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Light Novels: O que são e por que você devia se importar

Hoje o papo é sério, então não podemos começar com piadinhas. Se quiser rir por causa de japonês, essa nova novela das seis está cobrindo minha cota muito bem. Sério, vocês viram a Giovanna Antonelli falando (ou tentando falar) em glorioso NIHONGO? Nem preciso mais perder algumas linhas pra dizer que japonês é um povo estranho.

Você, caro leitor das partes menos obscuras (e mais ativas) da Torre, pode não dar a mínima para os meus outros posts. Eu escrevo sobre aqueles desenhos japoneses cheios de garotinhas, afinal de contas. E você gosta mesmo é do Bátima. Eu sei, eu sei. Acontece que esse post em específico, assim como aquela série (que eu ainda vou terminar, prometo) sobre como entrar no mundo dos animes, foi feito justamente pra você.

Dessa vez, vou tentar te vender outra roubada, mas um pouco diferente da anterior. Essa está bem mais próxima da sua zona de conforto do que você imagina, e tem uma influência midiática tão colossal, que a probabilidade de você já ter cruzado com algo diretamente amaldiçoado por ela é enorme. Começaremos pelo começo:

O recado está sendo dado na própria capa da Novel! Não diga que não avisei!
O recado está sendo dado na própria capa da Novel! Não diga que não avisei!

O que são Light Novels?

Segundo a Wikipédia: “são romances ilustrados geralmente no estilo anime/mangá, compilados de folhetins de revistas ou sites na internet“. Mas é claro que isso não explica nada. Vamos expandir um pouco a definição café-com-leite que nos foi dada.

A começar por “São romances“. Apesar de grande parte dos títulos terem algum tipo de relação de fato, romântica, entre seus personagens, o termo ‘romance‘ provém de seu significado mais amplo: uma prosa, um gênero narrativo. No ápice dos meus doze anos de idade, achei engraçado o fato de, na capa nacional de “O Diário de um Banana“, estar escrito que se tratava de “um romance em quadrinhos“. De forma semelhante, light novels são, portanto, prosas. Prosas que, por sua vez, são escritas, como é de se imaginar, em forma de textos. Em bom português, se trata, basicamente, de um livro.

Mas não apenas um livro. Continuando, temos que são “ilustrados“. Interessante, estamos começando a pegar o espírito da coisa. Então, além de ser um livro, uma light novel também possui ilustrações. Isso não é tão incomum assim, claro. Existem diversos livros ilustrados por aí. Se expandirmos o conceito o suficiente, podemos até incluir suas amadas HQs nesse conjunto.

A questão muda de figura (entendeu? Estamos falando de ilustrações! Há!) quando prosseguimos na leitura: “geralmente no estilo anime/mangá“. É agora que a porca torce o rabo. Sei que você fez cara feia quando chegou nessa parte. Tudo bem, eu te entendo. Como já comentei outras vezes, eu também mudaria de calçada se cruzasse comigo mesmo na rua. Nem todo mundo gosta desse estilo de arte, e isso faz com que a resistência dessas pessoas aos ‘animes‘ seja enorme. Muitos acabam perdendo ótimas tramas, com excelentes roteiros e histórias envolventes, apenas por desdém ao modo de exibição.

Você ainda vai ter que lidar com isso, só que em doses homeopáticas.
Você ainda vai ter que lidar com isso, só que em doses homeopáticas.

Mas é por isso que as light novels são tão importantes: elas trazem, no geral, o tipo de trama, narrativa e roteiro que você encontraria em animes e mangás… Mas com 347% (segundo fontes confiáveis) menos arte que você odeia! Hooray! Enquanto ambos os casos citados são repletos desse tipo de desenho, as light novels possuem poucas ilustrações em seu miolo, tendo o seu bruto preenchido por letras. É uma oportunidade que você tem de conhecer esse tipo de escrita sem precisar sofrer com imagens que fazem seus olhos sangrarem.

Fechamos, então, com “compilados de folhetins de revistas ou sites na internet“. Se você está no famigerado grupo dos “Millenials”, que tem causado muitas discussões extremamente irrelevantes na mídia ultimamente, muito provavelmente nunca ouviu falar desse bagulho. E é claro que nunca ouviu mesmo. O único título nacional que eu conheço, que saiu nesse formato, é “Memórias de um Sargento de Milícias“, cuja publicação é datada em mil oitocentos e vovó menina (1852). Imagine algo próximo de… Harry Potter. A autora poderia ter escrito um grande livro contando toda a história do rapaz, mas decidiu fazer sete livros diferentes, com lançamentos mais ou menos igualmente espaçados entre si. Light Novels são publicadas nesse estilo: a cada seis ou doze meses, um ‘volume‘ novo é lançado, continuando a história de onde ela parou da última vez. Pensando enquanto digito, é quase que a mesma coisa que mangás e HQs, não é? Viu só como esse universo não é tão diferente do que você já conhece?

Por que elas são importantes?

Agora que você sabe (mais ou menos) do que estamos tratando, podemos dar um passo à frente. No começo do post eu disse que, além de apresentarem boas narrativas, Light Novels possuem uma influência midiática extraordinária. Você, com certeza, não acreditou em mim; e por isso eu irei provar meu ponto. Me acompanhe:

Se até JoJo tem conteúdo em Light Novels, como você pode ignorar algo tão FABULOSO?
Se até JoJo tem conteúdo em Light Novels, como você pode ignorar algo tão FABULOSO?

Começarei com a mídia que, obviamente, é a mais afetada pelo surto de Light Novels, iniciado em meados dos anos 2000: os animes. E eu sei o que você está pensando, você não se importa com animes, certo? Meu grande objetivo de vida (e a única coisa que me mantém vivo atualmente) é fazer você se importar um dia. Por isso, é importante você saber dessas coisas.

Contando as últimas três temporadas de animes que já não estão mais entre nós (julho, abril e janeiro), aproximadamente um dezesseis avos (1/16) dos títulos são adaptações de Light Novels. Isso pode não parecer muito (e não é mesmo, se comparado ao número de adaptações de mangás, por exemplo), mas se levarmos em conta que cada temporada nos trás, em média, entre quarenta e cinquenta novos shows (com algumas abominações, como Julho/2016, que teve exorbitantes sessenta e quatro novas animações), e que essa proporção está mais ou menos constante nos últimos DEZ ANOS, podemos estimar aproximadamente 125 adaptações de Light Novels, na última década.

Não há como discordar...
Não há como discordar…

E não apenas em quantidade, mas em volume de informações, esse dado é importante: uma obra originalmente escrita para animação é fácil de se trabalhar; um mangá requer um mínimo esforço de leitura, mas grande parte da adaptação pode se basear nas massivas ilustrações. Agora, Light Novels? O diretor do show precisa ler e reler diversas vezes cada volume da obra original, e tirar totalmente de sua cabeça todo o cenário e distribuição de todas as cenas que não são ilustradas. O trabalho nas costas do diretor é diversas ordens de grandeza maior, quando a obra a ser adaptada é uma Light Novel. E mesmo assim, elas continuam sendo adaptadas. Se isso não é um sinal de que elas são importantes, então eu não sei o que é.

Se isso não te convenceu, posso usar mais números para te assustar. Sem problemas. O mercado de Light Novels é surpreendentemente gigante, e movimenta muito dinheiro por ano. Em 2009, esse setor movimentou 30,1 bilhões de Ienes (392 milhões de dólares, na época), representando quase um quarto de todo o lucro da indústria de livros japonesa. Os títulos mais famosos vendem, anualmente, na faixa de um milhão de cópias, apenas no mercado nipônico. E os números são ainda maiores, quando expandimos para o mercado ocidental. Recentemente, a Editora Kadokawa publicou dados sobre as vendas mundiais da Novel de Sword Art Online, e os números ultrapassam os dezenove milhões de exemplares.

Acredite, essa imagem é Real™
Acredite, essa imagem é Real™

Mas você não se importa com nada disso, não é? Parece que tudo que eu falei não está assim “tão influenciado” por Light Novels como eu fiz parecer no início. E se eu disser que, na realidade, até mesmo TOM CRUISE já encarnou um personagem vindo desse meio? Que foi, não acredita? “No Limite do Amanhã“, filme de Doug Liman (diretor de “Senhor e Senhora Smith”, a série de filmes de Jason Bourne, entre outros títulos que eu nunca ouvi falar… Exceto “Jumper”. Adoro esse filme, puta merda.) estrelado pelo galã citado é uma adaptação cinematográfica de nada mais, nada menos… Que uma light novel! Escrita por Hiroshi Sakurazaka em 2004, “All You Need is Kill” foi o primeiro (e único) grande sucesso do autor, que recebeu além do filme, adaptações para graphic novel e para mangá (esse último, publicado no Brasil pela JBC).

Ok, “Isso é um caso a parte“, você deve estar pensando. “Esse negócio de Light Novels continua sendo coisa de Japonês safado“. Ah amigo, eu bem que queria concordar contigo. Bem que queria dizer que você está certo dessa vez… DAGA KOTOWARU Mas eu estaria mentindo. O maior exemplo que posso dar para refutar essa sua hipotética afirmação é uma pessoa que, coincidentemente, surge das terras em que nós pisamos agora: Thiago Lucas Furukawa, nascido no Brasil. Este jovem rapaz futuramente seria conhecido pelo nome artístico de “Yuu Kamiya” (afinal, tenho certeza que ele sofreria bullying no Japão, se tentasse publicar qualquer coisa com o nome de “Thiago Lucas”), é a prova viva que para fazer algo dar certo, só é preciso dar um jeitinho brasileiro.

Piadas a parte, “No Game No Life“, maior obra do jovem tupiniquim, é um sucesso absurdo em todo o mundo: no primeiro semestre de 2013 foram vendidas mais de 255 mil cópias da novel, e um dos volume mais recentes vendeu, só na primeira metade deste ano, 168 mil cópias; Foi adaptado em uma série animada pelo estúdio Madhouse, que teve uma média de 8,5 mil blurays vendidos (que é um bom número, caso você não esteja familiarizado), e que causou uma comoção colossal com o público na internet. Enfim, é uma Light Novel importante nos dias de hoje, e de fazer inveja em muito japonês safado.

Tudo bem, você me convenceu! Que Light Novels eu encontro no Brasil?

Ok, ok, formem uma fila organizada para comprar as suas Light Novels! Tem pra todo mundo! (Isso não são light novels, mas use sua imaginação)
Ok, ok, formem uma fila organizada para comprar as suas Light Novels! Tem pra todo mundo! (Isso não são Novels, mas use sua imaginação)

Ora pois, que bom que perguntou! Embora existam milhões de títulos super interessantes e que não apenas eu, mas muitas pessoas adorariam ver sendo publicados por aqui (inclusive… Junior, se estiver lendo esse post… Dá uma olhada no cantinho de sugestões com carinho, vai? Nunca te pedi nada, só queria um Encontro ao Vivo… *wink*), o mercado nacional de Light Novels ainda está começando a engatinhar. É um nicho relativamente recente, e com poucos títulos a disposição. O seu apoio é essencial nessa fase importante da vida dessa criança, pois é neste momento que começamos a moldar o seu futuro, começamos a ver se ele crescerá forte e saudável e conquistará muitas realizações memoráveis em sua vida, ou se vai acabar como um blogueiro depressivo que escreve sobre desenhos chineses. E eu tenho certeza que, por mais que você não se importe com isso, você não ia querer um destino tão ruim para ninguém, não é?

A melhor forma de mostrar para as editoras que você gosta (ou gostaria de começar a gostar) da mídia, e que adoraria um catálogo maior de títulos, é apoiando os títulos atuais, e orientando-os a que rumo seguir. Se os títulos atuais não te agradam, peça novos! Comente, procure, recomende às editoras! Elas, apesar de parecerem, não são monstros de sete cabeças que vivem em outra dimensão. Se você conversar civilizadamente com elas, elas te responderão com todo o prazer.

No Brasil isso não está tão grave... Ainda...
No Brasil isso não está tão grave… Ainda…

De qualquer maneira, vamos deixar essa parte chata de lado e ir logo ao ponto. Embora existam publicações mais antigas de outras editoras, atualmente, apenas JBC e NewPOP publicam Light Novels no mercado brasileiro, normalmente apenas em lojas especializadas (ou seja, você pode não encontrá-las em sua banca de esquina predileta). Mas é claro que compras online são sempre viáveis. Segue lista:

NewPOP

JBC

E… Ufa! Acabamos por aqui, hoje. Se você realmente chegou até aqui, espero que eu tenha te convencido sobre a importância das Light Novels na mídia atual. E mesmo se você não goste, entenda a sua influência, que aos poucos, se alastra pelas vastidões, e logo logo alcançará você. Isso se já não alcançou. Eu não olharia para trás se fosse você…

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Tela Quente

Crítica | Festa da Salsicha

A aventura apresentada por Seth Rogen e seus companheiros é repleta de palavrões, sexo, exageros, preconceito e tudo que há de mal no mundo. Só que o discurso que Rogen sempre quer colocar em pauta está novamente estampado na tela, usando o sarcasmo para discutir questões polêmicas envolvendo etnias, religiões e drogas na forma de comida, a coisa mais boa no mundo.

Um supermercado qualquer é o cenário ideal para construir a história. Todos os dias uma mesma música é cantada pelos alimentos, que acreditam em uma crença onde os humanos são deuses, e levarão todos os alimentos escolhidos para o paraíso. Só que ninguém sabe o que acontece da porta do mercado para fora, que é um verdadeiro inferno na visão dos produtos. Desde descascar batatas, até comer uma simples batata frita, é retratado como um perigo e um jogo mortal para os pequenos alimentos. O mais interessante dessa ideia é mostrar um momento tão simples e cotidiano de nossos dias, se tornando um momento inesquecível e marcante no contexto.

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Se uma pessoa que não está muito ligada a um mundo culinário, adorou o longa, chefes de cozinha vão amar. Referências a animações e filmes em geral não faltam, mas por se tratar de comidas em diversas culturas, há muitas piadas que só os mais ligados irão pegar. Também há  um apelo sexual na forma dos alimentos. Dá para perceber pela protagonista, que é um pão de cachorro quente, mas aparenta ser outra coisa…

Porém, antes de tudo, há um ponto negativo que pode incomodar e destruir a nossa experiência com o filme. Durante o 2° ato, quase inteiro, vemos um roteiro vazio e sem relevância ou significado, repleto de palavrões que começam a perder o sentido por causa do excesso.

Apesar do exagero e da apelação, a  ideia de desconstruir a crença que envolveu aquela sociedade alimentícia desde o princípio, se coloca em primeiro plano na metade do filme para frente. Um longa que parecia apenas mais um besteirol de Rogen se torna uma aventura que todos torcem para o sucesso do protagonista, uma salsicha. O roteiro é bem estruturado e consegue criar o clímax certo, que vale boas referências, inclusive envolvendo Exterminador do Futuro.

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No Brasil, a adaptação do roteiro e a dublagem ficaram nas mãos do grupo da internet Porta dos Fundos, que cumpriram o desafio colocando o filme em um contexto mais brasileiro, já que a versão original estava repleta de piadas envolvendo o cenário americano, onde o público não está muito habituado.

Festa da Salsinha não é para qualquer público. Este tem que estar consciente e de cabeça aberta para receber algumas piadas que podem não condizer com seus ideais. Essa foi a melhor forma de somar um elemento mais infantil, como a animação, com um elemento que apela  para os adultos, envolvendo sarcasmo e humor negro. Nunca veremos nossa cozinha da mesma forma daqui pra frente.

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Literatura Marca Página

Resenha | Reinações de Narizinho

Sinopse: ”Não à toa Monteiro Lobato admitiu que, apesar do título dedicado a Narizinho, quem reinava mesmo nas histórias era Emília. Nem mesmo o autor mais respeitado de toda a literatura infanto juvenil brasileira conseguia dominar as peraltices da boneca de pano nas dezenas de aventuras povoadas da mais rica mitologia nacional. […]

Um clássico do faz-de-conta, na mesma medida que um Esopo ou um La Fontaine, Reinações de Narizinho ainda reina quando pensamos no projeto de uma literatura infantojuvenil nacional. Encontram-se ali os personagens que povoam nosso imaginário há tanto tempo, reunidos integralmente em um único volume, e que nos ensinaram e continuam ensinando a aprender brincando, instigando a curiosidade que é própria da infância e despertando o gosto pela leitura e pelo conhecimento.” 

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As Aventuras do Sítio do Picapau Amarelo é um marco na literatura infantil nacional. A primeira aparição do famoso sítio acontece no volume Reinações de Narizinho, escrito por Monteiro Lobato, publicado em 1931. Explorando o folclore e os contos de fadas, Monteiro cria personagens eternizados na cultura popular, como por exemplo, Emília a boneca de pano tagarela.

Alguns dizem que a bondosa velhinha chamada Dona Benta vive solitária em seu Sítio, pois estão muito enganados. Dona Benta vive com sua netinha chamada Lúcia, apelidada carinhosamente de Narizinho por causa de seu nariz arrebitado. Também moram no Sítio do Picapau Amarelo tia Nastácia a cozinheira de mão cheia contadora de histórias que costurou para Narizinho a boneca ”com olhos de retrós preto e sobrancelhas tão lá em cima que é ver uma bruxa”.

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Emília e Narizinho.

No primeiro capítulo titulado ”Narizinho”, Lúcia depois de um cochilo perto do ribeirão é convidada pelo Príncipe do Reino das Águas Claras para visitar seu reino, levando juntamente a boneca Emília que, depois de tomar uma pílula falante do Dr. Caramujo, começa a tagarelar fazendo suas asneiras serem o cômico da história.

Outros personagens aparecem ao decorrer da narrativa: Pedrinho o outro neto de Dona Benta, o Marquês de Rábico, o Visconde de Sabugosa e personagens dos contos de La Fontaine e Esopo. É uma narrativa espontânea e divertida, além de ser uma relembrança da infância para aqueles que já viveram na zona rural ou interior e um deleite para as crianças.

As aventuras do Sítio são envoltas por diversas curiosidades. Monteiro por meio de suas personagens pôs suas convicções em evidência, ele acreditava no desenvolvimento do país poderia ser acarretado pela exploração do petróleo, o qual o Visconde de Sabugosa encontra no sítio, ou quando a Emília e o Marquês de Rábico se casam e pedem o divórcio que na época ainda era tabu. O pó de Pirlimpimpim, capaz de fazer os personagens viajarem para o país das Fábulas, era cheirado pelos protagonistas, contudo nas versões para televisão foi modificado para não fazer apologia às drogas.

Confira uma parte do filme O Saci de 1951 (completo no youtube):

Em 18 de abril, nascia Monteiro Lobato, data que foi escolhida para se comemorar o dia do livro infantil. Dentre outras obras do autor para o público infantil estão O Saci e As Caçadas de Pedrinho.

Tenham uma ótima leitura!

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Primeiras Impressões | Udon no Kuni no Kiniro Kemari

Imagine que você é um cara normal na casa dos 30 anos de idade que herda o antigo restaurante de seu falecido pai. Sem grandes promessas para seu próprio futuro, você visita o local com o objetivo de limpá-lo para vender e acaba encontrando um garotinho de rua, aparentando ter no máximo cinco anos de idade. Parece o sonho de um pedófilo, mas é só Udon no Kuni no Kiniro Kemari, anime recém-estreado (e ouso dizer, mais fofo) da atual temporada!

Produzido pelo estúdio LIDENFILMS (Terra Formars, Aiura), Udon no Kuni é a adaptação de um mangá criado por Nodoka Shinomaru. Dirigido por Ibata Yoshihide (Haikyuu!!), o anime contará com 12 episódios e narra a história de Souta Tawara, um designer que morava em Tóquio e herdou o restaurante de udon (tipo de macarrão japonês grosso feito de farinha, servido comumente como sopa) de sua família em Kagawa. Lá ele encontra um garotinho de rua escondido e com fome, e sem sinal de seus pais, acaba o adotando. Contudo, o garoto não é somente um perdido, mas sim um cão-guaxinim folclórico que se disfarça de criança!

O primeiro episódio de Udon no Kuni foi uma grata surpresa sendo bastante introdutório e singelo. Seja por conta de sua belíssima animação bem detalhada e limpa ou por sua trilha sonora calma e tocante dirigida por Tsuruoka Yota (insira aqui uma infinidade de animes famosos), a obra entregue é de fazer qualquer um sorrir bastante. A premissa é simples e a simplicidade é bela. E fofa. Kawaii. Já falei que isso é muito fofo?

Em poucas cenas o anime situa bem o espectador sem parecer um panfleto de introdução, característica típica de obras seinen/josei slice of life. Utilizando flashbacks e detalhes simples nos cenários, aos poucos a história vai sendo contada e alguns personagens (que aparentemente serão parte do elenco fixo) são apresentados. E se não bastasse a ótima e relaxante construção de episódio (de verdade, assistir isso é muito desestressante), o elenco de dublagem também fez um ótimo trabalho, especialmente o responsável pela voz de Souta, Nakamura Yuuichi (Haikyuu!!91 Days da temporada passada, Drifters da atual temporada, Fairy Tail, Durarara!!, Fullmetal Alchemist: Brotherhood e outros).

Infelizmente, algumas cenas deste anime darão fome. Assista por sua conta e risco.

Para os mais conhecedores de animes a premissa deve lembrar bastante Barakamon, com um quê de Usagi Drop e Amaama to Inazuma. A diferença, além do restaurante da família de Souta ser de udon, é o lado místico/folclórico, já que o garotinho chamado Poko é um tanuki (cão-guaxinim) mágico descrito pelo monge do templo como “uma criatura que se disfarça de humano e vive assim durante anos e anos“. E Souta acaba descobrindo isso no final do episódio de forma hilária.

Parece doença mas é só um guaxinim mágico e fofo.

Souta, o protagonista, é o típico esteriótipo de personagem que não se importa com o legado da família. Ao demonstrar zero interesse em reabrir o restaurante, fica óbvia a construção de plot onde Souta reabrirá o negócio e tentará tocá-lo à sua maneira com a ajuda dos amigos e familiares (como sua irmã), motivado por sua convivência com Poko e aprendendo com as recém descobertas receitas de seu pai. A relação perturbada de pai e filho entre Souta e seu progenitor também deve servir como inspiração, especialmente para o seu convívio com Poko. É tudo muito bonito nessa belezinha. Até a música de abertura é uma belezinha.

Souta decide seguir os passos do pai.
Souta decide começar a seguir os passos do pai ao herdar seu restaurante.

Udon no Kuni no Kiniro Kemari tem potencial. Julgando somente pelo primeiro episódio e comparando com outros “primeiros episódios” da temporada assistidos até o momento, este foi de longe meu favorito, recebendo todo o apoio possível e a torcida para que o bom nível se mantenha.

A série é exibida aos sábados no Japão e pode ser assistida simultaneamente através do serviço de streaming Crunchyroll.

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Primeiras Impressões | Drifters

Samurais. Decapitações. Sangue jorrando em doses cavalares. Elfos. Esferas mágicas. Um homem usando óculos. Portas que levam a outros mundos. História japonesa e patos depenados. Adicione a tudo isso uma trilha sonora bem louca com um humor doente e temos Drifters, um dos animes mais promissores da atual temporada. É até meio louco parar pra pensar que tudo isso saiu da cabeça de um japonês estranho.

Drifters é um mangá escrito e ilustrado por Kouta Hirano. Caso o nome não signifique nada pra você, saiba que esse gordinho simpático é o criador de Hellsing, mangá violento com vampiros nazistas em dirigíveis matando pessoas por nada. Drifters vem sendo publicado no Japão numa velocidade tão lenta quanto a editora Nova Sampa lança mangás no Brasil, já que em sete anos a série teve somente cinco volumes compilados. Mas quem se importa? Nada impede que um anime bacana seja feito.

No vídeo acima é possível ter uma leve noção da porraloquice desse anime. Produzido pelo estúdio Hoods Entertainment (que só fez porcarias que não merecem ser mencionadas), Drifters possui uma história peculiar. Figuras históricas japonesas são teletransportadas para um mundo desconhecido onde deverão, basicamente, salvar esse mundo da destruição total. Mas é impossível chegar a essa conclusão assistindo somente o primeiro episódio, já que ele não diz absolutamente nada sobre a história. No próximo eles podem formar uma banda e começar a dar shows, destruindo essa parte do texto. Quem sabe?

Após sofrer ferimentos mortais durante a Batalha de Sekigahara (que ocorreu no ano de 1600), Shimazu Toyohisa se vê transportado para um corredor com diversas portas ao seu redor e um homem usando óculos sentado numa mesa. Subitamente, após ação do homem misterioso, Toyohisa é sugado para uma das portas e acaba sendo salvo e conhecendo outros dois guerreiros, Oda Nobunaga (daimyo do Período Sengoku da história japonesa que viveu entre 1534 e 1582) e a garota Nasu Yoichi Suketaka (samurai que viveu no final do Período Heian, entre 1169 e 1232). E o primeiro episódio acaba aí mas ouso prever que, juntos, essa turminha do barulho (que mal foi apresentada) entrará em várias confusões neste mundo com elfos e anões.

Remember Monstros S.A.? This is him now! Feel old yet?
Remember Monstros S.A.? This is him now! Feel old yet?

É difícil julgar Drifters somente pelo primeiro episódio, mas ao mesmo tempo o currículo do autor nos permite fazer isso. Hirano é um cara muito louco, que adora fazer loucuras loucas em situações malucas. E Drifters, numa primeira impressão, é o tipo de coisa que só um cara como ele conseguiria pensar. Ao mesmo tempo que a série parece não exigir muito do espectador, um leve conhecimento da história do Japão é importante para que algumas piadas façam sentido, visto que a obra usa tais personagens históricos como protagonistas. Porém, tirando isso, você pode simplesmente gostar de ver algumas cenas violentas, típicas das obras de Hirano, uma vez por semana.

E essa violência fica linda de se ver na ótima animação utilizada no anime. Ágeis, poluídas, meio granuladas e respeitando muito o traço do autor no mangá, as cenas são todas muito bem animadas. Além disso, o character design de Nakamori Ryouji (que trabalhou na animação Hellsing Ultimate) é perfeito e, sendo fiel à obra original, diferencia muito bem todos os personagens. Pausa rápida para admiração de violência gratuita:

VASH! SPLASH!

Outro ponto positivo do anime é sua trilha sonora, que simplesmente não dá a mínima para o contexto da época da Batalha de Sekigahara e enfia logo um rock’n roll nas cenas de luta, para alguns momentos depois utilizar uma típica música relaxante de dez horas do YouTube com o objetivo de criar um aspecto mais sério. Música essa que é quebrada rapidamente com um rap louco. No final das contas, assim como a trama, os personagens e a animação, a trilha sonora também é uma bagunça. É tudo uma bagunça. E funciona muito bem. Como ponto negativo só consigo pensar no ritmo acelerado até demais, dificultando a leitura e associação dos nomes de personagens. Alguns morrem com cinco segundos de cena, então tudo bem. Pausa rápida para admiração de violência gratuita:

VASH! VASH! PÉIM! BLOSH!

Drifters entregou um primeiro episódio muito bom. Não se levando muito a sério e prometendo situar o espectador aos poucos especialmente com relação aos mistérios (tipo quem diabos é aquele cara do corredor), a trama tem um potencial absurdo e praticamente infinito, já que existem diversas portas diferentes que, deduzo, levam para outros mundos. A ideia gera situações cômicas com um humor típico do autor, e mesmo que entregue um desenvolvimento de personagens raso como um pires, tem um potencial gigantesco para gerar uma boa diversão despretensiosa.

Resta saber se, com tão pouco material do mangá disponível até o momento, o estúdio optará pela fidelidade ou apelará para os tão odiosos fillers, que porém, podem ser bem aplicados numa ideia como a desta série. É tudo uma incógnita e uma bagunça, assim como esse anime. Mas que ele é legal, é.

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Entretenimento Música Vitrola

Playlist | Músicas Para Beber e Endoidar

Música e cerveja. Duas coisas que sempre andaram juntas, desde que o mundo descobriu o poder da cevada, do lúpulo e do malte juntos. Lógico que, no início, não existiam guitarras elétricas distorcidas nem bandas que falavam desse amargo néctar dos deuses(perdem apenas para o vinho). Mas a humanidade evoluiu, assim como a boa música e a arte de fazer cerveja. Desde as tão conhecidas pielsen industrializadas em larga escala, passando pela escuras stout e, por fim, as artesanais mais conhecidas como as ale. Mas, o foco desse post não é cerveja, mas a música que acompanhará essa cerveja. Tá bom, um pouco  de cerveja também.

Enfim, deixo abaixo uma sugestão de playlist para cada tipo de cerveja que você deseja consumir. Mas não esqueça, se for menor de 18, pode curtir a música com uma coca-cola, um guaraná ou um toddynho mesmo…

Em primeiro lugar, vem a minha preferida: IRISH RED ALE. A típica cerveja irlandesa, como o nome diz. E nada melhor que a velha música céltica de pub misturada com o bom e velho rock’n’roll, em uma pegada punk, para poder fazer companhia com essa cerveja encorpada e de sabor peculiar.

Músicas:

Em seguida, a minha segunda preferida: STOUT. As cervejas Stouts são facilmente identificadas pelo sabor forte da cevada torrada e sua coloração escura, além de serem uma variação mais “encorpada” das Porters. Por ser a mais forte dos quatro tipos de cervejas que vou abordar nessa postagem, nada melhor que um heavy metal para acompanhar essa cerveja.

Músicas:

Para quebrar um pouco o peso, mas sem perder o sabor, seguimos com a Lager. As cervejas Lager são conhecidas por um gosto um pouco mais amargo, além de seu processo de fermentação ser diferenciado das Ale, iniciando o processo em temperaturas mais baixas, o que as tornam um pouco mais leves também. Existem vários tipos de Lager, mas as mais conhecidas são: as American Lagers, que são a maioria das produzidas no Brasil e as Pilsen. Como são mais leves, colocarei nessa sessão um pouco do tradicional rock’n’roll.

Músicas:

Vou parar por aqui, porque também ninguém quer ficar muito bêbado, não é verdade? Diferente do rock’n’roll, que não precisa de moderação, o álcool deve ser consumido moderadamente. Espero que tenham gostado dessa playlist e fique ligado porque em breve farei uma playlist para acompanhar aquele vinho, acompanhado ou sozinho.

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Literatura Marca Página Séries

Resenha | Robin Hood

Sinopse: ”O clássico Robin Hood encontra sua melhor versão literária no talento inquestionável de Alexandre Dumas.

Ambientado na Inglaterra nos séculos XII e XIII, em especial sob o tumultuado reinado de Ricardo Coração de Leão, o livro traz as peripécias do fora da lei e seu bando dos alegres homens da floresta em busca de justiça e igualdade, e também de diversão. Nas matas de Sherwood e Barnsdale, acompanhamos os embates de Robin com o xerife de Nottingham, sua história de amor com lady Marian e sua parceria com o leal João Pequeno e frei Tuck – tudo isso, e muito mais, na narrativa ágil e mordaz que é marca registrada do autor.

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O príncipe dos ladrões, título atribuído a Robin Hood personagem do folclore inglês, ganhou diversas versões na literatura. Howard Pyke talvez seja o escritor que mais popularizou a história como nós conhecemos até mesmo filmes ajudaram a completar no nosso imaginário a imagem do peculiar Hood. Contudo, muito antes de Howard Pyke e o cinema nascerem, foi publicado em 1872 e 1873, As Aventuras de Robin Hood e O proscrito, ambos escritos por não menos que, Alexandre Dumas, escritor francês.

A versão de Dumas já começa a surpreender na sua própria apresentação da edição da editora Zahar, contando-nos sobre a participação de outra figura que ajudou a compilar o volume: Victor Perceval, um pseudônimo de Marie de Fernand.

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O Resgate de Robin Hood das mãos do Barão Fitz-Alwine.

Robin Hood não era pobre, não tinha nome Hood e não ajudava os ‘’pobres’’. Na obra de Dumas, Robin é deixado por um nobre cavaleiro em uma casa campesina onde vivia os Head, os quais receberiam uma generosa mesada para cuidar do bebê. Robin cresceu, é lhe revelado suas origens e acrescentado a isso o aparecimento de Allan Clare, um cavaleiro apaixonado por Christabel, e sua irmã Marian Clare, que vão mudar os rumos da simples vida do campo de Robin que, aliás, já tinha uma ótima pontaria com o arco e flecha.

Como surgiu o Hood é um mistério, mas claro que isso deve ter sido criado pelo Dumas que misturou o mito com sua imaginação, simplesmente Robin Head com o tempo foi sendo chamado de Hood. Robin vive com seus pais na orla da floresta da famosa Sherwood que fica próximo do Barão de Nottigham, Fizt-Alwine, pai da belíssima Christabel.

Em As Aventuras de Robin Hood, primeira parte do livro, há o encontro de personagens memoráveis como João Pequeno e a formação do bando dos homens livres na floresta de Sherwood, com derrota de Robin perante a um tribunal… Mas sem muitos detalhes para não dar spoilers. A segunda parte, O proscrito, possui pequenas aventuras de Robin já com sua fama de roubar qualquer um que passe pela floresta e no final o encerramento dos acontecimentos da primeira parte com a morte romantesca de Robin. Confira uma cena da animação feita pela Disney:

Reviravoltas são comumente vistas nas obras de Dumas, não seria diferente em Robin Hood. A obra consegue surpreender, tendo seus ápices de violência e aventura, como também, partes devotadas para os relacionamentos amorosos e de camaradagem.

Não se pode esquecer da participação de ícones da história inglesa, vide reis Ricardo Coração de Leão e João Sem-Terra. A obra foi publicada postumamente fazendo com que a mesma não seja tão famosa quanto O Conde de Monte Cristo ou Os Três Mosqueteiros, mas a competência do autor permanece digna do seu nome e sua capacidade de criação. Tenham uma ótima leitura!

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Crítica | Conexão Escobar

Conexão Escobar está em um patamar diferente dos outros filmes. Enquanto alguns apostam nas cenas explosivas e exageradas, o novo filme de Brad Furman aposta na simplicidade, no roteiro e no elenco. Uma aposta que dá certo, resultando em uma película que nos faz apreciar a verdadeira sétima arte.

O processo de marketing para promover o longa foi bem fraco. Pouco se sabia sobre a trama, e todas as imagens e notícias que saiam direcionavam os holofotes para um só homem: Bryan Cranston. Este que está em seu ápice, tanto na televisão, quanto no cinema. Cranston carrega a trama nas mãos, conseguindo interpretar Robert Mazur da maneira mais fiel possível. Ele já passou por experiências parecidas como essa no filme Trumbo: Lista Negra, onde interpretou Dalton Trumbo com excelência. Conseguiu até uma indicação no Oscar, mas Leonardo DiCaprio já merecia faz tempo.

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Infelizmente, com os holofotes direcionados a Cranston, os outros atores ficaram um pouco apagados, mas fizeram a diferença. John Leguizamo traz seu personagem de Chef (2014) de volta, mudando a profissão de cozinheiro para policial, e a atriz Diane Kruger se mostra inocente, mas muito perspicaz.

Vendo o título e a sinopse, a história é muito semelhante com um thriller de ação policial. Máfia, drogas, espionagem; todos esses elementos trazem consigo uma carga de violência, mas que não foram explorados para darem espaço ao elemento consagrado: a dramaticidade. Os personagens são introduzidos em contextos pesados, que envolvem família e confiança. Furman coloca os traficantes e mafiosos como bons e que todos tem um lado diferente envolvendo amizade e família, mas ao final, com uma cena que remete aos thrillers de ação e à filmes como Poderoso Chefão (1972) e Bons Companheiros (1990), Furman deixa claro que o ruim sempre pesa mais.

Apesar de ser um ótimo Robert Mazur, Cranston não tem grandes pretensões de fazer seu melhor trabalho, ou tão pouco de deixá-lo na memória do espectador.  Tecnicamente, nem o filme tem essas pretensões de ser grandioso. E isso é que deveria ser o fundamental sempre, pois se a pretensão for deixada de lado, a qualidade se coloca na frente.

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A importância da série do Flash

O Flash sempre foi um dos personagens mais queridos entre fãs da DC Comics. Seja graças a passagens memoráveis nos quadrinhos e sua importância histórica ou ao desenho animado da Liga da Justiça, o herói é o primeiro sinônimo de velocista lembrado pelo inconsciente popular. “Tal pessoa é rápida como o Flash“; “Fui e voltei rapidinho igual o Flash“. Entretanto, o Velocista Escarlate nunca recebeu a merecida atenção em adaptações live-action (apesar das tentativas, uma delas nos anos 90) até o ano de 2014, quando a série The Flash produzida pelo canal CW estreou. E com ela tudo mudou, pois os conceitos do universo de quadrinhos da DC Comics começaram a ser levados a sério de forma fiel, alcançando um novo público a partir daí.

Contém spoilers das duas primeiras temporadas de Flash.

O universo de séries da CW começou em outubro de 2012 com Arrow. O sucesso da série do Arqueiro Verde foi estrondoso, e graças a ele temos hoje diversas séries (algumas bem sucedidas, outras nem tanto) baseadas em quadrinhos, tanto da Marvel quanto da DC. Obviamente o histórico de séries de TV produzidas pela DC Comics é muito mais antigo, vindo desde os anos 50. Porém, a série do Arqueiro foi a responsável por modernizar as adaptações de quadrinhos seriadas na TV, além de verdadeiramente introduzir um universo coeso de adaptações live-action, algo semelhante ao que a Marvel vinha fazendo no cinema.

A série da DC mais recente até então era Smallville, que teve sua última temporada exibida em 2011, também no canal CW. Os atuais produtores do CWverso (como é chamado o universo das séries da emissora) apresentaram um pitch de uma produção baseada no Arqueiro Verde e receberam carta branca com uma única condição: afastar ao máximo a vindoura série do Arqueiro da fantasia que era Smallville.

Teve então o início da vida do Arqueiro Verde na TV, que ruma atualmente para sua quinta temporada, absorvendo inicialmente muita inspiração do realismo de Christopher Nolan em suas adaptações do Batman. A jornada de Oliver Queen seria a transformação de um vigilante procurado pela polícia para um herói conhecido, e com isso a personalidade clássica do Arqueiro dos quadrinhos foi perdida entre outros altos e baixos. Contudo, a segunda temporada (tida como a melhor da série) começou a introduzir elementos fantásticos dos quadrinhos como a droga da super-força Miraclo, “super” vilões e Barry Allen, o cientista forense que foi atingido por um raio e ganhou super velocidade. E com o renascimento de Barry Allen num hospital de Central City a DC Comics ganhou uma nova vida na TV, algo semelhante ao que ocorreu em 1956, quando a Era de Prata dos quadrinhos teve início graças ao novo Flash (o mesmo Barry Allen) e posteriormente, em 1959, ao novo Lanterna Verde (Hal Jordan), modernizando a DC da época.

The Flash é uma série que transpira quadrinhos. O cientista forense Barry Allen teve sua mãe assassinada por um misterioso borrão amarelo e seu pai foi julgado culpado. Vivendo com uma família adotiva, Barry cresce tentando desvendar o mistério do assassinato de sua mãe até o dia em que o Acelerador de Partículas dos Laboratórios S.T.A.R explode, gerando uma tempestade que deu poderes de diferentes formas a pessoas de diferentes tipos, entre elas o próprio Barry, atingido por um raio que gerou sua super-velocidade. A origem dos poderes de Barry foi adaptada para se encaixar à premissa da série, porém o grosso está aí.

O crescimento de Barry como um herói é explorado desde o primeiro episódio. O personagem vivido por Grant Gustin descobre novos limites para seus poderes a cada aventura, assim como nos quadrinhos as diferentes versões do Flash sempre fizeram. Tais aventuras acabam culminando em histórias envolvendo conceitos até então intocados em filmes ou séries. É importante lembrar que para algo se tornar verdadeiramente revolucionário deve abranger o maior público possível ao mesmo tempo que introduz algo novo ou simplesmente muda paradigmas. “The Flash” fez ambas as coisas, além de ter afastado o tom sombrio presente até então em Arrow e ter ideias atualmente refletidas nos quadrinhos e no cinema.

"O Flash do século 25 é o oposto de mim! Ao invés de ser um defensor da Lei... Ele é um bandido!"
“O Flash do século 25 é o oposto de mim! Ao invés de ser um defensor da Lei… Ele é um bandido!”

O público-alvo da CW sempre foi os jovens. O catálogo de séries do canal é direcionado a pessoas mais novas, e isso gera o aspecto de “novela” das produções, sempre com dramas familiares e mensagens motivacionais. Porém, o trunfo de Flash está no modo como as histórias são contadas. Sendo um verdadeiro seriado de super-herói, as motivações dos personagens são muito bem trabalhadas (principalmente na primeira temporada), contando com um elenco de apoio excelente. De forma orgânica, Flash alcançou um novo público e começou a plantar as sementes de ideias exploradas nos quadrinhos desde os anos 50, sempre com destaque para a Era de Prata, fase da qual os idealizadores do seriado extraem muita inspiração, ditando assim o tom dos episódios.

Em uma única temporada Barry lidou com vilões “pé-no-chão”, animais com poderes (como o Gorila Grodd), viagens no tempo e o grande vilão Flash Reverso, responsável pela morte da mãe do herói. Numa crescente, os 23 episódios aos poucos adicionaram elementos importantes para a trama e para o final deste arco, fazendo com o que o público novato no mundo dos quadrinhos se acostumasse com tais conceitos e os consumidores fiéis de HQs sintam-se homenageados. Você pode não gostar da forma como a série é contada ou dos padrões da CW, mas há de convir que a coragem investida pelo trio de produtores (Greg Berlanti, Andrew Kreisberg e Geoff Johns) tentando aproximar a série dos quadrinhos é louvável. Tudo isso numa mídia mais limitada como a TV.

“Flash de Dois Mundos” referenciada no segundo episódio da segunda temporada.

Com a segunda temporada os fãs presenciaram mais conceitos bem trabalhados em tela, repetindo, totalmente inéditos para o público que consome somente live-actions tanto da DC quanto da Marvel. De forma massiva a série utilizou o conceito do Multiverso existente nos quadrinhos desde os anos 50, introduzido numa história da Mulher-Maravilha onde a heroína encontrava uma versão alternativa dela mesma, e posteriormente (tida como introdução oficial pela editora) na clássica “Flash de Dois Mundos“, onde Barry Allen encontra o Flash da Era de Ouro, Jay Garrick, que o inspirou a se tornar herói. Nunca negligenciando tais ideias a série da CW bebe diretamente da fonte dos clássicos do personagem para contar suas histórias, adaptando-as a um novo público consumidor. Rapidamente algumas Terras Paralelas foram estabelecidas na TV, incluindo uma onde o Caçador de MarteSupergirl e seu primo Superman residem, enfrentando alienígenas frequentemente. Flash é capaz de fazer amizade com personagens de outras Terras e chamar a atenção de novos públicos através de um simples portal para um mundo que está vibrando em uma frequência diferente.

Connor Hawke, Flash dos anos 90 e um anel da Legião dos Super-Heróis. Todas imagens mostradas no momento em que Barry viajou para outra Terra pela primeira vez.
Connor Hawke, Flash dos anos 90 e um anel da Legião dos Super-Heróis. Todas imagens mostradas no momento em que Barry viajou para outra Terra pela primeira vez.

Além do Multiverso, fãs do Flash lidam desde sempre com a ideia do Legado de super-heróis. Barry Allen tornou-se o Flash somente graças a inspiração proporcionada por Jay Garrick. Wally West, o Kid Flash de Barry, tornou-se o Flash para honrar a morte de seu mentor durante a Crise nas Infinitas Terras. E o legado do Flash (bem como a Família Flash) sempre cresce. Tal abordagem também não é esquecida pela série da CW, onde na segunda temporada a maioria dos personagens de legado foram introduzidos. O Wally da série (baseado nos Novos 52), inclusive, é um fã do Flash e será utilizado como Kid Flash na terceira temporada. Jesse Quick foi atingida pela segunda explosão do Acelerador de Partículas e Jay Garrick é um Flash mais velho interpretado por John Wesley Shipp, o ator que deu vida ao Flash na série de TV dos anos 90. Sim, o legado é presente até na vida real.

Nas mãos de Mark Waid (maior e melhor roteirista a passar pela revista do herói, e grande fã da série de TV), o conceito da Força da Aceleração foi criado, e nas mãos de Kevin Smith a ideia foi adaptada e explorada a fundo pela primeira vez na telinha, sempre com o objetivo de ser algo didático para todos os públicos. E aos poucos as sementes são plantadas.

A Família Flash dos quadrinhos.
A Família Flash dos quadrinhos.

Porém, é importante ressaltar que a importância do seriado do Flash vai além da introdução de conceitos a novatos (algo extremamente positivo, obviamente). O sucesso gigantesco da série teve impacto até nos quadrinhos, onde muitos especulam que as mudanças recentes foram feitas para adequar o tom de ambas as mídias. Recentemente o legado foi trazido de volta com o Rebirth da DC Comics, onde o Wally West original retornou nas mãos de Geoff Johns e Barry deve treinar o segundo Wally. Com essa mudança, o cinema também foi impactado, com Johns assumindo um cargo mais alto e prometendo otimismo e esperança aos filmes da editora. Algo mais leve, similar ao que as séries de TV (Flash, Arrow, Supergirl e Legends of Tomorrow) se tornaram.

O já citado elenco de apoio também recebe atenção especial. Vilões como o Capitão Frio, Nevasca, Patinadora Dourada, Grodd, Flautista e Onda Térmica são bem trabalhados, alguns explorados até mesmo em spin-offs, e heróis também foram introduzidos aos poucos. Nuclear (com o conceito de legado explorado mais uma vez), Mulher-Gavião, Gavião Negro e Vibro foram alguns dos heróis apresentados na série de forma natural e, quase sempre, com bons atores. Por fim, o elenco de humanos razoavelmente normais, como Harrison Wells (vivido por Tom Cavanagh) ou o pai adotivo de Barry, Joe West (Jesse L. Martin) são responsáveis por alguns dos melhores momentos.

E as referências aos quadrinhos não param:

“Flash desaparece na Crise. Céu vermelho desaparece. Completa a fusão da Wayne Tech e Indústrias Queen.”

Não param:

Flash (uma miragem dele) se sacrifica para salvar o multiverso como na Crise original.

E não param:

Zoom torna-se o Flash Negro, entidade mortífera inimiga do Flash.

Com a promessa de expandir ainda mais esse universo da TV, a terceira temporada de Flash está marcada para estrear dia 04 de outubro de 2016. A ideia da vez será o paradoxo do Flashpoint, saga moderna dos quadrinhos da DC criada por Geoff Johns e responsável pelo início dos Novos 52, adaptada ao contexto da série e prometendo impacto nas séries irmãs.

Que o time responsável por The Flash é fã do universo dos quadrinhos, todos já sabemos. O que ninguém esperava, talvez nem mesmo a Warner, era o fenômeno que o Velocista Escarlate se tornaria, retornando ao posto de uma das revistas mais vendidas da editora, rendendo muito com merchandising e com novos fãs tão devotos. O Flash voltou com tudo desde 2014 graças a série, e isso inegavelmente é um Fato Flash.

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Dylan Dog | O Investigador de Pesadelos

O que vem à sua mente quando mencionamos a palavra “quadrinhos”? Logicamente, Marvel ou DC. Um outro ainda irá arriscar Image ou Dark Horse. A grande verdade é que se tornou difícil sair desse clichê; talvez por culpa do mercado, ou até mesmo do consumidor que já está habituado a procurar seus personagens preferidos nas bancas e deixar de lado algo novo, algo diferente, algo inusitado. Ou talvez por falta de quem apresente esse algo novo. E é com esse intuito que eu venho aqui, humildemente, escrever essas linhas. Para falar de um dos mais fascinantes heróis(ou, talvez, anti-herói) que já tive o prazer de ler. Seu nome? Dylan Dog. Sim, eu sei, parece uma marca de comida para cães(desculpem, é uma piada recorrente nas histórias), mas este é o melhor Investigador de Pesadelos que você poderá encontrar. Também, pudera: Ele é o único!

Criado por Tiziano Sclavi , um dos maiores ícones dos quadrinhos italianos, tudo começa com uma mulher desesperada e uma horda de zumbis enlouquecidos. Com o título de “A Madrugada dos Mortos-Vivos“(calma, Steve, eu sei que você entendeu…), o primeiro número de Dylan Dog, o Investigador de Pesadelos, em uma tradução literal(Dylan Dog, L’Indagatore dell’Incubo), vem à luz com sua primeira história.

Capa do original italiano do primeiro número de Dylan Dog.
Capa do original italiano do primeiro número de Dylan Dog.

No formato tradicional italiano, ou seja, uma história com início e fim na mesma revista, diferente das costumeiras “grandes editoras”, onde você precisa comprar 5 revistas diferentes para pegar o fio da meada de uma história legal(não é, Marvel?!), a história se desenvolve mostrando toda a gama de influências que ambos possuem dos trash movies. A começar pelo que dá o título à história, passado por “ReAnimator“, este primeiro número foi o que bastou para que a Bonelli investisse pesado no título, dando início a um dos personagens mais queridos da editora, ao lado de Tex Martyn Mystère.

À partir daí, usando muita licença poética, Dylan já enfrentou serial killers, demônios, extraterrestres, fantasmas, lobisomens, fanáticos religiosos, bruxas, anjos, a Morte; já debateu filosofia com Lúcifer, já conversou com entidades milenares anteriores aos dinossauros, já ficou em uma prisão secreta para os piores tipos de assassinos e criminosos. E tudo isso sempre fazendo referências a filmes e livros, desde Eu Sou A Lenda de Matheson, ao Silêncio dos Inocentes.

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Mas nem só de pesadelos escabrosos e monstros abissais vive o Investigador do Oculto. Muitas vezes ele também andou pelo caminho do terror diário, como na excelente história Jhonny Freak, onde ele conhece o garoto Jhonny pelo qual se afeiçoa de forma emocionante, além, é lógico, dos vários amores ao qual se entrega, como todo bom investigador privado.

Dylan Dog é um dos quadrinhos mais consumidos na Itália e completa já 30 anos de história. Entre almanaques e números especiais, já está na edição número 360. No Brasil, houve uma tentativa de importação deste gibi, para fazer companhia ao solitário Tex, porém sem muito sucesso. Foram publicados 12 números pela Editora Record, 1 pela Editora Globo, 6 pela Conrad, 40 pela Mythos(até o momento, a editora que mais trouxe publicações deste título, mesmo que não tenha seguido a numeração da Bonelli) mais 6 edições especiais de coletâneas. E digo isso com bastante tristeza, pois é uma pena que o mercado brasileiro não tenha dado muita importância para um dos personagens mais complexos e com histórias muito bem construídas do quadrinho italiano. Para você, que saiba um pouco de italiano e quer se arriscar, pode tentar comprar através do site da Bonelli (é necessário cadastro), ou procurar no Mercado Livre algum número disponível em português. E eu, permaneço com a esperança de que, um dia, as editoras brasileiras olhem com carinho para o Investigador de Pesadelos.

P.S.: Houve uma tentativa de transformar Dylan Dog em um filme live action, com Brandon Routh, mas eu desaconselho veementemente àqueles que conhecem o quadrinho ou têm vontade de conhecer, por LITERALMENTE não ter nada a ver com o personagem, a não ser o nome e a caracterização. Como divertimento, até passa, mas para fã, é um sacrilégio…