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Resenha | Isto Não é Um Assassino

Já habitual referência nas histórias em quadrinhos europeias, René Magritte aterrissou nos quadrinhos brasileiros de forma surpreendente. O pintor surrealista já havia sido retratado recentemente por aqui em Óleo Sobre Tela, lançado em outubro de 2018 por Aline Zouvi e agora, pela Sesi-SP Editora, revela o então desconhecido Hugo Aguiar e um lado antes oculto de Gustavo Machado.

O barulho de um raio pode causar medo; Uma imagem pode causar medo; O pensamento no desconhecido pode causar medo. E bem aqui está a estratégia traçada pela história: A ausência total de texto, inclusive de onomatopeias. Palavras surgem apenas em uma conversa inicial e interlúdios.

O protagonista é justamente Magritte e seus conturbados pensamentos são a obra do horror nessa HQ. Seus quadros voltam contra si e sua vida e não há como escapar de seu cachimbo que não é cachimbo ao seu reflexo no espelho em outra perspectiva. A quantidade de referências é absurda e várias delas são inclusive difíceis de reconhecer logo de cara para quem não acompanha arte. Não que seja um problema, pois todas são explicadas ao fim da edição.

Já veterano, Machado se tornou conhecido no meio como ilustrador dos Quadrinhos Disney, Trapalhões e Turma do Arrepio, esta última um dos poucos registros populares em suas obras relacionadas ao terror, mesmo que para o público infanto-juvenil. Aqui, sua arte surpreende e muito. Seu traço é tão diferente nesta HQ que facilmente sua identidade poderia se passar por um heterônimo. É uma grata surpresa aos que se acostumaram ao seu traço mais alegre.

Surrealismo não é feito para entender, mas para sentir. De Magritte à Glauber Rocha, tentar explicar o inexplicável se torna uma armadilha. Cada um tira sua conclusão das obras dessa escola ao fim das contas.

A história é curta. Aconselhada para leituras rápidas, mas que renderá pesquisas muito maiores a quem se interessar pela obra do pintor à partir de então.

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O maior, mais lindo e furioso som tocado em Xampu é do sentimento!

“Aumenta que isso aí é rock ‘N Roll!” (Celso Blues Boy)

Já fazia muito tempo que eu queria ler Xampu do Roger Cruz. O trabalho totalmente autoral de um dos maiores quadrinistas brazucas já tinha me chamado atenção quando foi publicado pela primeira vez pela Devir, mas na época, em 2010, não consegui comprar. Anos se passaram, chegavam momentos, em que eu quase as comprava, mas sempre acontecia algo inesperado e as HQ’s ficavam para trás. Que naquele momento já acumulavam três volumes elogiadíssimos por várias pessoas. Mas finalmente a espera acabou. Já sendo publicada pela Panini, com um lindo box que lembra um vinil, a trilogia Xampu estava nas minhas mãos. E que satisfação.

Falar de uma história que foi publicada dez anos atrás, ou melhor, que começou dez anos atrás, é chover no molhado. Inúmeras resenhas sobre os três volumes estão aí na internet a um clique de distância para quem quiser. Eu prefiro falar de sentimentos. Prefiro falar de como me tocou ler algo que me pareceu tão próximo. Algo que imagino que o Roger Cruz sentiu ao fazer essa epopeia musical que mistura vidas, emoções, passado e lida com o futuro de cada um. E como cada caso parece peculiar e tão próximo.

Vamos ambientar. Era década de 90. O Brasil estava recém-saído de uma ditadura terrível. Começávamos a dar os primeiros passos para uma liberdade de expressão que os jovens não estavam preparados ainda. Não tínhamos mais as cabeças de poesias de protestos contra militares e regimes ditatoriais. Estávamos indo na emoção de onde o vento apontava. O ruim? Viramos muitas vezes massa de manobra. O jovem começou a ser visto como o futuro do país que era regido por velhos dinossauros de Brasília que estavam lá desde antes do Golpe Militar. Os Caras Pintadas foram para as ruas e “derrubaram” um presidente jovem cheio de erros. De uma democracia jovem e ainda cambaleava. Era meio que anunciado que as eleições de 1989 seriam uma bomba pelo caminho que estava seguindo. Mas era uma época em que mexer com política, não era o forte do pessoal. Nem muito o objetivo. Estávamos em uma época que o som era sujo. Amplificadores ao máximo e distorção potente. Era o nosso momento de gritar. Algo do tipo: “vocês lutaram bem, mas quem vai surfar essa onda seremos nós!” 

Xampu retrata muito disso. Do estarmos vivendo o agora. O agora é que importa. Deixa-me curtir minha vibe. E o depois? Que se foda o depois! Roger Cruz, em um relato pessoal e visceral, faz o leitor entrar no apartamento de Max, Sombra e do resto da banda The Suckers e se sentir parte da história viva. Nas festas. Nos momentos alegres. Nos momentos de papo furado. Nas transas. E nos momentos conturbados e sombrios. Tudo esteve ali. Tudo aconteceu ali. E dá para sentir. As pequenas tramas, que são fechadas, vão se desenrolando e se misturando cronologicamente, mostrando sentimentos incríveis de cada personagem. E cada personagem sempre lembra de alguém que você realmente conheceu na vida real. Assim como o seu auge e como o seu final. Impossível você não ter conhecido alguém que era o fodão da turma. A mina mais linda da turma. O cara mais legal e sensível da turma. O mais desligado. A pessoa que se perdeu na vida. Aquele ou aquela que teve um triste fim.

Particularmente, Xampu, mexeu muito comigo. Eu tive diversas bandas durante a década de 90, e como toda banda daquela época, o sonho de gravar um CD, ficar famoso, aparecer no Programa Livre do Serginho Groisman, ter um clipe na MTV e viver em turnê pelo mundo era forte. Quantos e quantos shows undergrounds em lugares fedorentos foram feitos! Diversas roubadas se metemos! Quantas bebedeiras. Algumas drogas. Algumas paixões. Correspondidas. Outras paixões não. Quantas decepções. E quantas risadas! Ah foram muitas risadas!

Esse de blusa verde sou eu!

O mais legal de uma mídia como os quadrinhos é despertar isso em você. Velhos sentimentos. Antigos cheiros. Se fazer questionar. “Se eu tivesse agido assim… como seria?”, sim esse é o verdadeiro intuito de um quadrinho potente como Xampu. Acredito por ser autobiográfico, ele tenha essa facilidade. Mas ao mesmo tempo ele é acolhedor. Como um velho amigo que te abraça e vocês começam a relembrar antigas histórias da galera e procura saber como está o pessoal atualmente.

Mas engana-se quem pensa que Xampu é somente para quem viveu, ou esteve próximo daquela época. Não. Como eu disse antes, é fácil você reconhecer alguém da sua turma que seja como os personagens da HQ. E até mesmo se reconhecer nela. Eu mesmo lendo o quadrinho, comecei a me enxergar em um mix de personagens. Mas Xampu é sobre isso. É sobre uma época que foi única, que serve de reflexo para amigos que você conheceu ou ainda conhece. Um registro bem incrível da década de 90, que eu gostaria de ver mais em quadrinhos nacionais.

 

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Matar e Morrer: os dois Prelúdios de Dario Argento

Em 1975 o renomado cineasta italiano Dario Argento lançava o que viria a se tornar sua obra-prima mais cultuada: Prelúdio para Matar (Profondo Rosso no original), um suspense policial escrito por Argento, com produção de seu pai e de seu irmão mais novo, e trilha sonora composta pela banda Goblin.

Dario Argento iniciou sua carreira em meados dos anos 60 e ganhou notoriedade pelo trabalho realizado ao lado de Bernardo Bertolucci no filme de Sergio Leone, Era uma Vez no Oeste (1968). Após o sucesso de sua produção de 1970, O Pássaro das Plumas de Cristal, o diretor investiu em outros dois filmes que seguem a mesma temática, e esta trinca foi apelidada de “trilogia animal“. Outro filme foi lançado em 1973, e exatamente em 75 Profondo Rosso chegou aos cinemas.

Uma das cenas de Prelúdio para Matar, em que o protagonista investiga o misterioso assassino.

Prelúdio para Matar, um trabalho que Argento dividiu com Bernardino Zapponi, une as características dos filmes thriller do diretor com pitadas de sobrenatural e fantasia. Na trama, um pianista vivido pelo ator David Hemmings é testemunha do assassinato de Helga Ulmman (Macha Méril), e decide investigar os fatos contando com a ajuda de uma amiga repórter, interpretada por Daria Nicolodi.

O filme tornou-se um sucesso de público e crítica e hoje figura no topo das listas de melhores obras da filmografia do diretor. A produção envolveu particularidades da vida pessoal de Argento, tal qual sua separação com a segunda esposa. O título do longa significa, em português, Sangue Profundo, e a composição única que dá vida à história contada, com ambientação espetacular por parte da direção das cenas e da trilha sonora desenvolvida pela banda italiana de rock progressivo são os pontos altos da fita.

O diretor e roteirista elabora um mistério intrigante e cheio de surpresas enquanto o protagonista está em sua investigação. Levando o espectador a um ponto final graças às descobertas, Dario não falha em surpreender e entrega um plot twist memorável. O sombrio assassino, que no filme é interpretado pelo próprio Argento (nas cenas em que somente as luvas estão visíveis), promove uma verdadeira chacina no decorrer das – rápidas – duas horas de mistério. Quando chega ao fim, sobra a satisfação por ter presenciado tamanho esmero em uma tela. E a influência deixada por suas obras ao legado do cinema é gigantesca, retirando-se do posto de ícone italiano para se tornar referência mundial.

Mais de quarenta anos depois, Dario Argento revisitou as principais características de sua obra definitiva. Agora, nas páginas de um personagem das histórias em quadrinhos: o Dylan Dog.

“O maior ícone italiano de terror depois de mim”, disse o diretor com um sorriso.

Foi através do roteirista da Sergio Bonelli Editore Stefano Piani que Dylan Dog teve uma história escrita por Argento lançada na Itália, na edição 383 da revista do personagem, datada de junho de 2018. Amigo pessoal de Dario, Piani abordou-o ao mesmo tempo em que trocou mensagens com o editor de DyD, Roberto Recchioni. Foi dada a largada para que o Investigador do Pesadelo criado por Tiziano Sclavi, tal qual uma marionete, fosse conduzido pelas hábeis mãos do diretor. O título da obra: Profondo Nero (Terror Profundo), seguindo o italino, e no Brasil, Prelúdio para Morrer.

Uma misteriosa mulher é destaque na bela capa de Prelúdio para Morrer.

Mas as semelhanças entre o clássico filme e a história de Dylan não se limitam ao título. Aqui, com colaboração de Piani, Argento cria uma história de investigação mestrada por BDSM (bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo), e apesar do plot geral não se assemelhar ao de sua obra máxima, a condução de ambas possuem paralelos.

Os dois Prelúdios de Argento têm início com uma cena ambientada no passado. No filme, alguém assassina um homem e uma criança está com a faca em uma das mãos. No quadrinho, duas filhas de um nobre são pegas roubando a gaveta de dinheiro do pai. Ambos os prólogos são, ao final da narrativa, trazidos de volta para mente do espectador/leitor e utilizados como gatilho para solução de um mistério maior. E como o clássico de 1975, Prelúdio para Morrer traz alguns elementos fantasiosos que o diretor trabalha em algumas das suas produções, uma vertente favorita do mesmo.

A cena inicial do filme mostra uma criança presenciando uma faca ensanguentada.

A sinopse desta história é direta: ao visitar uma exposição de quadros e fotografias BDSM, o herói avista uma linda mulher de longos cabelos pretos e muitas cicatrizes nas costas. Ao segui-la através da multidão, ela desaparece na cidade e Dylan se vê em uma experiência bizarra onde, seminua e amarrada, com uma estranha multidão assistindo ao redor, a mulher que avistara anteriormente pede para que ele a chicoteie. Ao acordar do que se assemelhou a um sonho, o dever é descobrir quem diabos é essa mulher.

“A dor é prazer, Dylan!”

A paixão do autor por obras de arte se faz presente em seu filme como elemento chave para a resolução do mistério, e é o principal gatilho para que o Investigador do Pesadelo dê início às suas buscas, motivadas também por avistar uma mulher em situação estranha. E as referências ao filme também se apresentam de forma visual: há um pôster da banda Goblin em determinado quadro, dividindo cena com uma marionete que, no longa, protagoniza uma das mais impactantes cenas de ação e terror.

A utilização de bonecas e marionete em Prelúdio para Matar cria um suspense único.

Enforcamentos, desmaios, facadas e mortes por um ataque de cutelo promovem a sanguinolência, que sempre se encerrará com balas e pólvora. E além dos paralelos, esta é uma aventura cronológica do herói, com utilização dos aparatos tecnológicos que o leitor conheceu na aventura A Serviço do Caos, cronologia esta situada em um texto editorial.

“Quem junta tudo é Dario, que, como faz todas as vezes, se fecha em um quarto de hotel em algum lugar, junto com um computador sem wifi, para escrever.”

O desfecho, mais uma vez remetendo ao Prelúdio para Matar, entrega uma reviravolta que esteve o tempo todo escancarada para o leitor, incapaz de notar e mergulhado na assombrosa arte do genial artista Corrado Roi.

E enquanto adiciona componentes novos para sua trama, incluindo até mesmo algumas atitudes polêmicas às mãos de Dylan Dog, esta revisitação histórica de um clássico do suspense e terror demonstra a força não somente do Old Boy que vive a aventura, como também do autor, que hoje possui 78 anos de idade e ainda é capaz de mergulhar-nos em tanta ansiedade curiosa.

A obra foi trazida ao Brasil pela Mythos Editora em uma graphic novel luxuosa, com capa dura e textos que complementam a leitura. Confira detalhes clicando aqui.

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Aperta o play e viaje na batida de Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop

Eu tinha entre dez e onze anos, não me lembro direito, quando minha mãe me presenteou com um vinil. Era o Funk Brasil 1. Ali foi meu primeiro contato para valer com esse tipo de som. Minha veia musical estava começando a ser moldada, obviamente eu era um moleque que escutava de tudo um pouco, os sambas nas festas das minhas tias, os rocks que meus primos ouviam, os forrós dos discos do meu pai, mas sem entender nada direito. O disco tinha raps que são muito diferentes dos que conhecemos hoje em dia. Logo na primeira faixa era uma música do Cidinho Cambalhota com participação da Dercy Gonçalves chamada Rap das Aranhas (uma espécie de continuação de Rock das Aranhas do Raul Seixas). Outros clássicos do funk carioca se decorriam ao longo de suas oito faixas no primeiro disco do icônico DJ Marlboro. Essa sempre foi minha referência para esse tipo de som.

Ao longo dos tempos me encontrei melhor no rock, mais precisamente nos punks hardcores da vida, mas sempre que dava aquela vontade voltava para o Funk Brasil. Até que anos mais tarde, na escola, um amigo me emprestou uma fita cassete. Vale lembrar que estamos situados aqui na década de 90 e esse era o nosso modo de compartilhar músicas. A fita tinha uma penca de raps do RUN-D.M.C. e fiquei tipo: “Puta merda! Que parada foda demais!”. Logo após eu fui conhecer os Racionais MC, e um foi puxando o outro. Até as bandas de rock que na época misturavam com rap ajudaram nesse conhecimento. Como o Planet Hemp, Pavilhão 9, Cambio Negro etc e tal.

Fiz essa pequena introdução para poder falar que Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop da Editora Draco, me fez ter essa sensação novamente de estar descobrindo um novo mundo. Ao longo das suas 184 páginas me senti não apenas lendo um gibi. E sim escutando um disco de rap. As suas histórias me remeteram a canções e como uma ironia incrível, algumas você pode até cantar. Como Preta Maravilha Contra a União Golpista e Que Nem um Morcego. As letras (ou histórias) falam do cotidiano da comunidade, de preconceitos, de revolução, de correr atrás do seu sonho, de batalhar o seu sonho, a eterna luta contra os poderosos e de evoluir. Mas usando a magia que somente as HQ’s podem proporcionar. E faz todo o diferencial.

A primeira faixa é O Sampleador, com roteiro de Raphael Fernandes e arte de Braziliano, com uma bela história de um rapaz que tem um dom amaldiçoado que atormenta a sua vida. Depois o álbum pula para trama heroica Preta Maravilha contra a União Golpista com arte e texto de João Pinheiro. Aqui somos apresentados a uma super-heroína urbana que está em combate contra os poderosos iniciando uma revolução. A história toda é um grande rap e como disse antes, dá para ler cantando com uma batida imaginária na mente. Que Nem um Morcego do trio Cirilo S. Lemos, Giovanni Pedroni e o rapper De Leve. É a minha preferida da coletânea. A história do cativante Ramiro descobrindo o hip hop e iniciando nas batalhas de MC’s te abraça e te leva para um mundo fantástico. Fechando o “lado A” do disco Na Quebrada, vem a importante Meu Corpo, Minhas Regras escrito pela ótima Larissa Palmieri e com arte de Vitor Flynn. Uma trama cyberpunk que mistura fanatismo religioso, direitos das mulheres, machismo, corrupção e o poder da fake news. Mais atual impossível.

Virando para o “lado B” de Na Quebrada, começamos com Um Conto de Duas Cidades, onde dois grupos rivais se unem contra um mal comum que ameaça a todos. Um aviso bem real para os dias de hoje. O texto é de Felipe Cazelli e arte de Marc Weslley, com os desenhos mais bonitos da coletânea. Em seguida vem Darréu – A Lei do Mundo, uma divertida e leve trama escrita pelo entregador de gás Alessio Esteves e com artes de  Felipe Sanz. A história de dois meninos que queriam tirar uma onda com os amigos é a mais descompromissada da coletânea, lembrando até aqueles filmes gostosos de assistir como Goonies ou Uma Noite de Aventuras. Já em Olido de Juju Araújo e com o retorno de Braziliano na arte, trata da famosa arte urbana. Assim como a galeria homônima que fica em São Paulo, o texto abraça os traços grafiteiros de Braziliano e apresenta uma trama de poder, busca pelo sucesso e reconhecer suas raízes. O fechamento fica por conta da excelente O Rei do Groove que tem arte e texto de Guabiras. É uma grande homenagem ao hip hop mundial disfarçada em um conto fantástico de um DJ que beirava o fracasso e se torna um dos maiores. A história, em todos os seus quadros têm referências ao hip hop, é uma aula de história sobre o estilo com artistas dos mais variados tipos que contribuíram de alguma forma com o movimento. É bem legal ficar caçando as referências.

Além dos quadrinhos, o volume conta com uma introdução de Alê Santos, contador de narrativas negras (confira seu trabalho em sua conta no Twitter), e comentários do grande Gil Santos, o popular Load, e do rapper Rashid.

Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop tem na sua maior qualidade o fato de ser um trabalho necessário para a galera. Disseminar essa cultura para o leitor é de suma importância. E tomara que quem venha a ler, passe a se interessar e a consumir as artes que o movimento gera no total. E como disse o meu amigo Gigalovax Cândido, todas as histórias acabam de forma positiva. Apontando que o futuro pode sim ser melhor.

Na Quebrada – Quadrinho de Hip Hop tem formato 17 x 24 cm, 184 páginas e capa em papel cartão. A coletânea está em pré-venda no site oficial da Draco.

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Decepcionado com o final de Game of Thrones? Conheça boas HQs de fantasia medieval!

Sucesso da televisão que ao longo de oito anos conquistou milhares de fãs ao redor do mundo, Game of Thrones finalmente chegou ao fim, e a luta pelo controle dos Sete Reinos atingiu sua derradeira conclusão. Entretanto, esta conclusão deixou uma sensação ruim para muitos que acompanhavam a série, após deslizes no decorrer de toda a oitava temporada.

E qual a melhor forma de apagar o gosto ruim deixado por finais insatisfatórios? Conhecendo outras obras! E abaixo elencaremos alguns ótimos quadrinhos de fantasia medieval, publicados no Brasil nos últimos anos e que possuem status de grandes obras do gênero, seja pelas intrigas políticas, batalhas épicas ou personagens cativantes. Vale lembrar que o gênero de fantasia medieval é muito extenso, e seria impossível comentar sobre TODAS as histórias deste tipo de uma só vez.

Dragonero: O Caçador de Dragões

Série italiana publicada pela Sergio Bonelli Editore, Dragonero é um dos maiores sucessos modernos da editora, sendo consagrada como uma das maiores séries de fantasia da Europa.

Fora das terras civilizadas do Erondar, além da ciclópica barreira do Valo, que separa o Império da Terra dos Dragões, a Antiga Interdição, que sela e aprisiona os abominosos em seu mundo escuro, está para ser quebrada. O mago Alben sabe o que deve fazer para evitar essa catástofre: ele convocará a oficial Myrva, a monja guerreira Ecuba e Ian Aranill, ex-oficial do Império, além do orc Gmor, amigo leal de Ian. Alben sabe que eles deverão enfrentar as forças maléficas evocadas por Shiverata, seu antigo inimigo, e as hordas dos algentes, os únicos seres sencientes que habitam a Terra dos Dragões. E sabe que Ian, membro da família dos Varliedartos, os Matadores de Dragões, é o único que poderá encarar a última terrível ameaça que deverão enfrentar. Junte-se a esses cinco heróis para fazer uma incrível viagem através de uma terra de maravilhas, prodígios, fantasia e horrores mortais.

Este encadernado da editora Mythos reúne a primeira minissérie completa de Dragonero, em uma edição que contém mais de 290 páginas. Porta de entrada ideal para novos leitores.

Os Companheiros do Crepúsculo

Uma das mais aclamadas obras de François Bourgeon, Companheiros do Crepúsculo chegou ao Brasil (com o merecido tratamento, pois já havia sido lançado antes) através da editora Nemo.

Considerado um dos melhores álbuns de quadrinhos já produzidos, Os Companheiros do Crepúsculo se passa na Idade Média durante a Guerra dos Cem Anos. A história é centrada nos personagens do Cavaleiro, Mariotte e Anicet, em sua busca por redenção ou pela simples sobrevivência. Misturando fantasia e lutas sangrentas, cenas cotidianas e um tom de erotismo, um dos destaques desta obra-prima das HQs é o belo e detalhado traço do autor, que transporta os leitores para os cenários e o clima da época.

Através de linguagem rebuscada que situa muito bem o leitor, esta edição de um clássico é imperdível para quem gosta de grandes histórias e para os amantes da arte dos quadrinhos.

Rat Queens

O grupo das Ratas Rainhas, quatro amigas que se assemelham às classes típicas de boas aventuras de RPG, dão vida ao título Rat Queens da Image Comics (com selo Shadowline), trazido ao Brasil pela editora Jambô.

As personagens formam um grupo de aventureiras matadoras, beberronas e mercenárias, e seu negócio é trucidar todas as criaturas dos deuses em troca de grana. Conheça Hannah, a elfa maga rockabilly; Violet, a anã guerreira hipster; Dee, a humana clérigo ateia; e Betty, a miúda ladra hippie. Suas aventuras são um épico de estilo moderno, dentro do gênero tradicional de matança violenta de monstros — como se Buffy encontrasse Tank Girl em um mundo de RPG… Mas pra lá de chapada!

Já foram publicados em terras brasileiras dois encadernados com capa dura reunindo as dez primeiras edições da série original, muito elogiada nos EUA.

Elfos

Um dos maiores sucesso do mercado francês, a série Elfos está sendo publicada atualmente no Brasil pela editora Mythos.

Com narrativa rotativa e dividida entre diversas espécies de elfos, onde cada história possui foco num tipo específico (são eles: azuis, silvestres, brancos, negros e meio-elfos), os autores constroem aos poucos uma trama maior e cheia de nuances e interconexões. O primeiro volume possui duas histórias, uma focada nos elfos azuis e outra nos elfos silvestres. O segundo volume já foi lançado pela editora e apresenta duas novas histórias, uma com foco nos elfos brancos e outra nos meio-elfos.

Graças a esta publicação surgiram diversos spin-offs trabalhando outras raças/espécies fantásticas deste mundo. O formato da publicação é luxuoso, tamanho álbum, em capa dura.

Anões

Série que divide o mesmo universo de Elfos, Anões também chegou ao Brasil em lançamento da editora Mythos, e traz uma perspectiva de vida bem diferente se comparada às criaturas de orelhas pontudas.

Assim como Elfos, Anões é uma série dividida em histórias curtas (um escritor, cinco artistas) que englobam os diferentes tipos de anões deste universo fantástico. Existem quatro ordens principais: a Forja, Retaliação, Templo e Escudo. Além delas, uma quinta ordem foi criada e inclui proscritos e desfavorecidos: a Ordem dos Andarilhos. O primeiro volume conta uma história da Ordem da Forja e outra da Ordem da Retaliação, e mostra nitidamente as diferenças entre as duas ordens e dita os rumos das próximas aventuras.

O encadernado brasileiro também segue o padrão da série irmã: formato álbum com acabamento luxuoso em capa dura.

Lanfeust de Troy

Outro sucesso arrebatador dos quadrinhos europeus, Lanfeust de Troy chegou ao Brasil pela Jupati Books (selo da Marsupial Editora), e conta com dois volumes publicados até o momento, um da série principal e outro do spin-off.

Troy é um mundo fascinante, onde a magia faz parte do cotidiano de todos. Cada pessoa possui um poder, pequeno ou grande, mais ou menos útil. Um tem o dom de transformar água em gelo, outro o poder de soltar puns coloridos… Lanfeust consegue fundir metal só com o olhar. Ele naturalmente se tornou aprendiz do ferreiro de sua aldeia. Até que, quando tocou numa misteriosa espada vinda dos distantes Baronatos, uma força excepcional se revelou: ele não dispõe mais de um único dom, mas de um poder absoluto e ilimitado. Acompanhado do velho sábio Nicoledes e das suas duas filhas de personalidades muito distintas, Lanfeust é transportado para um turbilhão de aventuras, encontrando as criaturas mais estranhas, surpreendentes e perigosas.

A série já foi concluída em seu país de origem. O spin-off, Trolls de Troy, lida com os fantásticos trolls deste universo, em uma série muito mais bem-humorada.

Dragão Negro

Trazida ao Brasil pela editora Pipoca e Nanquim, Dragão Negro é uma das obras definitivas de Chris Claremont (X-Men) e do artista John Bolton (Os Livros da Magia).

O ano é 1193 da Era Cristã. James Dunreith, exilado pelo seu senhor e rei, Henrique, voltou para reivindicar a terra que é sua por direito de nascença. Acusado de feitiçaria, Dunreith é pressionado pela rainha Leonor da Aquitânia e incumbido de uma missão: encontrar uma pessoa que vem se rebelando contra a coroa e resolver a questão a qualquer custo; o problema é que essa pessoa já foi o seu melhor amigo. Ainda mais perigosa do que qualquer ameaça política é a conspiração para dominar os poderes ocultos ancestrais advindos daquela região, que podem desencadear o mal supremo. Será que o coração valente do herói e o poder das rainhas das fadas e do mundo terreno serão capazes de salvar a Inglaterra da voracidade do Dragão Negro?

Graphic novel publicada originalmente pela Epic Illustraded, da Marvel Comics, Dragão Negro é uma incrível história de fantasia situada na Inglaterra medieval, combinando contos de fadas com figuras históricas. O encadernado nacional é um show a parte, com acabamento luxuoso em capa dura e formato diferenciado do original, valorizando a arte.

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Gideon Falls | A Trinca de Terror, Mistério e Loucura do Celeiro Negro

Quando eu comecei a ler Gideon Falls – Vol. 1 – O Celeiro Negro, eu meio que já esperava o que estava por vir. O material em minhas mãos pulsava em induzir-me para uma trama de mistérios, terror e suspense. Bem, devo dizer que Gideon Falls tem um bocado dessas coisas, e tem outras coisas emboladas. Coisas boas e coisas ruins. O clima que esperamos na publicação é real. Um mistério meio que sufocante criado pelo roteirista Jeff Lemire, vai ditando uma narrativa que assemelha à filmes de suspense ou então a mais nova onda de séries de TV sombrias com o clássico Além da Imaginação. Existem momentos em que você pensa se vale a pena dá uma pausa, ir para uma outra leitura mais leve, ou então continuar. Principalmente se você ler como eu fiz as duas da madrugada. O suspense de Gideon Falls nem é tão aterrorizante assim, mas toda a sua construção, principalmente nos traços do (genial) Andrea Sorrentino, colaboram com o desenvolver de toda a trama.

A trama de Gideon Falls – Vol. 1 – O Celeiro Negro é contada a partir de duas narrativas. A do jovem Norton, ambientada em uma grande cidade, que tem em sua paranoia o Celeiro Negro, ele vive a revirar lixo atrás de artefatos ou pedaços que possam comprovar que não é louco. Ao mesmo tempo ele tem um acompanhamento psiquiátrico da jovem Dr. Xu, que com o passar da trama se vê envolvida na loucura ou possível realidade de Norton. A outra narrativa é do Padre Wilfred. Que chega na pequena cidade de Gideon Falls para substituir o antigo pároco. Wilfred é um sacerdote que tem em sua bagagem um passado nebuloso e desviado da Igreja Católica, e ficar de frente à comunidade cristã da pequena cidade, esquecida pelo mundo, lhe parece mais um castigo do que uma dádiva.

As duas tramas vão se misturando na medida em que o misterioso imóvel fantasmagórico vai fazendo suas aparições e a influência da lenda vai minando cada vez mais a história. A grande sacada de Lemire é criar a dúvida entre as duas tramas, enquanto uma vai apresentando momentos de insanidade, de conto da carochinha, a outra vai nos convencendo que o Celeiro Negro realmente existe.

Norton

O ponto negativo fica para o excesso de clichês que vão conduzindo a história. A própria dupla de protagonistas são clichês clássicos. Um padre que perdeu a fé. Um homem que não se sabe se é louco ou se está falando a verdade. Ainda temos uma psiquiatra que se envolve com o paciente, um velho que investiga o Celeiro Negro e todos o consideram maluco, uma policial emocionalmente envolvida com o mistério do imóvel fantasmagórico e que ao mesmo tempo não acredita nele e uma trama da igreja por trás disso tudo. Até mesmo um grande plot mais perto do final é meio que óbvio, mas pode parecer brincadeira, ele parece ser óbvio de propósito até. Jeff Lemire abusou de tipos que são comuns em diversas outras histórias para serem os condutores de sua trama, mas confesso que “ponto negativo” é algo meio que forte até pode soar como um baita defeito, mas o roteirista escreve muito bem os personagens, e tenta ao máximo tirar todos eles do lugar comum que geralmente são introduzidos. Essa construção do clichê para algo diferenciado se deve muito ao Sorrentino.

Padre Wilfred

Como dito aqui antes, os traços de Andrea Sorrentino são únicos. Eles ditam até as características emocionais e psíquicas dos personagens, como por exemplo Norton. Que sempre está com uma máscara cirúrgica e nunca aparece o seu rosto. O roteiro de Jeff Lemire é bem contado e desenvolvido graças as técnicas que o desenhista usa. A diagramação e os quadros ajudam nos momentos sufocantes da trama, fazendo elevar a expectativa pela próxima página. E ao mesmo tempo, nos momentos de calmaria fazem nossos olhos relaxarem. Vale ressaltar também o fabuloso trabalho de colorização de Dave Stewart. Conhecido pelas cores em Hellboy, Stewart fez das cores personagens à parte. Existem momentos em que estamos acompanhando um devaneio de Norton vendo a sua insanidade cinzenta bem ameno, ou um momento em que o Padre Wilfred está simplesmente conversando em tons pasteis atrativos para os olhos, e ao virar a página no momento de tensão em que o roteiro demanda, um tom vermelho sangue salta para cima do leitor. A colorização é uma das engrenagens que fazem o roteiro funcionar.

Eu não saberia dizer se a história que Jeff Lemire quis contar em Gideon Falls seria possível sem Andrea Sorrentino e o Dave Stewart, acho que o bolo final sem esses ingredientes ficaria sem sabor. Mas a soma dos três, vão conduzindo o leitor pela a história o segurando até o fim, valendo totalmente o investimento. Alguns leitores podem começar a leitura esperando com algo mais hardcore sendo entregue logo de início. Mas não é assim em Gideon Falls. A trama é toda uma construção, com suspense, ora com viés de terror, ora com viés psicológico.

Gideon Falls – Vol.1 – O Celeiro Negro tem formato 26,6 X 17,2 cm, 160 páginas e capa dura. No Brasil, a publicação está sendo pela editora Mino, que recentemente lançou o Volume dois.

 

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Gerard Way: da música aos quadrinhos

Nascido em abril de 1977, Gerard Arthur Way, mais conhecido apenas como Gerard Way, é hoje um dos nomes mais curiosos da indústria norte-americana de quadrinhos mainstream. Ex-vocalista da banda My Chemical Romance, Way possui um longo histórico de contato com HQs, tendo crescido no meio e sendo inspirado pelas histórias que impactaram sua vida para a escrita de suas músicas.

Alérgico a gatos e com pavor de agulhas, quem conhece Gerard Way pelo seu sucesso com a banda de rock My Chemical Romance, em atividade de 2001 a 2013, pode não imaginar a jornada do cantor até o estrelato. Antes da carreira profissional Way esteve em contato com a música desde muito cedo, na época da escola. Em paralelo com a experiência musical, durante a adolescência trabalhou em uma comic shop e até mesmo participou do Sally Jessy Raphael Show, um talk show onde o assunto abordado na ocasião foi a perspectiva de publicidade dada pelos quadrinhos aos crimes do serial killer Jeffrey Dahmer.

Aos 16 anos, Gerard Way esteve na plateia de um debate sobre quadrinhos de Jeffrey Dahmer, no Sally Jessy Raphael Show.

Seu contato com quadrinhos não-tão-mainstream se deu com a ajuda de um amigo chamado Scott. Nessa época seu encontro com tais obras foi especialmente marcado por séries diferentes do habitual como Flaming Carrot (da Renegade Press e Dark Horse Comics) e Patrulha do Destino (da DC Comics, na época escrita por Grant Morrison), entre algumas outras, sendo que esta segunda teve destaque especial em sua vida.

Sua primeira tentativa de entrar para o mundo das HQs foi com a série On Raven’s Wings, publicada pela Bonyard Press e cancelada após duas edições por conta da saída do artista do título. Way tinha apenas 16 anos neste momento.

Durante o período em que trabalhou na comic shop um evento terrível se desenrolou, quando houve um assalto e uma arma esteve apontada para sua cabeça enquanto o assaltante o pressionava contra o chão. Esta experiência trágica (e possivelmente traumática) foi marcante no futuro para a criação de parte de suas músicas e sua banda, além de colaborar com sua obsessão por assuntos relacionados a morte, algo existente desde muito cedo e que sempre ditou o tom de My Chemical Romance.

Com foco em seguir carreira no mundo dos quadrinhos, Gerard entrou para a School of Visual Arts de Nova York e graduou-se em 1999.

Crazy Jane diz ao Homem-Robô que “a vida não significa” nada. Trecho da Patrulha do Destino de Grant Morrison e Richard Case.

Influenciado por bandas como Iron Maiden, Queen, The Smiths e The Misfits, Gerard queria ser guitarrista. Sua avó, homenageada na música Helena, foi a primeira a incentivar sua carreira musical dando-lhe uma guitarra quando tinha oito anos. Ao desistir da ideia (depois de experiências ruins), manteve por um tempo o foco na carreira artística até, após os acontecimentos do atentado do 11 de setembro, escrever uma música que viria a se tornar o primeiro single de MCR, Skylines and Turnstiles.

O atentado mudou sua linha de pensamento e a vontade de fazer a diferença cresceu aos poucos. My Chemical Romance teve início em 2001 e no ano o seguinte o grupo lançou seu primeiro álbum. A composição da banda ficou marcada como: Gerard Way no vocal, Ray Toro e Frank Iero como guitarristas, Mikey Way (irmão de Gerard) no baixo, e o baterista Bob Bryar, com participação do tecladista James Dewees.

Three Cheers for Sweet Revenge, lançado em 2004, foi o primeiro sucesso comercial da banda (apesar de ser o segundo álbum da mesma), que desde então deslanchou completamente atingindo o ápice com The Black Parade (2006), seu álbum mais famoso e aclamado. Suas composições tornaram-se famosas por, além da temática e clipes que conversavam com muitos dos que viriam a se tornar fãs, contarem histórias completas através de letra e vídeo.

My Chemical Romance

Durante seus mais de doze anos de vida, My Chemical Romance teve certa influência nos quadrinhos e também herdou algumas características das preferências dos irmãos Way. O single Desolation Row, cover de uma música de Bob Dylan, foi lançado em 2009 e criado para estar presente nos créditos finais da adaptação cinematográfica de Watchmen, lançada no mesmo ano, dirigida por Zack Snyder e levando às telas a obra máxima de Alan Moore e Dave Gibbons.

A banda e os trabalhos artísticos ajudaram Gerard a lidar com depressão, alcoolismo e uso de drogas. As músicas que compuseram o álbum The Black Parade chegaram a impactar o famoso autor norte-americano Grant Morrison (ele mesmo, da Patrulha do Destino), ícone da juventude de Way que posteriormente viria a se tornar seu grande amigo.

Morrison esteve em alguns clipes de My Chemical Romance, sendo um deles SING, onde viveu um ciborgue que protege os interesses de sua empresa. Em Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na), Morrison deu vida a um líder de uma banda inimiga de mascarados. Em seu livro Superdeuses, Grant tece diversos elogios às músicas do MCR e as classifica como essenciais de um determinado período artístico moderno/punk/emo.

My Chemical Romance foi oficialmente encerrada em 2013, mas durante sua carreira musical em grupo Gerard começou a produzir o que veio a se tornar sua série de maior sucesso: The Umbrella Academy, uma família disfuncional de super-heróis.

Em 2007 o autor começou a escrever Umbrella Academy e desenhou a versão original, que posteriormente foi redesenhada pelo artista brasileiro Gabriel Bá; o primeiro arco ganhou uma compilação pela Dark Horse Comics no encadernado Suíte do Apocalipse, trazido ao Brasil pela editora Devir.

Ganhadora do prêmio Eisner de 2008, UA herdou muito de quadrinhos como Hellboy e da já mencionada Patrulha do Destino, inserindo uma perspectiva musical que pareceu ser uma associação óbvia vindo de quem escreve esta série. Dallas, o segundo arco, foi lançado ainda em 2008 e somente após dez anos o terceiro, Hotel Oblivion, chegou às comic shops norte-americanas.

O segundo encadernado também foi lançado no Brasil, e Gerard até mesmo veio à CCXP em 2015 para painéis e sessões de autógrafos. Em 2019 a série live-action produzida pela Netflix estreou e tornou-se um grande sucesso do serviço de streaming, criando novos fãs em todo o mundo.

The Umbrella Academy na arte de Gabriel Bá.

Way, entretanto, não se limitou a produzir Umbrella Academy. The True Lives of the Fabulous Killjoys, lançada em 2013, foi uma série co-escrita por Gerard e seu parceiro e ídolo Shaun Simon, com arte de Becky Cloonan. A minissérie, publicada nos EUA pela editora Dark Horse, serve como sequência ao álbum Danger Days do MCR e possui muita influência de Os Invisíveis, outra série original de Grant Morrison. Nesta época também fez alguns trabalhos para a TV, como a direção de episódios para The Aquabats! Super Show! do canal The Hub.

Em 2014 sua estreia na Marvel Comics se deu com a série Edge of Spider-Verse, que trouxe alguns universos alternativos do Homem-Aranha aos quadrinhos. Sua história criou a personagem Peni Parker, uma garota nipo-americana que pilota uma armadura bio-mecânica chamada SP//dr.

Peni Parker foi destaque no filme animado vencedor do Oscar, Homem-Aranha no Aranhaverso, lançado em 2018 e dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, mentes criativas por trás de Uma Aventura Lego.

Peni Parker, criação de Gerard Way, foi um dos destaques do filme Homem-Aranha no Aranhaverso.

Apesar das criações constantes para o universo dos quadrinhos, após o fim do My Chemical Romance Gerard iniciou sua carreira solo em 2014 assinando um contrato com a Warner Bros. Records. Algumas de suas músicas deste período estiveram na série de TV de Umbrella Academy, tanto nos trailers quanto nos episódios propriamente ditos.

Uma de suas ideias para o nome de um novo álbum solo foi Young Animal. Apesar de sonoro, este nome não chegou a estar presente em sua vida musical e tornou-se um selo de quadrinhos da DC Comics chefiado por Gerard como consultor criativo e marcando o que viria a ser sua publicação “mais esperada” nas palavras do próprio: sua versão da Patrulha do Destino.

O selo Young Animal concretizou um dos maiores sonhos de Gerard: criar sua própria versão da Patrulha do Destino.

DC’s Young Animal teve início em 2016 com foco em relançar alguns personagens esquecidos da DC Comics visando atingir novos públicos. Com proposta similar ao que foi feito com a Vertigo, as séries apresentadas neste selo focam no experimental e na liberdade criativa dada aos roteiristas e artistas, que publicam de acordo com seus ritmos. A diferença é que além dos editores, Gerard é o curador das obras lançadas por aqui.

A primeira encarnação de Young Animal chegou às comic shops com Patrulha do Destino (de Gerard Way e Nick Derington), Shade the Changing Girl (de Cecil Castellucci e Marley Zarcone), Cave Carson has a Cybernetic Eye (de Jon Rivera, Gerard Way e Michael Avon Oeming) e Madre Pânico (de Jody Houser e Tommy Lee Edwards). Esta última série é baseada em uma ideia inicial de Way, ambientada na cidade de Gotham. A seleção das equipes criativas foi feita de acordo com as características de cada série, com mulheres chefiando revistas como Shade the Changing Girl, por exemplo.

Atualmente Young Animal já possui outros títulos e os mencionados acima seguem sendo publicados sem periodicidade definida. Sua própria versão da Patrulha do Destino, como contado em entrevistas, sofreu algumas alterações ao longo dos anos e passou de uma obra mais séria e densa a algo mais descompromissado, porém com ideias verdadeiramente criativas que falam sobre assuntos muito humanos.

A Patrulha do Destino de Gerard Way introduz novos personagens e resgata os clássicos.

Em entrevista dada ao Fatman on Batman, de Kevin Smith, Gerard mencionou que no ponto atual de sua carreira não existem itens em sua “Lista de Desejos” e basicamente todos seus maiores sonhos de infância e juventude já se concretizaram, especialmente com o sucesso de sua Patrulha. Em uma das edições da revista, a comic shop em que trabalhou quando adolescente aparece na história, e esta foi sua homenagem prestada ao passado.

Nas redes sociais, com destaque para o Instagram, o autor divulga as obras do Young Animal e as comenta, uma por vez. Sua jornada de fã até se tornar um profissional da área é verdadeiramente inspiradora. Hoje, muitos ícones do passado já trabalharam em suas obras ou estiveram em contato próximo. Alguns nomes são Brian Bolland, que desenhou uma das capas variantes de Patrulha do Destino, e Frank Miller, com quem teve a oportunidade de jantar em reuniões da DC Comics.

O terceiro arco de histórias de sua Patrulha começará em julho nos Estados Unidos. No Brasil, as obras do selo Young Animal estão sendo publicadas pela editora Panini em encadernados com acabamento luxuoso em capa dura, e são encontrados atualmente em algumas bancas, lojas especializadas e livrarias.

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Último Assalto | Salve Kevin, santo guerreiro do boxe!

Diz a história que Jorge foi um grande guerreiro do exército romano e que ascendeu muito rapidamente na carreira militar, se tornando, aos 30 anos, guarda pessoal do imperador Diocleciano (r. 284 – 305), em Nicomédia. No ano de 303, o imperador publicou um édito que mandava prender todo soldado romano cristão e todos deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos. Jorge foi ao encontro de Diocleciano para protestar e perante a corte declarou-se cristão. Depois de tentar fazê-lo desistir da fé oferecendo riquezas, o imperador mandou torturá-lo durante dias, e a cada vez que era levado perante a autoridade máxima, era perguntado para Jorge se renegava sua fé em Jesus e iria adorar os deuses romanos. A cada negativa de Jorge, ele era levado de volta à tortura. Seu martírio ficou famoso entre os romanos, até que Diocleciano, mandou degolar o jovem soldado.

Diz a história de Último Assalto, que Kevin, um jovem afrodescendente que tinha um promissor futuro como lutador de boxe, depois de passar dois anos detido por um crime, tenta voltar a sua vida normal. Precisando cuidar do seu tio doente, trabalhando em um emprego, onde vive sendo humilhado, mas que foi o único que aceitou, e precisando voltar a lutar, mas tendo que correr atrás do tempo perdido nos treinos. E enfrentando a desconfiança, o preconceito e as tentações que a “vida fácil” lhe propõe a todo momento.

Salve Jorge! Salve Kevin!

Escrito por Daniel Esteves e com artes de Alex Rodrigues, Último Assalto fala sobre começar de novo. De ser guerreiro. De resistir a cada soco. De tirar força não se sabe de onde para superar os rounds. De resistir as torturas impostas pela sociedade e suas visões preconceituosas.

O texto de Daniel é preciso e apresenta uma ópera bíblica na vida de Kevin que tende a ser trágica, pelas escolhas ruins que ele sempre tende a fazer. Mesmo sabendo que será o maior prejudicado em todas elas. Mesmo sabendo que será, assim como Jorge, torturado até a morte, Kevin mantém suas convicções para proteger quem ama. E faz assim uma escolha difícil, abrindo mão de diversas pessoas e se rendendo ao “imperador” na HQ, que vem em forma de um empresário obscuro. Mesmo se sentindo combalido, com sua tortura particular e mental, Kevin é um guerreiro, de coração bom e forte. E se mantém firme no que acredita e abraça o seu sonho de forma única. Assim como Jorge a cada dia torturado se abraçava a sua fé. Kevin é cascudo e com várias idas às lonas da vida, ele se levanta e encara a vida. Por mais machucado que possa estar. Por mais sofrimento que esteja passando. A ambientação da trama no boxe não seria mais certeira.

Os desenhos de Alex Rodrigues é um primor que se casa perfeitamente com a trama. É possível vivenciar a academia humilde, que fica debaixo do viaduto em algum lugar no Centro de São Paulo. As artes das lutas no ringue, com seus movimentos, posicionamento dos lutadores, e atmosfera de um lugar underground são transmitidas com louvor para os leitores. Sem contar nas riquezas de detalhes, como um carinha treinando ao fundo, prédios, postes com seus fios, as tatuagens dos personagens, materiais da academia já bem gastos. Tudo é um deleite para se ver e rever.

Obviamente, sendo uma história com o boxe como cenário, as referências estão lá. É possível ver menções a boxeadores brasileiros como Maguila e Éder Jofre. E claro para filmes de boxe. Como uma referência sensacional ao clássico Rocky.

A única coisa que me incomodou, mas foi algo bem mínimo, foram os cortes. Às vezes me passavam a sensação que ficou incompleta a cena. Mas nada que atrapalhasse o prazer de ler Último Assalto, apesar desse ponto, narrativa em si não fica comprometida.

Último Assalto é sobre redenção. De acreditar até o fim. Lutar até às últimas consequências. De ser guerreiro, mesmo que seja sofrido e torturante para atingir os objetivos e no que acredita. Um drama bem atual, que lida com preconceitos, violência, do modo em que as pessoas e o Estado tratam os menos favorecidos e como o outro caminho “fácil” é sedutor. Kevin é um protagonista que você se apega e torce por ele até o fim. Que assim como Jorge, acredita até o fim no que faz, que apesar de sofrer com a escolha, não esmorece e vai até o final. No geral é um dos grandes lançamentos nacionais do ano.

Último Assalto terá formato 20 x 28 cm, 160 páginas P&B, capa colorida e o preço de R$ 35,00. A publicação será da Zapata Edições e ela foi uma das selecionadas pelo ProAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.

Você pode adquirir Último Assalto clicando AQUI.

 

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Confira a lista de lançamentos da coleção Mágico Vento Deluxe

A Mythos Editora está republicando a famosa série da Sergio Bonelli Editore, Mágico Vento, através de encadernados luxuosos em capa dura e com histórias totalmente coloridas! Fique por dentro de todos os lançamentos mais recentes da coleção acompanhando a lista abaixo, que será atualizada conforme novidades forem chegando, além de disponibilizar os links das melhores lojas para compra de cada volume:

Volume 1 – Forte Ghost

Um fragmento de metal no cérebro apagou a sua memória, mas deu-lhe o poder da visão. Para os índios, ele é Mágico Vento, porque o vento o guiou até eles. Mas ele era o soldado Ned Ellis, sobrevivente da explosão do comboio militar em que viajava. Quais tramoias se escondem por trás daquele que, oficialmente, foi um trágico acidente? Para descobrir, Ned deverá iniciar uma atormentada viagem em seu passado, e, só no fim do caminho, entre os fantasmas do Forte Ghost, ele poderá saber a verdade.

Disponível na Amazon Brasil, Livraria Saraiva e na Loja Mythos.

Volume 2 – Lady Caridade

Anjo dos pobres de Chicago, a dama conhecida como Lady Caridade não é exatamente o que parece. Willy Richards, vulgo Poe, não demora a se dar conta, mas corre o risco de enlouquecer ao ser envolvido na teia que a diabólica mulher teceu para ele. Mágico Vento está longe demais para poder socorrer o amigo, mas o fio que os une permitirá que ele receba a tempo o pedido de ajuda do corajoso jornalista.

Disponível no marketplace da Amazon Brasil e na Livraria Saraiva.

Volume 3 – Faca Comprida

Louis Beaumont, um fanático seguidor da seita do Vodu, que veste um velho uniforme de oficial confederado, decapitou com sua espada o pai espiritual de Mágico Vento. Além disso, o fantasmagórico assassino levou a cabeça de Cavalo Manco, e Mágico Vento deverá medir forças com o poder obscuro da Serpente do Vodu para devolver a paz ao velho xamã. Ao mesmo tempo, Poe reúne as provas de uma manobra cínica levada a cabo contra os índios por Howard Hogan, um empresário inescrupuloso, cujo caminho já se cruzou com o do xamã branco.

Disponível na Amazon Brasil, Livraria Saraiva e Loja Mythos.

Volume 4 – Whopi e Wendigo

A misteriosa jovem índia que chegou ao forte junto com a esposa do major Eccles é Whopi, filha do espírito do Bisonte Branco. Porém, a violência cega dos homens a faz ser dominada pelo bisonte louco. Mágico Vento deverá aplacar a alma enfurecida de Whopi quebrando a maldição que a brutalidade dos soldados desencadeou. O urro do Wendigo, um gigantesco predador de carne humana, rasga o céu nas terras dos ojibways e espalha o terror. A fome do monstro cresce com o aumento das suas vítimas, e Mágico Vento se verá mais próximo da morte como jamais lhe aconteceu antes.

Disponível na Amazon Brasil e Loja Mythos.

Cada volume da coleção possui 204 páginas encadernadas em capa dura e formato 26,8 x 20,4 cm.

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Detective Comics #1000 | As histórias da antologia do Batman ranqueadas

História foi feita essa semana, Batman completou 80 anos desde sua primeira aparição. Detective Comics #1000 foi lançada essa semana para celebrar o Cavaleiro das Trevas. É um momento histórico para a indústria de quadrinhos. Por isso, a Torre de Vigilância listou todas as histórias da antologia. Da pior até a melhor. Para a Bat-caverna!

11 – “Heretic” por Christopher Priest e Neal Adams

Anos após furtar a carteira de Bruce Wayne, um jovem é assassinado pelo seu irmão. O conto mostra como o estilo capitalista de Wayne está corrompendo os membros da Liga das Sombras. Apesar da excelente proposta, o roteiro de Priest não impacta o leitor nem causa reflexão. Além disso, a arte de Adams destoa completamente da narrativa.

Observação: Leia Batman #431.

10 – “The Last Crime in Gotham” por Geoff Johns e Kelley Jones

Johns e Jones unem forças para apresentar um futuro quase utópico em Gotham. A premissa apresenta uma nova Bat-família enquanto solucionam o último crime da cidade. Apesar de competente em sua introdução, o roteiro falha em seu desenvolvimento. Contudo, os traços de Jones, contrastando entre luz e sombras e formas incomuns, é fascinante.

9 – “Return to Crime Alley” por Dennis O’Neil e Steve Epting

Anunciada como uma sequência de Detective Comics #457, a história é centrada na relação entre Leslie Thompkins e Bruce Wayne. Os desenhos de Epting são espetaculares. O artista inclusive, presta homenagem ao icônico momento: “You dare pull a gun on me?” Infelizmente, é dependente do material original e não figurará no topo de nenhuma lista. Porque só possui significado para quem leu There’s no Hope in Crime Alley (Um baita gibi, por sinal!)

8 – “The Precedent” por James Tynion IV e Alvaro Martinez Bueno

Fãs de Dick Grayson, apareçam! Pois este conto é centrado no primeiro Menino-Prodígio. Especificamente, momentos antes de Bruce decidir treiná-lo. Um roteiro simples e uma arte que não apenas evoca à inocência, mas aos momentos mais marcantes da trajetória de Grayson.

7 – “Batman’s Longest Case” por Scott Snyder e Greg Capullo

O conto de seis páginas mais longo de todos os tempos. Snyder e Capullo apresentam um caso não solucionado pelo Cruzado de Capa, o mais longo de sua história, desde a era de ouro até a contemporânea. A história faz jus ao nome da revista. Torçamos para que seja canônico, pois muitos do elementos apresentados são aqui são interessantíssimos e fazem sentido na continuidade regular.

6 – “I Know” por Brian Michael Bendis e Alex Maleev

E se um vilão do Morcego descobrisse sua identidade? Por que esse malfeitor seria Oswald Cooblepot? Aqui, Bendis não apenas apresenta como o Pinguim descobriu a identidade do Batman, mas os motivos para não ter o matado. Bendis traça um paralelo interessante com a conclusão de O Cavaleiro das Trevas. Maleev traz a sujeira necessária em seus traços. Uma ótima história.

Observação: Não se engane, essa é uma história do Demônio de Gotham.

5 – “The Legend of Knute Brody” por Paul Dini e Dustin Nguyen

Ao invés de construir um conto sobre os vilões do Morcego, o roteirista Paul Dini destaca o maior dos capangas: Knute Brody. Quem? Knute Brody! A narrativa é construída a partir de uma entrevista com os detentos do Arkham sobre o atrapalhado ajudante. Parece boba, mas é genuinamente bem humorada e a arte de Nguyen é um complemento perfeito para a comicidade proposta. Além disso, que reviravolta!

4 – “Batman’s Greatest Case” por Tom King, Joelle Jones e Tony Daniel

Uma homenagem em seu sentido literal. A premissa é simples: A Bat-família aguarda pelo Cavaleiro das Trevas enquanto especulam o motivo da reunião. A arte melancólica de Jones contrasta diretamente com o tom menos fúnebre de Daniel. “O bate e rebate” na escrita de King oferece interações divertidíssimas entre os membros.

Além disso, conta com a página dupla do ano.

3 – “Medieval” por Peter Tomasi e Doug Mahnke

Assim como Action, Detective também conta com um prelúdio para o run posterior à comemoração. A arte de Mahnke é distribuída da mesma forma que a de Patrick Gleason em Never-Ending Battle. Enquanto homenagens à trajetória do personagem são feitas, Tomasi desenvolve os pensamentos do Cavaleiro Arkham, utilizando paralelismos interessantes e uma progressão temática impecável. Após ler isso, você nunca mais ouvirá o nome Batman da mesma forma.

2 – “Manufacture for Use” por Kevin Smith e Jim Lee

É um dos contos mais emblemáticos. Um homem procura no mercado negro de Gotham pela arma que matou os Wayne. O roteiro sabe o quão óbvio será para o leitor adivinhar quem é o homem, por isso, logo após, a verdadeira reviravolta é apresentada. É genial, pois Smith já a havia apresentado em todas as páginas, através dos ótimos desenhos de Jim Lee. Entretanto, o leitor só irá notar isso após a resolução. É uma narrativa que explora a moralidade do Batman e o ressurgimento de Bruce Wayne após a tragédia definitiva de sua vida.

1 – “The Batman’s Design” por Warren Ellis e Becky Cloonan

É simples. Criminosos fogem até um armazém após fracassarem na captura de inocentes em um hospital. O que eles não sabem: Batman criou armadilhas dentro do local. Ellis escreve o herói com um certo frescor, utilizando-o como um artista prestes a realizar sua performance. O palco seria o armazém e os meliantes fazem parte do show. Cloonan, com seus traços cartunescos, consegue traduzir com exatidão cada momento da narrativa. A conclusão é ambígua, podendo ser trágica, o que condiz com o cerne do personagem, ou apenas, uma gigantesca performance, como é transmitido ao leitor durante as incríveis seis páginas. Simplesmente excelente. Merece o primeiro lugar na lista.