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Semana do Quadrinho Nacional anuncia lançamento do documentário Nanquim com Açaí

Vai acontecer no próximo sábado, dia 30/01, a estreia do web documentário Nanquim com Açaí, que tem a produção de Sâmela Hidalgo e Evaldo Vasconcelos, o lançamento do filme será uma comemoração ao Dia do Quadrinho Nacional, que é justamente nessa mesma data.

O lançamento de Nanquim com Açaí é promovido pelo festival Semana do Quadrinho Nacional – Manaus, que teve a sua terceira edição adiada em respeito a todas as famílias que sofreram perdas imensuráveis em razão da pandemia do COVID-19 e a má gestão politica, o festival ainda vai acontecer em uma data a ser escolhida.

O filme Nanquim com Açaí fala justamente de como a pandemia do coronavírus afetou a produção de quadrinhos no estado do Amazonas. A serelepe Sâmela e o polivalente Evaldo conversam com sete convidados que respiram uma das cenas de quadrinhos que mais ganhou força e importância nos últimos anos, são eles: Levi Gama, Emerson Medina, Ademar Vieira, Luiz Andrade, Rayanne Cardoso, Daniela Soares e Rafaela Pimentel.

Nanquim com Açaí poderá ser conferido no canal do YouTube oficial do evento, clicando AQUI.

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A Importante HQ Guarani -A Terra Sem Mal, Chega ao Brasil pela Comix Zone

A Editora Comix Zone, não é de hoje, vem realizando um importante resgate histórico nos quadrinhos. Está sendo assim com as obras Capa Preta e Mundo Pet, ambos do Lourenço Mutarelli e com obras como Paracuellos de Carlos Giménez. E agora a editora traz um importante, e sangrento, evento da história sul americana que é muito… digamos… deixada de lado ou esquecida de propósito, por muitos brasileiros: Batalha de Acosta Ñu, imortalizada na HQ Guarani -A Terra Sem Mal dos argentinos Diego Agrimbau (roteiro) e Gabriel Ippóliti (arte).

Batalha de Acosta Ñu, que em 2019 completou 150 anos, aconteceu quase no apagar das luzes da Guerra do Paraguai, quando o Paraguai enfrentou os Exércitos do Brasil, da Argentina e do Uruguai. Que você aprende na escola como Tríplice Aliança. Durante os cinco anos de conflito estima-se que foram mortos entre 200 mil e 300 mil paraguaios, 80% eram homens.

Foi quando o governo Paraguaio recrutou crianças na idade de 6 até 14 anos e os enviaram para o front de batalha. Existem relatos de crianças desesperadas no campo de batalha, agarrando nas pernas dos soldados brasileiros, chorando pedindo que não os matassem e eram degoladas no ato. Em O Guarani – A Terra Sem Mal, A Batalha de Acosta Ñu foi testemunhada pelo fotografo francês Pierre Duprat, que veio para o continente com o pretexto da etnografia, suas fotos se destinam ao público parisiense ávido pelas belezas nativas… mas o exotismo e a aventura darão rapidamente lugar ao horror.  E é em cima desse olhar que a trama de se desenrola.

Guarani – A Terra Sem Mal em acabamento de luxo, com formato grande, capa dura com verniz localizado, 128 páginas em cores, impressas em papel couché de alta gramatura, além de um marcador de páginas exclusivo. A tradução é do Thiago Ferreira.

A edição já se encontra em pré-venda na Amazon com um desconto de 30%.

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Editora Kitembo está publicando Os 3 Esús e o Tempo, de Rodrigo Cândido

A Editora Kitembo já começou a venda de Os 3 Esús e o Tempo, quadrinho que tem roteiro e desenhos de Rodrigo Cândido, que faz a sua estreia em um trabalho solo. A HQ fala sobre legados, fé e ancestralidades.

Confira a sinopse de Os 3 Esús e o Tempo abaixo:

“Nem os Imortais sabiam as consequências de se mexer com o tempo, porém um dos aprendizes de Orunmilá cumpriu uma profecia antiga, quebrou o tempo e promoveu o encontro de três dimensões! Os 3 esús e o tempo é uma aventura afrofuturista sobre nossos legados, heranças e ancestralidades.”

 

A editora Kitembo, que tem um foco em literatura fantástica e especulativa por jovens ou escritores e escritoras negras, vem realizando um belo trabalho publicando e descobrindo belos talentos, como o Rodrigo Cândido. Para saber mais sobre o autor, acesse o Instagram dele.

Os 3 Esús e o Tempo tem tamanho 21 x 26 cm, 40 páginas coloridas e argumento é do Israel Neto. Para adquirir o seu exemplar, é só clicar AQUI.

 

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Quadrinhos

Cartunista Daniel Paiva publica a coletânea Beto e Dé e outros Quadrinhos Canábicos

O cartunista Daniel Paiva está publicando Beto e Dé e outros Quadrinhos Canábicos, uma coletânea de tirinhas e quadrinhos criados por ele que tem a temática da canabis. Recentemente, Daniel foi proibido de continuar a fazer tirinhas do personagem Boldinho, depois da notificação extrajudicial por parte da Mauricio de Sousa Produções, alegando que o personagem causa descrédito a obra original.

Publicadas nas revistas Tarja Preta, a partir de 2004, e Semsemente em 2012, as tirinhas de Beto e De, dois amigos que passam a maior parte do tempo fumando maconha, destrincham os hábitos particulares dos usuários da erva. Acompanhados de outros personagens que também ganharam o traço de Daniel como Capitão Presença e Curubirra.

A edição será desfigurada e desmantelada pelo autor para suprimir a aparição do personagem alvo de notificação extrajudicial. Por isso o preço está com desconto de 10%. Para poder adquirir o seu exemplar clique AQUI.

Beto e Dé e outros Quadrinhos Canábicos tem formato 17 x 25cm, 114 páginas coloridas e é recomendada para maiores de 18 anos. Para conhecer mais sobre o trabalho do Daniel Paiva, pode acessar o seu Instagram.

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Quadrinhos

Editora Conrad publica a Biografia de Jack Kirby

Já começou a venda de uma das graphics novel mais esperadas dos últimos meses, Jack Kirby: A Épica Biografia do Rei dos Quadrinhos escrita e desenhada por Tom Scioli, é uma biografia em quadrinhos do influente e icônico Jack kirby. A publicação é da Editora Conrad.

Jack Kirby: A Épica Biografia do Rei dos Quadrinhos foi publicado originalmente em 2020 nos EUA pela editora Ten Speed Press, e nela, Tom Scioli, que tem um estilo de desenho muito parecido com o de Kirby, conta a história da lenda desde a sua infância, crescendo em Nova York durante a Grande Depressão e descobrindo o amor e a vocação pela ficção científica e desenhos animados.

A história ainda passa para o tempo em que Jack Kirby ficou na linha de frente da Segunda Guerra Mundial. Scioli mostra como foi a parceria com Stan Lee na Marvel Comics, onde seus personagens que são pilares da Casa das Ideias, salvaram a editora da falência. E se tornaram lendas da cultura pop em geral. As mudanças para a DC Comics onde criou Darkseid, Novos Deuses entre outros. A parte final da vida do desenhista, onde ele luta para receber o reconhecimento e a compensação que acreditava que seu trabalho merecia, e mais tarde a sua família lutando para preservar o seu legado artístico.

Jack Kirby: A Épica Biografia do Rei dos Quadrinhos tem formato 17 x 24 cm, 208 páginas e a tradução é do Érico Assis.

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Quadrinhos

Zamor, o Selvagem está em Campanha de Financiamento Coletivo no Catarse

A Editora Universo Fantástico está com uma linda campanha de financiamento coletivo no Catarse para a publicação de Zamor, o Selvagem; o icônico personagem da década de 1980 criado por Franco de Rosa na editora Grafipar. Agora Franco retorna ao personagem, juntamente com seu antigo parceiro (a lenda) Mozart Couto, para trazer Zamor para uma nova geração de leitores.

Zamor, o Selvagem, nos transporta para uma época remota, onde a sobrevivência é uma batalha diária a ser travada. Zamor vive suas aventuras em uma área que atualmente seria a América do Sul. Sem saber sobre seu passado e origem, ele se torna um selvagem e enfrenta desde feras sedentas de sangue a criaturas fantásticas e inimigos inimagináveis!

A edição da editora Universo Fantástico não vai apenas se limitar a republicação das histórias, mas sim uma reconstrução e nova visão da arte pelo Mozart Couto, autor dos desenhos originais.

Zamor, o Selvagem terá formato 21 x 28 cm, 112 páginas (sendo 32 coloridas), capa cartonada com verniz localizado. Para saber mais sobre a campanha, valores, recompensas e claro para apoiar, clique AQUI.

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Literatura

Editora Aleph Republica Clássicos de George Orwell em Edições Especiais de Luxo

Desde o começo do ano as obras de George Orwell entraram em domínio público, o que levou a muitas editoras a publicarem muitas coisas do autor. E uma dessas editoras foi a Aleph que preparou dois lançamentos, com um acabamento super de luxo, para A Revolução dos Bichos e 1984.

A Revolução dos Bichos

Publicado originalmente em 1945, o livro foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial, e é uma fábula baseada na Revolução Russa e na ditadura stalinista. A história você com certeza conhece: Cansados dos maus-tratos e da exploração a que são submetidos na Fazenda do Solar, os animais se rebelam contra seu mestre, o expulsam e assumem o controle da propriedade.

Liderados pelos porcos, os bichos estabelecem uma sociedade igualitária baseada no Animalismo, um sistema de ideias contrário à tirania dos seres humanos e que, na prática, garantiria liberdade, justiça e fartura de alimentos a todos. Mas, com o passar do tempo, as esperanças de um futuro mais feliz vão se perdendo. O ideais da rebelião são corrompidos e depois esquecidos. Os porcos, novos donos do poder, repetem antigos hábitos e, aos poucos, instauram um novo regime de opressão.

A Revolução dos Bichos tem formato 14 x 21 cm e 128 páginas.


1984

 

É um dos livros mais influentes do século 20 e considerado a obra máxima de George Orwell. Eternizada pela crítica ao totalitarismo e à usurpação dos direitos individuais, esta distopia assustadora marcou toda uma geração de leitores. Em uma sociedade extremamente regulada e aterrorizada por um regime totalitário, Winston Smith se sente encurralado. Funcionário público no Ministério da Verdade, onde trabalha alterando documentos para atender aos interesses do Partido, ele se vê desiludido com o sistema e com a própria existência.

O desejo de se rebelar, porém, esbarra na constante vigilância das teletelas e no aparato repressivo do governo, que transformou a liberdade e a individualidade em crimes e persegue quem ousa desafiar as suas regras. Ao se aventurar em um romance secreto com Julia, com quem partilha o desprezo pelo Partido, Winston percebe que sua ânsia pela verdade pode se tornar uma possibilidade real de mudança. Mas combater o regime não será nada fácil, e o Grande Irmão cobrará seu preço.

1984 tem formato 14 x 21 cm e 400 páginas.

Ambos os livros tem ilustrações de Butcher Billy e Cibelle Arcanjo. A tradução é de Aline Storto Pereira. O lançamento oficial será em 24 de fevereiro, mas já se encontram em pré-venda nos links abaixo:

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Quadrinhos

Começa a Campanha de Financiamento Coletivo para Zé, de Alessio Esteves e Bruno Brunelli

Começou a campanha de financiamento coletivo para , HQ com roteiro de Alessio Esteves (DestiNation, Zikas) e desenhos de Bruno Brunelli (Veludo dos 9 infernos, Pontos Ilustrados). Aqui nos conhecemos parte da vida do Zé Pelintra, uma das entidades mais famosas da mística brasileira, Protetor da Boemia, dos bares e dos jogos. A entidade é conhecida pelo o visual de malandro supremo.

A obra busca juntar as mais diversas lendas sobre a sua origem e juntar em uma história única, abordando desde a sua infância difícil na Bahia até o início de sua vida adulta, no Recife, quando é iniciado na Jurema.

 

Para quem não sabe, a Jurema Sagrada é uma tradição religiosa nordestina, que se iniciou com o suo da planta jurema pelos indígenas da região norte e nordeste do Brasil. A importância da publicação de é imensa nos tempos de hoje, onde o preconceito religioso se tornou, infelizmente, uma constante nos noticiários e para celebrar e repartir ainda mais essa religiosidade e parte cultural afro-brasileira.

terá formato 21 x 28 cm, capa cartonada, aproximadamente 36 páginas coloridas em papel couché. Para saber mais sobre os detalhes da publicação, valores, recompensas e para apoiar, clique AQUI.

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Detective Comics Quadrinhos

A Leitura Que Te fez Bem! As Indicações de 2020!

Olá pessoal! Que ano né? Nossa parece até que estamos somente esperando o 2021 começar para soltarmos um grande “UFA!” por tudo que aconteceu em 2020. Lá no réveillon de 2019, quando todos comemoravam, brindavam e projetávamos o 2020, nunca imaginaríamos que iriamos estar passando pano com álcool em pacote de arroz.

Esse foi um ano marcado com a morte. E em uma escala em que afligiu à todos no mundo inteiro. De forma direta ou indireta. Alguém sofreu ou presenciou o sofrimento de alguém. As políticas controversas. As pessoas que insistiam em “desafiar” e desacreditar no que estava acontecendo. Ficar em um isolamento. Longe dos amigos, dos familiares, foi e estar sendo difícil. E não pense que o tal grande UFA! se passa à meia-noite de 31 de dezembro. Não, o ano seguinte ainda terá muitas dificuldades e ninguém aqui está esperando que seja diferente e nem enganando ninguém.

Mas nada impede de tentarmos fazer algo melhor. De tentar ser melhor. Pelo menos, alguns de nós, aprendemos a limpar melhor as mãos.
Essa lista de indicações fala muito sobre se sentir melhor. É uma lista de leitura que em algum momento desse ano, fez uma pessoa sorrir, refletir, pensar ou mesmo se distrair. Aqui tem publicações que nem foram lançadas em 2020. Mas o intuito não é nem esse. É apresentar/indicar uma leitura que fez bem para a gente em algum momento do ano. Que mexeu com a gente. Que fez entender (ou aceitar) melhor o que está acontecendo.

Agradeço a todos que participaram dessa lista (até mesmo porque foi idealizado aos 45 do segundo tempo). Nomes importantes que produzem quadrinhos, que divulgam quadrinhos, que falam sobre quadrinhos e principalmente os que “somente” leem quadrinhos! Pois no final de tudo, somos todos leitores.

Confira a nossa lista de indicações e que 2021 seja uma jornada mais leve para todos!

O Azul Indiferente do Céu (Shiko) Por Ricardo Ramos

Francisco José Souto Leite, mais conhecido como Shiko, conta em um clássico dos quadrinhos brasileiro, por meio de ficção os fatos que antecederam o assassinato do ativista colombiano, jornalista e especialista em saúde pública Héctor Adad Gómez. A “encomenda” pela vida de Héctor aconteceu após ele publicar como funcionava o universo dos matadores de aluguel naquele país que agiam para o forte narcotráfico e a tensão política da América Latina mergulhada em conflitos.

Mas o que me chamou muito atenção com Azul Indiferente do Céu, foi o final do último texto escrito por Héctor Abad Gomez em 1987: “El Facismo por más que quisiéramos, no há desaparecido de la faz de la tierra”. Sentir que um continente, que desde do México para baixo, sofreu com mazelas das ditaduras militares que bebiam e se fortaleciam de religiosidade, ter uma frase, escrita em 1987, que apresenta o fascismo ainda forte em pleno 2020 é assustador. E quando vemos alguns governantes, vemos que o pavio já está acesso, mas a bomba realmente ainda não explodiu para valer.

O Azul Indiferente do Céu é um publicação da Editora Mino



Um Conto de Natal (Carlos Giménez) – Por Marcelo Naranjo (Universo HQ e COACH DE QUADRINHOS)

Uma das HQs que mais me impactou em 2020 foi Um Conto de Natal, de Carlos Giménez (Comix Zone). O motivo está nas últimas páginas, que mostram as opções que a vida nos oferece e a maneira com a qual lidamos com elas – esquecendo, por vezes, que o capítulo final é igual para todos nós. Em um ano tão complicado, ficou impossível não lidar com escolhas difíceis.

Um Conto de Natal é uma publicação da Editora Comix Zone.


Habibi (Craig Thompson) – Por Eduardo Bautitz (Leitor, baterista e churrasqueiro)

Desde o início, Thompsom parece ter a intenção de abalar o psicológico do leitor, de rasgar a simplicidade e de enaltecer a relação entre os personagens protagonistas de forma trágica, fazendo com que você adentre a história não só por empatia, mas muito por conta do envolvimento com o paralelismo que entoa em cada retomada da narrativa. O desenrolar da trama demonstra uma beleza que caminha ao lado de cortes profundos no imaginário, ilustra consciências e posicionamentos sobre qualquer estigma que podemos carregar. Em preto e branco, a obra arrebata, cativa, enfurece, ensina, oferece conhecimento e transforma, da melhor e pior maneira possível, demonstrando uma maestria de condução e de construção de um cenário tão próprio.

Com passagens lindíssimas e um trabalho de pesquisa invejável, Habibi trabalha mais do que uma simples narrativa, ela choca, machuca, cura, renova e fere mais uma vez as únicas coisas que podem ser preservadas em um ser humano; sensibilidade, integridade, honestidade e caráter.

Habibi é uma publicação da Quadrinhos na Cia


Cais do Porto (Brendda Maria) – Por Pablo Sarmento (Podcast Emoções Misturam Ovos, ComicPod e Terra Zero)

Cais do Porto foi um dos gibis mais bonitos que eu li esse ano. Com texto e arte da quadrinista premiada esse ano 2020 com HQ Mix melhor desenhista revelação o quadrinho mostra a encontro de duas amigas, falando sobre vida e coisas mundanas. Apesar a premissa simples, em tempos de pandemia um gibi de slice of life é algo que pode lembrar como coisas simples no mundo como andar de ônibus e falar sobre rotinas pode ter um peso tão na grande. Esse quadrinho mudou demais meu ano e me fez muito bem.

Cais do Porto é publicado pela Conrad Editora


Chainsaw Man (Tatsuki Fujimoto) – por Rodrigo Cândido (quadrinhista e membro do Coletivo Sarjeta)

Chainsaw Man é meu quadrinho no ano! Dentre muitas história fechadas bem especiais que me surpreenderam (a maioria, quadrinhos nacionais), acabei sendo pego por essa série que começa como típico “mangá de lutinha” para um misto de ação e terror totalmente inesperado, com reviravoltas na trama totalmente imprevisíveis e muitas, muitas tripas voando. Pra mim foi uma aula de onde se pode levar um personagem, que mesmo sendo reflexo de um clichê ainda traz elementos que nos fazem querer ler mais e mais sua história e ate torcer para seu sucesso. Mesmo que ele seja um diabão com cabeça de serra elétrica.

Chainsaw Man (Tatsuki Fujimoto) – por Bruno Brunelli (ilustrador, diretor de arte e membro do coletivo Sarjeta)

A leitura que mais me impactou esse ano horrendo de 2020 foi o mangá Chainsaw Man. Esse projeto é totalmente desgraçado da cabeça, cara! Não tem uma parte que eu não pensei QUE PORR@ É ESSA! Todo mundo é vilão, é mocinho, é humano, é demônio, daí aparece um anjo, depois uns 20 cachorros, conspiração política, trairagem, e também repleto de humor e “non sense”.

Casou perfeito para 2020, te asseguro 😉

Chainsaw Man é uma publicação da Panini


A Grande Farsa (do Carlos Trillo e Domingo Mandrafina) – Por Jean Jefferson (Leitor e Comix Zoner Boy)

Pra mim a leitura que mais curti no ano foi a Grande Farsa, do Carlos Trillo e Domingo Mandrafina. Incrivelmente divertido, ágil e com uma arte incrível, eu fiquei absurdamente envolvido e li numa tacada só. Acho que é o mesmo sentimento de assistir um filme massa do Tarantino pelo ritmo, com uma pegada latina que faz lembrar novela da Globo. O Iguana merece ser reconhecido com um dos maiores vilões dos quadrinhos e seria personagem cult se o gibi fosse adaptado pros cinemas (algo que eu torço fortemente).

A Grande Farsa é uma publicação da Comix Zone


Grama (Keum Suk Gendry-Kim) – Por Maria Eduarda Maggi (podcaster do HQ CORP)

Pensar no quadrinho que mais marcou meu 2020 não foi difícil. Geralmente essa é uma decisão árdua, pois com tantas leituras na bagagem, nossa mente acaba se perdendo em tantas histórias que, no fim, acabamos chegando no mesmo ponto que começamos. No meio desse pensamento, Grama me veio instantaneamente à memória: uma leitura diferente de tudo que eu havia conhecido, tanto em narrativa, traço, e, principalmente, abordagem. A autora, Keum Suk Gendry-Kim, nos apresenta à real história da pequena Ok-sun Lee, uma menina sul-coreana que foi vendida pela própria família e acabou sendo forçada a virar uma escrava sexual do Exército Imperial Japonês durante a Segunda Guerra Mundial. Além de Ok-sun, muitas outras mulheres foram forçadas à escravidão sexual no período, sendo comumente chamadas de “mulheres de conforto” – um eufemismo profundamente machista.

A HQ nos mostra, além da triste história da protagonista, um panorama histórico da Coreia durante a guerra, bem como o retrato – muito sofrido – de outras mulheres vítimas do Exército Japonês. Além de uma história sobre mulheres de conforto, Grama é a história de superação de toda uma vida. Ok-sun Lee, hoje já idosa, continua lutando bravamente para que esse período jamais seja esquecido, e para que as vítimas recebam o pedido de desculpas que merecem, pois “mesmo derrubada pelo vento e pisoteada por muitos, a grama sempre se reergue”.

Grama é uma publicação da editora Pipoca & Nanquim


Berlim (Jason Lutes) por Lucas Fazola (Vortex Cultural)

Berlim foi uma HQ que me impactou sobremaneira desde as primeiras páginas. Contudo, apenas ao finalizar a leitura da obra pude entender o que me pegou tanto ali: a assustadora semelhança do contexto da capital alemã nos anos vinte e trinta com os tempos que vivemos atualmente. O descrédito nas instituições, a escalada política do autoritarismo chancelada por uma parcela considerável da população, o obscurantismo cerceando qualquer possibilidade de diálogo e de pensamento crítico e pluralista… todo o contexto que permitiu a ascensão de Adolf Hitler ao poder encontra semelhanças indigestas com o absurdo representado pelo ressurgimento da extrema-direita na contemporaneidade. A “Berlim” de Jason Lutes fala do passado, sim, mas alerta também sobre o presente, afinal de contas, como diria Bertold Brecht, “a cadela do fascismo está sempre no cio”, e diante de uma ameaça tão nefasta, precisamos estar sempre atentos e fortes.

Berlim foi publicada pela Editora Veneta


1Q84 (Haruki Murakami) e muitos outros – Por Felipe Coutinho (escritor, artista, professor e membro do coletivo Sarjeta)

Olá, pessoal do Torre de Vigilância! Tudo bom? 2020 foi o ano que todo mundo que esquecer por motivos óbvios, mas ao mesmo tempo, foi o ano em que ficou evidente o papel das artes em tornar nossas vidas melhores, mais leves; essa é sem dúvidas uma grande lição para levarmos adiante e que acho que prendemos como público. Saímos de 2020 valorizando mais as manifestações artísticas. Por aqui, ouvi muita música e li bastante. Nas leituras, normalmente, me relaciono com essa coisa kafkiana. Adoro um absurdo e tramas psicológicas, mas neste ano foi relativamente diferente: alternei entre a habitual desgraceira de mente e coisas mais leves para distrair. Destaco alguns na literatura: 1Q84, do Haruki Murakami; A arte de produzir efeito sem causa, do Mutarelli; Abusado, de Caco Barcellos; Estação Carandiru, do Dráuzio Varella e Trainspotting, de Irvine Welsh.

Em termos de quadrinhos, li bastante umas Webtoons que acho muito interessantes, elas são: My Giant Nerd Boyfriend, de Fishball; Hellper, de SAKK; Lorem Olympus, de Rachel Smythe; Aisopos, de Yangsoo Kim/DOGADO e reli alguns clássicos dos quadrinhos, como New York, do Eisner e a trilogia sobre quadrinhos do Scott McCloud. Também folheei algumas vezes o Dois irmãos, dos Gêmeos Bá e Moon e Estórias Gerais, de Wellington Srbek e Colin. Esses clássicos estão sempre na minha mesa de trabalho, leio e releio com frequência, além de usar muito como referência. Sobre música: Nine inch Nails, risos.

Desejo a todos um ano novo melhor. Saúde, paz e harmonia. Um abraço.


Ten Years (Randall Munroe) – Por Érico Assis (Tradutor e colunista)

A leitura que mais me marcou em 2020 tem só uma página – ou seja lá como você chamar uma tripa só de webcomic. Chama-se Ten Years, faz parte da série XKCD, e é uma história autobiográfica de Randall Munroe e companheira comemorando dez anos desde que ela descobriu um câncer. E se recuperou, claro. Munroe é um engenheiro, técnico, objetivo, pragmático, com uma sensibilidade artística e narrativa que a gente não costuma ver em engenheiros técnicos objetivos e pragmáticos. E essa noção de engenheiro das coisas entra no jeito como ele faz quadrinhos pra emocionar. É único.

*“Quando me mostraram o gráfico de expectativa de vida em dez anos, eu nunca achei que fosse chegar aqui. Não entendo como você casou comigo quando eu estava horrível. Mas foi muito fofo.”“Você é a pessoa mais legal que eu já conheci. Eu só queria todo o tempo que a gente pudesse ter junto.”“Bom, boas notícias: vou seguir inabalada na minha existência horrenda e inexplicável! Toma essa, biologia!”*

Você pode ler Ten Years clicando AQUI.


Blue Note: Os Últimos Dias da Lei Seca (Mathieu Mariolle e Mikaël Bourgouin) – Por Roberto Siqueira (Leitor e futuro quadrinista)

Por se tratar de algumas temática que eu adoro como, música, lutas, máfia e o período histórico em que se passa, meados dos anos 1920-1933. Período este que sempre rendeu boas histórias, sobretudo para o cinema, e é aí a grande homenagem desse quadrinho europeu para o cinema noir. Roteiro cativante do Mathieu Mariolle e Mikaël Bourgouin, apresentando duas histórias paralelas que se conectam. E a arte e cores do já citado Mikaël Bourgouin e o ponto alto do quadrinho, com uma narrativa envolvente que não deixa o leitor se perder. Uma obra para ser lida e estudada.

Blue Note: Os Últimos Dias da Lei Seca foi publicado pela editora Mythos.


Sabrina (Nick Drnaso) por Vinicius (2Quadrinhos)

“Ninguém retratou os nossos tempos tão bem quanto o Nick Drnaso”. Esta foi a frase que me ocorreu assim que eu acabei a leitura de Sabrina. Na mesma hora, olhei atrás da graphic novel para ver se não foi dali que saiu e… não. Então, por enquanto, vou atribuir a mim mesmo esta frase maravilhosa. A tal Sabrina mal aparece na HQ, na verdade a história vai mostrar as repercussões do desaparecimento da garota na vida das pessoas próximas. Sem nenhum monstro ou criatura sobrenatural, este é o quadrinho mais apavorante que li nos últimos anos.

Em Sabrina vemos como uma vida humana é transformada num suculento espetáculo para alimentar sites famintos por cliques. Além de ilustrar como este mesmo espetáculo dá força a conspiracionistas que, no Brasil, usam termos como “extrema imprensa”, entre outras sandices.

Sabrina foi publicada pela Editora Veneta.


Paracuellos (Carlos Giménez) por Ricardo Ramos

Esse foi um ano em que li bem menos do que eu queria, mas as minhas leituras deram um salto considerável de qualidade. E fico com o misto de emoções em que senti quando li Paracuellos do Carlos Giménez. A história autobiográfica dos meninos nos abrigos, chamados de Auxílio Social, faz você se sentir um deles. Você sente a angustia de estar lá, o medo das governantas, a expectativa perto da visita dos pais, a alegria de alguma brincadeira entre eles, os sonhos de cada um, a violência que sofriam… até quando sentem fome, você sente também.

E sem contar a importância histórica de apresentar para o brasileiro, que parece que esqueceu, como funcionava as ditaduras e suas mazelas. Ela em certos momentos é muito difícil e faz você engolir seco. Em alguns momentos e arranca risos. E te faz sonhar juntamente com as crianças. Que apesar de estarem vivendo o pior momento de todos, são apenas crianças. Com sonhos, brincadeiras e desejos. Foi como estar em 2020. Em 2020, nos fomos essas crianças sonhando e desejando algo melhor.

Paracuellos foi publicado pela Editora Comix Zone

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Conheça a Antologia em Quadrinhos Universo Zero, realizada por autores Potiguares

Já está disponível a antologia Universo Zero, realizado pelo coletivo de quadrinhistas Quadro 9. São oito histórias independentes de autores potiguares com temas como morte, nascimento, medo, solidão e esperança. O projeto ficou viável graças a Seleção Pública 041/2019, promovida pela Prefeitura de Natal, através da Secretária de Cultura (Secult/Funcarte).

O pontapé inicial de Universo Zero foi dado em 2017, quando foram concebidas as primeiras histórias. “Era de aquário”, de Mario Rasec (texto e arte), “A semente”, de Mario Rasec (texto) e Rodrigo Xavier (arte), e “O abrigo”, de Renato Medeiros (texto) e Rodrigo Xavier (arte). Contudo, o projeto ficou engavetado, enquanto cada um seguiu com seus projetos pessoais, ou sob encomenda.


“Tínhamos a ideia de trabalhar com temas diversos e isso possibilitou a escolha de parcerias criativas e/ou alguns também quiseram sozinhos contar outras histórias. A partir daí, outras histórias foram finalizadas, e autores como Carlos Alberto e Marcos Garcia, e este que vos escreve completaram o time, e assim foi finalizado em plena pandemia do Covid-19. E, de forma bizarra (e não incomum) as narrativas possuem esse clima real de opressão e obscurantismo intelectual em que vivemos”
, afirma Leander Moura, um dos autores da antologia.

Universo Zero tem formato 28 x 21 cm, 136 páginas e você pode adquirir o seu exemplar nas redes sociais do Leander Moura e da Cristal Moura. Ou no site Gibizada clicando AQUI.