Categorias
Amazing Adventures

Guia de Leitura #10 | Arlequina

De coadjuvante a protagonista, a Arlequina se tornou um fenômeno de popularidade nos últimos anos. Bem-vindos ao décimo Guia de Leitura da Torre!

Introduzida em 1992 em Batman: A Série Animada, a Psiquiatra Dra. Harleen Frances Quinzel foi uma criação da dupla dinâmica, Paul Dini e Bruce Timm. Ela apareceu pela primeira vez no episódio “Um favor para o Coringa”, escrito por Paul Dini e dirigido por Boyd Kirkland. 

jokers-favor
“Joker’s Favor” no original, é o sétimo episódio da série animada

A primeira aparição da personagem em quadrinhos foi em Batman Adventures #12, ou aqui no Brasil, Batman: O Desenho da TV #6. Em formatinho, ela faz parte do meu acervo pessoal.

primeira-aparição
Batman Adventures #12 (1993)

Batman: Louco Amor, de Paul Dini e Bruce Timm é uma das histórias mais aclamadas pelo público e pela crítica, e já ganhou um prêmio Eisner de melhor história em 1994. Aqui no Brasil você pode encontrar nos formatinhos que sairam pela Editora Abril em Batman: O Desenho da TV #14 e #15. Há um pequeno encadernado lançado pela Opera Graphica também, mas este é em preto e branco, e muito difícil de achar.

louco-amor
“É a melhor história do batman desta década!” -Frank Miller

Em 1999, Louco Amor ganhou sua adaptação na série animada. Deixarei o link abaixo para quem quiser conferir, vale muito a pena.

http://dai.ly/x337ljq

Inicialmente, a personagem não tinha nenhuma ambição fora do show de TV, figurando apenas como uma ajudante do Coringa. Com a popularidade da série animada e da personagem, a Arlequina conseguiu seu espaço, dentro e fora dos quadrinhos, e hoje protagoniza no cinema, animações e até fomenta debates políticos em torno do direito das mulheres e violência doméstica. Reuni alguns títulos para você ficar por dentro da mitologia da personagem, espero que gostem!

1
por Paul Dini e Bruce Timm
batman-harley-quinn-1999
por Paul Dini e Yvel Guichet
Preludes-and-Knock-Knock-Jokes
por Karl Kesel e Terry Dodson
Night-And-day-harley-quinn
por Karl Kesel, Pete Woods, Terry Dodson, Mark Lipka e Rachel Dodson
welcome-to-metropolis
por Karl Kesel, Craig Rousseau, Phil Noto e Rachel Dodson
paixoes-violentas-poison-ivy
por Judd Winick e Joe Chiodo
Harley Quinn and Poison Ivy
por Paul Dini e Bruce Timm

sereias-de-gotham-uniao-sirens-gotham

Joker's-Asylum-II-Harley-Quinn
por James Patrick e Jason Quinones
Legends-of-the-Dark-Knight-#49---Dr.-Quinn's-Diagnosis
por Jim Zubkavich e Neil Googe

esquadrao-suicida

estranha
por Amanda Conner e Jimmy Palmiotti
lado-a-lado-poderosa
por Justin Gray, Jimmy Palmiotti e Amanda Conner
gangue
por Jimmy Palmiotti, Frank Tieri e Amanda Conner
Harley's-Little-Black-Book
por Jimmy Palmiotti e Amanda Conner

 

SÉRIES COMPLETAS, EM ANDAMENTO E ESPECIAIS

namorados

convergencia
por Steve Pugh e Phil Winslade
batgirl-adventure
por Paul Dini e Rick Burchett
gotham-sirens-sereias-de-gotha
por Paul Dini, Guillem March, entre outros
ES-2011
por Adam Glass, Federico Dallocchio, entre outros
novo
por Sean Ryan, Jeremy Roberts, entre outros
harley-serie
por Karl Kesel, Terry Dodson, Rachel Dodson, entre outros

É isso! Não esqueça de comentar e deixar seu feedback, ele é muito importante para gente. Espero que tenham gostado e até a próxima!

Categorias
Detective Comics Quadrinhos

A turnê da Canário Negro chegou no Brasil

Com a iniciativa DC & Você seguindo a todo vapor em terras brasileiras, a Panini Comics lançou o sexto encadernado da nova fase da Editora das Lendas, sendo este o primeiro inteiramente protagonizado por personagens femininas. “Canário Negro: O Som e A Fúria” conta a história de uma nova fase na vida da heroína, enquanto deve lidar com sua rotina de vocalista e enfrentar inimigos ao mesmo tempo.

Criando um spin-off derivado das páginas de Batgirl, o roteirista Brenden Fletcher recebeu uma importante missão: revitalizar uma das heroínas mais famosas da DC Comics. A Canário Negro sempre foi uma das personagens mais queridas pelos fãs, tida como a segunda mulher mais importante da Liga da Justiça, atrás somente da Mulher-Maravilha. E assim como o competente escritor modernizou a Garota Morcego, a história se repete nas páginas do gibi de Dinah Lance.

Dinah assumiu o posto de vocalista na recentemente rebatizada banda Canário Negro, e a partir daí, começou a causar furor no mundo da música. Usando o apelido DD, a personagem acaba notando que, por algum motivo misterioso, todos os shows de seu grupo (composto por Lorde Byron, Ditto e Incrível Paloma) acabam atraindo algum tipo de confusão, sempre terminando em violência e tudo sendo destruído. A partir daí, a história explora não somente a vida da banda, como também o passado de Dinah e os inimigos que ela acaba enfrentando.

Assim como o Bizarro de Gustavo Duarte foi uma modernização de um personagem conhecido, a revista da Canário Negro introduz novos elementos que funcionam muito bem. O roteiro, acompanhado das belíssimas artes de Annie Wu e Pia Guerra, sempre tenta focar no dia-a-dia da banda encrenqueira, acompanhando seus shows, backstages e até mesmo os elementos do passado do grupo, já que Dinah não foi a vocalista fundadora.

Compilando as edições #1 a #7, o encadernado possui um arco fechado que funciona muito bem. Aos poucos uma trama maior vai sendo costurada, e a história não falha ao tentar explorar um pouco mais do passado da protagonista. Por ser uma revista de super-heróis, todas as edições obviamente acabam descambando para momentos de porradaria, mas isso acaba sendo uma tendência de mercado para agradar todos os públicos. Afinal, seria inviável contar uma história somente da vida de artista de uma mulher que possui um grito fatal.

Mas já que é necessário termos momentos de ação, também é importante citar seus méritos. As cenas de luta são muito bem ilustradas, algumas misturando elementos musicais (como ondas sonoras, instrumentos e partituras), outras simplesmente de porrada bruta. E nisso entram os vilões, com motivações um pouco clichés, mas que funcionam dentro da proposta da revista. No final do arco, o grande vilão é bem mais interessante. Algo que beira o lado Grant Morrison da vida.

É importante lembrar que, pela história ser parte do novo universo da DC, elementos da antiga cronologia não fazem parte do passado da personagem. Porém, mesmo para os mais saudosistas, as novas personagens utilizadas são boas a ponto de segurar a história contada, já que todas possuem personalidades interessantes e bem construídas (especialmente Lorde Byron e Ditto, a garotinha).

No fim das contas, O Som e A Fúria é uma aventura despretensiosa, nova e ao mesmo tempo muito interessante graças a sua proposta, que é muito bem trabalhada – apesar de alguns clichés básicos – e se encerra de maneira inesperada (no bom sentido da palavra). Por ser um arco fechado, talvez o aproveitamento seja ainda melhor do que em outros encadernados publicados recentemente (como Arqueiro Verde: Pássaros da Noite, que deixou um arco pela metade). Porém, ainda existem pontas que estão soltas e devem ser exploradas num segundo volume.

Canário Negro: O Som e A Fúria é um encadernado em capa cartão contendo 164 páginas em Papel LWC e distribuição nacional ao preço de R$ 22,90.

Categorias
Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

Primeiras Impressões | Qualidea Code

Psst. Ei. É, você mesmo. Vem cá, deixa eu te contar um segredo: Sabia que Japonês é um povo estranho? Hein? Como assim todo mundo sabe disso? De qualquer maneira, aconchegue-se e venha ler o mais novo Primeiras Impressões. Depois de paradoxos quânticos do Jailson Mendes e garotas sexistas e superficiais, podemos ir para frases de bandeira, que tal? Uma vez um amigo meu me disse que frase de bandeira é sempre algo que nós fingimos que temos, mas na realidade é o que mais precisamos (vide: Ordem e Progresso). Quer uma frase de bandeira maior do que algo próximo de “Qualidade” no nome desse anime?

A reação mais normal que qualquer pessoa poderia ter, ao assistir isso (além de falar mal da péssima animação, mas que já comento sobre), é ficar mais perdida que garota inocente na hora de levar madeirada. Eu não me perdi muito, já que fiz minhas pesquisas antes de começar, mas um ser humano médio ficaria atordoado com o que viu.

Vou passar rapidamente sobre os resultados de minhas pesquisas. Se quiser ir mais a fundo, você pode ler o mesmo post que eu li, no blog do Frog-kun (em inglês, infelizmente). Basicamente, a série “Qualidea” é uma cooperação de três autores de Light Novels relativamente famosas: Tachibana Koushi, autor de Date a Live, uma série que eu gosto bastante; Sou Sagara, autor de Hentai Ouji to Warawanai Neko, ou Henneko para abreviar; e Watari Wataru, autor de Oregairu (essa eu nem ouso escrever o nome completo). Juntos, eles tiveram essa ideia depois de beber até falar mole (é sério), e decidiram botar em prática.

Cada escritor toma conta de uma das escolas da trama: Koushi da escola de Kanagawa (a escola das espadas), Sagara da escola de Tóquio (a escola dos magos), e Wataru, da escola de Chiba (a das arminhas). Tendo em vista que o projeto ainda é novo, há pouco material disponível, mas o plano é de que cada escola possua suas histórias independentes, contadas em Light Novels separadas. A história do anime é um “roteiro original”, escrito em conjunto pelos três.

Os três autores da obra em seu habitat natural (é sério, são eles mesmo).
Os três autores da obra em seu habitat natural (é sério, são eles mesmo).

Isso significa que você precisa ter lido as outras trocentas obras para entender o que está dançando na sua tela? Não exatamente. Basta você entender que o show não é um universo fechado, mas sim uma peça de um quebra-cabeça maior. Ainda não tenho uma bola de cristal, mas acredito fortemente que a obra será auto-suficiente o bastante para poder ser aproveitada sozinha. Para questões não resolvidas e desentendimentos de história, só podemos dar tempo ao tempo.

Falando na história… Caras, não dá. Quando eu criei o gênero “Harém Escolar Mágico Genérico” alguns anos atrás, eu não imaginava que o último adjetivo viria a ser o mais importante e o mais relevante. Tá certo que o que faz sucesso tende a ser copiado, e que algo só se torna ‘clichê’ porque foi tão bem recebido que começou a ser utilizado em demasia… Mas nossa, é demais, caras… Não tem nada que eu não tenha visto em Qualidea Code. Tudo que está presente e todos os aspectos envolvidos são genéricos e você encontra, quase que na íntegra, em outros 49 shows semelhantes.

Cutucando a ferida, falemos da tal animação. O estúdio responsável, a A-1 Pictures (também conhecido na comunidade tóxica de animes como “McDonalds”. Longa história…) está claramente com as mãos cheias demais. Com uma pesquisa rápida, pude ver que Qualidea Code é o TERCEIRO show que eles estão fazendo ao mesmo tempo. Digo terceiro pois os outros dois (B-Project: Kodou Ambitious e a adaptação de Phoenix Wright) são lançados antes dele.

Antes que me joguem pedras ou peguem os tridentes e as tochas, já adianto que não sou especialista em animação ou expert no trabalho de estúdios, mas consigo muito bem imaginar que a culpa da arte HORRENDA de Qualidea se dá, além do baixo investimento, pela sobrecarga dos responsáveis.

Uma dessas prints é de Qualidea Code, a outra é de uma obra de 2001. Consegue descobrir qual é qual?

A A-1 Pictures normalmente não é associada a boas animações, embora possa tirar alguns bons resultados vez ou outra. Mas quando o assunto são animes atuais, nós sempre esperamos um nível MÍNIMO de qualidade. Se você mostrar o primeiro episódio de Qualidea para alguém que conhece o meio, mas está por fora dos lançamentos atuais, uma reação muito plausível seria a pessoa achar que o show foi produzido em meados dos anos 2000. E que me perdoem Haruhi, Cowboy Bebop e Sakura Card Captors, que tem uma animação muito superior, mesmo sendo dos anos 2000.

Você percebe que não é simples falta de capacidade, ao assistir a abertura: a animação lá é boa. Não chega a ser maravilhosa, mas é um nível aceitável. A primeira coisa que passou pela minha cabeça, ao vê-la, foi: “Essa qualidade deveria ser o padrão DO EPISÓDIO, e não da abertura”. É uma pena, já que o show poderia ser muito mais aproveitável (menos insuportável).

Já que toquei no assunto musical, a direção sonora é, com certeza, um dos pontos positivos do show. Talvez o único indivíduo que tenha feito um trabalho decente em todo o elenco seja o senhor Taku Iwasaki. Suas grandes participações incluem Ben-to, Tengen Toppa Gurren Lagann, Soul Eater e a Parte 2 de JoJo. Com um currículo desses, é de se imaginar que a BGM seja, no mínimo, satisfatória de se ouvir. Além das músicas de fundo, as músicas-tema da abertura e encerramento foram muito bem produzidas, sendo cantadas por dois grandes nomes da cultura recente, LiSA e ClariS, respectivamente. Poderia até ser maldoso e dizer que gastaram o orçamento inteiro do anime só na contratação das cantoras, e depois tiveram que animá-lo com os vales-refeição.

https://www.youtube.com/watch?v=cMRqSKCZ0wQ

Outro ponto que podemos dizer ser algo positivo, são os personagens. Desde seus designs (nem tão) marcantes, até suas habilidades (nem tão) especiais e suas personalidades (nem tão) bem definidas.

Na aparência, temos quatro garotas com características que, embora facilmente encaixáveis em “esteriótipos”, não são tão óbvias quanto as que vimos em New Game! (tirando a loirinha, ela é estereotipada demais, meu deus do céu. Mas ainda é linda melhor garota 10/10). Temos também dois garotos que… Bem… São garotos, então quem liga pra aparência deles? Apesar que devo dizer que a armadura mágica (ou seja lá o que for aquilo) no braço do Líder de Tóquio é até que bem estilosa.

Já as habilidades… Como comentei algumas vezes, já vi iguais em outros shows. Não são muito criativas, nem fogem do básico. Talvez a única inovação, seja a enorme possibilidade de piadas com JoJo, por conta de tais poderes serem chamados de “Worlds“.

Por fim, as personalidades são, sim, bem definidas. Tendo em vista que isso não é algo que se pode ter um espectro enorme, até que foram escolhidas sabiamente. Chega a ser engraçado, pois com um pouco de conhecimento sobre os três autores, fica muito fácil de descobrir quem criou cada personagem, só por suas personalidades.

Resumindo tudo, então: três caras beberam demais e criaram mais um harém escolar mágico genérico de baixo orçamento, mas com uma música bacana, e que poderia ser viável, se não parecesse ter sido criado nos anos 2000. Difícil dar mais que 4/10 para essa estréia, e resta torcer para que façam um make-over total nos Blurays, como aconteceu com Mekakucity Actors (todos podemos sonhar, não é?).

A série pode ser assistida legalmente na Crunchyroll, com episódios novos todos os sábados.

Categorias
Cultura Japonesa Mangá Pagode Japonês

Resenha | Helter Skelter

Um dos gêneros dos mangás menos falado aqui em terras tupiniquins , com certeza é o “Josei“, e não sei porque isso ocorre ( na verdade eu tenho uma teoria, mas essa é uma outra história…), pois dentro desse meio é um dos que mais produz histórias reflexivas e com personagens densos e bem incomuns.

Recentemente, a editora New Pop nos proporcionou a oportunidade de conhecer uma das mais famosas obras, da considerada por muitos, a “mãe” do Josei, Kyoko Okazaki, chamada Helter Skelter (sim a música dos Beatles, do Charles Manson… enfim), ganhador do prêmio Osamu Tesuka de 2004 e que trata-se de uma obra com classificação indicativa para maiores de 18 anos.

SINOPSE

Se você acompanha a moda no Japão, já deve ter visto o rosto de Liliko. Nos últimos anos, ela tem estado no topo do mundo da moda, promovendo as maiores marcas. Mas, como todos sabem, este mundo é uma batalha constante e interminável. Há sempre modelos novas e mais jovens a cada temporada. E manter sua posição significa aprender a adaptar-se e a lidar com a mudança. Após passar por inúmeras cirurgias plásticas, Liliko consegue se transformar em uma absoluta manifestação de beleza. Contudo, incapaz de suportar os efeitos colaterais de tantas cirurgias, seu corpo logo começa a desmoronar, e junto com ele, sua sanidade mental.

Liliko
“Luz na passarela, que lá vem ela”

 

A HISTÓRIA

Ao ler Helter Skelter, um misto de sensações me veio a cabeça. É bonito e feio, erótico e repulsivo, superficial e profundo, tudo ao mesmo tempo. Mostra facilmente uma face da cultura da vaidade que sabemos que existe e que vivemos no dia a dia, mas que não queremos acreditar que existe pois, de certa forma, seguimos seus padrões mas não nos aceitamos como parte desse padrão.

A arte desse mangá já nos remete a algo muito incomum, ele tem um traço imperfeito proposital, pra fazer um paralelo com o que a autora quis dizer. É verdade que quando a autora terminou de produzir a obra, ela sofreu um acidente, que a impossibilitou de fazer a pós produção do mangá, passando assim um aspecto de inacabado em certos momentos, mas que deixa a obra com um tom cru, mas que só engrandece a mensagem proposta.

01_006
Estranho e belo.

A história é um conto distorcido da beleza que conduz à ruína e o que vem depois. O comentário social subjacente que as pessoas irão fazer qualquer coisa para a busca não somente da beleza, mas sim da manutenção do status que essa beleza pode nos proporcionar. A ideia de cirurgias plásticas experimentais, incluindo componentes muito perturbadores, é ao mesmo tempo bizarro e assustadoramente crível. Além da beleza, Okazaki também aborda a natureza inconstante da fama, as celebridades e o papel que desempenham na vida e mentalidade dos jovens(e os não tão jovens também), que se espelham nessa figura de beleza, e o quão facilmente uma vida aparentemente perfeita pode ser despedaçado pelos vícios que esse mundo produz.

Todos os personagens são imperfeitos. São seres egoístas que atuam tanto no seu próprio interesse e necessidades, que traz à obra um toque extremamente realista. Liliko é antipática, perturbada, depressiva, manipuladora, mas ao mesmo tempo é um personagem que desperta pena. Às vezes, ela é honesta consigo mesma, às vezes ela mente para si mesma, e isso proporciona uma narrativa não confiável para o leitor, pois a sensação é que, ao mesmo tempo que ela quer ser responsável pelo seus atos, ela não quer se responsabilizar, como se fosse uma vítima desse mundo cruel.

Os personagens coadjuvantes também são nefastos: a assistente submissa, a empresária gananciosa, a frígida cirurgiã, a jovem modelo niilista; que só enriquecem a trama. Não é uma visão particularmente edificante da sociedade, mas sim triste e de uma absurda verossimilhança.

A edição feita pela New Pop é de encher os olhos na parte gráfica, com páginas coloridas, papel de ótima qualidade e com um preço bem acessível, visto a qualidade do material. Peca na parte de revisão ortográfica em alguns momentos, mas não é nada que estrague a experiência da leitura.

No geral, Helter Skelter é um mangá como poucos. É extremamente envolvente, mesmo com personagens que são difíceis de simpatizar e com cenas que deixam o leitor bem desconfortável em vários momentos, consegue ter uma narrativa fluída e densa, digna dos melhores thrillers psicológicos. Devido aos temas maduros e cenas, o público-alvo é reduzido, visto que é uma obra para maiores de 18 anos, e de um gênero não muito popular no Brasil, mas para quem gosta de uma narrativa adulta, abordando o lado mais obscuro da fama e da natureza humana, é uma leitura mais que obrigatória.

01_073
Até a próxima!

FICHA TÉCNICA

Helter Skelter – Volume único
Publicado em: Julho de 2016
Editora: New Pop
Gênero: Josei
Autor(a): Kyoko Okazaki (Pink!)
Status: Série concluída
Número de páginas: 320 paginas (papel offset) / Leitura Oriental
Formato: 15×21 cm / P&B com páginas coloridas / Lombada quadrada
Preço de capa: R$ 24,90

Categorias
Tela Quente

Crítica | Caça Fantasmas

Circundado de polêmicas desde seu início, Caça Fantasmas e o diretor Paul Feig trazem uma inovação muito importante no cinema, que é um elenco com um porcentual enorme de mulheres. Melissa McCarthy, Kate McKinnon, Kristen Wiig e Leslie Jones foram as escolhidas para serem as novas caça fantasmas, equipe que era formada por Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson na década de 80.

ghostbusters-620

Nada tem cara de reboot e nem de continuação. Tudo parece uma grande homenagem e um pacote cheio de surpresas para os fãs mais antigos da franquia. Primeiramente pelas participações especiais dos atores e atrizes dos filmes anteriores, excluindo Harold Ramis, que faleceu em 2014, e Rick Moranis, que recusou a proposta.  As participações não são usadas só como fan-service, pois todos tendem a participar um pouco da história. Outra coisa que é bem nítida, é a presença de ritmo e equilíbrio entre humor e ação. Como em 84 e 89, Caça Fantasmas tem vantagens pelo CGI ter evoluido muito de lá pra cá, mas ainda aposta muito nas piadinhas prontas e clichês que sempre funcionaram. O tema musical original, Who Ya Gonna Call, não podia ficar de fora e é colocado nos momentos certos.

maxresdefault (1)

Não há muita inovação, além dos efeitos extravagantes. A batalha final em Nova York é fantástica, muitas explosões, fantasmas bem feitos e armas que atiram freneticamente sem parar. Referências são jogadas na sua cara o tempo inteiro, prédio da Dana Barrett (Sigourney Weaver) e o marshmallow gigante são algumas delas.  O antagonista principal, interpretado por Neil Casey, decide possuir o corpo do ‘’fantasminha’’ da logo das caça fantasmas em um formato gigantesco, que chega a dar brilho nos olhos.

cacafantasmas_1-750x380

Há muitas discussões de lutas de gênero na internet atualmente. E o longa traz para dentro do cinema. Paul Feig não insiste em discutir a igualdade a todo momento, mas dá pra perceber reais mudanças cinematográficas. As quatro protagonistas tem certas particularidades que sempre o homem recebia nas histórias, uma é engenheira e que sabe tudo sobre tecnologia, uma conhece toda Nova York, e as outras duas são extremamente inteligentes e que lançaram um livro que teve êxito nas vendas.

Caça Fantasmas é o ‘’terceiro Caça Fantasmas’’ que muita gente estava esperando. Respeitando seus antecessores, faz jus ao seu título. E se tiver algo estranho em sua vizinhança… Para quem você vai ligar?!

Categorias
Entretenimento Tela Quente

A PIADA MORTAL | Simplificando a polêmica

Batman: A Piada Mortal, a adaptação animada recém lançada do clássico de Alan Moore de mesmo nome tem gerado muita polêmica desde a sua estreia. Tudo por causa de uma cena de alguns segundos. Bom, antes de mais nada, à partir deste ponto teremos alguns SPOILERS. Você pode adquirir a Graphic Novel aqui e a adaptação animada em DVD aqui.  Agora, esteja por sua conta em risco!

A história original, escrita pelo bruxo Alan Moore e desenhada por Brian Bolland, mostra como o Coringa tenta provar que uma pessoa só precisa de um dia ruim para enlouquecer e se tornar alguém como ele. É definitivamente um clássico das histórias em quadrinhos, que marcou época e a mitologia do Morcego para sempre.

Piada-Mortal
“Batman: A Piada Mortal” (1988)

 A animação, com roteiro de Brian Azzarello e direção de Sam Liu, conta com um prólogo de aproximadamente 30 minutos, que serve para dar mais corpo a trama, já que a história original é muito curta para sustentar um longa de 1 hora e meia. Ela também nos apresenta bem superficialmente a relação entre Batman e Batgirl (Barbara Gordon) e os motivos deles não poderem ter um envolvimento afetivo maior.

A POLÊMICA

batgirl piada mortal

A polêmica toda pode ser resumida em apenas um gif de poucos segundos. Eles transam no topo de um prédio após uma calorosa discussão. Barbara aparentemente sentia mais que apenas uma admiração por seu parceiro de combate ao crime.

austin powers

Em algumas mídias e principalmente nos quadrinhos, a relação de Bruce Wayne com seus pupilos é algo paternal, e já rendeu muitos momentos memoráveis, daqueles que fazem qualquer guerreiro viking suar pelos olhos. Ver uma cena dessas choca qualquer um que está acostumado apenas com aquela linha de relacionamento de pai e filhos.

cara-a-cara
Bruce Wayne adotando no papel um de seus pupilos, Tim Drake, em “Batman: Cara a Cara”.

Mas de onde Brian Azzarello tirou que Barbara Gordon é apaixonada por seu mentor? A resposta é simples: Bruce Timm. Em meados de 1999, estreava a série Batman Beyond (Batman do Futuro aqui no Brasil) pela Warner Channel. A série rendeu 52 episódios divididos em 3 temporadas e um longa animado, além de alguns crossovers com outros desenhos da época como Projeto Zeta e Super Choque. 

batman-do-futuro

Em um dos episódios, a ex-Batgirl e agora atual Comissária de Polícia de Gotham City, Barbara Gordon, relembra sua juventude e o que acontecera para a Batfamília se separar definitivamente.

batman-beyond_torre
“Um Toque de Curare” Batman do Futuro

Dick Grayson seguiu sua vida como Asa Noturna longe da sombra de Gotham, e Barbara ficou ao lado de Bruce. A série foi cancelada, e alguns anos depois ganhou sua continuação, mas desta vez em quadrinhos. Na edição #28 de Batman Beyond 2.0 temos mais uma revelação bombástica daquele passado nebuloso:

gravida
Batman Beyond 2.0 #28

Bruce e Barbara não só tiveram um caso, como ela acabou engravidando dele no meio tempo em que Grayson voltava para os Titãs em Blüdhaven. Tecnicamente, não foi uma traição, eles estavam separados. Após reatarem, Dick pretendia pedir Barbara em casamento, mas notícia culminou com a separação nada amigável da ex-dupla dinâmica. Barbara acabou perdendo o bebê com apenas algumas semanas de gestação. É, o Timmverso é realmente trágico.

beyond-28
Batman Beyond 2.0 #28

Em outra animação do mesmo universo fica até mais evidente.

barb
“Batman – O Mistério da Mulher Morcego” (2003)

Para encerrar, independente de sua avaliação sobre a animação, devemos abrir nossas mentes para os diversos conceitos do Multiverso da DC Comics, no qual conta com uma gama de versões diferentes de personagens, com diferentes interpretações.

Em minha opinião, Azzarello pesou a mão ao resumir a relação dos dois em apenas sexo. Poderiam ter trabalhado melhor nisso, afinal, experiência não falta em escrever títulos com mulheres fortes como a Mulher Maravilha e  Carrie Kelley em Cavaleiro das Trevas 3: A Raça Superior.

DK3
Totalmente Badass!

A personagem tem uma mitologia riquíssima, e vale a pena conhecer um pouco mais sobre ela aqui neste Guia de Leitura. Espero que tenha gostado e até a próxima!

Categorias
Tela Quente

Crítica | Dois Caras Legais

Dois Caras Legais, dirigido pelo ‘’iniciante’’ Shane Black, tem uma premissa bem simplória. A todo momento tenta sair do óbvio com um humor afiado, boas cenas de ação e uma reviravolta inesperada.

caras

A história se passa nos anos 70, quando a filha da Chefe do Departamento de Justiça desaparece. O desaparecimento está relacionado com mafiosos e criminosos de Hollywood. Inesperadamente, Jackson Healy (Russell Crowe) e Holland March (Ryan Gosling) percebem que estavam trabalhando no mesmo caso há algum tempo. A dupla veterana no cinema, Crowe e Gosling, é excelente. A dinâmica entre eles é boa, as cenas cômicas funcionam quase toda vez, e ambos tem tempo suficiente na telona. A filha de Holland, interpretada por Angourie Rice, é bem razoável, já que o filme tenta explorar muito a fundo a personagem, e não funciona…

nice_guys

Quando digo que Shane Black é ‘’iniciante’’, estou com o pensamento direcionado a direção, onde Black não está muito habituado. Este que dirigiu apenas um filme em sua carreira, que foi Beijos e Tiros, de 2005. Contudo, parecia que ele já tivera dirigido uns 10 filmes, pois a direção é primorosa. Além dos planos de câmera utilizados de forma inteligente, a adaptação para os anos 70 é a melhor coisa do longa. Referências a Earth, Wind & Fire, grupo musical que estava fazendo grande sucesso na época, e famosos de 70. Todo o figurino, os carros e até mesmo as armas se adequam ao período.

142836_dois-caras-legais-cena.jpg.1000x390_q60_box-0,24,1050,433_crop_detail

Roteiro simples, mas que em nenhum momento passou a ser bobo, pois toda a justificativa é coerente. A questão é que do 1º ato ao 2º, estava faltando alguma coisa, nada  convencia o público. É aí que a obra sai do óbvio e cria uma reviravolta. Tendo um 3º ato fantástico com cenas de ação, que remetem a séries e filmes policiais antigos, e um humor inocente, mas muito bem feito.

Surpreendente, frenético, simples, divertido e engraçado, Dois Caras Legais é a comédia que o público estava precisando há um bom tempo. Chega de comédias escrachadas e sem graças.

Categorias
Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

Primeiras Impressões | New Game!

Ok, calma lá. Vamos começar devagar. Que tal começar um novo jogo? Prometo que nesse save eu não falo que japonês é um povo estranho. Ah, droga!

Por mais relacionado a jogos que esse post possa passar a impressão de ser, estamos ainda no ramo de análises prematuras de animes. E no Primeiras Impressões de hoje, vamos dar uma olhada nesse grupo de garotinhas que com certeza estão vivendo no Easy Mode. E como sabemos, easy-mode é para criancinhas.

Com o início da serialização em 2013, o mangá é de Tokunou Shoutarou (Não muito famoso, mas que em seu pequeno nicho de fãs é conhecido por suas “ilustrações divinas”), que apesar de não ser um estouro de vendas, tem alguns números bons para o gênero, além de ter desbancado outros títulos de peso, como ReLife, Gundam e GATE. Ainda não é publicado no Brasil, mas seria uma ótima adição ao catálogo nacional. Não que eu esteja insinuando algo, mas o cantinho de sugestões da NewPOP é ali do lado…

<Alerta de Garotas bonitinhas fazendo coisas bonitinhas>

Você sabe que está assistindo uma obra de ficção, quando a pessoa diz que conseguiu o emprego dos sonhos logo após se formar no ensino médio. E quando uma pessoa se dispõe a trabalhar numa empresa sexista de jogos sem nem saber modelar em 3D. E quando uma empresa sexista de jogos aceita contratar uma garota recém-formada que nem tem as qualificações para o emprego.

De qualquer maneira, se você for assistir já sabendo que é uma ficção, você vai se deparar com um típico humor de quatro painéis. Pela obra original ser um 4-koma, as piadas são quase que cronometradas. O que pode não ser um agrado muito grande pra quem prefere algo mais elaborado, mas pode ser ótimo pra pessoas que se cansam rápido de coisas que se prolongam demais, e querem algo mais dinâmico, mais veloz ou pra quem tem problema de atenção tipo eu.
É um tipo de humor bem característico do gênero. Não tem uma piada sendo contada, ou uma situação (muito) absurda acontecendo. É só… A existência das personagens. Elas existem, e isso é cômico. O dia-a-dia delas que deveria te fazer rir. Não é algo pra todo mundo.

Bagulho é tão doce que chega a dar dor de dente...
Bagulho é tão doce que chega a dar dor de dente…

Já a belíssima animação fica por conta do Estúdio Dogakobo, que além de já ter uma boa experiência com o gênero (Outras adaptações de 4-komas muito aclamadas incluem Gekkan Shoujo Nozaki-kun e Mikakunin de Shinkoukei), trazem todos os lucros gerados pelo inferno demônio capiroto tinhoso sucesso de Himouto! Umaru-chan. A primeira sequência do show é de deixar qualquer um pasmo, de tão detalhada e bonita. Não há um corte que não seja bem executado nos dois primeiros episódios… Embora 90% do tempo essa qualidade toda seja usada em garotinhas tomando chá. Também existem alguns frames onde você percebe a clara influência da origem em mangás da obra: Cenas que quebram totalmente o fluxo de animação, sendo imagens estáticas de poses características, mas que ainda assim conseguem passar a ideia de movimento, quando sobrepostas umas as outras.

Falando nas garotinhas, vamos a elas: Na realidade, são todas maiores de idade, apesar do design de personagens dizer o contrário (e isso é, infelizmente, uma prática bem comum em animes…). Excelente trabalho por parte do veterano Kikuchi Ai, que conseguiu fazer com que sempre haja uma nova expressão no rosto da Aoba (nossa querida protagonista), qualquer que seja a situação.
As personagens tem suas características e personalidades muito claras desde o princípio, sendo fácil de identificar quem deveria ser o quê ali. Mais uma vez, uma herança de seu gênese como 4-koma, que não possui muitos quadros para estabelecer caráter. Mas elas são todas bonitinhas, então não tem problema elas serem superficiais, né?

Minha cara quando falam que aquela loli 'tem 900 anos então não tem problema'...
Minha cara quando falam que aquela loli ‘tem 900 anos então não tem problema’…

Um ponto interessante a se ressaltar, é o elenco de dubladores (ou dubladorAs, no caso, já que não tem nenhum personagem masculino no elenco que não seja um porco-espinho): Não há meios-termos, todas as garotas são dubladas ou por profissionais super experientes (Como  Hikasa Yoko, famosa por seus papeis em diversos haréns escolares mágicos genéricos), ou por meninas que acabaram de entrar no ramo (por exemplo, Takeo Ayumi, que está, literalmente, estreando nesse anime, e vem fazendo um excelente trabalho). Acho que de forma semelhante ao que acontece na história do show com a protagonista, essas novas dubladoras aprenderão muito com as veteranas.

E… Isso é tudo? A série, apesar de ser um ótimo show de se assistir, por ter uma pegada divertida e que faz o tempo passar rápido, não deixa muito de uma impressão. Já assisti os episódios há três dias, mas só consegui terminar de escrever um texto razoável o bastante pra ser postado, hoje. É difícil ter “Primeiras impressões” quando não há muitas “impressões”.
Tenho certeza que será um anime que eu adorarei assistir enquanto durar, mas que não ocupará espaço na minha memória poucas semanas depois de ser finalizado. Vai virar aquele “Nossa, isso existe né? Era engraçado! Eu acho… Não lembro.” em pouco tempo.

Depois do sucesso de Pokémon GO, conheça agora Counter-Strike GO.

Mas o passado já era, e o futuro está longe, a vida a gente faz agora, e no agora, eu estou acompanhando e adorando New Game! Esse começo ficará no meu comedômetro com um 7/10, e recomendo a qualquer um que esteja precisando relaxar, ou que goste de utopias empresariais.

A série pode ser assistida na Crunchyroll, com episódios todas as terças-feiras mas boatos por ai dizem que certos becos escuros arranjam os episódios na segunda.

Categorias
Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

Primeiras Impressões | 91 Days

Eu poderia começar dizendo que japonês é um povo estranho, mas isso é coisa do Vinicius, então deixa pra lá. Além do mais, hoje o assunto é sério pois envolve vingança e máfia em um anime que conseguiu fisgar a todos logo no seu primeiro episódio com a promessa de ser um dos mais interessantes da temporada.

Produzido pelo mesmo estúdio responsável pela segunda temporada de Durarara!!, 91 Days (naindi uan kawaii desus, em japonês) é uma história original sobre assassinatos que se passa na cidade de Lawless, onde o comércio ilegal de bebidas é o centro dos negócios no mercado negro graças a implementação da Lei Seca. Após ter sua família assassinada por uma disputa da máfia, o protagonista busca vingança contra todos os responsáveis, após receber uma carta de um remetente misterioso que dizia para ele retornar a esta cidade e saciar sua sede de vingança.

O enredo é o ponto forte de 91 Days e se assemelha bastante a uma “história clássica de mafiosos” (estou sinceramente esperando uma cena onde algum personagem acordará com uma cabeça de cavalo na sua cama). O ódio do protagonista pela família Vanetti torna a tensão de algumas cenas algo que é possível sentir na pele, especialmente após as reviravoltas de roteiro. O final do segundo episódio, que foi ao ar recentemente, é de fazer qualquer um bater a cabeça na parede.

O primeiro episódio do anime abre com uma sequência (o assassinato da família de Angelo, o protagonista) de tirar o fôlego, violenta e realmente perturbadora. Algo interessante a ressaltar é que a obra é totalmente pé no chão, então não espere encontrar poderzinhos ou monstros gigantes. O maior monstro da história talvez seja a birita. Essa é marvada.

O verdadeiro inimigo dos homens.
O verdadeiro inimigo dos homens.

O enredo interessante é somado a uma animação muito bonita do estúdio Shuka (que nome), que entrega designs de personagens muito competentes. Cada um possui características únicas, os cenários são bonitos e as cenas de ação são de tirar o fôlego. As cores combinam com o tipo de história contada , e talvez os únicos pontos fracos sejam os momentos de animação em CG, especialmente dos veículos, onde tudo fica meio bizarrinho. Ainda assim não é nada alarmante.

A trilha sonora de Shogo Kaida é outro ponto altíssimo de 91 Days (que eu acabei não explicando, mas recebe este nome pois mostrará o decorrer da história em noventa e um dias. Isso significa que teremos 91 episódios? Deus…). Com músicas belíssimas, e todas combinando perfeitamente com o tom da história, toda a trilha merece destaque e muitos elogios. Existem momentos que são bem parecidos com O Poderoso Chefão, com violinos e outros instrumentos que eu não possuo inteligência suficiente para diferenciar. Talvez nem sejam violinos. Enfim.

Corte rápido. Tramontina.

Apesar de você como espectador comprar a vingança do protagonista, ele não possui uma personalidade muito marcante. Angelo (que mudou seu nome para Avilo) é o típico personagem-calado-frio-e-inteligente de animes, fazendo com que a única empatia que você sinta seja pela vingança. Pode sentir-se mal, pois você vai desejar a morte de pessoas. Seu monstro.

Para equilibrar a balança da chatice, todos os outros personagens possuem personalidades bem marcantes. O que é triste, visto que (obviamente) o enredo entregará diversos assassinatos, e no final deve ser uma amargura só… Sério, nem precisa assistir, o final vai ser trágico com certeza. Você pode evitar essa tragédia na sua vida.

Brincadeiras à parte, 91 Days entregou até o momento dois episódios com uma qualidade bem acima da média, se destacando entre os animes da temporada. Com uma tensão adulta e um enredo convincente, se bem trabalhado até o fim, pode subir ainda mais rumo ao posto de Melhor da Temporada (por mais que seja até um pouco prepotente já ir afirmando isso, mas esse texto é única e exclusivamente minha opinião, então beleza). Este início de temporada entregou algo equivalente a uma nota 8/10, que pode subir ainda mais. Ou cair, vai saber né. Vale destacar, por fim, o tema de abertura cantado por TK do trio Ling Tosite Sigure, que é muito bom.

A série pode ser assistida pelo site da Crunchyroll, com novos episódios exibidos todas as sextas.

Categorias
Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

Primeiras Impressões | Orange

ou, “como fazer uma história de viagens no tempo dar errado“.

Japonês é um povo estranho? Já sabemos. Sejam bem-vindos a mais um “Primeiras Impressões“, aquela coluna que parece não ter padrão de postagem, mas que se você analisar direitinho, notará que sempre sai um monte delas de três em três meses. Iniciaremos as análises iniciais da Temporada de Verão com uma cor mais leve, já que no calorzão (lá do Japão, pelo menos) ser gótico não rola, então a moda diz que Laranja é o novo Preto (Perdão).

Com um mangá de extremo sucesso, e com publicação nacional pela editora JBC, Orange é um dos raros casos onde o nome não diz bulhufas sobre a obra (Parei pra pensar por uns vinte segundos aqui, e não me veio nenhum outro exemplo a cabeça… Esse negócio é raro mesmo). Pelo menos não inicialmente. Muitos estavam esperançosos para essa adaptação, e ela finalmente chega em nossas mãos, para podermos fazer piadinhas com aquela série sobre presidiárias.

Não me levem a mal pela primeira frase. Sei que muitos de vocês nem ligam tanto pra esse aspecto tirado de filme da Sessão da Tarde (Não, sério, esse anime não é quase a mesma coisa que aquele “A casa do lago”, filme de 2006 com o Keanu Reeves e a Sandra Bullock?). Mas eu tenho um problema pessoal com viagens no tempo, e vou matalas explicar os pontos que não gostei, mas daqui a pouco.

Vamos começar com a arte do show, que pode ser dividida em dois pontos: Uma animação fluida e bem adornada em todos os aspectos, com cenários de deixar qualquer um boquiaberto, cortesia da Telecom Animation. Por outro lado… Um design de personagens horrendo. Não sei o que houve com o responsável, Nobuteru Yuuki (que fez alguns designs bons no passado, como de Sakamichi no Apollon e Mushishi), mas o que ele entregou para Orange foi simplesmente medonho. Não é nem questão de os personagens serem ruins… Inclusive não são! Todos são bem característicos, com pontos que deixam seu design marcante, e fácil de fazer associações. Mas… Os personagens são mal desenhados, mal adaptados. Qual o problema com a cara dessa menina?

Além da cara estranha, ela tem um problema de coluna seríssimo.

Um outro tópico que posso levantar é o musical. Existe esse senhor de idade chamado Yukio Nagasaki, que por algum motivo desconhecido, está no mercado de direção de áudio para animes. O maluco deve ser um palhaço, aquele tiozão que faz a piada do pavê na festa de fim de ano da empresa. Não vejo outro motivo pras escolhas de músicas de fundo pra Orange. Por mais que elas não sejam totalmente fora de lugar, e funcionem bem para as cenas que são colocadas… Elas são esculachadas demais. É tipo um “Mano, ele tá zoando com a nossa cara, MAS ELE TÁ CERTO, então não podemos fazer nada a respeito“.
São músicas com pegada circense, de chacota, até um Country tem espaço na discografia do moço.

Sobre os personagens, todos tem seus pontos fortes. Não é um forte geral do anime, como foi com Netoge na temporada passada, mas é consistente. Sempre tenho aquela pulga atrás da orelha, de “eu duvido que pessoas de personalidade e estilos tão diferentes, seriam tão amigos assim”, mas na ficção nós relevamos esse aspecto, para dar maior diversidade ao elenco.
Apesar dessa diversidade e tudo mais, não vejo algo ‘novo’ em nenhum personagem. Todos os protagonistas são facilmente enquadrados em esteriótipos típicos, e não se esforçam nem um pouco em fugir deles. Autora foi bem feijão com arroz nesse quesito.

Agora o que eu queria ter falado desde o começo, e o que vocês não estavam afim de ler, por isso joguei pro final: A bendita viagem no tempo. Não gosto de dar sinopses ou contar o que acontece no decorrer do episódio, quando estou escrevendo um “Primeiras Impressões” (isso eu faço nos shitposts do Twitter, se alguém se interessar), mas vou abrir uma exceção pra esse caso.

Não vou nem entrar no mérito de COMO DIABOS ENVIARAM UMA CARTA PRO PASSADO sem usar um microondas, e pular pros problemas reais: A carta foi feita num ponto da linha do tempo, onde todos os acontecimentos que querem ser evitados, já ocorreram. Ela só deveria apontar o futuro com precisão, até o momento em que a protagonista do passado faz uma escolha diferente pela primeira vez. Efeito borboleta, conhecem? É improvável (para não dizer impossível) que os acontecimentos futuros continuem seguindo um padrão, depois de uma mudança drástica em um dos pontos. A autora tenta mostrar isso, passando sutilmente a ideia de que “o esqueleto se mantém, mas algumas coisas vão mudando, conforme ela muda suas escolhas“, mas o exemplo que tivemos até agora, poderia muito bem ser respondido com simples soluções, e mantém o problema da Teoria do Caos.

Imagens exclusivas da autora da obra, quando questionada sobre seus conhecimentos de mecânica quântica.

Porém, o maior problema de todos, é a apatia da garota principal, Naho. Eu fiquei simplesmente indignado com o desenvolvimento inicial do anime. A guria recebe uma carta, supostamente do futuro, que prevê com perfeição o futuro próximo dela… E não tem a mínima curiosidade de ler o resto? Absurdo. Pior: Depois de ler a primeira página (de muitas, visto que a história começa em abril e deve ir até… janeiro?), ela simplesmente ESQUECE DA EXISTÊNCIA dela por DUAS SEMANAS? Abobrinha. Garotas colegiais são loucas por coisas sobrenaturais e pitorescas, ainda mais quando envolvem algo que soe romântico. Em nenhuma situação isso soa plausível.

Mas se você não levar a mecânica quântica em consideração, até que dá pra engolir. Isso, claro, se você tiver afim de acompanhar uma história tearjerker com paradoxos temporais. Coisa que eu não sou muito chegado. Por isso, esse começo fecha com 6/10 pra mim. Se não fosse a Hanazawa Kana dublando a garota principal, pioraria um pouco.

A série pode ser assistida pelo site da Crunchyroll, com novos episódios todos os domingos.