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Pulp, de Ed Brubaker e Sean Philips, está em pré-venda pela Editora Mino

Recentemente a Editora Mino anunciou, para a alegria de muitos leitores brasileiros, que fechou contrato para publicar trabalhos dos autores Ed Brubaker e Sean Philips. E o primeiro trabalho da premiada dupla a ser publicado será Pulp, história que configurou em diversas listas de melhores leituras de 2020.

Em Pulp estamos no ano de 1939, e conhecemos Max Winter, um velho escritor de histórias de western para publicação baratas (pulp magazines), começa a lembrar do seu passado enquanto assiste ao antissemitismo nazista ganhar apoio nos EUA.

Max então se vê atraído por uma história que não é muito diferente dos contos que produz a 5 centavos por palavra: contos de um fora da lei do oeste selvagem que faz justiça com seu revólver. Mas será que Max vai ser capaz de fazer o mesmo quando perseguido por ladrões de banco, espiões nazistas e inimigos de seu passado?

Parte thriller, parte meditação sobre uma vida de violência, Pulp é diferente de tudo que a premiada dupla já fez. Uma celebração à ficção popular, ambientada em um mundo à beira do precipício.

Pulp tem 80 páginas, capa dura e tradução de Dandara Palankof. O lançamento oficial será em julho e comprando na pré-venda, o leitor garante 30% de desconto.

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A experiência incrível, insólita e única em Mundo Pet de Lourenço Mutarelli

Para começar a falar de Mundo Pet é necessário saber o que não se trata apenas de uma coletânea de histórias. E sim são fragmentos de uma viagem insólita que mescla utopia, aversão as coisas tradicionais, mistério e um tanto de autobiografia de seu autor Lourenço Mutarelli. Aliás, peço aqui permissão para poder falar de Mutarelli, essa é minha primeira resenha sobre o escritor e penso que ainda preciso conhecer muito mais para poder falar sobre. Mas no bom clichê de toda resenha, nesse momento eu preciso escrever: “vamos lá!”.

E o temível clichê é muito presente nessas histórias. Mas não como uma falta de ousadia e inventividade do autor, mas porque ele deve estar ali mesmo. Como um personagem. Assim como a repulsa, o medo, a satisfação, a inocência, a alegria, o choro. Como a vida e a morte. Todos esses elementos e um pouco mais estão presentes em Mundo Pet. Um mundo criado por Mutarelli em cima de experiências próprias e que bizarramente em algum momento você reconhece alguma dessa experiência. Que pode ter acontecido com algum conhecido ou até mesmo com você.

Ler Mundo Pet é um exercício fora da caixinha. Não é como ler os quadrinhos que estamos acostumados a ler normalmente. E nem estou falando dos imbecis tradicionais super-heróis. Hoje o leitor brasileiro tem uma gama de diferentes formas de leitura, não tem a necessidade de ficar datado a Marvel/DC e suas tradicionais ideologias e modos de contar histórias. E para ler Mundo Pet você tem que abraçar o mundo que não está acostumado a ler, assistir e viver. Mas que está presente em todo momento em todos os lugares. Só insistimos ignorar com nossa presunção e arrogância.

Quando você abraça a leitura de Mundo Pet, que confesso pode ser difícil pela ausência de similaridades que muitos não tem ou não estão acostumados a ter, um novo campo de visão te encontra, te abraça e te beija como um amante desconhecido. Um beijo que te leva para casos bizarros em que você não sabe se torce para o protagonista das histórias se darem bem ou para simplesmente acontecer algo para terminar suas agonias. Como para Alfredo Consuelo em Crianças Desaparecidas ou para José Manoel Rotundo, vulgo Risadinha, em A Ninguém é Dado Alegar o Descobrimento da Lei.

Nesse misto de sentimentos existentes nas histórias de Mundo Pet, nos pegamos em sua arte diferente, bizarra e linda, nos espelhando em situações e casos. Lourenço Mutarelli escancara as portas da alma, revelando um sujeito fora dos padrões, sedimentado e esmagado por momentos irreversíveis da condição humana. Assim como em Kafka, a degradação humana se dá de maneira insólita, a partir de situações absurdas apresentadas como algo definitivo, incontornável e familiar.

Como em toda coletânea algumas histórias se destacam mais do que as outras. Mas em Mundo Pet, acredito que, a experiência de leitura de cada leitor faça que suas escolhas de histórias preferidas fique muito individual. Da minha parte eu destaco: Estampa Forjada, Meu Primeiro Amor, Dossiê Stick Note e a história que dá o nome a coletânea, Mundo Pet.

As histórias de Mundo Pet foram publicadas entre os anos de 1998 e 2000 originalmente para o site Cybercomix. Em 2004, a Devir Brasil chegou a publicar Mundo Pet. E agora ficou a cargo da editora Comix Zone, em um belo trabalho de resgate das obras em quadrinhos de Lourenço Mutarelli, que iniciou em Capa Preta (2019), trazer a experiência única de Mundo Pet para os leitores.

É uma experiência diferente, que raspa no fundo da alma e da sua mente. Mas é uma grande experiência. Grande e única.

 

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Vamos Salvar o Simbolismo do Superman! E isso é um trabalho para Calvin Ellis!!

Super-força? Visão de raio X? Sopro-congelante? Super-velocidade? Qual o melhor poder do Superman? Você pode enumerar poderes do maior super-herói de todos os tempos, ou melhor, o super-herói definitivo. O Superman é o personagem que sempre será visado, em visões diferentes, versões diferentes e de formas diferentes. Mas as melhores versões do Superman (e acredite tem muitas versões) são aquelas que o maior poder do personagem é melhor executado e utilizado: o simbolismo.

O Superman é um símbolo. E quando qualquer escritor usa esse poder especial que poucos heróis tem, possivelmente o Steve Rogers/Capitão América chega próximo, são as melhores fases e histórias do personagem. Quando pegamos o quadrinho Entre a Foice e o Martelo, que Mark Millar apresenta o Superman soviético, resolve se transformar em um símbolo e mudar toda trajetória daquele país. O simbolismo em que Grant Morrison apresenta em Grandes Astros, como é importante ser o Superman no mundo. Até mesmo o Superman do Frank Miller, em Cavaleiro das Trevas, é um símbolo. Mesmo que seja um símbolo da derrocada dos heróis, o maior e mais forte homem do mundo virou um fantoche do governo. São alguns dos exemplos.


Então entendemos que o Superman é um símbolo. E só isso responde a pergunta que está encravada no título desse artigo. Mas como isso pode funcionar nos cinemas? É só fazer o simples e convicto no estilo Pantera Negra. Com representatividade, com respeito, amor e sendo um símbolo para as pessoas. Não que o Pantera Negra não tenha sido, ou melhor, não seja. Mas estamos falando do maior super-herói de todos os tempos.

Criando uma comparação meio forçada até, é como colocar o Martin Luther King com todos esses poderes. É o símbolo que até então na grande mídia e até mesmo nos quadrinhos, nunca conversou com a raça negra. Apesar de existir o Superman da Terra-23, ele nunca teve tanta importância no Universo DC, aparecendo em sagas entre as Terras ou algo similar. Ninguém na DC Comics nunca usou Calvin Ellis para ser protagonista de algo grande e único. Calvin Ellis precisa deixar de ser esse personagem que simplesmente somente representa uma contraparte de outra Terra e ser utilizado no como o símbolo que o Superman sempre teve.

Em um mundo em que as diferenças sociais estão cada vez mais ativas, em que casos como George Floyd, ou então em casos de pessoas famosas cometendo falas ou atos racistas em programas de realitys shows, e mesmo assim essas pessoas ainda ficando em evidência e ganhando milhares de seguidores, ou as infindáveis injustiças sociais que ocorrem no dia a dia e que se tornaram “rotina”. Um personagem do peso e da importância do Superman ser negro é extremamente importante. É um símbolo que pode e deve ter um efeito fantástico sobre a sociedade. Para os dois lados, tanto para inspirar para o bem, para inspirar, como para os milhares de imbecis vomitarem seus preconceitos em seus teclados covardes e seus relinchos que nada passa de uma “lacração”.

O Superman sempre foi a figura do imigrante. Aquela pessoa que tenta se incluir em um mundo que não é seu, que não pediu para ficar, mas escolheu ficar lá e proteger aquele povo que ele adotou. E o super-herói que vive de escolhas, que com sua audição escuta milhares de quilômetros e todos os problemas em volta, e precisa estar em vários lugares e salvamentos em locais diferentes. O Superman precisa decidir, usando um exemplo “idiota”, se vai se dar o luxo de jantar ou salvar um trem caindo de uma ponte.

Algo como a população negra hoje em dia. Como a população nordestina. Como a população indígena. Como a comunidade LGBTQ+. Como muitas mulheres. Pessoas que precisam escolher entre andarem sozinhas, entrar em lojas sem serem desconfiadas, de ter o um aparelho telefônico mais moderno ou ficar em casa para não correr o risco de acontecer nenhum preconceito/agressão contra.

Em uma época em que desconstruir as características benevolentes e inspiradoras do Superman virou moda em diversas mídias, e simplesmente sucatear o personagem como um super-herói violento é sinônimo de vendas, poder colocar o personagem com o simbolismo como sua maior virtude, seria muito bem-vindo. Provavelmente a última vez que o simbolismo do personagem foi melhor utilizado foi na, excelente, Superman: Smashes the Klan de 2020.

Possivelmente, eu, Ricardo Ramos, não seja a melhor pessoa para escrever esse texto. E tenho minha consciência isso e nem é minha intenção tentar me colocar no lugar de ninguém, eu não tenho esse direito. Eu não sofro como as pessoas que citei sofrem no dia a dia, como uma rotina maldita que não escolheram. Mas eu tenho certeza de que o Superman negro, e seu simbolismo, seria de suma importância para o mundo de hoje. Espero que realmente a Warner saiba fazer isso acontecer.

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Requiem: a morte (e vida) do Surfista Prateado

De todas as histórias do Surfista Prateado, Requiem foi a que mais me emocionou. Talvez eu seja ligeiramente suspeita para falar, já que Norrin Radd é, e sempre foi, meu personagem favorito da Marvel. Mas o que torna essa graphic novel tão especial? A resposta é simples: aqui, não temos mais a inviolabilidade do até então “indestrutível” corpo do Sentinela das Estrelas; tendo seus dias de vida contados, adentramos completamente em sua alma, sentindo seus medos, tristezas, alegrias e emoções. Sendo publicada pela primeira vez em 2007, essa obra prima em forma de quadrinhos é escrita por Michael Straczynski e desenhada por Esad Ribic, contando com apenas 4 edições.

Diagnóstico

A história começa com Surfista refletindo sobre a existência – a própria e a do universo. A morte, constata, faz parte de um ciclo, e é justamente ela a responsável para que a vida possa existir.

Com o intuito de investigar uma condição ainda desconhecida, Norrin vai à Terra para se encontrar com Reed Richards, seu amigo de longa data, e a quem sabe que pode confiar até mesmo seus temores. Depois de dolorosos testes, temos o resultado: o Surfista Prateado está morrendo; o material que recobre e protege seu corpo das mais perigosas adversidades está se desgastando, e resta à Norrin cerca de um mês de vida.

Em uma lembrança de tempos muito distantes, vemos a origem do Sentinela das Estrelas; vemos a chegada do temido Galactus a Zenn-La, e a decisão que mudou para sempre a vida do personagem. Em troca da preservação de seu planeta, Norrin se oferece para ser arauto do Devorador de Mundos, procurando planetas para que seu mestre pudesse devorar e saciar sua fome. É nesse momento que Norrin vira o Surfista; nesse momento, Norrin perde suas memórias e sua consciência, sofrendo a metamorfose que seria a responsável pela destruição de incontáveis vidas em nome de seu mandante.

Porém, é na sua primeira vinda à Terra que a chama esquecida do antigo Norrin Radd se acende. Vendo a relutância e a voracidade com que os humanos lutam pela sua sobrevivência, o Surfista percebe o mal que irá fazer se permitir que Galactus devore o planeta. Unindo forças com o Quarteto Fantástico, consegue expulsar seu mestre da Terra, deixando finalmente de ser seu servo.

Tais lembranças, além da função de ambientar o leitor no cânone do personagem, servem principalmente para nos mostrar toda a angústia e arrependimento que cercam o Surfista. Requiem não é apenas uma história sobre a morte; é uma história de redenção, um conto reflexivo sobre erros e acertos, sobre guerra e paz, sobre encontrar a plenitude que por anos foi incansavelmente buscada. Depois dessa retrospectiva, vem a pergunta: o que Surfista irá fazer nesse tempo de vida que lhe resta?

Bom… ele irá viver.

Encontro com o Homem-Aranha

Na segunda edição da história, temos esse épico encontro entre os dois heróis da Marvel. Enquanto Peter está tendo dificuldades em acabar com um vilão na cidade, surge o Surfista para lhe dar um auxílio. Após o embate, temos o início de uma conversa entre os personagens, que culminaria em uma experiência única para toda a humanidade.

No topo de um prédio, Surfista explica a Peter que não lhe resta mais muito tempo para ficar na Terra, e que gostaria de fazer uma última ação ao planeta que o acolheu por tanto tempo. Nesta cena, temos um dos diálogos mais incríveis que já tive o prazer de ler em uma história em quadrinhos, com o Aranha dando diversas sugestões ao Sentinela, cada uma com alguma ideia de como Norrin poderia agraciar as pessoas com seus poderosos dons. Neste momento, vemos o quanto o Surfista se importa com os humanos, o quanto gostaria que nós pudéssemos ter a capacidade de enxergar a vida com a mesma importância que ele enxerga; o quanto os humanos, mesmo com os mais diversos defeitos, ainda merecem a bondade e a paz.

Durante a conversa, o Surfista fala para Peter como é maravilhosa a sensação de liberdade que tem ao percorrer o cosmos com sua prancha e pergunta se o mesmo gostaria de experimentar. A escolha, contudo, acaba sendo de dar a oportunidade a outra pessoa: Mary Jane.

Após retornar de sua viagem transcendental, faltam palavras para M.J. relatar o que sentiu: a vivência, mesmo que por pouco tempo, do poder de Norrin, já foi suficiente para que a jovem se sentisse completamente livre, extasiada, e deslumbrada com o poder cósmico emanado pelo Sentinela, e que à ela foi concedido. Enquanto o Surfista se despede, Peter lhe diz que tem uma resposta para a pergunta que lhe fez mais cedo:

“Eu lhe disse que as pessoas não podem mudar o que são enquanto e a não ser que entendam o que podem ser. A não ser que elas saibam e sintam em seus corações. Se ele pôde estender o poder cósmico à M.J. e deixá-la sentir o que ele sente, deixá-la experimentar o tipo de liberdade que ele experimenta, deixá-la ver o mundo como ele vê… toda beleza, com o prospecto de paz sempre no centro disso… então não seria possível, por um mero momento, deixar o mundo todo sentir como isso é?”

E assim Norrin o faz. Em um esforço homérico, cede, por 5 minutos, seus poderes à todos os habitantes do planeta Terra, permitindo que toda a humanidade sinta o que ele é capaz de sentir, e que desfrute de toda a liberdade e entendimento que o Surfista Prateado possui. Em todos os cantos, por mais remotos que fossem, as pessoas foram agraciadas com o seu poder; em prisões, em lugares tristes e sem esperanças, em zonas de guerra e campos de tortura, a força do Sentinela das Estrelas conseguiu alcançar todas as almas humanas; nesses meros 5 minutos, a humanidade finalmente soube  – e Norrin também – o que é a paz e a esperança.

Stephen Strange e a batalha espacial

Logo antes de sair da Terra, Norrin é surpreendido com a presença de Stephen Strange, que diz estar ciente de sua condição graças a Reed. Nesse momento, soubemos através do Mago que as maiores mentes do universo Marvel estavam trabalhando para encontrar uma cura para o Surfista, embora não tenham obtido sucesso. Mesmo sem encontrar uma solução para o terminal problema, Stephen entrega ao amigo uma chama com todo o conhecimento da humanidade, dividida em duas partes: uma referente à vida na Terra antes da vinda do Surfista, e outra que foi criada após a sua chegada. Dessa maneira, além de uma forma de agradecimento por tudo que o Norrin havia feito em prol de seu lar adotivo e de seus habitantes, o Surfista teria noção de tudo de bom que conseguiu realizar com sua presença no nosso planeta.

Agora viajando pelo espaço e com destino à seu planeta natal, Zenn-La, Surfista se depara com um chamado vindo de uma grande nave. Ao adentrar o local, se depara com dois líderes, ambos de raças diferentes, que conversavam avidamente a respeito da guerra que ocorria há mais de 50 gerações entre seus povos. Os líderes, que tinham o conhecimento de que Norrin havia sido um arauto de Galactus, esperavam que o Surfista dissesse qual das raças estava mais evoluída, tendo em vista que se desenvolveram de forma paralela.

O grande ponto desta edição é o motivo pelo qual as duas raças estão brigando: intolerância. Por serem mundos que orbitavam a mesma estrela e que por eras não foram capazes de viajar de um planeta para outro, esperavam que o outro lado tivesse as mesmas crenças e dogmas. Contudo, quando conseguiram finalmente visitar seus conterrâneos, descobriram que eram completamente diferentes; tinham outros deuses, outros templos e outras ideologias. Dessa forma, ambas as raças decidiram investir anos e anos em armas de guerra, usando todos os recursos disponíveis e exigindo um enorme sacrifício das suas populações, no intuito de que um dia pudessem se enfrentar e impor o seu entendimento sobre o outro.

Durante gerações, a guerra se perpetuou, sendo mantida independente das mortes ou perdas. Os templos religiosos eram cada vez mais pomposos e engrandecidos, enquanto a população padecia. Ao saber desses fatos, Norrin questiona os líderes que o convocaram, perguntando qual o sentido de sacrificar o povo em nome de um conflito sem fim, e, porque, mesmo com toda a guerra que ocorria, os dois representantes estavam ali, sentados, conversando como se suas populações não estivessem sendo dizimadas em nome das desavenças.

Seguindo seu ímpeto de justiça e caráter, Norrin decide ele mesmo por um fim na interminável guerra. Destruindo as frotas armadas e, consequentemente impedindo os dois povos de se atacarem, partiu em direção aos planetas, um de cada vez. Com a intenção de mostrar que nenhuma das raças era superior à outra, destruiu seus templos até então invioláveis, fazendo com que as populações entendessem que haviam sido exploradas em prol de um conflito sem razão. Nesse dia, os povos finalmente se rebelaram contra seus líderes, e a “guerra sagrada” deu lugar à “paz sagrada”.

Como sua última mensagem, Norrin transmite seu suspiro de esperança e liberdade àqueles que antes estavam presos às amarras da dor e do sofrimento, mostrando que a violência da guerra jamais emergiria novamente.

“Se lugares sagrados são poupados das devastações da guerra, então façam de todos os lugares sagrados. E se o povo santo é mantido ileso da guerra, então façam de todos os povos santos”.

Zenn-La

De todos os destinos possíveis e existentes, dentre todos os mundos habitados pelas mais diversas raças e banhados pelas mais brilhantes estrelas, Zenn-La é aquele que outrora foi o berço da vida – e agora o leito da morte – do solitário Surfista Prateado. Desejando encontrar com sua amada e com seu povo, Norrin chega à sua terra natal, depois de viajar pelos confins do espaço. Seu estado terminal já é notável, e seus dias se tornam ainda mais curtos; mesmo empreendendo esforços para descobrir uma possível cura, os habitantes do planeta não encontram nada que sua ciência seja capaz de desenvolver.

Contudo, Norrin não foi à sua casa apenas para morrer: ele está em Zenn-La para viver seus últimos instantes. Já tendo aceitado e entendido seu destino, o Surfista quer aproveitar o tempo que ainda lhe resta ao lado daqueles que ama; quer garantir que, independentemente da sua morte, sua amada, Shalla-Bal, ainda será feliz.

Com o passar dos dias, a notícia do retorno de Norrin – e de sua morte iminente – se espelham pelo planeta. Os habitantes, como forma de agradecimento à tudo que o Sentinela fez em defesa do seu povo, prestam suas últimas homenagens, indo ao encontro do agora frágil Surfista. Em meio às despedidas, o planeta é novamente surpreendido, mas agora com a chegada do temido Galactus. Este, contudo, não tem a intenção de infligir nenhum mal àquelas pessoas: sua intenção é, assim como a de todos, poder se despedir do seu antigo arauto.

Ao conversar com Norrin, é lhe oferecida por Galactus uma tentativa de cura, afirmando, porém, que não sabe esta irá ou não funcionar. Mesmo com a oferta, o Surfista, que já fez de sua morte parte da sua jornada, nega; em contrapartida, pede ao seu antigo mestre que jamais tente destruir ou consumir o planeta, deixando que Zenn-La e seu povo vivam em paz.

E é com a promessa de Galactus que Norrin, finalmente, descansa. Entregando seu padecido corpo ao incontestável destino, o Surfista Prateado falece, deixando que sua alma siga para o plano do desconhecido. Pelos próximos três dias, Galactus permaneceu no planeta, velando o corpo de seu velho arauto juntamente com o povo que jurou proteger. Como uma última forma de honrar seu amado, Shalla-Bal pede ao Devorador de Mundos que, quando este partir e alcançar uma boa distância de Zenn-La, transforme o corpo de Norrin em uma estrela. E assim é feito.

Agora imortalizado como um astro brilhante, Norrin Radd virou a lembrança – e a esperança – de que tempos melhores sempre virão. Ao olharem para o céu noturno, os habitantes de Zenn-La se recordarão daquele que fez de sua jornada a própria busca pela paz, imortalizando a perseverança e a luta pelo que é certo.

“Quando ele morrer, leve-o e o corte em pequenas estrelas… e ele deve fazer a face do céu tão bela, que todo o mundo se apaixonará por esta noite, e não irão fazer adoração para o sol extravagante”. – Shalla-Bal


Mais do que uma indicação para fãs do personagem, Requiem é uma obra de arte que deveria ser lida e relida por todos. Sem a necessidade de conhecimentos prévios do Surfista Prateado ou mesmo do cânone da Marvel, essa graphic novel consegue entregar com uma maestria excepcional a mensagem que deseja passar. Como é de costume em histórias do Sentinela das Estrelas, a filosofia existencial e momentos profundamente reflexivos tomam conta das páginas, nos fazendo sentir, a cada palavra, um pouco do poder cósmico que os humanos experimentaram na história. Apenas leia… e sinta, por você mesmo, toda a lufada de esperança e liberdade que Norrin Radd sentiu em seus anos de vida.

Nota: Diamante.

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Mamonas Assassinas – A Graphic Novel Oficial entra em pré-venda pela Editora Estética Torta

A Editora Estética Torta iniciou a pré-venda de Mamonas Assassinas – A Graphic Novel Oficial em seu site. A publicação tem arte e roteiro de Thiago Ossostortos (Kombi 95, Os Últimos Dias do Xerife), adapta para os quadrinhos todas as músicas do icônico primeiro e único disco da banda de Garulhos que se tornou febre na década de 90.

Lançado em 1995, o álbum de estreia do Mamonas Assassinas foi um estouro no Brasil. Nenhuma outra banda conquistou tanto, em tão pouco tempo, como os Mamonas Assassinas. Com seu humor politicamente incorreto, escrachado e leve, e uma música que misturava pop rock, brega, forró, sertanejo, pagode e heavy metal, o disco autointitulado da banda vendeu mais de 3 milhões de cópias no Brasil, alcançando certificação tripla de diamante.

Boa parte do sucesso estrondoso do grupo se deu pelo conteúdo lírico irreverente das músicas, com historietas do cotidiano brasileiro que divertiam jovens e adultos, ao mesmo tempo em que colocavam os pais na ingrata situação de ter que explicar aos filhos, por exemplo, o que era uma “suruba”.

Os Mamonas Assassinas era formado por Dinho (vocal), Bento Hinoto (guitarra), Julio Rasec (teclados e segunda voz), Samuel Reoli (baixo) e Sérgio Reoli (bateria). A banda surgiu no ano de 95 quando lançaram o primeiro disco e foram um imenso sucesso, chegando a fazer três shows em cidades diferentes em um único dia. Um fatídico acidente aéreo em março de 1996 acabou precocemente com a trajetória da banda, que até hoje em dia é celebrada.

Mamonas Assassinas: A Graphic Novel Oficial chega ao mercado brasileiro em novembro, com aproximadamente 100 páginas coloridas, papel couchê de alta gramatura, formato 17 x 26 cm e capa dura.

No site da Editora Estética Torta, quem adquirir na pré-venda consegue um desconto progressivo, confira AQUI.

 

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Carlos Trillo e Alberto Breccia em dose dupla pela Comix Zone

A editora Comix Zone começou duas pré-vendas, com os trabalhos da renomada dupla de autores: o argentino Carlos Trillo e o uruguaio Alberto Breccia. Viajante de Cinza e Um tal Daneri, serão publicados, respectivamente em junho e julho, aumentam o catalogo da editora que tem publicado interessantes quadrinhos sul-americanos no Brasil. Confira o detalhes das publicações:

Viajante de Cinza 

Publicado originalmente entre 1978 e 1980, Viajante de Cinza é uma obra de transição para Trillo e Breccia, que permite vislumbrar os processos pelos quais eles alcançaram as posteriores evoluções de seus ofícios. Esta edição compila todos os episódios existentes da série e visa respeitar ao máximo a arte original.

Aqui conhecemos Cornelius Dark, que é enviado de volta para a prisão, após uma fuga malsucedida, e como castigo por seu comportamento, é colocado na solitária. Profundamente atormentado pelo isolamento, Dark vai utilizar a imaginação para escapar de sua terrível realidade e, desse modo, tentar manter a sanidade. Ele se tornará um viajante imaginário. Dark vai acessar projeções de momentos históricos marcantes e vai participar ativamente de acontecimentos que, sem afetar o curso natural da história universal, terá grandes consequências para ambas as partes envolvidas. Cruzado onírico, confidente, amante platônico, amigo: Cornelius Dark vai se tornar tudo o que a sua realidade o proíbe de ser.

Viajante de Cinza tem formato 21 x 28,5 cm, 96 páginas, capa dura, R$ 69,90


Um tal Daneri

Daneri é uma espécie de detetive que foi importante em outros tempos e que agora perambula por ruas repletas de tristeza, desilusão e violência, guiando-se por um código moral próprio. Testemunha e cúmplice de enganos trágicos e paradoxos estranhos, ele se vê envolto em histórias em que o destino e a morte, o amor e a vingança, a coragem e a covardia se entrelaçam, borrando seus limites.

Um tal Daneri é a primeira colaboração entre os dois autores. As histórias compiladas neste volume foram publicadas originalmente entre 1974 e 1978, e partem do gênero noir para estabelecer um jogo de ecos borgianos entre a ficção e a realidade da época, inevitavelmente marcada pela ditadura argentina.

Um tal Daneri tem formato 21 x 28,5 cm, 54 páginas, capa dura, R$ 59,90

Ambas edições tem tradução da Jana Bianchi.

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Manual do Minotauro, que reúne tirinhas da icônica Laerte, ganha edição especial

Já começou a pré-venda de Manual do Minotauro pela Quadrinhos na Cia., a publicação é uma antologia que reúne os trabalhos da cartunista e quadrinista Laerte, uma das mais importante e querida do Brasil. O título conta com versão autografada (edição limitada) e na versão sem autógrafo.

Laerte já tinha mais de três décadas de cartunismo e era uma das profissionais mais festejadas do Brasil quando decidiu reinventar tudo. Por volta de 2004, sua tira Piratas do Tietê abandonou os personagens recorrentes e os arremates cômicos para explorar o espaço daqueles três, quatro quadrinhos com uma mistura de filosofia, metafísica, poesia, poucas certezas e muitas dúvidas.

 

Piratas virou o Manual do Minotauro e o leitor entrou, junto a Laerte, no labirinto do ser mitológico. O desenho é o mesmo, exato na economia. O jogo entre nanquim, cor, forma e quadros ainda é referência de design. O texto continua enxuto, preciso. A narrativa é claríssima. Mas, ao mesmo tempo, algo vibra por baixo da aparente simplicidade. São mais de 1.500 tiras publicadas entre os anos de 2004 e 2015.

Manual do Minotauro tem formato 21,2 x 27 cm, capa cartonada, 416 páginas, capa cartonada e o valor de R$ 99,90.

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Deus em Pessoa está dentro, fora e no meio de nós

Cada indivíduo guarda dentro de si sua versão a respeito de Deus. Independente do “ismo” religioso que a pessoa escolhe seguir ele está lá. Inclusive se seu “ismo” começar com “ate” pois, afinal de contas, até para não acreditar é necessário ter uma noção do que se escolhe não seguir. Independente do nome ao qual você usa para designá-lo, Deus de fato está em todos os lugares e inclusive nas HQs, onde mesmo no mercado nacional já foram feitas tentativas de quadrinhos religiosos como Anjos de Deus, Smilinguido e o recentemente afamado Dudão, que apesar sua produção datar de meados dos anos 90, ganhou notoriedade em 2020 não só pelo seu conteúdo, mas também pela representação física dos personagens.

Porém, em Deus em Pessoa, o nosso famoso Divino aparece em sua forma definitiva. Finalmente o Todo Poderoso ressurge no meio de nós e, como consequência, tem um inestimável número de perguntas para responder, principalmente por sua suposta ausência tão duradoura.

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Aqui, Deus vive no mundo real finalmente entre nós. Mas, diferente da bíblia, sua maior criação já não é mais a mesma. Mais do que isso: o retorno do Senhor estimula o lado consumista do ser humano. Sua volta promove o lançamento de parques de diversões, livros, enfeites natalinos, pelúcias, jogos de quebra-cabeça e etc. Mas, por incrível que pareça, nada disso é muito diferente do que já vemos em nossas vidas, pois afinal de contas muitos já usam a religião como forma de exploração comercial.

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Como já dito, cada um tem sua interpretação específica do Eterno, que durante toda a HQ de Marc-Antoine Mathieu não tem seu rosto revelado e curiosamente, nenhuma religião ou seita específica é retratada durante toda a narrativa. Não vemos destaques a padres, pastores, rabinos ou qualquer outro líder por mais que, aqui na terra, são os maiores difusores de suas palavras sagradas. Isso não interessa em primeiro plano, mas sim a versão mais simples de interpretação individual.

A estrutura gráfica deste título é, perdão pelo trocadilho, bem conservadora. O traço de Mathieu é simples e as únicas cores usadas são preto, branco e cinza. Mas nada disso é um demérito ao fim das contas, pois o forte da narrativa está em seu texto repleto de reflexões profundas e filosóficas sobre a ciência, sociedade e religião. Assim como em seus ensinamentos expressos nos livros sagrados, a palavra torna-se protagonista em Deus em Pessoa.

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A edição a Comix Zone mantém o padrão de seus títulos anteriores. Para uma editora ainda jovem, é louvável a manutenção de um lançamento diferente a cada mês e ainda com a mesma qualidade em edição e acabamento. Neste último quesito, vale como menção o trabalho feito principalmente nas páginas 29 e 30, onde a tradução dos textos expressos nas placas protesto e capas de jornal foram totalmente traduzidas e adaptadas ao nosso idioma e na página 59, onde diversas fontes próprias tiveram que ter suas letras adaptadas para a escrita da mesma palavra, no caso, Deus.

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Para a editora, vale a pena apostar mais em títulos franco-belgas, pois esse é somente o segundo lançado até agora pela Comix Zone. Apesar da já citada jovialidade da editora, essa escola de HQ ainda tem um bem menor número de lançamentos se comparados aos quadrinhos argentinos lançados pela mesma. Igual David Byrne nos anos 90, a CZ faz um ótimo trabalho descobrindo a América tal qual Cristóvão Colombo e Vicente Pinzón, mas ainda falta uma maior exploração no Velho Mundo, e é esperado que Deus em Pessoa marque essa retomada que se iniciou em Boca do Diabo e que se espere que não fique só nesses dois títulos.

Deus está vendo. Está por aí, por aqui, por acolá ou dentro e fora de nós. Ele está inclusive nas nossas HQs, seja em seu conteúdo ou no material utilizado para sua confecção. Não adianta tentar retira-lo de sua cabeça, pois quando se menos esperar ele aparece de surpresa, assim como nessa obra.

Deus em Pessoa
Marc-Antoine Mathieu (roteiro e arte)
Érico Assis e Fernando Paz (tradução)
Audaci Júnior (revisão)
128 páginas
29 x 21 cm
R$79,90
Capa Dura
Comix Zone
Data de publicação: 03/2021

 

 

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O Imortal Hulk: Os monstros condenados

Para aqueles – como eu – que nunca colocaram a mão em uma revista do Golias Esmeralda, O Imortal Hulk, da dupla criativa Al Ewing e Joe Bennett, é, além de ótima porta de entrada, uma obra precisa ao explorar as raízes da humanidade e destrinchar o sentido, a razão e o fardo de ser humano (ou monstro?). A escrita ágil e a arte incomparável são as principais razões da qualidade surpreendente do material, que não só fará qualquer curioso se interessar a explorar o vasto universo do personagem, como também servirá de comparação para obras futuras e passadas.

Sem ter qualquer contato com materiais do Hulk, houve um receio inicial ao comprar as primeiras seis edições lançadas até a data desta publicação pela editoria Panini; pelo simples fato de um dos personagens que menos me atraiu no universo dos heróis ser o título da revista. Embora nunca tivesse motivos para desgostá-lo, Hulk nunca foi foco da minha atenção e tampouco do meu tempo de leitura, e as histórias provenientes dele ficavam fora do radar, sem contar o seu universo riquíssimo que foi deliberadamente negligenciado por mim. Contudo, a experiência elucidou o quanto estava errado sobre o personagem-título.  Isto prova o brilhantismo da linha comandada por Ewing e Bennett; ambos construíram uma trama tão atraente, complexa e reflexiva, que mesmo o cara mais desinteressado ficaria com os olhos vidrados da capa à quarta capa.

Essa foi minha experiência ao ler O Imortal Hulk, que ainda não foi finalizado – e no Brasil está um pouco atrás das publicações americanas por conta da distribuição, fator comum aos leitores brasileiros cientes das dinâmicas do mercado de quadrinhos no país. Todas as edições contam com um trecho inicial, que simplifica os temas abordados no quadrinho e promove uma marca registrada e exclusiva de edição por edição, dando importância às suas individualidades e abordagens, enquanto algumas priorizam a ação, principalmente quando os Vingadores, a Tropa Alfa e a Base Sombra aparecem, outras partem para construções filosóficas – marcadas por tentativas de conceber e interpretar imagens sobrenaturais e divinas -, além daquelas que fogem um pouco dos temas principais, e demonstram a inventividade da dupla pela alternância dos traços e do conteúdo, como a terceira revista, que trabalha com relatos fragmentados de um mesmo caso específico suspeito da presença do Hulk.

Homem, Monstro ou… ambos? Eis a primeira pergunta do quadrinho, eis o legado de Bruce Banner… conviver com um monstro interior que desperta à noite, mas de dia o atormenta – e o reflexo de vidro é um ótimo artifício para ilustrar o conflito de sua identidade. Porém, as escolhas artísticas acabam favorecendo a presença do Hulk em detrimento de Banner, com visual assustador; um monstro em forma de demônio verde. A arte de Joe Bennett é a razão para O Imortal Hulk ser tão aclamada pela crítica e público. Através do roteiro de Ewing, o quadrinista retorna às raízes do personagem para desenhá-lo da maneira mais assustadora e terrível possível. Hulk é um monstro? Demônio? A outra face de Deus? Diabo? Maldição? Bem, toda maldade grotesca – e bondade aparente – imaginável cabe para descrever as figuras traçadas por Bennett.

A exploração física dos membros, dos músculos e das transformações do Hulk é outro ponto para se prestar atenção. E as escolhas sempre trabalham a favor da história a ser contada; quando Hulk se assemelha ao herói comum, que busca trazer justiça (um tanto quanto distorcida), sua representação é grandiosa, peito estufado, a clássica imagem do personagem. Contudo, quando ocasiões mudam sua aparência (absorção de radiação, mega explosões, secreções digestivas que drenam energia) a imagem do Hulk se transforma em algo grotesco, lembrando um demônio em pé.

E a dinâmica entre os artistas fica ainda mais evidente em momentos pontuais; quando Hulk está no inferno com a radiação absorvida, como se estivesse sofrendo uma punição divina, um julgamento moral e religioso, seus músculos enormes dão espaço para sobras de pele, penduradas pelos ossos finos, e mesmo assim sua ânsia por violência o faz lutar bravamente e incansavelmente, confundido-se com um morto-vivo. Há outras sequências que o tornam como um espantalho, pernas, braços e olhos arrancados, enquanto em outras seus membros são divididos em prol de experimentos. É absolutamente agonizante e igualmente extraordinário, uma arte de tirar o fôlego restitui a figura monstruosa do Gigante Esmeralda.

Essa mesma arte colabora com a construção narrativa de toda a saga do Imortal Hulk. A exploração física de Hulk é proporcional à exploração psicológica de Banner; a pergunta Homem, Monstro ou… Ambos? é, desta maneira, o condutor das opções de Ewing. Qual é a maior atribuição de Hulk? O físico. E a de Banner? A mente. Dessa forma, as maiores notoriedades de ambos tendem a ser desmembradas e exploradas por Ewing, em uma jornada que julga – ao mesmo tempo que venera – as figuras do homem e do monstro. Hulk é a sombra, o reflexo do homem, que surge à noite; soa como maldição, pagamento dos pecados de Banner, mas também soa como milagre, um dom único, já que a essência de Hulk é – por Ewing e Bennett – naturalmente dúbia (repare as distinções entre a mão esquerda e direita de Deus).

Se a essência de Hulk é dúbia, os nossos temores a ele também seriam? O medo das pessoas é devido à sua monstruosidade, capacidade destrutiva, ou há um componente de inveja humana? Afinal, a capacidade de exteriorizar demônios e emoções, vista como fardo e milagre, se tornou inerente a Banner, sendo assim, o medo pelo Hulk não é apenas por representar uma ameaça física e psicológica, mas ser a prova frustrante da nossa incapacidade enquanto humanos: não podermos, nem um dia sequer, nos transformarmos em nossos próprios reflexos.

Pensando na perturbada mente de Banner, que compartilha-a com outras identidades, o quadrinho aborda a inquietude e o tormento do protagonista – desde elipses por conta de trocas de identidade, quando o quadrinho apenas salta de um momento para outro sem explicação, até a maneira quando os pensamentos, tanto de Bruce como de outros personagens secundários, se intercalam com as sequências de ação, do seu desenvolvimento ao desfecho. As próprias citações iniciais também são exemplos de como Ewing traça o tom da edição com certo estilo de contexto, variando da literatura à religião, do cinema ao teatro, flertando com lições da psicologia analítica.

Nota-se como o artigo tem mais perguntas do que respostas concretas. Isso ocorre de forma semelhante no quadrinho. Em nenhum momento, pelo menos até onde li, os autores resolvem seus raciocínios e julgamentos, apesar de apresentarem respostas possíveis. Não batem o martelo, levantam questões, criam e desenvolvem dúvidas pertinentes que acompanham os pensamentos de Banner e do leitor. Há um movimento contemporâneo nos quadrinhos de herói, pegando o exemplo do roteirista Tom King, que é de explorar mais a humanidade nas histórias de heróis; enquanto King gosta de experimentar uma relação íntima com o fã, através da emoção e dos dramas dos personagens, a dupla trata de trazer questionamentos constantes, que colocam em xeque a própria humanidade do leitor.

Ewing e Bennett traduzem questões reflexivas contemporâneas em um ótimo quadrinho de ação, aventura e terror. Enquanto a ação e a aventura estão ao longo da história, o terror circunda por fora ao enaltecer e insistir nas perturbações de Banner e explorar sua relação com o Hulk, partindo de argumentos, citações e alegorias religiosas, filosóficas e políticas. Se Banner parece estar condenado a viver para sempre em seu confuso e tenebroso universo pessoal, o quão diferente nós somos dele, ao compartilharmos um fardo tão semelhante quanto viver neste mundo?

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Confira os Detalhes da Minissérie Crush & Lobo e suas capas Variantes

Comemorando o Mês do Orgulho LGBTQIA+, a DC Comics anunciou a minissérie Crush & Lobo, escrita por Mariko Tamaki e artes de Amancy Nahuelpan, onde Crush resolve finalmente confrontar o seu pai, que está trancafiado em uma prisão intergaláctica. Confira a sinopse abaixo:

“Crush, filha do caçador de recompensas Czarnian Lobo, está em modo de autodestruição total! Depois de abandonar os Jovens Titãs e explodir seu relacionamento com sua namorada Katie, Crush decide que é hora de finalmente confrontar seu pai na prisão espacial e ter sua bagagem organizada antes que ela destrua tudo. Tal pai, tal filha?”

 

Para quem não sabe, Crush estrou nas páginas de Teen Titans Special #1 e seu nome verdadeiro é Xiomara Rojas. A sua origem é muito parecida com a do Superman. ela foi transportada para a Terra como uma criança, mas em vez de pousar nos campos de milho da saudável fazenda Kent, ela pousou fora do festival Burning Man e foi encontrada e adotada por dois participantes viajando com drogas.

A editora ainda não revelou quem é sua mãe humana, mas está implícito que também é um personagem importante da DC.

Crush & Lobo terá oito edições e começa a ser publicada em junho.