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Gus – 2. Belo Bandido | Distância e novos ares

Criação do famoso quadrinista francês Christophe Blain, autor de “Isaac, o Pirata“, Gus é uma série composta até o momento por quatro volumes que narram as aventuras de três bandidos numa temática de faroeste, lidando com dinheiro (provido de assaltos), bebidas e principalmente com as mulheres.

Após apresentar todos os personagens desta fantástica série de western no primeiro volume, chamado Gus – 1. Nathalie, Blain utiliza a segunda edição para mudar um pouco o foco, trazendo novos ares para os leitores. Enquanto no primeiro álbum os três “heróis”, Gus, Clem e Gratt tinham seus momentos de protagonismo, esta edição é focada quase inteiramente em Clem, nas suas aventuras de ação e amor, com breves participações de seus parceiros bandidos.

Arte de Christophe Blain.
Arte de Christophe Blain.

Apesar de Belo Bandido iniciar com uma história quase inteiramente protagonizada por Gus em mais uma desventura amorosa, dela em diante a relação entre os três parceiros se distancia. A distância entre eles só é retomada nas aventuras finais, e durante todo o álbum Clem lida com outra distância, a dele com relação a sua esposa e filha, e também de sua amante. Os foras-da-lei se separam graças a formas diferentes de pensar, especialmente com relação a Clem, que utiliza seus roubos para retornar à família com tudo do bom e do melhor.

As saidinhas de Clem e Isabella, sua amante fotógrafa, movem boa parte dos contos. O ator utiliza os dois personagens para contar histórias do passado e também imaginar possíveis futuros, aprofundando ambos e situando o leitor com relação a vida pessoal e íntima de cada um deles. Em dado momento, a vida de ambos parece inclusive se alternar, com o bandido e a fotógrafa trocando de posição. E tudo com relação aos dois é sempre retratado de forma picante e aventuresca, como o romance entre eles é mostrado desde o início. O extremo oposto das desilusões de Gus, o azarão.

Clem, em: Um Dia de Fúria.

Blain faz brincadeiras com a arte de maneira ainda mais primorosa, retratando cenas ágeis e bem humoradas em cada uma das páginas. O autor invade o pensamento e as viagens mentais dos personagens em diversos quadros de uma forma criativa e as cores de Alexandre Chenet e Walter dão o ar da graça de diversos cenários e situações, criado um aspecto único para cada ambiente.

Em certa altura, o bom humor é substituído por uma dose de drama familiar e nostalgia, algo que ressalta bastante o pensamento mais maduro de Clem em comparação com seus amigos. A convivência dele com todos ao seu redor e a forma como o autor imagina a profissão de Ava, esposa de Clem, adicionam outra camada de dramaticidade para as narrações. No fim das contas, todo o núcleo que circunda este protagonista é explorado bastante de uma forma convincente.

Capa nacional do segundo volume da série.
Capa nacional do segundo volume da série.

O segundo volume desta coleção não só mantém o ótimo nível do início da série, como também explora ainda mais este mundo e cria laços mais fortes com o leitor. Apesar da mudança de foco, Blain prova-se capaz de continuar contando suas “histórias de homens” mesmo enveredando para outro lado, sem perder sua forma cativante de criar gibis, que prende a atenção de todos. Trazida ao Brasil pela SESI-SP Editora, a coleção continua na França com mais dois álbuns, e fica a torcida para que tudo relacionado a este universo tão bem desenvolvido seja publicado por aqui.

Gus – 2. Belo Bandido é um álbum de 88 páginas em formato 29,1 cm x 21,2 cm, contendo lombada quadrada, capa cartão e preço de capa sugerido de R$ 35,00.

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Colunas Gameplay Games

Análise | Nier: Automata

Nier: Automata é o novo jogo de ação em terceira pessoa desenvolvido pela Platinum Games em parceria com Square Enix e o visionário Yoko Taro. Disponível para PlayStation 4 e PC (via Steam), o título transporta o jogador para um mundo pós-apocalíptico devastado por androides.

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Talvez, de imediato, o jogo gere uma certa repulsa! Logo nos minutos iniciais, Nier: Automata não é o jogo que você estava esperando, mas ao decorrer, você entende o propósito ao qual foi escolhido um início tão controverso. Isso ficou claro, durante as horas de jogatina, com algumas questões que ele procura abordar do início ao fim da gameplay. Todo esse complexo desenvolvimento, acaba por atrapalhar os mais desavisados, o que basicamente seria a retratação de uma andróide, lutando contra outros robôs com espadas e uma torre, torna-se um entrelaçado de conflitos existenciais, partindo em pontos filosóficos e sociais.

Todo essa complexidade de informações e ações, é exatamente o que você terá se jogar Nier: Automata, somado a uma saudável dose de acrobacias marciais inspiradoras e swordplay.

A Platinum Games pode ser uma desenvolvedora conhecida por seus jogos de ação em terceira pessoa, mas não se engane, este é um RPG em pequena escala e de mundo aberto. Você vai encontrar e equipar novas armas, assim como subir de nível, lutando contra os inimigos mais difíceis, explorar grandes ecossistemas que vão desde floresta, deserto e a cidade afundada, side-quests completas e coleta de materiais para o crafting, para que você possa melhorar o seu arsenal. Todas as armadilhas de um RPG estão aqui, é apenas um pouco simplificada para abrir caminho para exibições de deslumbrantes combates épicos.

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Simplesmente deslumbrante. Neste contexto, o jogador é colocado na pele de 2B, um androide YoRHa do sexo feminino, ela é acompanhada pelo fiel companheiro 9S. Os protagonistas do jogo são todos guerreiros ágeis, poderosos, capazes de empunhar katanas, broadswords, lanças, bracers, entre outras várias armas.

O framerate contínuo durante o combate de 60fps mantém a sensação de fluidez necessária, esse sistema de combate desenvolvido pela Platinum Games foi a evolução perfeita do que foi visto em outros títulos de estúdios japoneses. Rápido, dinâmico, rico em possibilidades e apoiado por um grande número de armas e itens. Elementos de ação típicos da Platinum Games estão sobrepostos com uma estrutura profunda e equilibrada, com personagens que ganham experiência, nível, novas habilidades e melhorias com novas armas. Simples e divertido de assistir.

Como um android, você tem acesso a uma riqueza de opções de personalização via plug-in chips de computador. Estes, juntamente à sua escolha de armas e a ajuda de uma unidade de apoio (chamado Pods), permitem que você encontre o estilo de jogo que mais lhe convêm. Se você preferir pendurar para trás e deixar seu Pod levar inimigos á baixo em um granizo de balas e lasers, você pode equipar chips que aumentar essas habilidades. Se você quiser ficar na ofensiva, equipar fichas que lhe dão uma porcentagem de dano para os ataques corpo-a-corpo.

Nier: Automata navega sem esforço em seu próprio mundo. Em um minuto você está procurando sua caça nas ruínas de uma cidade, e no próximo você está correndo para baixo de corredores de castelos, fazendo com que o jogo se torne um sidescrolling beat-em-up, ou esquivando uma barragem de projéteis quando a câmera se mantém acima da sua cabeça. É um testamento para o trabalho da Platinum Games que aqui se sente natural e confortável.

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Não temos um número incrivelmente grande de armas dentro do jogo, mas há o suficiente para sentir que você tem a opção da escolha. Infelizmente, há também pouco incentivo para experimentar. Uma vez que você encontra um conjunto que se encaixa no seu tipo de jogo, dificilmente esse conjunto será trocado, a menos que ele seja fraco. O crafting e moedas são lentos para adquirir, então uma vez que sua espada favorita é atualizada, é improvável que você se desgaste para conseguir uma lança melhor que raramente será utilizada. Nier: Automata absolutamente pregos a corrida de combate, por isso teria sido bom se alguns dos elementos de RPG como gerenciamento de inventário e crafting foram um pouco mais aprofundado.

Eu não posso enfatizar o quão grande é a trilha sonora de Nier: Automata. Ela não é atormentada por boops sintéticos e beeps ou outras armadilhas superficiais para fazê-lo soar futurista ou sci-fi. Em vez disso, tem strings altíssimos, tambores intimidadores, cantos poderosos, chimes etéreos e pianos tristes que acentuam e pontuam a ação na tela. Você vai ouvir notas de inspiração de shows como Neon Genesis Evangelion e Puella Magi Madoka Magica – anime com o qual compartilha alguns batimentos de história e temas também.

A pontuação capta perfeitamente e define o humor de qualquer momento, e eu não estou exagerando quando digo que ouvir uma dessas músicas por quatro horas não seria ruim, ou tedioso.

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Infelizmente não posso dar o mesmo louvor para o… chamá-lo de “enredo” ou até “uma série de coisas que acontecem” é errado. Mesmo depois de mergulhar no mundo de Nier: Automata, e completar uma boa parte das side-quests disponíveis, o jogo te deixa com um gosto estranho na boca, uma amargo, por existir momentos e motivações que são inexplicado ou sem sentindo algum. E isso te deixa na liberdade de não precisa jogar o primeiro Nier, mas isso não irá ajudá-lo a entender alguns dos pontos mais finos de Automata.

Entretanto, esse pequeno tropeço não prejudica muito os tempos em que os Autômatos conseguem contar sua história. Há muitos giros inteligentes e momentos de quebra de parede, como ser capaz de remover o chip do sistema operacional, o que resulta em um dos muitos fins do jogo ou navegar menus durante a configuração, apenas para ver seus movimentos e seleções de reprodução exatamente como você executou.

Há também momentos de profunda ressonância emocional. Quando a história é on-point, é uma das mais expressivas e belas parábolas que eu já se tem visto em um jogo de vídeo-game.

VEREDITO:

Embora não seja perfeito, Nier: Automata é, no entanto, uma lufada de ar fresco que irá desafiar os polegares, bem como o seu pensamento – um jogo com coração de hidrocarbonetos e alma de silício que vai ficar com você muito depois de ter definido o controlador. Certamente se não fosse por esses pontos negativos apontados, Nier: Automata seria um “clássico obrigatório”. No entanto, recomendamos que você feche os olhos para os problemas e viva o turbilhão de emoções e reviravoltas que o game tem a oferecer. Um jogo com uma identidade única e reconhecível, que você não vai se esquecer tão cedo. 

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Nier: Automata foi lançado em 23 de fevereiro de 2017 para PlayStation 4 e posteriormente para PC.

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Tela Quente

Crítica | Kong: A Ilha da Caveira

Kong: A Ilha da Caveira começa com os olhos vibrantes e vermelhos do Rei dos Macacos, que ganhou uma homenagem incrível neste novo filme. Baseando-se em clássicos como Apocalypse Now (1979) e até O Predador (1987), Jordan Vogt-Roberts traz um survival horror junto de lutas inacreditáveis entre monstros, humanos e mais monstros. A definição perfeita do blockbuster bem feito.

Na história, Bill Randa (John Goodman) consegue o investimento necessário para juntar alguns militares liderados pelo coronel Preston Packard (Samuel L. Jackson) para uma expedição à uma ilha desconhecida por um motivo até então desconhecido.

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Jordan Vogt-Roberts teve à sua disposição atores renomados e importantes no cinema atual. Nomes como Tom Hiddleston, Brie Larson, John Goodman, Samuel L. Jackson e John C. Reily trazem uma bagagem muito grande, mas pouco requisitada. Kong deixa em primeiro plano as cenas de ação e suspense, colocando o desenvolvimento dos personagens de lado prejudicando um pouco a narrativa, mas sem comprometê-la.

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E o Oscar de Efeitos Visuais vai para…

Kong é visualmente e esteticamente maravilhoso. A primeira sequência dos helicópteros passando pelo “macaco gigante” em slow motion e sem trilha é de tirar o fôlego. A câmera acompanha freneticamente cada movimentação dos personagens e das mãos de Kong, tornando a chacina completa. Jordan demonstra competência em estilizar ao máximo a ilha e seus detalhes ambientais. Parece bastante como um documentário da National Geographic produzido no conceito hollywoodiano.

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Se for ir para assistir a um filme de porradaria e explosões, essa é a escolha. Não há nenhuma profundidade nos personagens, toda a construção da relação entre Kong e Brie Larson passa batida e as mortes ao longo da história se tornam superficiais. Continua sendo um filme pipoca, mas que todo nerd e fã de monstros irá gostar.

Kong: A Ilha da Caveira deixa bem claro no título que Kong ainda não é o famoso King Kong. Ao longo da trama vai se construindo o título de Rei, já que quase todos os diálogos são voltados à sua importância para ilha e seu papel como protetor. É bastante original criar uma origem do zero para o personagem que já é conhecido há décadas.

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Porém, nenhuma dessas pautas foram o que chamaram o público aos cinemas. A Warner Bros. estava prometendo um universo de monstros e criaturas, deixando todos na expectativa. Kong tem um futuro, e este é bastante promissor. Não saia antes dos créditos intermináveis, pois há uma cena que irá começar a montar o quebra-cabeça. Godzilla irá retornar em breve…

O novo filme de King Kong é principalmente, uma homenagem aos fãs da criatura e ao próprio personagem. Apesar dos problemas com os protagonistas, Jordan Vogt-Roberts coloca o mais importante na frente sem medo de se arriscar. Um ótimo filme de ação e survival horror para quem curte o gênero.

Venha logo, Godzilla… o Rei está esperando.

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Serial-Nerd Séries

Indicação | Taboo

Taboo é, sem dúvida, a melhor estreia do ano, até então. 

Criada por Steve Knight, Tom Hardy e seu pai, Chips Hardy, Taboo se situa em 1813, e narra a história do aventureiro James Keziah Delaney (Tom Hardy) que retorna da África, após ser dado como morto, com uma coleção ilegal de diamantes. Recusando-se a vender o negócio da família para a Companhia das Índias Orientais, ele planeja utilizar as pedras para construir um grande império naval e assim vingar a morte misteriosa do seu pai.

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Não se deixe levar pelo plot inicial de Taboo, uma história de vingança pode parecer algo datado, mas nas mãos da pessoa certa pode se tornar algo espetacular. Essa pessoa é Steve Knight (Peaky Blinders), co-criador e roteirista dos 8 episódios de Taboo. Através de uma narrativa lenta e precisa, Steve transforma, o que tinha tudo para ser uma história genérica de vingança, em algo incrível e extraordinário. 

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Tom Hardy arrebenta com seu James Dalaney, um misterioso e brutal personagem que só ele poderia interpretar, ainda mais com os famosos grunhidos do ator. James está sempre um passo a frente dos seus inimigos, podemos ver o ápice disso em uma sequência do episódio final. Além de Hardy, temos Jonathan Pryce (Game of Thrones), Michael Kelly (House of Cards), Oona Chaplin (Game of Thrones), Mark Gatiss (Sherlock), Tom Hollander (The Night Manager), entre outros.

Não posso deixar de falar da ambientação de Taboo, ela causa uma imersão que eu, até então, só tinha visto em Penny Dreadful, retratando uma Londres suja. Taboo também conta com uma fotografia de tirar o folego.

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Taboo é uma co-produção dos canais FX e BBC, e foi exibida nos Estados Unidos e no Reino Unido. No Brasil ainda não tem data para chegar. 

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Apesar de ter sido vendida inicialmente como minissérie, a BBC e o FX confirmaram uma segunda temporada da série, o que faz sentido, levando em conta os acontecimentos ocorridos no episódio final.

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Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

Primeiras Impressões | Masamune-kun no Revenge

Com as sábias palavras do filósofo mexicano Don Ramón: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena!”, começo essa postagem, que tem tudo para provar de uma vez por todas o fato de além de toda aquela história que levou a um pós-guerra traumático ser verdade e um claro exemplo da citação acima, também mostra que Japonês é um povo estranho.

Vindo de um mangá que começou sua publicação em 2012, que mesmo não tendo um volume de vendas colossal como alguns títulos, consegue se manter firme no mercado e parece não estar sofrendo pressões, temos a história criada por Hazuki Takeoka, um cara que se deu bem na vida logo de cara, acertando em cheio em sua primeira obra. Também possui a peculiaridade de ter a arte feita por uma artista coreana, mas esse é o tipo de informação que só é relevante pra quando alguma editora brasileira quiser licenciar o título.

Como uma clara resposta ao show que foi tema do último ‘primeiras impressões’, essa vingança nos traz um estilo de narrativa, que além de conseguir te prender completamente e logo de início apenas com ela mesma, também se esforça para possuir um elenco de personagens interessantes o bastante para serem levados em conta.
Cheguei a comentar sobre como existem obras que funcionam apenas por seus personagens e não possuem história alguma (Urara Meirochou, New Game!, etc.), e sobre obras que poderiam ter seus protagonistas trocados por portas que a história se sustentaria sozinha. Mas creio nunca ter falado dos outros casos. Masamune-kun nos traz um show onde não se tem nenhum dos dois pontos extremamente aguçados, mas que conseguiu encontrar um perfeito equilíbrio entre atores e roteiro, que elevou o nível da animação como um todo. Falemos sobre uma coisa de cada vez.

Como já é de praxe em obras orientais, o nome nos entrega uma (as vezes nem tão) pequena sinopse: Estamos vendo a vingança de Masamune-kun. Só a premissa de que um garoto mudou completamente de vida e se tornou alguém mais saudável e contente consigo mesmo, pode parecer estranha quando analisada de forma isolada, mas ao descobrirmos que tudo isso só ocorreu pois o menino estava sendo abastecido pelas chamas do ódio pelo bullying que sofria quando criança, já te traz perfeitamente qual vai ser o clima da obra como um todo. Ver qual será o próximo passo no plano diabolicamente planejado pelo protagonista, e principalmente, como ele irá executar essa tarefa, não é, admito, a coisa mais excitante ou inovadora do mundo, mas é, pelo menos, alguma coisa. Existe algo que possa gerar uma ansiedade no espectador, e histórias envolventes são justamente aquelas que te fazem ansiar por mais. Temos, assim, um roteiro que é efetivo o bastante.

Eu quando ele não amostra.
Eu quando ele não amostra.

O outro nó está em quem pratica essas ações. O protagonista que dá nome ao show, Masamune-kun, é um dos personagens mais bem construídos, carismáticos e relacionáveis que eu já vi. Não gostar dele é algo que beira ao impossível (e claro que, como eu falei isso, aparecerão um milhão de pessoas dizendo que o odiaram). O arquétipo que Masamune-kun representa no “presente” é justamente o protagonista estereotipado super popular e que parece ter tudo sempre a seu favor. O que o torna tão… ‘realista’ (com toda a liberdade poética para uso da palavra) é o seu ‘eu interior’, que ainda está intimamente ligado com o Masamune-kun do “passado”. Personagens que ‘fogem ao comum’ em animes são normalmente os mais convincentes. Sua infância quase que confundível com uma história ouvida no Domingo Legal, traz para nosso herói uma credibilidade quanto a sua ‘humanidade’, e faz sua mente ser mais próxima de uma pessoa real do que de uma ‘pessoa de anime’. Quando sua vida muda para o que seria mais ‘animêstico‘, ele esboça reações que eu mesmo me pego dizendo em voz alta enquanto assisto algo. O personagem é uma façanha incrível de criar uma identificação com a platéia sem precisar quebrar a quarta parede.

Os outros personagens, apesar de muito mais superficiais no quesito técnico, ainda são interessantes o bastante para que possam ser lembrados daqui há algum tempo. Isso faz com que haja um elenco que cumpre sua função.

Vai dizer que dá pra esquecer de um elenco desse nível?
Vai dizer que dá pra esquecer de um elenco desse nível?

Quando juntamos estes dois pontos discutidos acima, o resultado esperado é conseguirmos uma comédia ciente de si mesma e que consegue gerar situações cômicas tanto a partir do óbvio como do inesperado. E o show é justamente isso: uma mistura do óbvio com o inesperado. O rumo muda bruscamente entre esses dois ganchos, e o baque que essa alteração causa é um dos maiores responsáveis pelo efeito humorístico da série. É o terceiro princípio da comédia em ação. A sensação de nunca saber quando ou onde virá uma punchline é tão intensa que chega a ser pavorosa. É um tipo de comédia que, por trabalhar com extremos em sincronia, poderia ser comparada a de Sakamoto Desu Ga?, por exemplo. Ah, que saudades do meu garoto Sakamoto…

A produção técnica do show está de parabéns, aliás. Uma ótima animação do estúdio Silverlink. (Baka to Test, Strike the Blood), que mesmo não contando com cenas agitadas ou rápidas, consegue entregar uma fluidez de movimento impressionante; Personagens com designs bonitos, bem trabalhados, que garantem uma individualidade e que conseguem isso tudo sem soar absurdos são, com certeza, um ponto forte da obra, cortesia de Yuki Sawairi (que vejam só, é um estreante nesse papel!); uma seleção de músicas que amplificam de uma forma exorbitante (quase tanto quando a palavra ‘exorbitante’) a comicidade e até mesmo a seriedade dos momentos-chave da trama, uma excelente apresentação de Toshiki Kameyama (Sayonara Zetsubou Sensei, Baka to Test)… Isso sem contar o ótimo elenco de dubladores, escolha de abertura e encerramento, trabalho da diretora Mirai Minato (que trabalhou em ‘Fate/kaleid liner Prisma☆Illya’, mas que não consegui confirmar de jeito nenhum se é mesmo uma mulher) e muitas outras coisas que eu não consigo me lembrar agora. Desculpa, mas eu normalmente lembro só das coisas ruins, e Masamune-kun no Revenge não trouxe nada de ruim para a mesa até agora.

Eu procurando quem pediu a sua opinião.
Eu procurando quem pediu a sua opinião.

Ok, talvez eu pudesse reclamar do fato da mãe do protagonista ser uma criança, e que seu melhor amigo é claramente uma garota que foi desenhado como uma garota e dublado por uma garota, mas que decidiram dizer que é homem. Mas são o tipo de “erros” que só agregam ao fator inesperado que faz tão bem ao anime.

Com um começo explosivo (no caso, comigo explodindo de rir) e tendo o céu como limite para seu futuro, Masamune-kun no Revenge tem uma nota inicial de 9/10, e pode servir até de porta de entrada para várias coisas: como para alguém que não vê animes por achar seus personagens muito distantes de si; como para uma mudança de hábitos e quem sabe começar uma dieta; ou para o começo do fim das suas piadinhas ofensivas para com os coleguinhas, para que ele não tente se vingar de você no futuro.

O anime está disponível legalmente no serviço de streaming Crunchyroll, com novos episódios sendo lançados sempre nas quintas-feiras.

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Crítica | Logan

Sintetizando tudo o que Hugh Jackman tem falado do filme: “Não é sobre o herói Wolverine, mas sobre o homem Logan.” Isso define muito bem a despedida do ator como Wolverine, um desfecho violento e espetacular.

James Mangold parecia estar se preparando para fazer um filme como este. A violência que a selvageria das histórias do Wolverine requisitavam finalmente estão na tela. Braços decepados, cabeças caindo e garras sangrando dão vida própria à Logan. Parecia ser o que faltava para deixar os próprios atores, roteiristas e diretor confortáveis para tomarem decisões e fazerem um ótimo trabalho.

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Wolverine, Laura (X-23) e Charles Xavier são os personagens centrais da trama. Começando por Hugh Jackman… finalmente. Para se dizer a verdade, Hugh Jackman nunca foi o verdadeiro problema em seus filmes anteriores, mas algo faltava. Enfim, depois de 17 anos no papel, ele consegue aprofundar ainda mais seu personagem e entregar o Logan/Wolverine definitivo das telonas, mais agressivo e humano.

Dafne Keen é a carinha mais promissora do futuro universo X-Men. Além de se encaixar perfeitamente no papel, Keen tem uma ótima química com os outros atores, principalmente Patrick Stewart. Se Jackman entregou o Wolverine definitivo, Stewart constrói o Professor Xavier definitivo com muita dramaticidade e competência.

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Em relação aos outros personagens, Caliban (Stephen Merchant) andou meio apagado nos trailers e, apesar de sua importância na história, não impressiona muito. Porém, algo que que se destaca é o grupo dos Carniceiros, liderados por Donald Pierce (Boyd Holbrook). No momento em que todos os blockbuster’s e filmes de heróis colocam vilões grandiosos capazes de destruírem o país e o planeta, os Carniceiros só têm o objetivo de finalizarem sua missão e irem para casa. Talvez a simplicidade seja o segredo de uma boa história.

As músicas Hurt (Johnny Cash) e Way Down We Go (Kaleo) escolhidas para os trailers foram essenciais para Logan receber uma alta receptividade do público. Entretanto, no filme, as trilhas são apagadas, sem nenhum ápice. Já nas partes técnicas de fotografia e maquiagem, o filme é brilhante em tratar seus personagens e cenários como uma obra-prima.

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Desde X-Men: O Filme (2000), Logan foi construído como um personagem solitário, violento e sem sentimentos. Mangold traz todo o discurso de volta e coloca o personagem em debates sobre o que é fazer parte de um grupo de pessoas que se amam? E tudo orquestrado por diálogos inteligentíssimos do Professor Xavier e de Logan. Não é sobre ser um bom herói e salvar o mundo, mas ser um bom homem e proteger o que é seu.

Mangold e Jackman se reúnem pela última vez para trazer Logan ao público. Este que além de ser a obra definitiva do Wolverine, é um dos melhores filmes de super-heróis já feitos. Sangue, suor, coragem e lágrimas compõem Logan. Uma excelente despedida do ator Hugh Jackman, que há 17 anos honra seu personagem.

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Discworld | Direitos Iguais Rituais Iguais

Sinopse: ”À procura do oitavo filho de um oitavo filho para sucedê-lo, o mago Drum Billet encontra, momentos antes de morrer, um recém-nascido na casa de um aldeão. A sina parece estar certa – só que o bebê é uma menina. Assim a garota Esk começa sua complicada aventura de juntar a magia da natureza – a força da Terra que mulheres trazem em si – com as forças cósmicas que os grandes magos invocam…

Para ajudá-la, entra em cena a Vovó Cera do Tempo, uma bruxa cheia de feitiços e de poderes “animais”, que tenta driblar os preconceitos e levar a menina à Universidade Invisível – onde, por tradição, só estudam rapazes.

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Discworld é uma saga de livros escrita pelo inglês Terry Prachett (1948-2015), tendo mais de quarenta volumes dentre eles Direitos Iguais Rituais Iguais. Misturando humor, magia, jornadas cavalheirescas e até mesmo elementos de física quântica, paródias seja ela quanta a sociedade ou religião, Terry nos proporciona momentos de entretenimento e sutileza que imerge o leitor em suas histórias.

Apesar da imensa quantidade de livros, eles podem ser lidos de maneira avulsa que podem ser lidos em uma tarde. Não existe uma ordem que interferia no entendimento das histórias e isso é maravilhoso, contudo, claro, existe agrupamentos de histórias. Escolhi falar sobre ‘’o ciclo das bruxas’’ por sentir curiosidade de conhecer os feiticeiros e bruxas do Pratchett.

No ‘’primeiro volume’’, publicado em 1987, Equal Rites (Direitos Iguais Rituais iguais, traduzido assim pelo trocadilho de Rites com Rights) Terry nos apresenta uma das memoráveis personagens de seu mundo: Vovó Cera do Tempo (em ‘Lordes e Damas’ a Bertrand deixou o nome em inglês Weatherwax, provavelmente por medo dos leitores terem nojinho) uma bruxa que vive em Cabra da Peste perto das Montanhas Ramtop que ficam em cima de uma crosta terrestre apoiada por 4 elefantes em cima de uma tartaruga gigante, A’Tuin, que vagueia o espaço sustentando a ‘’imensa roda do Discworld’’(é isso mesmo que você acabou de ler).

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Eskarina e Simon

A protagonista, diga-se de passagem porque para mim a Vovó rouba a cena, é a Eskarina, a oitava filha de um oitavo filho (isso te lembra algum livro certo?) escolhida para ser uma maga, porém, não existe magAs somente magOs, mulheres podem ser bruxas. O enredo gira em torno do questionamento: Por quê mulheres não podem ser magas?

O que mais me surpreendeu no livro foi como ele inspirou outros autores: vide Vovó Cera do Tempo que tem o poder de olhar lugares por meio de animais o que lembra os wargs em As Crônicas de Gelo e Fogo, ou as criaturas da outra dimensão que sugam a força da pessoa o que lembra bastante os dementadores em Harry Potter e claro a Universidade Invisível onde os alunos estudam a história da magia e outras matérias, uma ”Hogwarts” por assim dizer.

Vovó Cera do Tempo tenta convencer Eskarina de que ela pode ser bruxa mas não maga, mas a magia ou se preferir o destino, é inevitável e Eskarina ”exala” poderes de magos levando-as para uma jornada até a Universidade Invisível e conhecer personagens como o mago Treatle e seu pupilo Simon. Anões, orangotangos, ciganos, lobos famintos, corvos, vassouras de péssimo motor, são alguns elementos que tornam a história mais divertida.

Não diria que é a melhor história do autor, mas é genial e criativo. Infelizmente o livro está fora do mercado então precisa-se recorrer à pdf’s, o único volume disponível do ciclo das bruxas são ‘Lordes e Damas’ e Pequenos Homens Livres + Um Chapéu Cheio de Céu, esses dois últimos deixarei para falar mais tarde. A Bertrand Brasil, que publica os livros do Terry no Brasil, anunciou mais um livro esse ano do ‘ciclo das sentinelas’ (Watch Novels) ‘Guardas! Guardas!’

Tenham uma ótima leitura. A próxima resenha de Discworld será Estranhas Irmãs ”continuação” de Direitos Iguais e Rituais iguais.

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Oscar 2017 | Lista dos vencedores da noite

Aconteceu na madrugada desta segunda a 89.ª cerimônia do Oscar, apresentada por Jimmy Kimmel. Confira nessa matéria os vencedores da grande noite;

Melhor Filme

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Diretor

Denis Villeneuve – A Chegada
Mel Gibson – Até o Último Homem
Damien Chazelle – La La Land: Cantando Estações
Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar
Barry Jenkins – Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Atriz

Isabelle Huppert – Elle
Ruth Negga – Loving
Natalie Portman – Jackie
Emma Stone – La La Land: Cantando Estações
Meryl Streep – Florence: Quem é Essa Mulher?

Melhor Ator

Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar
Andrew Garfield – Até o Último Homem
Ryan Gosling – La La Land: Cantando Estações
Viggo Mortensen – Capitão Fantástico
Denzel Washington – Um Limite Entre Nós

Melhor Ator Coadjuvante

Mahershala Ali – Moonlight: Sob a Luz do Luar
Jeff Bridges – A Qualquer Custo
Lucas Hedges – Manchester à Beira-Mar
Dev Patel – Lion: Uma Jornada para Casa
Michael Shannon – Animais Noturnos

Melhor Atriz Coadjuvante

Viola Davis – Um Limite Entre Nós
Naomie Haris – Moonlight: Sob a Luz do Luar
Nicole Kidman – Lion: Uma Jornada para Casa
Octavia Spencer – Estrelas Além do Tempo
Michelle Williams – Manchester à Beira-Mar

Melhor Roteiro Original

Taylor Sheridan – A Qualquer Custo
Damien Chazelle – La La Land: Cantando Estações
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou – The Lobster
Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar
Mike Mills – 20th Century Women

Melhor Roteiro Adaptado

Eric Heisserer – A Chegada
August Wilson – Um Limite Entre Nós
Allison Schroeder e Theodore Melfi – Estrelas Além do Tempo
Luke Davis – Lion: Uma Jornada para Casa
Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney – Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor  Animação

Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
Minha Vida de Abobrinha
A Tartaruga Vermelha
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

Melhor Documentário em Curta-Metragem

Extremis
4.1 Miles
Joe’s Violin
Watani: My Homeland
Os Capacetes Brancos

Melhor Documentário em Longa-Metragem

Fogo no Mar
Eu Não Sou Seu Negro
Life, Animated
O.J.: Made in America
13ª Emenda

Melhor Longa Estrangeiro

Terra de Minas (Dinamarca)
A Man Called Ove (Suécia)
O Apartamento (Irã)
Tanna (Austrália)
Toni Erdmann (Alemanha)

Melhor Curta-Metragem

Ennemis Intérieurs
La Femme et le TGV
Silent Nights
Sing
Timecode

Melhor Curta em Animação

Blind Vaysha
Borrewed Time
Pear Cider and Cigarettes
Pearl
Piper

Melhor Canção Original

“Audition (The Fools Who Dream)” | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul – La La Land: Cantando Estações
“Can’t Stop the Feeling” | Música e canção de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster – Trolls
“City of Stars” | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul – La La Land: Cantando Estações
“The Empty Chair” | Música e canção de J. Ralph e Sting – Jim: The James Foley Story
“How Far I’ll Go” | Música e canção de Lin-Manuel Miranda – Moana: Um Mar de Aventuras

Melhor Fotografia

Bradford Young – A Chegada
Linus Sandgren – La La Land: Cantando Estações
Greig Fraser – Lion: Uma Jornada para Casa
James Laxton – Moonlight: Sob a Luz do Luar
Rodrigo Prieto – Silêncio

Melhor Figurino

Joanna Johnston – Aliados
Colleen Atwood – Animais Fantásticos e Onde Habitam
Consolata Boyle – Florence: Quem é Essa Mulher?
Madeline Fontaine – Jackie
Mary Zophres – La La Land: Cantando Estações

Melhor Maquiagem e Cabelo

Eva Von Bahr e Love Larson – A Man Called Ove
Joel Harlow e Richard Alonzo – Star Trek: Sem Fronteiras
Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson – Esquadrão Suicida

Melhor Mixagem de Som

Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye – A Chegada
Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mckenzie e Peter Grace – Até o Último Homem
Andy Nelson, Ai-Ling Lee e Steve A. Morrow – La La Land: Cantando Estações
David Parker, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson – Rogue One: Uma História Star Wars
Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth – 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

Melhor Edição de Som

Sylvain Bellemare – A Chegada
Wylie Stateman e Renée Tondelli – Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
Robert Mackenzie e Andy Wright – Até o Último Homem
Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan – La La Land: Cantando Estações
Alan Robert Murray e Bub Asman – Sully: O Herói do Rio Hudson

Melhores Efeitos Visuais

Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton – Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould – Doutor Estranho
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon – Mogli: O Menino Lobo
Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff – Kubo e as Cordas Mágicas
John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould – Rogue One: Uma História Star Wars

Melhor Design de Produção

Patrice Vermette (design de produção) e Paul Hotte (decoração de set) – A Chegada
Stuart Craig (design de produção) e Anna Pinnock (decoração de set) – Animais Fantásticos e Onde Habitam
Jess Gonchor (design de produção) e Nancy Haigh (decoração de set) – Ave, César!
David Wasco (design de produção) e Sandy Reynolds-Wasco (decoração de set) – La La Land: Cantando Estações
Guy Hendrix Dyas (design de produção) e Gene Serdena (decoração de set) – Passageiros

Melhor Edição

Joe Walker – A Chegada
John Gilbert – Até o Último Homem
Jake Roberts – A Qualquer Custo
Tom Cross – La La Land: Cantando Estações
Nat Sanders e Joi McMillon – Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Trilha Sonora

Mica Levi – Jackie
Justin Hurwitz – La La Land: Cantando Estações
Dustin O’Halloran e Hauschka – Lion: Uma Jornada para Casa
Nicholas Britell – Moonlight: Sob a Luz do Luar
Thomas Newman – Passageiros

Agora é aguardar pela premiação e os filmes de 2018. Até lá…

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Os MELHORES FILMES do Oscar 2017

Chegamos em fevereiro, o mês da maior premiação do cinema conhecido como o Oscar. A 89.ª cerimônia acontecerá em 26 de fevereiro e será apresentada pelo comediante e apresentador Jimmy Kimmel, que comanda o late-night Jimmy Kimmel Live!.

A estatueta será distribuída em 24 indicações, sendo que quatro delas: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Atriz são as mais esperadas e cobiçadas da noite. Há uma fragmentação nos indicados, os filmes divergem muito nas propostas e em seus respectivos gêneros. Temos desde um drama familiar até uma ficção explorando nossa comunicação e nosso jeito de lidar com diferenças. E se em 2016 o Oscar foi condenado a sofrer severas críticas pela a falta de diversidade, 2017 parece suprir esta falta.

Próximo a premiação, a Torre de Vigilância decidiu fazer uma matéria falando um pouco sobre os filmes indicados a principal categoria: Melhor Filme. Há muitas obras que merecem ser vistas. Confira;

A Chegada

A primeira ficção do canadense Dennis Villeneuve conseguiu uma indicação para MELHOR FILME no Oscar 2017. Principalmente devido a qualidade cinematográfica  que o projeto estava envolvido. A fotografia, a palheta de cores e a trilha sonora carregam um ar de suspense e melancolia no filme inteiro, desde o primeira contato com os extraterrestres até o último.

A Chegada foca no discurso de entender, compreender e aceitar nossas diferenças. Aprender a deixá-las de lado e nos comunicar como um só ser. Além de conseguir explorar e fundamentar uma comunicação com os extraterrestres, já explorada em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977). Villeneuve continua fazendo bons filmes e já é considerado como um dos melhores cineastas atuais. Em relação ao Oscar, A Chegada deve ficar apenas na lista de indicados, sem grandes prêmios na noite.

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Moonlight: Sob a Luz do Luar

Moonlight, do diretor Barry Jenkins, foca na história do garoto Black com uma narrativa crua e real. Jenkins não se preocupa em colocar trilhas sonoras sentimentais ou uma dramaticidade desacerbada. A real preocupação é com os personagens e suas respectivas construções. Temas como preconceito, desigualdade, criminalidade e homossexualidade são conectados ao protagonista. Assim fazendo uma história intrigante ao nos apresentar a complexidade da situação de algumas pessoas que merecem nossa atenção.

Um dos favoritos na categoria de Melhor Filme e Melhor Diretor.

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Um Limite Entre Nós

A dupla formada por Viola Davis e Denzel Washigton provam o porquê de serem um dos atores mais cobiçados em Hollywood. Ambos veteranos, demonstram experiência e química em tela. Quase levam o filme todo nas costas, tendo mais de duas horas de cenas juntos em um único ambiente. Denzel também está responsável pela direção e desenvolve uma história familiar e paterna em um único cenário: a casa da família, o centro principal da vida de muitas pessoas. Onde mulheres e homens se tornam independentes e descobrem seu lugar no mundo.

Um Limite Entre Nós é outro longa que faz um discurso sobre desigualdade, falta de oportunidade, trabalho e dificuldades. No final, deixa uma mensagem para você assumir suas responsabilidades diante dos seus amigos e sua família, mesmo que a situação esteja desfavorável.

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Estrelas Além do Tempo

Um das surpresas mais agradáveis do Oscar. Não se esperava muito de Estrelas Além do Tempo, que provavelmente faria o mesmo discurso do que vários outros de Hollywood. Porém, a atuação das atrizes Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe são de tirar o chapéu por representaram tão bem a vida real de três mulheres que batalharam para conseguirem o que queriam e lutarem para não se tornarem ultrapassadas.

Estrelas Além do Tempo foca na história da física Katherine Janson, mas está fragmentado em mais duas histórias que se cruzam em alguns momentos. A ambientação da década de 70 e 80 nos carros, nas vestimentas e nos conceitos sociais são fielmente adaptados por Theodore Melfi.

Levou poucas  indicações e não deve levar nenhuma estatueta pra casa, mas é uma obra que merece ser vista e reconhecida pelo público.

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A Qualquer Custo

Um dos indicados mais elogiados pela crítica, A Qualquer Custo é um faroeste dirigido por David Mackenzie que demonstra sabedoria para se fazer um faroeste. Chris Pine e Jeff Bridges protagonizam uma narrativa inversa à muitas outras. Enquanto algumas são sobre a vingança de personagens e as consequência desta, A Qualquer Custo apresenta o nascimento do sentimento da vingança que nunca terá seu desfecho mostrado nas telas.

Mackenzie cria várias camadas para se construir uma trama de perseguição e impressiona o público ao fazê-la. Funciona quando se sai da zona de conforto dos outros e inova na construção do seu próprio enredo.

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Até o Último Homem

Se não é um dos favoritos ao Oscar 2017, certamente é um dos favoritos do público. Mel Gibson retorna ao gênero de ação e guerra para trazer a história do médico Desmond T. Doss com muita brutalidade, sangue e a violência exagerada que esteve presente na Segunda Guerra Mundial. Gibson dá um tom muito próprio ao filme na hora de abordar a guerra e a chacina como coisas naturais e pode-se dizer, essenciais naquela época.

Fora Gibson, Andrew Garfield brilha ao interpretar Doss. Ele consegue passar bastante da frustração, da insegurança e da determinação que Doss tinha quando conseguiu salvar mais de 75 homens na Batalha  de Okinawa. Doss era religioso e não aceitava empunhar uma arma ou matar alguém, se tornando socorrista e tendo que lidar com os problemas no território inimigo.

Gibson entrega um filme de guerra que deveria ser visto por todos os cineastas modernos para verem a necessidade de manter a identidade do gênero.

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La La Land: Cantando Estações

O favorito ao oscar 2016, La La Land é o musical de Damien Chazelle que dá brilhos aos olhos e encanta o coração ao assisti-lo. Não é a toa que o musical está faturando tantos prêmios. O glamour de hollywood junto da elegância do jazz traz prazer ao espectador por estar assistindo ao romântico espetáculo protagonizado por Ryan Gosling e Emma Stone.

Gosling e Stone são um dos favoritos em suas próprias indicações e devem levar a estatueta pra casa. Principalmente Emma Stone, que deu vida ao papel de Mia e faz um trabalho emocionante.

Para saber mais sobre La La Land, clique aqui e confira a nossa crítica.

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Manchester À Beira-Mar

Manchester À Beira-Mar é um dos melhores dramas psicológicos da década. Alguns consideram o desenvolvimento lento, tornando o filme cansativo e arrastado. Só que para quem tem filhos e irmãos, Manchester pode se conectar com esse tipo de público, se tornando uma obra-prima.

Manchester não é inovadora ou esteticamente excelente, mas traz personagens e atores tão bons em suas interpretações. Estes fazem você chorar apenas pelos diálogos duros, repletos de lágrimas e arrependimentos. Casey Affleck (pode roubar o Oscar de Gosling) quase não se expressa no personagem, é o homem difícil de se entrosar e de se relacionar, mas que sempre arruma confusão. Um personagem confuso e melancólico, sendo um dos melhores trabalhos de Affleck. Os flashback’s no meio da película ajudam na construção do personagem para você entender seus conflitos pessoais.

Dirigido por Kenneth Lonergan, junto de La La Land e Moonlight, Manchester entra na briga para ver quem consegue levar o maior prêmio do cinema americano.

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Lion: Uma Jornada Para Casa

Lion é profundo e emocionante. Contando uma história real sobre a jornada de um jovem garoto chamado Saroo, Lion tem um discurso profundo sobre abandono e reconhecimento de si próprio. É um filme simples com ótimos atores (inclusive Nicole Kidman, que ganhou uma indicação para Melhor Atriz Coadjuvante) e um roteiro bem adaptado à verdadeira história. Porém, é o mais “esquecível” dos indicados por não ter grandes pretensões como os seus outros concorrentes…

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Então agora é só se preparar para a noite que promete ser especial. O Oscar 2017 será transmitido pela TNT às 20h30.

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Detective Comics Quadrinhos

Trolls de Troy: Histórias Trolladas

Spin-off do grande sucesso dos quadrinhos franco-belgas Lanfeust de Troy, Trolls de Troy chegou ao Brasil em 2016 pela Jupati Books, selo de quadrinhos da Marsupial Editora, dando continuidade às publicações deste universo tão rico e fantástico. Situado num período anterior ao da série principal e utilizando novos personagens, as boas características típicas desta franquia são mantidas e muito humor é adicionado, criando uma história verdadeiramente divertida e, no mínimo, inusitada.


Troy é um mundo fascinante, onde a magia faz parte do cotidiano de todos. Neste universo, todas as pessoas possuem um tipo de poder, de grande ou baixa utilidade. Os poderes variam muito, desde transformar água em gelo até o poder de gerar coceiras, e todos são mantidos localmente através das vilas graças ao poder dos magos anciãos, Sábios de Eckmul, que possibilitam que as pessoas utilizem seus dons mágicos através da canalização das energias.

Contudo, esta não é a história de Lanfeust, o herói da série Lanfeust de Troy. E na realidade, todo o parágrafo acima nem faz tanta diferença quando o assunto é Trolls de Troy, a aventura focada em Tetram, um troll da vila de Phalompa, e sua filha humana adotiva, Waha. Vivendo “pacificamente” na floresta, esta vila de trolls criava muitos problemas para a cidade de Klostope, habitada por humanos. Graças às reclamaçaões, são mandados Caçadores de Trolls ao vilarejo de Tetram, em nome do grande sábio humano Rysta Fucatu, responsável pela Grande Guerra de Extermínio dos Trolls. Lá, diversos trolls são assassinados e metade deles são levados como prisioneiros, enfeitiçados, para serem vendidos como escravos. Tetram e sua filha sobrevivem, e motivados a quebrarem o encantamento que prende seus semelhantes, vão atrás de ingredientes que serão usados para desenfeitiçá-los: uma mecha do cabelo de Rysta Fucatu, e o fogo de um vulcão. Coisa simples.

Trolls de Troy adiciona muito ao já rico universo “de Troy“. Enquanto a aventura da série principal se assemelha a uma partida de RPG de fantasia medieval, esta série envereda para o lado do humor, focando nestas criaturas tão estranhas (e temidas) da franquia, porém sem perder o charme da já citada Lanfeust de Troy. O destaque desta nova aventura são os protagonistas. Enquanto em “Lanfeust” o único troll a aparecer é o companheiro enfeitiçado do grupo, aqui a variedade de trolls é muito maior, e todos possuem características diferentes, físicas ou intelectuais. Ao situar a história no ponto de vista destes “monstros”, a percepção dos leitores com relação a eles acaba mudando. Especialmente quando a impressão é de que os humanos são os vilões.

O roteiro também fica a cargo de Christophe Arleston, criador da série, então todos os elementos centrais da mitologia são respeitados, explorados e expandidos da primeira à última página. Enquanto na história principal existe um sentido de coesão, aqui o escritor se dá ao luxo de surtar muito mais, brincando das mais variadas formas com todo tipo de situação nonsense imaginável, criando resoluções mais loucas possíveis para todo tipo de problema. Ao lidar com o choque cultural de uma humana ter sido criada no meio dos trolls, surgem as diversas piadas estilo peixe fora d’água, e somado a isso, outros personagens como o meio-troll Prophi e outra garota humana surgem no decorrer das páginas, encorpando a aventura.

A arte de Jean-Louis Mourier é bela, bem detalhada, porém simples e não muito expressiva, algo que se opõe ao estilo de Didier Tarquin, o co-criador da primeira série desta franquia, artista de Lanfeust. As cores de Claude Guth deixam os quadros com um aspecto de pintura, combinando com o tipo de história contada e também com o estilo de desenho de Mourier, e há todo um cuidado em demonstrar que esta aventura realmente se passa dois séculos antes do que os leitores presenciaram na outra série. As cidades possuem detalhes diferentes, parecendo menores e com aspecto de expansão, e até mesmo a fauna e flora parecem um pouco diferentes. Mas é claro que os grandes puntauros ainda existem.

Além do convívio em sociedade e dos maneirismos dos trolls, este trio de autores responsável por estas aventuras também explora (mesmo que de uma forma galhofa) o pensamento dos trolls, como sonhos (ou pesadelos), ideais de vida e tratamentos de respeito, afeição ou ódio. Tetram ter adotado uma humana (que age como uma troll o tempo todo) demonstra um lado completamente inesperado deste terríveis monstros. Mesmo que a motivação para a adoção seja bem peculiar

A forma como a editora Marsupial vem tratando a franquia mantém-se neste álbum, compilando duas aventuras originais de cerca de 45 páginas cada em um único volume, tornando a leitura muito mais proveitosa. Esta série é bem mais extensa que todas as outras, já que atualmente são 22 volumes publicados no exterior. Seguindo o formato brasileiro, em 11 volumes alcançaremos os franceses. Não é tão difícil…

Para todos que gostaram de Lanfeust, ou para quem busca uma aventura verdadeiramente divertida situada num universo rico e bem explorado por seus criadores, Trolls de Troy é uma ótima pedida. Um dos quadrinhos-destaque de 2016, toda a franquia merece o ótimo tratamento que vem recebendo no Brasil através do selo Jupati Books, sem cometer deslizes editorais, e com um ótimo acabamento gráfico. E segue viva a expectativa de que a editora publique outros materiais relacionados.

Trolls de Troy – Volume 1: Histórias Trolladas possui 96 páginas encadernadas em capa cartão e valor de capa sugerido de R$ 42,00Compre ou um troll malvado irá devorar você e toda sua família.