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O Sombra: a trajetória do personagem nos quadrinhos

O Sombra é um dos personagens pulp mais famosos até os dias de hoje. Criado em 1930, o intrigante herói encapuzado foi adaptado em diversas mídias: rádio, livros, videogames, quadrinhos e cinema, com um legado que ultrapassa gerações e inspirou a criação de grandes marcas como o Batman. Confira abaixo todos os detalhes sobre a criação e quadrinhos deste enigmático personagem, marcado por sua icônica risada e ferrenho combate ao crime.

Originalmente O Sombra era um misterioso narrador de rádio do programa Detective Story Hour com voz de James LaCurto, substituído e imortalizado por Frank Readick, criado com o objetivo de promover as vendas da Street and Smith Publications, tornando-se um personagem literário algum tempo depois, protagonizando a série pulp The Shadow Magazine escrita por Walter B. Gibson e criada graças à ânsia dos leitores por “aquela revista do Sombra.” A caracterização do Sombra dada por Gibson firmou os arquétipos de tudo que é usado até hoje nos super-heróis, incluindo sidekicks, identidades secretas e vilões.

Posteriormente, a revista (publicada até 1949, somando 325 aventuras) inspirou a criação da série de rádio, em 1937, que possuiu episódios narrados por Orson Welles. Neste programa, o sloganQuem sabe o mal que se esconde nos corações dos homens? O Sombra sabe” tornou-se parte da cultura pop americana, e algumas das habilidades do personagem foram reveladas em suas aventuras. Walter Gibson e Edward Hale Bierstadt foram os responsáveis pela criação da série, e Welles deu vida à Lamont Cranston, alter ego do Sombra. A série foi transmitida até 1954, com outras vozes escolhidas para o personagem conforme os anos passaram. Ela também foi a responsável pela criação de alguns personagens secundários como o interesse amoroso do herói, Margo Lane.

Nos quadrinhos

O Sombra possui vida longa nas histórias em quadrinhos. Sua primeira aparição se deu em 1940, também pelas mãos de Walter Gibson, em tiras diárias de jornal que adaptavam as histórias dos pulps. A arte era de Vernon Greene, e as tiras foram canceladas em 1942. Entretanto, a Street and Smith publicou 101 edições da revista Shadow Comics, entre 1940 e 1949, e durante os anos 50 o personagem apareceu em algumas edições da revista Mad.

Nos anos 60, durante a Era de Prata dos quadrinhos, a Archie Comics publicou uma minissérie em oito partes (1964-1965), que possuiu roteiros de Jerry Siegel, criador do Superman. Sua fase mais lembrada veio então nos anos 70, mais especificamente em 1973, com a série em doze edições publicada pela DC Comics com roteiros de Dennis O’Neil e arte de Michael KalutaFrank Robbins e E. R. Cruz. O personagem apareceu nas revistas do Batman (#253 e #259), referenciado pelo Homem-Morcego como “uma grande inspiração“, além de ser mencionado também em Detective Comics #446. Nesta fase, as histórias d’O Sombra estavam situadas nos anos 30, na Terra Um do Multiverso da DC, e o personagem lidava com criminosos e experimentos bizarros, característica típica dos heróis pulp.

Em 1986, a minissérie em quatro edições escrita e ilustrada por Howard Chaykin trouxe O Sombra para a modernidade, em Nova York, e atualizou seus equipamentos, quando passou a utilizar metralhadoras Uzi e lançadores de mísseis. Muito humor negro e violência foram utilizados, entretanto a minissérie Sangue & Sentença foi um grande sucesso que motivou a DC Comics a dar continuidade com uma série mensal iniciada em 1987.

A série foi continuada por Andy Helfer (que editou a série de Chaykin) e ilustrada por Bill Sienkiewicz (edições #1 a #6) e Kyle Baker (#8 a #19 e dois Anuais), com a sétima edição ilustrada por Marshall Rogers. O Sombra lida com cultos religiosos, inimigos corporativos e a corrupção que toma conta da cidade. Em 1988, O’Neil e Kaluta produziram uma graphic novel da Marvel Comics situada na Segunda Guerra Mundial, e no mesmo ano a Malibu Comics deu início à republicação das clássicas tiras de jornal.

Entre 1989 e 1992 a DC Comics publicou uma nova série d’O Sombra, The Shadow Strikes, com roteiros de Gerard Jones e arte de Eduardo Barreto. A revista trouxe o personagem de volta às origens pulp, com aventuras situadas em 1930, e mostrou seu primeiro team-up com Doc Savage, outro clássico personagem dos pulps. A série foi concluída com 31 edições e um Anual e tornou-se a maior revista do personagem, em duração, desde as tiras de 1940.

Os direitos então partiram para a Dark Horse Comics, que publicou algumas minisséries entre os anos de 1993 e 1995, com roteiros de Joel Goss e Michael Kaluta e arte de Gary Gianni, além de Steve Vance com Stan Manoukian e Vince Roucher. A editora também publicou alguns one-shots e adaptou o filme de 1994 para quadrinhos, com duas revistas feitas por Goss e Kaluta. Em 95, o crossover de Ghost com O Sombra também foi publicado, com textos de Doug Moench e arte de H. M. Baker e Bernard Kolle.

Após mais republicações das tiras de jornal por editoras diversas durante o final dos anos 90 e começo dos anos 2000, em 2011 a Dynamite Entertainment licenciou o personagem para novas revistas e minisséries. O primeiro arco da série mensal foi publicado em 2012, escrito pelo superstar Garth Ennis com arte de Aaron Campbell, e a revista seguiu com outras equipes criativas até a edição #26, com a editora publicando neste período algumas minisséries e especiais como Máscaras (que mostra O Sombra encontrando outros personagens pulp como o Zorro, Besouro Verde e O Aranha), O Sombra/Besouro Verde: Cavaleiros das Trevas, O Sombra: Ano Um e o crossover com Grendel, personagem de Matt Wagner publicado pela Dark Horse. Em 2015 a editora deu início ao segundo volume da série mensal do personagem, além de ter republicado as séries da DC e Marvel citadas anteriormente.

E no Brasil?

Em terras tupiniquins, O Sombra foi publicado por muitas editoras. A editora Globo, no início dos anos 40, lançou as aventuras do personagem na revisa Gibi, e na revista Lobinho da Grande Consórcio Suplementos Nacionais o herói dividiu espaço com Batman, Superman e outros. Sua publicação teve continuidade através da editora Ebal, que lançou a primeira minissérie da DC Comics, e no final da década de 80/início de 90 a editora Abril lançou as histórias da DC criadas por Chaykin e Helfer, além da graphic novel da Marvel e a série de Gerard Jones e Eduardo Barreto na revista Os Caçadores.

Ausente das bancas e livrarias desde então, em 2013 a Mythos Editora começou a publicar edições de luxo contendo a fase moderna licenciada pela Dynamite, tendo lançado até agora cerca de sete encadernados do personagem, com seus crossovers, aventuras solo e republicações das clássicas fases mencionadas no parágrafo anterior com a coleção O Sombra: Grandes Mestres.

E aparentando ter encontrado uma casa estável no Brasil, o legado deste clássico justiceiro segue vivo para os leitores, que podem desfrutar das deliciosas histórias criadas por grandes nomes da Nona Arte. Mas quem sabe o que o futuro reserva para o herói? Apenas O Sombra sabe.

Ficou interessado em ler O Sombra e suas aventuras em quadrinhos? Conheça as edições de luxo publicadas no Brasil clicando aqui.

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Novos encadernados capa dura da DC Comics estão em pré-venda

Há duas semanas a editora Panini anunciou o lançamento de novos encadernados da DC Comics, Batman: Origens Secretas e Esquadrão Suicida: Ponto Sem Volta. Continuando, finalizando e dando início à outras coleções, encontram-se em pré-venda para o final do mês de setembro outros três encadernados, sendo eles Arlequina, Gotham DPGC e Batman & Robin.

A Arlequina está de casa nova. Deixando Gotham e seu passado sinistro para trás, a Princesa Palhaça do Crime “escolhe” a famosa vizinhança de Coney Island, em Nova York, como novo lar na esperança de ter um pouco mais de paz em sua caótica vida. Infelizmente, não é o que planeja a legião de caçadores de recompensas atrás de seu escalpo! Mas quem além da srta. Harleen Quinzel poderia ser capaz de lidar com assassinos, espiões russos, raivosos senhores de idade e sanguinárias equipes de roller derby, tudo ao mesmo tempo agora? Vai ser um passeio no parque (quase literalmente, desta vez)!

Arlequina: Se Jogando na Cidade compila as edições Harley Quinn 0-8 em 212 páginas, encadernadas em capa dura e formato 17 x 26, e preço de capa R$ 34,90Clique aqui para garantir sua edição na pré-venda da Amazon.

Uma descoberta perturbadora… Os cidadãos de Gotham ficam chocados ao descobrir o corpo sem vida do Robin jogado nas ruas. Agora os detetives do departamento de polícia da cidade precisam resolver o mistério que cerca essa morte enquanto lidam com um complicador: o “auxílio” dos antigos associados do Menino-Prodígio, o Batman e os Titãs. Da chocante cena de um crime para o mais completo caos cósmico — ao que a Crise Infinita se aproxima, o Espectro, o ser mais poderoso do universo, procura um hospedeiro. Será que o novo Espírito da Vingança vai encontrar o que tanto busca em um dos corajosos policiais de Gotham?

Gotham DPGC: Corrigan finaliza a coleção da série Gotham Central com este encadernado que possui 228 páginas encadernadas em capa dura e formato 17 x 26, com preço de capa R$ 64,00Clique aqui para garantir sua edição na pré-venda da Amazon.

Quando a criminosa responsável pelo cruel ataque que transformou Harvey Dent no Duas-Caras retorna a Gotham City para acertar negócios inacabados, o Batman se torna o improvável mediador entre esses dois inimigos mortais. Mas nem mesmo ele pode ser capaz de evitar uma explosão de violência de proporções bíblicas. Um espetacular conto que revela o verdadeiro âmago de um dos mais afamados adversários do Homem-Morcego e lança uma nova luz sobre a relação do herói com o complexo Duas-Caras!

Batman & Robin: Duas-Caras dá continuidade à coleção da série Batman and Robin, com este encadernado que possui 148 páginas encadernadas em capa dura e formato 17 x 26, com preço de capa R$ 29,90Clique aqui para garantir sua edição na pré-venda da Amazon.

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Música Torre Entrevista

Torre Entrevista | Michelle Bensimon, a voz da Canário Negro

Talvez o nome não soe tão familiar, mas com certeza sua voz já é bastante conhecida por todos os que amam quadrinhos, em especial, para os fãs da DC e da Canário Negro. Michelle Bensimon, dona de uma voz marcante e um timbre único, é a responsável por trazer para o mundo real a voz e a musicalidade de Dinah Drake Lance. Convidada pela DC para lançar um EP parte integrante da série O Som e a Fúria (Kicking and Screaming), ela voltou este ano em um segundo EP em homenagem aos 70 anos da personagem (você pode conferir as matérias aqui e aqui).

Michelle é também a vocalista da banda de indie/pop Caveboy, na estrada desde 2015, data em que lançou o primeiro EP “Caveboy“. Desde então já teve músicas incluídas em algumas séries, como “Awkward” (MTV) e “Orange Is The New Black” (Netflix). Em 2016 lançou também os singles Superbia e Color War e, na última sexta-feira, lançou o single Raconteur, e nesta segunda-feira o vídeo oficial, que você confere ao final da entrevista.

Com imensa simpatia e simplicidade, ela concedeu à Torre sua PRIMEIRA ENTREVISTA para um veículo brasileiro.


Segundo a biografia no seu site pessoal, você é uma ex-atriz teatral e já teve experiências com bandas e projetos solos. Como aconteceu essa mudança de estrada e como você se juntou ao Caveboy?

Há mais ou menos 5 anos atrás eu vivia em Toronto terminando a faculdade e estudando atuação, mas percebendo o quanto eu não queria ser uma atriz. Eu sempre amei música e cantar mas nunca realmente encontrei onde ou o que eu queria fazer a respeito até que eu voltei à minha cidade natal (Montreal, QC) para fazer um teste para a banda da Lana e Isabelle (as outras integrantes da banda CAVEBOY). Após conversarmos e tocarmos, eu nunca voltei para Toronto. Me apaixonei por estar em uma banda, escrevendo junto e o resto é história! Começamos Caveboy há mais ou menos 2 anos e meio atrás e isto se tornou a mais incrível e satisfatória experiência.

Quais suas principais influências musicais e como elas te ajudam a compor? Você gosta ou conhece algum cantor ou banda brasileira?

Desde criança, eu sempre ouvi músicas dos anos 60, 70, 80… Eu amo Fleetwood Mac, The Beatles, mas também coisas recentes como Portugal the Man, LP. Eu também amo Freddie Mercury, ele é uma das maiores influências para mim como artista. Eu acredito que escutar músicas mais antigas ajuda a manter este tipo de composição viva. Eu amo compor músicas atuais. Versos, pontes fortes, refrões fortes e tudo em torno simples mas cativante. Eu acredito que “música pop” é uma categoria mais ampla do que pensamos que quando escutamos à rádio, e isto não é algo que devemos temer como compositores indie/alternativos. Fazer música que muitas pessoas possam se apaixonar, não há nada de errado nisso nos meus manuais. Sobre cantores brasileiros, eu gostei muito do que Seu Jorge fez em ‘The Life Aquatic’! Eu adoro escutá-lo.

Em 2015 a banda lançou seu primeiro EP homônimo e depois teve músicas inclusas em várias séries de TV como no sucesso da Netflix “Orange Is The New Black”. O que mudou desde então?

Caveboy teve bastante sorte em ter nossa música em incríveis shows de TV e filmes, como Orange Is The New Black. É uma forma das pessoas ficarem curiosas sobre nossa música e a banda em si, e uma forma das pessoas associarem suas emoções e histórias conforme escutam à música. Isto realmente nos ajudou alcançar lugares no mundo que nós nunca imaginaríamos ter acesso, estes shows mais populares virou uma plataforma para que expandíssimos nossa base de fãs.

Em 2016 foram lançados dois singles (muito bons na minha humilde opinião), e outro agora em 2017. Podemos esperar por um próximo álbum ou EP nos próximos meses?

Fico muito feliz que tenha gostado da música e empolgada em compartilhar mais com vocês. Nós estamos muito, muito empolgadas por termos recentemente lançado nosso primeiro novo single ‘Raconteur‘, gravado na Irlanda em Maio. Estamos planejando um segundo single em alguns meses, e ainda mais para 2017. Eu acho que pode-se dizer que podem esperar um monte de músicas novas no próximo ano! Decidimos produzir de forma independente este set  de novas músicas, o que nos assusta um pouco pois tudo recai sobre nós – mas aceitamos o desafio.

Da direita para a esquerda: Michelle, Isabelle e Lana.

Mudando um pouco de foco, no ano de 2016 você foi contatada para gravar o primeiro álbum da Canário Negro, parte da série em quadrinhos O Som e A Fúria. Como se deu o contato para este projeto?

Joseph Donovan foi quem produziu o nosso primeiro EP e mixou algumas das músicas, e instantaneamente sentimos esta conexão musical que deu muito certo. Ele me procurou com a proposta do primeiro EP (em correspondência à estupenda série de Brenden Fletcher) e eu não pude dizer não. Ele escreveu todas as músicas, todas as 6 contando com as atuais, e nós forçamos minha voz a novos limites para assegurar que conseguiríamos o som adequado para esta maravilhosa, forte e importante personagem.

Qual foi a sensação de gravar como uma super-heroína como a Canário Negro?

Honestamente? As músicas eram realmente muito difíceis de cantar, as quais eu penso que faça com que seja mais intenso e mantenha a integridade e verdadeiro sentido da personagem. Ter que forçar minha voz e encontrar novas formas de fazer esta personagem se expressar foi desafiador mas muito recompensador.

Como foi o processo criativo?

Joseph é muito brilhante e ele verdadeiramente sabia como estas musicas soassem. Ele tinha estas influências, Siouxe and the BansheesBauhaus, e nós tivemos que jogar com minha voz para ter certeza que pegássemos todas as nuances dessas músicas e suas melodias. Nós queríamos que soassem cruas, autênticas e verdadeiras ao personagem enquanto mantivessem esta vibe oitentista.

O que você acha que tem em comum com Dinah Lance/Canário Negro, tanto a cantora quanto a vigilante?

Bem, eu acredito seguramente que nós tentamos e usamos nossas vozes como armas, com formas de expressarmos a nós mesmas, em boas e más situações. Nos voltamos para nossa voz pela força – e eu acredito que esta dualidade e o que nós compartilhamos realmente me fazem sentir conectada a ela. Ela é tão forte, durona , e precisa lutar através de situações difíceis e como uma mulher ser respeitada e vista por quem ela é. Isto é algo que eu definitivamente relaciono como uma mulher na indústria musical.

Além dela, há alguma outra personagem que você goste, mesmo que não seja da DC?

Eu adoro o Demolidor. Eu acredito que ele seja uma personagem complexa e intrigante que nunca se distancia de uma situação, ele sempre PRECISA se envolver. E claro, Mulher-Gato. Quem não ama a Mulher-Gato?

No Brasil temos uma “rixa” que é mais uma brincadeira que qualquer outra coisa, então eu preciso perguntar: Mavel ou DC?

Ah não, eu acho que não consigo responder isso! Ambas possuem suas personagens espetaculares, mas eu sou uma fã dos Batman e Superman clássicos… Acho que eu diria a DC de uns 40-50 anos atrás.

Você acha que existe a possibilidade da Caveboy vir ao Brasil proximamente ou teremos que esperar um pouco mais?

Nós adoraríamos ir ao Brasil, possivelmente vocês não precisem esperar muito tempo! Apenas diga-nos onde e quando, e nós estaremos lá.

Você pode deixar uma mensagem para os seus fãs brasileiros?

Muito obrigada por acompanhar minha voz como Canário Negro e também a Caveboy. Não posso esperar para continuar compartilhando novas músicas e enviando bastante amor a vocês.


Confira abaixo o vídeo oficial do novo single, “Raconteur” e os links para as mídias da banda Caveboy.

Caveboy no Spotify:

Facebook: Caveboy

Site: https://www.caveboymusic.com/home

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Bingo: O Rei das Manhãs demonstra a força do cinema brasileiro

O cinema brasileiro está fragmentado em dois extremos nesse ano, com poucas exceções. Ou o filme apresenta um humor escrachado com situações absurdas, ou foca na discussão sobre o cenário político, que está bem turbulento atualmente. Já Bingo: O Rei das Manhãs, é uma das exceções que coloca em tela técnica e qualidade cinematográfica, fugindo do clichê nacional e aplicando otimismo no mercado da sétima arte no Brasil.

Inspirado na história de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do Bozo, Bingo detalha todas as particularidades de sua vida profissional com muito charme e competência. Porém, o filme deixa claro que sua história é apenas uma inspiração, e não está com objetivos de construir uma cinebiografia. Não houve um charme em sua vida, mas neste filme, o glamour está presente em todas as camadas preparadas por Daniel Rezende, experiente montador em sua primeira empreitada como diretor de longa-metragem.

Rezende é um renomado montador brasileiro. Trabalhou nos filmes Tropa de Elite (2007), Tropa de Elite 2 (2010) e até o famoso Cidade de Deus (2002) . Sua colaboração como montador no Brasil foi deixada de lado para ele tomar o posto de diretor… e que baita diretor! É na direção que está o coração do Rei das Manhãs. Começando pela construção dos personagens, o diretor busca imagens, composições de cores e luzes para criar uma identificação própria com os atores/atrizes. A predominância das cores quentes, principalmente, transmitem a intensidade do psicológico perturbado do protagonista Augusto (Vladimir Brichta) e cria um ambiente intenso e às vezes melancólico.

Há também a preocupação em retratar a época em que a história está inserida: os anos 80. Os mais velhos devem sentir uma dose nostálgica e os mais novos devem começar a entender mais a cultura artística e de entretenimento do país. Até os jovens que assistem TV devem se surpreender em algumas cenas. Figurino, contextualização, trilha sonora e cenários trazem os anos 80 de uma forma natural, um grande feito entre as produções brasileiras.

Como montador, é perceptível o equilíbrio que o trabalho do Daniel Rezende traz como bagagem. Entender como se constrói uma narrativa faz toda a diferença. As várias camadas contém extremos como humor e drama, sucesso e fracasso, além de reconhecimento e esquecimento. Todos esses momentos são encaixados como peças de uma base que irá sustentar o conflito interno de Bingo.

O clímax de Bingo: O Reis das Manhãs se resume ao conflito do protagonista. A busca faminta e ao mesmo tempo suja e obscura pelo reconhecimento e o estrelato, toma o espectador como um refém da situação, que reconhece a escuridão que assola o mundo do entretenimento. Até onde uma pessoa iria para conquistar o sucesso e os holofotes? E essa questão vai sendo desenvolvida ao longo do filme e ganhando maturidade pela a atuação de Vladimir Brichta.

Brichta é o curioso caso de envolvimento entre ator e personagem. Cada passo e evolução do protagonista, o próprio ator se engrandece. A sua atuação é tão fragmentada como a própria montagem. Seu sarcasmo somado à sua frustração, criam uma angústia dentro de si, consequentemente, Vladimir Britcha personifica Augusto e Bingo, que se tornam uma mente própria e hipnotizam pela naturalidade de ambos.  O ator participou de algumas novelas e séries, além de filmes focados na comédia, mas este parece ser o ponto alto da carreira.

Outras participações merecem ser mencionadas. Leandra Leal continua atuando como a profissional que é. Como Brichta, Leal se molda em sua personagem Lucia, diretora do programa infantil. Há aparições pontuais como a de Pedro Bial, Tainá Müller, o falecido Domingos Montagner, Augusto Madeira e Emanuelle Araújo como Gretchen. Ana Lúcia Torre é uma das mais experientes do elenco, sua interpretação é estonteante como mãe de Augusto, que tem as mesmas ambições do filho.

Ao todo, o resultado se mostra satisfatório e nos deixa perplexos pela vida de Arlindo Barreto e pela estrada podre ao reconhecimento exagerado. Como troféus e  holofotes não trazem a felicidade e a sensação gloriosa que fingem dar. Uma crítica profunda para a própria indústria televisiva e cinematográfica. Há mais de 30 anos atrás e as semelhanças espantam.

Bingo: O Rei das Manhãs é o resultado do trabalho nacional. O projeto de Daniel Rezende e Vladimir Brichta se mostra um grande concorrente ao Oscar pelo Brasil, mas, primeiramente, que deve ser prestigiado pelo próprio brasileiro por seu significado e importância. Uma estatueta não substituí isso.

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Crítica | It: A Coisa

Andrés Muschietti é o Stephen King nos cinemas. As ideias de ambos parecem seguir os mesmos caminhos nas telonas e nas páginas, respectivamente. No livro It: A Coisa, King deixa seus personagens em primeiro plano, desenvolve seus conflitos internos e molda o terror da história com os conceitos criados pela visão inocente das crianças sobre o mundo. Agora, com a estreia do filme It: A Coisa, Muschietti não se prende à obra e tem grandes liberdades criativas, mas mantém a essência da trama que é ser carregada por ótimos personagens e seus problemas particulares.

Derry é a cidade que abriga os integrantes do Clube dos Otários. Bill Denbrough (Jaden Lieberher), Richie Tozier (Finn Wolfhard), Eddie Kaspbrak (Jack Dylan Grazer), Ben Hanscom (Jeremy Ray Taylor), Mike Hanlon (Chosen Jacobs) e Beverly Marsh (Sophia Lillis) são uma das maiores surpresas do ano. Os atores mirins dão um show de atuação, criam perfis únicos para os seus personagens. A química do grupo impressiona e se torna orgânica na tela. Todos os conflitos e os momentos do filme são resultados das ações deles. São uma orquestra com uma sinfonia sincronizada.

Richie Tozier e de Beverly Marsh se sobressaem do resto. Tozier funciona em uma mistura de comicidade e descrença, o timing de Wolfhard parece agradar o público e acaba colocando a atenção de várias cenas para si próprio. Sua atuação agrupa os atores, enaltecendo os diálogos rápidos e ágeis entre eles. Já a atriz Sophia Lillis foi a escolha certa para interpretar a única garota do grupo, que tem o psicológico bastante explorado e ao mesmo tempo mais denso. Desde sua transformação até as consequências de suas escolhas, Beverly se prova uma personagem feminina poderosa e relevante em todo desenvolvimento.

Ainda no núcleo de atores e atrizes, temos Bill Skarsgård, que dá vida à Pennywise, o Palhaço Dançarino. A atuação incrivelmente assustadora e bizarra remete a várias misturas de personagens conhecidos por nós. Uma junção da loucura de Beetlejuice e o sarcasmo de Freddy Krueger somadas à monstruosidade de Pennywise no telefilme de 90 exemplificam a Coisa. Apesar do bom trabalho, Skarsgad foi prejudicado pelo excessivo uso do CGI, tornando a atuação um pouco limitada, que deve ser mais aproveitada no próximo capítulo.

Não só o ator, mas até sequências e cenas foram prejudicadas pelo excesso da computação gráfica. Os designs das criaturas são bem feitos, porém faltou um maior cuidado na apresentação deles. É visível as passagens que exageram na quantidade de efeitos, que poderiam ser contidas para trazer uma sensação “sóbria” do que estaria acontecendo.

Outro problema é a falta de ritmo no primeiro ato. As apresentações dos personagens e suas experiências com a Coisa são mal encaixadas e sobrepostas umas nas outras, criando um problema de fluxo inicial, mas que vai se acertando próximo ao começo do segundo ato.

A direção de Andrés Meschietti, além de segura e precisa, homenageia todos os elementos do universo da Coisa. Derry é a típica cidade repleta de lendas urbanas e profundos segredos internos. A ambientação oitentista e o clima macabro formam o palco perfeito para o espetáculo. As locações remetem aos trechos em que Stephen King a descreve, principalmente o cruzamento entre a Rua Jackson e a Witcham, além da casa na Rua Neibolt. Há cenas icônicas (Georgie encontrando a Coisa, Beverly no banheiro ensanguentado) que também foram traduzidas para as telonas, com uma pitadinha de exageros agradáveis do diretor.

Sem contar com os problemas iniciais, a palavra reinterpretação cabe exatamente nesse molde. A liberdade criativa permitiu o roteiro montar decisões próprias e trazer novas resoluções e consequências, que provocam um ar inovador e de portas abertas para novos caminhos.

Com um dos melhores elencos do ano e a direção estilizada de Andrés Meschietti, o primeiro capítulo de It: A Coisa imita o livro em não ser exatamente uma obra que provoque medo, mas sim uma história que explore a sua essência, abordando vários outros sentimentos que se iniciam na nossa infância. Agora é saber como lidarmos com eles em uma fase mais madura. Só o segundo capítulo trará essas respostas.

You’ll float too…

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Resenha | Peek a Boo – A Masmorra dos Coalas

Foi um dia duro. O trabalho tinha me consumido, final de mês, metas apertadas, clientes que ainda não tinham recebido seus produtos e um trânsito infernal. Chego em casa exaurido. Cansado. Em frangalhos. Ao desabar no sofá, troco meia dúzia de brincadeiras com minha filha de 1 ano, mas com a cabeça ainda a mil. Eis que minha esposa diz: “isso chegou para você pelo correio”, peguei o pacote e vi no remetente o nome do meu amigo Felipe Castilho da Editora Plot! o novo selo de quadrinhos da Alto Astral. Já falamos dela aqui na Torre de Vigilância. Abro o pacote e puxo Peek a Boo – A Masmorra dos Coalas. Tomo um banho e parto para a leitura. Melhor coisa do dia.

Ilustrado e idealizado pela quadrinista Psonha e com a contribuição de Thiago Ossostortos nos diálogos, logo conhecemos a carismática Mambay e sua fiel companheira Cassandra, a sua gata de estimação, que são praticamente “arrancadas” de casa para ir acampar com os pais sem noção. Uma vez no meio do mato, sem telefones, computadores e WI-FI a menina se perde e conhece Apolônio, um simpático vampiro que deixou de chupar sangue para se tornar um peixetariano. Então a dupla se mete em uma aventura com direito a coalas, garotinhos com chapéus de Napoleão, cogumelos pigmeus zumbis, vampiros obcecados por karaokê e um morcego que se chama Bruce. [Cole aqui o meme de referência do Capitão América].

Parece ser bem louco né? E pode ter certeza amado leitor, é bem louco. E é leve. Gostoso de ler. Um refresco para a mente (no caso da minha que estava cansada), e um bom recreio entre um quadrinho de super-heróis e outro. Apesar de ser uma loucura, não pesa a leitura e o teor meio que “descompromissado” ajuda no desenrolar da trama. A salada de cores que passa por azul, roxo, magenta, vermelho e um tom de verde para nos lembrar da floresta é bem aprazível aos olhos, ajudando na melhor concepção da história.

Em termo de história, Psonha usou e abusou de “viagens na maionese”. Em algum momento parece que estamos lendo/assistindo um episodio de A Hora da Aventura ou então Apenas um Show. Mas diferente de alguns casos, os absurdos apresentados durante a aventura de Mambay e Apolônio, não são forçados, eles simplesmente acontecem por que ali, naquela floresta, tinha que acontecer. Apesar de ser uma trama até que meio óbvia, são esses absurdos que ditam a batida da história. E eles funcionam muito bem.  E não se engane achando que o teor infantil é forte, longe disso, Peek a Boo agrada para todas as idades.

Os personagens são bem construídos. Impossível não olhar para a Mambay e não pensar em a criançada de hoje em dia, que vivem mais enfurnados nas tecnologias e acabam não sabendo muito sobre o mundo ao redor deles. Coisas simples como ver uma árvore dançando ao vento, estrelas e lua iluminando a noite, ou se socializarem pessoalmente com outras crianças. Coisas que estão ficando para trás. Saber lidar com outras pessoas, acreditando nelas de olhos fechados, é a maior lição de Peek a Boo. Mambay e Apolônio, cada um tem sua confusão pessoal com a sua família, e se completam e funcionam muito bem e o final fica o gostinho de quero mais.

Peek a Boo – A Masmorra dos Coalas é o cartão de visita da Editora Plot! e que belo começo. A edição tem o acabamento muito bonito, capa dura e algumas páginas mostram os primeiros esboços da produção. A Plot! chegou e mostrou que quer ficar no mercado cada vez mais concorrido dos quadrinhos nacionais. O próximo lançamento, que está acontecendo na Bienal do Livro do Rio, é Kombi 95 de Thiago Ossostortos. Que vai seguir o padrão de Peek a Boo, é sucesso garantido.

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Novos encadernados do Juiz Dredd estão em pré-venda

Dando continuidade à série de encadernados do Juiz Dredd, a Mythos Editora estará lançando duas novidades no mês de setembro. São elas Juiz Dredd: Dia do Caos e Juiz Dredd Mega-Almanaque: Quarta Temporada. Confira todas as informações abaixo!

Uma nova eleição para prefeito se aproxima em Mega-City Um, mas a juíza-cadete Hennessey prevê que algo terrível irá acontecer nessa data… e ela está certa! A assassina Nádia chegou à cidade em busca de um cientista e de um vírus para o arsenal de Mega-City Leste. Três facções do governo sov, os implacáveis juízes do que já foi o Leste Europeu, foram repetidamente rechaçadas pelo Juiz Dredd desde a Guerra do Apocalipse… e, agora, ele terá de enfrentar a Quarta Facção! Essa é a saga que terá profundos impactos na vida do implacável Juiz… e transformará Mega-City Um para sempre!

Dia do Caos é continuação direta do encadernado Exílio, que deu continuidade aos acontecimentos de Origens e Mutantes em Mega-City Um. A saga foi um grande ponto de virada na mitologia do personagem, por unir acontecimentos e personagens históricos da cronologia, tais quais América, os Juízes Negros, Guerra do Apocalipse, entre outros. Confira o Guia de Leitura do personagem clicando aqui!

Juiz Dredd: Dia do Caos – A Quarta Facção possui 196 páginas encadernadas em capa dura e formato 25,9 x 18,7 cm, e o preço de capa sugerido é R$ 72,90. Garanta sua edição na pré-venda da Amazon com 23% de desconto, clicando aqui.

Juiz Dredd Megazine: Quarta Temporada! A Invasão Britânica continua e traz criações de escritores britânicos de peso como Alan Moore, John Wagner e Robbie Morrison, com artes estonteantes de Carlos Ezquerra, Dave Gibbons, Colin MacNeil, Simon Fraser e muitos outros. E, claro, histórias completas das suas séries preferidas: Juiz Dredd, Nikolai Dante, Áquila, Área Cinzenta, Choques Futuristas e Distorções Temporais.

A série de Mega-Almanaques compila as edições da revista mensal Juiz Dredd Megazine em grandes volumes, por baixos preços. O quarto volume será o último, abrangendo as edições #19 a #24 da revista, cancelada em agosto de 2015.

Juiz Dredd Mega-Almanaque: Quarta Temporada possui 384 páginas encadernadas em formato 27,5 x 20,5 cm, com preço sugerido de R$ 39,90. Clique aqui para garantir sua edição com 12% de desconto na pré-venda da Amazon.

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James Bond em quadrinhos chega ao Brasil pela Mythos Editora

A série em quadrinhos do agente secreto James Bond, baseada na visão de Ian Fleming e publicada nos EUA pela Dynamite desde 2015, chegará às livrarias de todo o Brasil em lançamento da Mythos Editora. James Bond – Volume 1: VARGR é o início da coleção, escrita por Warren Ellis, que reimagina o universo do 007.

Depois de vingar sua morte, James Bond assume os casos de seu colega na Divisão 00: o Agente 008. Sua nova missão é acabar com um aparentemente pequeno tráfico de drogas em Berlim, sem fazer ideia das terríveis forças que estão se juntando contra ele, nem da vasta e letal conspiração que elas colocaram em movimento. Para escapar ileso de Berlim, 007 terá de fazer valer, com força total, sua Licença para Matar!

Com uma ação digna das telas de cinema, nenhum fã de 007 pode perder este fantástico arco de histórias escrito por Warrens Ellis (Transmetropolitan) e Jason Masters (Corporação Batman)!

Ellis explora a visão de Ian Fleming sobre sua criação, e utilizou a história Risico como influência para desenvolver suas aventuras. VARGR, palavra que dá nome ao primeiro arco, significa lobo, malfeitor ou destruidor em nórdico antigo.

Confira abaixo o preview de cinco páginas divulgado pela editora:

 

Warren Ellis e Jason Masters permaneceram como equipe criativa da revista até a edição #12, com a conclusão do arco Eidolon, quando Benjamin Percy e Rapha Lobosco deram início ao arco Black Box, sob nova numeração.

A editora Dynamite também publicou diversos spin-offs do personagem, criados por nomes como Andy Diggle, Luca Casalanguida, Jody Houser, Jacob Edgar e outros. Recentemente foi anunciado o one-shot James Bond: Solstice. Ellis, durante sua fase, utilizou a agência SPECTRE como antagonista de seu segundo arco de histórias.

VARGR recebeu ótimas críticas por parte de grandes sites como o IGN, Newsarama e Bleeding Cool. Diggory Laycock, um dos descendentes de Ian Fleming, disse em entrevista na época do lançamento da primeira edição: “Ficamos entusiasmados quando Warren [Ellis] aceitou escrever a primeira história deste excitante novo capítulo da literatura James Bond. O estilo de Warren é enérgico, único e mal podemos esperar para ver James Bond envolvido em uma aventura criada por ele.

James Bond – Volume 1: VARGR possui 180 páginas coloridas encadernadas em capa dura e formato 17 x 26 cm, e o preço de capa sugerido é R$ 69,90. Garanta seu exemplar na pré-venda da Amazon com 23% de desconto clicando aqui.

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Ronda Vermelha: os Justiceiros Policiais de Garth Ennis

Garth Ennis é um roteirista bom em muitas coisas. Em escrever cenas violentas, cenas bizarras, palavrões, momentos caóticos e apoteóticos, criar personagens divertidos e cativantes, entre outras qualidades. Por outro lado, Ennis também é um exímio autor capaz de escrever belas histórias mais realísticas. Histórias de guerra e dramas policiais também são áreas que o roteirista irlandês domina muito bem.

Em Ronda Vermelha, série publicada pela Dynamite e lançada no Brasil pela Mythos Editora, Ennis une os dois lados característicos de suas obras: o teor realístico de suas histórias mais “pé-no-chão”, com o palavreado diferenciado utilizado por seus personagens, protagonizando cenas violentas e divertidas inseridas num drama policial instigante e sedutor.

Ronda Vermelha (Red Team no original) é o nome de uma equipe que age de maneira similar à ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), famosa por “passar criminosos” em suas missões. Composto pelos policias Eddie, Trudy, Duke e George, este destacamento da Polícia de Nova York é especializado em combater o narcotráfico. Após perderem um companheiro da polícia, assassinado por ordem dada pelo gângster Clinton Days, os membros da Ronda Vermelha tomam uma difícil decisão: assassinar a sangue frio, sem deixar provas, o intocável traficante.

Ao longo das sete edições da minissérie, compiladas no encadernado de luxo da editora Mythos, temos o desenrolar das consequências da ação tomada pelos membros da Ronda. Ennis explora muito bem o lado psicológico de seus personagens, apresentando problemas familiares e sociais, seus pontos de vista (mostrados de maneira bem curiosa), e de forma cadenciada vai criando novos acontecimentos que os policias devem encarar.

A primeira atitude dos quatro tiras vai de encontro, obviamente, com quaisquer leis e direitos exercidos sobre os seres humanos, policiais ou não. A forma como os protagonistas agem, a linguagem utilizada (muito bem traduzida por Érico Assis) e seus equipamentos soam todos muito reais, característica que torna a leitura mais profunda e cativante, sem perder o bom humor típico dos textos de Ennis.

O senso de amizade e companheirismo dos quatro personagens da Ronda é bem explorado, e há quadros angustiantes por mérito exclusivo dos balões de fala, contrastando com outras cenas totalmente gore graças às imagens retratadas (esta segunda característica, em menor nível). E parte das muitas qualidades deste divertido quadrinho também recaem sobre os ombros do artista Craig Cermak.

Dono de uma arte simples, sem muitas firulas, mas que cumpre seu papel e se encaixa perfeitamente na proposta desta série, Cermak é um artista estreante que havia trabalhado somente na série Voltron: Year One e em uma edição da revista Liberty Comics antes de produzir Ronda Vermelha. Através de seus desenhos, todos os personagens de Ronda são reconhecíveis, realísticos em muitos sentidos (vestimentas, equipamentos, compleições físicas), e os cenários são bem detalhados e profundos. A impressão é que você está assistindo a um seriado policial.

E o lado Justiceiro adotado pelos policias, que mergulham cada vez mais fundo no sombrio dos acontecimentos, toma rumos que surpreendem. Outros membros da Polícia de Nova York são desenvolvidos (alguns, nem tanto), e a série caminha rumo ao final de forma empolgante, que constantemente cria a impressão de que “vai dar merda.”

Por ser uma série tão sincera e linear, sem muitos plot twists loucos (os últimos capítulos revelam algumas surpresas), Ronda Vermelha pode não agradar quem lê os quadrinhos de Garth Ennis esperando somente o absurdo. Entretanto, esta história, que possui o número perfeito de edições para que não seja muito longa, nem muito curta, é a prova concreta de que Ennis é capaz de escrever ótimas histórias mais simples, com boas premissas e desenvolvimento não-linear.

O encadernado nacional também apresenta as capas originais, por Howard Chaykin, além de extras que mostram um roteiro de Ennis e os esboços e layouts de Craig Cermak. A série ganhou sequência nos EUA, chamada Red Team: Double Tap, Center Mass, que pode ser lançada no Brasil caso o primeiro volume caia no gosto do público, e mais leitores sejam cativados e seduzidos pelos Policias Justiceiros de Ennis e Cermak.

Ronda Vermelha possui 204 páginas encadernadas em capa dura no formato 26 x 17 cm com preço sugerido de R$ 69,90. Clique aqui para garantir sua edição com 20% de desconto.

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SNES Classic Edition | Lançamento confirmado para o Brasil

SNES Classic Edition, versão em miniatura do Super Nintendo, será lançado no Brasil. Por meio de um anúncio na revista Game Informer, a Gaming do Brasil anunciou que vai trazer aos brasileiros o relançamento do Super Nintendo, intitulado Super Nintendo Entertainment System Classic Edition. O anúncio indica uma pré-venda no site da JVLAT, distribuidora da empresa.

 

 

Além de oferecer um tamanho reduzido ao original, o SNES Classic Edition chega com uma lista incrível de jogos clássicos. Nos Estados Unidos, Europa e Japão, o console tem lançamento marcado para 29 de setembro, com preço de US$ 80.

Lista de jogos do SNES Classic:

  • Donkey Kong Country™
  • EarthBound™
  • Final Fantasy III
  • F-ZERO™
  • Kirby™ Super Star
  • Kirby’s Dream Course™
  • The Legend of Zelda™: A Link to the Past™
  • Mega Man® X
  • Secret of Mana
  • Star Fox™
  • Star Fox™ 2
  • Street Fighter® II Turbo: Hyper Fighting
  • Super Castlevania IV™
  • Super Ghouls ’n Ghosts®
  • Super Mario Kart™
  • Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars™
  • Super Mario World™
  • Super Metroid™
  • Super Punch-Out!! ™
  • Yoshi’s Island™

Nos Estados Unidos, Europa e Japão, o SNES Classic Edition terá valor de US$ 80 (cerca de R$ 250), no dia 29 de setembro. Alguns site já estão anunciando por aqui o console no valor que gira em torno de R$ 1.600,00.