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WandaVision e o Futuro da Marvel na Disney Plus

Após um ano sem produções da Marvel Cinematic Universe, fomos presentados com WandaVision, a primeira série do universo lançado na Disney Plus. Fugindo bastante da fórmula vista nos longas, o título tem sua premissa executada de forma excelente por meio de uma homenagem à televisão norte-americana em seus episódios e mostra o grandioso e promissor futuro da Marvel no novo serviço de streaming, que já conta com diversas séries confirmadas para expandir o grandioso universo apresentado nos cinemas.

Entretanto a produção e os atores criaram expectativa demais por meio de entrevistas no decorrer da série prometendo maior duração nos episódios finais, maiores surpresas para o futuro no audiovisual da Marvel e participações especiais – tal como a que ocorre no final da temporada de The Mandalorian. Toda essa expectativa resultou em diversas teorias semanais criadas pelos fãs, onde tais debates acabaram sendo melhores do que a conclusão da série em si que desperdiça seu enorme potencial em meio a um final apressado e levemente preguiçoso.WandaVision on Disney+: What We Know So Far & Coronavirus Delay | Observer

A trama de WandaVision segue após os eventos de Vingadores: Ultimato onde Wanda Maximoff acaba sequestrando uma cidade ao formar um domo em seu redor e trazendo o seu amor, Visão, de volta a vida. Dentro da cidade, a feiticeira cria uma simulação que no decorrer dos episódios transita entre as diversas épocas da televisão norte-americana como uma forma de contar sua história e de homenageá-la. Enquanto isso, coisas estranhas começam a acontecer dentro do domo e em seu exterior uma equipe tenta desfazer todo o caos que Wanda está promovendo com seus poderes. O roteiro funciona bem para atingir o objetivo do seriado: desenvolver os poderes e a personalidade da Wanda junto com relação entre os dois personagens de forma superior ao que foi feito nos últimos longas, porém apresenta alguns deslizes durante os episódios e principalmente na conclusão do título.

A partir do quarto episódio, quando o seriado começa a transitar entre o interior e o exterior da cúpula, observa-se a necessidade do roteiro em querer explicar tudo diversas vezes ao mesmo tempo que não explica quase nada em certos momentos. Com isso, em seus dois últimos episódios, o show sofre uma conclusão rápida com uma batalha final bem medíocre e com o desfecho de um personagem em específico extremamente decepcionante, desperdiçando uma oportunidade de ouro para desenvolver o mesmo e a ideia central do multiverso. Mas ao mesmo tempo que a conclusão foi meia-boca, ela funciona com o que a série propõe e faz com que seu desfecho seja satisfatório.

A montagem dos episódios foi feita de forma excepcional e na medida certa, onde os três primeiros episódios homenageiam os seriados antigos e a partir do quarto começa a transitar entre os dois pontos da série. O que deixou a desejar foi a duração: cada episódio apresenta certa de trinta a quarenta minutos onde apenas dez são de créditos, isso contribui para o que foi dito acima a respeito da conclusão ter sido rápida. Caso a duração fosse prolongada mais tal como prometeram nos últimos episódios, o problema poderia ter sido facilmente resolvido. WandaVision termina com batalha digna de Vingadores e despedida emocionante · Notícias da TV

Elizabeth Olsen está perfeita no papel de Wanda, entregando aqui sua melhor atuação até então no papel da personagem – não que antes estivesse ruim, mas com os holofotes voltados para ela e com o desenvolvimento perfeito da protagonista no decorrer da série, sua atuação no seriado se destaca dos demais títulos da produtora. E o mesmo pode ser dito para Paul Bettany, inclusive a química entre os dois é sensacional e bem trabalhada em tela durante todos os nove episódios.

É inegável que WandaVision deu o empurrão inicial para as séries da Marvel na Disney Plus, apresentando a mesma qualidade vista em um filme e fugindo da fórmula apresentada ao longo dos anos. Imagina-se que as futuras séries da plataforma de streaming sigam o mesmo rumo, principalmente Loki: o vilão adorado por muitos fãs em breve estará chegando e imagino que sua série tenha a mesma repercussão que WandaVision teve nesses dois meses. Por outro lado a próxima a ser lançada neste dia 19 é O Falcão e o Soldado Invernal, seriado de ação da dupla que ao mesmo tempo que aparenta ter uma fotografia incrível e cumprir o que vende, também aparenta ser uma série que não alcançará o que esta conseguiu. Entretanto aparenta ser também uma incrível expansão do que foi apresentado em tela nos últimos dez anos de MCU, dando destaque e desenvolvimento aos dois protagonistas com a mesma qualidade vista nos filmes. O futuro é promissor, tanto das séries como dos filmes – agora vamos torcer para que seja de fato.

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Então, é bom?

Sendo uma produção diferente do que foi visto nas últimas películas do estúdio, WandaVision foi uma incrível surpresa da Marvel no novo serviço de streaming e, por mais que os três primeiros episódios tenham sido levemente arrastados, eles cumpriram seu papel e a composição da série ficou incrível. É uma série que acrescenta em muito no desenvolvimento da personagem – que até então não tinha tido tanto destaque nos filmes do MCU, e na relação entre Wanda e Visão.

Foram oito semanas de teorias criadas pelos fãs após o final de cada episódio e expectativas criadas pelas entrevistas dadas pelo elenco, no fim, quase nada se cumpriu e o final dividiu opiniões entre quem criou expectativas acerca dos debates criados e se decepcionou e por quem não criou nada e se surpreendeu com a conclusão. O final da série é levemente problemático por parecer ter sido executado de forma apressada em seu último episódio, onde observa-se claramente o receio por parte do roteiro de querer explorar certos assuntos e de se aprofundar em outros que a série abriu brechas durante sua temporada. Acaba que a conclusão é medíocre, mas satisfatória ao que é mostrado na série e funciona em harmonia com toda a trama – abrindo também uma porta para o brilhante futuro da personagem no universo e cumprindo seu papel com maestria. Com mais tempo de episódio e coragem por parte do roteirista de abordar certas temáticas e ganchos, com toda a certeza sua conclusão poderia ser melhor.

Cedars | Super-Powered Chaos: A Spoiler Review of “WandaVision” Episode Six

Por fim, WandaVision é uma série excelente e com uma qualidade absurda, que serve perfeitamente como um prólogo para o que está por vir na sequência de Doutor Estranho, no futuro do universo cinematográfico e como o pontapé inicial para as séries seguintes na Disney Plus. Agora nos resta esperar para que O Falcão e o Soldado Invernal, que tem seu lançamento previsto para daqui a duas semanas, consiga expandir o universo da mesma forma e entreter no mesmo nível.

Nota: 4/5

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1991! O Ano que Mudou a História da Música Mundial

Estamos em 1991! Sim, viajamos no tempo e chegamos no início da década onde a famigerada ditadura militar não pairava mais na liderança do Brasil e tínhamos um presidente escolhido por meio de votos depois de décadas de chumbo. Era a época de Collor como presidente e seu nefasto plano econômico que estava aterrorizando os brasileiros. Sim amigos, estamos em 1991!

No setor musical, felizmente, em escala mundial, 1991 foi um ano de verdadeiros tesouros. Grandes álbuns, músicas e excelentes artistas debutaram nesse ano. O tanto que ele ficou marcado como o ano que influenciou o rock em mais de duas décadas seguintes. E podemos falar não somente no rock ocorreu a evolução musical. Mas também foi o ano de despedidas. Foi o ano em que foi lançado o Innuendo, o último disco do Queen com Freddy Mercury ainda vivo. O Dire Straits lançou o On Every Street, seu último álbum de estúdio. Assim como o Pixies que lançou o Trompe le Monde, seu quarto e último álbum de estúdio.

Michael Jackson e Quincy Jones

Foi o ano em que recordes foram estabelecidos. Em novembro de 1991, Michael Jackson iniciava a lendária com o multi-produtor musical Quincy Jones e lançam Dangerous. O disco se torna o mais vendido de um artista masculino na década de 1990. O trabalho é recheado de sucessos como “Black or White”, “Jam” e “Heal the World”.

A banda Guns N’ Roses inicia a Use Your Illusion World Tour, que se tornou a maior turnê mundial da história do rock com 192 shows em 27 países. Ela iniciou justamente no Brasil, durante o Rock in Rio II, no Maracanã. A turnê era o lançamento mundial dos álbuns Use Your Illusion I e Use Your Illusion II, que tem sucessos como “Live And Let Die”, “Don’t Cry”, “November Rain”, “The Garden”, “Garden Of Eden” e “Dead Horse”.

Uma foto da gigantesca Use Your Illusion World Tour.

1991 também foi o ano em que bandas e artistas se reafirmaram e lançaram seus discos de maiores sucessos, seja de crítica ou na parte financeira. A banda Motörhead, do icônico vocalista e baixista Lemmy Kilmister, lançam o disco 1916 que tem as faixas “Going to Brazil” (feita após a primeira vinda da banda ao país), “R.AM.O.N.E.S” e “1916”. É um dos trabalhos mais elogiados da banda.

O Red Hot Chili Peppers lançou o seu quinto álbum intitulado Blood Sugar Sex Magik, onde conseguiram alcançar o topo do rock mundial. Depois de saírem da EMI e assinarem com a Warner Bros. Records, o RHCP lança seu quinto álbum de estúdio. O trabalho tem produção de Rick Rubin. Com letras que tocam em temas que variam de insinuações sexuais passando por drogas e morte, luxuria e preconceitos. A mistura de funk e rock contribuiu para a ascensão do rock alternativo naquela década. Os sucessos “Give It Away”, “Under The Bridge”, “Suck My Kiss” e “Breaking the Girl” viraram hits rapidamente. Juntamente com o sucesso e reconhecimento mundial, também veio problemas ardidos como pimenta. Como brigas entre os integrantes da banda, uso excessivo de drogas e até expulsão de palco na turnê europeia.

O explosivo Red Hot Chili Peppers em 1991

O R.E.M. lança o álbum Out of Time, sétimo álbum da banda e recheado de sucessos que atravessam gerações: “Losing My Religion”, “Shiny Happy People” e “Country Feedback”. Graças a esse disco, o R.E.M. abocanhou três Grammy Awards no ano seguinte. A dupla sueca Roxette lança o seu terceiro trabalho de estúdio, Joyride. Que tem sucessos como “Fading Like a Flower (Every Time You Leave)”, “The Big L.”, “Spending My Time”, “Church of Your Heart” e a faixa título do álbum. O Roxette alcançou o topo dos rankings musicais em mais de 20 países.

O U2 lançou o seu sétimo álbum Achtung Baby, o disco que foi um marco para a banda. Nesse trabalho os caras propuseram a se reinventar onde substituíram a imagem de “fechados” para “descontraídos e autodepreciativos” frente ao público. Além de vender mais de 18 milhões de cópias mundialmente, o trabalho levou um Prêmio Grammy em 1993 de Melhor Performance de Rock por Duo ou Grupo com Vocais. Quem também lançou um disco icônico e até hoje celebrado pelos fãs foi o Metallica. The Black Album é considerado como a “verdadeira essência” da banda, com faixas como “The Unforgiven”, “Enter Sandman” e “Nothing Else Matters”, tornou-se no álbum de maior sucesso do grupo sendo campeão de vendas ao redor do mundo e colecionador de prêmios da música.

Em 1991, as bandas/artistas não afetaram e atingiram somente o lado musical, mas também foram importante para ditar a moda dos jovens. Estávamos nos despedindo das roupas extravagantes e coloridas da década de 1980 e abraçando a cor preta e os casacos quadriculados do grunge. Isso mesmo, era o Nirvana e a tchurma de Seatle chegando.

O lendário Nirvana

O Nirvana lançou o histórico Nevermind que catapultou a banda para um dos mais altos patamares do rock mundial, transformando o vocalista Kurt Cobain em ídolo da uma geração. O disco foi tão poderoso que desbancou o Dangerous de Michael Jackson (já citado aqui) do primeiro lugar das paradas da Billboard 200, no ano seguinte. Outra banda que se firmou de vez foi o Pearl Jam. O seu disco de estreia Ten marcou a trajetória da banda e apesar de ser muito celebrado por diversos clássicos como “Even Flow”, “Jeremy”, “Black” e “Alive”, o trabalho não foi um sucesso imediato, e os caras ainda foram acusados de usar o grunge para se promoverem na época. Muitas pessoas consideram o Ten como a popularização do rock alternativo no mainstream. No final das contas, o disco vendeu mais de 20 milhões de cópias no mundo e é o mais bem sucedido do Pearl Jam.

Muitas outras bandas fizeram o seu debute em 1991. Os britânicos do Blur lançaram o Leisure. Que fez sucesso apesar das pessoas não entenderem direito a proposta da banda, com seu rock baladeiro e guitarras distorcidas. Mas que nos trabalhos seguintes inspiraram muitas cenas musicais. Foi o ano que a banda Smashing Pumpkins estreiam com seu disco Gish, o álbum foi elogiado na época, mas não foi um estouro comercial, mas já pintava a proposta da banda que se consolidou nos anos seguintes.

Foi uma época que as gravadoras buscavam as chamadas “bandas de garagem”, todas buscavam um “novo Nirvana”. Na Inglaterra, o subgênero shoegaze ficou em evidência após o My Bloody Valentine lançar o seu segundo disco, intitulado Loveless. O estilo de rock alternativo foi um que cresceu muito com o grunge. E esse disco foi um dos pilares.

Vale lembrar que 1991 foi o ano em que a música eletrônica saiu do underground e se consolidou no mainstream. E um dos responsáveis foi a banda britânica Primal Scream com o seu terceiro disco chamado Screamadelica. Esse disco é considerado como um dos melhores álbuns que mudaram a música com os arranjos eletrônicos misturando com rock, blues e soul music. Fazendo a crítica especializada abrir mais os olhos para a Dance Music e o Techno, algo que muitos relutavam muito para digerir.

O Primal Scream fez os críticos reconhecerem a música eletrônica em 1991.

O 2Pacalypse Now foi o primeiro disco do rapper americano 2Pac, onde ele aborda as questões sociais enfrentadas pelos negros nos EUA, como racismo, brutalidade policial, pobreza, crimes etc. O disco não atingiu nenhum grande sucesso e por isso ficou meio que “esquecido” por todos durante anos.  Somente em 1995 o disco foi certificado como Ouro, um ano antes do rapper ser assassinado.

Aqui no Brasil, como dito antes, estávamos saindo dos anos de chumbo e começando a pisar em terras que não conhecíamos em questão de liberdade de expressão. Os discos não eram mais censurados pelos militares (apesar de algumas rádios colocarem o famigerado PIII em algumas músicas ainda) para um modo em que íamos ainda nos acostumar e até mesmo torcer o nariz às vezes.

Foi o ano da despedida de Arnaldo Antunes da banda Titãs no sexto álbum Tudo ao Mesmo Tempo. A cena do hardcore melódico começava a surgir em Vitória, Espírito Santo, com a formação do Dead Fish. Foi também o ano em que o sertanejo tomaria de assalto, juntamente com o pagode e o Axé as paradas de sucesso e a TV brasileira. A dupla Sandy e Junior, respectivamente com oito e sete anos, lançaram o seu primeiro disco intitulado Aniversário do Tatu, que tem o clássico Maria Chiquinha. O disco vendeu mais de 1 milhão de cópias.

O grupo de pagode Raça Negra lançou o seu primeiro disco em 1991, iniciando uma era de ouro do pagode romântico no Brasil

Foi também em 1991 que Zezé di Camargo & Luciano lançaram o seu primeiro disco, atingindo quase dois milhões de cópias vendidas, embalado pelo hit “É o Amor”. A cantora baiana Daniela Mercury lançou o seu primeiro disco autointitulado com o sucesso “Swing da Cor“, que tem a participação especial do Olodum. Já o pagode era representado com a estreia do Raça Negra debutando no seu primeiro disco, depois de oito anos na estrada. Você com certeza já cantarolou “Caroline”, “Chega” e “Volte Amanhã”, iniciando à era da trindade pagode/axé-music/sertanejo que invadiu as rádios populares naquela década.

O Sepultura lançou o Arise, marcando assim seu nome no metal mundial. O disco foi o primeiro da banda a conseguir uma certificação mundial, em 1992 vendeu mais de 265.000 cópias na Indonésia.

O ano musical de 1991 moldou toda a década seguinte. Mas as influências também aconteceriam em outros pontos como mídias e moda. Foi os estilos musicais iniciados em 1991 que ditaram por exemplo, as trilhas sonoras dos programas populares da TV brasileira durante a década de 90 e suas semanais brigas por audiências. Foi o ano em que pessoas foram alçadas ao ponto de estrelas mundiais do rock e algumas dessas pessoas sofreram com a pressão e algumas sucumbiram às mesmas. Mas a influência ainda está por aqui mas principalmente na cultura e registro de excelentes discos e músicas lançados.

Aqui temos uma playlist com algumas músicas que fizeram sucesso nesse ano dourado:

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Monster Hunter: Monstruoso, de fato

Mais um longa lançado este ano nos cinemas brasileiros por conta da pandemia de COVID-19, Monster Hunter chegou em sessões especiais desde o dia 18 deste mês e terá sua estreia no dia 25. Mais uma vez, Paul W.S. Anderson  – responsável não somente pela direção, mas também pelo roteiro e pela produção do título – e sua esposa conseguem estragar uma adaptação live-action de uma franquia de jogos da Capcom.

E, sinceramente, não é muito difícil fazer um filme de Monster Hunter: respeitando a caracterização, era apenas trazer uma trama base e colocar humanos lutando contra monstros gigantes, sabendo dirigir uma cena de ação tal como Guillermo del Toro fez em Círculo de Fogo. Entretanto, Anderson se superou e conseguiu entregar um longa preguiçoso, pior que seus outros filmes. Mas, sendo bem sincero, alguém tinha alguma expectativa para este longa depois dos estragos em Resident Evil?

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O roteiro do filme é bem simples: um grupo de militares liderados por Artemis (interpretada por Milla Jovovich), sofre um acidente em meio a uma tempestade no deserto e se transporta por meio de um portal para o mundo de Monster Hunter. Com isso eles precisam sobreviver aos monstros da nova dimensão e, ao encontrar um caçador experiente, aprendem como fazer isso. O trailer do filme acaba contando toda a história do título e reúne as melhores cenas do mesmo, pois o restante é algo monstruoso e torturante de se assistir.

Caso tivesse uma boa direção e um bom elenco, a história poderia ser desenvolvida da forma correta. Mas não é isso que acontece, nos primeiros dez minutos de filme somos introduzidos a personagens que não apresentam nenhum carisma e nenhum desenvolvimento em tela. Depois disso, só se observa cenas de ação sem nexo com a Milla Jovovich correndo dos monstros até encontrar um aliado. Após isso, mais cenas de ação picotadas e sem nexo como se fosse um videoclipe de rock dos anos 2000.

A montagem do filme é horrível, as cenas de ação são extremamente cortadas e o uso do slow motion é feito da forma errada e preguiçosa. Junto a isso, grande parte do filme é apenas Milla Jovovich correndo, com a mesma expressão de sempre, dos monstros e estranhando tudo ao seu redor. Ou seja, uma trama de uma hora e quarenta minutos se torna extremamente arrastada e monótona. A maior decepção não é o longa, mas sim o final aberto que indica uma continuação – ou seja, mais filmes ruins da franquia a caminho com a desculpa de que o próximo será melhor tal como foi com a sua franquia anterior.

Monster Hunter, Pulled In China, Tops Box Office In 5 Other Markets – DeadlineFora isso, a trilha sonora é péssima e os efeitos especiais são dignos de dar risada. Há diversos momentos onde é notável o fundo de Chroma Key e de cgi, em somatória, o diretor utiliza apenas três monstros em um universo que deveria ser, na teoria, dominado por diversas espécies de monstros. Entende-se que isso ocorre pelo baixo orçamento do longa, mas diversas outras produções com o mesmo valor de orçamento ou até menos fizeram algo melhor.

Por último os único pontos positivos do filme são o figurino e a sua ambientação. As armas, armaduras e até mesmo os monstros, mesmo que estes tenham um cgi de baixa qualidade, apresentam uma certa fidelidade aos jogos (o que era o mínimo também, convenhamos). O destaque mesmo de fidelidade vai para a aparição do Amigato, sendo esta idêntica a sua cutscene no último jogo da franquia Monster Hunter: World.

Com esse filme, é comprovado oficialmente que Paul W.S. Anderson é um diretor extremamente preguiçoso que não procura evoluir com seus filmes – tal como sua esposa, Milla Jovovich, que se contenta com a mesma atuação medíocre de sempre. É inegável que o diretor teve diversas chances de provar que sabe dirigir e lançar um filme que tenha uma qualidade minimamente positiva; enfim, todas estas chances foram desperdiçadas pelo visto, não somente em sua franquia anterior como também nos seus últimos títulos como sua adaptação de Os Três Mosqueteiros e Pompeii.

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Então, é bom?

Sendo bem sincero, Monster Hunter é um dos piores filmes que já assisti em toda a minha vida. Todo o longa parece um amontoado de cenas de ação sem nexo graças à sua montagem mal feita e ao desenvolvimento porco dos personagens em tela. O roteiro é fraco e apresenta sequências extremamente vergonhosas, com cenas de ação e frases toscas – entretanto, caso o título fosse dirigido por alguém competente, poderia ser melhor do que esta bomba monstruosa. Nem os efeitos visuais se salvam, tendo em vista que até uma série com baixo orçamento para a televisão apresenta efeitos melhores, sendo assim um filme vergonhoso de se assistir no cinema.

O único elogio que tenho a fazer é ao figurino e ao visual dos monstros no longa. Estes, de fato, se apresentam semelhantes ao que é visto nos jogos sendo a única parte da adaptação digna de aplausos. Infelizmente o diretor já confirmou que a sequência está sendo escrita e é nítido pelo final extremamente aberto que teremos mais longas por aí, tal como a franquia de filmes baseada nos jogos de Resident Evil, estamos prestes a ver outro desastre cinematográfico no mundo das adaptações de videogames por um bom tempo. Infelizmente Paul W.S. AndersonMilla Jovovich não aprenderam com seus erros, e nem devem aprender tão cedo.

Apenas uma palavra pode definir esse filme: horroroso.

Nota: 0.5/5

 

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Eu Me Importo: ácido e mordaz

Após uma performance de tirar o fôlego em Garota Exemplar -longa baseado no livro da brilhante autora Gillian Flynn-, Rosamund Pike, agora sob a direção de J Blakeson,  protagoniza novamente um papel de vilã em que arquiteta roubos contra idosos de forma ardilosa, se tornando curadora deles e, dessa forma, confiscando seus bens “legalmente” graças ao seu renome na área, isso junto com sua cúmplice e namorada (Eiza González). Mas a situação muda quando ela tem como nova vítima, Jennifer Peterson, interpretada por Dianne Wiest, que é rica e sem herdeiros, mas que possui associações criminosas e perigosas.

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Com um roteiro que fica entre a comédia e o suspense, comédia essa que não se faz presente através de piadas, mas sim no sarcasmo da própria narrativa, o filme se tornou o mais assistido da Netflix até agora após ser lançado na plataforma no dia 19 de fevereiro.

Certamente Rosamund é um dos grandes coeficientes, tanto para despertar a atenção do público quanto para a trama, que talvez não teria o mesmo resultado sem ela. A perspicácia e destemor da personagem impressiona a ponto de despertar a curiosidade no espectador de quais serão suas próximas artimanhas, ao passo que faz com que a velhice pareça assustadora por ser vulnerável a pessoas cruéis assim.

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Apesar de sua cena de sobrevivência frente ao poder da máfia russa tenha exagerado no absurdo, a famigerada brincadeira entre gato e rato -aqui, entre a protagonista e o filho de Jennifer Peterson- parece funcionar na película, que aposta na indagação do certo e errado, além da corrupção enraizada na coletividade. No entanto, os encontros entre as personagens de Pike e Wiest pareciam transmitir um confronto mais interessante e tenso e poderiam ter mais tempo de tela ou mesmo ser o foco do enredo, esse talvez seria um bom caminho para o roteiro seguir.

Estrelado por alguns nomes conhecidos como Peter Dinklage (Game of Thrones) e Chris Messina (Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa), Eu Me Importo mostra um pouco da crueldade e do satírico sem se entregar totalmente ao thriller, o que pode ou não ter sido uma boa decisão, mas que ainda assim é envolvente somado à implacabilidade da protagonista.

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A transição de amor, arte e egocentrismo em Malcolm & Marie

Feito em segredo, Malcolm & Marie é uma produção filmada durante a pandemia, em 2020, que conseguiu puxar os olhares de todos os assinantes da Netflix pelo seu estilo e por estrelar apenas duas das personalidades  mais famosas atualmente do audiovisual, Zendaya e John David Washington. Dirigido pelo filho do grande diretor Barry Levinson (‘Rain Man’, ‘Bom Dia, Vietnã’), Sam Levinson, o longa traz um casal voltando a première do primeiro filme dirigido por Malcolm, e que acaba gerando discussões sobre cinema, amor, passado e política.

Filmes sobre brigas de casais não são atípicos no cinema, ‘História de um Casamento’ (2019) e a trilogia do Antes (amanhecer, pôr-do-sol e meia-noite) são grandes exemplos de longas desse tipo, e tem um certo elemento que cria o sentimento no telespectador de querer ver uma ‘DR’ de uma hora e quarenta e seis minutos, as atuações, e nesse caso, é sem dúvidas fenomenal como Washington e Zendaya dão os seus corações. Os atores conseguem trazer uma química igualável ao casal favorito de Hollywood, Ryan Gosling e Emma Stone, só que de uma forma tão humana que se parece um relacionamento verdadeiro. Desde suas feições, até o drama mais escuso e subtexto da personagem, essa dupla consegue sublimemente traduzir o início ao fim seus sentimentos, dores, medos e angústias.  Provavelmente, se fosse qualquer outro casal de atores, dificilmente teriam criado tamanha simbiose dramática.

Em sua história, ela também consegue cativar bem, mas isso depende muito da visão do público que está entrando nesse mundo criado por Levinson. É claro o amor que o diretor tem por cinema, e a forma na qual ele consegue trazer suas discussões diante de variados assuntos, seja sobre o passado da sua carreira, política em filmes, como pessoas de cor são vistas no audiovisual e a crítica cinematográfica pretensiosa (esse ponto precisa ser discutido mais a frente). Para quem é cinéfilo, ou conversa muito sobre a sétima arte nas redes sociais, consegue pegar bem as discussões que são criadas aqui; diferente de quem é indiferente diante desse universo, que por sua vez, pode se tornar tedioso. O mesmo pode ser dito quando o foco de discussão é o amor? Se depender de Zendaya e Washington, não; já que você se sente um personagem vendo ambos brigando e cada vez mais jogando seus problemas no ventilador. Ainda voltado ao cinema, é muito intrigante ver Malcolm falar com tamanha paixão sobre sua profissão, e para quem trabalha e conhece a área, sabe o que ele está passando. Vê-lo reagir às criticas profissionais e do público é engraçado e quem já acompanhou a crítica de algum filme que teve interesse, vai se espelhar muito no personagem.

Agora falando sobre a crítica que citam no filme, tem um ponto que pode ser desconfortável quando você entende sobre a história de Sam Levinson. No seu último filme, ‘Pais de Violência’ (2018), o diretor recebeu uma crítica de uma escritora do L.A. Times, Katie Walsh, que disse: “Uma tentativa malsucedida de comentário social” (Fonte: Estado de Minas). Então, durante todo o filme, e em duas sequências longas, vemos o Malcolm xingar essa crítica do L.A. Times (sem citar seu nome, apenas chamando-a de “garota branda do L.A. Times”). E sinceramente, é engraçado nas primeiras vezes, mas depois, parece que o diretor se perdeu no próprio personagem e está querendo mesmo que o longa se torne um vendeta para Katie. Por mais que durante o filme, se façam alguns comentários negativos realistas sobre críticos de cinema, o que ele faz com sua raiva diante de Katie chega a ser ridículo, e infantil. Sinceramente? Dá até medo de escrever mal sobre esse filme e me tornar o próximo alvo de Levinson. Por mais que seja infantil, e também muito enfatizado (que até esgota o humor), os comentários que Malcolm chegam a ficar engraçados, por conta da ótima atuação de John. Já Marie, parece uma representação do público, sempre querendo cortar o assunto sobre a garota branca do L.A. Times.

Em seus aspectos técnicos, o filme também entrega um ótimo resultado final. Sua fotografia é linda, e engraçada, pois realmente remete muito à fotografia de anúncios de perfume e roupas de padrão mais alto. Brincadeiras à parte, o preto e branco combina com a maioria do clima do longa e consegue deixar tudo em cena espetacular, até em sua proporção foi um acerto em cheio. A trilha-sonora também foi uma grata surpresa, já que ela foi composta pelo Labrinth, que conseguiu fazer um trabalho fenomenal. Uma curiosidade, o produtor executivo do longa, é o rapper Kid Cudi.  Ainda no mundo do áudio, devemos dar os parabéns para a dublagem do filme e à mixagem de áudio, a atenção aos detalhes é feita com muito carinho.

Já sua direção… Mesmo com o seu grande problema dito anteriormente, é coesa em trazer questões muito atuais sobre o mundo do audiovisual em si, desde política, passado, futuro e afins. Mas peca muito por sua vontade em transformar o filme em sua vingança, se não fosse as atuações dos protagonistas, se tornaria um grande desabafo de Levinson e seu ódio por conta de uma só crítica. O roteiro é bem feito, como já foi dito, a atuação teve seu devido patamar elevado e seus diálogos foram um fator principal nisso.

Malcolm & Marie é um filme lindo, sobre um relacionamento conturbado e que está preso diante de um amor maior: o cinema. De todos os seus detalhes e discussões, é algo que muitos amantes do cinema podem se identificar, e até se preocupar com isso, em certos aspectos. O filme prova que, mesmo sem tantos recursos e um filme sendo filmado em meio de uma pandemia, você consegue dar uma qualidade de um longa digno de grandes produções. E também prova que, se o diretor não deixar de ser tão egocêntrico ao ponto de quase estragar o filme com sua raiva, e não amadurecer com isso, ele vai continuar sendo uma sombra no nome de seu pai.

Nota: 3/5

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A fragilidade familiar em Mulheres Ocultas

Em 2020, o longa Parasita ganhou o Oscar de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro original, alguns dos principais prêmios da noite. Em seu discurso de vitória, o diretor Bong Joon-ho disse o seguinte: “Quando vocês superarem a minúscula barreira das legendas, vocês serão apresentados a muitos outros filmes incríveis.” Assim, o público passou a abrir os olhos para produções estrangeiras e os streamings contribuíram para que estas ganhassem seu devido espaço na indústria cinematográfica, afinal a qualidade de um filme não se restringe apenas às norte-americanas.
Mulheres Ocultas é um filme taiwanês que lá alcançou a maior bilheteria em 2020, e que recentemente foi disponibilizado pela Netflix.
O enredo acompanha o processo de luto de uma família após a morte do pai que era ausente e adúltero, mostrando a dificuldade das mulheres da família em perdoa-lo e se livrarem do ressentimento, o que coloca em evidência a contrariedade da família tradicional.

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Fica claro que a matriarca da família, interpretada pela atriz Chen Shu-fang, é a que mais guarda rancor e mesmo fazendo um velório para ele, é aparente o desconforto da personagem. Ela criou as filhas sozinha e manteve a família unida, fato que desperta a empatia do espectador.
O olhar intimista da obra mostra um pouco das dificuldades de cada uma das irmãs, como a saúde, família, profissão e religião, mergulhando no cenário de cada uma.
No entanto, o filme se desenrola de forma muito lenta e por vezes particulariza pontos desnecessários. Além disso, quase beira ao tedioso ao não focar nos problemas inicialmente apresentados. Apesar de possuir uma premissa bastante relevante, o drama não consegue alcançar o necessário para que o público se emocione ou sinta a mesma tristeza que a família.

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As revelações significativas para a trama não causaram o choque e nem tiveram o peso que deveriam, seja pelo tempo de tela ou os diálogos que não davam a importância suficiente, resultando na falta de comoção de quem assiste.
As cores usadas possuem uma harmonia e exprimem a frieza da esfera. Têm alguns cortes de cena bruscos, mas nada que interfira a qualidade do longa.
Ainda que possua alguns percalços, Mulheres Ocultas é o retrato dos sentimentos de perda e mágoa, ao mesmo tempo que narra as adversidades do conceito de família que sempre estão presentes, independente da época.

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Quem é de fato Degenerado?

Desde que o Grupo Editorial Autêntica decidiu se aventurar no mercado de histórias em quadrinhos brasileiro fundando a Nemo, seu selo voltado a esse mercado passou por algumas transformações: começou intercalando entre material nacional e estrangeiro com autores consagrados do mercado franco-belga em publicações com grande formato e capa dura. Experimentando novas fontes e em busca de adaptação perante as exigências do mercado e público, estabeleceu-se com material autoral da cena alternativa europeia e norte-americana. Prestes a completar uma década de vida em 2021, a Nemo traz em seu mais recente lançamento Degenerado, um título que, mesmo que de forma indireta, tem muito a ver com suas mudanças ao longo desses anos.

Não é fácil ser alguém. Mesmo cada um em particular pode não saber profundamente quem é ou o que gostaria de ser. A vida e nossa forma de viver é feita de experiências, de riscos que trazem acertos, erros, vitórias e derrotas. Não existe vida sem risco. Em boa parte ou até por pura teimosia, só temos consciência do resultado de nossas escolhas caso as coloquemos em prática.

Paul Grappes e Louise Landy conheceram-se ainda jovens em uma confraternização entre amigos. Como diversos casais afogados na ingenuidade da paixão de um pelo outro, casaram-se desejando passar o resto de suas vidas juntos. Mas então veio o serviço militar e Paul, por uma lei que ia além de seu poder, precisou se alistar no exército. Então em 1914 estoura A Grande Guerra, a Guerra das Trincheiras, trincheiras que foram usadas não só para separar o militar recém-promovido a cabo de seus adversários, mas também de sua amada.

IMAGEM: Grupo Autêntica

Afetado pelos horrores que presenciou, Paul torna-se desertor no intuito de voltar aos braços de Louise e para fugir da prisão iminente aos que abandonam o campo de batalha, começa a se vestir e comportar como mulher assumindo a identidade de Suzanne. Porém, Paul aos poucos vai não apenas se adaptando, mas desfrutando de sua nova vida, assim percebendo que talvez agora sim era a pessoa que desejava ser e que sempre esteve dentro de si, e não a pessoa que era outrora e apresentava em seu exterior.

IMAGEM: Grupo Autêntica

Em uma alternância quase impossível, os desenhos de Chloé Cruchaudet conseguem ao mesmo tempo serem pesados e delicados. O clima pesado e os horrores da guerra coexistem em uma Paris retratada quase sempre em tons de cinza, salvo raras exceções onde as cores azul e vermelho, que representam na cultura popular liberdade e fraternidade na bandeira da França, gritam por espaço na narrativa densa como uma neblina.

Baseada em uma história real, Degenerado é em grande parte sobre uma crise existencial em consequência da guerra, mas pouco abordada ou sequer imaginada por muitos de nós. Suzanne na verdade pedia socorro dentro de Paul Grappes para mostrar que existia. A possibilidade de contar sua história que resultou no livro La Garçonne et L’Assassin mostra que sua necessidade de se esconder era na realidade a chance de se libertar adentrando em um novo mundo. O ser humano é frágil como uma casca de ovo, porém quase sempre é obrigado a ostentar-se tal qual uma pele grossa e pouco permeável como a de um réptil.

IMAGEM: Grupo Autêntica

Estabelecendo-se já há algum tempo em um formato característico, edição da Nemo segue os padrões anteriormente adotados pela editora, com capa cartonada e papel couchê em formato 25 x 19 cm. Esta é a primeira obra de Cruchaudet publicada no Brasil, e a escolha por Degenerado em sua estreia provavelmente deve-se à quantidade de prêmios arrebatados pela obra principalmente na França e Itália. Assim como já fez com outros quadrinistas da Europa, a exemplo de Fabién Toulmé e Gauthier, vale a pena apostar em outras obras da autora por aqui, mesmo outras sendo menos conhecidas ou agraciadas, mas ainda assim trazendo frescor ao mercado brasileiro. Como sugestão, vale conferir por exemplo Groenland Manhattan e La croisade des innocents, publicadas originalmente em 2008 e 2015.

Degenerado
Chloé Cruchaudet (roteiro e arte)
Renata Silveira (tradução)
Bruna Emanuele Fernandes (revisão)
190 páginas
25 x 19 cm
R$69,80
Capa Cartonada
Nemo
Data de publicação: 11/2020

 

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Detective Comics Quadrinhos

A confortável viagem na sinestesia de Paul Está Morto

Muito se idealiza sobre o passado. Existe sempre uma aura de sagrado em tempos anteriores pois o distante parece irretocável. Na literatura, Luis de Camões já demonstrava essa questão em Os Lusíadas, onde os portugueses em vias de desembarcar e explorar as Américas no século XVI enfrentavam criaturas que iam além da compreensão humana em mares nunca antes navegados. Na Idade Contemporânea não é necessário ir muito longe para alcançar um período onde o real e fantástico se entrelaçam: a segunda metade da década de 60 do século XX isso era visto tanto na música quanto nas histórias em quadrinhos, pois nem a lama de Woodstock foi capaz de sujar essa época.

Nos quadrinhos, a editora Éric Losfeld trazia ao público europeu cores berrantes e viagens psicodélicas que muito se questiona a respeito da sobriedade de seus autores. Barbarella, Kris Kool, Saga de Xam, Les Aventures de Jodelle e outras histórias estavam na vanguarda da narrativa gráfica em uma onda que até hoje não se desfez. O datado aqui não existe e o tempo nem sequer pode ser considerado relativo: na verdade, ele nem é cogitado. Por isso, todas essas obras continuam futuristas até hoje.

Kris Kool e Saga de Xam marcam o experimentalismo e psicodelia na narrativa gráfica até os os tempos atuais (IMAGENS: 50watts.com e formidablemag.com)

Investigando esse mesmo fenômeno no ramo da música, chegamos logo aos Beatles. Os rapazes, que eram o sonho de qualquer qualquer filha para se casar, deixavam para trás sua marca de bem-comportados. Tal atitude se tornou mais evidente em 28 de agosto de 1964 quando em um quarto de hotel Bob Dylan os apresentou a maconha. O quarteto até tentou disfarçar: lançou logo depois os álbuns Beatles For Sale e Help! que ainda trazia sua marca já conhecida, mas o logotipo do subsequente Rubber Soul, lançado menos de quatro meses depois do álbum anterior, já denotava que algo diferente já pairava não só no ar, mas também nos pulmões e na cabeça da banda mais célebre de Liverpool. Para nossa sorte, o “estrago” feito por essa e outras drogas já estava feito e os melhores álbuns dos Beatles foram lançados a partir daí.

IMAGEM: Comix Zone

Paul Está Morto se passa justamente nesse período: no ano seguinte ao lançamento de Rubber Soul e entre o lançamento dos aclamados álbuns Revolver e o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. As cores das roupas, os experimentos nas gravações em estúdio, as discussões estressantes de uma vida que era dedicada quase que em sua totalidade ao trabalho dos músicos atacaram o hemisfério direito dos autores estreantes no mercado editorial brasileiro Paolo Baron (roteiro) e Ernesto Carbonetti (desenhos) em busca de uma narrativa livre sobre o que pode ter acontecido nos bastidores do que viria ser o ápice dos Beatles, mas que resultou na dissolução da banda cinco anos depois. O hemisfério direito do cérebro, responsável pela criatividade humana responsável por parir Paul Está Morto, é coincidentemente a mesma região mais influenciada pelos efeitos da marijuana, musa do grupo musical a partir de então.

Por isso mesmo, não dá para fugir da psicodelia gráfica em Paul Está Morto: as cores são extremamente vivas e ditam o ritmo da narrativa. As cores marcam a tensão, velocidade e linha temporal a cada quadro em que a história se desenvolve. As cores pulam, esparramam e fogem dos quadros quase espirrando no rosto do leitor, trazendo-o para dentro da história e o colocando como testemunha ocular da turbulenta vida particular que era abafada pelos sorrisos talvez forçados fotos para revistas e jornais, gravações de discos, aparições na TV e qualquer representação de mídia onde era praticamente uma obrigação passar a imagem de que os Beatles era uma banda formada por pessoas perfeitas, mas a verdade era muito diferente.

IMAGEM: Comix Zone

Como já bem denota no título, a HQ mostra a tentativa de abafar a notícia da suposta morte de Paul McCartney e suas irreversíveis consequências. A influência dos Beatles era tão grande a ponto de temer uma onda de suicídios em massa por fãs da banda. Era mais do que necessário que a situação nunca viesse à tona, inclusive buscando um hipotético sósia. O mais interessante dessa visão nas entranhas na história da música é o destaque dado a Geoff Emerick (engenheiro de som), George Martin (produtor) e principalmente Brian Epstein, empresário dos Beatles. Tais personagens costumam cair no esquecimento e seus nomes são apagados como marcas na area da praia, mas não aqui.

IMAGEM: Comix Zone

A edição da Comix Zone faz jus à questão gráfica da HQ. A impressão da Ipsis Gráfica mantém o nível das cores que, caso não fosse bem executado, estragaria a leitura. O papel couchê aqui se torna imprescindível para trazer as cores mais vivas e reluzentes possíveis da arte de Carbonetti, justamente como se via nos projetos gráficos oficiais que envolviam os Beatles de 1966 em diante. Como extras, temos depoimentos e comentários dos autores a respeito de seu roteiro e arte, e como trouxeram sua marca pessoal em uma história já tão conhecida e com personagens mais famosos ainda, ainda mais usando como referência imagens reais dos personagens. É difícil trazer algo novo para uma história que praticamente se tornou um conto do folclore mundial, ainda mais mantendo um ritmo quase musical à leitura.

Até hoje especula-se se Paul de fato é o mesmo ou foi substituído. Diversas teorias da conspiração são discutidas através de supostas mensagens subliminares nas capas de álbuns dos Beatles do Sgt. Peppers até Let it Be, último álbum da banda. No fim das contas, podemos somente imaginar. Nada é comprovado, e não sabemos se isso é o mundo real ou mais uma viagem psicodélica como tantas outras. Para nós, basta apenas se divertir com tudo isso, e a versão apresentada em Paul Está Morto cumpre esse papel.

Paul Está Morto
Paolo Baron (roteiro)
Ernesto Carbonetti (arte)
Thiago Ferreira (tradução)
Audaci Júnior(revisão)
120 páginas
24 x 17 cm
R$59,90
Capa Dura
Comix Zone
Data de publicação: 09/2020

 

 

 

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Gameplay Games PC

Hitman 3 é o tiro certeiro que precisávamos

Finalmente, temos o fechamento do ciclo, graças a IO Interactive, desenvolvedora que em 2016 deu os primeiros passos dessa nova jornada.  Hitman 3 junto a seus antecessores estão presente entre os melhores títulos da franquia, iniciada em 2000, com Hitman: Codeman 47. E claro, estão também entre os melhores jogos stealth de todos os tempos.

Hitman 3 foi anunciado em 11 de junho de 2020, durante o evento de revelação do PlayStation 5. Segundo os desenvolvedores este título seria algo mais sério, mais maduro e sombrio, que todos os jogos de Hitman. Além de ter sido lançado para uma plataforma Nintendo (Nintendo Switch), após 18 anos, o último jogo da franquia a ser lançado para uma plataforma da empresa foi uma versão de Hitman 2: Silent Assassin para o GameCube em 2003.

Como os jogos anteriores, Hitman 3 é um jogo furtivo jogado de uma perspectiva de terceira pessoa, receita clássica para um bom jogo. Controlando o Agente 47 nós temos que viajar para várias localidades do mundo, para salvar a própria pele. E de que outra forma faríamos isso, se não fosse matando todos os assassinos contratados para dar fim em nós, não é mesmo? Temos aqui novas localidades, como Dubai, Dartmoor, Berlim, Chongqing, Cárpatos na Romênia, e Mendoza na Argentina. Todos esses novos cenários e locações agregam e muito em toda a composição cinematográfica que o jogo permite ter, além de não se desvencilhar de todos os acontecimentos dos jogos anteriores, servindo e nos entregando pontes perfeitas no enredo. E para deixar isso ainda mais claro, aqueles que possuírem Hitman (2016) ou Hitman 2 (2018) podem optar por importar mapas, níveis e seu progresso para Hitman 3.

Hitman 3 apresenta compatibilidade com PlayStation VR na versão para PlayStation 4, com suporte para PlayStation 5 por compatibilidade e ao contrário de Hitman 2, não há espaço para multiplayer, com o modo Sniper Assassin direcionado para um único jogador, e a remoção do modo Ghost Mode.

Desde o início, nós podemos observar o esmero que o roteiro recebeu nesse encerramento da franquia, Hitman 3 só existe graças a seus dois antecessores, e por isso eles estão tão presente aqui. Parece estranho, mas quantas vezes nós sentimos que realmente estamos jogando uma sequencia de fatos, ou simplesmente aprendendo novas mecânicas e colocando em prática dentro de uma história completamente avulsa a realidade que acreditamos existir ali? A sensação de imersão verdadeiramente dita, momentos de frustação com alguns acontecimentos e a espera emotiva por momentos que te fazem ranger o dente de raiva ou soltar todo o ar do seus pulmões de forma a aliviar toda a tensão.

Mas é claro que eu estou falando isso pelo fato de ter de escrever essa análise e perceber as nuances durante toda a minha diversão. Você não precisa se preocupar muito com isso, cada nível ainda funciona bem por conta própria e pode ser tratado como uma simples fase que é necessário ser vencida, com pouca consideração ao enredo geral e fazendo o que o Agente 47 sabe fazer melhor, matar.  Todos os níveis continuam com a boa qualidade e inteligência de

resolução da série. Além dos desenvolvedores terem caprichado nos detalhes para criar locais impressionantes, e cada um com sua peculiaridade. Dubai, assim como na vida real, é o polo da elite árabe e europeia, e caso você, assim como eu, notar os ótimos saques que o roteiro da, e os recepcionar, passará por uma incrível experiência de imersão.

As verdadeiras diferenças que temos em Hitman 3 sobre os jogos anteriores, são bem assertivos, adiciona uma nova experiência sem abalar o que já temos estruturado. Soube que a adição que mais altera essa sensação de tranquilidade é o PS VR, mas como escrevi este análise baseada na minha experiência em um PC, não tenho o que acrescentar, apenas dizer que se você tem a possibilidade de fazer, faça, e jogo em VR. Não interessa se seja bom ou ruim, o importante é usar todos os recursos presentes no jogo.

Algo que me chamou muita atenção em Hitman 3 é o fato da repetição das fases, mesmo existentes, não serem tão chatas como em outros jogos do gênero. Aquele momento terrível de ter que fazer o mesmo percurso, eliminando os mesmos adversários até chegar no seu ponto de definição. Existe? Sim! Mas vai depender de sua vontade, caso você queira tentar um caminho diferente dentro das inúmeras possibilidades que o jogo te oferece, você dificilmente vai sentir essa repetição. Todo esse leque de oportunidades está presente na singularidade de cada local, um belo momento para a construção de mundo, deixando você imerso a cada movimento diferente de um NPC que em sua cabeça estava programado para fazer apenas determinada ação. É muito comum se perder do seu intuito principal, porque é interessante testar as várias maneiras de eliminar os adversários e descobrir mais sobre o lugar que você está atuando. E como um bom jogo de possibilidades, temos um final ‘ideal’ para cada um dos seis níveis, definido pela história, cabe a você busca-lo.

Como falei sobre a falta de informações sobre o modo com VR, ainda assim, existem inúmeros motivos pelos quais recomendar Hitman 3 é quase que um ato natural. Temos aqui um ótimo final para a trilogia que acompanhamos desde 2016, com uma conclusão que vai agradar a muitos fãs e aqueles que caíram de paraquedas. Sua experiência será divertida, não importa o seu nível de gameplay, ou envolvimento com a história principal.

PLATINA- OBRIGATÓRIO

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Anime Pagode Japonês

Primeiras Impressões | Heaven’s Design Team

Depois de anos escrevendo introduções onde falo que há novos animês sendo lançados com a mesma frequência de sempre, eu acabei ficando sem ideias para começar essa postagem. Mas, assim como a clássica “crônica sobre escrever uma crônica“, podemos ser metalinguísticos de vez em quando.
A questão é que depois de 2020 ter sido como foi, ficar sem palavras nem é tão estranho assim. Pelo menos o ano acabou, e com 2021 parecendo ser mais esperançoso, podemos ao menos fingir que haverá melhora, enquanto nos confortamos com um bom e velho show de humor. E esse aqui é justamente o que você precisa nesse momento!

Baseado no mangá – ainda inédito no Brasil – de Tarako, Hebi Zou, e Tsuta Suzuki, “Heaven’s Design Team” – o show que vamos tratar hoje – te dá logo de cara aquilo que é um dos pontos mais importantes para uma comédia: um clima animado e alto-astral. Embora seja possível (e alguns shows trabalham muito bem com isso), é difícil dar risada quando tudo parece deprimente.
Conseguimos esse clima com uma junção de diversas coisas, que se complementam de forma muito bem pensada: Um visual bonito e caricato no grau certo, com muita cor e liberdade artística (com destaque para Mijo Tanaka, responsável pelo design de cores); Um elenco de personagens divertido e que se completam, tornando toda interação uma interação interessante e com um grau de intimidadade que traz conforto; e uma trilha sonora que intensifica tudo isso (graças a nomes como Hayato Matsuo e Satoki Iida no controle musical).

Tendo como premissa um absurdo, é surpreendente pensar que o animê não é tão absurdo assim. Embora tenha suas eventuais cenas absurdas e que, até então, tiveram um timing decente, o quadro geral do humor do show está mais em quebra de expectativas.
Mas todo humor é sobre quebra de expectativas!“… Bem, sim. A diferença é pensar na quebra de expectativa desde o começo. Ainda é uma quebra de expectativa quando você sabe que a piada é justamente uma quebra de expectativa? Logo de cara você já percebe que tudo vai funcionar na base de incitar você a pensar em um animal, quando a resposta é outro, completamente diferente.

E é aí que entra a parte educacional do negócio. Temos pequenas esquetes ao longo dos episódios que contam algumas curiosidades sobre os animais citados, além de te mostrar uns filmezinhos reais no melhor estilo “documentário do National Geographic“.

Imagem do episódio 3 de "Heaven's Design Team"
Se você morre de saudades de aprender curiosidades de animais ao assistir TV Cultura, esse show é pra você!

Já aproveito o parágrafo anterior para fazer uma comparação impossível de passar batido, pois vai também nos ligar com o próximo ponto: Cells at Work! (Veja também: Primeiras Impressões | Cells at Work!). Ambos são shows com uma pegada extremamente semelhante de humor alto-astral e educativo, e com um início bastante forte. Por serem tão parecidos, é que eu tenho medo de Heaven’s Design Team sofrer do mesmo problema que Cells at Work! sofreu: Cair no marasmo de ser repetitivo demais.

Eu sei que a repetição é o primeiro princípio da comédia, mas como já comentei antes (nessa postagem aqui), a repetição precisa ser feita da maneira certa, ou fica repetitiva demais, e acabamos ficando cansados de mais do mesmo. Foi o que aconteceu com Cells at Work, que fez questão de nos dar uma introdução de um minuto todo episódio antes da música de abertura… Coisa que acontece também com “Heaven’s Design Team”.

Além disso, todo o lance “educativo” pode acabar ficando massante depois de um tempo. Apesar de serem esquetes divertidas e fofinhas, a maior parte das “curiosidades” passadas são coisas bastante comuns e conhecidas. Se você, assim como eu, possui um repertório de “conhecimento aleatório” gigante, os cortes acabam ficando entediantes. Além disso, existe a possibilidade de você simplesmente… Não se importar: Todos nós (ou, pelo menos, a maioria de nós) já saímos da escola, e ninguém tem mais saco para aulas de biologia, né?

Imagem do tema de encerramento do animê "Heaven's Design Team"
Não importa o quão legal seja uma luta de gigantes: Baleia x Lula; Kong x Godzilla… Uma hora, o negócio cansa.

Em resumo, o show me passou uma impressão muito positiva, com um humor amigável e bastante aberto para todos os públicos. A torcida é para que ele não acabe sendo repetitivo e mantenha o embalo até o final, coisa que eu queria muito que acontecesse, mas não estou com muitas esperanças. Porém, o que importa é o que tivemos até então, e até então, o animê fica com um 7/10 e um selo “Sessão da Tarde” de aprovação.

Heaven’s Design Team” está disponível com legendas em português na plataforma de streaming Crunchyroll, com novos episódios toda quinta-feira.