Enquanto outras animações apostam nas mensagens que querem passar ao público jovem e adulto, A Era do Gelo: O Big Bang continua explorando seu lado cômico usado nos quatro filmes da franquia. Isso dá certo, e apesar de ser um prato cheio de diversão, o quinto filme mostra uma narrativa bem desgastada.
Tanto os diretores Galen T. Chu e Mike Thurmeier, e o roteirista Yoni Brenner, decidiram ficar na zona de conforto. Não há muitas inovações na trama. O lema familiar do protagonista mamute Manny está presente de novo desde o regular A Era do Gelo 3. O ‘’ex-alívio cômico’’ Sid continua sendo explorado, mas não tem mais graça, e Diego teve momentos melhores.
A história em si parece muito similar as anteriores. Não há tanta expectativa para os acontecimentos. As cenas mais ‘’dramáticas’’ são completamente desnecessárias, ninguém se comove ou se importa. Tanto para elas, quanto para as cenas de ação, que são bem falhas e novamente, nada inovadoras.
Contudo, há novos personagens, e estes sim conseguem recarregar a trama em certo momentos. Julian, namorado de Amora, filha do Manny, é divertido e se encaixa no contexto. A avó do bicho-preguiça Sid funcionou bem no péssimo A Era do Gelo 4, e continua arrancando boas risadas neste filme. Mas a surpresa realmente é Buck, que foi introduzido no terceiro filme e que volta para este com uma reintrodução espetacular.
Com o roteiro girando todo em volta das ações de Scrat tentando resgatar sua noz, era de se esperar um fim digno para ele, mas nada acontece. O personagem é uma marca da franquia e foi muito bem utilizado nos quatro filmes, neste, nem tanto. Scrat tem boas cenas humoradas, mas não se conecta com o público como antes, sendo bem forçado em algumas horas.
O entretenimento é garantido. A Blue Sky e a Fox poderiam dar um ponto final em A Era do Gelo e encerrarem a franquia com um saldo positivo.
O sétimo episódio da franquia Star Wars foi um sucesso colossal nos cinemas, restaurando a energia da trilogia clássica para os fãs, e lógico que um sucesso como esse dificilmente ficaria longe das mãos dos gamers.
Lego Star Wars: O Despertar da Força é o mais novo jogo da franquia Lego da Warner Bros. produzida pela TT Games e Lucasfilm, o game adapta a aventura que vimos na telona, com algumas partes adicionais e surpresas pelo caminho, reencenando as cenas dofilme com a irreverência típica das séries Lego e leva para o mundo dos blocos de montar os personagens do filme.
Nós já tivemos vários jogos Lego até este ponto, em todos eles basicamente temos uma fórmula a ser seguido, baseado no enredo de seu material de origem, como um filme ou um livro, combinando combate com puzzles e coleta de itens. Lego Star Wars por sua vez tem um esmero especial, tornando o jogo algo mais sofisticado. A maioria dos jogos Lego combinam as parcelas de dois ou três filmes para fornecer ação suficiente para que algumas horas de gameplay valham a pena. Entretanto, Lego Star Wars se preenche com pedaços de história de fundo que você não viu na telona. Você não está apenas junto com Rey e Finn e como eles acabam com a Primeira Ordem, você também está caçando rathtars com Han Solo e resgatando o almirante Ackbar com Poe. É incrivelmente inteligente a maneira como o jogo consegue sugá-lo para o universo ao mesmo tempo que lhe dar lazer suficiente para mantê-lo ocupado durante um longo período de tempo.
Cada minuto da campanha de aproximadamente oito horas é muito prazeroso, e necessitam de um nível de trabalho considerável para achar as soluções dos puzzles entre descobrir os personagens e suas habilidades únicas. Ao contrário de Lego Avengers, onde muitas vezes, encontrávamos aborrecidos, por conta de habilidades que nada acrescentavam na jogabilidade, aqui você vai precisar conhecer e analisar os usos das habilidades inerentes de cada personagem através de cada nível. Além disso, as habilidades são geralmente divertidas de usar, a agilidade da Rey por exemplo, cria alguns grandes momentos dentro do gameplay, enquanto a capacidade de BB-8 lhe permite mexer e manipular plataformas e outros objetos nesse mundo Lego. Jogando sozinho ou ao lado de um amigo, a experiencia continua muito divertida, com a exploração do cenário feito de forma mais dinâmica, mesmo com a tela dividida.
Porém mesmo com tudo isso, certos mecanismos de quebra-cabeças ainda são maçantes e usados com frequência. Como por exemplo, jogando como Finn e ter que alinhar a cabeça e torso de um Stormtrooper holográfico para abrir portas de salões da Primeira Ordem, rapidamente se transforma de um desafio enfadonho e nem um pouco inventivo.
Uma das mudanças recebidas de braços abertos é a possibilidade de construir itens de diversas formas. Aquele sistema construtivo onde combinávamos peças de Lego agora está de volta, mas agora com muito mais possibilidades de remontagem, o que dá um ar de liberdade na hora do jogador escolher a maneira como prosseguir no jogo.
O jogo é uma evolução clara de técnicas criativas em relação a outros jogos anteriores, mas mesmo esse belo trabalho de criação, não ficaria longe de alguns dos principais problemas que encontramos na maioria dos jogos lançados para a nova geração. A falta de conhecimento do verdadeiro poder de fogo dos consoles. Notamos uma queda significativa de frame-rate no decorrer da gameplay, mesmo rapidamente ajustado causa um certo incômodo ao jogador, um problema que em jogos Lego nunca foi considerado um grande vilão, mas em Lego Star Wars: O Despertar da Força é um que se apresenta constantemente, principalmente em momentos de grande importância para a continuidade da história.
VEREDITO:
Lego Star Wars: O Despertar da Força é o mais divertido jogo da série Lego em anos. A história é grande se comparada aos outros, os níveis são densos com puzzles divertidos, mas que acabam por se repetir de forma demasiada, e encontrar todos os segredos em seus mais diferentes níveis é realmente divertido. O jogo agrada quem é fã da série de cinema e também os dos brinquedos Lego. O game também não faz feio no visual, apesar da dublagem um pouco arrastada e a queda de gráficos, mas isso não é um problema tão grande já que o público-alvo infantil é um pouco menos exigente neste sentido. Lego Star Wars: O Despertar da Força provou ser uma adaptação convincente de seu material de origem.
Lego Star Wars: O Despertar da Força chega no dia 30 de junho no Brasil para PlayStation 4, Xbox One, Xbox 360, PS3 e PC.
Mais um Guia de leitura chegando na órbita da Torre de Vigilância. O personagem da vez é o mago mais canastrão dos quadrinhos, aquele que anda sempre com um cigarro, também já foi um dos carros chefes da Vertigo Comics, descobriu? Fácil né, John Constantine!
Para facilitar a sua leitura, o Guia está separado em autores que passaram pelas histórias do personagem, e tem um diferencial, tudo foi super bem organizado pelo parceiro da Torre Lucas Fernandes Corrêa. Sem mais delongas, vamos ao mais importante, Boa leitura!
John Constantine, Hellblazer – Origens
Por Jamie DelanoPor Jamie Delano Obs: edições de Swamp Thing escritas por Rick VeitchPor Jamie DelanoPor Jamie DelanoPor Jamie Delano Obs: edições #25-26 escritas por Grant Morrison, edição #27 escrita por Neil GaimanPor Jamie Delano Obs: edição #32 escrita por Jamie Delano & Dick ForemanPor Jamie Delano
John Constantine, Hellblazer – Infernal
Por Garth EnnisPor Garth Ennis Obs: edição #51 escrita por John SmithPor Garth EnnisPor Garth EnnisPor Garth EnnisPor Garth EnnisPor Garth EnnisPor Garth Ennis
Arco Eddie Campbell
Por Eddie Campbell Obs : A ser publicado pela Panini em Hellblazer – Demoníaco
Fase Paul Jenkins
Por Paul Jenkins Obs : A ser publicada pela Panini em Hellblazer – Demoníaco
Fase Warren Ellis
Warren Ellis – Ainda não publicado pela PaniniPor Warren Ellis
Arco Darko Marcan
Por Darko Marcan – Ainda não publicado pela Panini
Fase Brian Azzarello
Por Brian Azzarello – Ainda não publicado pela PaniniPor Brian AzzarelloPor Brian AzzarelloPor Brian AzzarelloPor Brian Azzarello Obs: Esta edição também possui a história “O Cair da Neve”, extraída de Hellblazer #250, escrita por China Miéville.
Fase Mike Carey
Por Mike CareyPor Mike Carey
Fase Denise Mina
Por Denise MinaPor Denise Mina
Fase Andy Diggle
Por Andy DiggleAndy DiggleAndy Diggle OBS: edições #245-246 escritas por Jason Aaron
Fase Peter Milligan
Por Peter MilliganPor Peter Milligan OBS: A edição #42 também possui a história “Feliz Natal, Caralho!”, extraída de Hellblazer #250, escrita por Dave Gibbons.Por Peter MilliganPor Peter MilliganPor Peter MilliganPor Peter MilliganPor Peter MilliganPor Peter Milligan
Especiais
Por Ian RankinPor Jamie DelanoPor Si Spencer Obs: Curta extra “Outro maldito natal” Por Dave Gibbons trecho extraído de Vertigo Winter’s Edge #3 (J2000)
Especiais ainda não publicados pela Panini
Por Jamie DelanoPor Paul Jenkins & John Ney RieberPor Paul Jenkins. Provavelmente será publicado pela Panini em Hellblazer – DemoníacoPor Peter Hogan Obs: estrelada por John Constantine durante a adolescênciaPor Jamie DelanoPor Mike CareyPor Andy DigglePor Mike CareyPor Mat JohnsonPor Mat Johnson
E aí, gostaram? Se sim, fiquem ligados porque virá ainda muito mais Guias na nossa coluna Amazing Adventures. Até mais!
Porta dos Fundos: Contrato Vitalício é a primeira empreitada do famoso grupo do Youtube no cinema. A adaptação para um meio tão diferente a qual eles estão habituados é bem complicada. Contudo, o protagonista e roteirista Fábio Porchat e o diretor Ian SBF já trabalharam juntos na tragicomédia Entre Abelhas, de 2015. Alguns outros atores, como Antonio Tabet e Gregório Duvivier também participaram de alguns longas. Tendo estes em seu elenco, em sua produção e na sua direção, Contrato Vitalício se desenvolve com uma história ruim e incoerente, conduzida com o humor da internet.
Rodrigo (Porchat) e Miguel (Duvivier) são grandes amigos e colegas de trabalho. Tudo inicia quando, após receberem o Cannes de ‘’Melhor Filme’’, estes assinam um ‘’Contrato Vitalício’’, que obriga ambos trabalharem juntos para sempre. No final da noite, Miguel some inesperadamente e reaparece após dez anos no mesmo hotel. Chamando Rodrigo para atuar em seu próximo projeto, que contará a sua vida nos últimos anos no centro da terra com uma sociedade alienígena. Essa é a justificativa para tudo acontecer ao longo da história. Uma abdução alienígena que acabou completamente com o roteiro do Porta, que poderia ter sido melhor pensado e planejado.
Era de se esperar algo muito mais engraçado do que foi apresentado. Tudo não passa de um beisterol e que desrespeita o humor inteligente que poderiam utilizar. Outra coisa que se pode notar, é a presença fortíssima da fonte que são os vídeos. Parecendo várias sketches juntas até formarem mais de duas horas de duração.
Apesar de vários problemas, há pontos positivos. A direção do Ian SBF é bem competente, tudo ali é bem feito e cuidadosamente pensado. O movimento das câmeras em certos momentos é muito bom, e a edição tenta ousar mais do que outros filmes brasileiros. Todos se mostram preocupados em somar ao cinema nacional.
Sendo uma comédia mais escrachada e que o tempo todo brinca com coisas e assuntos da atualidade, algumas cenas são bem engraçadas. A dupla constituída por Rafael Portugal e Júlia Rabello está espetacular. Em quase todos os momentos eles provocam algumas risadas no público. Tabet, um veterano do Porta dos Fundos, também é bem aproveitado como um ‘’detetive particular’’. As participações especiais de Marília Gabriela, Sérgio Mallandro, Naldo Benny e da dupla do Jovem Nerd, são pontuais e divertidas.
A primeira tentativa do grupo não deu muito certo ao meu ver. Entretanto, devem continuar nessa empreitada, pois dá para perceber muito potencial e criatividade escondidos na telona.
Sinopse: ”Ao perceber que a pequena Liesel Meminger, uma ladra de livros, lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. A mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. […]
A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa desse duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto — e raro — de crítica e público.”
”Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.”
Publicada em 2005 a obra A Menina que Roubava Livros (The Book Thief) do autor austríaco Markus Zusak, é a cativante história de Liesel Meminger que, após uma série de eventos trágicos, foi entregue à família Hubbermann. O enredo tem como cenário a Alemanha nazista e um narrador peculiar: a própria Morte.
Apesar da narração impecável, a trama é simples. Zusak nos transmite a ingenuidade em plena segunda guerra mundial através da protagonista que busca na literatura o refúgio dos males da guerra. Vide a perseguição não só aos judeus e minorias, como também, livros que fossem ”inconvenientes” ao regime, fazendo se tornar secreto a adoração pelos livros por Liesel, roubando seu primeiro livro ‘’O Manual do Coveiro’’ antes mesmo de saber ler.
Confira o trailer da adaptação lançado em 2014:
Entre 1939 e 1943, Liesel escapa três vezes da Morte, por isso a própria tem interesse na garota, uma ”sobrevivente”. Além da protagonista, outras personagens estão inseridas nesse contexto como Hans Hubbermann pai adotivo que a alfabetiza, Rudy Steiner seu vizinho e Max Vanderburg, esse em especial é o que recebe bastante destaque, por ser judeu sofre perseguição nazista e se esconde no porão dos Hubermann, criando momentos de tensão e partes comoventes.
É inevitável citar o Diário de Anne Frank, apesar de grande disparidade entre as autorias e narração, ambas as obras têm literatura como escape da guerra e se passam na segunda guerra mundial. Um ponto importante na obra A Menina que Roubava Livros são os personagens comuns que visem aproximar da realidade da ficção.
Cena do filme A Menina que Roubava Livros (2014), Max Vanderburg (Ben Schnetzer) e Liesel Meminger (Sophie Nélisse).
O livro não explora muito a parte histórica, mas deixa referências para que o leitor se mantenha orientado. A inspiração do autor veio de sua família que chegou a passar por dificuldades na mesma época em que as personagens fictícias vivem, logo existe um vinculo especial entre o autor e a obra muito além das pesquisas que Zusak fez.
A escrita é singela e até poética, abrangendo o seu público alvo. O ritmo nas primeiras 50 a 100 páginas é lento, descrevendo o cotidiano das personagens, ambientes e reflexões, o que pode não agradar muitos. Aclamado pela crítica, está entre os 10 mais lidos na rede social Skoob e entre os 10 melhores livros da década de 2000.
A Menina que Roubava Livros transcende o seu gênero, é muito mais do que uma simples ficção na segunda guerra mundial, é o vislumbre de como a literatura pode amenizar o sofrimento humano. Tenham uma ótima leitura.
Procurando Nemo (2003) é uma obra cinematográfica excelente, que revolucionou as animações da sua época. A necessidade de uma continuação era zero, mas mesmo assim a Pixar retorna com a sua franquia premiada em um segundo filme, intitulado: Procurando Dory. Este que agora mostra a trajetória de Dory, a peixinha que tem perda de memória recente, a encontrar os seus pais. Era de se esperar um filme bem irregular comparado com o seu antecessor, mas a história é diferente dessa vez. O novo longa consegue trazer muitas novidades e algumas inovações, entretendo bem o público e cumprindo o seu desafio.
O roteiro é similar ao de Procurando Nemo. Algo interessante a ser comentado é o ‘’salto’’ cronológico de um filme para o outro, que é de apenas um ano, o que torna o entendimento muito mais fácil. A coisa mais legal é trazer os personagens secundários mais antigos de volta para as telonas, conseguindo transmitir momentos de nostalgia pura. Porém, as participações são bem pequenas, já que há novos personagens que requerem um pouco mais de atenção. Todos, sem exceção, são carismáticos e que funcionam em seus papéis muito bem. Alguns ficarão na cabeça por um tempo…
Há alguns problemas, entretanto. Todo o ritmo é confuso com os seus altos e baixos. Nos dois filmes é bem presente a mistura de humor e drama, mas Procurando Dory não conseguiu achar um equílibrio entre os dois, virando uma confusão em certos momentos. Em seu terceiro ato, a inovação que estava sendo apresentada desaparece, e o desfecho parece algo meio corrido e mal pensado por parte dos roteiristas Andrew Stanton, Bob Peterson e Victoria Strouse.
No final, o saldo é bem positivo e te deixa com uma sensação bacana de rever todo aquele ambiente outra vez. Engraçado e dramático ao mesmo tempo, Procurando Dory acerta a mão e deixa os fãs, novos e velhos com um sorriso no rosto. Um prato cheio para quem busca uma boa animação.
Para o Bizarro, ruim significa bom. Pior significa melhor. Bonito quer dizer feio. E apesar de todos os sentidos invertidos, a única coisa certa é que a diversão de se acompanhar a road trip do monstrengo e seu pior amigoJimmy Olsen é garantida desde o começo.
Bizarro é um lançamento recente da editora Panini para as bancas de todo o Brasil. Nos EUA, esta série foi publicada em seis edições e compilada posteriormente, sendo um dos destaques da iniciativa DC & Você (DC You, no original), recebendo muita atenção do público brasileiro graças ao artista envolvido no projeto: Gustavo Duarte.
Criado por Otto Binder e George Papp, Bizarro já passou por diversas remodelagens através dos longos anos de existência da DC Comics, indo de clonagem ou alienígena de um planeta quadrado até criação de Lex Luthor, passando nas mãos de diferentes equipes criativas. Já a reformulação do personagem feita em 2015 e presente no encadernado da Panini foca em um aspecto importantíssimo: a diversão.
A premissa é simples: Bizarro estava tentando agir “bem”, mas a população de Metrópolis está cansada desses “bons gestos”. Jimmy Olsen então convida o Superman às Avessas para uma viagem até os “Estados Unidos Bizarro”, também conhecido como Canadá. Mas quais as verdadeiras intenções do fotógrafo do Planeta Diário? E como será o dia-a-dia dos dois, acompanhados de (pasmem) seu Chupacabra de estimação?
O roteiro desta minissérie foi escrito por Heath Corson (Batman: Assalto em Arkham, Liga da Justiça: Guerra), e apesar de possuir algumas piadas bem inocentes o roteirista acerta ao brincar com o universo DC, utilizando personagens como a Zatanna e o Desafiador. Além disso, quando o autor apela para o nonsense, a história e as piadas funcionam de forma ainda mais positiva.
Porém, um dos pontos fracos de todas as edições é a linguagem confusa. Pudera, é o Bizarro! Em diversos momentos, a forma como o personagem fala torna a leitura pouco fluida e até mesmo confusa, com textos que dão voltas e voltas e não levam a lugar algum. Alguns destes diálogos são engraçados, porém outros são somente bobos. E aí entra a bela arte de Gustavo Duarte adicionando uma camada extra de qualidade na confusão.
Não, a arte não é boba! Ela é cartunesca, e por isso mesmo se encaixa tão bem nessa premissa. Quem já leu outros trabalhos do autor, como Có & Birds, Chico Bento: Pavor Espaciar, Monstros! ou até mesmo sua série na Marvel, os Guardiões da Galáxia, já está acostumado com o tipo de humor e narrativa utilizados. E assim como em todas as obras citadas, no Bizarro é possível sentir as brincadeiras feitas através dos desenhos.
Gustavo faz brincadeiras com expressões corporais, capricha nas piadinhas espalhadas pelo cenário e é complementado em todas as edições com a arte em uma única página feita por convidados como Kelley Jones, Francis Manapul, Bill Sienkiewicz e outros, sempre em momentos especiais da história. Sobra até para o Batman!
No fim das contas, Bizarro é um quadrinho simples, e a simplicidade é bela. Para um personagem tão diferente, focar no humor é um caminho muito certo, e tudo apresentado torna a história amigável para qualquer geração de leitores, especialmente mais jovens (não ignorando, é claro, aquele fã mais velho da DC).
A série completa foi publicada em um único encadernado Capa Cartão que possui 148 páginas ao preço de R$ 21,90, com distribuição nacional. Mais informações aqui.
Dando seguimento aos Guias de Leitura, a bola da vez é a Batgirl, ou melhor, é sobre três Batgirls: Barbara Gordon, Cassandra Cain e Stephanie Brown.
A Batgirl original foi Betty Kane, criada por Bill Finger e Sheldon Moldoff, porém, a morceguinha só se popularizou com Barabra Gordon, a filha do Comissário Gordon e Batgirl icônica até os dias de hoje. Barbara apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em Detective Comics #359 no ano de 1967, criada por Gardner Fox e Carmine Infantino.
Grande parte do sucesso de Barbara Gordon como Batgirl veio da série de TV do Batman dos anos 60 e de suas aparições no desenho do Batman dos anos 90. Apesar de Barbara ser a Batgirl mais conhecida e preferida pelos fãs, e ter uma aparição marcante em Batman – A Piada Mortal, foi Cassandra Cain, a terceira Batgirl, quem ostentou o titulo da Batgirl nos quadrinhos durante mais tempo.
Cassandra teve suas histórias publicadas entre 2000-2008, sendo uma integrante importante da Bat-Família, para depois passar o manto para Stephanie Brown, a caloura e menos experiente na luta contra o crime.
Antes de Stephanie ser a Batgirl, ela já perambulava entre as revistas da Bat-Família desde 1992 como Spoiler e depois como Robin, até finalmente assumir o manto de sua amiga Cassandra em 2009. Porém, a passagem de Stephanie durou pouco, pois em 2011 a DC Comics passou por um reboot que trouxe Barbara Gordon, que assumia a alcunha de Oráculo até então, de volta como Batgirl.
Nos Novos 52, o reboot editoral da DC 2011, Stephanie e Cassandra nunca tinham sido Batgirls, e só deram as caras na nova cronologia em Batman Eterno e Batman e Robin Eternos, mas não como Batgirls.
Sem mais enrolação. Vamos ao Guia de Leitura das três Batgirl principais:
por Gardner Fox e Carmine Infantinopor Kelley Puckett e Terry Dodsonpor Chuck Dixon, Scott Beatty, Marcos Martin e Alvaro Lopezpor Alan Moore e Brian Bolland
por Kelley Puckett, Damion Scott e Robert Campanellapor Scott Peterson, Mike Deodato, Jr. e John Staniscipor Kelley Puckett, Damion Scott e Robert Campanellapor Joe Kelly e Pasqual Ferrypor Kelley Puckett, Damion Scott e Robert Campanellapor Scott Peterson, Phil Noto, Andy Owens, Dan Curtis Johnson, J.H. Williams III, Greg Scott, Mick Gray, Damion Scott, Alitha Martinez, Marcos Martin, Robert Campanella e Alvaro Lopezpor Kelley Puckett, Damion Scott e Robert Campanellapor Bill Willingham, Damion Scott, Andersen Gabrych, Alé Garza e Jesse Delperdangpor Andersen Gabrych, Alé Garza e Jesse Delperdangpor Andersen Gabrych, Pop Mhan, Cam Smith e Jesse Delperdangpor Adam Beechen, Jim Calafiore, Mark McKenna e Jonathan Glapion
por Bryan Q. Miller, Lee Garbett e Tim Levinspor Bryan Q. Miller, Lee Garbett e Pere Perez.por Bryan Q. Miller, Ramon Bachs, Dustin Nguyen e Pere Perez
por Gail Simone e Ed Benespor Gail Simone, Ardian Syaf e Vincente Vincentepor Gail Simone, Ardian Syaf e Vincente Vincentepor Gail Simone, Ray Fawkes, Daniel Sampere e Ed Benespor Gail Simone, Fernando Pasarin e Daniel Samperepor Gail Simone e Fernando Pasarinpor Scott Snyder, James Tynion IV, Ray Fawkes, John Layman, Tim Seeley e Kyle Higginspor Cameron Stewart, Brenden Fletcher e Babs Tarrpor Alisa Kwitney e Rick Leonardipor Cameron Stewart, Brenden Fletcher e Babs Tarrpor Scott Snyder, James Tynion IV e Tony S. Daniel
Extras:
por Paul Dini e Rick Burchettpor Gail Simone e Javier Garrón
Para quem não conhece muito sobre a Batgirl, é aconselhável começar por Batgirl: Ano Um e A Piada Mortal, para então começar com as outras histórias.
A fase de Barbara Gordon como Oráculo não aparece neste guia, porém a sua aparição é frequente nas histórias de Cassandra Cain e Stephanie Brown. Oráculo estará mais presente no Guia de Leitura das Aves de Rapina futuramente. Até a próxima e boa leitura.
Escrever sobre ficção científica sempre é algo bastante complicado, pois exige pesquisa profunda sobre o tema ao buscar comparações com histórias bem sucedidas do gênero, seja quanto as referências à construção desse universo ou as reflexões sobre a mensagem que a obra deseja passar. Dentre os vários subgêneros que a ficção científica contém, um dos mais famosos entre os japoneses é o “Mecha” (abreviatura do termo mecânico), sendo mais conhecido popularmente pelos robôs gigantes, geralmente controlados por pilotos e que têm como maiores sucessos: Gundam, Neon Genesis Evangelion, Macross, Gurren Lagann, entre outros.
Recentemente a JBC publicou no Brasil, uma obra que ganhou uma animação feita pela Netflix, chamada de “Knights of Sidonia“, que segue o gênero mecha e teve uma receptividade muito positiva do público do famoso canal de streaming.
SINOPSE
Há muito tempo, o planeta Terra foi destruído por seres alienígenas, chamados Gaunas. Felizmente, os humanos conseguiram sobreviver lançando-se ao espaço em enormes naves espaciais. Porém os Gaunas continuam atrás dos seres humanos e as naves são obrigadas a fugir deles. Mil anos se passaram desde a destruição da Terra, e a história segue o jovem Nagate Tanikaze, um novato que viveu sua vida toda no subsolo de Sidonia, uma das imensas naves que saíram da terra. De cara ele é colocado como piloto de guardião “mecha” e agora Nagate buscará proteger Sidonia da ameaça dos Gaunas.
Esse é nosso garoto, com todos os clichês que possa ter.
Falando sobre o mangá especificamente, uma coisa que percebo ao ler é a transmissão de uma aura muito silenciosa. Diversos quadros brancos, poucas onomatopeias e traços muito simples em vários momentos. Nas partes em que há os confrontos entre gaunas e mechas da Sidonia, existe confusão na arte, como se ainda estivesse a procura de um estilo, diferenciando-se de um gênero que apresenta tantas referências.
Os guerreiros de Sidonia.
Quanto ao enredo, toda ficção científica exige que haja um universo estabelecido para que seja crível e compremos a ideia do universo onde se passam os eventos, e Sidonia consegue desenvolver bem este conceito, bem como estabelecer hierarquias e criar diferenças sociais entre seus tripulantes. Além disso, na sua população, existem conceitos biológicos modificados para que houvesse o desenvolvimento dessa nova raça humana, que faz fotossíntese (a mesma das plantas), possui reprodução assexuada, podem modificar seus corpos a seu bel-prazer, entre outros tantos conceitos, para que possam permitir a sobrevivência à deriva no espaço.
Os temidos gaunas.
Novamente falando do enredo, começa a parte clichê da coisa. Tanikaze, por algum motivo ainda inexplicável, é uma espécie de escolhido, e mesmo sem nunca ter pertencido a elite de Sidonia e nunca ter pilotado uma nave, ele é recrutado para missões e, mostrando-se habilidoso, desperta a ira do seu rival.
Entretanto, Sidonia detém qualidades. O autor sabe variar a maneira de contar uma história ao não apegar-se somente a jornada do herói e sim, expor o desenvolvimento daquela sociedade. Evidencia coisas do cotidiano das pessoas, trabalha bem o conceito de expansão dentro de Sidonia e também trabalha com flashbacks para dar uma profundidade maior ao que se passa.
Sidonia não exibiu o seu total potencial, o que é normal. A história ainda no seu primeiro volume tem um dinamismo interessante, possui um clímax que desperta a curiosidade e nos apresenta um universo com enorme potencial. Algo que pode incomodar alguns é a questão do papel. Nunca fui, em minhas análises, de tocar a crítica ao material da editora, porém, como Sidonia tem uma arte limpa demais, com muitos quadros brancos, dá pra perceber um pouco de dificuldade para ler a obra. No geral, Sindonia merece atenção, por tentar inovar em certos conceitos da ficção científica e é uma experiência intrigante para quem gosta do gênero.
Até a próxima.
FICHA TÉCNICA
Knights of Sidonia – Vol. 01 de 15
Publicado em: Abril de 2016
Editora: JBC
Gênero: Seinen-Ficção Científica- Mecha
Autor: Tsutomu Nihei (Blame!)
Status: Série concluída / Mensal
Número de páginas: 20o paginas (papel offset) / Leitura Oriental
Formato: 13,7×20 cm / P&B com páginas coloridas / Lombada quadrada
Preço de capa: R$ 17,50
Depois de uma das campanhas mais bem sucedidas realizadas pela Kickstarter. Mighty No. 9 chegou ao mercado como o sucessor espiritual de Mega Man. Desenvolvimento pela Comcept USA em conjunto com Inti Creates, e dirigido por Keiji Inafune. O game é focado em 2D, com uma mistura de 3D, obras de arte e animações. Os jogadores controlam Beck, um robôzinho capaz de correr, saltar, atirar contra os inimigos e absorver habilidades. (Lembram de alguém?)
Com um propósito tão despretensioso Mighty No. 9 não deveria ser um problema. Um side-scroller modesto, com câmera focada em apenas uma direção, baseado na Unreal Engine 3 que apesar das suas origens humildes no projeto Kickstarter, nãonecessitariagrandes esforços por parte de Keiji Inafune e a sua equipa no Comcept. Como sucessor espiritual de Mega Man, esperávamos um 60fps constante, um desafio fácil e algo que chegaria perto do estilo original. Porém o que temos é um jogo muito inferior.
Mesmo se você nunca jogou um jogo da franquia Mega Man é imediatamente aparente que a Comcept tentou reproduzi-lo com um nome diferente. O personagem principal Beck é um robô entusiasmado com o novo mundo, que precisa perseguir vilões poderosos, que passaram pelo sistema por causa de um vírus de computador. Derrotá-los permite que Beck além de curá-los de seus circuitos danificados pelo vírus, absorva sua arma principal. Você ainda pode escolher a ordem em que pretende enfrentá-los.
Cada Boss tem uma fraqueza por um determinado tipo de arma, e você derrotá-lo, vai depender do seu aprendizado em padrões e exploração das mecânicas do jogo. O problema é que não há muito espetáculo nas redondas 5 horas de gameplay. Essas batalhas deveriam ser os momentos de destaque do jogo, mas você estará preso em um pequeno espaço, ensaiando padrões e esquivando de disparos. E de modo estranho, principalmente nos primeiros chefes você se sente um pouco desnorteado, pois eles levam a batalhas maçantes e longas, onde uma vez um chefe acaba com todas as suas vidas, você vai precisar passar por todo o nível novamente. Deixando assim as batalhas bem mais arcaicas que nostálgicas.
Visualmente, temos um contraste indesejado desde o início. A iluminação muda constantemente durante todo o gameplay, e temos algo que tenta recriar uma espécie de desenho animado de um sábado de manhã. A introdução de mais cor é sim bem vinda, mas o detalhe ao fundo é muito imperceptível composto por um 2D discreto, com geometria cortada e texturas de baixa resolução. Foi uma das grandes mudanças feita talvez pensando em todas as plataformas que o jogo alcançaria, que incluem além dos consoles de mesa, os portáteis.
VEREDITO:
Frustrante como um jogo e muito pior como uma sucessão de Mega Man, mais válido como uma imitação Mighty No. 9 encara uma dura realidade. É nada mais que um esqueleto dos clássicos Mega Man, com um conceito sólido simples e uma boa trilha sonora. Infelizmente, é afetado pelos problemas visuais, e opções que não funcionam, problemas que não deveria ter passado despercebidos. Que acabam por diminuir toda a experiência que o jogador pretende alcançar.
Mighty No. 9 está disponível para Wii U, PC, PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One e para os portáteis 3DS, PS Vita.