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Review | Final Fantasy X / X-2 para Nintendo Switch

Uma Fantástica “Re-jornada” em qualquer lugar!

Recentemente a Square Enix realizou o lançamento de vários clássicos da série Final Fantasy no console híbrido da Nintendo, o Switch, e um dos lançamentos de destaque, é, sem dúvida, o bundle com as versões remasterizadas de Final Fantasy X e Final Fantasy X-2.

O clássico RPG, dirigido pelo Tetsuya Nomura, famoso pela série Kingdom Hearts, foi originalmente lançado para PlayStation 2 e teve uma excelente recepção de críticas e vendas.

As texturas e definição de imagem em relação ao PS2 foram visivelmente melhoradas e a experiência corre sem problemas apesar de ser evidente que se trata de um jogo de PlayStation 2, afinal de contas, trata-se de uma remasterização relançada e não um remake. O jogo também conta com o rearranjo da trilha sonora original e você tem a opção de mudá-la a qualquer momento, caso esteja se sentindo mais nostálgico.

Comparação entre o original e o remaster, imagem tirada da Wikipedia US

O jogo é basicamente a mesma versão HD lançada anteriormente para PS3, PS4 e PC, com um diferencial que, curiosamente, até mesmo a própria Nintendo pouco utiliza em seus jogos: a tela sensível ao toque do console.

Pode até parecer pouca coisa, mas não é de hoje que o gênero RPG e portáteis combinam tão bem, e Final Fantasy X e Final Fantasy X2 não são exceção.

Com um toque em tela você pode curar seus personagens sem a necessidade de abrir menus o tempo todo, tornando a experiência mais fluida e imersiva.

Na TV, no modo Dock, o jogo também não decepciona, aumentando a resolução de imagem, diante da desnecessidade de economia de bateria, e em ambos os modos não notei quedas de frames em nenhum momento.

A história continua cativante mesmo depois de tantos anos e se passa no mundo de “Spira” onde o jovem protagonista Tidus, jogador profissional de um esporte chamado “Blitzball”, é pego em meio a uma “catástrofe” causada por uma poderosa criatura chamada de “Sin” (pecado) e vai parar em um mundo devastado e repleto de água e destroços (não vou entrar muito em detalhes sobre este “mundo” pois acho que algumas revelações, mesmo que no começo do jogo, fazem parte da experiência do game.)

A partir daí Tidus conhece a icônica personagem Yuna, e o que se segue é uma aventura de encher os olhos e ouvidos (seja com a trilha sonora original ou rearranjada), o sistema de batalha em turnos é refrescante com pequenas mudanças que não revolucionam mas quebram o padrão adotado nos jogos anteriores com suas peculiaridades e mantém a essência da série.

Cada um dos jogos te garante uma média de 50 horas de jogatina, se tratando de um pacote com muito conteúdo, incluindo extras como a dungeon extra “Last Mission” do Final Fantasy X-2 e o curta metragem “The Eternal Calm” que conta de maneira mais profunda.

NOTA: 8,5/10

Ainda depois de tantos anos as aventuras de Tidus e Yuna emocionam e convencem em uma história cheia de conteúdo, batalhas épicas e ,agora, com a vantagem de poder ser jogado em qualquer lugar. Aos proprietários de Nintendo Switch e fãs do gênero RPG acaba sendo uma pedida obrigatória.

Agradecimentos à Square Enix pela cópia enviada e ao Luiz Cláudio C. Andrade pelo desenvolvimento e ajuda.

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Cinema Tela Quente

Vingadores: Ultimato | O fim e o início de uma nova era

Choro e aplausos, é como posso resumir a experiência com Vigadores: Ultimato. Em meio a milhares de produções cinematográficas que existem, é muito difícil encontrar um longa-metragem que possa te fazer sentir tantas coisas boasAo decorrer das dezenas de reações que o público esboçava durante o quarto filme dos Vingadores, pode-se dizer com total tranquilidade, que essa foi a obra cinematográfica mais envolvente de todas, e quando digo ”de todas”, é em todos os sentidos.

Ultimato é a culminação de 11 anos de um belo e esplêndido planejamento arquitetado pelo empresário Kevin Feige, que em meados de 2006, começou a trabalhar naquilo que viria a se tornar uma das sagas mais lucrativas da história. Foi apenas dois anos depois, mais especificamente em 2008, que o mundo é apresentado a primeira produção da Marvel Studios (na época, Paramount Pictures): Homem de Ferro, protagonizado pelo galã dos anos 90, Robert Downey Jr..

Após o lançamento do primeiro filme do Vingador Dourado, os fãs foram a loucura, pedindo cada vez mais da produtora comandada por Feige. De lá pra cá, as películas sob tutela da Marvel Studios fizeram um trabalho além do esperado, criando uma comunidade de admiradores que estão mais pra uma ”família” ao invés de meros tietes. 

Endgame (no original) irá unir, criar novas atitudes e pensamentos sob o que é ser uma boa pessoa e o melhor; será a inspiração de vida.

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Após Thanos eliminar metade das criaturas vivas, os Vingadores precisam lidar com a dor da perda de amigos e seus entes queridos. Com Tony Stark (Robert Downey Jr.) vagando perdido no espaço sem água nem comida, Steve Rogers (Chris Evans) e Natasha Romanov (Scarlett Johansson) precisam liderar a resistência contra o titã louco.

Mais uma vez, Thanos fez história. O Titã Louco está ainda mais tirano e sociopata em relação à Guerra Infinita, pensando de maneira egocêntrica e megalomaníaca; usufruindo de uma inteligência descomunal que infelizmente, foi usada apenas para o mal. 

Com jogadas e planos extremamente inteligentes, Josh Brolin impressiona com a sua atuação feita a partir de um molde artificial, levando quem está assistindo a acreditar que o tirano é real e que a qualquer momento ele pode vir para a Terra com sede de sangue e destruição.

O Führer espacial, é o melhor antagonista que a sétima arte já nos apresentou. Não há amor no coração do personagem e muito menos compaixão.

Em diversas ocasiões, o telespectador ficará contra Thanos (óbvio), mas no fundo, a mente do espectador deseja que o vilão não tenha um destino tão triste e cruel, afinal, o sociopata intergalático criou um certo tipo de empatia com o público. Amamos odiá-lo.

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O elenco está impressionante, há um ótimo espaço de tela para cada membro da equipe. Mas claro, os seis originais são os verdadeiros destaques de Ultimato. 

Começando com Homem de Ferro. Downey Jr. conduz sua contraparte tão bem quanto das outras vezes que o astro deu vida ao herói. Aqui,Tony Stark possui uma vida nova, se privando de atitudes arrogantes e pensando mais no bem estar da humanidade. Até mesmo seu comportamento com os seus colegas mudou, provando que um homem pode buscar pela redenção quando é exposto à uma situação de risco.

Os melhores momentos da película são conduzidos por Chris Evans, também conhecido como Capitão América. Considerado por muitos como o melhor Vingador, Steve Rogers é um dos personagens chave da fábula, fazendo com que o público o ovacione inúmeras vezes durante as cenas.

Thor, Hulk e Rocket Raccoon, vividos respectivamente por Chris Hemsworth, Mark Rufallo e Bradley Cooper, são os alívios cômicos do longa-metragem. Houve um pequeno downgrade em Odinson, voltando a se tornar o deus do trovão visto em Thor Ragnarok e ignorando totalmente o ser mitológico  construído em Guerra Infinita. Pessoalmente, o fator não foi um incômodo, visto que o herói se encaixa perfeitamente nesse perfil bobão e idiota. Porém, para aqueles que amaram sua versão vista na produção anterior, podem se decepcionar um pouco. 

Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) possuem uma atitude de irmãos, motivo que uniu ainda mais ambos os heróis. Todavia, diferente do Gavião que é anos luz mais carismático que a sua parceira, a Viúva é nada menos que um peso de papel mal aproveitado em Ultimato. Em Guerra Infinita, a heroína está muito mais poderosa e cativante, dando gosto em suas aparições em tela. Apesar disso,  há momentos bacanas com a personagem.

Caso a Marvel Studios decida fazer um filme da A-Force, a personagem ideal para liderar a equipe feminina do MCU seria a Nébula! Filha adotiva de Thanos, a heroína interpretada por Karen Gillan, pode finalmente ter um merecido destaque na narrativa de um filme feito pela Marvel, brilhando de todas as maneiras possíveis.

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As três horas de durações passam voando.Um ótimo trabalho dos diretores Anthony e Joe Russo, que souberam conduzir uma película com excesso de personagens de forma decente, sem se perder em sua própria narrativa. Infelizmente, há pequenos furos de roteiro que não serão consertados, deixando alguns buracos não muito agradáveis no MCU.

Momentos que os fãs nunca esperavam ver nos cinemas, aconteceram em Ultimato, seja de maneira inevitável ou não. Abreviando o filme em poucas palavras ele é, literalmente, uma história em quadrinhos cheio de clichês cósmicos característicos.

Como todo problema que a maioria dos filmes da Marvel sofrem, as piadas fora de timing são o que mais chegam a incomodar, mas em compensação, são extremamente engraçadas. 

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Não foi fácil sair da sala de cinema enquanto os créditos de Vingadores: Ultimato subiam. O filme é uma bomba de emoções, que despertou em meu coração inúmeros sentimentos que acabaram se tornando apenas um: felicidade. Ultimato não é o fim de uma era, mas o começo de uma nova fase brilhante da Marvel Studios. Muitas jornadas foram encerradas, mas muitos caminhos ainda serão contados.

Obrigado por tudo casa das ideias, te amarei três mil vezes. <3

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Gameplay Games

Review | Weedcraft Inc.

Weedcraft Inc. é um jogo desenvolvido pela Vile Monarch que explora os negócios, a produção, e a venda de ervas nos Estados Unidos, mas não qualquer erva. Aqui temos vários aspectos para serem aprofundados sobre tudo que está por trás do financeiro, da política e cultura que envolvem o complexo relacionamento dos EUA com essa planta problemática e promissora.

Weedcraft Inc. traz uma abordagem um tanto quanto colorida do mercado da maconha, entretanto  não deixa de lado suas questões éticas e moral, mesmo que tudo isso esteja um pouco fantasioso na ideia geral do game.  No jogo, somos Jhonny, que por ocasionalidade do destino, acaba se envolvendo no mercado da maconha, logo após abandonar a faculdade. Ou seja, temos um grande simulador mercadológico, com várias informações e processos legais e ilegais que podem ser utilizadas em sua gameplay a bel-prazer, o que o faz brilhar, por outro lado Weedcraft Inc. tropeça, quando tenta se aprofundar no relacionamento dos personagens, mas felizmente não atrapalha em nada a experiencia quando você já está dominando por completo toda a papelada e gestão de seu novo ramo.

É óbvio que a maconha  é o personagem principal aqui, você é apenas um intermediário que a fará mais conhecida do que nunca. Ela pode ser vista de várias formas no jogo, digo isso por que tratando de negócios você precisa adequar seu produto à clientela, dessa maneira a maconha que é comercializado por seu avatar possui várias formas e sabores. A medida que for entrando dinheiro em seu caixa, novas variedades podem ser desbloquear com nomes bem criativos – Fiquei em dúvida entre Granddaddy Purple e Space Queen sobre qual seria o melhor rótulo do produto – Cada um destes novos rótulos possuem seus próprios sabores e efeitos, que o tornam popular entre grupos sociais distintos, desde turistas até pacientes que precisam da erva para tratamento, todos eles são potenciais clientes, e para isso é preciso ter uma mentalidade muito bem estruturada sobre negócios, principalmente entre preço e qualidade.

O início de seu cultivo é bem simples, mas ao decorrer da gameplay começa a ganhar status de business, e uma cara um tanto quanto mais séria. A mecânica do jogo ganha complexidade a medida que você evolui junto a seu negócio. A parte divertida do game é tentar melhorar a qualidade da sua erva. Testar as combinações de nutrientes, encontrar o equilíbrio certo de nitrogênio, fósforo e potássio te faz parecer o Walter White da maconha. Temperatura e umidade são um ponto importante que não podem ser deixados de lado. Outro aspecto já citado é a identificação de um nicho de mercado, estabelecer um crescimento visando apenas um público, ou expandir desenfreadamente ocupando várias camadas sociais, é uma dúvida constante. As inúmeras possibilidades presentes em Weedcraft Inc. é o que te fará parar e refletir por algum tempo.

Depois que você consegue compreender toda a mecânica de Weedcraft Inc., suas necessidades são outras, ao invés de se preocupar com suas vendas, você precisa aperfeiçoar seu produto, fazendo com que a clientela continue fiel, e a contratação de funcionários se faz necessária, é a partir daqui que o jogo ganha um novo visual, e tudo parece andar um pouco devagar.

Um pequeno detalhe que para muitos pode passar despercebido, a trilha sonora. Desde o início de Weedcraft Inc., você é bombardeado por uma trilha sonora muito bem escolhida, desde músicas a sons in game, hip-hop e vocais instrumentais irão te acompanhar nessa jornada por um mercado marginalizado mesmo em locais onde seu uso é autorizado.

VEREDITO:

Weedcraft Inc. é um simulador de gerenciamento bem desenvolvido com uma arte elegante e sofisticada, recada a uma trilha sonora cativante. De forma geral, entrega o que propõe e um pouco mais que isso. Se seu estilo não combina com administrar coisas e a agitação que envolve este tipo de negócio, este jogo não é para você, sua inabilidade pode te mandar para a prisão. Porém o jogo te dá uma porta aberta caso você queira aprender um pouco mais sobre o ramo de negócios, mesmo que você não seja um expert. No entanto, seus personagens são claramente segurados pela mecânica envolvente do jogo, seus diálogos chegam a ser cansativos, além de tratarem certos aspectos da sociedade de forma não muito agradável. Suas discussões socio-culturais são de extrema importância para o cenário atual que vivemos, mas infelizmente sua tentativa de caricaturar a realidade acaba afastando um pouco o que seria proveitoso para a vida real.

PONTOS POSITIVOS:

  • Simulação desafiadora.
  • Gráficos condizentes com a proposta do jogo.
  • Trilha sonora.
  • Gameplay com curva de aprendizagem justa.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Missões pouco instrutivas.
  • Erros na localização pt-br.
  • Diálogos cansativos e repetitivos.

Agradecimentos à Devolver Digital pelo envio do código.

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Detective Comics Quadrinhos

Último Assalto | Salve Kevin, santo guerreiro do boxe!

Diz a história que Jorge foi um grande guerreiro do exército romano e que ascendeu muito rapidamente na carreira militar, se tornando, aos 30 anos, guarda pessoal do imperador Diocleciano (r. 284 – 305), em Nicomédia. No ano de 303, o imperador publicou um édito que mandava prender todo soldado romano cristão e todos deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos. Jorge foi ao encontro de Diocleciano para protestar e perante a corte declarou-se cristão. Depois de tentar fazê-lo desistir da fé oferecendo riquezas, o imperador mandou torturá-lo durante dias, e a cada vez que era levado perante a autoridade máxima, era perguntado para Jorge se renegava sua fé em Jesus e iria adorar os deuses romanos. A cada negativa de Jorge, ele era levado de volta à tortura. Seu martírio ficou famoso entre os romanos, até que Diocleciano, mandou degolar o jovem soldado.

Diz a história de Último Assalto, que Kevin, um jovem afrodescendente que tinha um promissor futuro como lutador de boxe, depois de passar dois anos detido por um crime, tenta voltar a sua vida normal. Precisando cuidar do seu tio doente, trabalhando em um emprego, onde vive sendo humilhado, mas que foi o único que aceitou, e precisando voltar a lutar, mas tendo que correr atrás do tempo perdido nos treinos. E enfrentando a desconfiança, o preconceito e as tentações que a “vida fácil” lhe propõe a todo momento.

Salve Jorge! Salve Kevin!

Escrito por Daniel Esteves e com artes de Alex Rodrigues, Último Assalto fala sobre começar de novo. De ser guerreiro. De resistir a cada soco. De tirar força não se sabe de onde para superar os rounds. De resistir as torturas impostas pela sociedade e suas visões preconceituosas.

O texto de Daniel é preciso e apresenta uma ópera bíblica na vida de Kevin que tende a ser trágica, pelas escolhas ruins que ele sempre tende a fazer. Mesmo sabendo que será o maior prejudicado em todas elas. Mesmo sabendo que será, assim como Jorge, torturado até a morte, Kevin mantém suas convicções para proteger quem ama. E faz assim uma escolha difícil, abrindo mão de diversas pessoas e se rendendo ao “imperador” na HQ, que vem em forma de um empresário obscuro. Mesmo se sentindo combalido, com sua tortura particular e mental, Kevin é um guerreiro, de coração bom e forte. E se mantém firme no que acredita e abraça o seu sonho de forma única. Assim como Jorge a cada dia torturado se abraçava a sua fé. Kevin é cascudo e com várias idas às lonas da vida, ele se levanta e encara a vida. Por mais machucado que possa estar. Por mais sofrimento que esteja passando. A ambientação da trama no boxe não seria mais certeira.

Os desenhos de Alex Rodrigues é um primor que se casa perfeitamente com a trama. É possível vivenciar a academia humilde, que fica debaixo do viaduto em algum lugar no Centro de São Paulo. As artes das lutas no ringue, com seus movimentos, posicionamento dos lutadores, e atmosfera de um lugar underground são transmitidas com louvor para os leitores. Sem contar nas riquezas de detalhes, como um carinha treinando ao fundo, prédios, postes com seus fios, as tatuagens dos personagens, materiais da academia já bem gastos. Tudo é um deleite para se ver e rever.

Obviamente, sendo uma história com o boxe como cenário, as referências estão lá. É possível ver menções a boxeadores brasileiros como Maguila e Éder Jofre. E claro para filmes de boxe. Como uma referência sensacional ao clássico Rocky.

A única coisa que me incomodou, mas foi algo bem mínimo, foram os cortes. Às vezes me passavam a sensação que ficou incompleta a cena. Mas nada que atrapalhasse o prazer de ler Último Assalto, apesar desse ponto, narrativa em si não fica comprometida.

Último Assalto é sobre redenção. De acreditar até o fim. Lutar até às últimas consequências. De ser guerreiro, mesmo que seja sofrido e torturante para atingir os objetivos e no que acredita. Um drama bem atual, que lida com preconceitos, violência, do modo em que as pessoas e o Estado tratam os menos favorecidos e como o outro caminho “fácil” é sedutor. Kevin é um protagonista que você se apega e torce por ele até o fim. Que assim como Jorge, acredita até o fim no que faz, que apesar de sofrer com a escolha, não esmorece e vai até o final. No geral é um dos grandes lançamentos nacionais do ano.

Último Assalto terá formato 20 x 28 cm, 160 páginas P&B, capa colorida e o preço de R$ 35,00. A publicação será da Zapata Edições e ela foi uma das selecionadas pelo ProAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.

Você pode adquirir Último Assalto clicando AQUI.

 

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Detective Comics Quadrinhos

Confira a lista de lançamentos da coleção Mágico Vento Deluxe

A Mythos Editora está republicando a famosa série da Sergio Bonelli Editore, Mágico Vento, através de encadernados luxuosos em capa dura e com histórias totalmente coloridas! Fique por dentro de todos os lançamentos mais recentes da coleção acompanhando a lista abaixo, que será atualizada conforme novidades forem chegando, além de disponibilizar os links das melhores lojas para compra de cada volume:

Volume 1 – Forte Ghost

Um fragmento de metal no cérebro apagou a sua memória, mas deu-lhe o poder da visão. Para os índios, ele é Mágico Vento, porque o vento o guiou até eles. Mas ele era o soldado Ned Ellis, sobrevivente da explosão do comboio militar em que viajava. Quais tramoias se escondem por trás daquele que, oficialmente, foi um trágico acidente? Para descobrir, Ned deverá iniciar uma atormentada viagem em seu passado, e, só no fim do caminho, entre os fantasmas do Forte Ghost, ele poderá saber a verdade.

Disponível na Amazon Brasil, Livraria Saraiva e na Loja Mythos.

Volume 2 – Lady Caridade

Anjo dos pobres de Chicago, a dama conhecida como Lady Caridade não é exatamente o que parece. Willy Richards, vulgo Poe, não demora a se dar conta, mas corre o risco de enlouquecer ao ser envolvido na teia que a diabólica mulher teceu para ele. Mágico Vento está longe demais para poder socorrer o amigo, mas o fio que os une permitirá que ele receba a tempo o pedido de ajuda do corajoso jornalista.

Disponível no marketplace da Amazon Brasil e na Livraria Saraiva.

Volume 3 – Faca Comprida

Louis Beaumont, um fanático seguidor da seita do Vodu, que veste um velho uniforme de oficial confederado, decapitou com sua espada o pai espiritual de Mágico Vento. Além disso, o fantasmagórico assassino levou a cabeça de Cavalo Manco, e Mágico Vento deverá medir forças com o poder obscuro da Serpente do Vodu para devolver a paz ao velho xamã. Ao mesmo tempo, Poe reúne as provas de uma manobra cínica levada a cabo contra os índios por Howard Hogan, um empresário inescrupuloso, cujo caminho já se cruzou com o do xamã branco.

Disponível na Amazon Brasil, Livraria Saraiva e Loja Mythos.

Volume 4 – Whopi e Wendigo

A misteriosa jovem índia que chegou ao forte junto com a esposa do major Eccles é Whopi, filha do espírito do Bisonte Branco. Porém, a violência cega dos homens a faz ser dominada pelo bisonte louco. Mágico Vento deverá aplacar a alma enfurecida de Whopi quebrando a maldição que a brutalidade dos soldados desencadeou. O urro do Wendigo, um gigantesco predador de carne humana, rasga o céu nas terras dos ojibways e espalha o terror. A fome do monstro cresce com o aumento das suas vítimas, e Mágico Vento se verá mais próximo da morte como jamais lhe aconteceu antes.

Disponível na Amazon Brasil e Loja Mythos.

Cada volume da coleção possui 204 páginas encadernadas em capa dura e formato 26,8 x 20,4 cm.

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Serial-Nerd

The OA: Parte 2 consegue captar com maestria o lado metafísico da história

O que é a vida? Por que estamos aqui? Qual o sentido de estarmos aqui? Podemos mudar o nosso destino? Ocasionalmente, temos respostas prontas para certas perguntas com esse teor. Só que isso é uma variável que segue por vários caminhos, uma vez que minha interpretação pode ser diferente de você que segue lendo este humilde texto. The OA entra por este caminho e lá em 2016 quando foi lançada pela Netflix, surpreendeu por sua sutileza em abordar temas como vida, morte e EQM (Experiências de Quase-Morte). Podendo aparentar confusão na extensão de seus episódios, se começarmos a ”expandir nossa mente”, é possível captar as mensagens que a série vai passando.

Até reencontrarmos OA/Prairie no primeiro episódio, parecia que estávamos diante de alguma série policial. Conhecemos o detetive Karim investigando o sumiço de Michelle Vu e se depara com um jogo surreal, onde os jovens precisam desvendar enigmas para passar de nível e o grande prêmio é descobrir a verdade oculta na vidraça. Paralelo à este plot, descobrimos que OA conseguiu saltar para outra dimensão numa versão diferente a sua, se tornando Nina Azarova. Esses plots foram muito bem trabalhados ao longo da temporada e ao se cruzarem, elevaram o nível da trama de uma forma muito satisfatória.

Os coadjuvantes também foram essenciais para o sucesso desta atual temporada. O reencontro do grupo cativo na nova dimensão foi bonito e trouxe a urgência de sair mais uma vez das garras de Hap. Já o outro grupo que ouviu com tanta atenção a história de Prairie iniciaram separados após o incidente na escola, mas embarcaram numa nova missão graças a revelação de Buck no espelho. A interação entre eles continua ótima e o retorno de BBA fechou o pacote. O suicídio de Jesse trouxe de volta para uma realidade em que uma pessoa não consegue suportar o trauma vivido e mesmo com todos os sinais explícitos, a tragédia só é percebida quando acontece. Isso é The OA, que explora o inimaginável e ainda assim, mantém o crível.

The OA possui uma mitologia riquíssima e abre inúmeras portas para oque convencionalmente nomeados como desconhecido ou até fantasioso. A produção soube utilizar cada item de maneira perfeita, ou seja, trouxe elementos visuais que cativam e emocionam. A coreografia dos cinco movimentos pode parecer bastante bizarro quando assistimos, porém ela vem carregada de significados. Há sintonia. Há beleza. Há emoção em cada expressão. Você se conecta com aquele momento único.

A fantasia se conecta com a realidade quando estabelece a natureza como um grande organismo vivo e pensante na Terra. A cena em questão é carregada de informação científica, mas não tira o peso da mitologia imposta e nem a desmerece. Pelo contrário, a corrobora. Uma floresta só consegue sobreviver ao existir harmonia. A conexão entre as raízes das árvores permite trocas de informações, que permite a sua longevidade. Sim, elas se comunicam da mesma forma que conversamos naturalmente.

Você acredita nas experiências de quase-morte? Este um tema delicado que permite várias interpretações sobre suas implicações. A série discorre sobre os eventos das EQM e suas consequências para as pessoas que as vivenciam. Ao sequestrar os personagens na temporada anterior, Hap se permitiu estudar mais a fundo sobre como deveria acessar este ponto localizado na penumbra da ciência sem pensar na ética de seus atos.

O surpreendente foi saber que o Outro Lado não era um vislumbre do Pós-Vida e sim, a existência de múltiplas dimensões configurando o que chamamos de Multiverso. Os cinco movimentos eram parte do processo para essa passagem, porém através de Elodie fomos capazes de descobrir que existem outros meios para viajar. Trazendo agora para a nossa realidade: Seria muito egoísmo nosso supor que somos os únicos seres dominantes deste Sistema Solar? Parece papo de maluco, mas temos que pensar fora da caixinha e perceber estas possibilidades.

Hap. Homer. OA. Conectados por um destino e várias dimensões. Habitantes da mesma constelação. Esses três personagens estão longes de estarem num triângulo amoroso. Apenas configuram como o ponto central das viagens dimensionais, ou seja, estão fadados a se encontrarem em qualquer realidade. São completamente dependentes um do outro. A adição de Elodie permitiu algumas explicações sobre os saltos, tornando-se relevante para a trama. Caso role a terceira temporada, que ela seja regular.

Bolão: Consciência do Homer está no corpo do Steve na terceira dimensão ou é o próprio Steve? Façam suas apostas.

Netflix conseguiu manter um excelente padrão para uma produção original que teve um hiatus de três anos e apesar da cena final indicar certo desfecho para a história em si, ainda tenho esperança da renovação para finalmente ver Steve, Buck, BBA, French e Angie reencontrando OA. Para quem quebrou a quarta parede, nada mais é o limite.

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Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

Primeiras Impressões | Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba e Hitoribocchi

Mais uma temporada de animes se inicia e estou aqui mais uma vez para dar minhas primeiras impressões sobre as estreias da Primavera 2019. Nessa temporada, irei juntar alguns animes e fazer em um texto só. Meus colegas de equipe farão como eles quiserem.

Já adianto, essa temporada está bem fraca. Pra esse primeiro post, trouxe dois animes distintos: uma das grandes promessas e uma maravilhosa surpresa. Vamos lá!

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba

Um dos grandes destaques da temporada. Além de ser um mangá da Shounen Jump, que divide opiniões pra falar a verdade, ele está sendo produzido pelo estúdio Ufotable, bastante conhecido pelos fãs da franquia Fate/.

Uma sinopse rápida:

Após ter sua família morta por um Oni e ter sua irmã transformada em um, Tanjiro sai em uma jornada para tentar reverter a transformação e encontrar o responsável pelos eventos.

Bom, nesse primeiro episódio, o anime começou com o pé direito, eu diria, mas com algumas ressalvas. Há quem ame ou odeie o estilo de animação da Ufotable, mas não dá pra negar que funciona quando o assunto é fazer cenas de ação.
O uso de CG em algumas cenas me incomodaram, pois nenhuma delas precisava ter computação gráfica, eram cenas simples como o Tanjiro se virando ou andando. Sem falar no pombo, que ficou feio, mas aí sou eu fazendo nitpicking.

Sobre Tanjiro e Nezuko, nossos protagonistas, é muito cedo pra falar, foi só o primeiro capítulo. Mas o que deu pra perceber é que Tanjiro encarna o espírito do protagonista de shounen sem nem titubear.

Em termos de direção e composição de série, o anime é simplesmente copia e cola do mangá. É tudo igual, os caras não inovaram em nada, é basicamente o mangá em movimento.

Há bastante diálogos internos que não se encaixaram, são basicamente monólogos no meio das cenas e que quebram o ritmo. Falando em ritmo, o de Kimetsu no Yaiba é muito acelerado e não sabe a hora de parar e terminar o episódio, pareceu 2 episódios em 1.

No geral, promete ser um ótimo anime de lutinha pra acompanhar, e estou torcendo para que a animação dos poderes da abertura, sejam a mesma do anime em si. Aliás, baita abertura.

Foram confirmados 26 episódios para o anime, mas não foi dito se será 2 cours ou split-cour. O anime está disponível na Crunchyroll.


Hitoribocchi no Marumaruseikatsu

Cara… o que falar dessa MARAVILHA?

Não sou muito chegado em animes totalmente moe sem muito foco em narrativa, o máximo que devo ter aguentado foi Yuru Camp, lançado em 2018, mas Hitori Bocchi me pegou em cheio.

A história segue Bocchi, uma menina tímida que tem que criar laços com toda sua turma do Ensino Médio, por conta de uma promessa feita com sua única amiga de infância. É baseado em um 4-koma e produzido pelo estúdio C2C.

Eu obviamente me identifiquei com a Bocchi, mas ao contrário dela, as pessoas que vinham até mim (por bem ou por mal), então não adiantou nada no meu caso. As situações em que a Bocchi acaba parando, para conseguir ser amiga da Nako são hilárias e, de certa forma, idiotas, mas acabam funcionando por conta da direção. O timing cômico é excelente, e consegue dividir bem atenção com os momentos dramáticos.

Em questão de animação, o anime é bom naquilo que se propõe, não precisa de muito para funcionar.

Os problemas de relacionamento no Japão (e no resto do mundo) são bem conhecidos por suas extremidades, você pode ir do céu ao inferno. Não irei comentar muito, pois vem de uma visão ocidental, e o anime nem toca TANTO nesse assunto, pelo menos no primeiro episódio.

A trilha sonora contém SAMBA, só isso é o suficiente.

Hitoribocchi no Marumaruseikatsu terá 12 episódios e também está disponível na Crunchyroll.


Iria ter um terceiro anime nesse post, Mayonaka no Occult Koumuin, mas é muito chato e acabei dormindo. Tem na Crunchyroll pra quem quiser ver.
É isto, em breve volto com mais animes!
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Gameplay Games

Review | Katana ZERO

A Devolver Digital há muito tempo vem publicando jogos indies de uma incrível qualidade e com Katana ZERO não foi diferente.

O título desenvolvido pela askiisoft leva o jogador a um incrível mundo neo-noir pixelado na pele de um samurai chamado O Dragão, em uma excelente e surpreendente história, regado de importantes diálogos e uma jogabilidade ágil e sangrenta.

A interação com alguns personagens dos cenários fazem com que os acontecimentos mudem.

Já admito que fui pego de surpresa logo de cara quando vi que Katana ZERO, não só possuía um enredo profundo, mas também que continha escolhas que alteravam diálogos e acontecimentos do jogo. Uma resposta errada, pode acabar em morte.

A narrativa construída em Katana ZERO foi com certeza o que mais me agradou ao longo do jogo, eu queria saber o que estava rolando naquele universo, e não só sair retalhando inimigos por ai. Acompanhar as revelações do enredo junto ao Dragão foram bem interessantes. Pois, tanto eu, quanto ele, estávamos perdidos naquele mundo.

Os programas de TV não só contam sobre a missão que você acabou de fazer, como também possuem informações sobre o mundo, e propagandas excelentes.

O roteiro mistura traumas de guerra, abuso de drogas e sangue, bastante sangue, além de humor e REFERÊNCIAS NERDS, WOW. Sem brincadeiras, o roteiro sabe usar bem essas referências, em vez de só ficar jogando na cara sem menor preocupação.

As sessões de terapias são bem interessantes, e dá um ar mais sério para o jogo, além de ser o gatilho para o plot twist. Só queria que tivesse mais sessões ao longo do jogo, a dinâmica era muito boa. Os diálogos com uma certa personagem, são bem legais, e repito a mesma coisa que disse com o psicólogo, poderiam ter sido mais explorados.

“Sim, isso deve funcionar”

Agora sobre a jogabilidade, o maior destaque do jogo. Ela é tudo aquilo que prometeu: gameplay ágil, difícil e sanguinária. É o famoso morra e tente novamente.

Tanto o Dragão quanto os inimigos morrem com um golpe só. Quando o jogador morre, o tempo rebobina para o começo do level e pra então refazê-lo sem morrer. Prepare-se para dar rages.

Sobre as mecânicas. Podemos desacelerar o tempo para ambientes com bastante inimigos, o Dragão em si fica devagar, mas os golpes são mais rápidos. Também podemos refletir os tiros, e matando o inimigo mais próximo. O rolamento deixa o jogador invencível, de certa forma. Combinar isso com com a redução do tempo, trará mais segurança para terminar as fases.

Os chefes são difíceis, mas basta aprender os padrões deles para derrotá-los, mas tome cuidado, eles mudam entre uma morte e outra. O jogo exige bastante reflexo e coordenação motora do jogador.

Ao passarmos de cada cenário, o jogo mostra um “replay” de todo o caminho feito, com um filtro e funções de um VHS. Replay esse, que é atrelado a narrativa. Pois estamos vendo o futuro. Quando passamos de fase, na verdade, é só um dos caminhos de sucesso que o protagonista conseguiu enxergar.

Alguns dos levels design possuem bastante inspirações, outros, acabam sendo bem genéricos em alguns aspectos. Os inimigos são bem colocados (em termos de dificuldade) nos cenários, e então cada ação tem que ser minuciosamente calculada. Há vários tipos de inimigos, entre brutamontes, usuários de armas e espadachins, além de robôs.

A trilha-sonora é um dos grandes destaques de Katana ZERO. Remete aos clássicos retrôs com músicas compostas através de um sintetizador. Brilhante trabalho de LudoWic, o compositor do jogo. Cada fase possui uma música específica e ela que determina o tempo de cada cenário.

O game é curto. Dependendo da habilidade do jogador. Eu levei umas 7 horas para finalizar o jogo e ainda assim, sofri bastante na reta final. Alguém com uma coordenação motora melhor, deve encerrar o game em menos tempo. Não posso confirmar no momento se haverá alguma DLC ou continuação no futuro, é esperar para ver.

Aliás, o jogo está totalmente em português, e as adaptações ficaram excelentes.

Katana ZERO não é só um jogo bonito e estiloso. Ele tem uma história a ser contada, através de uma ótima narrativa.

Agradecimentos à Devolver Digital pelo envio do código para a review.

Selo Ouro – Recomendável

Katana ZERO chega hoje, 18 de abril, para Nintendo Switch e PC.

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Humanos, Androides e Philip K. Dick

ATENÇÃO: Este post contém spoilers do livro Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?

O que nós somos?  Como se define o ser humano? Ao longo de nossas vidas, ouvimos e iremos ouvir este tipo de pergunta com certa frequência. A curiosidade sobre nossas origens, funções e destino é inerente a nós. Há uma necessidade natural de buscarmos respostas sobre o porquê de nossas vidas. Ora, se estamos pensando, digitando e respirando neste momento, deve haver uma motivação para isso tudo. Nossas vidas precisam fazer sentido, pelo menos para nós próprios. Ou será que não? Será que apenas vivemos em um pedaço de tempo até o completo esquecimento, sem nenhum impacto no mundo? Os momentos da vida, sejam de alegria ou tristeza, se perderão como lágrimas na chuva?

Perguntas são o princípio da discussão e de diversas descobertas. A dúvida deve ser o único elemento possível que nos coloca em confronto diante do universo. Se não fossemos nós que duvidássemos da nossa própria capacidade de ir ao espaço, ou da curiosidade em relação a vidas fora do planeta, provavelmente nunca estaríamos progredindo em questões científicas e espaciais. Então, se a dúvida provoca a pergunta, é através dela que podemos dar passos para trás e analisarmos em uma perspectiva maior e complexa. Philip K. Dick introduz uma pergunta no título de sua obra: Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, nos convidando, logo de cara, a uma discussão profunda sobre humanidade, da ascensão até sua previsível queda.

Rick Deckard representa o pior do homem. Sua descrição física condiz com a de um homem derrotado pela vida. Tendo um único e simplório objetivo de comprar um animal que não seja elétrico – algo difícil e caro na história -, com pouco a acrescentar ao mundo, desestimulado dentro do trabalho e da própria vida pessoal. O caçador de androides é retratado do começo ao fim como um ser humano desprezível e problemático. O que incomoda dentro dessa caracterização, é a semelhança assustadora entre nós e ele. Mesmo que o personagem esteja inserido em um cenário mais pessimista e caótico do que o nosso – ou não – é fácil encontrarmos similaridades entre a realidade e a ficção. Identificar pessoas sem propósito e desejo em 2019 não parece ser tão difícil. Ao passo em que a tecnologia avança, a sociabilidade e o senso de comunidade desaparecem, degradando a saúde mental e psicológica daqueles que se isolam socialmente.

Dito isso, Deckard não é só o pior do homem, mas a síntese de todas as ideias de Philip K. Dick. Enquanto o autor caracteriza-o minuciosamente, expõe críticas ao jeito único do caçador. Sua vontade de matar androides aliada com a autorização oficial para fazê-la, o coloca em uma posição máxima de autoridade na Terra radioativa, em que aqueles personagens tentam sobreviver. Mesmo que sua função seja uma das mais importantes: eliminar androides proibidos dentro do planeta, a profissão é menosprezada pela sociedade.

Sendo assim, a jornada começa com essa premissa. Rick Deckard é um homem com pouquíssimas convicções e vontades, exercendo uma das mais relevantes profissões da época. Deste ponto em diante, ocorre um longo processo de desenvolvimento de personagem, onde vemos o simples homem sem virtudes, encontrar respostas significativas acerca da segregação entre humanos e replicantes.

O livro Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? serve como uma fundamentação teórica para as duas adaptações cinematográficas, Blade Runner, o Caçador de Androides (1982) e Blade Runner 2049 (2019). O contexto ainda é o mesmo, o mundo está em um caos após uma guerra de proporções mundiais irradiar vários países. Aqueles que gozavam de dinheiro e um estilo de vida financeiro agradável e vasto, foram para as colônias espaciais, deixando para trás o lixo e a sujeira.

Pobres, problemáticos, deficientes, entre outros, ficaram aqui, se afogando dentro do mar de merda que o mundo se tornou. O que mais impressiona nas descrições de Philip K. Dick, que ganham sustentação com as composições estéticas/fotográficas criadas por Jordan Cronenweth, é o quão se aproxima esta distopia dos dias de hoje. Prédios empresariais e domicílios se confundem na paisagem. As pessoas perderam sua identidade e se aglomeraram em vários pontos das principais cidades onde se encontra uma “melhor” condição de vida, mais distante da radioatividade. Elas ficam escondidas e passam despercebidas, sofrem uma pressão implícita de néons e outdoors publicitários em todo canto. Os avanços tecnológicos são detalhes perto do ambiente claustrofóbico das cidades “futurísticas”. E, para ficar ainda mais caótico, androides fugitivos das colônias interagem entre humanos, a vida “artificial”, portanto, se confunde com a real.

Enquanto presenciamos uma descrição minuciosa e criativa de Philip, há outras diversas camadas dentro do ambiente do livro que são extremamente importantes para a construção ética de toda a narrativa. Antes disso, é bom deixar claro como funciona o trabalho do autor. Sua obsessão com estas imaginações obscuras não é por acaso. A verdade é que sua obsessão sempre foi com a própria realidade. Mas qual seria a melhor forma de abordar as problemáticas reais, senão a construção de um cenário inteiramente “imaginativo” e metafórico, para colocar o real em desconstrução. Por conta disso, as intenções do autor são claras, mas não tão óbvias quanto parecem. A necessidade de se importar com as coisas ao nosso redor sempre esteve presente. E Philip K. Dick sabia isso.

Destacando algumas das várias camadas do livro, há duas que talvez sejam as mais relevantes: religião e sistemas manipuladores. O começo do livro nos mostra Deckard e Iran (sua esposa, ideia descartada dentro dos filmes) discutindo sobre em qual número eles iriam deixar seu sintetizador de ânimo. A conversa acontece naturalmente, e percebemos que estes personagens estão, de certa forma, condenados a manipulação. Suas mentes são completamente vulneráveis às influências de um sistema que não fica explícito dentro do livro. Outro exemplo é o Buster Gente Fina, que se assemelha a um Silvio Santos misturado com um Serginho Malandro. Buster Gente Fina é o único programa que passa na televisão o dia inteiro. Portanto, toda a sociedade vive em um casulo, onde as produções culturais e emocionais são previamente determinadas, limitando os sentidos daqueles que as consomem.

Outra marca autoral de Philip K. Dick é o simbolismo religioso. De alguma forma, às vezes menos, outras vezes mais, alguns elementos que remetem a religiosidade estarão difundidos na história principal. Discutir uma das estruturas sociais mais influentes das nossas vidas é constante nos trabalhos do autor. E, talvez, Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? seja a obra mais pontual dele sobre o tema. Se estamos refletindo sobre a nossa própria existência, como não perceber o que a religião traz de sentido, seja ele positivo ou negativo. Todas essas ideias ficam centradas na figura de Mercer e o mercerismo. John Isidore, outro ignorado pela trama cinematográfica, é um dos personagens do livro mais conectados ao mercerismo. Não há uma explicação de fato sobre o que é Mercer. Alguns o entendem como um Deus, uma entidade mágica, mas todos os humanos já passaram pela experiência de se conectarem com ele pelo menos uma vez. Tal conexão também é bem confusa e pouco explicada dentro da obra, mas dá a entender que ocorre uma grande epifania psíquica e moral no encontro com Mercer e suas pedras.

Porém, o que mais importa dentro da história, pelo menos para o autor deste post, são os replicantes.

Se humanos já sofrem o suficiente, imagina aos seres em que a vida é, simplesmente e friamente, negada. Os androides, sem licença empresarial/política, estão proibidos na Terra, e os blade runners são os responsáveis para os aposentarem. Roy Baty, Irmgard Baty, Pris Stratton, Rachael Rosen, Luba Luft, Polokov e Garland, entre outros, representam os androides e a lista de recompensas de Rick Deckard. Todos estes personagens tem seus momentos gloriosos dentro da trama, as passagens que os envolvem colocam em julgamento a divisão existente entre o real e o artificial. Suas concepções pessoais sobre o que eles são e o que a vida significa nos coloca na posição de os acharmos mais humanos do que os próprios. Há um diálogo entre Luba Luft e Deckard, em que a replicante afirma: “A imitação é a melhor forma de vida.” Ou quando descobrimos que a real ocupação de Roy Baty nas colônias era de farmacêutico, e ele dava remédios alucinógenos para si e outros replicantes, que são impossibilitados de se conectarem com Mercer. Qual é justificativa para esse ato? Ele queria se aproximar de Deus.

É aqui que chegamos em um dos melhores momentos do livro. Significado e Deus se relacionam quando percebemos que é o que muitos de nós acreditamos. O amor que a humanidade sente por algum Deus, dependendo da religião, é só uma troca pela verdadeira necessidade humana: buscar seu significado. O replicante, portanto, é ser humano, porque a busca por Deus é a tentativa máxima de procurar justificativas para a existência. Sem crenças, ou sem descrenças, o que nós seríamos? E se os replicantes também buscam por respostas, por que nossas dúvidas valeriam mais que as deles?

Quando nos deparamos com tais perguntas, Philip K. Dick não se contenta só com isso, e destrói tudo o que as pessoas acreditavam. Mercer, na verdade, era um ator contratado para participar de uma produção cinematográfica, esta, que é a experiência conectiva do mercerismo. E, chegamos no desfecho mais arrebatador: a única prova que os humanos tinham de empatia se tornou lágrimas na chuva, parafraseando o final do filme – que não se assemelha em nada com o do livro. Mesmo que esta descoberta fique limitada só para os personagens principais.

Isidore, um “cabeça de galinha”, – termo criado para se designar aqueles que foram afetados pela radiação da Poeira, num sentido mental – que acreditava firmemente no mercerismo, vê sua crença se desmantelar. Sentia-se deslocado dentro da sociedade pelos seus problemas mentais, agora, parece ter sentido seu afastamento total. Quando ocorre o fato, entretanto, Isidore tenta compreender o que aconteceu, e discute com Mercer sobre o plano de fundo do local de conexão, que se assemelhava a uma paisagem natural, mas que era uma pintura. Mercer revela, enfim, que Isidore nunca percebeu porque sempre estava muito a frente, e nunca olhou por um ângulo mais distante.

O que prova, definitivamente, que os replicantes tinham um olhar mais apurado e profundo do que os seres humanos. Mercer é uma fraude, e a prova de empatia que dava significado a tantas insignificantes vidas foi desmantelada por androides marginalizados. O teste Voigt-Kampff, que diferencia humanos e replicantes através de respostas empáticas, parece não fazer mais sentido. Assemelha-se com a vida de Rick Deckard, que conseguiu, no fim, aposentar todos os androides restantes, mesmo que sua concepção de vida tenha se alterado. Enquanto Phil Resch, um dos outros caçadores, afirma que os blade runners são a divisão moral entre o real e o artificial, Deckard se depara com a conexão entre os dois contextos. Este homem, o pior dos homens, entende o real significado de empatia. Sua dúvida se Luba Luft era uma replicante, o relacionamento sexual com Rachael e, sua posterior demissão, resultam na sua evolução ética e igualitária.

Philip K. Dick constrói um futuro distópico que busca nos fazer refletir sobre o real cenário das coisas. Usando Rick Deckard como a representação perfeita e única da humanidade, Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? é uma obra excepcional e genialmente trabalhada por um dos maiores autores da ficção científica. Em uma jornada simples de um caçador atrás de suas meras recompensas, nos deparamos com novas perspectivas sobre o como vivemos e o que fazemos enquanto estamos aqui. Não há uma definição exata do porquê, e quando se acaba a leitura, muito provavelmente não ocorrerá uma epifania sobre o sentido da vida. A obra não é sobre buscar respostas, mas de se contentar na ausência delas.

E pensar que tudo isso foi por causa de uma ovelha elétrica…

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Nem tudo é o que parece em Se Eu Fechar Os Olhos Agora, nova minissérie da Rede Globo

Com o término de mais uma edição do BBB, a emissora procura manter a atenção de seus telespectadores de forma que a audiência continue sólida e por conta disso, sua grade enche de novas produções como minisséries ou maxisséries. Uma delas é Se Eu Fechar Os Olhos Agora, adaptação televisiva do livro de mesmo nome do jornalista e escritor Edney Silvestre. Com a apresentação exibida na segunda (15), pode-se dizer que a Globo acertou mais uma vez.

Com o elenco formado por rostos já carimbados nas habituais novelas como Antônio Fagundes, Murilo Benício, Mariana Ximenes e Débora Falabella, a pacata cidade de São Miguel (localizado no interior do Rio de Janeiro) muda drasticamente quando a jovem Anita é encontrada morta dois anos após ter sido feita cativa por um homem. Nesta descoberta, os jovens Paulo Roberto (João Gabriel D’Aleluia) e Eduardo Massarani (Xande Valois) resolvem relatar a polícia o ocorrido. Os atores mirins são bons e possuem boa química em cena, permitindo que o público se importe com os dois de forma instantânea.

Apesar da temática Quem Matou? ter se tornado batida atualmente, a minissérie impõe mais mistério ao redor do assassinato pelo motivo dos personagens estarem envolvidos de forma direta ou indireta. Os diálogos sempre tentam entregar algo relevante para o telespectador, mas logo voltamos para o escuro e ficamos sem entender o que acontece de fato na cidade. São desde segredos, traições e até queima de arquivo que permeiam o local de forma energética.

Lembrem-se: As aparências enganam. Esse estilo de brincar com a mente de quem assiste acaba se tornando um belo atrativo, pois o tabuleiro é praticamente um campo minado e não sabemos as verdadeiras intenções de seus jogadores até que os próprios resolvam revelar as suas jogadas.

Com uma estreia ótima, tudo indica que esse clima de mistério e conspiração continuará rondando ao longo da temporada ao mesmo tempo que mais peças desse jogo vão surgindo para completar esse complexo quebra-cabeça.  E quem sou eu para reclamar? Pode mandar mais, Globo! 

Se Eu Fechar Os Olhos Agora é dirigida por Carlos Manga Jr. e roteirizada por Ricardo Linhares. A minissérie terá 10 episódios com exibição diária após a novela O Sétima Guardião.