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Golden Boy: o que te faz feliz?

Posso começar esse texto dizendo que sempre tive uma ideia quase que utópica de felicidade – e a palavra “estabilidade” foi predominante no meu conceito. Nós nascemos, crescemos um pouco, entramos na escola. Estudamos. Crescemos um pouco mais, nos formamos. Trabalhamos, e trabalhamos bastante. Se ousarmos escapar mesmo que de forma sutil dessa linha imaginariamente consensual, sofremos o risco do arrependimento ou até mesmo do medo de não estarmos seguindo o que se considera o mais aceitável. Mas… é só isso então? A vida é um corredor estático e segue apenas uma direção? O descobrimento de nossas próprias indagações não estaria entrelaçado unicamente à nós mesmos?

Ok, admito que essa foi uma introdução longa, mas no decorrer do texto vocês vão entender onde eu quero chegar.

Lançado em 1995, Golden Boy é um anime de 6 episódios, produzido pela Shueisha em conjunto com a KSS. Baseado no mangá de mesmo nome, o criador Tatsuya Egawa nos apresenta à jornada do jovem Oe Kintaro, um rapaz de 25 anos que optou por “largar tudo” e viajar com sua fiel bicicleta pelo Japão. Kintaro decidiu que iria aprender sobre a vida, percorrendo seu país não em busca de si mesmo, mas em busca de um aprendizado que só poderia ser conquistado através de uma vivência única.

Ao longo dos 6 episódios, vemos o personagem passar de cidade em cidade, de trabalho em trabalho, sempre buscando aprender o máximo que pode no lugar em que se encontra. O desapego que Kintaro tem com relação ao que a maioria considera como essencial é o que permeia toda a essência do anime, nos mostrando como a alegria pode ser encontrada nas menores e mais simples coisas.

No primeiro episódio, o jovem acaba conseguindo um emprego como faxineiro de uma empresa de informática comandada por mulheres. Mesmo ocupando uma função “simples” e que nada tinha a ver com a computação, Kintaro está sempre com um caderno em mãos, anotando tudo que as suas chefes lhe dizem e até mesmo tudo que elas falam entre si sobre programação e tecnologia. O ânimo em absorver o que o atual momento lhe proporciona é inclusive reparado pelas moças, que veem no jovem uma curiosidade excepcional.

Numa noite, ao estar sozinho no trabalho após o expediente, Kintaro vê um dos computadores ligados, e, numa falha tentativa de poupar energia e ajudar a natureza, desliga o aparelho. O ato ecológico, no entanto, acaba por jogar fora todo o trabalho de meses da empresa, que estava desenvolvendo um programa de computador para um exigente cliente. Perdendo o emprego, Kintaro sente que precisa, de alguma forma, compensar o erro e ajudar as mulheres, começando então a ele mesmo desenvolver o programa que havia deletado. Consultando suas próprias anotações do seu tempo na empresa e mais diversos livros, o jovem consegue criar do zero um software ainda melhor do que o deletado, entregando o arquivo na empresa com um pedido de desculpas e agradecendo por todos os ensinamentos que teve.

Ao perceberem o resultado e o talento de Kintaro, as empresárias procuram pelo jovem, que já havia subido em sua bicicleta e partido rumo à uma nova aventura. O rapaz sente que sua função ali já foi cumprida, que aprendeu o que podia e que conseguiu, de alguma forma, ajudar as pessoas que conheceu.

Em outro momento, vemos Kintaro agora trabalhando em um restaurante de massas artesanais. Morando provisoriamente em um quarto na casa dos proprietários, Oe fala que vai partir assim que o braço do responsável melhorar e o mesmo já puder preparar os pratos sem dificuldades. No decorrer desse tempo, percebemos como o jovem se importa com a família que o contratou – e o acolheu -, dando duro no trabalho, ajudando no que precisa e, o mais importante: vemos como ele está feliz em estar ali.

Sabemos – nós expectadores e a família do restaurante – que a estadia de Kintaro é passageira; sabemos que ele seguirá seu caminho e que as pessoas que ele conhecerá não embarcarão na mesma jornada. Entretanto, mesmo tendo ciência desses fatos, sentimos quando a despedida acontece. Novamente, ao sentir que ali cumpriu sua missão, Kintaro parte, carregando consigo a experiência que adquiriu e os laços que criou.

Kintaro nos faz refletir sobre nossos próprios conceitos de felicidade e aprendizado, nos ensinando (mesmo sendo ele quem está buscando aprender) a olharmos para as oportunidades como uma nova forma de encarar a vida. Percebemos como muitas pessoas irão passar pelos caminhos de Oe e que, mesmo que elas não permaneçam, suas marcas serão eternas. A  solidão de constantes separações acaba sendo compensada pelas belas paisagens que conhece, pelos lugares que visita e pelos encontros que essa incrível jornada lhe proporciona. E, uma coisa eu posso afirmar: Kintaro é feliz. Kintaro leva a felicidade aonde vai, e, do seu jeito, transforma a vida de quem cruza seu caminho, nos mostrando que parte da trajetória também é a partida.


Mesmo sendo um anime ecchi, com cenas de insinuação sexual e até mesmo nudez, Golden Boy consegue empregar a sexualidade de uma forma eficaz, sendo coerente com a narrativa, mesmo que as vezes acabe pesando um pouco na dose. Cabe ressaltar que, por ser uma produção de mais de 20 anos atrás, temos muitos conceitos e entendimentos da época, fazendo com que algumas cenas e piadas se tornem “datadas”. A animação é muito bem feita e produzida, tendo o estilo único que os anos 90 proporcionaram para os padrões estéticos e de traçado. Recomendo essa obra, do fundo do meu coração, não somente aos amantes de animações japonesas, mas à todos que procuram uma trama diferenciada quanto à mensagem que traz. O anime pode ser encontrado na Crunchyroll, clicando AQUI.

PS: se te der vontade de pegar uma bicicleta e sair pelo mundo… não esqueça: a vida é boa e merece ser vivida todos os dias.


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O destino de comédias-românticas com “As Quíntuplas”

Não faço segredo para ninguém que comédias-românticas são um dos meus gêneros prediletos. Eu adoro comédias no geral, e defendo que animê, como mídia, é perfeita para gerar humor. Juntar a mídia perfeita com um dos subgêneros mais bem sucedidos dela é como um pastelzinho com caldo de cana: Mesmo se der errado, ainda vai ter valido a pena.

Com autoria de Negi Haruba, “As Quíntuplas” (no original, “Gotoubun no Hanayome“) é um mangá de comédia-romântica, completo no Japão em 14 volumes, e que se transformou em, até o momento, duas temporadas de animê, com 24 episódios no total. E, é claro, foi a minha inspiração para essa postagem.

Quando a primeira temporada saiu, em 2019, eu comentei sobre ela no “Primeiras Impressões“, e o show acabou se tornando o meu animê predileto daquele ano – desbancando títulos como Kaguya-sama e Demon Slayer – e por um bom motivo: Foi uma das melhores comédias-românticas que eu já assisti, a ponto de me fazer sobreviver 2020 para assistir a segunda temporada. E ainda bem que eu consegui.

Captura de tela do episódio 7 de "The Quintessential Quintuplets 2"
Eu pensando no pastelzinho com caldo de cana enquanto escrevo o resto da postagem

Com o mangá recentemente lançado no Brasil, eu tive a oportunidade de consumir a mídia das duas formas: No original e na adaptação. E fico muito feliz em poder dizer que as duas são equivalentemente boas, com cada uma delas trazendo aspectos e características diferentes para uma mesma história, fazendo com que cada versão possa agradar um público diferente.

Fora as mudanças claras que existem na forma de consumir cada mídia (e isso, talvez, já pode servir como diferenciação de público. Eu, por exemplo, não tenho costume de ler mangá, então fiquei um pouco desconfortável com o livro em mãos), os dois grandes fatores em jogo são cor e som.

Isso pode parecer óbvio, mas a mera existência desses dois fatores faz com que o animê seja uma experiência completamente diferente. Quando tratamos das irmãs Nakano, nós sabemos que elas são quíntuplas idênticas. Logo, não deveria existir diferença na voz ou na cor dos cabelos entre as cinco garotas. Isso não é um problema no mangá, que é todo em preto-e-branco, e onde a voz não passa de um balão de fala. Quando elas “brincam” de trocar de lugar uma com a outra, a versão impressa torna a história muito mais acreditável, e levanta mistérios muito mais potentes, por nunca sabermos, de fato, quando alguma irmã está se passando por outra, ou qual delas é a responsável.

Por outro lado… O animê diferencia as garotas com cores de cabelos imaginárias, e nenhum produtor em sã consciência deixaria sua dubladora fazer cinco personagens num show semanal (que era a ideia inicial, como pode ser visto nesse comercial do mangá, que precede o animê), então temos também diferentes vozes. Como você pode imaginar, isso destrói completamente a brincadeira de adivinhação, fazendo com que o show acabe se tornando acidentalmente mais engraçado, de tão idiota que é a situação. E pra mim, que veio assistir uma comédia-romântica por conta do primeiro pedaço, isso é um ponto positivo.

Na esquerda, captura de tela do episódio 9 de "The Quintessential Quintuplets"; Na direita, foto de uma página do volume 4 de "As Quíntuplas"
Ok, o tamanho dos cabelos entrega um pouco… Mas a falta de cor já ajuda a confundir todas as cinco, não ajuda?

Aliás, já que toquei no assunto… Apesar de gostar muito de comédias-românticas, elas parecem ter um problema que é estrutural, impossível de fugir: Elas costumam virar um drama na segunda metade.
E isso não é exatamente um “problema“… Acaba sendo uma das características que fazem o gênero ser o que é, e, para muitos, pode ser o fator determinante entre gostar ou desgostar de uma obra.
Aí eu só posso falar por mim, mas tem vezes que essa virada de chave é muito repentina e/ou muito brusca pro meu gosto. Eu não me importo muito com o drama, mas eu simplesmente prefiro a comédia, então, quando o show faz um completo 180º e se torna um drama completo, isso me deixa um pouco decepcionado.

Talvez seja um “azar” meu, mas esses casos de troca violenta de ritmo parecem ser muito comuns, pelo menos nas coisas que eu assisto. Por causa disso, eu precisei aplaudir de pé a coragem que “As Quíntuplas” teve ao ser muito mais sutíl em sua abordagem dessa mudança, que, aparentemente, é obrigatória em todo e qualquer tipo de comédia-romântica.

Em sua segunda temporada, o animê entra na inevitável parte dramática, e ao perceber o caminho que estávamos indo, eu já revirei meus olhos em desgosto. Porém, vocês podem imaginar o tamanho do meu sorriso ao perceber que, embora o drama tivesse chegado, o humor havia se mantido. Num balanço quase inacreditável de cenas sérias e cenas absurdas, o show conseguiu ter quase dois arcos inteiros e consecutivos de histórias de novela, sem abandonar suas raízes como comédia, fazendo com que eu me mantivesse dando risadas mesmo quando o mundo estava literalmente em chamas.

É um caso exatamente oposto ao de outra comédia-romântica que eu já comentei aqui: Oregairu. Não me levem a mal, eu adoro Oregairu, e acredito ser um dos finais mais satisfatórios que eu já vi, mas… Logo no começo da sua segunda temporada, o show parece desistir de ser uma comédia e fica totalmente dedicado ao drama. Eu precisei parar de encarar as aventuras de Hachiman como uma comédia, e começar a encará-las como um drama. E como um drama, elas são excelentes.

Captura de tela do episódio 1 de "The Quintessential Quintuplets 2"
No momento, o drama é assistir elas serem vacinadas e eu não estar nem próximo de tomar a minha…

Como já comentado, a mágica desse gênero está em atrair tanto quem goste de drama (e precisa passar por um sofrido começo cômico), como quem gosta de comédias (e acaba sofrendo com os finais dramáticos de suas obras prediletas). Com um desenvolvimento que mescla os dois lados da moeda, Negi Haruba parece ter empatado seu cara-ou-coroa ao derrubá-la de lado, trazendo tanto gregos como troianos para sua obra, com essa decisão tão diferente que parece até esquisita.

E ninguém esperava por isso. Não só com “As Quíntuplas“, mas com todas as comédias-românticas que existem, os fãs não sabem como uma obra vai se direcionar. Quanto tempo ficaremos na parte “cômica“, até entrar o drama? A história vai virar uma novela? Se sim, vai virar “Amor de Mãe” ou “Ti Ti Ti“? São perguntas que só podem ser respondidas conforme a própria obra se encaminha para seu desfecho. Se eu não fosse químico e odiasse o uso errôneo desse exemplo, poderia dizer que toda comédia-romântica é um “Drama de Schrödinger“, e que talvez esse mistério seja o maior motivador de fãs do gênero.

Caso tenha ficado interessado em “As Quíntuplas“, e queira conferir por você mesmo, o mangá é licenciado no Brasil pela Editora Panini, e você pode encontrar os volumes já lançados na Amazon. Se preferir o animê, as duas temporadas estão disponíveis na plataforma de streaming Crunchyroll, sob o nome “The Quintessential Quintuplets“, e possuem legendas em português.

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11 anos depois, Angel Beats ainda é perfeito no meu coração

Algum tempo atrás, fiz uma postagem sobre o valor de revisitar conteúdos, em oposição a consumir coisas novas. Acredito ser uma das minhas melhores obras, e ela foi justamente a inspiração para esse texto de hoje. Se não viu ainda, recomendo dar uma olhada: O valor de revisitar conteúdos já conhecidos.

Em suma, o que nos trouxe aqui hoje foi um experimento simples: O Vinicius de hoje tem os mesmos gostos que o Vinicius de 11 anos atrás? Pegamos um animê que, até então, eu considerava como um dos meus favoritos, e que sempre tive certo “receio” de rever: Angel Beats. Queria descobrir se eu continuaria gostando tanto quanto eu gostei no passado, e se eu teria uma visão diferente daquela que tive na primeira vez.

Inclusive, decidi fazer isso justo agora por um motivo especial: 3 de abril de 2021 marca o décimo primeiro aniversário do lançamento do show. O primeiro episódio foi exibido na televisão japonesa justamente nesse mesmo 3 de abril, no longinquo ano de 2010. Posso estar exagerando um pouco, mas ouso dizer que foi um animê que marcou não só o gênero, como toda uma geração de fãs. Pelo menos, me marcou.

O clássico episódio de beisebol, sempre sendo usado para desenvolvimento de personagens e, claro, como mote para várias piadas.

Sendo a mais nova – na época – artimanha de Jun Maeda e da Key, todos os olhos estavam voltados para Angel Beats: Com antecessores como Clannad e Little Busters, o público estava preparado para mais uma obra repleta de comédia e recheada de drama, com apenas um pequeno toque de magia e muito, mas muito beisebol.
Afinal, se existe um escritor que é consistente em suas obras, é justamente Jun Maeda. Um dos fundadores do estúdio “Key” (parte do grupo “Visual Arts“), ele é formado em psicologia pela Universidade de Chukyo, e olha… ele usa bastante o diploma. Os roteiros que escreve são conhecidos por serem fortes, alegres, tristes, engraçados, intensos e até cruéis, tudo ao mesmo tempo. Com os já anteriormente citados “Clannad” (Visual novel de 2004, com animação em 2007) e “Little Busters!” (Visual novel de 2007, até então sem animação) sendo considerados “clássicos”, e tendo mais ou menos a mesma temática, nós já tínhamos uma ideia de o que esperar de Angel Beats.

Mas é claro que em 2010, o pobre Vinicius de 14 anos não tinha a menor noção de nada disso. Ele tinha acabado de começar a assistir animês, tendo apenas visto alguns episódios de Naruto e os clássicos Dragon Ball e Sakura Card Captors na televisão.
Hoje, me recordo de ter adorado o show, e que ter assistido sem ter muita noção do que esperar foi parte do motivo. Eu simplesmente recebi uma indicação de um amigo meu (se estiver lendo isso, Nishida, grande abraço!), e fui atrás dos dois ou três episódios já lançados no momento. A cada semana, foi uma surpresa nova, uma risada nova, um sentimento novo.

O problema é que onze anos é muito tempo, bicho. Minha nossa, que tristeza pensar nisso… E com o tempo, memórias vão se deteriorando. O próprio conceito de “memória” é uma coisa horrível, pois ela deveria servir para nos recordar do passado, mas elas acabam apagando todos os detalhes e nos deixando apenas com o “sentimento geral” daquela situação.
Até reassistir o animê nesses últimos dias, eu me lembrava vagamente do show. Eu tinha certeza de que era algo divertido e emocionante, que me marcou muito e que eu considerei, na época, como uma das melhores coisas que eu conhecia. Mas… Se me perguntassem “por quê?“… Eu não saberia responder. Eu mal poderia dar uma sinopse de todos os arcos que ocorrem nos exorbitantes treze episódios. Nem é tanta coisa assim, sabe? E mesmo assim, minha memória era apenas uma bolota flutuante que dizia “Angel Beats bacanudo” e nada mais.

Só que agora, eu revi o show. Sentei por treze episódios e assisti tudo novamente. Uma coisa que eu não tinha nem como apreciar no passado (pela falta de experiência), e que vi agora com outros olhos, foi a qualidade técnica de Angel Beats. Não preciso nem entrar no mérito de história ou trama pra isso. Falo mesmo da questão de estúdio, de direção, de animação, de dublagem. Até para os padrões de hoje, o animê é absurdamente bem feito. É bonito e bem animado (como já era de se esperar do Estúdio P.A. Works e nomes como Tadashi Hiramatsu e Katsuzou Hirata na equipe); tem OST de fazer inveja; umas três ou quatro (até perco a conta!) insert songs; um elenco de dubladores que reuniu os maiores nomes da época (com muitos deles estando no ápice de suas carreiras até hoje, como Kana Hanazawa e Kamiya Hiroshi)…
Não dá pra negar que uma quantidade enorme de dedicação, recursos e talento foi colocado nessa produção, que, com certeza, venceu o teste do tempo nesses quesitos.

Com apenas treze episódios, não dá para falar de todo mundo. Mas, talvez, seja melhor assim.

E quando entramos, de fato, no mérito da trama… Angel Beats é um show agridoce, como tudo que a Key custuma fazer. E, depois de ponderar um pouco sobre o assunto, acho que cheguei na conclusão de que isso é feito com o uso de elipses.
Vou explicar: A gente tem um elenco absurdo, personagens interessantíssimas e que sabemos, com certeza, que possuem uma história e um motivo para estar ali. Muitas delas nos deixam curiosos para entender o que aconteceu, ou o porquê de ter acontecido. Afinal, quem diabos é TK, e por qual motivo ele só fala em citações musicais? Por que Shiina age como uma ninja? O quão sofrida pode ter sido a vida de um jovem faixa preta 5º dan em judô?
Quando decide NÃO te dar essas respostas, Jun Maeda está reforçando ainda mais o impacto das histórias que ele decidiu te mostrar. Esse “ar de mistério” que cerca não só as personagens, como toda a trama, é que faz com que os pedaços que foram, de fato, elucidados, se tornem tão marcantes.
Isso é feito com grande maestria com o próprio protagonista. Privar o público do passado de Otonashi não é apenas uma ferramenta de roteiro para que a obra comece. É, também, uma elipse ao nos mostrar apenas metade da história, fazendo com que o final dela seja tão mais memorável.

Voltando ao ponto principal, que seria a minha interpretação atual: Assistindo a cada episódio, eu senti mais e mais que Angel Beats foi algo feito para mim. Ele tem as principais características que eu amo nessa mídia, e que comento sempre que posso. Animês são a mídia perfeita para comédia esdrúxula e, ao colocá-la no meio de um drama comovente que te faz chorar igual um bebê, você atinge um balanço ideal.
E, se entendermos o contexto em que esse show existiu na minha vida, é muito provável que ele seja um dos responsáveis por moldar o meu gosto. Possivelmente é o motivo de eu ter um fraco por comédias absurdas e um fraco ainda maior por qualquer historinha triste mequetrefe (por mais que eu tente esconder o fato de ser movido à lágrimas facilmente).

Impossível negar, porém, que chegar para assistir um show (ou ler um livro, ver um filme, ouvir uma música… A ideia é aplicável para qualquer mídia) já com “sentimentos” – a grande bolota que citei mais cedo – faz com que essa experiência não seja tão nova assim: Você já tem alguns pré-conceitos (talvez pós-conceitos?) que afetam a sua visão.
Por outro lado, justamente a existência desses “sentimentos” já é um fator que diferencia a sua nova jornada da primeira.

A história se aplica ao próprio show, onde personagens passam por coisas que os mudam, e mudam as percepções de mundo deles.

De novo trago a velha história do rio: A pessoa que assistiu Angel Beats hoje é completamente diferente da pessoa que assistiu Angel Beats 11 anos atrás. O modo de assistir, o clima e a visão do mundo, a personalidade, a visão de si próprio… Tudo isso mudou, apenas para citar alguns pontos. O show pode ser exatamente o mesmo, sem tirar nem por, mas eu não sou. Isso permitiu que essa experiência “velha” pudesse ser uma “nova” experiência, e que abriu novas interpretações e sentimentos, agregando novidades à bolota de memórias.

Um exemplo muito claro disso é minha relação com uma das personagens: Na experiência “velha“, lembro de não ter ido muito com a cara da Yui, por ser uma garota extremamente enérgica e que me dava uma impressão ruim. O impacto do passado dela não foi, nem de perto, tão grande quanto na experiência “nova“, onde eu tinha uma mente mais aberta e consegui me solidarizar com a garota.

A conclusão que podemos tirar disso tudo é que eu posso ficar tranquilo, pois os meus shows favoritos (muito provavelmente) continuam sendo meus shows favoritos, mesmo depois de tantos anos. Assim, graças a Deus, não precisarei mais rever uma cacetada de animês. Eu confio no meu eu do passado e nas minhas queridas bolotas.
É uma desculpa a menos para não assistir coisas novas, mas é um preço que estou disposto a pagar.

“Angel Beats” está disponível na Crunchyroll, todos os 13 episódios com legendas em português, e é um animê que eu não poderia recomendar mais. Mas acho que esse ponto já ficou claro, né?

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BRZRKR ganhará filme e anime pela Netflix, ambos serão estrelados por Keanu Reeves

Por meio de suas redes sociais, a Netflix anunciou que um filme em live-action e um anime de BRZRKR está em desenvolvimento. 

Keanu Reeves, o criador do quadrinho de mesmo nome, irá estrelar ambas as produções. 

Reeves também será o produtor ao lado da BOOM! Studios, a editora da HQ nos Estados Unidos da América. 

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O Exterminador do Futuro ganhará um anime produzido pela Netflix

Foi revelado através do The Hollyood Reporter, que a Skydance está desenvolvendo um anime de O Exterminador do Futuro em parceria com a Netflix

Mattson Tomlin, roteirista de Batman, será o encarregado pelo projeto. 

Não foi revelado se a produção será um reboot da franquia, ou uma espécie de continuação.

Num futuro próximo, a guerra entre humanos e máquinas foi deflagrada. Com a tecnologia a seu dispor, um plano inusitado é arquitetado pelas máquinas ao enviar para o passado um andróide (Arnold Schwarzenegger) com a missão de matar a mãe (Linda Hamilton) daquele que viria a se transformar num líder e seu pior inimigo. Contudo, os humanos também conseguem enviar um representante (Michael Biehn) para proteger a mulher e tentar garantir o futuro da humanidade. Diz a sinopse do filme de 84.

Para futuras informações a respeito de O Exterminador do Futuro, fique ligado aqui, na Torre de Vigilância.

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A dublagem da Funimation: Azur Lane

Se algo mudou nos últimos anos no mundo do entretenimento, foi a ascensão do streaming. Cada vez mais e mais plataformas estão surgindo e disponibilizando conteúdos em novas regiões, nos deixando até confusos, às vezes, tentando lembrar em qual site está aquela série em específico. No final de 2020, a Funimation, uma das gigantes da indústria de animê, lançou – aos trancos e barrancos – o seu serviço no Brasil, trazendo um catálogo com diversos títulos legendados e dublados.

Inclusive, a dublagem de shows recentes é um dos carros-chefe da empresa no exterior, e eles parecem estar querendo trazer isso para o nosso país, também. Dublando clássicos absolutos como Steins;Gate e Claymore, e sucessos mais recentes como My Hero Academia e Attack on Titan, a Funimation mostra que não está pra brincadeira e que realmente quer emplacar a cultura do animê dublado no Brasil.
Sua parceria com o mais novo canal da TV aberta, a Loading, está levando algumas dessas obras dubladas para a televisão, com um programa voltado especialmente para os conteúdos da plataforma. A “Funimation TV” está no ar de segunda a sexta, 22:20.

Introdução feita, vamos falar sobre o tema de verdade: Azur Lane. Lançado em 2017 pelas empresas chinesas Shanghai Manjuu e Xiamen Yongshi, esse jogo para celular viu sua popularidade zarpar para mares muito além do que poderiam imaginar. Usando a velha tática de antropoformizar uma categoria de objetos (como, por exemplo, células do corpo humano), temos navios da segunda guerra mundial transformados em garotas de animê, com designs e personalidades baseados na história e visuais dos barcos reais. O que faz com que o jogo acabe agradando os nerds marítimos e os weeaboos ao mesmo tempo (e você se impressionaria como grande parte das pessoas que jogam fazem parte de ambos os grupos).

E como tudo que faz sucesso hoje em dia, não demorou muito para Azur Lane receber uma adaptação animada. Quando esses projetos são aprovados (e isso também vale para a dublagem, aliás), sempre se tem um público-alvo em mente, e se constrói o show em volta dele. O resultado disso é que Azur Lane se tornou um clássico do cinema: “Porradinha super brega com garotas em roupas sexy“. É o tipo de coisa que você sabe perfeitamente do que se trata quando pega para assistir, pois ele não tenta te enganar ou fingir que é outra coisa.

E pensando por esse lado, talvez “Azur Lane” seja um show ideal para ser dublado. Embora esteja longe de ser um “título de entrada”, é específico o bastante para talvez converter pessoas que já estão nesse meio, fazendo-as dar novas chances para shows dublados.

Captura de tela do episódio 1 de "Azur Lane"
A parte “garotas em roupas sexy” do show é bem aparente logo de começo. A porradinha brega, nem tanto.

Feita em São Paulo, pelo estúdio DuBrasil, com direção de Bruno Sagregório e Bernardo Berro, a dublagem do show foi uma feliz surpresa pra mim. Eu não sabia o que esperar, sendo a primeira dublagem da Funimation que eu assisto (assim como a primeira do estúdio DuBrasil), então entrei com um pé atrás, desconfiado. Mas o resultado me trouxe muito mais pontos positivos para comentar do que negativos para reclamar. No geral, uma dublagem de qualidade. Mas vamos falar mais a fundo sobre esses pontos.

Acredito que a primeira coisa que preciso dizer é que o elenco principal foi um enorme acerto. Quando se tem profissionais tão experientes e de alto nível como protagonistas, fica difícil de dar errado. Com vozes que se encaixaram muito bem nas personagens, e atuações que deram vida e credibilidade para elas, a DuBrasil conseguiu trazer seu trabalho para o mesmo nível que as atuações das dubladoras originais.
Em especial, gostaria de parabenizar Flavia Saddy (Gal Godot em “Mulher Maravilha”) em seu papel como Enterprise. Como alguém que já conhecia o jogo antes de ver a série, e nunca gostou muito da personagem, devo dizer que a dublagem brasileira me fez entender melhor como ela se sente e me deu novos horizontes. Foi uma atuação impecável.
Outros nomes que merecem destaque são Maitê Cunha (Kurisu em “Stens;Gate”, também na Funimation) como Belfast, que conseguiu trazer toda a tranquilidade da personagem, sem perder o “peso” da personalidade dela; e Fernanda Baronne (Vampira na franquia “X-Men”) no papel da Kaga, especialmente em seus momentos mais marcantes nos episódios finais, onde a carga emocional da cena exigiu uma atuação excepcional, que foi entregue com louvores.

Outro ponto, um pouco mais polêmico, é sobre a adaptação. Eu sempre comento calorosamente sobre o assunto, explicando meus pontos sobre como uma dublagem deveria trazer o maior sentimento brasileiro possível. Aqui, é um pouco mais complicado, pois praticamente todas as personagens são absurdamente caricatas. Ter personagens que falam de forma caricata é normal, principalmente no universo dos animês, mas “Azur Lane” consegue extrapolar todas as noções que temos. O trabalho da tradução e direção foi complexo, ao tentar equilibrar os dois lados da moeda: Tentar manter as personagens caricatas, pois é uma característica do show; mas fazer isso de uma forma que continue mais ou menos natural para um brasileiro.
E eu diria que, no geral, o trabalho deu certo. O show conseguiu alcançar o meio-termo, mantendo aquele clima brega que o original tem, mas sem ficar muito alienígena para quem não está muito familiarizado com shows japoneses. Acho que a única instância de adaptação que ficou estranha demais pro meu gosto foram todas as “irmãzona” que ficaram no roteiro. Os diversos “minha irmã” e “querida irmã” soam mais caricatos e plausíveis do que qualquer um dos “irmãzonas” que acontecem entre as garotas da classe Cleveland.

Captura de tela do episódio 9 de "Azur Lane"
Dois dos principais problemas do show de uma vez: As personagens secundárias e a falta de legendas.

Como já comecei a falar de coisas não tão boas… Vamos falar dos pontos negativos da dublagem. Embora eu tenha gostado bastante do produto final, ele não é perfeito. Acredito que o pior dos defeitos seja, em contraste com a melhor das qualidades, a dublagem das personagens secundárias. Muitas das personagens que tem pouco tempo de palco (e, consequentemente, poucas falas) tiveram vozes estranhas, que muitas vezes não combinavam com elas, e com atuações abaixo da média. Realmente deu pra perceber que o show tinha uma quantidade absurdamente gigante de personagens, e que não dava pra dublar todo mundo. De qualquer maneira, por serem personagens com pouco impacto na obra, o maior defeito acaba não sendo tão grande assim, apenas um peixinho num grande oceano de qualidades.

Um problema menor, mas ainda existente, é a falta de legendas na versão dublada. É claro que não precisamos legendar os diálogos, mas todo o resto do show ainda está em japonês: Placas, letreiros com nomes de personagens e localizações, todas essas informações ficaram perdidas, completamente sem tradução. Sempre que uma nova personagem aparecia, seu nome e mais alguns dados (que eu só posso supor que fossem sua classe e afiliação) eram apresentados, mas eram completamente ilegíveis. Locais também eram apresentados por letreiros e nunca colocados em português, fazendo a já escassa noção espacial do show ficar ainda pior.

Para finalizar, uma reclamação que nem sei se vale a pena ser feita, pois muito provavelmente está fora do alcance das pessoas envolvidas, mas… Sabe, quando você tem uma obra onde a ideia é justamente atrair pessoas que estão afim de ver garotas com roupas sexy, usar a versão censurada do vídeo não parece ser uma boa ideia. Tá certo que a censura só existe em uma única cena de cinco minutos em apenas um episódio, mas só de dar uma olhada nas respostas do tweet que postei ali em cima, já dá pra ver que a galera ficou decepcionada com os raios de luz cobrindo metade da tela deles. Fazer o quê? Imagino que seja uma questão contratual.

Captura de tela do episódio 9 de "Azur Lane"
Se a terra é plana, como você explica isso?

Com uma história surpreendentemente mais complexa do que se esperaria (mas não tão complexa assim), cenas de ação muito bem animadas e um tom quase que estável por toda a sua duração, Azur Lane acabou sendo um show bastante divertido de se assistir. É super brega, com jargões toscos sendo jogados à bombordo e estibordo? É. Tem umas situações meio forçadas só para aumentar a taxa de cenas sexy por minuto? Tem. Mas se você atravessou mares conturbados para chegar até aqui, você sabe exatamente o que está fazendo, e a versão nacional pode ser uma boa escolha para justificar suas ações.

Afinal, eu só estou querendo incentivar a dublagem brasileira! É por isso que eu assisti! Sim, sim, por isso!

Você pode assistir “Azur Lane”, dublado em português ou legendado, com exclusividade na Funimation.

 

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A guerra entre robôs e kaijus está de volta! Netflix divulga o trailer completo de Pacific Rim: The Black

Netflix liberou o trailer do anime Pacific Rim: The Black, que chega em 04 de Março de 2021 no streaming.

 

Há muito tempo, a humanidade derrotou os Kaijus. Agora, eles evacuam a Austrália. Em 2021, junte-se a dois irmãos e seu danificado e abandonado Jaegar enquanto lutam através do continente em perigo na série ‘Pacific Rim: The Black’.

Para futuras informações a respeito de Círculo de Fogo, fique ligado aqui, na Torre de Vigilância.

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Assista o primeiro teaser de Pacific Rim: The Black

A Netflix liberou o primeiro teaser do anime Pacific Rim: The Black, que chega em 04 de Março de 2021 no streaming.

Há muito tempo, a humanidade derrotou os Kaijus. Agora, eles evacuam a Austrália. Em 2021, junte-se a dois irmãos e seu danificado e abandonado Jaegar enquanto lutam através do continente em perigo na série ‘Pacific Rim: The Black’.

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Tomb Raider ganhará anime pela Netflix

A Netflix anunciou através do Deadline, que um anime de Tomb Raider está em desenvolvimento.

A série animada irá explorar as aventuras de Lara Croft após os eventos dos jogos reboot da saga.

Uma previsão de lançamento não foi revelada pelo serviço de streaming.

Tomb Raider é um game de ação e aventura, décimo título da série Tomb Raider e o quinto jogo produzido pela Crystal Dynamics. Foi publicado pela Square Enix em 05 de Março de 2013 para Microsoft Windows, PlayStation 3 e Xbox 360 e em 2019 para Google Stadia. 

Para futuras informações a respeito de Tomb Raider, fique ligado aqui, na Torre de Vigilância.

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Netflix está trabalhando em um anime da Ilha da Caveira situado no Monsterverse da Legendary

Por meio de suas redes sociais, a Netflix anunciou que está trabalhando em um anime da Ilha da Caveira situado no Monsterverse da Legendary.

A produção será em parceria com a Powerhouse Animation e até o momento, a série não possui data de lançamento.

A Ilha da Caveira faz parte da mitologia do King Kong, que recentemente deu as caras em Kong: A Ilha da Caveira de 2017.

O Monsterverse da Legendary é composto pelos filmes: Godzilla, Kong: A Ilha da Caveira, Godzilla II: O Rei dos Monstros e do vindouro Godzilla vs. Kong.

Para futuras informações a respeito da Ilha da Caveira, fique ligado aqui, na Torre de Vigilância.