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Asgard vs Shi’ar | Quando Star Wars encontra O Senhor dos Anéis

Imagine a possibilidade de ver os aliens de Star Wars se encontrarem com o povo da Terra Média de O Senhor dos Anéis. Visualize um encontro em que acontece um embate entre ficção científica e fantasia. É exatamente isso que é Asgard vs Shi’ar.

Asgard vs Shi’ar é o nome do arco que se passa entre as edições #15-19 do título The Mighty Thor da Marvel Comics. O roteiro é de Jason Aaron e a arte é de Rusell Dauterman e Matt Wilson.

The Mighty Thor #17

Com a sombra de uma guerra entre os Reinos da Árvore dos Mundos, os Asgardianos, de repente, se encontram em uma guerra contra o Império Shi’ar. A história já começa com Kallark, o Gladiador, surrando o Heimdall  e liderando a Guarda Imperial dos Shi’ar em um invasão a  Asgard em busca da Thor (Jane Foster) sem nenhum motivo aparente. Porém, no decorrer da história é revelado o motivo que levou a Guarda Shi’ar invadir o lar dos Deuses Aesir, e envolve Sharra e K’ythri, os Deuses do Império Shi’ar.

O altruísmo de Jane Foster sendo uma heroína que abdica de sua própria vida para ter o poder do trovão e se tornar a Deusa do Trovão para ajudar quem precisa fez com que ela se tornasse uma das maiores divindades do Universo. Não contentes com isso, Sharra e K’ythri decidem enfrentar a nova Deusa em um Desafio dos Deuses para testar a dignidade da Thor.

Sharra e K’ythri

Um aspecto bastante interessante da caracterização das divindades Shi’ar envolve um estereótipo de Deuses antigos que só se preocupam em ser adorados e não em ouvir as preces de seus devotos. Com Sharra e K’ythri, Jason Aaron retoma a abordagem sobre a dignidade dos Deuses que o escritor começou a desenvolver no arco O Carniceiros dos Deuses, lançado em Thor: God of Thunder #1-5, e ainda é tema na minissérie The Unworthy Thor com o Thor Odinson como protagonista. Na história, a personalidade dos Deuses Shi’ar contrasta com a da Thor, fazendo com que se torne um embate entre Deuses da Antiguidade vs Deusa Contemporânea.

Asgardianos marchando para a Guerra contra os Shi’ar

Enquanto o Desafio dos Deuses acontece, os Asgardianos não estão nada felizes de terem sido atacados pelo Império Shi’ar.  Sif e Cul organizam uma frente Asgardiana para guerrear contra os Shi’ar e resgatar a Thor, e, atravessando as galáxias em Drakkars, a guerra de Asgard vs Shi’ar começa.

É preciso dar uma pausa na trama para falar da arte magnífica de Russell Dauterman e Matt Wilson. A dupla responsável pela parte visual da história entrega um show estrondoso de batalhas épicas, expressões furiosas, cores berrantes, onomatopeias potentes, navios vikings no espaço, espaçonaves super tecnológicas e muito mais. O desempenho de Dauterman neste arco é um dos melhores trabalhos do desenhista desde que ele começou a desenhar Thor.

Shi’ar vs Asgardianos

Retomando a trama. Como se não bastasse enfrentar os Shi’ar, um novo desafio surge para a Thor e os Asgardianos: A Fênix, pulverizando tudo em seu caminho. Quando a Thor já não é mais suficiente para lidar com uma ameaça de magnitude cósmica é o momento de Quentin Quire, o maior rebelde mutante e futuro hospedeiro da Fênix, e Odinson aparecerem para ajudar a Deusa do Trovão. No embate contra a Fênix, com direito a uma luta psíquica na Sala Incandescente, os desafios da Thor tomam proporções épicas e, diante de uma experiência de quase morte, Jane Foster revê seus conceitos sobre como lutar a sua batalha contra o câncer e evitar uma Guerra entre os Reinos.

Quentin Quire

Algo a ser destacado sobre o desenvolvimento da história é referente a Jason Aaron ter retomado elementos das histórias de Wolverine e os X-Men e Thor: Deus do Trovão. Aaron traz elementos de sua fase em X-Men para desenvolver o Império Shi’ar e suas divindades e ainda insere na história Quentin Quire e sua relação com a Fênix. O escritor também retoma elementos de Thor: Deus do Trovão, pois traz de volta o questionamento sobre a dignidade dos Deuses e faz menções a acontecimentos envolvendo Gorr, o Carniceiro dos Deuses.

The Mighty Thor #19

Asgard vs Shi’ar encerra com novas questões deixadas em aberto para serem desenvolvidas futuramente na saga da Thor. O resultado final da trama foi um encontro épico entre ficção científica e fantasia. Repleto de frases de efeito, questionamentos filosóficos, cores magníficas, batalhas épicas e a maior a lição a se tirar da Thor: mesmo que pareça impossível vencer, apenas lute. Quem ainda não simpatizou com a Thor, com certeza, começara a amar a personagem a partir dessa história.

 

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Mulher-Maravilha | Conheça a Matadora de Deuses

Mulher-Maravilha finalmente chegou aos cinemas e é um tremendo sucesso de público e crítica. Um dos elementos mais importantes do filme é a espada Matadora de Deuses, mas ela não foi criada para o filme. Ela surgiu nos quadrinhos do Exterminador. Como assim? Explicarei detalhe por detalhe e farei algumas comparações com a versão do filme, contendo alguns spoilers.

Nos quadrinhos

O objeto surgiu durante a fase de Tony Daniel pelo Exterminador. Após voltar a ter uma aparência mais jovem, Hefesto contrata Slade para matar Jápeto, um titã que ameaça o Panteão. Para cumprir tal tarefa, ele precisa usar uma espada chamada Matadora de Deuses. Forjada por Hefesto, age como se estivesse viva, nem todos podem controlá-la. Ela tem uma vontade insaciável por sangue e morte, com a possibilidade de controlar quem a está usando. Ela também pode se adaptar conforme a batalha, dividindo-se em duas ou se tornando um bastão. Seu poder pode permitir contato com o ferreiro.

A arma apareceu na edição #7 do Exterminador do DCYou. O arco envolvendo a espada, tem participações especiais de Mulher-Maravilha e Superman. A história já foi publicada no Brasil pela editora Panini no encadernado Exterminador: O Assassino de Deuses.

No filme

SPOILERS A SEGUIR

No filme solo da Princesa Amazona, a espada foi feita também com um objetivo de matar um Deus: Ares. As Amazonas juraram que ele retornaria, e quando este momento chegasse, a maior das guerreiras a empunharia. E é esta a história que inspira a Diana do filme a se tornar a maior das guerreiras, título então ocupado por Antíope. Depois de Steve Trevor contar sobre a guerra que assola o Mundo dos Homens, ela acredita que Ares é o responsável por isso e deixa Temiscira, roubando a espada e o traje de guerreira. Precipitadamente, a Mulher-Maravilha mata o General Ludendorff pensando que ele era o Deus da Guerra. 

Quando a verdadeira identidade de Ares é revelada, nós descobrimos que a espada nada mais é do que uma farsa e que a verdadeira Matadora de Deuses é a Princesa Amazona

Comparações

Ambas foram criadas com propósitos semelhantes mas com alvos diferentes. O visual dos quadrinhos é muito mais exagerado em relação a versão cinematográfica. Slade Wilson é o portador da arma das HQ’s, no filme, Diana. A versão das telonas estabelece a espada como uma farsa inventada por Hipólita para proteger sua filha da verdade, assim como é feito em inúmeras de suas origens, mas de forma diferente. A das páginas, como uma arma letal no sentido literal.

Mulher-Maravilha já está em cartaz e você pode conferir a nossa crítica do filme aqui. Você também pode conferir a resenha do quadrinho Mulher-Maravilha: Terra Um aqui.

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Estudante de Medicina | Quadrinho nacional de qualidade

A Editora Veneta vem publicando há algum tempo quadrinhos autorais e alternativos, produzidos por artistas brasileiros, que são obras de excelente qualidade e podem dar aquela curva acentuada para quem quer sair um pouco do esquema super-heróis e/ou criaturas fantásticas.

Um desses quadrinhos é o elogiado Estudante de Medicina, primeiro álbum da Cynthia B., onde ela conta a sua trajetória de sete anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais tradicionais e concorrida faculdades do Brasil. E suas desventuras durante esse período estão na história.

Cynthia é hoje uma das principais figuras femininas dos quadrinhos brasileiros. Já publicou tiras na Folha de S. Paulo, na revista Piauí e criou fanzines como Golden Shower e Pintinho. Na HQ ela mostra que como qualquer outro estudante está empolgada para as aulas começarem, mas logo percebe que não é bem assim que funciona, e que a faculdade, mesmo sendo brasileira, segue a tradicional ideologia de filmes americanos, de festas e bebedeiras no final de semana. Algo que nem sempre é uma boa ideia.

Lidar com uma nova realidade, novas responsabilidades, amizades, relacionamento com a mãe e novos hábitos não tão saudáveis assim, não é algo tão fácil. E deixar seus medos de lado e ignorá-los pode se tornar uma bola de neve no futuro.

Estudante de Medicina toca em diversos assuntos de uma fora sincera e sem muitos rodeios, como o aborto, sexo casual, bebedeiras, festas e dilemas existenciais. Cynthia B. não deixa de expor o que pensa, mas tudo de uma forma franca e bem-humorada. Ele tem cenas estranhas, que fazem rir de algo que pode acontecer no nosso cotidiano e ainda traz informações didáticas. É um álbum totalmente indicado para quem gosta de quadrinhos.

Estudante de Medicina, tem 176 páginas todas em preto e branco, encadernadas com acabamento brochura em formato 17 x 24 cm, e foi lançado simultaneamente no Brasil e na França. Você pode adquirir seu exemplar clicando no banner abaixo.

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Mulher-Maravilha: Terra Um | Uma reinvenção ousada e criativa

Terra Um é uma série de graphic novels que reconta e atualiza as origens dos heróis da DC. Depois de Superman e Batman, é hora de testemunharmos a Mulher-Maravilha desta série. Escrita por ninguém mais ninguém menos que Grant Morrison, a HQ provavelmente, entre as três, é a que mais altera certos elementos da personagem, tais como sua personalidade. Aqui não temos a princesa que sai de Temiscira para uma missão oficial no Mundo dos Homens e sim, uma garota rebelde que se opõe a todos os costumes do seu povo e tem curiosidade em explorar o mundo lá fora, saindo sem a permissão da mãe.

O grande trunfo da HQ está na narrativa não linear e no Laço da Verdade, que funciona como um elemento narrativo muito eficiente e criativo. Ao invés de escolher um caminho tradicional para contar a história de Diana, o roteirista escolhe contá-la através de um julgamento. Não existem vilões aqui, este é um quadrinho sobre o prazer da descoberta. O choque cultural é sempre muito interessante nas histórias de Mulher-Maravilha, mas em Terra Um ele é gritante. Existe um certo humor involuntário nisso, principalmente na cena do hospital, onde a heroína não acredita que existam tantas mulheres doentes em um só lugar.

O núcleo de apoio também é ótimo. Algumas alterações foram feitas, por exemplo, Steve Trevor nesta versão é negro e o discurso feito pelo personagem na resolução do quadrinho é perfeito. Elizabeth Candy, que seria neste caso, a Etta Candy, não é uma militar amiga de Trevor e sim uma mulher extrovertida e feliz com o peso que tem. E esta é com certeza a Rainha Hipólita mais paranoica de todas as histórias da Princesa Amazona.

A arte de Yanick Paquette é bonita, não só pela sua Diana que tem um certo ar de superioridade em relação aos humanos, como também as diferentes e inusitadas vestimentas das Amazonas e as tecnologias utilizadas na Ilha Paraíso, que parecem ter saído de um filme de ficção científica. As expressões faciais são o grande destaque dos traços aqui, já que a obra não conta com muita ação.

Mulher-Maravilha: Terra Um é uma obra completa e reimagina de forma muito criativa e ousada a maior heroína de todos os tempos. Foge de todos os clichês possíveis: Seja a presença de um vilão maior ou uma narrativa linear. A editora Panini publicou o quadrinho no Brasil no início deste ano. Você pode adquiri-lo no link abaixo:

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Você não precisa ser babaca para ser fã de quadrinhos

Quadrinhos, gibis, HQs, comics, revistinhas, banda desenhada. Todos termos que representam uma única coisa, que une as pessoas que compartilham uma mesma paixão ao redor do mundo. O amor pelas histórias em quadrinhos nasce de diversas fontes: adaptações cinematográficas, uma revista aleatória na banca, um encadernado na livraria, uma paixão de infância, curiosidade… E no meio nerd moderno, conforme o tempo passa, algumas pessoas tendem a desmerecer os costumes ou preferências de seus semelhantes, sempre ressaltando seu ponto de vista como o ideal, fazendo chacota do colega ao lado.

Apesar de não parecer, a geração de leitores de gibis está se renovando. O cinema tem sido o responsável por trazer novos ares a este mundo até então dominado por pessoas mais velhas, as mesmas que liam gibis trinta anos atrás, especialmente de super-heróis. Através da modernização não somente do público, o formato das histórias em quadrinhos tem se alterado bastante, passando do formatinho para o original, da revista para o encadernado, do capa cartão para o capa dura, da banca para a livraria, e mais recentemente para a mídia digital. E inevitavelmente surgem novos consumidores a cada mudança, que facilitam a introdução a este universo.

Pra começo de conversa, é importante ressaltar uma coisa: preferência é preferência. Você pode escolher degustar um gibi dos anos 70, em seu primeiro formato publicado, ao invés de comprar um encadernado de luxo que compila exatamente o mesmo material. Se você se sente melhor assim, vai fundo. Mas isso não lhe dá o direito de menosprezar quem opta por outras opções e formatos.

É comum, em grupos e sites espalhados pela internet, presenciarmos os famosos esteriótipos do mundo nerd. “Colecionadores de lombadas“, “bazingueiros” ou “civis” são termos que se difundiram na nossa cultura, e todos possuem o mesmo intuito: tratar o consumidor diferente de você como algo a ser ridicularizado, um “nerd inferior” da espécie nerdis inferioris, comparado ao outro que possui anos de experiência. E estas barreiras, que visam inicialmente o humor, fecham o mercado numa bolha. Uma bolha dentro de um nicho, quão ridículo isso possa soar.

Não há problema algum em colecionar e consumir somente encadernados, sejam eles com capa dura ou capa cartão. Nem há qualquer problema em fazer somente as coleções que formam um desenho na lombada, ornamentando a prateleira. O dinheiro é seu, e você faz o que bem entender com ele, sem que ninguém tenha o direito de julgar ou lhe menosprezar por isso. E a limitação mental de certas pessoas não parece demonstrar que, comprando para ler ou não, a pessoa está ajudando o mercado a continuar vivo, investindo seu rico dinheirinho naqueles gibis. Só isso já é algo a ser comemorado.

Termos como “bazingueiro” caem no antigo problema da aceitação no mundo nerd, que engloba também as garotas que tentam fazer parte deste nicho que possui pessoas tão lamentáveis. Se você é um iniciante, que está aprendendo ou só conhece filmes e determinadas histórias, automaticamente é tratado como um lixo por boa parte dos “nerds iniciados” (seja lá o que isso signifique, numa escala de nada a nada), que aparentemente são tão intelectuais que não conseguem conviver com outros perfis de leitores. Nem com as famosas mudanças de status quo, como já foi discutido aqui.

Todo mundo começou, em qualquer coisa, sem saber absolutamente nada sobre aquilo. Porém, anos atrás, não existia a internet para facilitar a vida dos iniciantes nem possibilitar que os iniciados destilassem seu ódio gratuito e elitista em direção aos mais novos. Não existe paciência em explicar qualquer coisa, há somente a raiva descrita em “começou agora e já tá falando merda“, ou o famoso “vai aprender sozinho, na minha época não tinha nada disso“. Uma mídia, uma forma de expressão que sempre pregou a união e aceitação entre as pessoas, hoje é dominada por um público que faz o exato oposto do que os valores pregados por seus heróis os ensinavam e continuam a ensinar. Ou tentam ensinar.

O fã do Homem-Aranha, que se identificava com Peter Parker sofrendo bullying na escola por ser nerd, hoje despreza e ofende o leitor iniciante que compra os encadernados por qualquer que seja a razão, desde a praticidade até o embelezamento da coleção. Peter Parker tornou-se Flash Thompson. E aparentemente, só ele não vê isso. E se vê, acha que está certo nas suas atitudes. “Onde já se viu ler somente gibis com capa dura, quando há tanto material bom sendo publicado em outros formatos?” Mas a coisa mais simples não passa pela cabeça de ninguém: cada um faz o que bem entender com a sua vida, e se eu quiser posso escolher comprar somente encadernados capa dura da Angélica ou da Revista do Gugu. Se é o que me interessa, posso não estar nem aí (pelo menos no momento) para o gibi cultuado que acabou de ser republicado. É meu direito comprar o que eu quiser. E não sou inferior a ninguém por isso. Somos todos leitores da mesma arte. E você deve ter muito tempo livre para se importar com o que eu leio ou não.

Os limites do bom senso são extrapolados há algum tempo. A famosa frase “sua liberdade termina quando começa a do próximo” não parece se aplicar no meio nerd, onde cada uma das pessoas faz questão de tecer seus comentários, positivos ou – especialmente – negativos, sobre o que bem entender, sem a vergonha de estar tentando parecer mais foda que o outro. Parabéns, você sabe tudo sobre o Batman. Grande conquista.

Estamos estagnados num perfil deplorável de leitores e consumidores de quadrinhos, agravado também por boa parte da “mídia especializada“, composta por sites, vlogs e podcasts. Convivendo diariamente na toxicidade da intolerância, inalamos gases que não nos dão super poderes, mas nos tornam retratos claros de vilões, ao encarar com naturalidade os comentários depreciativos do nerd superior, que deve achar incrível parecer o intelectual sobre um personagem fictício a ponto de menosprezar e ofender quem escolheu o diferente. Ou até agir como um juiz da leitura alheia. Mas tudo bem, afinal, ele faz parte do público que leu gibis durante toda a vida, não é mesmo?

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O Monstro de Alan Moore, John Wagner e Alan Grant

Uma saga que soma elementos de clássicos monstruosos da ficção, Monstro narra a história de Terry, o monstro, e Kenny Corman, sobrinho do monstro, enquanto eles embarcam numa espécie de road trip de sobrevivência buscando ajuda. A série foi criada pelo gênio dos quadrinhos Alan Moore e continuada por John Wagner e Alan Grant, uma verdadeira santíssima trindade dos quadrinhos ingleses, e chegou ao Brasil em 2017 com uma edição de luxo publicada pela Mythos Editora!

Em março de 1984 a revista semanal britânica Scream!, uma antologia de horror, estreava para os ingleses. Com ela algumas séries em quadrinhos como The Dracula File, Library of Death e The Thirteen Floor, essa última o provável maior sucesso da época, alcançaram o inconsciente popular ao longo das pouquíssimas 15 edições do título. O catálogo da revista também continha o trabalho criado por Alan Moore, em um período marcante da carreira do autor, e Heinzl, que foi assumido posteriormente por Wagner e Grant sob pseudônimo Rick Clark, com arte de Jesus Redondo. O já citado Monstro, assim como Thirteen Floor, foi continuado após o cancelamento da Scream! (devido a uma disputa interna com a IPC Magazines) na revista Eagle, casa do clássico personagem Dan Dare. E anos depois, seguindo o costume das suscetivas mudanças, a 2000 AD obteve os direitos deste clássico obscuro, republicando-o numa luxuosa compilação que serviu como base para o encadernado nacional.

Ao enterrar seu pai abusivo no quintal de sua velha casa, Kenny Corman decide investigar a causa da morte, dirigindo-se ao sótão da mansão. As primeiras quatro páginas desta história foram escritas por Moore, que deu somente o pontapé inicial para a série. Ao ser substituído pela dupla Wagner e Grant, o leitor descobre que o monstro vivendo no sótão é Terry, tio de Kenny, que possui uma deformidade física e a mentalidade de uma criança de no máximo três anos. Criado a vida toda em situação precária e sem sair do sótão, Terry torna-se um fardo para Kenny, após os cuidados do tio serem passados ao garoto de 12 anos por sua falecida mãe. Com um detalhe preocupante: seu temperamento explosivo o faz matar com facilidade qualquer pessoa que venha a incomodá-lo.

Monstro é uma aventura que soma elementos de Frankenstein com os quadrinhos de horror dos anos 50 publicados pela EC Comics, como Tales from the Crypt, The Vault of Horror e The Haunt of Fear. A descrição perfeita para esta aventura seria “um monstro gentil em fuga.” A dupla de roteiristas brinca com a dualidade entre a criação e a falta de conhecimento e contato social de Terry, que o tornam um monstro a ser temido pela sociedade, constantemente perseguido pelas entidades governamentais. O “Monstro de Bricester” é realmente uma criatura malvada, ou apenas mais uma vítima inocente? E a atitude de Kenny, que decidiu fugir para buscar ajuda por estar com medo da reação das pessoas, foi a mais correta a se tomar? Essas questões permeiam a história do início ao fim, enquanto o leitor analisa cada um dos acontecimentos.

Se Dr. Jekyll e Sr. Hyde receberam o pseudônimo de “o Médico e o Monstro“, Kenny Corman e Terry, apesar de serem entidades separadas, podem ser descritos como “o Garoto e o Monstro.” As viagens da dupla, deixando um rastro de destruição por onde passam e sendo constantemente perseguidos pelos oficiais do governo, é um tipo de road trip do desastre. Na época, Moore estava iniciando sua fantástica Saga do Monstro do Pântano, e a dupla sucessora assumiu com maestria as rédeas do título, rumando para um estilo de narrativa diferente do início, onde há uma transformação de horror para uma espécie de horror reflexivo e algumas vezes até bem humorado.

A busca por ajuda médica em que Kenneth e Terry estão submetidos é magistralmente ilustrada pelo espanhol Jesus Redondo, que substituiu o artista italiano Heinzl. Com um traço “sujo” que brinca muito com o claro e escuro, Redondo é dono de uma arte que passa profundidade, dramaticidade e possui semelhanças nas expressões e movimentos com outros grandes mestres da nona arte, que também seguem a apelidada linha latina.

O texto também faz questão de deixar clara a consciência infantil de Terry, deficiente não somente física como também mentalmente. As situações em que os protagonistas se metem (por vezes, convenientes ou até cômicas) criam um desenrolar para a história que traz um ar de algo inesperado, visto que a cada virada de página um plot twist pode explodir na face do leitor. E no desenrolar das desventuras, as proporções dos problemas crescem exponencialmente.

A ideia do horror das primeiras páginas de Moore é mantida ao longo da trama. Mas seria o horror, a impressão de repulsa, que choca o leitor ou o faz refletir sobre todos os acontecimentos? A perspectiva dos policiais também é mostrada, com destaque para o Inspetor Halley, criando mais uma camada de entendimento dos civis comuns, que é expandida com a introdução de outros personagens “normais“, como médicos, famílias viajantes ou velhinhas viúvas.

Com capítulos de apenas quatro páginas, a leitura flui de maneira ágil e com uma sucessão prazerosa de reviravoltas. Na reta final a aventura chega a tomar proporções mundiais, rumando para um desfecho totalmente inesperado e apesar de tanta dificuldade, extremamente comum, fechando um ciclo para a vida de Terry. Porém, mesmo após o término, diversos questionamentos ficam em aberto, com a incessante busca por um culpado na mente do leitor.

Seria o inconsequente garoto, que negligencia diversos acontecimentos e piora todas as situações? Os pais de Terry, que o criaram como uma aberração? O pai de Kenny, que judiava do pobre cunhado preso no sótão? Ou um conjunto de pessoas desinformadas, que elevaram uma deficiência para algo extremamente caótico? Encarar o Monstro como uma vítima é o correto a se fazer, ou a forma conscientemente violenta como ele age é algo naturalmente ruim? Um diagnóstico poderia provar que a agressividade é originária da deficiência mental de Terry ou de seu temperamento? Como seria sua análise psicológica?

Algumas interpretações, no final, variam na mente de cada um. Um dos atrativos da história é poder ser analisada por diferentes perspectivas, algo que torna bastante especial e muito relevante o Monstro de Moore, Wagner e Grant. Uma história que merece ser conhecida.

Monstro possui 176 páginas encadernadas em capa dura no formato 25,9 x 18,7 cm, com preço de capa R$ 64,90.

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Artes conceituais de Thor por Russell Dauterman

Atualmente, o título The Mighty Thor da Marvel Comics, com roteiro de Jason Aaron e arte de Russell Dauterman, é um dos mais elogiados da editora, inclusive, é um dos indicados na categoria de Melhor série mensal do Eisner Awards 2017.

Em The Mighty Thor, Jane Foster é a nova Deusa do Trovão e, em meio à sombra de uma Guerra dos Reinos, Jane ainda tem que lidar com uma batalha muito delicada e pessoal: a luta contra o câncer. Nesse contexto, todo um cenário épico foi construído por Jason Aaron e Russell Dauterman. Já abordei as facetas épicas da fase do Aaron em Thor aqui.

Capa de The Mighty Thor #1 por Russell Dauterman e Matt Wilson

Dauterman, junto ao colorista Matt Wilson, são responsáveis por grande parte da beleza do quadrinho. A dupla constrói e colore o Universo Thor de forma mágica, capaz de encher os olhos do leitor com muitas cores e detalhes.

“Russell está ficando cada vez melhor. Quanto mais coisas eu jogar para ele, mais personagens ele tem para projetar, cenas maiores e mais loucas ele tem que desenhar. Ele apenas continua a ficar melhor, mais forte, mais surpreendente e mais inventivo.

Eu acho que Russell agregou muito a Thor em termos de seus projetos para os vários personagens e, especialmente, aos locais. Muito do que eu tenho feito no meu trabalho em Thor é dar corpo à configuração de todos os diferentes Reinos. Russell tem sido uma grande parte disso.

Ele percorreu um longo caminho até construção dos mundos e caracterização das pessoas e culturas dos diferentes locais.” – Jason Aaron elogiando o desempenho de Russell Dauterman durante uma entrevista. Confira a entrevista aqui.

Como o próprio escritor do título The Migthy Thor título disse, Russell Dauterman é muito inventivo em relação ás suas concepções do Universo Thor, trazendo novos detalhes que enriquecem o visual de alguns personagens já existentes nos quadrinhos, e também cria visuais incríveis para personagens novos.

Confira algumas artes conceituais de que Russell Dauterman disponibilizou em seu site:

 

Atualmente, The Mighty Thor de Jason Aaron e Russell Dauterman está sendo publicado pela editora Panini em uma revista mensal intitulada Thor.

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Le Chevalier | Os Arquivos Secretos do Cavaleiro steampunk

Imagine um grupo de inteligência e operações que atua na França em plenos anos 1800. Adicione o subgênero steampunk, tramas bem narradas com ilustrações que remetem a ótimas histórias em quadrinhos de grandes mestres da nona arte e você terá Le Chevalier: Arquivos Secretos, uma das graphic novels do catálogo da AVEC Editora, pertencente ao universo literário nacional de Le Chevalier.

Criada por Andre Zanki Cordenonsi, a série literária Le Chevalier está situada em meados dos anos 1860, em uma Paris onde as criações a vapor de Jules Verne impulsionaram uma revolução tecnológica que tornou a capital francesa o epicentro de uma renovada Europa.

O Bureau Central de Inteligência e Operações é uma organização que investiga casos a serviço de sua majestade, Napoleão III, e tem como principal agente um espião sem nome, sem passado e extremamente eficiente no serviço: o Cavaleiro, chamado apenas de Le Chevalier. Os Arquivos Secretos, como o nome sugere, tratam de aventuras paralelas às contadas no livro e nos eBooks, aprofundando ainda mais a imersão neste rico universo.

Em poucas páginas um leitor novato rapidamente sente-se a vontade e embarca facilmente na interação entre os personagens, e quem já está familiarizado reconhece sem delongas as características marcantes deste mundo. As duas aventuras presentes neste volume são auto-contidas e deixam ganchos para futuras continuações, mas ambas as tramas de investigação se desenrolam magistralmente pelo texto de Cordenonsi e não somente apresentam o universo como também explicam detalhadamente suas principais características, contando com fichas de personagens e recordatórios.

A provável maior inspiração para a confecção de Le Chevalier é o Hellboy de Mike Mignola. Em Arquivos Secretos os dois agentes do Bureau, Le Chevalier e seu companheiro Persa, investigam casos de assassinato e sequestro situados em Paris. Através de tramas diretas e inventivas o roteirista explora as tecnologias deste mundo retrofuturista e também não perde tempo em introduzir figuras históricas na narrativa, criando um apelo ainda maior para o leitor que deseja aprofundar seus conhecimentos. E a comparação com a obra-prima de Mignola se faz presente mais uma vez, com a utilização de um ótimo glossário que detalha cada um dos termos citados.

Os personagens são divertidos e possuem características marcantes. Chevalier é o típico protagonista misterioso e confiante, que age sem pestanejar para cumprir seus objetivos, e sempre possui uma carta na manga. Persa, apelido de Karim El Hadji, funciona como o alívio cômico da série, sempre focado no lado gastronômico de Paris e reclamando das confusões em que se mete, mas também atuando competentemente como ajudante de campo. E uma gama de personagens secundários encorpam o elenco principal, tornando críveis os relacionamentos.

O formato da publicação assemelha-se ao de álbuns europeus. Não bastasse a trama ser situada na França, com inimigos e conspirações políticas secretas englobando toda a Europa, a aventura soa como um arco fechado de um bom gibi franco-belga. A arte de Fred Rubim remete ao já citado mestre Mike Mignola, lembrando também o traço que Gabriel Bá utilizou na série The Umbrella Academy, da Dark Horse Comics. Todas as três séries possuem um estilo parecido, onde uma organização investiga casos diversos.

A versatilidade de Rubim é outro ponto de destaque que merece ser mencionado. Comparando seus traços em dois quadrinhos diferentes, Le Chevalier e Contos do Cão Negro, são nítidas as diferenças de estilo e narrativa empregadas em ambas as publicações. Em Arquivos Secretos o ilustrador utiliza linhas claras e um jogo de sombras, com um desenho mais caricato que casa perfeitamente com as aventuras. Além disso, o desenhista permite-se pirar nos aparatos tecnológicos que surgem no decorrer das investigações, com robôs, veículos e os divertidos drozdes, animais mecânicos com vida própria e fiéis aos seus amos, que representam o ápice da tecnologia Clockpunk. As cores, que também ficam a cargo de Rubim (o homem é uma máquina), criam uma aura própria ao redor de cada cena, trazendo com maestria um ar específico para os cenários.

E apesar dos cenários mais simples, sem muita tecnologia aplicada na arquitetura, toda a cidade de Paris soa constantemente como um retrato de uma época, e o leitor acaba se deparando com instrumentos e máquinas extremamente incomuns, frutos do subgênero steampunk em que a obra se baseia, que dão um charme para o interior das construções.

A forma como a dupla de autores conduz as narrativas, de maneira linear e com um ritmo próprio que prende a atenção, é a cereja do bolo deste ótimo material nacional, que acrescenta (e muito) aos universos ficcionais oriundos das mentes brilhantes de autores brasileiros, criando obras que não devem em nada às famosas histórias produzidas no exterior. E esperamos que outras aventuras do Chevalier sejam contadas em quadrinhos, mantendo vivas o que há de melhor no pouco explorado estilo steampunk.

Le Chevalier: Arquivos Secretos Vol. 1 possui 64 páginas encadernadas em capa cartão no formato 28 x 21 cm, com preço de capa R$ 39,90.

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Nos Domínios da Escuridão | Uma aventura canônica de Star Trek

Star Trek, a genial franquia criada por Gene Roddenberry em 1966, permanece um clássico da ficção-científica e do entretenimento, sendo reinventada constantemente com novos shows e produtos alternativos. Em 2009 a nova franquia cinematográfica dirigida por J. J. Abrams foi iniciada, contando atualmente com uma trilogia e uma série em quadrinhos produzida pela IDW desde 2011, que a Mythos Editora trouxe ao Brasil em um encadernado de luxo que respeita o legado e a mitologia deste universo e entrega histórias muito boas, ágeis e com ótimos diálogos.

A chamada Linha Temporal Kelvin, batizada assim pela CBS, refere-se à cronologia moderna de Star Trek, a linha do tempo que se passa em uma realidade alternativa à do seriado clássico. Kirk, McCoy, Spock, Uhura, Sulu, Chekov e tantos outros personagens existem nesta nova realidade com suas características típicas mantidas, porém com alguns detalhes alterados.

Em 2013 o filme Além da Escuridão estreou nos cinemas, recriando a história do clássico longa A Ira de Khan com diversas alterações, modernizando o conceito para uma nova geração. Nos Domínios da Escuridão, o encadernado lançado no Brasil em comemoração aos 50 anos da série e aqui resenhado, está situado logo após os acontecimentos do segundo filme, onde foram explorados os Klingons, a Seção 31 e a tensão na galáxia com relação aos Romulanos – utilizados no primeiro filme – e seus objetivos escusos.

As histórias apresentadas nesta compilação funcionam como continuações diretas do longa e respeitam não somente as características pré-estabelecidas desta linha temporal como também prestam diversas homenagens ao material clássico. O primeiro arco, focado no ritual vulcano do Pon Farr, é uma recriação do cultuado primeiro episódio da segunda temporada da série clássica, Tempo de Loucura, onde o ritual de acasalamento vulcano é explorado através das necessidades biológicas de Spock. Inserindo a ideia nos acontecimentos desta realidade, o texto de Mike Johnson (Superman, Supergirl) faz com maestria o difícil trabalho de costurar uma trama significativa para os personagens com os acontecimentos paralelos, que descambam em um arco de batalha – física e política – logo após a primeira aventura.

O Spock da Linha Kelvin, é importante ressaltar, não concluiu o ritual do Kolinahr, que visa expurgar todo e qualquer resquício de emoção da mente de um vulcano. Com isso, seu ritual do Pon Farr difere-se significativamente do realizado pelo Spock da Linha Clássica, mantendo as características mais emotivas e quase sexuais deste vulcano. Sua relação com Uhura é mantida, e a Carol Marcus, apresentada no segundo filme, também é utilizada como elenco de apoio.

Se não bastasse a referência direta a este clássico da franquia, em sequência uma história curta traz de volta os répteis humanoides Gorns, vilões conhecidos que surgiram no episódio Arena, décimo oitavo da primeira temporada da série original, onde Kirk protagoniza uma das lutas mais memoráveis (seja lá em qual sentido) de toda sua carreira. Sempre respeitando o cânone e modernizando os conceitos, ideias que se aplicam também às criaturas do universo.

Os desenhos ficam a cargo de Erfan Fajar e Claudia Balboni, que apesar da simplicidade narrativa, entregam uma fidelidade cinematográfica às feições de cada um dos personagens e detalhes dos cenários. Com os acontecimentos descambando para a trama maior, que engloba Klingons, Romulanos, a Seção 31 e a Federação, o grupo de Kirk se vê preso em uma guerra onde três lados lutam por motivos distintos, e a tripulação da Enterprise deve se adequar ao que for acontecendo para salvar quantas vidas estiverem ao seu alcance.

A Seção 31 é uma clássica organização que foge dos padrões éticos da Frota Estelar visando a defesa da Terra, e fora utilizada também como vilões centrais da história de Além da Escuridão. Com isso, todos os acontecimentos destas aventuras (que são canônicas e supervisionadas por Roberto Orci, consultor de tramas) fecham pontas soltas do longa de 2013, complementando a experiência como um universo expandido deve fazer como objetivo primário.

Nos Domínios da Escuridão apresenta o que há de melhor na nova franquia de Star Trek: ação, ótimos diálogos, caracterizações fidedignas ao material original e um visual deslumbrante, sem limitações orçamentárias típicas das séries mais antigas.

O bom material presente nesta compilação faz parte de uma longeva série publicada nos EUA há alguns anos, que com a ajuda do público consumidor brasileiro pode ser trazida pela editora Mythos através de encadernados, enchendo as livrarias com materiais essenciais para os trekkies de plantão, audaciosamente indo onde nenhum quadrinho jamais esteve.

Star Trek: Nos Domínos da Escuridão possui 208 páginas encadernadas em capa dura no formato 26,8 x 17,4 cm, com preço de capa de R$ 79,90.

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Detective Comics Quadrinhos

Power Rangers | O Ano Um do Ranger Verde

Power Rangers, a franquia multimilionária da Saban Etertainment, possui um histórico de sucesso que vai além das famosas séries inspiradas nos Super Sentai japoneses, alcançando o cinema – com três filmes, um blockbuster lançado recentemente – e histórias em quadrinhos. Com uma série recente publicada no exterior pela BOOM! Studios, os clássicos guerreiros coloridos retornam com maestria ao inconsciente popular, chegando ao Brasil em uma edição de luxo lançada pela Editora Pixel.

Cinco guerreiros escolhidos por Zordon e Alpha para defenderem o mundo contra as forças do mal de Rita Repulsa. Vermelho, amarela, rosa, preto e azul, utilizando poderes baseados em dinossauros para lutarem e convocarem seus robôs gigantes. Todos devem conhecer a história base da série Power Rangers, e ela é complementada posteriormente com a introdução do Ranger Verde, antigo lacaio de Rita, como sexto membro do grupo. O encadernado “Mighty Morphin Power Rangers: Ranger Verde – Ano Um” está situado logo após a saga “Verde de Raiva” (Green With Evil), onde Tommy Oliver foi apresentado na primeira temporada original.

Escrita por Kyle Higgins e ilustrada por Hendry Prasetya, esta série em quadrinhos dos Rangers consegue modernizar a série clássica e ir além de tudo que já foi feito para a TV em muitos sentidos. Sem a limitação orçamentária os autores possuem liberdade para criar cenas de ação que remetem à primeira temporada de MMPR, porém feitas com um visual muito mais ousado. A arte de Prasetya (Lanterna Verde, Voodoo), que ilustra takes e perspectivas nunca antes vistas pelos fãs, é cinematográfica e fluida, mas também caricata e agradável. Uma sala de treinamento, cenas de ação em alto mar e até mesmo efeitos de teletransporte trazem novos ares para a franquia. E o outro destaque, o texto de Kyle Higgins (Batman, Asa Noturna, Capitão América), é feito com fidelidade e modernização.

Ao retratar Jason, Trini, Zack, Billy e Kimberly com suas respectivas caracterizações típicas da série o roteirista também toma a liberdade de explorar um pouco mais os dramas de cada um, sempre retratando suas falas e atitudes típicas de adolescentes de forma fiel e atual, inserindo até mesmo aparatos tecnológicos mais modernos neste universo. Billy e Trini possuem sua tão aconchegante relação de amizade e apoio, enquanto Kimberly está sempre motivada a tratar Tommy e seus amigos da melhor forma possível. Jason e Zack, grandes companheiros, dividem momentos chave de liderança com relação ao mistério por trás do que vem afetando o grande destaque deste arco, Tommy Oliver, que está sofrendo uma incerteza e constante influência mental negativa remanescente de Rita Repulsa, que deseja retomar o poder do Ranger Verde para si e dominar o mundo. E todos os acontecimentos se desenrolam a partir desta luta na mente de Tommy.

Este primeiro arco, que complementa muito bem o seriado, é totalmente focado na jornada do Ranger Verde superando a já citada influência de Rita na sua vida. O dia-a-dia dos heróis é mostrado também com fidelidade ao material original, enquanto os alívios cômicos Bulk e Skull são inseridos em um novo contexto, agindo como jornalistas/vloggers da Alameda dos Anjos. Vilões conhecidos como Goldar e Scorpina possuem seus momentos, e mais da rotina escolar dos protagonistas é mostrada. Com o grupo tendo de se acostumar com o novo membro do enquanto lidam com seus próprios problemas, a narrativa segue de forma natural e muito agradável, trazendo nostalgia e satisfação ao leitor casual e principalmente ao fã.

Como uma lufada de ar fresco, esta primeira parte do Ano Um do Ranger Verde (edições #0 a #4 da série original) introduz os Rangers a uma nova geração, resgata tudo que há de bom na franquia de maneira respeitosa e, acima de tudo, é uma história feita com muito esmero e atenção aos detalhes. Apesar de o arco continuar, este primeiro volume mostrou que os heróis da Saban ainda possuem fôlego para continuarem na mente das pessoas por muitos anos, renovando sua legião de fãs constantemente através de suas aventuras relacionáveis com um público diversificado.

O encadernado também apresenta as divertidas “Contínuas Aventuras de Bulk & Skull”, uma história curta escrita pelo gabaritado Steve Orlando (Liga da Justiça, Superwoman, Batman) e desenhada por Corin Howell (Bat-Mirim), onde os atrapalhados amigos decidem se tornar heróis como os Power Rangers. Obviamente, da forma mais ridícula possível.

Mighty Morphin Power Rangers: Ranger Verde – Ano Um possui 128 páginas encadernadas em capa dura no formato 25,8 x 17 cm, com preço de capa de R$ 44,90.