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Turma da Mônica: Laços é uma adaptação de quadrinhos perfeita

Como não amar a Turma da Mônica? Os personagens de Maurício de Sousa definitivamente habitam o imaginário brasileiro. Afinal, quem nunca leu, ou deu ao menos uma folheada em um gibi da Turminha? Todos sabem que o Cascão tem medo de água, a Magali come muito e a Mônica bate no Cebolinha com um coelho de pelúcia quando um novo plano infalível falha. Portanto, já estava na hora de testemunhar esses personagens nas telonas. Felizmente, “Turma da Mônica: Laços” realiza esse desejo da melhor forma possível.

Baseado na graphic novel de Vitor e Lu Caffagi, a trama é basicamente a mesma da HQ. Floquinho, o cão de Cebolinha é sequestrado e a Turminha precisa se unir para encontrá-lo. Tão simples quanto o material-base, o roteiro de Thiago Dottori faz mudanças sutis, aproveitando as características mais marcantes de cada personagem. Não obstante, também introduz alguns personagens bem conhecidos. Como por exemplo, o Louco, interpretado brilhantemente por Rodrigo Santoro, auxiliado pela direção.

Responsável pelo excelente Bingo, o cineasta Daniel Rezende executa um trabalho fenomenal. Através de planos lindos e íntimos, realçando um senso de pureza no espectador, Rezende faz o impossível recriando o humor físico das histórias, sem soar bobo, antiquado ou datado. É raro existir um balanceamento entre o cartunesco e o real, como o trabalho feito por ele aqui. Nesse sentido, Laços é perfeito.

Assim como o trabalho da direção, a escolha do elenco é acertadíssima. Não apenas Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo e Gabriel Moreira se assemelham a Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão. Como também transmitem perfeitamente os trejeitos de cada um. Mesmo com a constante reafirmação dos fatos sobre o quarteto, o filme não perde o seu fôlego ou o seu charme, graças a sua excelente composição de atuações.

Outro fator o qual contribui bastante para a atmosfera do longa, é a trilha sonora composta por Fábio Goés. Evocando o tema do desenho animado minuciosamente, Goés consegue comover a quem assiste e se aliar perfeitamente aos outros fatores da produção. Também é necessário falar sobre os efeitos sonoros, essenciais para os momentos mais humorísticos.

Não seria exagero dizer que “Turma da Mônica: Laços” não é apenas um marco para o cinema nacional, mas para adaptações em quadrinhos também. Simples, inocente e divertido, o filme consegue transpor perfeitamente todos os elementos das páginas para as telonas. Talvez venha a se tornar a franquia cinematográfica nacional a qual o público tanto precisava. Espero que sim.

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Gameplay

Review | Samurai Shodown

Lançado originalmente em 1993, Samurai Shodown é um jogo de luta desenvolvido pela SNK para os consoles Neo Geo. O título foi um sucesso entre os jogadores por ter uma jogabilidade diferenciada dos jogos de luta da época e acabou recebendo continuações até 2008, entretanto estas não agradaram os fãs. Diante disso, foi anunciado que o primeiro jogo da franquia iria receber um remake esse ano para Xbox One, Playstation 4 e Nintendo Switch e PC (em breve).

Samurai Shodown para Neo Geo.

Contar uma história não é bem o foco de Samurai Shodown e por conta disso o seu modo história é raso e esquecível. Nesse modo, cada personagem tem a sua história para seguir e seu caminho leva para o boss final. Com uma série de lutas e cutscenes entre elas, o modo história leva em média de 30 a 40 minutos para ser concluido. Como foi dito acima, trazer uma trama aos jogadores não é o objetivo do jogo, portanto a falta de uma boa história não chega a ser um problema relevante – apenas para os jogadores que só gostam de jogar o modo single-player.

Além do modo história temos também os modos sobrevivente e multiplayer, ambos clássicos em jogos de luta. O multiplayer acaba sendo o foco primário de Samurai Shodown e nele lutamos contra jogadores do mundo todo e contra as suas sombras, que imitam o seu estilo de jogo. Uma curiosidade é que o jogo estará presente na Evolution Championship Series (EVO) desse ano, o que é bem interessante pois significa a entrada da franquia no mundo dos Esports. Essa entrada é merecida, o título tem um enorme potencial para futuras competições.

A jogabilidade permanece semelhante a do jogo original, com modificação somente nos gráficos – sendo assim, é um jogo de luta 2D com gráficos 3D. Os combates de Samurai Shodown são bastante estratégicos, onde cada personagem tem seu estilo de luta, apresentando também suas qualidades e suas fraquezas. Isso torna cada lutador único. E falando nos lutadores, o elenco é composto pelos mesmo lutadores do clássico e por novas adições. Dentre os novos personagens estão: Darli Dagger, Yashamaru Kurama e Wu-Ruixiang. Além disso, quatro novos lutadores chegarão ao jogo por meio de DLCs. Inclusive, quem adquirir o jogo até o dia 30 de Junho, vai ganhar o passe de temporada gratuitamente – então corra pra comprar, pois vale a pena!

Os controles do jogo são semelhantes a qualquer jogo de luta com quatro botões para os golpes básicos, outros de bloqueio e a possibilidade de realizar combos. De início é complicado dominar os controles por ser um jogo de luta diferente dos demais, entretanto, após o tutorial e um pouco do modo dojo os controles se tornam fáceis.

Durante a jogatina no Xbox One, Samurai Shodown não apresentou nenhum problema de desempenho. Alguns bugs foram encontrados, mas não foi nada tão grave ao ponto de comprometer a diversão ou a gameplay. Provavelmente eles serão corrigidos em breve, após o lançamento oficial do jogo.

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Samurai Shodown é um remake satisfatório para os fãs do jogo original e é um excelente jogo de luta para os fãs do gênero. Entretanto por ser um jogo de luta mais calmo e estratégico do que outros títulos, como por exemplo Mortal Kombat, sua jogabilidade pode ser estranha no início para os novos jogadores. Mesmo assim, vale a pena conhecer e aproveitar o máximo de sua jogatina.

SAMURAI SHODOWN é um jogo de luta com armas brancas adorado no mundo todo desde a estreia do primeiro título em 1993. Já se passaram 11 anos desde o último jogo da série, e enfim chegou a hora de SAMURAI SHODOWN voltar de vez com um jogo moderno, visual caprichado e jogabilidade de tirar o fôlego! Reproduzindo fielmente as mecânicas e a atmosfera que levaram a série ao estrelato, SAMURAI SHODOWN chega com um recurso revolucionário que aprende as ações e os padrões de cada jogador para criar “sombras”: personagens que depois serão controlados pela CPU. A história desta vez se passa um ano antes do primeiro jogo, com guerreiros e combatentes das mais diversas origens perseguindo seus objetivos, prontos para batalhar e encontrar o próprio destino!

Samurai Shodown foi lançado hoje (28/06) para Xbox One e Playstation 4, com legendas em português.

Agradecimentos à SNK pelo envio do código para análise. Me diverti bastante jogando e pretendo continuar me divertindo com o jogo, por um bom tempo.

Nota: 4/5

 

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Detective Comics Quadrinhos

Skybourne: um quadrinho de ação e humor que mistura Rei Arthur com H. P. Lovecraft

Minissérie em cinco partes escrita e ilustrada pelo famoso Frank Cho – uma das figuras mais polêmicas da indústria moderna dos quadrinhos – Skybourne foi lançada em 2016 pela editora norte-americana BOOM! Studios e chegou ao Brasil recentemente através de uma bela edição encadernada da Mythos Editora.

E apesar de o nome não deixar nada muito claro sobre o teor desta série, a história de Skybourne reúne um vasto número de ideias que são apresentadas com muito humor negro e ação desenfreada, onde Cho e seu colorista Márcio Menyz criam um mundo bem ousado que trará elementos principais de Rei Arthur, que movem a história central, e até mesmo de H. P. Lovecraft.

Propositalmente raso, este quadrinho possui uma trama simples e direta: os três filhos de Lázaro são Abraham, Thomas e Grace Skybourne, e todos são dotados de habilidades incríveis como superforça e imortalidade. A Fundação Topo da Montanha foi criada para proteger a Terra de ameaças sobrenaturais, e há muito tempo a principal ameaça enfrentada foi um mago louco que visava acabar com a humanidade: o mago Merlin.

Todos os clichês de filmes de ação e espionagem são os pontos focais de Skybourne. Ação interminável, caracterização de elenco que se desenvolve com poucas imprevisibilidades e muitas cenas divertidas, dramas manjados, entre outros. Entretanto, essas características podem parecer empecilhos para a qualidade da história, mas encarando-a como se deve e da forma como o autor se propôs a apresentá-la, esta se transforma em uma surpresa agradabilíssima e descompromissada.

Frank Cho é dono de um traço extremamente limpo (e bonito) e como roteirista não perde tempo com muitos detalhes, mergulhando o leitor em uma narrativa cinematográfica após poucas páginas de leitura. A trama principal se desenrola com investigações e treinamentos com eventuais descobertas acerca do passado de alguns protagonistas, e rapidamente torna-se perceptível que além dos super-humanos, esta é também uma incrível história de monstros mitológicos.

Skybourne se inicia como uma aventura de ação com superseres, e termina trazendo seres míticos gigantescos (dragões, minotauros, centauros, ciclopes), com uma subtrama ainda mais apoteótica que pode liberar entidades cósmicas de suas prisões secretas, trazendo caos ao mundo. As lendas arturianas, vivas no mundo moderno, misturam-se aos avanços da tecnologia. E as cinco edições são de tamanha fluidez que a leitura passa literalmente voando.

E apesar da imprevisibilidade quase nula no desenrolar da história, o humor negro e bastante ácido é um dos pontos de destaque, tanto quanto as batalhas. Cho é muito exitoso em desenvolver contextos para quebrar a expectativa do leitor em seguida, entregando viradas de página que te pegam de surpresa e provocam risos ou choque sincero.

Thomas e Grace Skybourne são os heróis da aventura, com destaque especial para o primeiro. A enigmática Fundação Topo da Montanha também é desenvolvida com pinceladas de protagonismo por parte de alguns membros-chave da mesma, e o autor possui em suas mãos um universo que renderia mais histórias no mesmo teor desta primeira, com foco na ação e no deslumbrante visual.

Esta é a criação de um Frank Cho mais contido em alguns aspectos, porém extremamente livre e confortável em outros. Em momento algum esta aventura tenta reinventar a forma como os quadrinhos são encarados pelo público, e a sinceridade em se apresentar quase como um storyboard para um épico de ação dos cinemas é o maior mérito da produção.

As cores de Menyz são compatíveis com os traços claros do autor, e revezam muito bem as tonalidades entre os flashbacks, o presente e as monstruosidades. Os diálogos são competentes e batem com a premissa, e a forma como Excalibur e as lendas arturianas foram representadas ao longo dos anos nunca foi tão diferente e criativa quanto aqui.

Skybourne chegou ao Brasil em uma edição de 164 páginas encadernadas em capa dura com verniz aplicado e formato americano (26 x 17 cm), reunindo toda a série original, e o preço sugerido é R$ 72,90. Clique aqui para adquirir o encadernado com 35% de desconto.

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Cinema Tela Quente

Homem-Aranha: Longe de Casa | Simples e arrebatador

Anunciado como o primeiro filme da fase 4 da Marvel Studios e posteriormente vendido como a obra que encerrará a Saga do Infinito, Homem-Aranha: Longe de Casa é uma produção audiovisual realizada pela Sony Pictures, que porta todos os clichês positivos de uma típica HQ do amigão da vizinhança; que vão desde chacotas contra seus inimigos durante as batalhas, até constantes aprendizados a respeito de ”o que é ser uma pessoa melhor”.

Longe de Casa não se esconde atrás de uma moita, pelo contrário; durante suas 2h15m, o longa-metragem conta com uma trama única que não se apoia inteiramente nos acontecimentos de Vingadores: Ultimato, uma vez que as consequências da quarta jornada dos maiores heróis do planeta Terra são mencionadas de formas meticulosas e indiscretas. Entretanto, a morte de Tony Stark não afetou apenas o sentimental de Peter Parker, mas sim, o mundo todo; sendo essa a única ligação entre as películas.

Essa nova aventura do Homem-Aranha assim como De Volta ao Lar, moderniza mais ainda a vida do herói, assim como os seus familiares, amigos, professores e etc. Afinal, por que o amigão da vizinhança tem sempre que ser o mesmo e não pode mudar, visto que a sociedade passa cada vez mais por modificações? Confesso que é muito gratificante ver um Peter Parker que se assemelhe com os jovens atuais e que tem os típicos problemas do teioso não perdendo a sua clássica essência.

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Peter Parker (Tom Holland) está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Convocado para mais uma missão heróica, ele precisa enfrentar vários vilões que surgem em cidades-símbolo do continente, como Londres, Paris e Veneza, e também a aparição do enigmático Mysterio (Jake Gyllenhaal).

Sintetizando brevemente, Homem-Aranha: Longe de Casa se assemelha com Shazam!, o filme mais recente da Warner Bros. Pictures sob o selo da DC Entertainment. Ambos são de comédia, tem uma lição de moral por trás de suas espetaculares e simples histórias, são divertidos, se sustentam sozinho e o principal: transmitem para os telespectadores os reais motivos de ser um super-herói.

No entanto, Longe de Casa é menos infantilizado que a obra cinematográfica da concorrente DC. Isso fica claro ao decorrer que Peter trabalha em sua maturidade, tendo que aceitar aos poucos o fato de que a vida adulta está chegando e que a sua identidade heroica é conhecida mundialmente. 

Mais uma vez, Tom Holland não decepciona no papel do cabeça de teia, provando para o público que consome os longas da Marvel Studios, que tem capacidade de carregar o MCU nas costas ao lado de outros heróis pelos próximos anos. Sua atuação inocente e deveras esforçada prova que o ator nasceu para o papel e que é um dos melhores Peter Parker que a sétima arte já teve a honra de presenciar. Holland é um astro que vai brilhar muito mais nas telonas, seja no papel do Aranha ou em outros trabalhos. 

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Mystério, ou melhor, Quentin Beck um personagem é exageradamente mimado e estrategista, fatores que acabam lhe transformando em um dos melhores vilões dos cinemas, uma vez que a fidelidade construída ao redor do personagem é extrema. Quentin está assustadoramente igual à sua contraparte cartunesca criada em Junho de 1964. 

Desde a criação do MCU, a maioria dos fãs da empresa imploravam à Kevin Feige incluir Jake Gyllenhaal neste vasto universo cinematográfico. Bem, a demora valeu pena, pois Mystério casou-se perfeitamente com Gyllenhaal em tudo, desde a sua aparência até os seus trejeitos. Jake dá um show de atuação, entregando uma performance memorável e quem sem sombras de dúvidas, não será esquecido.

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Infelizmente, em alguns momentos (poucos) o longa se perde em sua própria narrativa, ou seja, há uma quantidade de informações desnecessárias que poderiam ser explicadas em uma ou duas cenas, na qual é estendida de uma forma não tão minuciosa durante a trama. Por sorte, o elemento é esquecível ao decorrer que a história avança.

Já os personagens secundários estão mil vezes melhores em relação ao filme anterior, visto que são trabalhados de uma forma muito mais detalhada. Menção honrosa para MJ (Zendaya), que diferente do que os ”fãs” pensavam ser um mero interesse amoroso de Peter Parker sem sal, aqui Jon Watts (diretor) fez com que Michelle se transformasse em uma personagem aclamada.

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Homem-Aranha: Longe de Casa merece ser assistido mais de uma vez. A Marvel Studios e Sony Pictures fizeram um extraordinário filme para toda a família, mais especificamente, para o público adolescente e pré-adolescente.

Agradecimentos para a Sony Pictures Brasil, que nos convidou para a cabine de imprensa.

Espero que tenham gostado, até a próxima e lembrem-se, com grandes poderes vem grandes responsabilidades. 

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Detective Comics Quadrinhos

Resenha | Big Baby

Tony não costuma brincar na rua, tem um único amigo e uma aparência que faria qualquer garota tomar distância considerável dele. A maior diversão encontrada por ele é se fechar em seu mundo alimentado por seus brinquedos, quadrinhos e filmes de terror que precisa assistir escondido de seus pais. Criado em sua própria bolha, começa a ter dificuldades quando esta estoura e passa a respingar na vida real que, para ele, apresenta sempre fortes referências à sua bagagem cultural.

Assim, temos quase 100 páginas de quadrinhos que revivem casos clássicos que fazem parte do cotidiano norte-americano. Mas aqui, no lugar da falsidade dos vizinhos e urina dos convidados para o churrasco de fim de semana, a piscina guarda um segredo que só se vê no cinema trash, a babá irresponsável pode se arrepender de não seguir à risca sua chance de dinheiro fácil e os pais de Ricky Bellows teriam uma formidável companheira para o chá da tarde caso Pamela Voorhees quisesse compartilhar as peripécias de seu querido filho Jason.

Charles Burns desde cedo já despontava como um mestre do chiaroscuro. Sua arte ao mesmo momento que resgata o clássico, se torna atemporal. Burns já estava pronto em seu traço, mas não em seu roteiro. As histórias de Big Baby são medianas comparadas ao que se veria em Sem Volta ou Black Hole, este último claramente o resultado final da ideia que começou no tomo Peste Juvenil de Big Baby onde, assim como em Black Hole, uma doença é transmitida entre adolescentes através do sexo.

Tony é a bizarra encarnação das aventuras de seu autor quando jovem. Seus medos, a descoberta dos quadrinhos, os prazeres e perigos da leitura de material impróprio para sua idade, a curiosidade de descobrir por que era diferente dos seres mais velhos… Tudo está ali e nos brinda com o que muitos já passaram nessa idade. Inclusive quem agora redige esse texto. Apesar de tudo, a passagem de Tony pelo papel foi curta: Seu pai o criou para apenas 4 histórias entre 1983 e 1991. Se considerar a primeira somente introdução, podemos dizer que foi apenas trilogia. Big Baby teve uma morte prematura.

Poucos vão lembrar, mas essa não é a primeira vez que Big Baby aparece no Brasil: sua primeira história de apenas duas páginas foi publicada na revista Animal nº1 da editora VHD Diffusion em 1988. Agora, a Darkside nos traz em edição única todas as aventuras do garoto com feições que misturam um lagarto e o clássico Pinduca compilada em livro de capa dura com comentários do autor e extras.

IMAGEM: guiadosquadrinhos.com

Big Baby satisfaz a quem sente saudades de quando tinha entre 7 e 14 anos. Período perigosamente saudosista que insiste em não sair de nossas memórias e atitudes. Somos moldados justamente nesse período e, se tivermos as mesmas desventuras que Tony, as cicatrizes podem ser eternas.

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Quadrinhos Tela Quente

Os 15 documentários sobre quadrinhos que você PRECISA assistir

Além das já costumeiras adaptações cinematográficas baseadas em quadrinhos que chegam quase todos os meses aos cinemas e serviços de streaming, diversos produtores também apostaram em outros conteúdos sobre nossas tão amadas HQs, com especial destaque para os documentários.

Uma forma de expressão artística já tão antiga, que é o caso das histórias em quadrinhos, não poderia deixar de oferecer muito assunto a ser discutido. Grandes autores, grandes obras e editoras tiveram produções sobre suas trajetórias feitas de diferentes formas, e os documentários proporcionam espaço para discussão, entrevistas e abordagens centralizadas em aspectos únicos dos gibis.

Resolvemos elencar abaixo os 15 documentários mais interessantes sobre quadrinhos que você, como fã, precisa assistir! Vale ressaltar que muitos destes documentários não possuem versão brasileira. Entretanto, grande parte está disponível nos serviços de streaming e até mesmo no YouTube.

Batman & Bill (2017)

Uma emocionante narração sobre um fato triste e bem específico da história do Batman, Batman & Bill foi produzido pelo Hulu e estreou em 2017. O documentário mostra o aspecto criativo do personagem, abordando como Bob Kane ficou associado como único criador do herói enquanto o co-criador tão importante quanto Kane, Bill Finger, nunca foi creditado pelo seu trabalho apesar de ter criado boa parte da mitologia do Homem-Morcego.

O documentário traz diversas entrevistas com autores dos quadrinhos norte-americanos como Kevin Smith, Todd McFarlane, Roy Thomas, Carmine Infantino e muitos outros, mas é especialmente focado em Marc Tyler Nobleman, o homem responsável por desvendar todos os detalhes da vida de Bill Finger e iniciar uma verdadeira – e sincera – mudança na forma como o mundo encara a criação da mitologia de Gotham, de sua criação em 1939 até 2015.


Stan Lee’s Mutants, Monsters & Marvels (2002)

Documentário produzido em 2002 pela Creative Light Entertainment, Stan Lee’s Mutants, Monsters & Marvels é basicamente uma entrevista feita pelo diretor e roteirista Kevin Smith com o “pai de todos” da Marvel, Stan Lee. Os dois conversam sobre a vida pessoal de Lee, seu casamento, sobre o primeiro filme do Homem-Aranha de Tobey Maguire e também sobre os quadrinhos do personagem, e muitos outros que o autor veio a criar ao longo de sua prolífica carreira.

O sucesso deste documentário o fez ser incluído nos extras da coleção especial em quatro discos do filme Homem-Aranha, e as filmagens foram feitas em uma comic shop da California, resultando em um bate-papo de quase duas horas de duração.


Tintin et moi (2003)

Tintim, criação máxima do gênio dos quadrinhos Hergé, influenciou gerações através das décadas passando pelas HQs e animações. Tintin et moi (Tintim e Eu, traduzido do francês) é um documentário dinamarquês que, através de longas entrevistas concedidas por Hergé nos anos 70, reportagens e depoimentos de fãs e profissionais da área, oferece um panorama geral sobre a obra máxima do autor, suas influências e marcos.

O documentário também dá pinceladas sobre a vida pessoal e rotina de trabalho do autor, e complementa muito bem uma outra produção de 1976 intitulada Moi, Tintin (Eu, Tintim), filme franco-belga que mistura as entrevistas dadas por Hergé com eventos históricos reais e discute o impacto do personagem no mundo.


The Mindscape of Alan Moore (2003)

A Paisagem Mental de Alan Moore narra a vida e obra de um dos maiores autores que já contaram suas histórias através da nona arte. Produzido pela Shadowsnake como parte de um projeto maior, este é o único produto cinematográfico que o autor apoiou e colaborou com permissão para utilizar seus trabalhos na montagem do mesmo, incluindo V de Vingança, Do Inferno, Monstro do Pântano, Watchmen e outros livros.

O documentário destrincha a vida pessoal de Moore e seu início de carreira como escritor, indo até os dias mais recentes (da época em que o doc. foi produzido), e também dedica uma boa parte de sua 1h20min de duração para desvendar os mistérios por trás de seu interesse por magia. O trabalho mais recente de Moore na época em que este documentário foi produzido iria ser lançado alguns anos depois: Lost Girls.


Secret Origin: The Story of DC Comics (2010)

Com depoimentos de grandes nomes que já trabalharam para a DC Comics (e alguns rivais), Origem Secreta é o documentário definitivo sobre a história da DC, indo dos anos 30 à Era Moderna dos quadrinhos, pincelando aos poucos todas as décadas e obras mais importantes da editora ao longo de sua icônica trajetória de 75 anos, na época em que este foi lançado.

Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde e tantos outros são descritos pelas sábias palavras de autores de quadrinhos como Mark Waid, Neil Gaiman, Geoff Johns, Grant Morrison, Frank Miller, Len Wein, Jim Lee e até mesmo Bob Kane, Alan Moore, Jerry Siegel e muitos, muitos outros. Grandes diretores de cinema, como Christopher Nolan, Zack Snyder e Bryan Singer, e atores e atrizes como Natalie Portman, Christopher Reeve e Lynda Carter também aparecem. Os depoimentos são divididos em dois tipos: entrevistas atuais e outras feitas no passado.


The Image Revolution (2014)

Narrando a revolução que a Image Comics proporcionou à indústria nos anos 90 com a saída dos principais desenhistas da Marvel Comics objetivando a criação de uma nova editora e garantindo os direitos de criação dos personagens aos autores originais, este documentário aborda de forma bem direta e específica um momento-chave dos quadrinhos norte-americanos.

Todd McFarlane, Jim Lee, Rob Liefeld, Jim Valentino, Marc Silvestri, Erik Larsen e Whilce Portacio criaram na década de 90 o que veio a se tornar a terceira maior editora do mercado americano nos dias de hoje, e todos estes autores vão, com depoimentos de outros grandes nomes, descrevendo o processo de criação, as vantagens e problemas enfrentados que levaram a Image Comics a se tornar o que ela é hoje.


Future Shock! The Story of 2000 AD (2014)

A revista britânica 2000 AD foi a responsável por revelar para o mundo grandes nomes como Alan Moore, Grant Morrison, Garth Ennis, Neil Gaiman, Brian Bolland e outros, que posteriormente foram trabalhar na DC Comics e motivaram a criação do selo Vertigo, e apelidados de membros da “Invasão Britânica”, que teve mais de uma parte.

Future Shock! é um documentário com diversos depoimentos de profissionais dos quadrinhos britânicos e norte-americanos, falando sobre a criação da revista na década de 70, suas influências e ideias, e pincelando detalhes sobre seus personagens de destaque, como o Juiz Dredd, Sláine e Strontium Dog. Também é certeiro em esclarecer a importância gigantesca da revista para o mundo da nona arte, e autores como Pat Mills, John Wagner, Carlos Ezquerra e alguns outros foram os principais responsáveis por isso.


Crumb (1994)

O nome mais conhecido do quadrinho underground norte-americano também teve um documentário sobre sua vida produzido na década de 90, com direção de Terry Zwigoff. Robert Crumb possui uma vida conturbada, diversos problemas de entrosamento social e ao longo de sua carreira expôs todo tipo de polêmica em suas obras, consideradas hoje precursoras do movimento alternativo americano.

Crumb leva o espectador ao convívio do autor com sua família repleta de figuras estranhas, às suas relações com as mulheres e, claro, aborda de forma bem clara toda sua carreira fenomenal e o impacto de suas obras no movimento questionador e ousado que ele viria a criar. Um peça única dos documentários sobre quadrinhos.


Moebius Redux (2007)

O genial artista francês Jean Giraud, apelidado por si mesmo como Moebius, é um dos mais famosos e influentes autores de quadrinhos de todos os tempos. Moebius Redux dá um panorama sobre sua vida pessoal e especialmente sobre sua carreira como autor, co-criador da influente revista Métal Hurlant e grande mente por trás do experimentalismo da nona arte.

O documentário é composto por depoimentos do próprio autor (que faleceu em 2012) e outros grandes nomes do quadrinho europeu e mundial, que discutem sua influência e desapego a certos padrões que são praxe em muitas obras. Moebius é especialmente conhecido no Brasil por Incal, O Mundo de Edena e Arzach, mas esta produção não se limita somente às suas obras mais famosas.


Osamu Tezuka: The Secret of Creation (1985)

O “pai do mangá” e autor mais reverenciado dos quadrinhos e das animações japonesas também possui um documentário, produzido na década de 80 (apenas quatro anos antes de sua morte) pelo canal japonês NHK. Osamu Tezuka: The Secret of Creation acompanha a rotina de trabalho de Tezuka em um período bem atarefado de sua vida.

Produzindo três séries de mangá ao mesmo tempo neste período, participando de grandes convenções no Japão e na França e passando uma média de apenas de 60 dias/ano em sua casa com a esposa, Tezuka sempre foi um gigante produtor de quadrinhos e animações, e o documentário expõe ao público detalhes como seu local de trabalho, sua relação com os assistentes e seu incrível desempenho e dedicação, além de proporcionar um leve vislumbre de sua infância e inspirações.


Grant Morrison: Talking With Gods (2010)

Grant Morrison é, facilmente, um dos grandes nomes dos quadrinhos mundiais. Roteirista de obras-primas como Grandes Astros Superman, Asilo Arkham e Homem-Animal, sua influência na indústria é enorme e diversos personagens foram profundamente marcados por sua passagem em seus títulos.

Talking With Gods destrincha, de forma similar ao seu livro e autobiografia Superdeuses, toda sua vida, da infância aos anos mais recentes. Seu início de carreira como escritor, suas principais inspirações e viagens mágicas são contadas pelo próprio e por um seleto grupo de convidados que admiram seu trabalho, como seus colaboradores Frank Quitely, Richard Case e J. G. Jones, e parceiros de profissão como Neil Gaiman, Warren Ellis, Karen Berger e outros.


Laerte-se (2017)

Uma das autoras mais famosas do quadrinho nacional, Laerte Coutinho possui uma carreira longeva como cartunista e chargista, produzindo diversas obras-primas e críticas espetaculares, e é considerada uma das artistas mais importantes da área no Brasil, criando personagens como os Piratas do Tietê e Overman.

Laerte-se é muito mais um documentário sobre sua vida pessoal, ao invés de sua carreira como autora. Laerte se identificou por quase 60 anos como um homem, e revelou em meados de 2010 sua identidade de mulher transexual após identificar-se assim. O documentário aborda as mudanças ao longo de sua vida, seu cotidiano e sua transformação artística através dos depoimentos e entrevistas da autora para as diretoras Eliane Brum e Lygia Barbosa.


Warren Ellis: Captured Ghosts (2011)

Outro nome extremamente conhecido dos quadrinhos mundiais é o do revolucionário Warren Ellis. Autor de obras importantíssimas como Transmetropolitan, Stormwatch, Authority e Planetary, Ellis é uma figura muito presente na internet desde os anos 90 e tornou-se sinônimo de histórias que abordam o uso da tecnologia e as formas como o mundo pode se tornar um lugar mais ácido na presença de super-humanos.

Captured Ghosts proporciona uma visão panorâmica sobre sua carreira, com depoimentos de outros profissionais da área, músicos, atores de Hollywood e uma atriz pornô, fã de seu trabalho. Suas criações e inspirações são abordadas de forma séria, entretanto, este é um dos documentários mais bem-humorados desta lista.


Good Grief, Charlie Brown: A Tribute to Charles Schulz (2000)

Exibida um dia após o falecimento de Charles Schulz, criador da série Peanuts e dos personagens Charlie Brown e seu cachorro Snoopy, esta série especial da CBS é um tributo a toda sua carreira, destacando sua importância como cartunista e grande influenciador da nona arte e do mundo das animações.

Este especial é composto por inserts da série animada que marcou uma geração, e também destaca depoimentos dados por Schulz em outras entrevistas onde o autor compara Peanuts e sua vida pessoal, proporcionando uma visão de suas principais inspirações e influências.


In Search of Steve Ditko (2007)

A busca produzida pela BBC Four segue as tentativas do apresentador Jonathan Ross de rastrear o artista de quadrinhos Steve Ditko, co-criador do Homem-Aranha e da maioria dos personagens coadjuvantes e vilões do herói. Ao longo de uma hora de duração, Jonathan tenta encontrar pistas sobre o paradeiro de Ditko, um dos autores mais reclusos e marcantes da história dos quadrinhos, que sempre viveu de forma privada.

Como outros documentários, este é composto por depoimentos de autores e editores como Jerry Robinson, John Romita Sr., Neil Gaiman, Joe Quesada, Stan Lee, Mark Millar, Alan Moore e outros, que falam sobre a importância do trabalho de Dikto para a história mundial dos gibis. Ross e Gaiman conheceram Ditko em Nova York, porém o mesmo se recusou a ser fotografado ou entrevistado para o programa, apesar de ter iniciado e mantido contato com o apresentador desde então. Existem pouquíssimas fotos divulgadas do autor, que faleceu em junho de 2018.


O universo de documentários sobre quadrinhos é mais extenso e é praticamente impossível comentar sobre todos já produzidos. Tentamos, na lista acima, elencar uma variedade de documentários que falam sobre diferentes tipos de quadrinhos, de diversos países e autores, com diferentes abordagens que vão de entrevistas a homenagens.

Sabemos que alguns ficaram de fora, como os documentários sobre Will Eisner e sobre Neil Gaiman. Entretanto, nós da Torre de Vigilância ainda não conferimos estes e alguns outros, portanto ainda há muito a se explorar.

Acha que faltou algum? Indique nos comentários e espalhe conhecimento!

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Serial-Nerd

Quinta temporada de Black Mirror caminha entre o divertido e o comum. Deveríamos nos preocupar?

Quando uma série conhecida retorna de seu longo hiatus, os fãs comemoram como se fosse final de ano na praia. A rotina ganha novos ares e o marasmo vai embora. Cada semana se torna um pequeno ritual para assistir o episódio e depois comentar nas redes sociais. E quando acontece o contrário? A nova temporada chega de mansinho, ninguém comenta e não recebe a atenção necessária. Quem é o culpado pela frustração? O próprio fã ansioso ou a equipe interna?

De qualquer forma, estou aqui para falar de Black Mirror. Sabe, aquela série distópica que apresenta inúmeros casos como a tecnologia pode nos afetar profundamente? Então, parece-me que a produção da Netflix está meio perdida em reencontrar o seu valioso tom que definia a sua grande matriz: Refletir através do choque.

[CONTÉM SPOILERS ABAIXO] 

Striking Vipers trouxe Anthony Mackie e Yahya Abdul-Mateen II como dois amigos que descobriram o amor através de um jogo moderno, onde ambos podiam interagir dentro daquela realidade virtual. Este foi um tema interessante de se retratar, porém não trouxe aquele fator chocante para a trama. Nos faz pensar? Sim, mas de um jeito aquém do esperado. Não é aquela parada que você fica durante minutos fitando a tela do seu notebook e tentando encontrar palavras para definir essa viagem de 1 hora. Tampouco foi um aceno sobre o vício e como esta prática afeta o usuário, assim como todos ao seu redor.

O episódio não precisou ir mais a fundo para definir a orientação sexual dos personagens por conta deste ato e essa ideia foi bacana. Não era necessário colocar Danny e Karl discutindo se eram héteros, bis, g0ys ou seja lá o que for. A grande surpresa ficou com o consenso criado para que todos fossem felizes. Não criou-se uma relação de aparências. A relação prevaleceu. Só que novos itens foram adicionados nessa equação complicada chamada casamento.

O episódio seguinte já nos trouxe um caso mais comum e pé no chão. Junto com uma crítica social que já estamos familiarizados dentro da própria antologia de Black Mirror. Lembram de Nosedive (3.01) com Bryce Dallas Howard? Então, a mensagem foi melhor repassada aqui do que em Smithereens. Assim como o anterior, ele não causa choque ou repulsa por algo. O personagem principal, Chris, não queria cometer nenhum crime. Apenas queria ser ouvido pelo Big Boss da rede social responsável por transformar a vida dele em pura depressão pela morte de sua noiva.

O mais surpreendente é a causa do acidente e expõe de forma pontual o que estamos vivendo atualmente. Nós (Sim, me incluo nessa de vez em quando) ficamos tão conectados em nossos aparelhos eletrônicos como se tivéssemos com uma espécie de viseira invisível nos lados, que não percebemos as coisas que acontecem ao nosso redor. Perdemos coisas por estarmos flexionando o pescoço para baixo atualizando o celular com novas mensagens ou aplicativos que nos permitam interagir cada vez mais com as pessoas. Pinóquio já dizia: No strings on me!. Será que podemos dizer o mesmo?

E para finalizar a temporada mais curta que o normal, tivemos Rachel, Jack and Ashley Too. Claramente o mais divertido que também trouxe um realismo misturado com o toque básico que a série oferece quando quer. O que parecia uma crítica ao fanatismo de fã, acabou se revelando como a vida de uma artista jovem é destrutiva e corrosiva quando você tem pessoas ao seu redor que agem por benefício próprio.

Miley Cyrus e Angourie Rice estavam ótimas em seus respectivos papéis. Conseguindo então transmitir os principais sentimentos que jovens passam durante essa fase como medo, ansiedade e depressão. Seguindo os demais, este não trouxe um choque ou algo similar para o seu público. Porém, foi tão gostoso de assistir que você esquece qualquer contragosto e apenas se diverte como se estivesse assistindo aquele filme na Sessão da Tarde.

Diante disso, será que estamos presenciando o desgaste de Black Mirror nas mãos do canal de streaming? Muitos já se encontram insatisfeitos com o trabalho realizado desde que saiu da BBC e isso traz um alerta: A tendência é continuar deste jeito com o pretexto de apresentar histórias mais leves, porém que ainda se encaixem na proposta. Ou numa possível sexta temporada, oremos todos, que a equipe criativa retorne com ideias absurdas e surreais, fazendo que os telespectadores recuperem a confiança e digam novamente: Isso é tão Black Mirror! 

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Resenha | Imaginário Coletivo

Tentem esvaziar a mente. Pensar em nada. Conseguiram? Provavelmente, não. No princípio, tudo aponta que havia nada. E como era esse vazio? Até isso ousamos imaginar.

De qualquer forma, é de dar voltas na cabeça tentar deduzir o que pensava Wesley Rodrigues ao criar Imaginário Coletivo, sua primeira história em quadrinhos lançada pela Darkside Books. Temos incialmente uma tradicional fábula com a introdução de um mundo de faz de conta que tantas outras vezes ouvimos falar até mesmo pouco antes de dormir para, em nossos sonhos, exercitarmos o nosso próprio imaginário. Nessas circunstâncias, cada um é dono de seu próprio universo. Mas, Wesley vai além. Aqui, um teimoso ser vivo quer se tornar um pássaro mesmo designado a ser vaca e sua persistência o faz vir a esse mundo como um bovino nascido de um ovo.

A estranha novidade é encontrada por Agripino, um humilde minerador que, como muitos de seu vilarejo, trabalha para satisfazer a incansável autoritarismo e desejo de um tirano rei por ouro. Encantado pelo leite diferenciado que sua vaca produz, Agripino o começa a vender aos habitantes da região, o que muda suas trajetórias inesperadamente: Os ocupantes do reino, inclusive seu rei, se tornam animais das mais variadas espécies. Agripino se torna meio pássaro, meio humano e, apesar da nova forma, continua representando o que sempre foi: Alguém entre a liberdade e a submissão.

Sua vaca cresce assim como seu desejo de ser pássaro, e sua ânsia e habilidades vão alcançando patamares inimagináveis para a compreensão humana, logicamente se esta compreensão esteja visando apenas o plano da realidade. O animal que costuma nos alimentar agora se alimenta de nossas fantasias.

A liberdade toma conta até das páginas da HQ. Seus quadros são distribuídos livremente a cada página e não seguem padrão algum. É extremamente comum ao leitor sair de uma página dupla para vários quadros de diversos tamanhos já na página seguinte. Até técnicas de Storyboard são usadas, estas não de se espantar, já que Wesley é mais conhecido por suas premiadas animações em video. Que graça teria à liberdade se não fosse experimental também nessa categoria?

A arte fica mais deliciosa a cada avanço. Seu traço lembra outro grande contador de fábulas: Cyril Pedrosa, que no Brasil teve publicado o também excelente Três Sombras. A Psicodelia de Wesley nos faz várias vezes observarmos seus quadros repetidamente para ter certeza que é aquilo mesmo que lá foi marcado. É inclusive difícil em determinadas partes descrever o que se passa, inclusive em onomatopeias cujo significado não se consegue decifrar. É evidente também o estúdio Ghibli como influência nessa empreitada.

A edição é caprichada. Suas imponentes 472 páginas são protegidas por uma belíssima capa dura com verniz de reserva e encadernação costurada. Apesar de volumosa, a publicação pode ser lida rapidamente. Muitas de suas páginas têm pouco ou nenhum texto. O deleite dos olhos fica “apenas” nas ilustrações em muitos momentos. A história poderia muito bem ter menos páginas, mas isso não apequena seu brilhantismo.

O curioso é perceber que, apesar de seu conteúdo belíssimo, Imaginário Coletivo pouco tem a ver com o conteúdo principal da Darkside Books, editora que, como o nome já deixa implícito, é especializada em publicações de terror e suspense. O motivo então da publicação permanece um mistério que se torna bem-vindo no fim das contas.

Imaginário Coletivo nos ensina que podemos criar o que quisermos, mesmo que seja algo cujo significado sustente-se apenas em cada um de nós. Portanto: Imaginem. Pensem. Inventem. Sejam criativos.

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Conheça os 10 clipes mais vistos de Michael Jackson

Há exatos 10 anos, estávamos perdendo não só o Rei do Pop. Estávamos perdendo o ícone que revolucionou a produção de videoclipes e a maneira de se vestir durante a importante era da Disco Club, trazendo também grandes nomes como Bee Gees, Diana Ross, Marvin Gaye e ABBA, por exemplo.

Michael Jackson conseguiu dominar o mundo musical com clipes grandiosos e performances de dança invejáveis. É importante ressaltar que seu legado permanece nas vozes e estilos de Beyoncé, Bruno Mars e Justin Timberlake. Para isto, trago para vocês os clipes com as maiores visualizações do cantor no YouTube.

  • Billie Jean (655 milhões de visualizações)

  •  They Don’t Care About Us (610 milhões de visualizações)

  •  Thriller (597 milhões de visualizações)

  • Beat It (511 milhões de visualizações)

  • The Way You Make Me Feel (313 milhões de visualizações)

  • Remember The Time (308 milhões de visualizações)

  • Black Or White (292 milhões de visualizações)

  • Bad (282 milhões de visualizações)

  • Love Never Felt So Good (249 milhões de visualizações)

  • Smooth Criminal (236 milhões de visualizações)

Michael começou a cantar e a dançar aos cinco anos de idade, iniciando-se na carreira profissional aos onze anos como vocalista do grupo Jackson 5. Em 1971, iniciou a carreira solo, mesmo permanecendo como membro do grupo. Reconhecido nos anos seguintes como Rei do Pop, cinco de seus álbuns de estúdio se tornaram os mais vendidos mundialmente de todos os tempos: Off the Wall (1979), Thriller (1982), Bad (1987), Dangerous (1991) e HIStory (1995). Lançou-se em carreira solo no início da década de 1970, ainda pela Motown, gravadora responsável pelo sucesso do grupo formado por ele e os irmãos.

Segundo o Guinness World Records, MJ é o maior e mais relevante artista da história da música popular. Ele continua na lista dos 100 mais vendidos desde 1969, sem interrupção.

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Resenha | O Dia de Julio

É de um espanto absoluto pegar uma publicação e, já no texto de contracapa, encontrar a informação de como o destino do protagonista da história é selado. Assim, muito dificilmente quem pôr as mãos em O Dia de Júlio já não saberá seu final antecipadamente.

Mais do que isso: Nos deparamos com as feições de quase todos os personagens que compõem a narrativa em diversos momentos de suas vidas antes mesmo da primeira página. Uns têm nome e outros são apenas “anônimos” em identidade: O pai de Julio é apenas o “pai de Julio”.

Toda essa apresentação incomum mais tarde nos mostra que era irrelevante a preocupação. Esta obra nos apresenta a vida de Julio e sua família, latinos habitantes de um vilarejo paupérrimo dos Estados Unidos da América com suas transformações em decorrer do passar do tempo e História do próprio país. O ambiente, apesar de explícito, poderia ser bem algum local de interior do Brasil, tal similares suas características.

A história contada por Gilbert Hernandez é, apesar de tudo, um conto simples da mesma forma que é seu traço. O jeito que o enredo nos é apresentado vale mais que seu conteúdo em si.

Conversas banais viram grandes reflexões filosóficas. Se encontra tempo para humor até no meio da desgraça. Páginas sem texto falam mais que outras com balões. Páginas que, inclusive, poderiam quase todas contar uma história individualmente. Hernandez deixa o leitor deduzir em que espaço de tempo está situado no momento e não há uma caixa de narrador sequer por toda a leitura.

Alguns personagens são presentes em grande parte da narrativa; Outros vão e voltam anos depois. Há membros cativantes na família de Júlio; Outros nos dão nojo e sensação de raiva por personagens da história não perceberam mais cedo o mal que causam. É sentida impotência de nossa parte por sermos apenas observadores e nada podermos fazer. Até um nematelminto se torna protagonista e nos faz ser contra ou torcer por ele dependendo da passagem. A história de Julio poderia ser a de qualquer um.

Racismo, machismo, pedofilia, homofobia, estereótipos… Todas as adversidades estão ali mescladas no que compõe o Homo sapiens que se esqueceu de pensar. Personagens guardam segredos dentro de si que não deveriam ser escondidos, mas as circunstâncias o fazem optar por isso. Já outros, inseridos em uma sociedade diferente graças ao tempo, esse segredo já não existe mais.

Assim, vemos o já óbvio: Não existe a clichê frase de “No meu tempo…” quando se trata de comportamento humano. O preconceito e a forma de o combater sempre coexistiram. A questão é escolher em que lado você estará.

Como na vida, a sua grande rival morte está presente ao longo destas cem páginas. Algumas delas, nos dá o estalo necessário caso tenhamos sido desatentos a algo que estava ao tempo todo nos pedindo atenção. É necessário perder para dar valor, ou nos deixar atentos ao que passou.

Um ponto negativo vai para a “introdução” do escritor Brian Everson à obra. Apesar de alguns pontos já se saber, Everson entrega muito de seu conteúdo. A introdução teria funcionado muito melhor se fosse um posfácio, assim se recomenda lê-la apenas ao fim de absorver o conteúdo principal, que é e sempre será a história.

O Dia de Julio é uma leitura rápida que acaba da mesma forma que começa, assim como é a vida de cada ser vivo. O nada volta a ser nada. Um vazio. E este vazio cabe a cada um de nós o preencher da forma que convir enquanto há tempo.