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Resenha | Tio Patinhas 0

Escrito por Marcus Santana

Tio Patinhas surpreende muito pelo conteúdo de suas histórias principais. Explicando: Aqui, Patinhas Mac Patinhas é posto onde não costuma estar, ou até onde nunca imaginou.

Logo de cara temos O Amor do Tio Patinhas, nesta narrativa que ocupa mais da metade da edição acontece a primeira aparição de Miriam Mac Gold, uma pata de Gansópolis destinada a ser rica que, dentre outras conquistas, marca um lugar especial no coração de Patinhas, mas se recusa ser ajudada por ele em sua missão de ser quaquilionária. Para isso, até vence uma licitação derrotando Patinhas e Patacôncio. Miriam inclusive já era concorrente de Patinhas no passado, e sua paixão por ela o fazia inclusive gastar umas patacas a mais. Tamanha diferença de comportamento chama a atenção de Donald, que busca mais informações sobre esse caso de seu tio. Apesar de inédita, a HQ é datada de 1989, roteirizada pelo já falecido Bruno Concina e com desenhos do prolífico mestre Giorgio Cavazzano.

Miriam tem somente mais uma aparição em HQ do Tio Patinhas: Zio Paperone e le Grandi Conquiste (Tio Patinhas e as Grandes Conquistas, em tradução Livre) de Gianfranco Cordara e Andrea Ferraris publicada na Itália em 1997. Nesta história, uma repórter prepara um artigo sobre vários e várias personagens ligados à Patinhas. Também inédita no Brasil, sua publicação seria bem-vinda, mas como é uma história que revisita acontecimentos anteriores, pode ser que ainda precisemos que outras sejam lançadas por aqui antes dessa. No passado já tivemos títulos Disney cujo tema principal era relacionamentos amorosos, porém seria muito interessante uma edição com os relacionamentos amorosos de Patinhas.

Em contrapartida à primeira, logo em seguida já temos uma história muito moderna. Em O Papel do Dinheiro, Patinhas enfrenta enormes dificuldades em conservar o conteúdo de sua caixa-forte, recorrente alvo de ratos, umidade e tentativas de roubo. Por isso, acaba aceitando a ideia do mais novo milionário da cidade: Bittencourt Crista, jovem magnata das criptomoedas. Patinhas se desfaz de quase toda sua fortuna física e investe no dinheiro digital. É de uma surpresa absoluta ler uma história assim e ver a caixa-forte mais famosa dos quadrinhos totalmente vazia. Terje Nordberg ousou nessa e dificilmente teremos outra situação parecida.

Mais certo um destaque vale para Ouro Esquecido, onde Patinhas e Donald vão até o norte da California atras de uma terra que Patinhas nem se lembrava em ter comprado. A única pista é um recibo encontrado por acaso em uma velha mochila. Garimpeiro experiente que é, vai até lá descobrir por quê.

Como já citei em Pato Donald 0, é sempre bom revisitar esse passado aventureiro de Patinhas. Porém o desfecho dessa aventura é bem parecido com o de A Febre do Ouro em Marte, ainda mais levando em conta que uma foi lançada exatamente um mês depois da outra na Noruega, Suécia e Dinamarca. A dupla criativa é totalmente diferente, porém a semelhança chama atenção.

Todas essas diversas facetas de Patinhas fizeram desta edição uma mistura bem eclética. Diferente até da arte da capa, já que ele não usa em nenhuma das histórias a mesma roupa característica que está estampada nela. Interessante para ver as diferentes formas como Patinhas foi e está sendo representado nos países onde prosseguem com a criação de suas histórias.

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Sobre o Autor

Marcus Santana

O que seria de nós sem quadrinhos?

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