Começou a pré-venda de Boca do Diabo nova graphic novel da Editora Comix Zone, que recentemente publicou o clássico argentino Sherlock Time (saiba mais AQUI). Boca do Diabo é uma publicação inglesa que adapta o romance Billy Budd, de Herman Melville, criador do clássico da literatura Moby Dick. A adaptação em quadrinhos é da dupla Jerome Charyn e François Boucq.
Boca do Diabo narra o recrutamento de um jovem ingênuo e talentoso pelo serviço secreto soviético e suas aventuras na cidade de Nova York como espião. A trama começa após a segunda guerra mundial, quando um orfão ucraniano sem passado e sem identidade, além de um lábio leporino, que lhe rende o apelido de “boca do diabo”, é acolhido e treinado pela KGB. Após vinte anos, ele começa a levar uma vida dupla nos EUA com o nome de Billy Budd, ele concilia seu as tarefas de espionagem com seu trabalho como operário, construindo arranha-céus. O resgate de um colega de trabalho e a amizade resultante leva o agente na direção de uma existência espiritual, uma possibilidade anteriormente inimaginável. Mas teria como Billy fugir de seus superiores soviéticos?
No livro original de Herman Melville, publicado em 1924, o jovem Billy Budd é um bonito marinheiro de personalidade inocente, que tem um problema de expressão verbal como um tipo de gagueira. Billy é acusado de incitar um motim entre a tripulação e o capitão Vere, e como tenta se defender verbalmente se tem um problema de fala? Aqui no Brasil, o livro foi publicado com o título de Billy Budd, o Marinheiro, pela editora L&PM.
Na época de seu lançamento, em 2016, a crítica especializada destacou que a sincronia da dupla Charyn e Boucq é um dos pontos altos de Boca do Diabo. E que a narrativa é um dos pontos fortes da graphic novel.
Boca do Diabo tem formato 17 X 24 cm, 128 páginas e está em pré-venda na Amazon Brasil. O lançamento oficial será no dia 26 de junho.
Amassar o seu coração em uma viagem temporal. Essa deve ser a principal proposta de O Melhor que Podíamos Fazer, Graphic Novel autobiográfica de Thi Bui, publicada aqui no Brasil pela Editora Nemo. A história me levou às lágrimas algumas vezes, me trouxe aflição, me deu asco e me encheu de esperança. Uma saraivada de sensações e sentimentos na história da sofrida família.
Thi Bui escreve e desenha O Melhor que Podíamos Fazer, que começa com a protagonista em trabalho de parto acompanhada por sua mãe Má e por seu marido Travis. As primeiras impressões de conflito de gerações já começa ali, com sua mãe e seus ideais e costumes diferentes em relação a maridos. Thi, com muita maestria, começa a contar a história de sua família e de seus seis irmãos. Uma viagem do tempo regressa, somos apresentados a cada nascimento e como cada costume atingiu cada um de seus irmãos. E ao mesmo tempo, a ser contada a biografia da mãe, acabamos assumindo a sua visão e sentimentos. E é nesse momento que as coisas ficam mais tensas para o leitor.
Má é uma mulher criada com os costumes orientais no Vietnã. Com as mazelas daquele país. E sentimos em cada nascimento. Em cada aperto, perda, alegria ou como ela se vira com o seu marido Bô. A narrativa apresenta um pai frio e orgulhoso. Às vezes o olhamos como o “vilão” da história. Mas quando voltamos no tempo e acompanhamos a vida de Bô, com sua infância extremamente difícil, sem muitas esperanças, começamos a ter uma certa empatia e passamos a entender sua frieza. E em meio essa salada de emoções temos a Guerra do Vietnã como personagem e fato que faz todo o destino da família mudar.
A família vai para o s EUA e começa uma jornada entre fagulhas de esperança por uma vida melhor e mais próspera, misturada com a convivência com o ódio e xenofobia. Agressões físicas, morais e trotes telefônicos de mau gosto são rotineiros e convivem com as crianças. E cada uma leva um jeito para reagir sobre cada caso. E não somente pesam sobre seus ombros e mentes infantis os casos de violência racial, mas também o convívio com o pai.
Thi Bui
O Melhor que Podíamos Fazer também não se prende somente aos dramas de Thi Bui e sua família. A Graphic Novel é uma aula de história. Os detalhes do Vietnã, desde sua colonização, passando por uma época da Segunda Guerra Mundial, e culminando no famoso conflito da década de 60 são ricos e de fácil entendimento. Mas a “aula” se dar mesmo quando vemos que cada período histórico, cada fato, atinge e influencia o seu povo. E como sempre durante décadas a família de Bui é atingida por esses fatos. Como um grandioso fantasma, o Vietnã assombra até mesmo quando a família vai para os EUA fugindo da guerra.
Mas como uma narrativa sensível, O Melhor que Podíamos Fazer é uma leitura esperançosa. E a esperança começa no início da Graphic Novel com o nascimento do bebê de Thi. E como a família se renova. Como o mundo se refaz. E como todo nascimento temos um novo começo, mas com a sabedoria do passado. O Melhor que Podíamos Fazer faz jus ao nome, mas não por conformidade, e sim que apesar de tudo, de todas as dificuldades, tentamos fazer o melhor.
Histórias de fantasias sempre me despertam pensamentos como: “o que irei encontrar nesse livro que possa ser diferente de outros?”. Todo livro de fantasia tem a sua identidade, seja com teor político, ou amizades, ou uma bela história de amor, aquela história de que o herói precisa se firmar no mundo… então temos criaturas fantásticas, mundos incríveis, lugares mágicos e pessoas com poderes especiais. O que eu encontraria em Guirlanda Rubra da Editora Draco? Bem, eu encontrei tudo isso. E encontrei algo que poucos livros do gênero abordam: um tom intimista.
Escrito por Erick Santos, editor da Draco e fazendo a sua estreia como escritor, Guirlanda Rubra apresenta o jovem Garlando Espendi. O herdeiro de uma família de burgueses muito influentes por toda Terra Pátria. Ele segue os padrões de um jovem mimado rico. Sedutor, amante de boas festas e muitas mulheres. Mas o leitor sente que toda essa áurea festiva de Garlando é como um escudo para dores individuais profundas. Onde ele sempre teve que lidar com nunca ter uma escolha para a sua vida. E sempre lidar com perdas. Seja na morte de seus pais, quando a única mulher que amou, Celestiana Tessitore, a popular Celes, tem que ir embora para outra cidade e o deixa e quando a sua tia Reggiane quer que ele assuma os negócios da família. Toda riqueza, sedução e destreza de Garlando nunca o fez independente. Ele sempre teve seu destino programado por alguma coisa ou alguém. E é justamente aí que a leitura é intimista.
Quem nunca foi o jovem que já se sentiu sendo “manipulado” ou “guiado” para viver uma vida programada? Quem nunca quis viver para aproveitar o máximo possível de uma festa sem pensar no amanhã? Esse conflito sofrido por Garlando me pareceu muito latente. Me impressionou. E ainda mais sabendo que Erick Santos começou a elaborar toda a história há mais de 15 anos, em uma época em que o jovem escritor poderia estar vivendo conflitos de como seguir na vida como o personagem principal. Considerando esse fórum íntimo, o personagem estreita laços com o leitor facilmente. A ponto de você lembrar e assimilar histórias suas com Garlando. Mesmo quando chega o momento de ruptura da “inocência”, onde precisa assumir a postura do herói, ainda é possível se prender e espelhar.
Mas o destaque fica mesmo na narrativa adotada. Em Guirlanda Rubra, a narrativa é leve e de muito fácil entendimento. As palavras são usadas de forma cadenciada mas ao mesmo tempo, são diretas em suas informações. Por que sendo o primeiro livro onde um novo mundo é apresentado, muitos autores se fixam em explicar geografias, costumes, gestos, sotaques etc e tal. A escrita do Erick explica com jeito, economicamente, mas não deixa de ser rica. Ela transporta facilmente o leitor para a cena. Eu senti isso logo de cara, no começo do livro. Em uma sequencia de ação. Onde envolve magia e lutas, é possível sentir os pontos de desespero e satisfação de alguns personagens. E como é uma história de amadurecimento, o livro segue Garlando nesse processo. A primeira parte é bem mais leve, e a partir da segunda sente-se um peso na trama que segue assim por diante.
A miscelânea de influências também se destaca em Guirlanda Rubra. Erick pegou coisas que gosta e as transmutou para a trama sem parecer forçado. Magia, tecnologia, personagens que parecem de etnias diferentes… tudo bem encaixadinho sem atropelar ou encher linguiça. O que me incomodou foi uma falta de conhecer ou aproveitar mais os outros personagens. Temos um foco totalmente em cima de Garlando, que é totalmente compreensível até. Mas ficou um gosto de que os outros personagens poderiam ser bem mais trabalhados. Como a proposta é apresentar um novo mundo e acompanhar Garlando nesse primeiro livro, é normal isso.
Outro grande trunfo de Guirlanda Rubra são as ilustrações. O desenhista Abel apresenta personagens ricos em detalhes com traços muito bonitos e pomposos. A capa em si já é um espetáculo a parte, lembrando antigos livros de RPG de Steve Jackson e Ian Livingstone, ou em filmes de fantasia fantástica. Essa ambientação visual contribui muito para o leitor se ambientar na trama, o que é muito favorável para leitores novatos e para leitores experientes. É um traço com tantos detalhes, mas que ao mesmo tempo não são confusos e de fácil entendimento.
Guirlanda Rubra é um excelente começo de Erick Santos como escritor. Ele conduz bem a trama que apresenta um novo mundo, rico em detalhes com uma fácil narrativa. Muitas vezes me senti “jogando” um Final Fantasy para os antigos consoles de 16 BITS. A Editora Draco iniciou uma campanha de financiamento coletivo no Catarse para disponibilizar a publicação e fez um podcast com mais detalhes. Os links estão abaixo:
Canil é um amadurecimento. Ou pelo menos tem um gosto de amadurecimento. Além do sabor de horror e sangue. Mas a HQ que encerra a trilogia de terror de Marcel Bartholo e Rodrigo Ramos abrilhanta com uma evolução a série que começou em Carniça, continuou em Lama e termina agora. Essa parceria, uma das mais talentosas dos quadrinhos nacionais na atualidade, rendeu o selo Carniça Quadrinhos, abrindo um leque para o horizonte nas produções do gênero.
O amadurecimento que Canil traz para a trilogia, e muito fundamentada com a base da ousadia. A série tem essa marca de criticar e expor mazelas da sociedade e dos maus tratos de seus governantes ou então das grandes empresas e seus conglomerados milionários. Canil não fica atrás e apresenta uma critica social onde envolve, política, ego, abuso de menor, crime organizado e o corrupto sistema carcerário. E no meio disso tudo ainda temos espíritos e o mito da licantropia sendo explorado. E com uma ousadia de inovar em um lobisomen original, monstruoso e único.
Fica impossível analisar o roteiro de Rodrigo Ramos sem mesclar com a arte de Marcel Bartholo. Impossível. Assim como queijo com goiabada, é incrível como eles se completam. O roteiro do Rodrigo é reto e sem firulas. Você assimila bem o que está sendo proposto principalmente na metáfora do Homem e a Besta-Fera Interior. Um rapaz condenado vivendo em uma prisão, quando na realidade a verdadeira prisão é ele mesmo. A agonia, o medo e o prazer depois de transformado é repassado na narrativa de Canil. Assim como o pavor dos outros detentos e oficiais da prisão.
E todo esse horror, agonia, terror e prazer depois da transformação, é bem reproduzida na arte do Marcel Bartholo, que está entre um dos melhores desenhistas nacionais. O olhar profundo e sem esperança do jovem amaldiçoado é como uma prisão, um canil, durante a sua estadia na cela enquanto luta contra o seu monstro interior e entrega sua desistência para a vida exterior. Os obscuros cenários com o tom vermelho sangue, em alguns momentos incomoda. Passa desconforto. Como toda prisão brasileira passa com seu falido sistema. É tenebroso e assustador a sequência após a transformação e o Lobisomem atacando os outros presos e guardas.
Como dito antes arte e roteiro fazem um casamento perfeito em Canil, e acaba transformando a HQ na mais madura em termos de roteiro e arte da Trilogia. Assim como Rodrigo Ramos e Marcel Bartholo repassam esse amadurecimento para o leitor com uma história que traz critica social, terror e repulsa. Tradicional característica da Trilogia Carniça.
Carniça, Lama e Canil podem ser adquiridas no site e pelas redes sociais dos artistas. Links abaixo:
Imagina que você é dirigente de um time pentacampeão? Imagina que você é dirigente de um time que tem simplesmente o melhor jogador de todos os tempos? Imagina que você é dirigente de um time que se torna um marco máximo do esporte e da cultura mundial? Agora imagina que você decide desmontar esse time e avisa para o seu técnico no início da temporada? Essa foi a ideia do gerente geral do Chicago Bulls, Jerry Krause.
Partindo do principio do desmanche, Arremesso Final, Last Dance no original, a série documental sobre o lendário time da década de 90 do Chicago Bulls, apresenta um dos pilares daquela década. Um pilar que envolveu esporte, cultura pop, marketing esportivo, polêmicas, recordes e Michael Jordan. Com direção de Jason Herir, a série é uma co-produção da ESPN com a Netflix tem como dois pontos que devem ser muito destacados: a qualidade jornalística e por não esconder, digamos, nenhum “podre” de ninguém. Nem do ídolo Michael Jordan.
Ao longo de dez episódios somos bombardeados em uma incessante viagem em tempos distintos. A linha temporal é contada de forma não linear, mas de muito fácil entendimento. E sim, temos mais de um documentário dentro de Arremesso Final. A série fala sobre a fabulosa última temporada do lendário time do Bulls, com todos os seus conflitos, mazelas, dores, alegrias etc. Ela fala de como esse mesmo time foi importante para a globalização do NBA. A série fala sobre Michael Jordan.
Destrinchando com maestria a vida do maior jogador de basquete de todos os tempos. Arremesso Final destila toda trajetória de como ele foi eleito cinco vezes o jogador mais valioso da NBA, de como foi o maior pontuador em um único jogo (com 69 pontos) e cestinha máximo durante 10 temporadas. Acompanhamos um menino Michael Jordan, que saiu de terceira opção do Draft de 1984, para lenda máxima do esporte. Mas não somente no basquete. Jordan foi, ou ainda é, um ícone da cultura. Da moda. Da perseverança. Momentos de sua carreira dão excelentes cases de sucesso em palestras motivacionais que se espalham por aí. Ele criou tendências influenciando não somente uma geração de atletas, mas também na moda com os tênis Air Jordan. Protagonizou a super produção da Warner Bros., Space Jam – O Jogo do Século e se tornou uma das personalidades mais famosas e importantes de todos os tempos.
Scottie Pippen, o técnico Phil Jackson e Michael Jordan.
Mas as suas polêmicas e jeito duro também são mencionados durante Arremesso Final. De como apesar de muito querido por boa parte dos jogadores, ele era uma pessoa altamente competitiva. A ponto de magoar seus companheiros de equipe em assédios morais em treinamentos e jogos. Momentos de vulnerabilidade a perda do pai e o vício por jogos são contados minuciosamente. E a série não esconde isso. O próprio Jordan, em depoimentos sinceros ao longo dos episódios, relata cada um deles. Inclusive depoimentos rancorosos. Que aos 57 anos, o atleta ainda os guarda. Como no momento em que ele chama Scottie Pippen de egoísta, por este forçar sua saída do Chicago Bulls por receber um salário menor. São momentos que poderiam desconstruir o mito. Mas muito pelo contrário, só fortalecem. Impossível não terminar a série gostando ainda mais dele. Querendo consumir mais leituras ou filmes sobre ele. Ou simplesmente assistir um jogo do Chicago Bulls daqueles gloriosos anos.
Arremesso final tem sua dose dramática que se eleva em diversos momentos. O décimo e último episódio é o melhor. Quando relata sobre a sofrida série de seis jogos finais contra o Utah Jazz, onde os jogos finais são apresentados como um épico do estilo Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Onde todos os personagens estão já exauridos, praticamente se arrastando, tirando forças sabe-se lá de onde, e mesmo assim estão indo para um último objetivo maior, para uma última e melhor dança. É praticamente impossível não ficar nervoso com a construção que a direção deu ao último episódio. Mesmo sabendo da história, é como estar dentro daquele estádio lotado.
Mas Arremesso Final constrói bem todo épico mitológico do Chicago Bulls pelos seus campeonatos. Ele vai cutucando cada mazela de seus jogadores. Sem nenhum pudor de falar da insatisfação de Scottie Pippen, das loucuras de Dennis Rodman e da obsessão de Michael Jordan com o topo e a vitória sempre. Muitas vezes vemos a narrativa da série, transformar “personagens” em vilões. E de uma hora para outra se tornarem heróis. É uma série que agrada quem gosta de basquete e viveu a Bulls-Mania e também agrada e prende quem não gosta do esporte. Os depoimentos dos jogadores, do técnico Phil Jackson, de adversários, os ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton, familiares e de profissionais da imprensa esportiva abrilhantam a série. O que só eleva ainda mais o Chicago Bulls daquela época.
Arremesso Final, é obviamente uma série que conta a vida e carreira de Michael Jordan. Mas ela constrói é como o time chega ao ponto de se tornar um marco cultural e esportivo. Vamos lembrar que era uma década em que a internet dava seus primeiros passos. Não existiam os celulares poderosos, as redes sociais nem nada do tipo que pudesse compartilhar com outros países e se tornar viral uma imagem de time vencedor. O que esse Chicago Bulls fez foi entrar para a história pelo basquetebol. Michael Jordan, apesar de ser uma personalidade midiática, não tinha um aparato como Instagram para se promover. Suas clicadas e curtidas não eram com atrizes famosas ou festas badaladas. E sim com suas enterradas, performances e determinação nas quadras.
Arremesso Final é uma das séries documentais mais bem produzida de 2020. Uma série que não tem medo de desconstruir um mito, assim como ela não tem medo de elevar para um patamar maior. Para quem não teve a oportunidade de assistir nada daquele Chicago Bulls, é uma excelente chance. Para quem teve chance der assistir, quando chegava aqui no Brasil, assim como esse que lhe escreve, é uma chuva de lembranças. De boas lembranças.
A editora Comix Zone está em plena campanha de lançamento de Sherlock Time, HQ argentina é o primeiro trabalho em conjunto dos icônicos Hector Germán Oesterheld e Alberto Breccia, Mort Cinder, Che – Os Últimos Dias de um Herói,O Eternauta 1969 e muitos outros. O Eternauta, aliás, também publicado pela editora aqui em terras tupiniquins.
Na trama, Julio Luna é um recém aposentado que compra uma mansão por um preço muito baixo, e logo descobre que há coisas estranhas acontecendo ali. Envolto de tanto mistério, Lina tromba com um jardineiro que lhe avisa que a casa é mortalmente amaldiçoada. Esse jardineiro é Sherlock Time que entra em cena e revela que a mansão é na verdade uma nava espacial preparada para capturar humanos para experiências alienígenas.
Sherlock Time foi publicado originalmente na revista Hora Cero entre 1958 e 1959, em onze histórias com casos como “monstro da semana”. Como é de costume de Oesterheld, episódios curtos que vão lentamente apresentando detalhes dos personagens. Essa obra é um dos trabalhos de Oesterhld com a maior influência do escritor argentino Jorge Luís Borges, mas é possível perceber elementos de Edgar Alan Poe e Conan Doyle na trama, que é misteriosa, cheia de armadilhas para os humanos, que só Sherlock parece conhecer e que de alguma forma o mesmo parece ser um grande defensor da humanidade. Mas ao mesmo tempo não sabemos quem é Sherlock Time, sua origem, do que ele é capaz e nem se ele é realmente humano!
Sherlock Time é também onde podemos ver a arte de Breccia dar os primeiros passos do seu estilo de claro e escuro que se tornaria marcante na sua carreira.
Sherlock Time tem formato 29,2 x 21,2 cm, 176 páginas e já pode ser adquirido na Amazon Brasil.
Mais recentemente o perfil Fora do Plástico divulgou que o próximo lançamento da Comix Zone será a HQ Boca do Diabo. A obra marca a estreia do desenhista François Boucq, que assina o quadrinhos com Jerome Charyn. A graphic novel é inspirada no romance de Herman Melville e narra o recrutamento de um jovem ingênuo e talentoso pelo serviço secreto soviético. Para informações sobre o começo das vendas de Boca do Diabo, fique ligado na Torre de Vigilância.
Um dos quadrinhos nacionais que teve mais destaque nos últimos anos e que alavancou a carreira de Danilo Beyruth, está sendo relançado em uma nova versão. Bando de Dois está completando 10 anos e a Zarabatana Books publicará uma edição especial colorida por meio de financiamento coletivo no site Catarse.
A trama apresenta a dupla Tinhoso e Caveira de Boi, os dois últimos sobreviventes de um bando de 20 cangaceiros. Ferido, Tinhoso tem uma visão de seu comandante e seus companheiros mortos pedindo que os ajudasse, que os levasse para o descanso. Então a dupla parte para uma busca das cabeças decepadas de seus companheiros, e juntos, decidem enfrentar um exército.
Bando de Dois venceu o Troféu HQ Mix de 2011 como Melhor Edição Especial Nacional. A obra foi publicada em Portugal pela editora Levoir. A nova versão terá cores do francês Fabien Alquier.
Bando de Dois tem formato 22,3 X 30 cm, 96 páginas e capa dura. Para saber mais sobre a campanha, recompensas e valores clique AQUI.
Foram divulgadas as primeiras páginas de Parasite: A Graphic Novel in Storyboards, a publicação que adapta o premiado filme do diretor Bong Joon Ho, grande vencedor do Oscar 2020, em uma graphic novel. Hoje, dia 19 de maio, o filme completa um ano desde que foi lançado, e para comemorar essa data, a publicação do livro.
Com 304 páginas, a graphic novel de Parasita terá centenas de storyboards desenhados por Bong Joon Ho para planejar a direção de todas as cenas do filme além de fotos da produção e ilustrações e rascunhos do diretor para o filme, separados do roteiro. A graphic novel tem como objetivo apresentar uma nova visão para o processo criativo e fascinar ainda mais os fãs do filme.
“Este livro não pretende que o storyboard seja um atalho essencial para fazer bons filmes”, escreve Bong no prefácio de Parasite: A Graphic Novel in Storyboards. “Na verdade, eu faço um storyboard para reprimir minha própria ansiedade. Só me sinto seguro quando tenho todas as cenas do dia na minha mão. Me sinto nu quando estou sem eles.”
Na galeria abaixo, podemos conferir um dos momentos mais marcantes do filme, quando a família Kim retorna para casa, o porão está todo alagado por causa de uma chuva torrencial. Os desenhos são acompanhados por falas dos personagens e anotações do diretor:
Em Parasita, acompanhamos a família Kim que vive sérias dificuldades financeiras e acaba invadindo por meio de golpes e mentiras, a vida da rica família Park. No desenrolar da trama, vão ficando evidentes as diferenças entre as famílias até que algo inesperado e surpreendente acontece. Confira nossa crítica para o filme AQUI.
Parasite: A Graphic Novel in Storyboards, como já dito acima, tem 304 páginas, capa dura, prefácio escrito pelo diretor, esboços iniciais e fotos do set. A venda já está disponível no site da editora Grand Central Publishing.
O ano era 1991, o desenho animado das Tartarugas Ninja estava no auge, ou melhor, a franquia estava no seu auge. Seu filme lançado no ano anterior tinha alcançado uma altíssima bilheteria sendo a produção cinematográfica independente mais lucrativa da história, perdendo o posto para A Bruxa de Blair em 1999, o segundo filme já estava no circuito sendo um sucesso, uma linha de brinquedos rendendo milhões e uma franquia de games de sucesso. O mundo respirava as Tartarugas. Então a Konami coloca no mercado de games o Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time. Aquele que é considerado o melhor game dos personagens de todos os tempos.
Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time foi a estreia dos personagens nos consoles de 16 BITS, o mais ponto da tecnologia de games caseiros daquela época. Mais precisamente no Super Nintendo. O game foi um verdadeiro vendaval nos fãs. As locadoras ficavam lotadas com a galera disputando o cartucho ou então um horário para jogar. E ainda acirrou ainda mais a disputa entre Mega Drive e o SNES. Que até então não tinham nenhuma aventura nos consoles da SEGA. A estreia foi somente em 1993, no The Hyperstone Heist. Um jogo bem curto, de cinco fases que mais parecia (ou era) um reaproveitamento de sobras do Turtles in Time. O game em si não era ruim. Era uma história original e com o Tatsu, o carequinha dos filmes, como um dos BOSS.
Os jogos das Tartarugas eram muito populares naquela época. Os games do Nintendinho eram super divertidos, e o Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time seguiu a numeração sequencial desses games. Só para situar na linha de tempo, no Nintendinho foram lançados: Teenage Mutant Ninja Turtles (1989), Teenage Mutant Ninja Turtles: The Arcade Game (1990) e Teenage Mutant Ninja Turtles: The Manhattan Project (1991). O que pouca gente aqui no Brasil sabe, é que o Turtles in Time foi lançado primeiro na versão arcade como continuação direta de Arcade Game. Entretanto, a versão japonesa, país onde o console era chamado de Super Famicon, manteve o título original não numerado.
As fases:
Big Apple, 3 AM Alleycat Blues Sewer Surfin’ Technodrome – Let’s Kick Shell! BC 2500000000 – Prehistoric Turtlesauras AD 1530 – Skull and Crossbones AD 1885 – Bury My Shell At Wounded Knee AD 2020 – Neon Night-Riders AD 2100 – Where No Turtle Has Gone Before AD 1992 – Technodrome – The Final Shell-Shock
O Arcade Game, foi lançado originalmente em 1989, e depois ganhou uma versão para Nintendinho. Turtles in Time foi lançado na versão arcade em 1991 e depois uma versão em 1992. Embolado nesse meio ainda tiveram games avulsos originais para PC, GameBoy e Pinball.
Sem o numeral IV, Turtles in Time rapidamente se tornou o arcade mais vendido pela Konami em 1991. O jogo trazia inovações no simples “andar e bater” dos anteriores. Na trama, o Destruidor confronta as Tartarugas e Krang rouba a Estátua da Liberdade. Após chegarem no Technodrome, o Destruidor aciona um túnel do tempo e joga as Tartarugas em uma porradaria contra vilões no passado e no futuro. Mas o que ficou realmente marcando foram os golpes, como por exemplo jogar os soldados do Clã do Pé contra a tela. Havia disputa de quem fazia mais nas locadoras. Aquilo foi uma loucura na época.
Matéria da Revista Ação Games Nº 17
Uma outra coisa legal do game, na versão do SNES, foi introduzir personagens que até então eram inéditos nos games, como o Rei Rato, Slash (a tartaruga alienígena que já teve várias origens) Metalhead, o Battletank do Destruidor e os mutantes Tokka e Rahzar (do recente segundo filme Segredo do Ooze). Na versão do SNES, os bichões são confrontados no Technodrome e Bebop e Rocksteady são os Boss na fase AD 1530 – Skull and Crossbones. Na versão arcade, Tokka e Rahzar são enfrentados no navio.
Os sons das duas versões também são diferentes. Na versão do SNES está faltando algumas amostras de voz para os personagens e a música tema da versão arcade, “Pizza Power”, foi substituída por uma versão instrumental do tema do desenho animado. E no SNES foram incluídos os inimigos Roadkill Rodneys e Mousers.
Turtles in Time IV também foi o pontapé inicial para um game de luta no estilo Street Fighter, que na época estava se tornando a gigantesca franquia. O modo VERSUS, onde você escolhia uma das Tartarugas, e com Splinter como juiz, poderia lutar uma contra a outra. Esse modo originou o game Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters que foi lançado em diversas plataformas entre os anos de 1993 e 1994. Os personagens se variavam entre as versões es, era possível jogar com April, Casey Jones, Wingnut, Ray Fillet, Karai entre outros.
Reza a lenda que o sucesso de Turtles in Time foi o pavio idealizador do terceiro filme das Tartarugas Ninja. Aquele filme em que eles encontram um cetro mágico que os mandam para um Japão Feudal onde todos falam inglês com sotaques americanos. O filme era muito estranho e se distanciava muito dos outros dois primeiros. Ele conseguiu se pagar, mais ficou longe do desempenho dos outros dois e foi um fracasso total de crítica, enterrando a franquia dos personagens nos cinemas. Até o lançamento da animação em 2004.
Um remake de Turtles in Time foi desenvolvido pela filial em Singapura da Ubisoft para PS3 e XBox 360 em 2009. Infelizmente, o game intitulado Re-Shelled, que foi todo modernizado, não teve o sucesso esperado e foi um total fracasso.
Turtles in Time se consolidou como o melhor game das Tartarugas Ninja até hoje. Seja por introduzir personagens que estavam no auge nos filmes e no desenho animado. Além de inovar com novos golpes, modos de game player e introduzir um game de luta, que foi o encerramento da franquia naquela geração de games.
E o Maestro vai dar as caras novamente nas publicações da Marvel Comics. Já se vão 28 anos desde a primeira publicação em Hulk – Futuro Imperfeito e as mais recentes em anos anteriores em Guerras Secretas II e Velho Logan, e até então a sua origem era um mistério. Bem, pelo menos até o próximo mês de agosto.
A Casa das Ideias anunciou a minissérie Maestro onde, finalmente, conheceremos a origem do personagem. Em Futuro Imperfeito somos apresentados a um mundo apocalíptico em que os heróis estão mortos. E esse lugar desolado é governado pelo misterioso e violento ditador conhecido como Maestro, que nada mais é do que a versão envelhecida do Hulk.
A história vai mostrar a queda dos heróis e a ascensão do Maestro. E como o Bruce Banner/Hulk chegaram a esse ponto.
“Eu não fazia ideia que o personagem ficaria tão popular. Até agora foram feitas alusões à sua origem, então estou empolgado em explorar isso na nova série e mal posso esperar para os fãs começarem a ler”, disse Peter David, roteirista de Futuro Imperfeito e da nova minissérie.
Além dos roteiros de Peter David, a minissérie terá desenhos de Gérman Peralta e Dale Keown. Uma das capas variantes será de George Pérez.