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Canil | O Terror e Agonia Que Amadurece a Trilogia Carniça

Canil é um amadurecimento. Ou pelo menos tem um gosto de amadurecimento. Além do sabor de horror e sangue. Mas a HQ que encerra a trilogia de terror de Marcel Bartholo e Rodrigo Ramos abrilhanta com uma evolução a série que começou em Carniça, continuou em Lama e termina agora. Essa parceria, uma das mais talentosas dos quadrinhos nacionais na atualidade, rendeu o selo Carniça Quadrinhos, abrindo um leque para o horizonte nas produções do gênero.

O amadurecimento que Canil traz para a trilogia, e muito fundamentada com a base da ousadia. A série tem essa marca de criticar e expor mazelas da sociedade e dos maus tratos de seus governantes ou então das grandes empresas e seus conglomerados milionários. Canil não fica atrás e apresenta uma critica social onde envolve, política, ego, abuso de menor, crime organizado e o corrupto sistema carcerário. E no meio disso tudo ainda temos espíritos e o mito da licantropia sendo explorado. E com uma ousadia de inovar em um lobisomen original, monstruoso e único.

Fica impossível analisar o roteiro de Rodrigo Ramos sem mesclar com a arte de Marcel Bartholo. Impossível. Assim como queijo com goiabada, é incrível como eles se completam. O roteiro do Rodrigo é reto e sem firulas. Você assimila bem o que está sendo proposto principalmente na metáfora do Homem e a Besta-Fera Interior. Um rapaz condenado vivendo em uma prisão, quando na realidade a verdadeira prisão é ele mesmo. A agonia, o medo e o prazer depois de transformado é repassado na narrativa de Canil. Assim como o pavor dos outros detentos e oficiais da prisão.

E todo esse horror, agonia, terror e prazer depois da transformação, é bem reproduzida na arte do Marcel Bartholo, que está entre um dos melhores desenhistas nacionais. O olhar profundo e sem esperança do jovem amaldiçoado é como uma prisão, um canil, durante a sua estadia na cela enquanto luta contra o seu monstro interior e entrega sua desistência para a vida exterior. Os obscuros cenários com o tom vermelho sangue, em alguns momentos incomoda. Passa desconforto. Como toda prisão brasileira passa com seu falido sistema. É tenebroso e assustador a sequência após a transformação e o Lobisomem atacando os outros presos e guardas.

Como dito antes arte e roteiro fazem um casamento perfeito em Canil, e acaba transformando a HQ na mais madura em termos de roteiro e arte da Trilogia. Assim como Rodrigo Ramos e Marcel Bartholo repassam esse amadurecimento para o leitor com uma história que traz critica social, terror e repulsa. Tradicional característica da Trilogia Carniça.

Carniça, Lama e Canil podem ser adquiridas no site e pelas redes sociais dos artistas. Links abaixo:

marcelbartholo.com

facebook.com/CarnicaHQ

 

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Cultura Japonesa Mangá Pagode Japonês

10 mangás seinen que mereciam ser publicados no Brasil

A variedade de títulos e demografias de mangás disponíveis no mercado nacional – apesar da pandemia – está cada vez maior, mesmo que engatinhando em comparação com outros países como França e Estados Unidos. E entre os gêneros de maior destaque, junto dos shounen, estão os mangás seinen, destinados ao público masculino adulto no Japão.

Abaixo, listamos dez mangás desta demografia que poderiam ser lançados no Brasil com base em alguns critérios, tais como: gosto pessoal, histórico de publicação do(a) autor(a) no Brasil e adaptação para animê em andamento ou já concluída.

Designs (Daisuke Igarashi)

Com duas obras já publicadas em território nacional pela editora Panini (Witches, série completa em 2 volumes e Children of The Sea, completa em 5 volumes), Daisuke Igarashi não é exatamente uma novidade para os leitores do Brasil, porém, algumas de suas obras ainda poderiam ser boas apostas, e talvez a opção de maior destaque seja Designs.

Serializada entre 2015 e 2019 na revista Afternoon, Designs é uma série completa em 5 volumes centrada em “híbridos humano-animal”, criados com um propósito misterioso de importância para o futuro da humanidade, e enviados para missões de massacre. O autor, que sempre aborda a ligação da natureza com o homem em seus mangás, entrega o estilo narrativo similar ao utilizado na série que alavancou sua fama, Kaijuu no Kodomo (a já citada Children of The Sea), porém com foco também em ação.

Dorohedoro (Q Hayashida)

Série adaptada recentemente para animê pelo estúdio MAPPA – e disponível internacionalmente na Netflix -, a coleção de Dorohedoro possui 23 volumes (190 capítulos) e foi serializada nas revistas Ikki e posteriormente HiBaNa e Gessan. A obra é uma ficção pós-apocalíptica que se passa em duas dimensões, o Buraco (a paisagem sombria e urbana onde residem os humanos) e o mundo dos feiticeiros.

A garota Nikaido conhece Caiman, um homem com cabeça de réptil e amnésia grave, e enquanto um clã de feiticeiros vem utilizando pessoas como cobaias em experimentos das artes negras, a dupla começa a caçar e matar os mesmos buscando desfazer o feitiço. A serialização de Dorohedoro, no Japão, se deu de 2000 a 2018.

A série animada está disponível na Netflix.

Eizouken ni wa Te wo Dasuna! (Sumito Owara)

Um dos sucessos recentes dos animês no mundo todo, Keep Your Hands Off Eizouken! (nome internacional) ganhou o carinho de todos graças ao carisma das protagonistas e a fantástica direção do animê, por Masaaki Yuasa, com produção espetacular. O mangá, de autoria de Sumito Owaara, é serializado no Japão na revista Gekkan! Spirits desde 2016, ainda em andamento com 5 volumes.

Eizouken conta a história de, principalmente, três garotas que iniciam um clube de animê na escola e desejam fazer animação, enfrentando as dificuldades de produção, orçamento, som e etc. Asakusa, Mizusaki e Kanamori são três garotas bem diferentes em personalidade que, juntas, dão início ao clube e aos poucos ganham destaque. A obra chama atenção especialmente pelo carisma, mas também pela criatividade visual.

A série animada está disponível na Crunchyroll.

Billy Bat (Naoki Urasawa)

Naoki Urasawa não é novidade no Brasil. Já tivemos os lançamentos de algumas séries completas, como 20th e 21st Century Boys, Monster (que vem sendo republicado em novo formato, de luxo) e Pluto. Mas a produção de Urasawa no Japão é muito extensa e entre suas diversas séries que poderiam ser lançadas no Brasil (como Master Keaton ou Yawara!) destaca-se Billy Bat.

A história é centrada num autor nipo-americano chamado Kevin Yamagata, criador da popular série Billy Bat para a editora Marble Comics em 1949. Kevin se dá conta de que pode ter copiado inconscientemente a imagem de Billy Bat a partir de algo que viu durante o período em que o Japão estava ocupado no pós-guerra, e aos poucos o autor se vê envolvido numa série de mistérios, assassinatos e profecias quando tenta buscar a permissão do autor original para que utilize o personagem. Como outras séries de Urasawa, esta traz um crescente de dramas psicológicos envolventes.

Shinya Shokudou (Yarou Abe)

Um simples restaurante que só abre durante a madrugada onde os clientes interagem contando histórias diversas. Shinya Shokudou (conhecido internacionalmente como Midnight Diner) é um mangá de autoria de Yarou Abe serializado desde 2006 na revista Big Comic Original contando com 22 volumes encadernados lançados até o momento.

Com um desenho único e bem diferente do habitual, Midnight Diner cativa pelo retrato perfeito do que é um slice-of-life. O dono do restaurante serve um menu fixo e prepara pratos customizados caso seja possível e, enquanto isso, histórias de vida são narradas. O mangá foi adaptado para uma série live-action que possui 5 temporadas, duas delas disponíveis na Netflix com o subtítulo Tokyo Stories.

A série live-action está disponível na Netflix.

Atom: The Beginning (Masami Yuuki, Tetsuroh Kasahara, Makoto Tezuka)

Adaptado para animê em 2017, Atom: The Beginning é um mangá baseado na criação de Osamu Tezuka, o Astro Boy. Com roteiro de Masami Yuki e arte de Tetsuro Kasahara, ATB é serializado na revista Monthly Hero’s, onde também é publicada a série moderna do Ultraman, também adaptada há pouco tempo para animê.

Como o nome sugere, este mangá é centrado no que aconteceu antes da criação do Astro Boy propriamente dito, com personagens clássicos como o Dr. Ochanomizu e Umatarou Tenma em versões mais jovens interagindo com A106, o protótipo de robô criado por eles que pode vir a ser um deus ou simplesmente um amigo. No Japão, a coleção de encadernados contém até o momento 11 volumes, e a serialização teve início em 2014. No México a publicação da série se dá pela editora Panini.

Bokurano (Mohiro Kitoh)

A criação mais famosa de Mohiro Kitoh (autor publicado no Brasil uma única vez pela editora L&PM com o compilado Fim de Verão), Bokurano é uma série de mecha serializada entre 2003 e 2009 na revista Ikki que ganhou destaque por diversas razões ao longo da publicação de seus 66 capítulos, totalizando 11 volumes encadernados e sendo adaptada para animê em 2007.

Quinze estudantes se envolvem num misterioso evento ao adentrarem uma caverna na praia onde recebem o convite suspeito para jogar um jogo onde cada um terá a chance de pilotar um robô gigante para batalhar contra inimigos que estão invadindo a Terra. O preço que o controle do robô cobra após o fim de uma batalha é chocante. Desta forma, as quinze crianças estão com um contrato assinado onde, no final, todas podem perder tudo.

Mushishi (Yuki Urushibara)

Mushishi ganhou o mundo desde o início de sua serialização na revista Afternoon entre os anos de 1999 e 2008, totalizando 50 capítulos compilados em 10 volumes. Criação da mangaká Yuki Urushibara, o sucesso foi tanto que a obra já possui três séries animadas e dois OVAs. O mangá possui uma continuação de apenas um volume, e uma antologia também de volume único.

A história apresenta criaturas onipresentes chamadas Mushi que frequentemente apresentam poderes sobrenaturais. Os mushis são descritos como seres em contato com a essência da vida na sua forma mais básica e pura. Devido à sua natureza efêmera, a maioria dos seres humanos são incapazes de perceber os mushis e são alheios à sua existência, mas há alguns que possuem a capacidade de ver e interagir com tais seres. Uma dessas pessoas é Ginko, o personagem principal. Ele emprega-se como um “Mushishi” (termo dado a pessoas que possuem a habilidade de enxergar mushis) viajando de um lugar para outro a pesquisar mushis e ajudar pessoas que sofrem de problemas causados por eles.

A série animada está disponível na Crunchyroll.

Yokohama Kaidashi Kikou (Hitoshi Ashinano)

Mais uma série da espetacular revista Afternoon, Yokohama Kaidashi Kikou (nome internacional Quiet Country Cafe) possui a incrível capacidade de contar uma história que soma 142 capítulos e 14 volumes encadernados onde quase nada acontece, girando em torno de contemplação e ideias muito simples.

Sendo uma ficção científica muito singular, YKK (como é chamada pelos fãs) é a série pós-apocalíptica mais good vibes de todos os tempos. Num Japão futurista onde o nível do mar subiu e invadiu boa parte das áreas costeiras do planeta, onde a população diminuiu drasticamente e as instituições políticas e tecnológicas ruíram, impedindo a existência de formas de comunicação que não sejam presenciais ou através de cartas e também blindando a existência de eletrodomésticos como a televisão, a robô Alpha é dona de uma pequena e simples cafeteria onde recebe seus poucos clientes e vive sua vida de forma simples e extremamente calma. Ela observa a passagem do tempo e faz amizade com outros robôs e humanos, e suas experiências são passadas com imersão única com poucos diálogos e muita apreciação dos momentos através da narrativa e bela arte do mangaká Hitoshi Ashinano.

Saint☆Oniisan (Hikaru Nakamura)

Após a publicação de Arakawa Under The Bridge pela editora Panini, é natural que um dos mangás listados aqui e que mereciam ser lançados no Brasil seria Saint☆Oniisan (nome internacional Saint Young Men), da mesma autora de Arakawa, Hikaru Nakamura.

Saint☆Oniisan narra a história de Jesus e Buda morando no Japão moderno, dividindo um apartamento pequeno e tendo que lidar diariamente com as situações mais inusitadas que existem. As duas figuras religiosas enfrentam problemas variados com relação ao dinheiro, interações humanas, tecnologia e muitos mais. O humor é afiadíssimo, fazendo piadas inteligentes sem ofender quaisquer crenças, e a autora evolui gradativamente enquanto toma controle das rédeas da publicação, lançada no Japão na revista Morning Two e totalizando 18 volumes até o momento, tendo iniciado em 2006.

Menção Honrosa

Kaguya-sama wa Kokurasetai: Tensai-tachi no Renai Zunousen (Aka Akasaka)

Série de sucesso da revista Young Jump em publicação desde 2015, totalizando 18 volumes até agora, Kaguya-sama: Love is War (nome internacional) ganhou muito destaque no mundo por conta das duas recentes temporadas de animê adaptando o mangá.

Shinomiya Kaguya e Miyuki Shirogane são membros do Conselho Estudantil da Academia Shuchiin, sendo ambos gênios entre os gênios. O tempo que eles passam juntos acabou fazendo com que se apaixonassem, mas o orgulho deles não permite que se confessem, pois quem o fizer será considerado inferior. Começa uma batalha mental: quem conseguirá fazer o outro se confessar primeiro?

A primeira temporada da série animada está disponível na Crunchyroll.


Acha que algum outro título merecia chegar por aqui? Deixe nos comentários, e vamos trocando uma ideia!

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Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

O futuro do isekai e “My Next Life as a Villainess”

Tá todo mundo de saco cheio de isekai. Ninguém aguenta mais um show que começa com um adolescente sendo atropelado por um caminhão ou acordando num campo gramado com os braços abertos. Mas mesmo assim, se você olhar os últimos lançamentos, verá que a taxa de isekai por metro quadrado está igual ao desmatamento da amazônia: crescendo descontroladamente. Como? E principalmente… por quê?

Pensando no histórico do “gênero”, vemos que desde o seu boom alguns anos atrás, a fórmula funcionou e foi divertida pelas primeiras quinhentas repetições. Depois disso, passou a ser mais do mesmo. Hoje em dia, temos um isekai tradicional que estoura por ano, e olhe lá. São casos de séries que já possuem uma base forte, seja de temporadas anteriores ou de leitores da obra original. Re:Zero e The Rising of The Shield Hero são alguns exemplos recentes.

Eu nunca vou esquecer da Emilia Snowboard… Obrigado, Re:Zero.

A partir disso, podemos ter dois caminhos: ou continuamos martelando o prego que já tá mais do que enfiado na parede, e fazemos uma dúzia de shows que são tão medíocres que acabam sendo esquecidos em questão de semanas (lembram de “Isekai Cheat Magician” ou de “The Master of Ragnarok & Blesser of Einherjar“? Nem eu). Ou… tiramos sarro do gênero, tentando fazer com que a sua premissa seja tão absurda que se torne difícil de esquecer.

Paródias sempre existem, mesmo quando algo ainda está em seu ápice (como KonoSuba, por exemplo), mas o nível começa a cair de uma forma absurda, assim que a saturação começa a ser atingida. Que tal um isekai, mas se você tivesse um celular? E se você fosse para um isekai, mas fosse reencarnado como um slime? Ou pior, ir parar em um isekai com a sua mãe?

Aiai… um isekai com a sua mãe… isso é tão besta… aiai…

Atingimos o ápice do isekai quando percebemos que ele se dá melhor quando não se leva a sério, e que deveríamos usar a sua saturação como mais uma forma de humor. Afinal, a repetição é o primeiro e o segundo princípio da comédia, não é?

Em “My Next Life as a Villainess: All Routes Leads to Doom!“, temos mais um caso – brilhante, aliás – de premissa absurda usada para o humor. Shows onde a personagem principal se vê num mundo de videogame são um dos isekais mais clássicos que temos (podendo citar o nosso queridinho Sword Art Online). Dar uma reviravolta no básico ao dar o papel de vilã para a protagonista não seria o bastante, afinal, shows como Overlord já fizeram isso antes. Precisávamos ir além, precisávamos enfiar ainda mais o pé na jaca.

Apesar do forte uso do tema para gerar humor – afinal, termos uma vilã desesperadamente tentando evitar a sua inevitável morte já parece tema o suficiente para muitas piadas – o show ainda tem qualidades que o seguram de pé por conta própria, como o carisma acidental da protagonista Catarina, ou seu charmoso intelecto negativo. Você se diverte e dá risadas por conta da premissa absurda de um isekai charlatão, e também por outros motivos. Se isso não é o ideal para uma comédia, eu não sei o que é.

E esse é justamente o ponto que eu queria tocar: o novo padrão de isekais deveria ser esse. Deveríamos fazer todo isekai ser mil vezes mais absurdo do que o anterior. Deveríamos forçar a barra de uma forma que ela já se transforme em uma mola. É a única forma de aguentar a repetição absurda que o gênero impôs sobre o universo de animês. Até uma hora que vão resolver parar, assim do nada. Lembra dos Haréns Escolares Mágicos Genéricos, que plagueavam todas as temporadas da primeira metade dos anos 2010? Pois é.

Mas, comentando um pouco mais sobre a patrona dessa postagem, acho que “My Next Life as a Villainess” merece alguns tapinhas nas costas pela sua execução. Não é fácil fazer uma comédia que não se leva a sério e conseguir ter uma história coesa e ter suas personagens plausíveis e realistas (dentro do limite permitido pelo absurdo, é claro).
Mesmo a protagonista, que carrega o fardo cômico inteiro nas costas, e que possui como um de seus principais atributos a sua falta de noção, consegue ser mostrada como tendo objetivos e aspirações claras e que refletem no desenvolvimento da história… Mesmo que isso seja feito através de um conselho de mini-Catarinas mentais.

Seja lá quem inventou a piada de miniaturas controlando a mente de uma pessoa, muito obrigado!

O absurdo se une ao bobo e conseguimos um show que me fez rir horrores nos oito episódios já disponíveis, e me deixou ansioso por mais. Nesse mini primeiras impressões, escondido no fundo de uma resenha de buteco, gostaria de dizer que “My Next Life as a Villainess” receberia um 4/5 se eu tivesse começado a assisti-lo um mês atrás. E recomendo que você não faça como eu, e assista esse show o quanto antes.

My Next Life as a Villainess: All Routes Leads to Doom!” está disponível na plataforma de streaming Crunchyroll, com oito episódios disponíveis até o momento, e um novo episódio todos os sábados.

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Música Vitrola

Chromatica é um planeta morno, mas que tem lá seus melhores dias de verão

“Esta é a minha pista de dança pela qual lutei” – Lady Gaga, Free Woman

Lady Gaga lançou hoje (29) Chromatica, seu sexto álbum solo de estúdio, e oitavo na sua discografia como um todo. Inspirado no cenário da música dance dos 90 e início dos anos 2000, Gaga tem o propósito de cantar e celebrar suas dores e tristezas na pista de dança,  nos levando à uma viagem ao planeta Chromatica, onde as músicas do álbum estão sendo tocadas. O grande problema é que, Gaga, como criadora do planeta Chromatica poderia ter deixá-lo sua temperatura mais elevada, e não tão morna quanto parece.

Que Lady Gaga é um dos nomes mais versáteis e talentosos da sua geração, já é de conhecimento geral. Desde quando surgiu, lá em 2008 se apropriando da música pop em seu estado mais puro e até mesmo sendo um sinônimo para o gênero, Gaga reinventou seu som e imagem diversas vezes. Já passou por músicas mais sombrias derivadas do eurodance, já flertou com a cena underground da EDM (Eletronic Dance Music), e até mesmo experimentou o rock e o country em suas canções. – E na grande maioria das vezes, sempre com maestria –
Após quase 6 anos sem fazer o pop dançante que a levou para o estrelato, Stefani retorna às pistas de dança, pena que, é um retorno bem aquém do esperado.

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Chromatica começa bem promissor, a primeira faixa do álbum é uma interlude orquestral, intitulada de Chromatica I soa como o início de um filme, e quando se interliga com a seguinte faixa, Alice, constrói a atmosfera necessária para comprarmos a ideia do álbum. O primeiro bloco do disco conta também com Stupid Love, primeiro single que, embora não seja um grande destaque, ainda funciona como boa música pop. Logo após vem a dupla  Rain On Me, parceria com Ariana Grande e Free Woman, duas das melhores canções do disco. Sendo a última citada, uma grande ode à música house/dance dos anos 90, algo que lembra o tipo de música que Whitney Houston poderia fazer. Fun Tonight, a música que encerra o primeiro bloco do álbum, não é um destaque ao mesmo nível que suas colegas de set, mas ainda funciona dentro do conceito de “música para chorar dançando”.

O problema de Chromatica começa agora. A segunda etapa do álbum inicia com outra interlude, desta vez Chromatica II que faz a melhor transição do disco com 911. Porém, esta canção, está longe de ser algo realmente bom. 911 é a primeira vez que na qual Gaga revisita algo que fez em sua carreira. A música tem aquela sonoridade do pop em sua mais pura essência, entretanto é chata demais e repetitiva, soando até mesmo superficial, e sem ser proposital, o que é um grande problema. A faixa parece um descarte do The Fame, seu álbum de estreia de 2008.
Em seguida, mais uma decepção.

Plastic Doll é uma música produzida por Skrillex, e por isso, para quem conhece o trabalho do DJ, era de se esperar que uma colaboração justo com Lady Gaga fosse algo bem mais fora da caixinha, mas infelizmente, a cooperação é apenas uma música pop qualquer, sem sal, açúcar ou qualquer outro tempero. Continuando a derrocada do álbum, temos Sour Candy, parceria com o grupo coreano BLACKPINK. É uma outra parceria que tinha grande potencial, mas desaponta. Não que seja de todo mal a canção, mas ela sai do nada e vai para lugar nenhum, mesmo usando um sample muito bom e clássico da música house (Que já foi usada até por outros grandes nomes como Katy Perry em Swish Swish, e Nicki Minaj em Truffle Butter).

Pelo menos, a segunda parte do disco tem sua pepita, a música Enigma que não usufrui somente dos elementos eletrônicos que o gênero dance proporciona, mas também toma pra si – com louvor –  elementos orgânicos de instrumentos reais, como saxofone. Entretanto, o nível volta a cair com a faixa sucessora, Replay. Mais um pop sem graça, superficial e datado.
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Ao chegar na última parte do álbum, iniciada pela interlude Chromatica III, damos de cara com sua maior surpresa, Sine From Above, parceria com ninguém menos que Elton John. Era de se esperar algo mais slow tempo, ou até mesmo uma balada vindo de Gaga e John, porém, a música é nada mais que o ápice da disco music da década de 90 mesclado com piano e um leve toque experimental, é definitivamente uma obra prima, um presente. 1000 Doves, está em um local muito complicado no disco, por ser a sucessora de Sine From Above, mantém a expectativa em alta, mas, não é grande coisa, mesmo que não seja ruim.

E por fim, chegamos a Babylon, que não é só a melhor opção para encerrar o disco como também é a melhor música de Chromatica. Se Free Woman é a síntese do house noventista e Sine From Above e Enigma representam a maestria da mistura entre os elementos orgânicos e industriais, Babylon é a alquimia perfeita das três canções. Fora que, além de acompanhar de um maravilhoso coral, a música soa como uma irmã mais nova de Vogue da Madonna, hit dos anos 90. Babylon tem o poder de nos teletransportar diretamente para a melhor pista de dança de uma balada no auge da madrugada.

Não que Lady Gaga ainda precise provar alguma coisa para a indústria, seja em sua versatilidade, talento ou atitude artística. Mas Chromatica é bem além do que ela pode nos entregar,  é um álbum bem morno no conjunto de sua obra. Ele até consegue funcionar como um bom álbum pop porém, não é de longe o melhor trabalho e nem o mais genial de Gaga, muito pelo contrário, periga a se tornar o seu mais fraco com decorrer dos anos. Chromatica representa bem uma noite na balada, pois nele há músicas maravilhosas que funcionam perfeitamente bem como grandes trilhas sonoras dos melhores momentos de uma madrugada, mas também músicas extremamente pobres, chatas e superficiais que no mínimo funcionam como trilha sonora do momento de se retirar da pista de dança e ir ao banheiro ou bar.

Nota: 7.0/10

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Serial-Nerd Séries

Arremesso Final e a Construção Esportiva e Cultural do Mito Chicago Bulls

 “Que horas são? É hora do jogo!”

Imagina que você é dirigente de um time pentacampeão? Imagina que você é dirigente de um time que tem simplesmente o melhor jogador de todos os tempos? Imagina que você é dirigente de um time que se torna um marco máximo do esporte e da cultura mundial? Agora imagina que você decide desmontar esse time e avisa para o seu técnico no início da temporada? Essa foi a ideia do gerente geral do Chicago Bulls, Jerry Krause.

Partindo do principio do desmanche, Arremesso Final, Last Dance no original, a série documental sobre o lendário time da década de 90 do Chicago Bulls, apresenta um dos pilares daquela década. Um pilar que envolveu esporte, cultura pop, marketing esportivo, polêmicas, recordes e Michael Jordan. Com direção de Jason Herir, a série é uma co-produção da ESPN com a Netflix  tem como dois pontos que devem ser muito destacados: a qualidade jornalística e por não esconder, digamos, nenhum “podre” de ninguém. Nem do ídolo Michael Jordan.


Ao longo de dez episódios somos bombardeados em uma incessante viagem em tempos distintos. A linha temporal é contada de forma não linear, mas de muito fácil entendimento. E sim, temos mais de um documentário dentro de Arremesso Final. A série fala sobre a fabulosa última temporada do lendário time do Bulls, com todos os seus conflitos, mazelas, dores, alegrias etc. Ela fala de como esse mesmo time foi importante para a globalização do NBA. A série fala sobre Michael Jordan.

Destrinchando com maestria a vida do maior jogador de basquete de todos os tempos. Arremesso Final destila toda trajetória de como ele foi eleito cinco vezes o jogador mais valioso da NBA, de como foi o maior pontuador em um único jogo (com 69 pontos) e cestinha máximo durante 10 temporadas. Acompanhamos um menino Michael Jordan, que saiu de terceira opção do Draft de 1984, para lenda máxima do esporte. Mas não somente no basquete. Jordan foi, ou ainda é, um ícone da cultura. Da moda. Da perseverança. Momentos de sua carreira dão excelentes cases de sucesso em palestras motivacionais que se espalham por aí. Ele criou tendências influenciando não somente uma geração de atletas, mas também na moda com os tênis Air Jordan. Protagonizou a super produção da Warner Bros., Space Jam – O Jogo do Século e se tornou uma das personalidades mais famosas e importantes de todos os tempos.

Scottie Pippen, o técnico Phil Jackson e Michael Jordan.

Mas as suas polêmicas e jeito duro também são mencionados durante Arremesso Final. De como apesar de muito querido por boa parte dos jogadores, ele era uma pessoa altamente competitiva. A ponto de magoar seus companheiros de equipe em assédios morais em treinamentos e jogos. Momentos de vulnerabilidade a perda do pai e o vício por jogos são contados minuciosamente. E a série não esconde isso. O próprio Jordan, em depoimentos sinceros ao longo dos episódios, relata cada um deles. Inclusive depoimentos rancorosos. Que aos 57 anos, o atleta ainda os guarda. Como no momento em que ele chama Scottie Pippen de egoísta, por este forçar sua saída do Chicago Bulls por receber um salário menor. São momentos que poderiam desconstruir o mito. Mas muito pelo contrário, só fortalecem. Impossível não terminar a série gostando ainda mais dele. Querendo consumir mais leituras ou filmes sobre ele. Ou simplesmente assistir um jogo do Chicago Bulls daqueles gloriosos anos.

Arremesso final tem sua dose dramática que se eleva em diversos momentos. O décimo e último episódio é o melhor. Quando relata sobre a sofrida série de seis jogos finais contra o Utah Jazz, onde os jogos finais são apresentados como um épico do estilo Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Onde todos os personagens estão já exauridos, praticamente se arrastando, tirando forças sabe-se lá de onde, e mesmo assim estão indo para um último objetivo maior, para uma última e melhor dança. É praticamente impossível não ficar nervoso com a construção que a direção deu ao último episódio. Mesmo sabendo da história, é como estar dentro daquele estádio lotado.

Mas Arremesso Final constrói bem todo épico mitológico do Chicago Bulls pelos seus campeonatos. Ele vai cutucando cada mazela de seus jogadores. Sem nenhum pudor de falar da insatisfação de Scottie Pippen, das loucuras de Dennis Rodman e da obsessão de Michael Jordan com o topo e a vitória sempre. Muitas vezes vemos a narrativa da série, transformar “personagens” em vilões. E de uma hora para outra se tornarem heróis. É uma série que agrada quem gosta de basquete e viveu a Bulls-Mania e também agrada e prende quem não gosta do esporte. Os depoimentos dos jogadores, do técnico Phil Jackson, de adversários, os ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton, familiares e de profissionais da imprensa esportiva abrilhantam a série. O que só eleva ainda mais o Chicago Bulls daquela época.


Arremesso Final, é obviamente uma série que conta a vida e carreira de Michael Jordan. Mas ela constrói é como o time chega ao ponto de se tornar um marco cultural e esportivo. Vamos lembrar que era uma década em que a internet dava seus primeiros passos. Não existiam os celulares poderosos, as redes sociais nem nada do tipo que pudesse compartilhar com outros países e se tornar viral uma imagem de time vencedor. O que esse Chicago Bulls fez foi entrar para a história pelo basquetebol. Michael Jordan, apesar de ser uma personalidade midiática, não tinha um aparato como Instagram para se promover. Suas clicadas e curtidas não eram com atrizes famosas ou festas badaladas. E sim com suas enterradas, performances e determinação nas quadras.

Arremesso Final é uma das séries documentais mais bem produzida de 2020. Uma série que não tem medo de desconstruir um mito, assim como ela não tem medo de elevar para um patamar maior. Para quem não teve a oportunidade de assistir nada daquele Chicago Bulls, é uma excelente chance. Para quem teve chance der assistir, quando chegava aqui no Brasil, assim como esse que lhe escreve, é uma chuva de lembranças. De boas lembranças.

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Cinema Entretenimento Tela Quente

O que podemos esperar do Snyder Cut?

No final de 2017, foi lançado nos cinemas ao redor do mundo Liga da Justiça – o primeiro filme da equipe de heróis da DC. Entretanto o produto final não foi o mesmo prometido durante sua divulgação, apresentando diversas alterações em sua edição, com cortes, refilmagens e o tão comentado cgi para esconder o bigode de Henry Cavill.

O motivo disso foi por conta do afastamento de Zack Snyder da direção. Originalmente o diretor tinha controle total do filme, porém houve uma tragédia familiar e Snyder foi substituído do cargo por Joss Whedon, que modificou toda a obra original de Snyder ao eliminar cenas essenciais para a trama e acrescentando outras com a clássica ‘fórmula Marvel’ de humor, inclusive sexualizando a Mulher-Maravilha em uma cena onde o Flash cai em seus seios. O intuito do diretor era transformar o que tanto criticam nos longas do Snyder em uma versão mais próxima do que ele trouxe em The Avengers (2012), entretanto não deu certo.Justice League Snyder Cut Rumored to Have Screened, Is a Release ...A insatisfação dos fãs com o conteúdo apresentado e com as alterações de Whedon fez com que um movimento nascesse: o #ReleaseTheSnyderCut. Por três anos e em diversas redes sociais, especialmente no Twitter, os fãs promoveram a tag para que a Warner Bros. desse uma chance e lançasse a versão original de Zack Snyder – a versão que os fãs queriam ver desde o desfecho de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, em 2016.

Após três anos e diversas informações reveladas por Zack Snyder sobre seus planos para o filme, finalmente, foi divulgado durante a transmissão de Homem de Aço no Vero e com a presença de Henry Cavill, que o Snyder Cut existe e que será lançado no novo serviço de streaming (clique aqui para saber mais). Oficialmente, Zack Snyder’s Justice League será lançado em 2021 no HBO MAX.

Agora que está confirmado, a pergunta é: o que podemos esperar do Snyder Cut?Justice League

Segundo Zack Snyder, o diretor não assistiu o corte de Whedon que foi aos cinemas e afirmou que provavelmente apenas 1/4 de seu filme foi apresentado nas telonas. Ou seja, agora veremos totalmente a versão de Snyder. Sua versão poderá ser apresentada em um filme de quatro horas ou ser dividida em seis episódios – o que, de fato, será o melhor formato pois sabemos a quantidade de conteúdo que a versão original apresenta e, com esse formato, vai dar mais tempo para desenvolver a trama, os personagens e dar um final digno ao longa.

Durante esses três anos de ação do movimento #ReleaseTheSnyderCut, o diretor revelou na rede social Vero vários detalhes sobre seu corte original. Logo, sabemos mais ou menos o que será visto no longa: o traje preto do Superman, alterações na cena do renascimento do Superman e do seu retorno, a presença de mais Lanternas Verdes ao longo do filme e, tão esperado pelos fãs, a presença de Darkseid. O diretor revelou que o vilão apareceria no final da luta final com o Steppenwolf e em uma versão mais jovem durante uma batalha. Com sorte, também poderemos ver a continuação da sequência de Knightmare que foi apresentada em Batman vs Superman e o Flash voltando no tempo para alertar Bruce Wayne.

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Veremos também mais do Cyborg, da descoberta de seus poderes e da relação de Victor Stone com seus pais, assim como o seu jogo de futebol americano pela universidade de Gotham e seu acidente. Sabemos que o filme desenvolveria o herói dando um gancho para seu filme solo, logo há bastante material para ser exposto. Também veremos mais de Barry Allen e teremos a presença de Íris West – par romântico do herói que foi cortado na versão de cinema. Além disso, novos personagens estarão presentes: o Caçador de Marte, que Snyder revelou ser o General Swanwick (presente em Homem de Aço e Batman vs Superman), o Átomo, que foi divulgado em uma imagem publicada no Vero e, segundo rumores do set, Hal Jordan como Lanterna Verde – ou, pelo menos, outro Lanterna.

Por fim, teremos também mais desenvolvimento sobre Darkseid, a cena da Mulher-Maravilha decapitando o vilão, Steppenwolf e a tão prometida cena pós-créditos com o Deathstroke – diferente da que foi vista nos cinemas.  Daremos adeus também ao cgi para remover o bigode de Henry Cavill, finalmente.

Outra alteração que será bem-vinda é a da trilha sonora. Por mais que a introdução com ‘Everybody Knows’ seja um dos pontos altos do filme, todo o resto da trilha composta por Danny Elfman foi horrível e não combinou com o tom do longa e dos personagens – com exceção da homenagem feita utilizando a trilha clássica do Superman, mas esta durou apenas dois segundos. Se o longa trouxer Hans Zimmer e Junkie XL novamente com a qualidade dos filmes antecessores de Snyder no DCEU, será perfeito.

Eu realmente espero que a nova versão de Liga da Justiça seja dividida em episódios para que haja maior desenvolvimento dos personagens – principalmente de Cyborg que foi tão prometido, mais cenas de ação, a conclusão da sequência do Knightmare, uma finalização decente do Steppenwolf e uma conclusão que ajude a conectar o longa aos futuros filmes do DCEU. Agora, é esperar 2021 para assistirmos a Zack Snyder’s Justice League no HBO MAX, após longos três anos de espera.

157 Justice League HD Wallpapers | Background Images - Wallpaper AbyssÉ inegável a importância que o movimento teve para a história do cinema, não só pelo amor dos fãs ao trabalho de Snyder junto com a sua não desistência para conquistar a versão do diretor, como também pelo fato de ter tido um final feliz. Um movimento que levantou tags em redes sociais, placas na frente dos estúdios da Warner Bros. e até mesmo cartazes pelas ruas conquistou o seu objetivo – finalmente veremos o Snyder Cut. O #ReleaseTheSnyderCut não foi somente um movimento para os fãs poderem ver a versão do diretor, mas sim um movimento em favor à liberdade artística e contra a injustiça que o estúdio cometeu com Zack Snyder, se aproveitando de sua tragédia familiar para afastar o diretor e tentar lucrar mais com seu universo compartilhado repetindo a fórmula do vizinho.

Goste de Zack Snyder ou não, ele é um diretor que se entrega a cada projeto que faz e é nítida a ideia que o diretor tinha para o universo compartilhado da DC e o carinho que o mesmo dedicava aos filmes. Finalmente poderemos ver a conclusão da trilogia iniciada em 2013, com Homem de Aço, e honrar a memória de sua filha, Autumn Snyder.

Por fim, a justiça foi feita.

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Editora NewPOP anuncia Joy Second, Devil Ecstasy e Aku no Hana

Em sua live semanal transmitida hoje no YouTube, a Editora NewPOP anunciou três títulos que serão lançados futuramente, sendo eles Joy Second, Devil Ecstasy e Aku no Hana! Confira detalhes abaixo.

Joy Second

Continuação da obra já publicada pela editora, esse volume único aumentará o seu catálogo de mangás do gênero “boys love. Sua pré-venda deverá começar “em breve“, segundo o Editor-chefe.

Devil Ecstasy

Mais uma obra do autor Shuzo Oshime, que já tem Happiness publicado no país pela editora, essa obra em 4 volumes será lançada, também, “em breve“.

Aku no Hana

Talvez Aku no Hana seja a obra mais famosa do autor na editora. O nome nacional ainda não está confirmado, apesar do editor comentar sobre a possível tradução (Flores do Mal, uma tradução literal do título). O título, completo em 11 volumes, será publicado… Isso mesmo: “em breve“.

Além das novas obras, o editor Junior Fonseca fez alguns comentários sobre os títulos da editora:

Ele comenta sobre a versão definitiva de “A Voz do Silêncio“, que será lançada em breve; explica que o mangá “Citrus será lançado com maior frequência (“de forma mensal“) no futuro; O mangá “Given” deverá chegar para a editora no final do mês, e as entregas das pré-vendas começarão logo depois. Porém, a sua pré-venda ainda está no ar; Os mangás anunciados anteriormente, “Mulheres e seus segredos” e “A Besta“, além de “Solo Leveling, deverão ter sua pré-venda iniciada em alguns dias; O volume 13 da Light Novel “Re:zero” deverá ser lançado antes da nova temporada do animê; O volume final de Happiness” sairá na checklist desse mês da editora; Haverão, no futuro, reimpressões dos volumes esgotados de “No. 6″.

A live completa está disponível no canal da Editora NewPOP, que pode ser acessado clicando aqui.

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Star Wars 1313: O Jogo de Star Wars cancelado pela Disney

Durante a E3 de 2012, foi anunciado que a saga Star Wars ganharia um novo título para os videogames: Star Wars 1313. O jogo seria produzido pela LucasArts e não apresentava data para o lançamento porém, pela época que foi anunciado, provavelmente seria lançado em 2014/2015 e para os consoles da nova geração – Xbox One e PS4.

No mesmo evento, foi divulgado uma demo do que veriamos no jogo:

Quando apresentado na E3, o jogo surpreendeu toda a legião de fãs da franquia por apresentar algo inovador desde então: o jogo seria focado em combates com armas de fogo em terceira pessoa utilizando uma gameplay semelhante ao que foi visto na franquia Gears of War e Uncharted, onde o jogador se protege com o sistema de cobertura e atira nos inimigos e explora os cenários, ao invés de utilizar a força e o clásico sabre de luz nos combates. Além disso a temática do título seria mais adulta, envolvendo assuntos como terrorismo e até mesmo prostituição – algo nunca visto no universo de George Lucas.

Segundo as informações disponibilizadas na época, o jogador iria controlar um caçador de recompensas explorando o submundo do crime localizado em Coruscant, capital da galáxia. E na trama, que se passaria entre A Vingança dos Sith e Uma Nova Esperança, o caçador teria que desvendar uma conspiração criminal.

Posteriormente foi divulgado que o caçador de recompensas Boba Fett seria o protagonista do jogo e que o personagem na demo era apenas alguém aleatório para fazer essa surpresa aos fãs. Recentemente, foi revelado uma screenshot onde vemos o personagem em pé com o submundo no fundo.

Segundo os jornalistas que tiveram acesso à demo durante sua divulgação, o jogo era destaque dentre os futuros lançamentos da época. Star Wars 1313 apresentava um futuro promissor com sua temática e sua gameplay inovadoras da franquia nos videogames.

Infelizmente, no final de 2012, a Disney comprou toda a franquia Star Wars e decidiu fechar a LucasArts que estava encarregada de desenvolver e publicar o jogo. Com isso, Star Wars 1313 se tornou um projeto engavetado e sem chances de ser lançado nos próximos anos – ou seja, mais um jogo da franquia que não irá ver a luz do dia.

Why Disney won't release Star Wars 1313

Os anos se passaram e foram lançados dois jogos da saga Battlefront e o mais recente título da franquia, Star Wars Jedi: Fallen Order – que você pode conferir nossa crítica clicando aqui. Infelizmente não há nenhuma notícia sobre o jogo, apenas screenshots e artes conceituais divulgadas ao longo dos anos. Entretanto, último jogo da saga é o mais próximo que podemos chegar da temática e da época que Star Wars 1313 iria passar.

É evidente que a Disney não deixaria um jogo com uma temática dessas ser lançado utilizando o título, entretanto, há boatos de que a Eletronic Arts possui todo o material da produção de Star Wars 1313, portanto, ainda há uma pequena chance de que o jogo seja lançado, ou pelo menos um título com a temática semelhante. Vamos torcer.

 

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Turtles in Time | O Melhor Game das Tartarugas Ninja de Todos os Tempos

O ano era 1991, o desenho animado das Tartarugas Ninja estava no auge, ou melhor, a franquia estava no seu auge. Seu filme lançado no ano anterior tinha alcançado uma altíssima bilheteria sendo a produção cinematográfica independente mais lucrativa da história, perdendo o posto para A Bruxa de Blair em 1999, o segundo filme já estava no circuito sendo um sucesso, uma linha de brinquedos rendendo milhões e uma franquia de games de sucesso. O mundo respirava as Tartarugas. Então a Konami coloca no mercado de games o Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time. Aquele que é considerado o melhor game dos personagens de todos os tempos.

Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time foi a estreia dos personagens nos consoles de 16 BITS, o mais ponto da tecnologia de games caseiros daquela época. Mais precisamente no Super Nintendo. O game foi um verdadeiro vendaval nos fãs. As locadoras ficavam lotadas com a galera disputando o cartucho ou então um horário para jogar. E ainda acirrou ainda mais a disputa entre Mega Drive e o SNES. Que até então não tinham nenhuma aventura nos consoles da SEGA. A estreia foi somente em 1993, no The Hyperstone Heist. Um jogo bem curto, de cinco fases que mais parecia (ou era) um reaproveitamento de sobras do Turtles in Time. O game em si não era ruim. Era uma história original e com o Tatsu, o carequinha dos filmes, como um dos BOSS.

Os jogos das Tartarugas eram muito populares naquela época. Os games do Nintendinho eram super divertidos, e o Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time seguiu a numeração sequencial desses games. Só para situar na linha de tempo, no Nintendinho foram lançados: Teenage Mutant Ninja Turtles (1989), Teenage Mutant Ninja Turtles: The Arcade Game (1990) e Teenage Mutant Ninja Turtles: The Manhattan Project (1991). O que pouca gente aqui no Brasil sabe, é que o Turtles in Time foi lançado primeiro na versão arcade como continuação direta de Arcade Game. Entretanto, a versão japonesa, país onde o console era chamado de Super Famicon, manteve o título original não numerado.

As fases:

Big Apple, 3 AM
Alleycat Blues
Sewer Surfin’
Technodrome – Let’s Kick Shell!
BC 2500000000 – Prehistoric Turtlesauras
AD 1530 – Skull and Crossbones
AD 1885 – Bury My Shell At Wounded Knee
AD 2020 – Neon Night-Riders
AD 2100 – Where No Turtle Has Gone Before
AD 1992 – Technodrome – The Final Shell-Shock

O Arcade Game, foi lançado originalmente em 1989, e depois ganhou uma versão para Nintendinho. Turtles in Time foi lançado na versão arcade em 1991 e depois uma versão em 1992. Embolado nesse meio ainda tiveram games avulsos originais para PC, GameBoy e Pinball.

Sem o numeral IV, Turtles in Time rapidamente se tornou o arcade mais vendido pela Konami em 1991. O jogo trazia inovações no simples “andar e bater” dos anteriores. Na trama, o Destruidor confronta as Tartarugas e Krang rouba a Estátua da Liberdade. Após chegarem no Technodrome, o Destruidor aciona um túnel do tempo e joga as Tartarugas em uma porradaria contra vilões no passado e no futuro. Mas o que ficou realmente marcando foram os golpes, como por exemplo jogar os soldados do Clã do Pé contra a tela. Havia disputa de quem fazia mais nas locadoras. Aquilo foi uma loucura na época.

Matéria da Revista Ação Games Nº 17

Uma outra coisa legal do game, na versão do SNES, foi introduzir personagens que até então eram inéditos nos games, como o Rei Rato, Slash (a tartaruga alienígena que já teve várias origens) Metalhead, o Battletank do Destruidor e os mutantes Tokka e Rahzar (do recente segundo filme Segredo do Ooze). Na versão do SNES, os bichões são confrontados no Technodrome e Bebop e Rocksteady são os Boss na fase AD 1530 – Skull and Crossbones. Na versão arcade, Tokka e Rahzar são enfrentados no navio.

Versão SNES/ Versão Arcade

Os sons das duas versões também são diferentes. Na versão do SNES está faltando algumas amostras de voz para os personagens e a música tema da versão arcade, “Pizza Power”, foi substituída por uma versão instrumental do tema do desenho animado. E no SNES foram incluídos os inimigos Roadkill Rodneys e Mousers.

Turtles in Time IV também foi o pontapé inicial para um game de luta no estilo Street Fighter, que na época estava se tornando a gigantesca franquia. O modo VERSUS, onde você escolhia uma das Tartarugas, e com Splinter como juiz, poderia lutar uma contra a outra. Esse modo originou o game Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters que foi lançado em diversas plataformas entre os anos de 1993 e 1994. Os personagens se variavam entre as versões es, era possível jogar com April, Casey Jones, Wingnut, Ray Fillet, Karai entre outros.

Reza a lenda que o sucesso de Turtles in Time foi o pavio idealizador do terceiro filme das Tartarugas Ninja. Aquele filme em que eles encontram um cetro mágico que os mandam para um Japão Feudal onde todos falam inglês com sotaques americanos. O filme era muito estranho e se distanciava muito dos outros dois primeiros. Ele conseguiu se pagar, mais ficou longe do desempenho dos outros dois e foi um fracasso total de crítica, enterrando a franquia dos personagens nos cinemas. Até o lançamento da animação em 2004.

Um remake de Turtles in Time foi desenvolvido pela filial em Singapura da Ubisoft para PS3 e XBox 360 em 2009. Infelizmente, o game intitulado Re-Shelled, que foi todo modernizado, não teve o sucesso esperado e foi um total fracasso.


Turtles in Time
se consolidou como o melhor game das Tartarugas Ninja até hoje. Seja por introduzir personagens que estavam no auge nos filmes e no desenho animado. Além de inovar com novos golpes, modos de game player e introduzir um game de luta, que foi o encerramento da franquia naquela geração de games.

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‘How I’m Feeling Now’ é uma carta de amor de Charli XCX

Durante essa época de pandemia e quarentena, a cantora britânica Charli XCX preparou algo especial para os fãs: Seu mais novo álbum, How I’m Feeling Now, é uma carta aberta dos sentimentos e pensamentos dela, e também algo que foi bem colaborativo com quem acompanha seu trabalho. Juntando uma produção mais caseira e combinando o PC Music com Pop, Charli criou um álbum maravilhoso para um momento tão significativo.

O álbum começa com a faixa ‘pink diamond‘, que marca a primeira colaboração da cantora com Dijon. Com um som mais agressivo, a cantora trás a raiva e a angústia que é ter que ficar preso em casa, no tempo em que a vontade de sair e se divertir consome, e a única coisa que se dá para fazer com as pessoas são vídeo-chamadas. Essa música é como se ‘Boss Bitch‘ da Doja Cat estivesse tendo um surto de raiva, e isso é maravilhoso. Em uma entrevista ao Apple Music, a cantora disse a escolha dessa música ser a faixa que abre o álbum: “Eu queria que fosse a primeira faixa porque tenho a ideia de que algumas pessoas vão adorar e outras odiarão. Eu acho que é legal ser antagônico na primeira faixa de um álbum e realmente frustrar certas pessoas, mas deixar os outros realmente obsessivos com o que poderá vir a seguir.“. E ela consegue, seguindo por faixas mais únicas ainda.

Na segunda faixa temos a primeira música do álbum que foi liberada, ‘forever‘. Com sintetizadores e sons metálicos, Charli cria uma música que parece misturar todas suas eras em uma, a artista emocional de True Romance, a doçura sonora de Sucker, um ritmo mais balada de Vroom Vroom e Number 1 Angel, os elementos da produção de Pop 2 e os traços marcantes de sua assinatura em Charli. Sua letra também é uma das mais bonitas do álbum, contando da dificuldade que ela e seu namorado, Huck Hwong, sofrem com a distância de lugares. “A música é obviamente sobre o meu relacionamento, mas é sobre os momentos antes do lockdown. Ele me pergunta: ‘E se não conseguirmos’, mas reforça que eu sempre o amarei, mesmo se não conseguirmos.“, disse a cantora ao Apple Music. Seguindo o mesmo, temos a terceira faixa, ‘claws‘, que já segue sendo um pop com uma sonoridade um tanto quanto nostálgica, parece que ouvimos algo tão futurista, mas também como se fosse uma música que tivesse estourado nos anos 90, época qual Charli XCX é apaixonada. A produção desse single é impecável, tanto que quem a produz é Dylan Brady, da banda 100 gecs.

Prosseguimos com a faixa ‘7 years‘, uma dançante música que conta mais sobre o relacionamento de Huck e Charli e sobre seu amadurecimento com o tempo. Com vocais distorcidos de fundo e sons mais robóticos, o foco da voz da cantora nessa música é fenomenal, Charli sabe muito bem como trazer emoção e melodias incrivelmente tocantes, é mais uma das faixas que impressionam no álbum e o consolidam. “Essa música é sobre a nossa jornada como casal, e a turbulência que sofremos ao longo do caminho. É também sobre como me sinto tão tranquilo por estar neste espaço com ele agora. Quarentena foi a primeira vez que tentei permanecer imóvel, física e mentalmente. É um sentimento muito novo para mim. Essa também é a primeira música que gravei em casa desde que eu provavelmente tinha 15 anos, morando com meus pais. Por isso, é muito nostálgico, pois remonta a um processo pelo qual não havia passado há mais de uma década.“, diz a cantora sobre a letra de ‘7 years’.

Sendo uma das músicas mais impressionantes no álbum, ‘detonate‘, é algo que você espera que seja estourado e com bastante efeitos de distorção, mas acaba se tornando em uma faixa bem tocante e provavelmente uma das mais tristes do álbum. Contando sobre a insegurança da cantora sobre se ela merece o companheiro que tem, e se ela merece que ele confie nela. “Eu escrevi a letra em um dia em que estava experimentando um pouco de confusão e frustração com a minha situação. Eu talvez quisesse algum espaço. Na verdade, é muito difícil para mim ouvir essa música porque sinto que o resto do álbum é muito alegre, positivo e amoroso. Mas resumiu como eu estava me sentindo, e às vezes não é incomum nos relacionamentos.“, disse Charli. E no fim, temos um som distorcido, representado um pouco mais o que ela estava sentindo.

Calma e extremamente agradável, ‘enemy‘ tem o melhor vocal da cantora no álbum. A música tem uma batida mais leve e que lembra muito sua época de True Romance e Sucker, vários efeitos e sintetizadores marcam a música, sendo uma das melhores faixas. Também é marcada com um interlúdio tocante falando sobre seu amadurecimento e sobre duvidar de si mesma. Talvez seja a música que mais toque os fãs, por mostrar um lado tão humano e relacionável com ela, que é um ícone na sua área. Sobre a letra da música, Charli comenta sobre o quão criativa foi a construir essa faixa: “A música baseada na frase “Mantenha seus amigos próximos e seus inimigos mais próximos”. Fiquei pensando em como se você pode ter alguém tão perto de você, isso significa que um dia eles poderão se tornar seu maior inimigo? Eles teriam mais munição. Na verdade, eu não acho que meu namorado seja alguém que me atacaria se algo desse errado, mas eu estava brincando um pouco com essa ideia. Como a música é bastante baseada em fantasia, pensei que o memorando de voz era algo que fundamentava a música. Acabei de falar com o meu terapeuta – e a terapia ainda é uma coisa muito nova para mim. Comecei apenas algumas semanas antes da quarentena, o que parece ter algo a ver com o destino, talvez. Eu tenho me gravado depois de cada sessão, e parecia certo incluí-lo como um tipo de momento real em que você tem um momento de dúvida.”.

Com uma letra que fica na mente, ‘i finally understand‘, produzida por Palmistry (Produtor e artista do sul de Londres, Benjy Keating) tem uma sonoridade bem única e que também volta a lembrar de outras eras da cantora. Tento um ar também mais leve e triste, a música fala sobre como a experiencia da quarentena está ajudando seu relacionamento a se aproximar emocionalmente, quanto fisicamente. Talvez, seja uma das músicas que ficou mais apagada comparada às outras faixas, mas mesmo assim, tem seu brilho e se encaixa perfeitamente no álbum.

Seguindo o que a cantora fez com ‘Track 10‘ de Pop 2 e ‘Blame It On Your Love‘ de Charli, temos agora a ‘c2.0‘, que é continuação da música Click, de Charli. Essa talvez seja uma das faixas que mais deixem os fãs divididos. Ela começa com o final de Click, que são sons sintetizados e metálicos bem estourados junto com várias repetições da frase “I’m next level so legit with all my click”, durante 1:41 minutos de música, o que não é tão agradável pela imensa quantidade de tempo que isso leva. Logo após, começa um lindo vocal e sintetizadores mais calmos e leves, que tem uma das melhores sonoridades do álbum. A música conta sobre a saudade que ela sente dos seus amigos músicos e celebra a amizade e a vida como era antes disso tudo.

Marcando completamente, ‘party 4 u‘ é uma das melhores músicas do álbum, provavelmente sendo uma das mais marcantes. Mais leve e calma, Charli tem um destaque surpreendente em seu vocal nessa faixa. Mesmo sendo a faixa mais antiga entre as novas (Charli tocou essa música pela primeira vez em 26 de maio de 2017), ela se provou envelhecer como vinho. Com toda certeza, é uma das musicas mais importantes aqui, e é uma jornada para ela e para o produtor, o grande A.G. Cook.  A cantora contou mais sobre seu relacionamento com essa música na Apple Music: “Esta é a música mais antiga do álbum. Para mim e A. G., essa música tem muita vida e história – nós a tocamos ao vivo em Tóquio e, de alguma forma, ela saiu e se tornou a favorita dos fãs. Toda vez que nos reunimos para fazer um álbum ou uma mixtape, isso sempre é considerado, mas nunca havia sentido antes. Por menor e bobo que pareça, é hora de retribuir algo. Liricamente, isso também faz sentido agora, pois trata-se de fazer uma festa para alguém que não vem – o desejo de ver alguém, mas eles não estão lá. A música ganhou um novo significado – gravamos a primeira parte em talvez 2017, agora há amostras de multidões na música desde o final do meu show na Brixton Academy em 2019 e agora existem gravações minhas em casa durante esse período. Foi em uma jornada. Ela continuou sendo solicitada e solicitada, o que me deixou hesitante em divulgá-la porque eu gosto da mitologia em torno de certas músicas. É divertido. Dá mais vida a essas músicas – talvez até mais do que se eu as tivesse lançado oficialmente. Continua a construir esse hype inexistente, o que é bastante engraçado e também definitivamente faz parte da minha narrativa como artista. Sofri muitos vazamentos e hacks, então gosto de brincar um pouco com essa narrativa.“.

Prontos para festa? Pois bem, ‘anthems‘ é a música perfeita para dançar e festejar (sozinho). Com um som totalmente elétrico e agitado, os gritos da Charli por querer festejar são contagiantes e é impossível não querer sair dançando por aí enquanto se ouve essa faixa. Entre todas as faixas mais animadas e elétricas do álbum, essa pode ser considerada a melhor; sua produção (de Dylan Brady e Danny L Harle) e com a letra feita por Charli criaram um hino icônico para momentos de se divertir. A cantora diz que fez essa música pensando na saudade que ela tem de festejar a noite inteira, e acordar se sentindo terrível. Ela também diz que se inspirou muito no filme ‘Projeto X’, pois ela disse que queria uma noite no estilo da festa do filme. Fica uma dica para Hollywood, se forem fazer uma continuação ou remake, já tem a música tema!

Finalizando o álbum no mesmo ritmo de sua música anterior, temos ‘visions‘, que é uma balada futurista. Sintetizadores e efeitos que lembram elementos de synthwave, a faixa consolida um fim digno para um álbum simplesmente impecável. Ele fala sobre o relacionamento da Charli e também nos conecta ao momento em que vivemos, o álbum não termina em uma salva de palmas, termina em um eufórico e desconhecido momento onde vira um reflexo da nossa realidade. Mostra o caminho que a cantora quer trilhar a partir de agora.

Como fã enorme da Charli XCX, esse álbum é como ver um artista que você ama evoluir e se descobrir em cada faixa. Tudo o que ele significa, cada uma das músicas e letras mostra como este álbum é sólido e simplesmente único. Charli fez uma carta de amor para seu namorado, para seus amigos, seus fãs, e a si mesma. É simplesmente gratificante ver como isso se desenrolou de uma forma tão incrível. Com toda certeza, mesmo com pouquíssimas falhas, é possível considerar esse um dos álbuns mais importantes da carreira da cantora e um dos melhores dela e desse ano, e ver como ele é um fruto de todo o aprendizado que ela teve com seus antecessores. Em um momento tão difícil, com certeza esse álbum ajuda a criar momentos e memórias melhores. O questionamento agora é de como será os futuros trabalhos da cantora, que sempre se inova e cria obras primas musicais.

Nota: 4.7/5

“how i’m feeling now”, de Charli XCX Já está disponível em todos os serviços de streaming.