A 20th Century FOX liberou oficialmente o primeiro trailer da cinebiografia da icônica banda Queen. Aperte o play e sinta o som:
Queen foi uma banda britânica de rock fundada em 1970. O grupo, formado por Brian May (guitarra e vocais), Freddie Mercury (vocais e piano), John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria e vocais) é frequentemente citado como um dos expoentes do seu estilo, também sendo um dos recordistas de vendas de discos a nível mundial. A música da banda também é conhecida por ser altamente eclética, variando entre várias vertentes do rock.
O filme mostrará toda a trajetória do Queen, da formação da banda até os seis anos que antecederam a morte de Mercury em 1991.
Bohemian Rhapsody será lançado em 2 de novembro deste ano.
Muito seriador chega a se encolher todo ano com os upfronts desta emissora, uma vez que o massacre em sua grade será algo completamente inevitável. Só que não foi desta vez. A lista possui mais séries renovadas que atrasadas e isso é um grande alívio, não é mesmo? Confira:
RENOVADAS
Brooklyn Nine-Nine*
This is Us Will & Grace The Voice Ellen’s Game of Games Law & Order: SVU Chicago Med Chicago PD Chicago Fire The Good Place The Blacklist Superstore A.P. Bio Blindspot The Wall Good Girls
*Salva pela emissora após o cancelamento pela FOX
CANCELADAS
Rise The Night Shift Taken Great News Shades of Blue Brave
PENDENTES
Better Late Than Never Timeless Champions
A emissora foi um pouco generosa nesta temporada e torcendo para que continue assim. Daqui a alguns meses, já teremos o início do Fall Season 2018-2019 trazendo novamente as veteranas para dividir espaço com as novatas.
Apesar do pequeno banho de sangue que a FOX realizou nesta última semana em sua grade de programação, parece que resolveu ser misericordiosa com a série do Cruzado Encapuzado.
É isso mesmo, gothamitas!Gotham foi renovada para o quinto ano, porém será a última temporada.
Fontes informaram ao The Hollywood Reporter que o programa teria um pacote de 13 episódios e focaria na transformação de Bruce Wayne no Batman. Com isso, a série finalizaria com um total de 100 episódios.
Até o momento, a emissora não fez o anúncio oficial sobre a quantidade de episódios e o plot principal da trama.
A série de comédia foi renovada pela emissora nos 45 minutos do segundo tempo após ter sido cancelada pela FOX. Ainda foi revelado que a sexta temporada terá 13 episódios.
”Desde que vendemos este programa para a FOX, lamento deixá-lo escapar e já era hora de retornar para a sua legítima casa”, disse Robert Greenblatt, presidente da NBC Entertainment. ”Mike Schur, Dan Goor e Andy Samberg cresceram na NBC e estamos muito felizes que uma das mais inteligentes, mais engraçadas e melhor elenco de comédia em muito tempo ocupará seu lugar em nossa linha de comédia. Eu falo por todos na NBC, aqui está Nine-Nine!”
Brooklyn Nine-Nine possui em seu elenco: Andre Braugher, Terry Crews, Melissa Fumero, Joe Lo Truglio, Stephanie Beatriz, Chelsea Peretti, Dirk Blocker e Joel McKinnon Miller.
O mês de Maio é considerado para qualquer seriador como a época do mais puro terror, onde todos ficam desesperados para o anúncio oficial sobre as suas séries favoritas. Se renovou, perfeito. Se cancelou o que não devia, quebra tudo. Se renovou o que não devia, quebra tudo. Se cancelou o que devia, perfeito. Ou seja, haja coração!
São cinco grandes emissoras que estão a todo tempo atualizando os programas veteranos e novatos. Nesta matéria, darei uma luz sobre a programação da FOX. Segue abaixo a listinha com algumas ainda pendentes de anúncio.
RENOVADAS
Bob’s Burgers
Lethal Weapon
Gotham*
9-1-1
Empire
The Resident
The Simpsons
Orville
Family Guy
The Gifted
Star
The Four
*Renovada para sua última temporada
CANCELADAS
Lucifer
The Mick
The Exorcist
The Last Man on Earth
Brooklyn Nine-Nine*
*Salva pela NBC
PENDENTES
Ghosted
LA to Vegas
ENGAVETADA
The X-Files*
*Esse é o atual status da série, uma vez que a emissora não bateu o martelo se será renovada ou cancelada
Além disso, os Upfronts são conhecidos por mostrarem as novas séries que farão parte da grade durante o Fall Season e Mid Season. Fiquem atentos para mais atualizações dessa semana sangrenta e alegre.
Com o lançamento previsto para o final do próximo mês, a Netflix liberou o trailer da próxima temporada de Luke Cage. Preparem aquele café e deem play a seguir:
https://www.youtube.com/watch?v=xKoqOKRJUFk
Luke Cage está de volta! Ele virou celebridade nas ruas do Harlem após limpar seu nome, e sua reputação se torna tão indestrutível quanto sua pele. Mas com tanta visibilidade, precisa proteger o bairro mais do que nunca e entender que nem todos podem ser salvos. Quando um poderoso inimigo aparece, Luke é obrigado a confrontar a linha tênue que separa os heróis dos vilões.
Luke Cage retorna com episódios inéditos em 22 de junho. A primeira temporada completa está disponível na Netflix.
Raul é a gíria para os indivíduos que aplicam golpes envolvendo obtenção fraudulenta de dados bancários e falsificação dos cartões magnéticos.
Entendendo o que significa o nome da graphic novel Raul, a reportagem em quadrinhos, publicada pela Editora Elefante, em seu debute no segmento da nona arte, a gente entende mais sobre a história que será contada na obra. E muito bem contada por Alexandre de Maio.
A trama mescla diversas frentes: uma que conta a origem e evolução até os dias de hoje desse crime silencioso, onde o bandido assalta sem portar uma só arma. Que provoca grandes perturbações aos lesados. Mas também é um relato fiel da criminalidade em geral, da truculência e subornos de alguns policiais, a vida nas regiões carentes, o grito abafado de agonia do sistema presidiário nacional (desde as casas para menores até as grandes prisões), tudo isso seguindo a vida de Rafa.
A história de Rafa é real e tanto o seu nome quanto os dos demais personagens apresentados na HQ, são ficcionais. Alexandre de Maio conta a vida de Rafa desde criança, quando chega a São Paulo, o início ainda jovem no crime, as vezes que foi preso, o poder aquisitivo que o golpe de Raul o deu. Mostrando de como ele chegou a ser um rapper famoso com uma carreira consolidada.
A realidade de um jovem que vê no crime uma forma de crescer na vida, não é novidade em nenhum lugar no mundo. Ainda mais no Brasil onde a divisão entre pobreza e riqueza são absurdamente enormes. A trama já começa com o pé lá embaixo, com a trajetória do jovem Rafa em golpes curtos, antes de entrar no circuito dos cartões, e suas idas e vindas às delegacias. O relacionamento com sua mãe que busca métodos poucos ortodoxos para “convencê-lo” a sair do crime.
Quando Rafa, depois de tantas experiências, resolve seguir no mundo do rap, Alexandre de Maio brinca na sequência. Ele traz a narrativa o protagonista levando uma vida que foi bem sucedida, com sucessos nas rádios, clipes em Youtuber entre os mais assistidos e a balança de manter uma carreira em um mundo tão competitivo como o da música. A dúvida entre seguir como rapper ou retornar a vida do crime é latente nessa fase da HQ e praticamente salta as páginas. Como se afogasse Rafa em um mar revolto.
A arte de Alexandre de Maio é como estar lendo um álbum de Sin City com Frank Miller nos melhores dias. O sombreamento, as páginas escuras e os personagens praticamente sem rostos não atrapalham a leitura e em certos momentos (principalmente os mais tensos, vide todas as cenas das cadeias) são sufocantes, mas só ajuda a passar a realidade do que Rafa estava vivendo no momento.
Alexandre de Maio fez um excelente trabalho investigativo em Raul. Pois além de uma biografia praticamente perfeita, vemos também como um golpe, que as agências bancárias insistem em esconder por causa das publicidades negativas, evolui ao passar dos anos. Fiquei curioso para saber mais coisas sobre outros golpes, que não são badalados pela grande mídia também.
Espero que mais obras de jornalismo em quadrinhos, que é tão comum lá fora, ganhem mais produções aqui no Brasil. Temos um nicho muito bom para explorar de situações que somente em Terras Tupiniquins acontecem. A excelente graphic novel Raul é uma prova disso.
De acordo com Heroic Hollywood, Conor (The Man In The High Castle) é a mais nova adição do elenco para a versão live-action da equipe.
Nos gibis, misticamente criada a partir de um fragmento da alma da Mulher-Maravilha, a garota conhecida simplesmente como Donna Troy foi resgatada de um edifício em chamas por Réia, Rainha dos deuses Titãs Mitológicos, e levada a Nova Cronos. Os deuses deram a ela o nome Troy, garantindo-lhe, e a outras onze crianças órfãs de diversas partes do cosmo, superpoderes e vasto conhecimento, acreditando na profecia de que uma destas onze “sementes” os salvaria um dia de uma grande ameaça que causaria sua extinção.
De volta à Terra, com 13 anos e sem memórias de Nova Cronos, Donna encontrou inspiração na Mulher-Maravilha da Segunda Guerra Mundial (Rainha Hipólita de Themiscyra, durante uma viagem temporal) e foi a primeira heroína a adotar o nome de Moça-Maravilha. Junto com Robin, Kid Flash e Aqualad, Donna sugeriu o nome de Turma Titã para o grupo formado por eles. Viveram várias aventuras até a equipe se dissolver. Tempos depois veio a se juntar ao grupo formado por Ravena, para derrotar Trigon.
Titãs possui em seu elenco: Brenton Thwaites (Dick Grayson/Asa Noturna), Anna Diop (Estelar), Teagan Croft (Ravena), Lindsey Gort (Detetive Amy Rohrbach), Alan Ritchson (Rapina), Minka Kelly (Columba), Ryan Potter (Mutano), Dwain Murphy (Homem-Negativo), Jake Michaels (Homem-Robô), April Bowlby (Mulher-Elástica) e Bruno Bichir (O Chefe).
A série tem previsão de lançamento numa plataforma digital da DC neste ano.
E chegou ao final a trajetória de Jane Foster, empunhando o Mjolnir e se aventurando como a Poderosa Thor. O gran finale foi publicado em Mighty Thor #706, lançado recentemente nos Estados Unidos, e com a HQ, se encerra uma das fases mais queridas por diversos leitores ao redor do mundo. Para você que quer saber como tudo começou clique AQUI.
Jane Foster sempre teve uma vida corrida e sofrida. A sua mãe morreu quando ela era ainda muito jovem. O seu pai trabalhou a vida inteira para lhe garantir um grande futuro, onde ela veio se tornar enfermeira e logo depois médica. Depois das idas e vindas ao relacionamento com Thor, ela se casou com o médico Dr. Keith Kincaid, com quem teve um filho chamado James. Mas depois de um desentendimento com Kincaid, ela pediu o divórcio e perdeu a custódia do filho.
Dr. Keith Kincaid, Jane Foster e o pequeno James em Thor Vol.1 #394.
Foi na época em que Thor enfrentava Gorr, o Carniceiro dos Deuses, que Jane tomou outro golpe pesado da vida: ela descobre que estava com um câncer de mama em um estágio bem avançado. O então, Deus do Trovão, queria levá-la para Asgard e tratar a doença com magia, mas Jane Foster recusou. Alegando que toda magia tem seu preço, e sendo uma mulher da ciência, ela preferia tratar em Midgard. Logo após ela assumiu o papel de parlamentar no Congresso dos Mundos, onde representava a Terra.
O roteirista Jason Aaron trouxe uma humanidade incomum que não se encontra normalmente em alguns personagens em quadrinhos. Que despertou a simpatia dos leitores pela saga da Poderosa Thor. É complicado e difícil você simplesmente trocar um personagem como Odinson e implantar outro no lugar. Ao longo dos anos diversos quadrinhos fizeram isso, e ainda fazem. Muitos dos pretextos das editoras são “para conservar o personagem”, mas muitas vezes é somente para alavancar o título com uma nova visão. Seja lá o que for, Aaron acertou em cheio, utilizando de clichês como identidade secreta. Algo que não é muito usado, salvo por alguns personagens, na Marvel Comics.
Uma das coisas mais legais das histórias, foi utilizar “argumentos” de alguns leitores logo no começo da carreira da jovem médica na vida de heroína. Na quinta edição, em uma briga contra o Homem-Absorvente, o vilão fala que não deveria chama-la de Thor. Pelo fato do original ser um “homem”. Falando até que se ela quiser ser uma super-heroína que arrume o próprio nome. E não pegue de ninguém. Além de fazer uma alusão ao feminismo. Bem, o resultado é um soco bem dado da Thor no “poderoso” vilão.
Quando se troca um personagem do quilate do Thor, sempre há de existir a reclamação. Agora, imagina se troca por uma mulher? A enxurrada de criticas no início foram fortes. Mas Jason Aaron segurou a marimba, juntamente com a Marvel, e prosseguiu. E sem beber muito da água de diferença de gêneros, feminismo ou coisas do tipo.
E acabou que Jane Foster se tornou uma das mais queridas. A trajetória dela como Thor é fantástica e pode-se levar para nossas vidas pessoais como exemplo de perseverança. Jane sofria de um câncer em um estado avançado. Por várias vezes vemos (e sentimos) o sofrimento da quimioterapia faz nas pessoas. O procedimento é doloroso, pois a química implantada nele busca destruir as células cancerígenas. Mas, em contra partida, arrasam a saúde do enfermo. Quando porta o martelo, Jane Foster, elimina todo esse veneno do seu corpo, mas a magia do martelo não é capaz de eliminar o câncer.
O ato de se transformar para Jane Foster é uma lufada de bons ventos em meio à tempestade da doença. É quando ela se sente útil. Forte. Determinada. Fazendo uma comparação “pobre”, é como aquela pessoa que está enfermo (seja lá com qual doença for) e recebe uma visita querida, ou então consegue dar um passeio para um lugar diferente de sua rotina no hospital ou que simplesmente recebe uma nova perspectiva de vida para o que enfrenta.
A Jane Foster que foi apresentada por Jason Aaron, nada mais é do que uma pessoa comum. Ela tinha o problema da doença, nas suas transformações era como levantar do leito e correr em verdes pastos, mas sabendo que voltaria a enfrentar o seu destino. Ela sabia da dádiva que tinha, e que não era para todas as pessoas que sofrem da mesma forma. Sabendo disso, ela procurava fazer o melhor para essas pessoas também. Existe uma passagem muito bonita na edição #8, quando ela narra a sua rotina e fala de uma amiga, que ela a leva para pescar, e no dia seguinte se assegura para que não chovesse no seu funeral.
Esses fatos é uma retomada na humanidade do mito Thor. Odinson, só veio se apegar aos humanos, após ser forçado a viver entre eles. Com Jane Foster foi diferente. Ela já tem esse lado humano mais aflorado. Por ser natural da Terra, ser médica, ela conhece as mazelas da vida. E muitas vezes se revoltam contra os Deuses que insistem em suas causas pequenas e muitas vezes mesquinhas, enquanto milhares de humanos simplesmente se ajoelham e depositam sua fé em orações que são ignoradas.
Exercendo o maior poder: implantar esperança.
Seria totalmente injusto colocar todos os créditos do sucesso de Poderosa Thor somente em Jason Aaron. O desenhista Russel Dauterman fez um belíssimo trabalho. Com seus traços, detalhes nas páginas e diagramações. Juntamente com Matthew Wilson, o colorista, com belas paletas deram outro astral e vida as publicações. Repare os quadros em que Jane está na Quimioterapia, as cores são quase opacas, sem vidas. E quando está como Thor, principalmente logo após da transformação, as cores ficam mais alegres, um tanto quanto que vivas.
Depois dos fatos de Mighty Thor #706, a Jane Foster vai ter uma nova jornada, não sabemos se um dia ela voltará a empunhar o Martelo. Apesar de Jason Aaron continuar escrevendo para a série, nada é certo.
Jane Foster sempre foi uma figura recorrente na Marvel Comics, apesar de muitas vezes, ficar no segundo escalão das personagens que compõe o relacionamento com o herói principal. Ela por exemplo, nunca teve (até então) um destaque ou a popularidade de uma Mary Jane. Os filmes do Thor, com Natalie Portman no papel, ajudaram a levantar uma popularidade e torná-la mais conhecida para o grande público.
A caminhada da Jane Foster como a Poderosa Thor, foi mais do que uma fase. Foi um alento ler e acompanhar todas as batalhas da personagem como heroína e como mulher. Fica a esperança de que as pessoas tenham absorvido tudo de bom e positivo dela. E em meio de tantos atos humanitários. Com a poesia da transição da humana para deusa. Com o sacrifício peculiar, o fardo pesado e a sua história sofrida e forte desde que foi criada. Não tem como não amar Jane Foster.
Se você arruma uma namorada, por aqui você não precisa deixar claro de quantas dimensões ela é. Já no Japão, essa diferenciação não só é necessária como é obrigatória. Se isso não for ser um povo estranho, eu não sei mais o que é. Veja a prova no próprio anime que vamos comentar sobre, hoje. Não basta dizer que a namorada é 3D, tem que dizer também que ela é real. Incrível.
Mas tiração de sarro de lado, e indo praquilo que vocês realmente vieram aqui para, vou direto ao ponto com vocês, pois não há forma melhor de descrever esse show do que assim: O que diabos está acontecendo aqui?
Baseado num mangá relativamente antigo (início em 2011, com término em seu décimo segundo volume no ano de 2016), 3D Kanojo: Real Girl é da autora Mao Nanami, uma mulher que, por trabalhar num meio dominado por homens, tenta se destacar ao fugir dos padrões e mostrar facetas que não estamos acostumados a lidar nesse tipo de mídia. Já vou falar disso.
Mas antes tenho que expressar minha frustração.
A premissa do anime não é difícil de se entender, na real. É o clássico onde um garoto otaku nerd gótico diferente e raro, feito pra ser o self-insert do maior número de japoneses possíveis, DO NADA, consegue uma vida maravilhosa e que ele não merece de jeito nenhum. Se você parar pra buscar outras séries com mote semelhante, vai achar aos montes. Sério, não é difícil de encontrar, escapismo faz sucesso.
O que veio para – tentar – diferenciar o dito cujo dos seus milhares de concorrentes, ao que parece, não foi o seu roteiro, sua trilha sonora, nem sua animação. Suas personagens (ou melhor, suas personalidades e atitudes) aparentam ser o divisor de águas. Ao menos foi o que os três primeiros episódios tentaram passar.
Senta que lá vem a história…
Normalmente temos um elenco ideal: personagens boas, talvez injustiçadas, beirando a perfeição. Problemas nunca são culpa do protagonista, mas sim desse mundo cruel onde uma boa alma não consegue perambular em paz, sem ser julgada e abusada.
Não aqui. Não nesse show. O garoto é recluso, pouco confiante, covarde, desdenhoso e suas ações são mais movidas a orgulho do que benevolência. A garota é rebelde, promíscua, impulsiva, mentirosa e não possui um só pingo de juízo.
As nossas personagens principais são pessoas repletas de problemas, com personalidades questionáveis e defeitos até faltar adjetivos (tive certa dificuldade pra completar o último parágrafo, inclusive). Falando em bom português, ambos garoto e garota são péssimas pessoas. Não é um nível de problemática onde você pode usar o discurso de que as personagens são “realistas por terem defeitos”. São defeitos demais, pontos negativos demais, pra poucos elogios.
O mais intrigante, porém, é que a velha regra da matemática se aplica também ao show business: menos com menos dá mais. Eu passei nervoso vendo os dois protagonistas sozinhos, mas quando estão juntos… Parece que funciona? A interação entre os dois é sensacional, e consegue usar os seus respectivos defeitos de uma forma que complementam as falhas do outro.
Mas quando eles estão separados, continuam detestáveis.
Só que as coisas entendíveis acabam por aí. O ritmo do anime é frenético, e as coisas acontecem uma atrás da outra, sem te dar tempo para respirar ou tentar entender o que diabos rolou. Não é que o show seja rushado, é mais que as próprias personagens são frenéticas, e tomam decisões além da compreensão de um humano normal. Você vê mil coisas sendo ditas e acontecendo dentro e fora da tela, e nenhuma delas é explicada em momento nenhum.
Tanto os fatos quanto os “defeitos” das personagens mencionados anteriormente não são explicados e ficam no ar para entender como ou o motivo deles existirem. Claro que com apenas três episódios, não dá pra ter certeza de nada mesmo que a autora tentasse explicar, mas ficar no escuro assim não é muito legal.
Quando você finalmente você tem uma namoradinha e seu tio chega no churrasco.
Apesar de ser chamado de “comédia-romântica”, o show tem seus momentos divertidos, mas nada de extraordinário até então. Coisa no nível Os Trapalhões, no máximo (não que Os Trapalhões seja ruim, é claro). E eu não pude deixar de reparar no enorme CLIMÃO que a atmosfera do anime passa com sua abertura (“Daiji na Koto” por Quruli) e suas músicas de fundo. Parece que algo vai dar errado, lágrimas vão ser derramadas e pessoas vão ser atropeladas por caminhões a qualquer momento. Não sei se estou preparado para isso.
Só para não perder o costume, podemos falar da parte técnica: o estúdio responsável é a Hoods Entertainment; e quem dirige é Takashi Naoya, que tem em seu currículo a direção de um terço de um de meus animes prediletos, que por acaso também é uma comédia-românica: Sakurasou no Pet na Kanojo. Lá, o trabalho foi bem feito. Podemos esperar algo no mesmo nível para cá.
No final das contas, 3D Kanojo: Real Girl consegue ser divertido, apesar de você não entender o que está acontecendo por 90% do episódio. Tenho como esperança de que no futuro, todas as decisões tomadas e todos os defeitos dos personagens sejam devidamente explicados. Por enquanto, um 6/10 parece ser razoável, e ainda aguardamos por fatos (ou pela falta deles) para saber se essa nota desce ou sobe ou empina ou rebola.
O show pode ser assistido legalmente no sistema de streaming da Hidive, com legendas em português.