulsão. Caso ela retorne, não crescerá como pessoa, ou descobrirá quem ela é. Através disso, a personagem será forçada ao afastamento de uma realidade anterior e lançada diretamente a uma nova. A protagonista é atraída pela própria voz, ao desconhecido. Quando ela é chamada pelo sabre de luz dos Skywalker, as visões mostram a ela um inevitável pedaço do seu passado: O seu abandono.
Mesmo com a explicação de Maz Kanata sobre a Força, Rey está assustada. Assim como toda jornada de herói, há a negação ao chamado à aventura. Todavia, a decisão não é apenas fruto da sua vontade. Maz diz: “Você já sabe a verdade. Quem quer que esteja esperando em Jakku, não retornará.” A partir desse momento, é compreendido a negação da personagem pela verdade, uma caraterística constante nos próximos filmes. A promessa foi uma mentira contada por ela mesma a fim do ocultamento traumático e as consequências disso. Por isso, a música da personagem é triste e ao mesmo tempo, feliz, a representação sonora do otimismo como instrumento de negação. Ou seja, Rey não acredita no próprio potencial.
Tristeza, apenas tristeza
Perdida, ela foge para a floresta, mas é capturada por Kylo Ren. Durante a cena de interrogação, ela é menosprezada pelo vilão: “Você. Uma catadora.” Assim como tem suas fraquezas reveladas por ele: “Você é tão solitária. Tem medo de sair […] e Han Solo, você o vê como o pai que nunca teve.” Kylo está certo de que ela não resistirá, assim como ocorrido com Poe no início do filme. Entretanto, a tortura mental é resistida e a Força é utilizada pela primeira vez por ela. Ela inesperadamente “devolve na mesma moeda”: “Você tem medo de que nunca será forte como o Darth Vader.”
A perseguição da Millenium Falcon em Jakku, mostra inicialmente, Rey sem noção de direção, mas no decorrer da cena, ela aprende como pilotar a nave até dominá-la. Logo, se o fácil aprendizado da personagem é perigoso, com a Força, será ainda mais. É o que acontece quando ela convence um stormtrooper a libertá-la através de um truque Jedi da mente. Ela não sabe se irá funcionar, mas o faz mesmo assim e obtém sucesso na terceira tentativa. Agora, livre, e com a noção de algo em seu interior, ela não é mais uma catadora, mas uma força a ser temida.
Kylo Ren comete um erro.
Como Kylo disse: “Ela está testando seus poderes. Quanto mais demorarmos para encontrá-la, mais poderosa ela se tornará.” Chame Rey de Mary Sue, eu não ligo, mas é honestamente incrível e empoderador, ver uma mulher escapando com seus próprios recursos porque ela é uma sobrevivente, enquanto os homens tentam resgatá-la, no caso de Finn e Han, ou sequestrá-la, no caso de Kylo. Mesmo com as habilidades utilizadas, ainda não há compreensão sobre elas.
Mais tarde, no segundo e último confronto em uma floresta, o sabre dos Skywalker é chamado por Kylo, mas só atende o chamado de Rey, ainda incerta, mas seguidora de um instinto. Ela o ataca, mas foge, assim como em Takadona, até ser levada à beira da morte, em que o inimigo declara a si mesmo como um professor. Os conselhos de Maz finalmente são seguidos por ela: Os olhos dela são fechados e a Força desperta nela por definitivo. A sensação de superioridade masculina do vilão cai por terra ao ser superado por uma simples catadora, a qual via-se da mesma forma há algumas horas, mas agora, com a sensação de que há muito mais a ela do que uma vida em um planeta deserto.
Kylo Ren comete um erro 2
A vitória é ainda maior quando Rey é enviada para Ahch-To, vê a ilha em seus sonhos e encontra Luke Skywalker. É um momento de extrema importância para o personagem: As lendas, as histórias tornam-se real e ela é parte delas agora. Não há mais uma realidade anterior para retornar. Como Maz disse: “O pertencimento que você busca não está atrás de você, mas à frente.” A resposta é assumida por Rey: “Luke.” Talvez ela esteja errada e o sucesso seja uma ilusão.
“… a última Jedi…”
Admita: A sua reação foi a mesma.
Quando ocorrem discussões sobre a trilogia sequela, costumo apontar que esses filmes são propositalmente metalinguísticos por serem uma análise da memória coletiva de Star Wars. Se O Despertar da Força é a afirmação da saga como um fenômeno, através de Rey, uma fã das histórias assistidas por nós, Os Últimos Jedi irá além e questionará essa admiração através de uma quebra das expectativas, a qual é comum com todas as personagens durante a narrativa, mas mais centralizadas na nossa protagonista, com um arco dramático simultâneo a outros dois personagens: Luke Skywalker e Kylo Ren.
Durante a primeira cena dela, há uma sensação de vitória e sucesso, um otimismo, mas o encontro com o velho Jedi é filmado de uma maneira diferente: É mais impessoal, com um distanciamento maior e até mesmo uma trilha sonora decrescente. Mesmo assim, a personagem não está preparada para a rejeição dele. É como se o sucesso de alguns minutos atrás, perdessem o significado. Entretanto, o seu fracasso, não apenas com ela mesma, mas com Leia e a Resistência, é negado. Ela persistirá e o seguirá, até cair de joelhos, cansada, decepcionada e confusa com o não cumprimento de expectativas.
Achou que seria fácil? Achou errado.
Novamente, a heroína é chamada ao desconhecido, dessa vez, até uma árvore com a incisão de luz sobre os textos Jedi, é possível a argumentação de que isso é a representação de seu futuro, já que eles são utilizados no nono filme. Luke finalmente aproxima-se e pergunta sobre o propósito dela. Uma motivação ideológica é dada: “A Resistência me enviou.” É como se uma adolescente tentasse esconder os seus sentimentos. Logo após, a motivação pessoal finalmente é admitida: “Algo dentro de mim, sempre esteve lá e agora despertou. E eu estou com medo. Eu não sei o que é e o que fazer com isso.” Logo, o maior desejo de Rey é um guia para a autodescoberta na Força.
Luke é apenas desenvolvido como um personagem por causa do passado e indiretamente, por causa de Rey. Apesar de ter concordado em ensiná-la (Depois de uma chantagem emocional do R2D2), há a necessidade da provação sobre o fim dos Jedi. Logo, duas lições relacionadas a esse ponto de vista são ensinadas para a personagem. Se pudesse descrever Rey em um adjetivo, provavelmente seria ingênua. De acordo com o dicionário: “Que possui inocência e simplicidade; que não possui malícia.”
Ensine a garota, Luke. Ensine-a agora.
Em decorrência disso, a visão de Rey em relação aos Jedi, à Força, são básicas e talvez, romantizadas. Durante a primeira lição, essa simplicidade é demonstrada quando é dito: “É um poder que ajuda os Jedi a controlarem mentes e fazer coisas flutuarem.” Algo o qual Luke imediatamente discorda devido aos seus anos de experiência. Não é sobre levantar pedras, a Força não é um super-poder e não pertence aos Jedi. Pela primeira vez, Rey está conectada ao seu interior espiritualmente, em paz e liberdade: A ilha, a vida, a morte, a luz, a escuridão, os ciclos dessas relações finalmente apresentados a ela. Mas ela é tentada pelo lado sombrio, ao não conter-se diante do desejo e necessidade. O passado ainda vive em seus pensamentos.
Enquanto a primeira foi sobre a democratização da Força, a segunda é sobre a desconstrução da romantização da Ordem Jedi. Luke os aponta como um legado de fracasso, mas há discordância por Rey: “A galáxia talvez precise de uma lenda” e o acréscimo de seu desejo: “Eu preciso de alguém que me mostre o meu lugar nisso tudo.” Ela até mesmo o lembra de Vader. Ironicamente, há uma crença absoluta na ideia de que Kylo é o culpado: “Kylo falhou com você. Eu não irei.” A sua necessidade de aprovação faz-se presente novamente e Luke, diferente de Han, está espantado com a determinação da jovem. Todavia, se uma há de conhecer a verdade, deve conhecer todos os aspectos sobre ela. O que leva ao outro lado do arco dramático compartilhado: Ren.
É um filme muito bonito.
De acordo com os sofistas, a verdade é um conceito relativo: O que é para um, pode não ser para outro. No roteiro por Rian Johnson, há duas verdades sobre o mesmo acontecimento: A de Luke, a de Kylo e a ouvinte, em conflito com uma resposta definitiva: Rey. Como os dois lados são necessários, a díade é criada com o propósito narrativo da desconstrução da simplicidade na mente dela e a construção de ambiguidade. Mesmo com ódio dela por ele, a inevitável conexão, a cada cena, os tornam mais íntimos.
Queira ou não, o vilão é o responsável pela mudança de visão de mundo da protagonista. Conforme dito pela atriz Daisy Ridley no documentário The Director and The Jedi: “Luke realmente deveria estar estimulando, mas é Kylo quem o faz.” Novamente, a necessidade de uma família em decorrência do seu abandono é apontado como uma fraqueza, apesar da negação dela. Além disso, há uma resistência em acreditar no ponto de vista dele sobre Luke. Na filosofia dele: “Deixe o passado morrer. Mate-o se for necessário. É a única forma de tornar-se quem você está destinada a ser.” (Ele está errado no final)
“É a primeira vez que eu vejo água e você me interrompe!”
“Beleza.”
Movida pela confusão e necessidade, Rey adentra ao desconhecido novamente, agora, em busca de respostas. Se a árvore era a representação de seu futuro, a caverna é o passado. Durante uma sequência psicodélica, com múltiplas versões suas enfileiradas, ela é chamada por uma voz feminina e levada até o espelho, até o fim, sem pânico, ou medo, como se ela esperasse por um destino. “Meus pais. Deixe-me vê-los.” – ela solicita, mas só lhe é concedida a própria reflexão. Ela precisa descobrir quem ela é, por ela mesma. Sem a compreensão disso, ela está devastada, sem respostas e tão sozinha quanto a sua infância em Jakku. Logo, em seu momento de desespero, a única possibilidade de confissão é com o “monstro”.
Como descrito por Johnson no áudio-comentário do filme quando Ben e ela tocam as mãos: “A noção de que ela vê essa oportunidade nele e talvez, algo além disso.” A partir desse momento, a segunda verdade é finalmente revelada a ela e confrontada contra Luke. Se antes havia ódio pelo aprendiz de Snoke, agora há a compaixão, mas ela ainda precisa da verdade. Neste momento, quando ele nega-se a aceitar o sabre novamente, é perceptível a ela: Se Luke não é a esperança da Resistência, talvez Ben seja. Um Skywalker de sangue por outro. Ela é novamente guiada por esperança, assim como quando chegou na ilha e o último Jedi é deixado com uma lição a ser refletida: Não é tarde demais para ele.
Pega logo isso, Luke. O braço dela está doendo.
Apesar do perigo, da incerteza, ao dirigir-se até uma armadilha, os ideais de Rey são prevalecentes, assim como suas expectativas devido ao seu coração otimista e a visão do futuro dele: “Ben, quando nós tocamos mãos, eu vi o seu futuro. Apenas uma parte dele, mas sólido e claro. Você não ajoelhará-se perante ao Snoke. Você mudará. Eu o ajudarei.” Entretanto, a crença dele é contrária, devido às respostas possuídas sobre os pais dela. Rey imediatamente recua quando ele diz: “Eu vi quem são seus pais”, pela resolução ter sido negada por ela. Através disso, há uma obviedade não dita sobre o término dessa sequência.
A expectativa dela sobre a redenção dele é fortalecida quando Snoke é morto e os dois unem-se contra inimigos. Após o final da violenta e enérgica colaboração, a preocupação imediata dela é com os resistentes. A fim de manipulá-la emocionalmente, Rey é forçada por Kylo a revelar a “verdade” negada por ela sobre os pais dela: “Eles eram ninguém.” O trauma do abandono e a quebra da ilusão de uma predestinação, ou de um lugar nesta história. Ela é menosprezada novamente por ele, dessa vez, não chamada de catadora, e sim, nada. Aliás, também há decepção com a escolha dele.
“Um novo império? Ben, meu compromisso é com a frota, é com a Resistência.”
Pela primeira vez no filme, Rey não estende a mão esperando que alguém a pegue. As suas vulnerabilidades não são interferentes aos seus ideais, os quais permanecem mesmos durante o todo filme, enquanto os de Luke e Kylo, indiretamente influenciados por ela, são invertidos e enquanto eles lutam contra os seus demônios, as pedras são levitadas por ela em Crait e a sua visão ingênua é afirmada não como um equívoco, ou uma fraqueza, mas como o caminho certo.
Se antes a crença era de que eles eram a esperança, agora é finalmente descoberto: Rey é a esperança e o pertencimento realmente não estava atrás, mas à frente: Em Finn, Poe, BB8, Rose, Chewie, a Resistência e principalmente, Leia, a única personagem que pega a mão dela como um guia para um futuro mais brilhante e esperançoso: “Nós temos tudo o que precisamos.” – a general diz para a garota segurando o sabre partido em duas metades, Mas de alguma forma, Palpatine retornou.
“… para ascender como uma Skywalker.”
Apesar dos motivos errados para um retcon relacionado à linhagem (Ela é poderosa por causa dele, ur dur), a personagem da Rey não foi arruinada, ou profanada, ou destruída em A Ascensão Skywalker. Muito pelo contrário. Visto que os desafios internos ainda estão ligados ao seu cerne: Família, o medo da solidão e o encontro do coletivo e principalmente, a busca por identidade. Além disso, é a melhor performance da Daisy Ridley no papel e é impressionante como a linguagem corporal é uma excelente transmissora da evolução da nossa heroína.
Se antes era tão incerta sobre a levitação de pedras, agora é uma tarefa fácil. Rey é reintroduzida conforme foi vista pela última vez: Com tudo o que ela precisa. O pertencimento foi encontrado na Resistência, tal qual uma figura materna/mestre: Leia. A zona de conforto foi encontrada pela personagem, ela finalmente está perto de conseguir tudo o que mais desejava. Entretanto, dentro de uma história, conforto nunca é duradouro para uma protagonista. Logo, conflito é necessário e as questões internas devem vir à tona.
Ela precisa de um abraço. Eu também.
Através da cena do treinamento, a base dramática perfeita é solidificada por três emoções. Primeiro, a insegurança, presente quando ela acredita que é impossível comunicar-se com as vozes dos antigos Jedi. Segundo, o medo, proveniente de visões sobre um futuro sombrio e eventos traumáticos do passado. Terceiro, a sua raiva, enquanto ela destrói o droid de treinamento, ela também deixa uma árvore cair em BB8. Pode parecer bobo, mas é eficiente para a construção de que Rey não é apenas um perigo para a Primeira Ordem, mas para os amados por ela também.
A necessidade de aprovação também é um elemento compartilhado com os dois filmes: Se no VII, era Han, no VIII, Luke, agora, no IX é Leia, quando é dito por ela: “Eu não quero ir sem a sua benção, mas eu irei. É o que você faria.” Não apenas isso, há indícios do retorno de um auto desprezo por conta do fracasso como por exemplo quando ainda é sentida a necessidade de merecimento sobre o sabre Skywalker, mesmo que o objeto tenha chamado por ela há muito tempo. É importante lembrar que ela também é assumidora do papel o qual seria desempenhado por Luke: A esperança de uma rebelião. Logo, é totalmente coerente a vontade dela em finalizar a jornada do Mestre Jedi para encontrar Exegol sozinha, para não deixar os amigos dela saírem feridos.
“The Sacred Jedi Texts!”
Contudo, A Ascensão Skywalker é um filme sobre coletividade e eles escolhem acompanhá-la na missão. Cabe ressaltar que o trio é a melhor decisão tomada em relação à história e as interações entre ela, Poe e Finn são muito bem escritas. Antes de deixarem Aj Kloss, Leia, ciente das inseguranças da sua aprendiz e das suas reais origens, aconselha: “Rey, nunca tenha medo de quem você é.” Algo não compreendido pela Jedi inicialmente.
Quando é testemunhado por ela o festival de Aki Aki, é afirmado: “Eu nunca vi nada como isso.” Mesmo estando um ano fora de seu planeta, esses momentos simples ainda são encantadores para Rey. No primeiro filme, foi Takodana, com uma paisagem esverdeada. Em Os Últimos Jedi, gotas de chuva e aqui, uma celebração. Ainda durante essa cena, há um set up importantíssimo para o final da história. É questionado a ela o seu nome e após isso, o nome da sua família. É tão sútil como a trilha por Williams e a atuação de Ridley são novamente transmissores de um otimismo como esconderijo de uma tristeza. “Eu não tenho um. Sou apenas a Rey.” – é respondido por ela com um sorriso forçado. Ela não se sente ela mesma.
“Ok, Rey, como você disfarça tristeza na frente de uma senhora?”
Como mencionado anteriormente, raiva é uma das três principais emoções a serem lidadas por ela nesse filme. No fim de Os Últimos Jedi, os destinos de Rey e Kylo Ren divergem completamente. Enquanto ela olha para o futuro, ele continua estagnado, falhando em matar o passado. As consequências emocionais desse ato de separação são transmitidas pela raiva dela. Sob um certo ponto de vista, a ideia de trazer o capacete de volta, é uma metáfora visual mais eficiente às sensações da protagonista do que as do antagonista. Porque é uma retomada da ideia inicial dela por ele: Um monstro. Tal qual visto em suas visões, a maligna proposta de Kylo ainda está viva na mente dela, tal qual o trauma do abandono.
No documentário The Skywalker Legacy, Chris Terrio diz: “E se a sua alma gêmea na Força fosse o seu inimigo? Circunstâncias o colocam um contra o outro, mas a Força os une. Eles entendem um ao outro sob o ponto de vista e mesmo assim, destino os fez inimigos.” Ao mesmo tempo em que ela é atraída pela conexão, no instante em que avista a nave dele, ela imediatamente o ataca. É importante lembrar que ela é pressionada por ele ao lado sombrio, para descobrir a verdade sobre ela mesma, ou pelo menos, aquilo a verdade dele sobre ela. Quando é informada de que Chewie está dentro de um dos transportes, ela imediatamente tenta puxá-lo, mas Ren opõe-se a ela e a competição torna-se tragédia, quando raiva é materializada através de um raio.
“Poder! Poder ilimitado!”
Mesmo que não tenha sido exatamente a responsável por isso, como o seu melhor amigo Finn aponta, ela culpa a si mesma. Ela comenta sobre as visões do trono do Sith em que ela está sentada ao lado do Líder Supremo. Apesar de não ser exposto no filme, é interessante como ela desesperadamente ansiava por um destino, mas aceitou o fato de não possuir um. Agora, o desejo anterior é realizado, mas parcialmente. Porque não há uma grandeza positiva como resultado final, apenas uma negativa. Ela está destinada para o mal, mas ainda não sabe o porquê, ou de onde ela veio.
Assim como o passado não está quite com a galáxia, também não está com Rey. Durante a missão, a nave procurada por ela é a mesma em que seus pais partiram e algo horrível foi feito com o uso da adaga Sith. Entretanto, esses objetos serão re-significados: O primeiro, o lugar em que eles morreram e o segundo, como eles morreram. Ela já descobriu, mas a negação sobre o passado, tornará a admissão mais difícil. Novamente, ela será pressionada a enxergar as coisas como são: Os pais delas foram assassinados e ela é uma Palpatine de sangue.
Eu amo braços.
Durante toda a sua vida, Rey mentiu para ela mesma sobre ter sido abandonada, mas sempre sentiu que foi. Agora, a descoberta de que ela não foi deixada como lixo, mas protegida e todo o amor o qual poderia ter recebido, foi tomado dela pelo próprio avô, pelo próprio sangue. Conforme visto nos episódios anteriores, família sempre foi a vulnerabilidade dela. Logo, a reação dela , a essa retirada de seu desejo, a torna irreconhecível: “Ele matou meu pai e minha mãe. Eu encontrarei Palpatine e o destruirei.” Pela primeira vez, o lado pessoal da heroína fala muito mais do que o ideológico. É tudo sobre vingança agora, mas não é perceptível a ela. Se ela não fizer isso sozinha, os amigos dela sairão machucados.
Em Kef Bir, Rey separa-se do grupo. Nem mesmo a maré alta a impede de adentrar na Estrela Morte. A personagem parece ter regressado aos seu estágio inicial: Sozinha, escalando escombros imperiais. A heroína é chamada ao desconhecido novamente. Antes, pelo o sabre dos Skywalker, agora, o localizador Sith. A personagem já foi de encontro à escuridão em Ahch-To (Há espelhos também), mas não amedrontada como agora, com a materialização da sua visão sombria: A Imperadora Palpatine, a qual compartilha das palavras de Leia: “Não tenha medo de quem você é.” É isso quem ela é?
Eu amo paralelos.
Não obstante, ela é ainda mais pressionada por Kylo: “Olhe para você. Queria provar à minha mãe que era uma Jedi, mas acabou provando outra coisa.” O discurso dele não é interessante à Rey, o localizador nas mãos dele sim e ele tira isso dela. Ela é consumida pela raiva absoluta e um duelo é iniciado. Rey está cada vez mais distante de quem ela é. A cada golpe contra Kylo, há raiva, fúria e talvez ódio por todos os atos dele contra ela. É interessante como o cansaço dela é visível à medida que a batalha torna-se mais intensa e os movimentos, mais lentos e desordenados. Pela primeira vez, derrota parece próxima.
Mas a interferência de Leia não apenas a salva, como também o faz com Ben. Infelizmente, não é perceptível a ela o ato de sua mentora e no momento mais crítico e sombrio, Rey esfaqueia o seu nêmesis. É como se Leia fosse assassinada pela própria aprendiz e nesse momento a verdade recai: Ela tornou-se o que ela nunca foi. Arrependida, ela cura aquele que provocou muita dor a ela, porque ela é compassiva. Ironicamente, o ato é remetente a uma cena anterior do filme, em que uma serpente ferida é curada por ela. Ainda mais irônico, é o fato dela ter chamado o neto de Vader de “cobra assassina” em Os Últimos Jedi.
A sorte dele é que ela é uma garota bacana.
Após um momento de puro instinto como uma sombra, Rey exila-se em Ahch-To. Alguns disseram que Episódio IX não é uma sequência do anterior, mas esta cena prova ao contrário. Porque há um lindo complemento na relação entre ela e Luke. Se no filme anterior, os atos dela são inspiradores para uma auto reflexão sobre os medos dele, agora ele fará o mesmo por ela. É como poesia, rima. Yoda disse: “Ben Solo você perdeu. Perder Rey não devemos.” Ele finalmente torna-se o que ela esperava dele: Um mentor.
“Passe a ela tudo o que você aprendeu […] o maior professor o fracasso é.” Ambos já estiveram no mesmo lugar por medo, mas do que Rey tem medo? Dela mesma, da escuridão dentro dela, de como pessoas ao redor dela estão em risco, mas principalmente por ser uma Palpatine, uma herdeira do mal definitivo. Entretanto, o espírito, o coração, é o que Leia viu nela. Durante a vida dele, Luke viu o sobrinho com o sangue Skywalker ir para o lado sombrio. Logo, resta apenas uma lição, a mais importante para a decisão da heroína no final: “Algumas coisas são mais fortes do que sangue.”
Eu chorei muito.
Se Rey não se considerava merecedora do sabre a ponto de até mesmo jogá-lo longe (tal qual Luke), agora, o sabre de Leia também será concedido a ela e a jornada dela para se tornar uma Jedi será finalizada ao lado dos seus mestres, metaforicamente. A missão é obviamente aceita porque ela jamais mediu esforços para ajudar os outros. Agora, o futuro dos Jedi, não como uma ordem, mas como um conceito de heroísmo, está em suas mãos. Quando chegou à ilha, estava dentro de um caça Tie, ao deixá-la, pilota um X-Wing, um dos seus sonhos de infância. A mensagem é clara: A pureza é a vencedora. Não é mais sobre vingança, é sobre confrontar o medo.
Não há mais volta quando o trono dos Sith está à sua frente. O objeto de sua visão é real, assim como o homem responsável por todas as desgraças ocorridas em sua vida, mas não há mais chances de ser tentada ao lado sombrio porque ela já ressurgiu das suas inseguranças e erros. “Tudo o que você quer é que eu odeie, mas eu não irei. Nem mesmo você.” Apesar de Palpatine tentar usar o trauma contra ela, ele não consegue porque já foi usado contra ela tantas vezes. Só resta finalmente a consideração pelo sacrifício dos que a geraram: “Meus pais eram fortes. Eles me salvaram de você.”
Isso, garota!
Assim como Snoke subestimou Kylo, o Imperador subestima Rey ao acreditar que ela abraçará a linhagem sanguínea. Entretanto, ele desconhece o verdadeiro poder dela: Os seus simples atos de bondade. Graças a eles, os seus desejos e expectativas do último filme são validadas no ato final: Não apenas Luke serve como uma guia, mas Ben Solo retorna à luz para salvá-la. As vozes do Jedi são finalmente ouvidas por Rey e nada mais parece impossível.
É a carta de amor à coletividade. Se ela era solitária, agora há a descoberta de que ela nunca esteve sozinha, na Força. Porque eles ouvem o chamado dela por ajuda. Estes são os últimos passos para tornar-se uma Jedi. Os dois sabres Skywalker são empunhados por ela e com a ajuda daqueles que vieram antes, ela deflete os raios do seu avô contra ele mesmo, contra o ódio dele. É defesa, não ataque, como uma verdadeira Jedi.
Ela é todos os Jedi, otário.
Quando Rey morre aliviada por ter salvado os seus amigos e é ressuscitada por Ben, é um ato de retribuição. Se analisarmos, Episódio IX é também sobre como a compaixão de Rey movimenta a história e outros personagens: Ela cura uma serpente e isto inspira BB-8 a religar D-O. Porque Rey oferece a ele conforto, ele encontra algo em comum com Finn: Saudades dela. Por causa disso, o droid ajuda a Resistência com informações sobre a frota. Quando Kylo é curado por Rey, ele não entende o porquê. Entretanto, na última cena entre os dois, ele finalmente entende o que ele deve fazer e tem a força para fazer: Uma vida por outra. A conclusão da díade é através do ciclo de vida e morte. Gentileza gera gentileza.
É irônico e satisfatório ver a queda do último Destroyer da frota de Palpatine cair em Jakku. Porque ele é a razão para ela ter vivido toda a infância e adolescência dela naquele lugar, mas ele será esquecido como areia no deserto. Enquanto isso, Rey reencontra-se com a família dela: Finn , Poe, a Resistência. Ela essencialmente sempre volta para casa. Contudo, ainda resta algo importante. Durante a trilogia, Rey é chamada por tantos nomes: Catadora, a garota, nada e Palpatine. Kylo Ren e o Imperador assumem conhecê-la, a sua verdadeira natureza. Entretanto, como dito por ela: “Ninguém me conhece.” Não é sobre a aceitação do que é dito para ela, mas como ela sente-se sobre ela mesma.
Ela foi chamada pelo sabre Skywalker, mas sempre tentou retorná-los aos mestres dela devido à insegurança, apesar de merecê-lo. No início do filme, ela diz: “Eu serei digna do sabre do seu irmão. Um dia.” No fim, ela é digna do sobrenome. Ela escolhe o sabre de luz dela, composto por parte dos bastões dela, dourado, brilhante como ela.
Ela faz o destino dela.
Assim como os seus pais escolheram serem ninguém, ela também escolhe a identidade dela, com a permissão de Luke e Leia : “Rey Skywalker.” – ela diz confiante. Se antes olhava para naves esperando pela volta dos seus pais, agora, ela olha para o nascer dos dois sóis, uma imagem icônica da saga, tão alta quanto eles, para o futuro. Porque o pertencimento buscado realmente estava à frente dela.
Streets of Rage 4 segue o padrão da saga com seu estilo beat ‘em up e side-scrolling. O game foi desenvolvido pela Lizardcube e Guard Crush Games e publicado pela Dotemu em associação com a Sega. O jogo é a quarta edição da série Streets of Rage que surgiu nos grandiosos Mega Drive, Master System e Game Gear, com seu terceiro e até então, último título lançado em 1994. Streets of Rage 4 foi anunciado em agosto de 2018 e tem lançamento marcado para 30 de abril de 2020.
A história se passa 10 anos após os acontecimentos de Streets of Rage 3, e o que sabemos é que mesmo após a derrota de Mr. X e o Sindicato, uma nova organização criminosa começou a ganhar força na cidade. Velhos conhecidos dos fãs, como Axel e Blaze, precisam então unir forças com novos aliados para parar os planos desta nova organização. Cherry e Floyd são os novos personagens jogáveis do game, porém, velhos amigos acabam aparecendo durante a gameplay. Esta por sua vez não é tão longa, o modo História possui cerca de 4 horas, unindo ação ininterrupta, com cutscenes que parecem ter sido retiradas de gibis, e pela música. Mas,não ache que o jogo se resume apenas ao modo História. A maior adição foi o multiplayer de até 4 jogadores. Bater em vândalos já é incrivelmente satisfatório sozinho, e Streets of Rage 4 permite que você compartilhe esta sensação com seus amigos, e sem sombra de dúvida é onde o game está em sua melhor forma.
Falar sobre os gráficos não é tarefa muito difícil aqui em Streets of Rage 4, o trabalho realizado pela equipe foi fantástico, mesmo que para alguns mais conservadores as mudanças podem ter parecido heresia com a série clássica. A animação dos sprites, se é que ainda podemos chamá-lo assim, está muito fluída e bem integrada com o novo estilo cartoon, adotado para “modernizar” a aparência do jogo. O que pode ser considerado um grande acerto.
A jogabilidade é a clássica de beat ‘em up e side-scrolling, o famoso 2.5 D, onde no plano 2D você pode subir e descer no cenário. Os controles são compreensíveis, com uma curva de aprendizagem muito fácil e clara. Basicamente temos o botão de “porrada”, o de interação com os objetos do cenário, o de pulo, e o de counter, que consiste num golpe que o personagem realiza para parar algum adversário que esteja vindo pela suas costas. Cada personagem possui um estilo de luta particular com combos próprios e habilidades únicas. Está habilidade especial é facilmente ativada, basta unir os botões de ação que o poder é produzido.
De certa forma, está opção segue o padrão simples e acessível da jogabilidade. Entretanto, em algumas ocasiões, pode ser que você acabe escorregando o dedo e ative a habilidade especial acidentalmente, e isto em certos estágios do game, pode ocasionar sua derrota.
Um dos pontos altos de toda a franquia Streets Of Rage sem dúvida é a trilha sonora, e em Streets of Rage 4 as coisas não são diferentes. Yuzo Koshiro está de volta, e com ele Yoko Shimomura (Kingdom Hearts, Final Fantasy XV) e Motori Kawashima, tendo trabalhado em muitos jogos da Sega o compositor carrega o título de estar entre os maiores nomes quando falamos de trilhas sonoras de vídeo games. Alguns fãs ficaram divididos em relação em seu trabalho no 3º jogo da saga, mas todos concordam que os dois primeiros lançamentos tiveram trilhas sonoras excepcionais. Aqui a missão foi unir o nostálgico com o atual, assim como fizeram com a animação do jogo, e o resultado foi ótimo.
Streets of Rage 4 é um ótimo jogo, não só para aqueles que curtem beat ‘em up, mas os que gostam de jogos onde o principal objetivo é se divertir, sem ter que se preocupar com nada além disto. Em alguns momentos, os adversários poderão parecer repetitivos e fáceis, assim você está ciente que deve evoluir na dificuldade, e se desafiar cada vez mais. Em relação aos combates de fato, não existe poluição visual quando acontece a porradaria, mas algo que chama atenção é que em certas posições no cenário seus golpes costumam não acertar o adversário, porém os golpes que o mesmo desfere em você são contabilizados, sem dar chance de você se defender. Fora isto, o jogo é um deleite para os fãs do gênero e da franquia em si. Um clássico jogo de briga de rua.
Streets of Rage 4 estará disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC a partir do dia 30 de abril de 2020. O jogo foi testado em um PC.
Produzido pelos diretos de Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato, Joe Russo e Anthony Russo, Resgate estreou na Netflix nesta sexta-feira (24/04). O longa de ação é estrelado por Chris Hemsworth e apresenta uma trama bem simples e comum, o que levanta a seguinte questão: será que Resgate é mais um filme clichê do gênero?
Em Resgate, acompanhamos Tyler (Chris Hemsworth), um mercenário que aceita a missão de resgatar o filho de um traficante indiano, que foi sequestrado pelo seu maior rival. No decorrer do longa, há diversas situações e obstáculos e ele vai precisar lidar com eles da melhor maneira possível para garantir a segurança do garoto.
A trama é bem simples e direta ao ponto, sem dar profundidade aos personagens e nem aos dramas pessoais de Tyler – que são brevemente mencionados em flashbacks. Por conta disso, as cenas de ação se tornam o principal atrativo do longa.
O filme é dirigido por Sam Hargrave, dublê e coordenador dos dublês nos últimos dois filmes da franquia Vingadores, logo é de se esperar boas cenas de ação no decorrer do longa. De fato as sequências de ação não decepcionam, as cenas de luta apresentam coreografias excelentes e as cenas de perseguição são de tirar o fôlego – isso tudo apresentando uma boa edição. Durante todo o momento, a câmera segue o personagem de Hemsworth como se fosse em um videogame e sem cortes bruscos, o que faz com que as cenas fiquem bem mais dinâmicas.
Bom, a fotografia do longa cai no clichê do gênero ao apresentar um filtro amarelado com o intuito de representar a localidade que o filme se passa – a capital de Bangadlesh. Geralmente, as produções norte-americanas utilizam esse filtro para lugares nos quais são considerados de ‘terceiro mundo’ e um exemplo disso são as cenas no México em Breaking Bad ou em filmes que se passam na África. A saturação amarela do ambiente incomoda bastante em algumas partes do longa.
Quanto ao elenco, apenas Chris Hemsworth se destaca. Sua atuação é relativamente a mesma feita em todo o filme de ação que o mesmo já estreou: o estereótipo do soldado/mercenário durão que consegue fazer qualquer coisa. O resto do elenco serve apenas para conduzir a trama, sem grandes destaques – até mesmo David Harbour passou batido.
Por fim, e respondendo a pergunta feita na introdução da crítica, Resgate foge um pouco do clichê presente no gênero de Ação ao mostrar cenas de ação dinâminas e bem feitas, sem o uso da ‘câmera tremida’ e sem cortes bruscos. Porém, a fotografia, a situação da trama e o desenvolvimento do protagonista caem no clichê. No geral, é um filme divertido de se assistir pelas cenas de ação, e só.
Nota: 3/5
A difícil missão deste mercenário vira uma transformadora luta pela vida quando ele é enviado a Bangladesh para resgatar o filho sequestrado de um chefão do crime.
Em seu segundo título pela Darkside, Danilo Beyruth lança história cujo tema se encaixa de forma mais contundente na proposta da editora especializada em terror.
Desconsiderando seus quadrinhos feitos para a Marvel e Maurício de Sousa Produções, Beyruth traz ao público sua oitava publicação original em menos de 10 anos, e pouco mais de um ano após Samurai Shirô, com uma trama voltada à atuação da máfia japonesa em São Paulo. Sua prolífica produção de histórias é proposital e o auxilia na constante mudança de temas entre um trabalho e outro.
Como era de se esperar, a editora que agora traz ao mundo dos vivos esta HQ, já visitou o mundo dos semi-mortos com 30 dias de Noite, de Ben Templesmith e a referência-mor do gênero, com duas versões de DráculadeBram Stocker. Mas, agora a trama está em nosso terreno, e as semelhanças não se resumem apenas entre a proximidade de idiomas, já que romeno e português são ramos do mesmo tronco linguístico.
Marcus trabalha arduamente todos os dias para sobreviver na cinzenta capital paulista mas, apesar de seu esforço, em pouco é reconhecido por isso. Passando pelas duras críticas e falsas ideias de ascensão de cargo prometidas por seu chefe, sua monótona rotina muda quando involuntariamente atravessa o caminho de Helena, uma vampira que, mesmo com sua aparência de jovem, guarda um fardo de séculos, e muito maior do que aparenta conservar seu corpo.
Seu passado datado como distante para nós é como ontem para ela. Seu histórico na terra é como uma trajetória utópica e pertenceria apenas aos livros de História para os seres humanos. Suas marcas na terra, apesar de serem guardadas com afeto por diversas recordações que a mesma insiste em manter, também carrega um passado turbulento e mal resolvido.
IMAGEM: Cortesia do autor
Helena é perseguida por uma gangue de sua espécie que busca vingança pelo que ela fez a eles e a Leander, este último alguém que Helena possui um laço muito mais estreito, numa intensidade similar ao vínculo formado com Marcus, que misteriosamente não pode ser controlado pelos poderes de Helena, embora seja totalmente humano.
A narrativa de Love Kills começa com apenas imagens nenhum texto por mais de 10 páginas, mecânica parecida com outro trabalho com participação de Beyruth: O longa-metragem Motorrad, com seus 15 minutos iniciais sem falas ou interjeições. A leitura flui facilmente e é surpreendentemente rápida. As mais de 200 páginas do tomo passam de uma forma tão dinâmica que mal parece ter essa extensão. Um dos artifícios que ajudam nesse aspecto é a constante movimentação, com diversas cenas de ação e perseguições.
IMAGEM: Cortesia do autor
Os elementos clássicos das histórias de Vampiros estão aqui com uma adição constante de metáforas entre eles, humanos e animais. Suas crises existenciais são expostas como pouco se vê e a casca de sua aparente imortalidade se mostra mais frágil do que parecia.
Todos os elementos então são condensados na sombria São Paulo com sua vida noturna, submundo das drogas e vidas despedaçadas, passando por detalhes minuciosos como seu deficiente esgoto aos pisos de taco, tão comuns nos apartamentos de várias regiões da cidade a partir dos anos 70. Beyruth mergulha mais uma vez em seu cenário mais recorrente, porém dessa vez explorando uma outra faceta da cidade que ele mesmo considera ser várias em uma só e, de fato, em sua mão se torna um abismo sem fundo aparente, onde a cada descida descobre-se um até então inexplorado nível ou subnível.
IMAGEM: Cortesia do autor
Já algumas vezes Beyruth afirmou temer tornar-se esquecido, e também por isso está em constante produção. Apesar de considerarmos um medo exagerado, não vemos problemas em sua lista de trabalhos estar sempre em atualização pois, assim como os contos vampirescos, suas histórias estarão sempre ao nosso redor.
Love Kills
Danilo Beyruth
250 páginas
26 x 17 cm
R$69,90
Capa Dura
Darkside Books
Data de publicação: 01/2020
Better Call Saul é incansável. Embora a história de Saul Goodman (Bob Odenkirk) pareça estar chegando ao seu final, isto é, seu início em Breaking Bad, os criadores Vince Gilligan e Peter Gould continuam a construir personagens e subtramas complexas. Em contrapartida das outras temporadas, a quinta demonstrou um nível de tensão e preciosismo técnico nunca visto antes, e, por conta disso, estabeleceu uma aproximação aos personagens da mesma forma que fomos nos aproximando de Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (AaronPaul). Se, na temporada anterior, Mike (Jonathan Banks) e Saul tinham se tornado aquilo que seriam por anos, nessa, Kim Wexler (Rhea Seehorn) toma para si sua transformação, e Lalo Salamanca (Tony Dalton) se impõe como um dos maiores “antagonistas” do universo Breaking Bad.
Foi a primeira vez que vimos Saul Goodman dar as caras na série. Depois de Jimmy McGill viver sempre à sombra de seu irmão Chuck (Michael McKean), contando fracassos na sua vida jurídica, sua transformação em Saul revela um homem renovado e corajoso para tomar qualquer atitude que fortaleça a sua imagem como advogado dos mais necessitados. A dinâmica dos julgamentos, das negociações de casos e da abordagem para com a clientela criam um ótimo início de temporada. Bob Odenkirk entrega sua performance ressoando quase que por completo sua atuação em Breaking Bad; audacioso, manipulador e sensacionalista. O caso do banco Mesa Verde, especificamente, tratou de trabalhar a figura de Saul Goodman como um manipulador de narrativas e casos, fortalecendo a figura inescrupulosa do personagem. Entretanto, a série desenvolve dilemas morais que colidem com os seus interesses, flertando com um lado mais humano e sentimental que permanece em seu consciente.
Enquanto isso, Mike vive um conflito interno depois do assassinato que cometera no final da quarta temporada. Sua indignação e incômodo com os negócios envolvendo Gustavo Fring (Giancarlo Esposito) criam a tensão perfeita, acrescentado emoção ao terço inicial da temporada. A relação com sua neta e a viúva de seu filho mantém o lado dócil do personagem, mas a abordagem é menor comparada às outras temporadas. O principal arco dele está ligado ao personagem de Nacho Varga (Michael Mando), que está infiltrado na família Salamanca a mando de Fring.
Já Kim Wexler surpreende por transmitir características e ambições semelhantes aos de Goodman. Se nas temporadas passadas a personagem mantinha uma ética profissional intacta, preocupada com as estratégias um tanto quanto criminosas de Saul e comprometida fielmente com os seus casos jurídicos, agora ela foi desenvolvida como se tivesse se transformado no oposto disso. Kim se torna cúmplice das ações do namorado, e acaba se envolvendo parcialmente em suas decisões duvidáveis.
O núcleo da família Salamanca é o que tem de mais interessante na quinta temporada. Composto principalmente por Nacho Varga e Lalo Salamanca, a família do cartel mexicano já é velha conhecida dos fãs deste universo, mas guarda uma potencialidade nunca antes exibida. Os dois administram os negócios dos Salamanca na região, enfrentando a concorrência e os diversos planos arquitetados por Gustavo Fring. A espionagem promovida por Varga carrega as cenas entre ele e os mexicanos de tensão absoluta. A opção da direção de fotografiapor planos fechados, que retratam as expressões de insegurança e nervosismo, como também marcam os olhares dos personagens, sempre sombrios e misteriosos, montam cenas a partir do perigo iminente existente nos trabalhos dos cartéis. Embora Breaking Bad aborde de maneira excepcional os mecanismos da máfia, Gilligan parece ter refinado ainda mais sua abordagem para com os detalhes do tráfico de drogas.
A partir dessas pequenas explicações, entende-se que a série tem pernas próprias há um bom tempo. Antes havia uma sombra de Breaking Bad que incomodava, e que poderia ser determinante para comprometer a qualidade da série, mas Gilligan e Gould entenderam que a submissão ao material fonte seria um tiro no pé – na verdade, na cabeça. O que se vê é uma história com uma identidade temática e visual própria e autêntica. Os núcleos se desenvolvem individualmente e coletivamente, culminando em um terço final que esbanja qualidade técnica, da direção a atuação. Com os personagens plenamente desenvolvidos, ainda que guardem surpreendentes reviravoltas, quando todos contracenam juntos estabelecem uma química tão perfeita e inacreditável, que o resultado é simplesmente a superação em relação a Breaking Bad.
Quando assistia os episódios, sempre estava à procura de alguma referência a Breaking Bad. A cada início havia o despertar de uma nova esperança que algum personagem da série principal fosse aparecer – e isso acontece, já que Hank Schrader (Dean Norris) aparece para matar as saudades -, afinal, Walter White e Jesse Pinkman marcaram uma geração na televisão. Contudo, as subtramas e os conflitos de interesse de Better Call Saul juntando com as atuações de alto nível e as mentes criativas de Gilligan e Gould me fazem esquecer de possíveis conexões com a trama original. Óbvio que se espera essa ligação entre as séries, mas a narrativa do spin-off é, inegavelmente, única e independente.
O terço final da série realmente se destaca dos demais episódios, não só pelo ritmo intenso, mas também pela preocupação em deixar alguns ganchos para a sexta e – já confirmada – última temporada. O antepenúltimo episódio, gravado quase inteiro no deserto, coloca os protagonistas em momentos de opressão psicológica e de reflexão moral. Depois, o penúltimo traduz as consequências dos atos dos personagens e encerra com uma das cenas mais tensas do ano na televisão, culminando na melhor performance de Kim – que ganha a série para si. Chegando ao último episódio, temos a exploração visceral da violência, que era mais implícita nas passagens de tensão do que uma verdadeira exposição de sangue e mortes. Em relação aos ganchos construídos, fica evidente o desafio que será para encerrar os arcos de Better Call Saul, que, ao mesmo tempo, deverá entregar a ponte entre sua história e Breaking Bad.
Better Call Saul, assim sendo, é indiscutivelmente uma das melhores produções anuais da televisão. Saber quem era Saul Goodman antes da fama parecia ser o trunfo da história, mas, ao nos aproximarmos cada vez mais do final, percebemos que a conjuntura que envolve todo o universo de Breaking Bad antes de Heisenberg é mais rica do que pensávamos, e merecia uma narrativa densa e bem construída como essa. Que bom que Gilligan e Gould perceberam isso.
KonoSuba é um dos animês recentes que eu mais tenho apreço. A maneira como ele pega o gênero Isekai (yikes) e transforma todos os seus clichês em ótimas piadas é algo que me fascinou desde o seu começo lá em 2016.
Desde o final da segunda temporada em 2017, os fãs esperam por uma nova adaptação de KonoSuba, e ficaram ainda mais ansiosos quando o filme foi anunciado. Mas isso trazia uma dúvida: um filme original ou uma continuação do animê? Pois bem, em 2019, KonoSuba: Lenda do Carmesim foi lançado, chegando à Crunchyroll em 25 de março de 2020. O filme adapta o volume 5 da light novel, sendo uma continuação direta do animê, que terminou no volume 4.
Como é uma continuação direta, o filme não é recomendado como uma porta de entrada para a série. Muito do humor e relacionamento entre os personagens se perde caso você não tenha visto as duas temporadas do animê. Ainda mais se você não está acostumado com o tom do mesmo.
Não sou leitor da light novel, então não sei o que mudaram ou adicionaram no filme, não cabe a mim dizer se foi uma ótima adaptação ou não. Mas o filme é espetacular.
Nele, Kasuma e seus companheiros tem a missão de ir na Vila dos Demônios Carmesim, após Yunyun, amiga de Megumin, dizer que a vila está sendo atacada pelo Rei Demônio, o grande vilão de KonoSuba, e que o filho de Kasuma com ela será o responsável por derrotá-lo. Após alguns pingos nos is, o grupo de aventureiros decide ir para a Terra Natal de Megumin.
O roteiro é simples, mas funciona.
Todo humor de KonoSuba é elevado nesse filme, desde as personalidades dos nossos protagonistas, quanto ao absurdo que é aquele mundo. Megumin é a estrela do filme. A maga explosiva ganha bastante destaque e mais do seu background é apresentado, e em decorrência disso, Yunyun, que no anime era apenas uma piada de rival recorrente, também é mais explorada. A relação entre as duas era apenas superficial durante o animê, mas aqui é melhor explicada.
O filme não traz nada de novo ou extraordinário, que irá mudar a indústria da animação. É apenas uma nova aventura, que dá continuação ao animê. É algo simples.
Apesar de ser ótimo, o filme me deu a confirmação de que KonoSuba funciona melhor em formato de animê para TV. O longa tem 1h30 min. e tive a impressão dele ter ficado bastante corrido. Talvez seja por eu já ter me acostumado a assistir KonoSuba em animê, mas o filme simplesmente não para.
Aqua e Darkness acabaram ficando escondidas nesse filme, mas era algo que eu já esperava. A hora delas ainda deve chegar. Mais sobre os aliados do Rei Demônio foi apresentado, mas sem muito aprofundamento. E como foram apenas 5 novels adaptadas, eu não acho que isso será explorado tão cedo em animê. A light novel, no entanto, já está rumando para seu final.
Agora, assunto sério. Quando o filme saiu nos cinemas americanos, alguns críticos acusaram-no de ser transfóbico. E sim, tem piadas sobre isso no filme e a resolução dele vem por causa disso. É algo bem ofensivo e que deveria ser extinguido. Infelizmente é esperar demais do Japão. Não sou a pessoa certa para opinar sobre isso, mas foi ofensivo, sim.
Diferentemente das duas temporadas do animê, que foram produzidas pelo Studio Deen, o filme foi produzido pelo J.C. Staff, que ganhou uma má fama nos últimos anos pela má produção de seus animês, devido a quantidade de projetos que o estúdio pega. No entanto, mesmo com a mudança de casa, toda a equipe de produção do animê retornou para o filme, incluindo o diretor Kanasaki Takaomi. E tenho que falar, a animação do filme está impecável.
Um dos charmes de KonoSuba são as caretas e reações dos personagens e isso que foi mantido aqui, e ainda teve espaço para show de luzes e magias, além de cenas de lutas. Vários cenários possuem mais detalhes, claramente houve um grande investimento por parte da produção.
KonoSuba: Lenda do Carmesim é o retorno que os fãs esperavam. O filme traz novamente o humor absurdo do animê e o expande ainda mais com uma animação primorosa e ótimos efeitos, apesar de ser corrido.
Nota: 8.5/10
O filme e as duas temporadas do animê estão disponíveis na Crunchyroll. As duas temporadas possuem dublagem em português.
A frase “parece que foi ontem” nunca pareceu tão fora de lugar quanto no ano de 2020. Ela é uma carrasca que nos lembra que infelizmente, não passamos nem de um terço desse ano que parece não ter mais fim. Com todas as loucuras (para não dizer coisa pior) que vêm acontecendo, pode ser que você tenha se esquecido como a sua vida costumava ser.
Que horas você costumava acordar? Como se calça um sapato? O que é um “jeans“? Essas e outras perguntas devem ter passado por sua mente no último mês (sim, pois é, faz tipo um mês apenas). Por conta disso, nada melhor do que aproveitar o tempo que você “ganhou” com uma preparação para voltar ao normal: se lembrando do como era sua vida no passado distante.
A equipe da Torre selecionou alguns animês Slice of Life, que abrangem diversos tipos de atividades e rotinas, para que você assista e fique melancólico por aquilo que você perdeu.
Está no Ensino Fundamental? Tsukigakirei
Primeiramente, se você é tão jovem, eu não recomendaria nem você estar assistindo animê. Você não fez PROERD não? De qualquer maneira, Tsukigakirei é um show absurdamente doce e gentil, que mostra com realismo a vida de pré-adolescentes. Desde a forma de pensar até a reação exagerada dos pais, esse é um slice of life que te lembrará como era a vida na época do fundamental. Com apenas doze episódios, pode ser sua diversão dominical (se é que você lembra que dia da semana estamos).
A sinopse do show, cortesia da Crunchyroll, onde você pode assistir Tsukigakirei na íntegra e com legendas em português:
“Último ano do ensino fundamental. Kotaro, um rato de biblioteca que quer se tornar um novelista, e Akane, uma atleta que adora correr, se encontram na mesma sala pela primeira vez. Eles ficam encarregados de cuidar dos equipamentos do festival esportivo, e vão aos poucos se aproximando via LINE. Como Kotaro vai lidar com os sentimentos que está nutrindo por ela? Enquanto isso, Takumi está apaixonado pela Akane desde o primeiro ano. Chinatsu, amiga de Akane, também fica interessada por Kotaro. Uma história de amor encantadora que se passa em Kawagoe.”
Está no Ensino Médio? Sound! Euphonium
Se você está no ensino médio, provavelmente está aproveitando bastante esse caos, não está? Mas não se acostume que logo, logo, você terá que voltar a acordar cedo para ir pro colégio, pegar fila na cantina e se manter acordado naquela aula de biologia que resolveram colocar de segunda-feira 7h da manhã.
Esse período da vida é um pouco complicado, pois a experiência média japonesa é bem distante da que temos aqui no Brasil, então pode ser que você estranhe alguns pontos, com coisas do tipo “eu não lembro de fazer isso“. É normal, não é sua memória do passado se destruindo. Não ainda. Apesar da forte temática musical, Sound! Euphonium ainda possui o quintessencial de uma vida adolescente: obsessões com hobbies inusitados; discussões absurdas por temas bobos; engrandecimento de coisas que não merecem tanto valor; e etc.
Com duas temporadas, que totalizam 27 episódios, você passará tanto tempo com essas personagens que é capaz de esquecer os seus colegas de sala de verdade. O show está, também, na Crunchyroll, e a sinopse que eles oferecem está logo abaixo:
“O clube de música da escola de ensino médio Kitauji já foi um clube de alto nível que vem caindo no ranking após a saída de seu conselheiro. No entanto, um novo conselheiro veio para colocar os alunos em rédeas curtas a fim de moldá-los. Em seu primeiro ano no ensino médio, Kumino Oumae e suas colegas Hazuki e Sapphire decidem dar uma olhada na banda de metais”
Já está na faculdade? Golden Time
O desespero começa a bater, pois você sente que nunca vai se formar? Seu curso presencial se tornou a Netflix mais cara que você já assinou? Já até esqueceu o gosto do corote azul? Pois é, amigo, Golden Time é para você. Se bem que, você realmente deveria parar de tomar corote, sério.
Você vai se sentir em casa muito, mas muito rápido, pois uma das primeiras coisas que nosso protagonista, Tada Banri, faz, é esquecer completamente tudo que sabia. E se tem alguma sensação mais representativa da vida de universitário, eu não conheço. Com 24 episódios que te tirarão ainda mais a vontade de ver aulas EAD, esse slice of life vai te lembrar do real objetivo de todo universitário: sobreviver.
Com legendas em português disponíveis na plataforma, a Crunchyroll nos diz o seguinte sobre o animê:
“Tada Banri é o mais novo aluno na escola de direito particular de Tóquio. Contudo, devido a um acidente, ele perde suas memórias. Durante sua integração, ele encontra outro calouro, Yanagisawa Mitsuo. Sem se lembrarem um do outro, suas vidas começam a se tornar cada vez mais interligadas, como se fosse obra do destino. Mas qual é o destino deles? Haverá felicidade ou somente outra memória a ser esquecida?”
Esqueceu como é a vida no escritório? Servant x Service
Tudo bem, eu sei que a maioria de vocês já são adultos, que trabalham e se sustentam. Afinal, para estar aqui, precisam ter algum hobby extremamente caro, que não dá pra ter sem uma renda fixa. Tá difícil pra todo mundo, seja você cinéfilo, nerd ou civil. Eu também sei que você tem feito todas as reuniões por vídeo com uma camisa social e bermuda de pijama. Mas o que importa é que você precisa lembrar de coisas fundamentais da vida no escritório: a pausa pro café; a habilidade de dar ALT+TAB pra planilha do Excel; amaciar seu colega o máximo possível para evitar que um assunto que podia ser resolvido por e-mail vire uma reunião de uma hora; entre outras habilidades essenciais para sobreviver na selva de pedra.
Em Servant x Service, vemos de forma bem-humorada o dia a dia de Lucy no escritório, e você vai, inevitavelmente, reconhecer os seus colegas em cada uma das personagens. É quase “The Office“, só que com um tema de abertura surpreendentemente mais dançante. Com apenas 13 episódios, você pode fazer esse exercício de teamwork até mesmo entre as meetings do seu squad, no lugar do coffeebreak que você sente tanta falta.
Também naCrunchyroll, a sinopse de Servant x Service é:
“Numa certa prefeitura de uma determinada cidade, em Hokkaido… A prefeitura onde Yamagami Lucy foi contratada emprega muitas pessoas únicas. Yamagami e seus colegas estão cheios de energia e segredos de como eles se esforçam (?!) nesta comédia de trabalho!”
“Mas Torre, eu moro no interior! Esses animê de cidade grande não me ajuda em nada!“: Non Non Biyori
Concordo com ocês, meus querido cumpadre caipira. Esses animê de cidade grande num dá nem uma ajudadinha pá nóis. Como um conterrâneo que mora no serrrrtão e puxa os R em porrrta, porrrteira e em porrrtão, entendo que nenhum dos citados acima aprecia os pequenos detalhes que apenas quem mora no fim do mundo conhece.
Tantos episódios e em nenhum momento eles vão passear na praça? Nunca saem pra “ir na cidade” (que na verdade é só o centro)? Não encontram nenhum conhecido na rua, mesmo passando por aquele bocado de gente? Pois é, né, essas coisas que só quem é do interior conhece e deve também estar sentindo falta. Non Non Biyori explora o interior do Japão com uma certa dose de fofura. Acaba sendo chamado de “tedioso” por muitos, por não ter nada de extraordinário e mostrar apenas coisas mundanas. Mas quem é que está rindo agora, desesperado pelo mundano, hein?
Com duas temporadas, que dão um total de 24 episódios, Non Non Biyori (e sua segunda temporada, Non Non Biyori Repeat) pode ser visto, você já sabe, na Crunchyroll. A sinopse deles é a seguinte:
“A vida de ritmo reconfortantemente lento das quatro meninas na pequena Escola Asahioka Branch continua com Natsumi, Komari, Renge e Hotaru frequentando a escola de uma turma só e com o total de 5 estudantes. Embora o ambiente descontraído seja uma grande mudança para Hotaru, que veio da agitada Tóquio, ela ainda encontra algo de encantador e relaxante na vida no campo no interior do Japão.”
E é isso por hoje. Espero que todos vocês fiquem em casa e se lembrem de como era a vida lá fora com esses cinco shows que selecionamos com carinho.
Estrelado por Robbie Amell e Stephen Amell – atores conhecidos por seus papéis em Flash e Arrow, respectivamente – e baseado no curta de mesmo nome, Code 8 – Renegados chegou na Netflix semana passada (sábado, 11/04) e foi realizado graças a uma campanha realizada pelos atores que resultou num financiamento coletivo de aproximadamente 2 milhões de dólares.
No longa somos apresentados a um universo – criado por Chris Pare e por Jeff Chan – onde 4% da população possui poderes e que são temidos pela sociedade, algo bem semelhante com o que é visto em X-Men. Entretanto, aqui os ‘mutantes’ são obrigados a viver no submundo devido ao preconceito da sociedade e são monitorados a todo o tempo por drones, além de serem classificados de acordo com seus poderes.
Na trama do filme acompanhamos Connor (personagem vivido por Robbie Amell), que cresceu escondendo os seus poderes por conta do passado de seu pai e que precisa cuidar de sua mãe doente. Sem conseguir um emprego decente, ele trabalha ilegalmente utilizando seus poderes em construções até que um dia ele se cruza com Garrett (interpretado por Stephen Amell), um traficante de drogas feitas a partir do líquido cefalorraquidiano das pessoas com poderes. Com isso, Connor entra na jogada e precisa de um plano quando as coisas fogem do controle.
O grande problema no filme – além do ”baixo orçamento” – é justamente o roteiro. Por mais que a trama seja algo clichê e fácil de ser dirigido em um longa, ela é tratada de forma bem rápida fazendo com que não haja o correto desenvolvimento dos personagens envolvidos e nem do universo pré-estabelecido. As informações são simplesmente jogadas na tela e ficam a mercê do curto tempo de longa-metragem.
Com exceção desse problema o longa tem uma premissa excelente e mistura elementos já vistos em outros filmes como Push (2009, dir: Paul McGuigan) e Chronicle (2012, dir: Josh Trank), além da clara inspiração em X-Men. A construção é essencialmente a mesma, pessoas com poderes vivendo em um submundo e descobrindo seus talentos por conta própria. Tecnicamente falando, o filme é uma mistura de diversos elementos vistos em outros filmes dos gêneros de sci-fi, thriller e ação – elementos estes que funcionam em tela, porém que, pelo problema de roteiro citado acima, não são aproveitados como devia pela direção do filme.
A atuação do elenco também deixa bastante a desejar, tanto Stephen como Robbie Amell apresentam a mesma expressão a todo momento e a mesma atuação vista nas séries da CW. O restante do elenco sofre do mesmo problema, sendo apagados pelos dois astros.
Code 8 – Renegados não é um filme ruim, mas não chega a ser algo inovador nem acima da média. É um filme mediano com uma excelente premissa porém com um péssimo desenvolvimento de roteiro, mas que garante a diversão dos telespectadores e que, quem sabe, ensine o próximo filme do gênero que deseje ter esses elementos a não cometer os mesmos erros.
Nota: 2.5/5
Code 8 – Renegados apresenta um mundo onde pessoas com habilidades “especiais” vivem na pobreza. Conner Reed (Robbie Amell) é um jovem poderoso que está lutando para pagar pelo tratamento médico de sua mãe doente. Para ganhar dinheiro, ele se junta a um mundo criminoso e lucrativo, liderado por Garrett (Stephen Amell), que trabalha para um traficante de drogas.