Detective Comics Quadrinhos

Tenha, Seja, pratique mais Calvin & Haroldo durante a sua Quarentena

Escrito por Ricardo Ramos

No quase final de outono de 1985, mais precisamente no dia 18 de novembro, o norte-americano Bill Watterson publicava a primeira tira de Calvin e Haroldo nos EUA. Ali era dado o pontapé inicial da trajetória do menino com seu tigre de pelúcia imaginário e suas tiras cheias de aventuras, travessuras e reflexões. E depois de muitos anos divertindo milhões ao redor do mundo, conquistando adultos, crianças e prêmios como o Reuben Award. No ano de 1995, Waterson pôs um ponto final na sua história.

As tiras eram sobre Calvin, um garoto de seis anos cheio de personalidade, que fala o que bem entende, sem papas na língua, e seu único amigo verdadeiro: um tigre de pelúcia chamado Haroldo. O tigre, pela imaginação do menino toma vida e participa ativamente de suas histórias. Tomando decisões, falando sobre os mais diversos assuntos que vão desde dever de casa, morte, família, passando por política e até mesmo direitos civis. Tudo isso dentro das fantasias mirabolantes criadas por Calvin.

E são nessas fantasias onde quero chegar. Onde elas são necessárias e até para deixar-nos com os pés no chão. Hoje em dia, com um mundo virtual mais interativo, fantasiar ficou meio que banal. Muitas vezes deixamos de simplesmente deitar e nos imaginar em outros mundos. Ou como grandes estrelas da música enquanto ouvimos músicas. Ou até mesmo de escrever versos para a pessoa amada enquanto estamos simplesmente sentados no vaso sanitário. Não, não é ironia.

Convido você, estimado leitor, a lembrar quando foi a última vez que simplesmente deitou no chão da sua sala, ou no seu sofá, ou acordou e ficou olhando para o teto pensando. Sonhando. Viajando. Fantasiando como pode ser o seu dia, ou como poderia ter sido. Não, não falo em remoer ou se arrepender sobre decisões tomadas. E sim fantasiar coisas, sejam elas absurdas ou normais. Quando foi a última vez em que você escreveu um texto, um paragrafo que seja com caneta e papel?

Estamos perdendo nossa arte de fantasiar?

Matamos o Calvin que existe dentro de todos nós?

As tirinhas de Bill Watterson constituem frequentemente de uma fuga à cruel realidade do mundo moderno que Calvin fazia, e assim explorava a natureza humana. A natureza inocente de uma criança que acha que deveria ter direito ao voto por não querer que os adultos tomassem decisões para ele, sendo que pela realidade mundial que ele enxergava, os adultos só tomavam decisões ruins. Mas era a mesma criança que fugia do dever de casa, de tarefas simples e tinha medo de ficar com a babá. Vejo que perdemos esse gatilho de recriar nossas fantasias. Seja por causa de um mundo atribulado. Cheio de correrias de nossos compromisso. Seja por que simplesmente não gostamos mais de fantasiar.

Mas, vou falar algo para você: Criar um mundo de fantasia é bom! Relaxa a mente em um lugar seu fora da tela de um celular. E agora, que temos que ficar isolados, praticando a quarentena, temos uma chance de ressuscitar o Calvin dentro de nós.

Pegue um tempo seu e faça o exercício de imaginar. Imagine-se como o personagem do filme que você acabou de assistir. Dentro do quadrinho ou do livro que você leu. No anime que você viu. Ou como um cantor tocando para uma multidão. E vou te falar, pode ser cinco minutos. Mas serão cinco minutos que na sua mente vai durar uma eternidade boa. Fuja um pouco dessa realidade. E, pasmem, criar fantasias te dão senso critico! Porque em algum momento, você se colocará em uma situação em que pensa: “mas e se eu fizer isso, não é legal”. E é para isso que forçamos esse exercício mental. E vou além! Devemos aproveitar que estamos com as crianças em casa e convida-las a fantasiar também. Tirar elas um pouco de dentro de casa, mas pela sua mente. Estimular as crianças a pensar, a criar mundos que lhe deixem como o “poder” de decisão. Obviamente não estou falando para colocar nenhuma criança em uma situação extrema que venha traumatizar, mas faça imaginar que no meio de sua brincadeira de Cidade Lego, um tiranossauro sorridente roxo de bolinhas amarelas passe correndo destruindo tudo! E construa de novo.

Estimule à fantasia. Saia da caixa durante essa quarentena. Saia da frente do celular.

Imagine. Traga o Calvin dentro de você a tona. Encontre e brinque com o Haroldo.

Imagine!

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Sobre o Autor

Ricardo Ramos

Gibizeiro, escritor, jogador de games, cervejeiro, rockêro e pai da Melissa.

Contatos, sugestões, dicas, idéias e xingamentos: ricardo@torredevigilancia.com

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