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Primeiras Impressões | The Quintessential Quintuplets

Escrito por Vini Leonardi

Tá bom, eu sei que estamos aqui para comentar sobre o animê e tudo mais, mas de verdade, deixa eu repassar uns números pra vocês antes, pode ser?

Segundo um relatório da National Vital Statistics dos Estados Unidos (semelhante ao IBGE), nascem no território do Tio Sam, em média, sessenta quintupletos (ou múltiplos maiores. Depois de cinco, não vale muito a pena separar os casos) por ano. Considerando todos os nascimentos, as chances estimadas estão em torno de um caso em cada sessenta milhões (1:60.000.000).

Com uma pesquisa rápida no Google, você descobre que as chances de ganhar na Mega-Sena, com uma aposta mínima, é de uma chance em 50.063.860.
Os pais dessas meninas podiam ter ganhado na loteria, mas preferiram gastar a sorte deles ao parir quintupletos. Mas sinceramente falando, se você soubesse que suas cinco filhas seriam tão bonitinhas assim, você não aceitaria esse negócio também? Ninguém pode te julgar.

Voltemos ao que interessa, porém, e falemos do negócio em si. Baseado num mangá por Negi Haruba, “Gotoubun no Hanayome” (lit. “As noivas quíntuplas“) está em publicação desde 2017 na Shounen Magazine, e foi licenciado nos Estados Unidos pela Kodansha no meio do ano passado. O autor não tem lá muitos trabalhos anteriores, mas tem uma ótima arte e parece conseguir se virar nos roteiros.

Falando em roteiros, existem algumas situações na ficção onde fica claro quando o autor está tentando ser autobiográfico e quando ele está tentando escrever uma obra de autorrealização. Mas sabe que olhando para QuiQui (Essa não é a abreviação oficial mas ninguém vai me impedir de usá-la), o cara provavelmente fez os dois ao mesmo tempo.

Digo, dá uma olhada na situação: Um cara solitário e pobre, mas que é muito inteligente e tem boas intenções. Esse é, com certeza, o maior self-insert da história.
Aí você olha pro outro lado e vê cinco garotas lindas e milionárias que estão desesperadamente necessitando da sua ajuda e estão dispostas a pagar para ter você na casa delas. Ok, colocando dessa forma isso soou estranho… Mas essa dubiedade até que ajuda o meu argumento: É ou não é um sonho frustrado sendo realizado na ficção?

Mais uma vez, a dubiedade defende meu argumento.

Algo que eu achei incrível, porém, é que mesmo sendo um pedaço de papelão com buraco no rosto para você encaixar o seu próprio, o protagonista – Futaro Uesugi – conseguiu se mostrar como uma pessoa de personalidade e que é gostável, não apenas por ser fácil de se identificar com, mas por ter suas próprias características e trejeitos.

E as garotas… Ah, o que falar dessas garotas, hein? Tem a Nakano, a Nakano, a Nakano, também a Nakano e por fim a Nakano… São todas boas garotas. É, elas são irmãs e eu me recuso a chamá-las pelo primeiro nome pois chamar cinco personagens da mesma forma é muito mais engraçado. E como sabemos, não tem muito o que falar individualmente de cada uma, sem causar a temida waifu war que é sempre o maior centro de atividade em animês harém. Então eu uso desse artifício para poder dizer sem medo que a Nakano é a melhor garota.

Piadas a parte, as garotas caem muito facilmente nos estereótipos mais comuns do gênero: Temos a Tsundere, a garota quieta, a Tomboy esportista, a garota alegre e hiperativa, e a garota que eu gosto de chamar como “A ‘normalque claramente vai vencer pois está na capa da obra“. Apesar de serem irmãs gêmeas, a única coisa que as liga é o sobrenome e a burrice. E admito que o autor teve o talento de transformar essa incapacidade intelectual das personagens em charme. Somado com o character design que já é de ponta, cada protagonista se torna especial e notável.
Claro, dentro dos padrões de haréns.

A cara da sua waifu ao descobrir que ela será esquecida e trocada por outro daqui três meses.

E agora voltando às piadas, que deixamos de lado no parágrafo anterior, o show se trata de uma comédia romântica, e portanto, deve ter um aspecto cômico e um aspecto romântico. Podemos dissecar ambos e falar sobre um de cada vez.
A comédia é suave e singela. Não é aquele tipo escrachado de humor, onde situações absurdas ou punchlines acontecem a cada dez ou quinze segundos. É um humor mais elaborado, mais lento. Eles preparam uma piada por alguns minutos, deixam ela marinando até chegar no ponto, e conseguem soltar com um timing que até então foi impecável. Não é um animê onde você passa mais tempo rindo do que assistindo, mas que consegue ser divertido de forma mais “chique”.

De forma semelhante, o clima “romântico” da obra também fica só no ar o tempo inteiro, sem nunca se estabelecer por completo. Pelas primeiras cenas do show, fica claro que o protagonista irá se casar com uma das garotas (OH MEU DEUS COM QUAL DELAS SERÁ?), fazendo com que toda a duração do animê se torne uma versão nipônica de How I Met Your Mother. Eu acho, nunca assisti How I Met Your Mother. Mas é interessante acompanhar como Futaro se esforça para ganhar a confiança das irmãs, uma a uma, para que possa enfim tentar ensinar alguma coisa para elas. E em troca, ele acaba também aprendendo a lidar melhor com pessoas. Pode até não ser amoroso, mas é isso que relacionamentos são, e QuiQui coloca os pingos nos i’s nesse quesito.

Nas palavras de Ted Mosby: “É quase que insano a quantidade de coisas que aconteceram em apenas um dia e meio…” – How I Met Your Mother S09E20

Por fim, eu preciso dedicar um parágrafo inteiro para falar sobre o elenco de dublagem desse show. Com uma equipe praticamente inteira composta por profissionais AAA, chega até a ser suspeito. Minase Inori, Hanazawa Kana, Taketatsu Ayana, Sakura Ayane, Itou Miku e Matsuoka Yoshitsugu são quem dão as vozes para as seis personagens principais. Se você acompanha o cenário de dublagem japonês, você com certeza reconheceu praticamente todos esses nomes. E se não acompanha, com certeza reconhecerá as vozes quando ouvi-las. São gigantes da indústria trabalhando em conjunto para fazer uma animação legal.

Quando olhamos para esse elenco todo, sempre se levanta aquela suspeita. Afinal, não é nada incomum você ter haréns genéricos (como é o caso) onde a única função é vender bonequinhos e CDs de música. Consigo pensar em uns dez casos só de cabeça, onde a história é negligenciada pois eles sabem que ninguém se importa, afinal, eles só precisam vender os singles.

Mas isso não é uma preocupação, por enquanto, com QuiQui. Apesar de ter certeza que eles vão ganhar toneladas de dinheiro com os respectivos bonequinhos e CDs (inclusive confesso estar tentado), a trama parece estar se levando a sério o suficiente para ser aproveitável em si própria.

Assim, The Quintessential Quintuplets trouxe uma boa impressão, e começa a temporada com um confortável 7/10, me deixando bem ansioso por novos episódios.

Você pode assistir ao show na Crunchyroll, que traz novos episódios todas as quintas-feiras, com legendas em português.

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Sobre o Autor

Vini Leonardi

Cavaquinho na roda de pagode da Torre. Jogo World of Warcraft e assisto desenhos chineses, e nas horas vagas faço faculdade de Química.
Pra mim, Marvel e DC parecem nomes de marcas de roupa chique.
Finjo saber escrever sobre animes quando na verdade tudo que faço são menes irados.

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