Criada em 1956, a Batwoman já é uma velha conhecida da DC Comics, porém, nunca foi uma personagem notável até ser reformulada. Só em 2006, com uma reformulação completa de personalidade, aparência e background é que a personagem começou a ganhar seu lugar ao sol na editora das lendas.
A única coisa que restou da Batwoman original foi o nome civil, e ainda assim, há uma diferença sutil. Originalmente, Kathy Kane era a identidade civil da mulher morcego. A nova Batwoman se chama Kate Kane, e a semelhança entre as duas versões acaba aí. Uma curiosidade do sobrenome Kane é o fato de ser uma homenagem a Bob Kane, um dos criadores do Batman.
Kate Kane é criação de Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Ken Lashley. Introduzida na série 52 na edição #7, a personagem foi lentamente ganhando espaço junto a Renee Montoya, a Questão. Mais tarde, Kate ganhou bastante destaque na Detective Comics com os arcos Elegia e Origem de Greg Rucka e J. H. Williams III.
Em 2011, Kate ganhou o seu primeiro título mensal sob o selo dos Novos 52 e durou 40 edições até ser cancelado devido a troca na equipe criativa após a edição #24, que resultou num baixo desempenho do título.
Atualmente, a personagem ganhou uma nova oportunidade com o Renascimento da DC. Primeiro na Detective Comics, e, agora, com um novo título mensal com o roteiro de Marguerite Bennett e arte de Steve Epting.
Um dos fatores que consolidou Kate Kane na DC, e também em toda indústria dos quadrinhos, é o fato dela ser lésbica. Hoje, apenas 11 anos desde a sua primeira aparição, a personagem é um dos maiores símbolos de representação LGBT nos quadrinhos, com histórias bem elogiadas pela critica e pelo público.
Por se tratar de uma personagem relativamente nova, a Batwoman não tem muitas histórias em seu currículo. Mas chega de enrolação. Vamos ao Guia:
por Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Keith Giffen e Ken Lashleypor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Keith Giffen e Shawn Mollpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Keith Giffen, Joe Bennett e Todd Nauckpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Drew Johnsonpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Keith Giffenpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Tom Denerick e Joe Pradopor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Joe Bennettpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Jamal Iglepor Greg Rucka, Matthew Clark e Steve Lieberpor Grant Morrison, J. G. Jones e Doug Mahnkepor Greg Rucka, Philip Tan e Jonathan Glapionpor Tony S. Danielpor Greg Rucka e J. H. Williams IIIpor Greg Rucka e J. H. Williams IIIpor Greg Rucka e Jock(2010) por Greg Rucka e Jockpor Haden Blackman e J. H. Williams IIIpor Haden Blackman e J. H. Williams IIIpor Haden Blackman e J. H. Williams IIIpor Haden Blackman e J. H. Williams IIIpor Marc Andreykopor Marc Andreykopor James Tynion IV e Eddy Barrows
Extra
por Edmond Hamilton e Sheldon MoldoffMarguerite Bennett
Vale ressaltar que DC Bomshells não é um título só da Batwoman, mas sim de todas as heroínas da DC, e não faz parte da linha de quadrinhos principais da editora. A história se passa em um universo alternativo em que as heroínas são mais importantes que os heróis.
Finalizando com uma curiosidade: a identidade visual moderna da Batwoman foi criada por Alex Ross.
Sinopse: ”Nem depois de morto o rei Verence pode descansar. Mesmo como fantasma tem que continuar zelando pelo reino de Lancre, que foi tomado pelo duque Felmet e sua esposa. Com a ajuda de três irmãs, as bruxas Vovó Cera do Tempo, Tia Ogg e Margrete, esse rei fantasma precisa coroar o verdadeiro herdeiro, entregue a uma trupe mambembe de passagem pelos arredores no dia de sua morte. As estranhas irmãs precisarão de muitas artimanhas para localizar um ator nato que interpreta reis como ninguém…”
Terry Pratchett (1948-2015)
A obra ‘’Estranhas Irmãs’’ (Wyrd Sisters), escrita pelo autor inglês Terry Pratchett, publicada em 1988, é o segundo volume do ciclo das bruxas, integrando a saga de livros Discworld. Já comentamos sobre o primeiro volume do ciclo das bruxas, ‘’Direitos Iguais Rituais Iguais’’, você pode conferir aqui.
Temos o retorno da enigmática personagem Vovó Cera do tempo, bruxa famosa pelos recantos das Montanhas de Ramtops, agora acompanhada de Tia Ogg e Margrete, ambas também bruxas, formando o trio mágico (senão uma irmandade, agora entende o título, correto?) em nossa história. Falando em história, a imagem das três bruxas não é tão desconhecido para o leitor que conhece a famosa tragédia de Hamlet com as três bruxas. Se você discordou com algo na frase anterior, você está certíssimo, na verdade as três bruxas descritas por Shakespeare estão na peça Macbeth, não é por acaso que elas são chamadas de estranhas irmãs, o mesmo título da obra de Pratchett que inclusive foi traduzido como Macbest para o alemão.
Ainda retomando Shakespeare, o plano de fundo do enredo nos relembra (agora sim) a peça Hamlet com toques de O Senhor dos Anéis. O Rei Verence, sobreno de Lancre, acabou se ser assassinado pelo Duque, por sorte o herdeiro foi salvo e confinado a nada mais e nada menos que as três bruxas de Ramtops. O Duque assassino chama uma trupe teatral para interpretar uma peça com que faça que as bruxas sejam colocadas contra o povo, relembrando Hamlet. Misturando ‘’viagens no tempo’’, reviravoltas dignas de Deu a Louca na Chapeuzinho 1 (o 2 é bom, mas o 1 ainda é melhor) e claro bastante humor.
Da esquerda para direita: Tia Ogg, Vovó Cera do Tempo e Margrete.
Além disso, Pratchett não só faz uma história mirabolante para puro entretenimento, a mensagem do autor é forte se olharmos com outro viés, como a avareza, inveja e a busca de ter mais e mais dentro da política de Lancre faz com que o Duque assassine o rei. Este que acaba por virar um fantasma desenvolve várias discussões existencialistas que, claro, o autor se utiliza de bastante humor, juntamente com a imagem da Morte, personagem que aparece em praticamente (em todos?) os livros de Discworld.
De fato, com Estranhas Irmãs, o autor se usa para criticar bastante a sociedade inglesa, tanto social quanto no plano político. Outro exemplo bastante interessante é quanto a ‘’viagem no tempo’’ na história, na verdade, uma parada no tempo. O herdeiro de Lancre, possível candidato para a sucessão do trono ao fugir do Duque, só poderia assumir com 15 anos, então as bruxas decidem parar o tempo em Lancre, digno de uma maldição como em A Bela Adormecida durante 15 anos, o autor parodia as eleições na Inglaterra e seus sucessórios representantes. Margaret Thatcher, conhecida como Dama de Ferro do partido conservador, governou durante 10 anos (acredito que Margaret pode ter influenciado o nome da bruxa Margrete) e em seguida John Major, que durou 7 anos de mandato, totalizando 17 anos, coincidência?
Espero que tenham gostado dos comentários sobre o livro e lembre-se que não é necessário ler Direitos Iguais Rituais Iguais para lê-lo. Estranhas Irmãs é um livro concomitante com o atual cenário politico brasileiro, vale a pena a leitura, é um dos melhores livros do ciclo das bruxas e está entre os 10 melhores do Disworld, segundo a rede social de leitores Goodreads. O livro está esgotado, só pode ser encontrado em pdf ou sebos.
Na Mira da S.H.I.E.L.D é o primeiro arco do novo quadrinho da Viúva Negra. Acontece entre as edições 1-6 de Black Widow Vol.6. O roteiro é de Mark Waid e o desenho é de Chris Sanmee, a dupla dinâmica de Demolidor Vol.3 e Vol.4, que retorna em uma parceria para uma série da maior espiã do Universo Marvel.
Antes de tudo, é importante ressaltar a grande importância da arte nessa história, afinal, em histórias em quadrinhos, grande parte da narrativa não está só na escrita, mas na arte também. E aqui, o desenho de Chris Samnee, com a belíssima coloração de Matt Wilson, se faz mais importante do que os diálogos em alguns momentos, principalmente no que se refere à ação. As sequências de ação são fascinantes de se ver, e ao mesmo tempo dizem muito sobre a Viúva Negra.
A coloração de Wilson deixa todos os momentos ilustrados por Samnee bem coloridos e visíveis, o que torna tudo mais empolgante.
“Ela transforma uma queda de 10 metros em um balé.”
Luta simulando uma dança de balé com flashs do passado.
Agora, vamos à trama.
Natasha Romanoff, ex-assassina da KGB, ex-agente da S.H.I.E.L.D, e, eventualmente, uma Vingadora. Ela tentou espiar seus pecados passados, mas espiar não é apagar. Uma hora todo o seu passado sombrio começará a vir à tona.
Como o nome do arco sugere, a Viúva Negra está sendo perseguida pela S.H.I.E.L.D., e o motivo não é explicado logo na primeira edição, pois a história já começa com muita ação envolvendo combate corpo a corpo, saltos de prédios e paraquedas, e momentos de tensão. E tudo isso com poucos diálogos.
Viúva Negra #2
É um thriller de espionagem, e uma das características dessas histórias são os mistérios que envolvem algo maior do que é apresentado em um primeiro momento. Portanto, há algo por trás da perseguição da S.H.I.E.L.D, e isso está relacionado ao passado de Natasha.
A infância de Natasha na Rússia sendo treinada na Sala Vermelha para ser uma assassina profissional a leva de volta à sua Terra Natal para enfrentar fantasmas do passado. Junto a isso, há ainda a revelação dos segredos sombrios da Viúva Negra ao mundo, e a presença de um novo antagonista conhecido como Leão Choroso.
No final, tudo acaba bem na medida do possível, e ao mesmo tempo não acaba, pois os segredos de Natsha se tornaram públicos, e ainda ficaram pontas solta e um gancho para o que vem a seguir: as consequências de um passado sombrio.
Viúva Negra #6
Waid e Samnee conquistaram muitos fãs pela alta qualidade no título do Demolidor. A dupla não decepciona nesse primeiro arco da Viúva Negra.
O próximo arco abrange as edições 7-12 e conclui o título da Viúva.
Criado por John Wagner e Carlos Ezquerra no ano de 1977, o Juiz Dredd é o personagem mais famoso dos quadrinhos britânicos, publicado ininterruptamente na revista semanal inglesa 2000 AD. Desde 2013 o Bom Juiz encontrou uma casa no Brasil através da Mythos Editora, inicialmente com uma revista mensal e atualmente em encadernados capa dura e capa cartão. Este Guia tem como objetivo introduzir o personagem a novos leitores e estabelecer uma ordem correta de leitura para seus encadernados, contendo todas as informações básicas e intermediárias para um iniciante.
Confira abaixo o Guia sobre Juiz Dredd mais completo do Brasil!
Introdução ao universo
Em abril de 2031, foi aprovado o novo Sistema Judiciário dos EUA, com uma nova força policial que detinha o poder de prender, julgar e executar. O objetivo desse novo sistema de justiça era combater as gangues que assolavam a vasta conturbação metropolitana que se estendia de Washington até Nova York, e que futuramente se tornaria a maior cidade do mundo, Mega-City Um. Joseph Dredd e seu irmão, Rico Dredd, foram clonados do DNA do Juiz-Chefe Fargo, o primeiro Juiz-Chefe do mundo, em 2066.
No ano de 2070, o então presidente Robert L. Booth deu início à Terceira Guerra Mundial, que destruiu a maior parte do mundo. Algumas megalópoles sobreviveram, entre elas Mega-City Um, Mega-City Dois, Texas City, Brit City e poucas outras. Todo o restante do planeta tornou-se um grande deserto nuclear chamado Terra Maldita, e os resquícios da Guerra se estendem desde o surgimento de mutantes, vivendo neste deserto e alterados geneticamente graças a radiação – ou até mesmo pessoas com poderes psíquicos habitando as cidades – até a colonização do espaço por cidadãos que foram embora da Terra. O então presidente Booth foi julgado pelos Juízes de Fargo, sentenciado a criogenia, e os Juízes assumiram o poder da cidade, com o objetivo de conter os danos da Guerra, que incluíam o caos generalizado nas ruas, pânico, milhões de feridos e a necessidade de reconstrução de tantas vidas.
Mega-City Um: a população e os Juízes
A primeira aventura do Juiz Dredd publicada, ainda em 1977, se passa em 2099. Neste ano, os Juízes já estão estabelecidos como o principal poder das megacidades, e Dredd é o Juiz mais respeitado de todos. Mega-City Um possui uma população de 800 milhões de habitantes, sendo uma cidade futurista avançada tecnologicamente, onde as pessoas vivem em gigantescos blocos-condomínios, prédios onde muitos cidadãos nascem e morrem sem mesmo conhecer o mundo do lado de fora. Os números são impressionantes: há 87% de desemprego na cidade, e boa parte do trabalho é feita por robôs, sendo as pessoas desempregadas mantidas com um apoio mínimo do Estado. E do desemprego, nasce o crime. Todo cidadão é um criminoso potencial.
Os juízes passam por um rigoroso treinamento de 15 anos na Academia da Lei. As cidades possuem divisões muito exóticas, indo de áreas sexuais até becos suburbanos, passando por condos temáticos e espaços tecnológicos. Há todo tipo de coisa em Mega-City, e até mesmo alienígenas e seres dimensionais já existem no planeta Terra. Todos são rigorosamente patrulhados pelos juízes. A população da cidade variou com o passar dos anos: de 800 milhões de habitantes em Mega-City Um para 400 milhões durante a saga A Guerra do Apocalipse (publicada no Brasil pela Mythos Editora), onde a contraparte soviética de Mega-Leste Um deu início a uma guerra contra a cidade, e o Juiz Dredd impediu danos ainda mais catastróficos, tomando decisões cruciais para a sobrevivência. E os números flutuam com o passar dos anos conforme novos desastres ocorrem, como Necrópolis, Guerra Total, Dia do Caos (os dois últimos publicados pela Mythos), etc. Algo interessante a se ressaltar é que a medicina já evoluiu a ponto das pessoas conseguirem viver muito mais que o normal, e Dredd aparenta ter cerca de 50 anos graças ao uso de drogas de rejuvenescimento utilizadas pelo Departamento de Justiça. Contudo, os anos correm em tempo real neste universo. Atualmente, já passaram dos anos 2140.
Inimigos, equipamentos, coadjuvantes e gírias
Dredd possui uma galeria de vilões pequena, especialmente se comparada a dos heróis dos quadrinhos americanos. O motivo é simples: existem duas opções para quem enfrenta os juízes, a morte ou a prisão. Entre os vilões recorrentes alguns se sobressaem, como os Juízes Negros (seres de uma dimensão onde a vida é um crime), o Máquina Malvada (homem lobotomizado por sua família de mutantes, transformado numa máquina de matar), Stan Lee (um lutador de Kung Fu), Chopper (um pichador) e meia dúzia de malfeitores. Entre os itens que Dredd utiliza para julgar os criminosos estão seus equipamentos, destacando-se sua arma, a Legisladora (que dispara cerca de oito tiros diferentes) e as motos Magistradas. Seu capacete possui uma gama de acessórios que vão desde zoom ótico até máscaras de gás e microfones. E o Juiz Dredd nunca mostrou seu rosto, sendo pura e simplesmente um avatar da justiça.
O elenco de apoio das histórias do Dredd varia bastante com o passar dos anos, e alguns até mesmo ganharam suas próprias séries, como a Juíza Anderson. Além dela, existem personagens incríveis como o Juiz Giant, a Juíza Hershey, Guthrie, América e outros. Neste universo também destacam-se as gírias utilizadas pelos personagens, como “Drokk“, uma espécie de profanação, e “Stomm“, que tem significado parecido. “Dreus” é o equivalente a Deus (no original, “Grud“); o dinheiro é chamado de “Creds“, os criminosos de “Vagais“, os mutantes de “Mutunas“, os corpos de “Presuntos“. E caso queira conhecer um pouco mais do background da criação do personagem, confira este texto.
Ordem de leitura
Confira abaixo a ordem de leitura cronológica dos encadernados e especiais publicados oficialmente no Brasil pela Mythos Editora até o momento. Boa parte das sagas essenciais do personagem, como A Terra Maldita e O Juiz Criança permanecem inéditas no Brasil, porém boa parte dos acontecimentos sãosituados aos leitores com os textos presentes nas compilações. Não é tão difícil quanto aparenta. A ordem não é exata, pois algumas edições possuem histórias de outros momentos da cronologia, porém o mais sensato a se fazer é ler na sequência abaixo. Outros materiais foram lançados, por outras editoras, porém não são facilmente encontráveis, então foram limados desta lista. Sem mais delongas:
Outros selos
Dredd já teve histórias publicadas por editoras americanas como IDW, Dark Horse e DC Comics. A IDW licenciou o personagem (e outros da 2000 AD, como o Renegado) em 2013 e vem produzindo material para os americanos desde então, sendo que um deles chegou às bancas brasileiras em 2015 e outro em 2020. Pela Dark Horse, os crossovers com o Predador e com Aliens foram os dois lançamentos, que também receberam duas edições de luxo brasileiras lançadas pela Mythos. E na DC Comics, o personagem já se encontrou com o Batman (em quatro histórias) e com o Lobo. No Reino Unido, o Juiz já teve histórias lançadas em revistas de música, compiladas no encadernado Heavy Metal onde boa parte são ilustradas por Simon Bisley, e também não fazem parte da cronologia oficial da 2000 AD.
Curiosidades
O Juiz Dredd inspirou alguns personagens da cultura pop, como o RoboCop. Um dos concept arts do RoboCop, feito em 1987, possuía uma enorme semelhança com o Juiz, especialmente por conta do capacete;
O personagem teve dois filmes live-action, um em 1995 protagonizado por Sylvester Stallone, e outro (mais fiel) em 2012, onde Karl Urban deu vida ao Dredd. Entre as produções feitas por fãs estão o curta Judge Minty e a série Cursed Edge. Nas animações, foi produzida uma série fan film animada chamada Judge Dredd Superfiend. A Rebellion/2000 AD anunciou há alguns anos que uma série de TV de Mega-City Um está em desenvolvimento.
Com relação aos quadrinhos, diversos gigantes da indústria escreveram ou ilustraram histórias do Dredd. Garth Ennis, Grant Morrison, Mark Millar, Frank Quitely, Alan Grant, Brian Bolland, Simon Bisley, Liam Sharp, Frazer Irving e muitos outros já passaram pelas páginas do Juiz.
A banda de heavy metalAnthrax possui uma música dedicada ao Juiz, chamada “I Am The Law“.
Nos games, existem pelo menos três jogos famosos: Judge Dredd vs Death (PS2), Dredd vs. Zombies (mobile) e Judge Dredd: Countdown Sec 106 (mobile). Nos board games, o Juiz tem alguns jogos de cartas e outros de miniaturas (com tabuleiro).
E aí? Ficou interessado em acompanhar as histórias do Juiz mais durão de Mega-City Um? Compre os encadernados através da Amazon e Loja Mythos, e fique ligado pois os lançamentos não param por aí e, conforme as novidades chegarem, este Guia irá acompanhá-las. Boa leitura, vagal.
Pegue um tanto de punk, adicione umas pitadas de metal, misture com um bocado de funk rock e coloque em uma panela untada de rock psicodélico. Coloque apresentações ao vivo vestidos de lâmpadas, palhaços, cuecas ou simplesmente pelados. Jogue bastante pimenta só para dar um gosto forte e explosivo. A Torre de Vigilância traz na sua Vitrola a história dos californianos do Red Hot Chili Peppers. O embrião da banda foi fecundado em 1979, quando com apenas 15 anos Flea, Hillel Slovak e Jack Irons, eram amigos que nos intervalos das aulas da Fairfax High School em Los Angeles, tinham uma banda chamada Anthym, que tinha como um grande fã, um certo garoto magrelo chamado Anthony Kiedis. Em 1983 era formado o Tony Flow and the Miraculously Majestic Master of Mayhem (ufa!) já com Kiedis no vocal. Que mais tarde viria se tornar o Red Hot Chili Peppers.
A primeira formação do Red Hot Chili Peppers: Anthony Kiedis, Hillel Slovak, Flea e Jack Irons.
Entre mudanças de formação, drogas, morte por overdose, mais drogas, apresentações explosivas e uma saraivada de sucessos mundiais, o Red Hot Chili Peppers (que nessa matéria vamos chamar de RHCP) tem uma história bem consolidada como um dos gigantes do rock mundial.
Red Hot Chili Peppers (1984)
Com apenas seis meses de vida, a banda fechou com a EMI o seu primeiro contrato, mas surgiu um impasse envolvendo o guitarrista Hillel Slovak e o baterista Jack Irons. Ambos faziam parte de uma banda chamada What Is This? que tinha contrato com a MCA Records. E a dupla não levava muita fé que o RHCP fosse muito longe e se recusaram a gravar o álbum. Flea e Kiedis, que tinham a obrigação por contrato de gravar, recrutaram o guitarrista Jack Sherman e o baterista Cliff Martinez para o lugar dos ex-membros.
A gravação foi marcada pelas desavenças entre a banda e o produtor Andy Gill. O produtor queria que o disco tivesse um som mais propício para se tocar nas rádios. O grupo declarou na época que gostava mais das versões demo do que o disco oficial. Kiedis, em sua biografia, disse que se sentiu mal quando viu que Gill tinha escrito em um bloco de notas a palavra “merda” ao lado do título da música “Police Helicopter”. Apesar de não ter sido bem recebido pela criticam, a música “True Men Don’t Kill Coyotes” fica famosa graças ao seu clipe e se torna um sucesso.
https://www.youtube.com/watch?v=KvR86EwYNGU
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal e guitarra rítmica Flea – Baixo Cliff Martinez – Bateria Jack Sherman – Guitarra
Nota na história: O álbum Squeezed do What Is This? também não teve uma boa repercussão com os críticos, e os Peppers começaram a aumentar a sua lista de shows, apesar de não receberem muito pela turnê. Foi quando houve o primeiro racha na banda. Kiedis, Flea e Martinez não tinham bom relacionamento com Jack Sherman e este foi demitido da banda. Para seu lugar Hillel Slovak voltou para o grupo. Foi na mesma época em que Kiedis e Slovak começaram a usar heroína com mais frequência.
Freaky Styley (1985)
O segundo álbum do RHCP já foi mais bem sucedido do que o anterior. Chegando a vender 1 milhão de cópias em todo o mundo. Com produção de George Clinton, que era considerado o “Tio do Funk”, e a volta de Slovak na guitarra, a banda se refugiou no sítio do produtor. Onde foram gravavam, usavam cocaína e pescavam. Apesar de não ser um dos melhores trabalhos da banda, a crítica na época recebeu positivamente dando um gás para a carreira dos caras.
O relativo sucesso de Freaky Styley rende uma turnê pelos Estados Unidos inteiro e levam a banda, em 1986, para seus primeiros shows na Europa. O maior sucesso desse trabalho é a música “Jungle Man”, cujo o clipe é transmitido diversas vezes pela MTV.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal Flea – Baixo Cliff Martinez – Bateria Hillel Slovak – Guitarra
Nota na história: Durante a turnê americana de Freaky Sytley, em um show em Grand Rapids em 1986, cidade natal de Anthony Kiedis, o vocalista faz a apresentação usando as meias (Socks on Cocks). Vocês sabem como é: pelado usando meia no órgão sexual. O que causa um escândalo e acaba taxando o cantor como “ovelha negra” da cidade. É quando acontece mais uma mudança na banda: Cliff Martinez é substituído por Jack Irons.
No mesmo ano o problema com as drogas chega a um nível mais alto, Kiedis estava abusando e perdeu a noção da realidade. Ele consumia drogas embaixo de uma ponte no centro de Los Angeles, andava em becos e tinha contato com algumas gangues. A coisa começou a afetar o desempenho da banda nos palcos, e o vocalista foi convidado a se retirar para cuidar do seu vicio. Kiedis com a ajuda do seu pai se interna em uma clinica de reabilitação.
The Uplift Mofo Party Plan (1987)
Enquanto Kiedis estava na reabilitação, o RHCP começava o processo de gravação do terceiro disco. Depois da recusa do produtor Rick Rubin de trabalhar com eles, Michael Beinhorn aceitou fazer o disco. “Me sugeriram trabalhar com o RHCP, já que ninguém na EMI sabia o que fazer com eles” disse Beinhorn uma vez. Nesse momento, Kiedis já estava ingresso na banda novamente, e depois de uma reunião com o novo produtor sobre a gravação, o vocalista falou que tinha planejado gravar em dez dias e escrever as músicas durante as sessões de gravação. A única letra que tinha pronta era “Figth Like a Brave”, escrita ainda durante a sua estadia na clinica.
Enquanto o álbum estava sendo gravado, Kiedis, que realmente estava limpo das drogas, mas sofria com a abstinência. O que afetava suas contribuições nas musicas. E depois de cinquenta dias sóbrio, desde a sua útima internação, o vocalista se rende mais uma vez ao vício. O processo de gravação se torna cada vez mais difícil, com os desaparecimentos de Kiedis para se drogar. Por mais que a banda não gostasse do retorno do vocalista para as drogas, o clima era agradável por ser o primeiro disco sendo gravado pela formação original do RHCP. Além de “Fight Like a Brave”, as músicas “Me & My Friends”, “Behind the Sun” e o cover de “Subterranean Homesick Blues” de Bob Dylan são os destaques do álbum. As criticas vieram das mais variadas formas, houve quem elogiasse muito o trabalho, mas tiveram alguns críticos que consideram o disco “impreciso”.
https://www.youtube.com/watch?v=doDBApOv2oM
Formação:
Anthony Kieds – Vocal e guitarra rítmica Flea – Baixo Hillel Slovak – Guitarra Líder Jack Irons – Bateria
Nota na história: A EMI se recusou a lançar o disco se o RHCP não mudasse o nome da música “Party on Your Pussy”. Então ela foi renomeada como “Secret Song Especial Inside”. O disco criou uma base de fãs considerados cults, entre eles o jovem John Frusciante, que no futuro iria se tornar guitarrista da banda.
O RHCP sai em turnê pela Europa e na Inglaterra eles tiram a roupa e usando apenas as meias cobrindo os órgãos sexuais, fazem uma paródia da famosa foto dos Beatles na Abbey Road. Logo após, a EMI lança o The Abbey Road EP, um disco com apenas cinco músicas, incluindo o cover de “Fire” de Jimmy Hendrix. Em junho, a banda volta para os EUA onde ocorre a maior tragédia da sua história.
A Morte de Hillel Slovak
Kiedis e Slovak estavam cada vez mais se afundando nas drogas e a situação ia piorando. Foi quando ambos resolveram parar de usar heroína antes da turnê europeia. E fizeram um pacto de um ajudar o outro. Slovak sofreu muito com a abstinência, o que chegou afetar o seu desempenho durante as apresentações, chegando ao ponto de Slovak ter um colapso mental e ficou incapaz de realizar um show. Então ele foi substituído por DeWayne McKnight em algumas apresentações.
Hillel Slovak
Depois de voltar para a banda, Kiedis tentou ajudar tirar Slovak das drogas, o que acabou falhando. Ao retornar para os EUA, Slovak se isola do resto da banda. Semanas depois Flea recebe um telefonema, onde ele pensa primeiro que seria a noticia de que Kiedis havia morrido, mas era Slovak que tinha partido. O guitarrista foi encontrado morto pela policia em seu apartamento no dia 27 de junho de 1988. Segundo a autópsia ele tinha morrido em 25 de junho devido uma overdose de heroína.
O fato quase acabou com a banda. Jack Irons deixou a banda, alegando que não queria fazer parte de um grupo onde seus amigos estavam morrendo. Kiedis se isolou em uma vila mexicana onde ninguém o conhecesse para tentar se livrar do vício. E Flea parte para projetos paralelos. Hillel Slovak tinha apenas 26 anos quando faleceu.
Mother’s Milk (1989)
Flea tinha acabado de se tornar pai e Anthony Kiedis retorna do seu isolamento, e a dupla começa a catar os cacos do RHCP. Continuar o sonho de Hillel Slovak vivo em manter a banda na ativa era o objetivo. Mas eles precisavam encontrar novamente um guitarrista e um baterista. Depois de rodarem muitos músicos nas posições, eles finalmente encontram o jovem John Frusciante de 18 anos. Nos primeiros shows, os fãs se impressionam com a semelhança de Frusciante com o finado Slovak. Não somente musicalmente, como até nos trejeitos. Frusciante idolatrava Slovak e buscava ser o mais próximo dele possível. Logo depois de uma concorrida e cansativa busca por um baterista, Chad Smith assume as baquetas da banda. Depois de terem escolhidos os dois membros, a banda saiu em uma pequena turnê chamada Positive Mental Octopus Tour tocando em alguns concertos e lugares menores para entrosarem os novos membros.
Kiedis, Flea, Chad Smith e John Frusciante a formação que fez mais sucesso
O processo de gravação do Mother’s Milk foi longo e desgastante. Principalmente entre John Frusciante e o produtor Michael Beinhorn, que constantemente discutiam. Beinhorn queria que o álbum tivesse riffs de guitarra no estilo heavy metal, o que não agradava Frusciante que deu para o RHCP mais melodia. Mesmo assim o álbum foi um grande sucesso comercial, vendendo 5 milhões de cópias mundialmente. Mesmo a critica especializada o considerando menos interessante do que o antecessor The Uplift Mofo Party Plan.
As faixas de mais destaque são “Higher Ground” cover do Stevie Wonder, “Knock Me Down” (homenagem ao Hillel Slovak), “Taste the Pain” e a inclusão de “Fire” gravada com a formação original no Abbey Road EP.
Formação:
Anthony Kieds – Vocal Flea – Baixo John Frusciante – Guitarra Chad Smith – Bateria
Nota na história: O que tem de história nessa época… não está no gibi. Com o Mother’s Milk se destacando mais do que os outros trabalhos, a multidão de fãs também aumentou. Houve apresentações onde não foram capazes de acomodar o publico. Pela primeira vez a banda tem um ônibus de turnê próprio para rodar os EUA. Mas voltando à época da turnê Positive Mental Octopus Tour, uma estudante acusou o Anthony Kiedis de atentado ao pudor e má conduta sexual, o vocalista foi preso e liberado sob fiança.
Amsterdã 1989
No final da turnê do Mother’s Milk, depois de um show em Atlanta, Flea convidou uma mulher para seu quarto no hotel para relações sexuais, mas se trancou no banheiro porque sentia remorso ao pensar em sua esposa e na sua filha. Kiedis terminou o relacionamento de dois anos com a atriz Ione Skye e John Frusciante estava começando a entrar no mundo das drogas. Na véspera do ano novo de 1989 eles filmaram o show que fizeram na Long Beach Arena, intitulado como Psychedelic Sexfunk Live from Heaven. Onde foram mais de dez mil expectadores. Em março de 1990, o RHCP foram convidados para realizar a cobertura da MTV de férias da primavera na Flórida. No evento Flea e Chad Smith tentaram animar o publico e a situação saiu do controle. A dupla foi acusada de terem agredido sexualmente e verbalmente uma mulher que estava na plateia. Ambos foram presos e libertados após pagar fiança de $ 2,000.
A canção “Knock Me Down” entrou para a trilha sonora de Uma Linda Mulher (1990), o que alavancou ainda mais a fama da banda.
Blood Sugar Sex Magik (1991)
O reconhecido sucesso. O que muitos consideram como um dos melhores disco de rock já feito (inclusive esse que lhe escreve). Depois de saírem da EMI e assinarem com a Warner Bros. Records, o RHCP lança seu quinto álbum de estúdio. O trabalho tem produção de Rick Rubin. Com letras que tocam em temas que variam de insinuações sexuais passando por drogas e morte, luxuria e preconceitos. Foi o álbum que finalmente elevou a banda ao posto de conhecida mundialmente.
A banda queria gravar em um lugar não convencional. Então Rubin sugeriu The Mansion, onde tinha sido a residência o ilusionista Houdini. Todos concordaram em gravar lá e ficar direto também, apesar de Chad Smith achar o lugar assombrado. O baterista era o único que não dormia lá. O disco foi gravado no esquema ao vivo no estúdio. Rubin queria pegar a energia do RCHP e jogar no álbum. O trabalho durou 30 dias, que rendeu um documentário intitulado Funky Monks.
Documentário Funky Monks
As músicas “Suck My Kiss”, “If You Have to Ask”, “Sir Psycho Sexy”, “Breaking the Girl”, “The Power of Equality” e a explosiva “Give It Away” se tornaram sucessos nas radios. “My Lovely Man” era mais uma homenagem ao amigo Hillel Slovak e a famosa balada “Under the Bridge” é uma autobiografia de Anthony Kiedis, onde ele fala do momento mais baixo da vida, quando usava heroína e cocaína debaixo de uma ponte. A crítica especializada se derreteu ao disco.
Formação:
Anthony Kieds – Vocal Flea – Baixo John Frusciante – Guitarra Chad Smith – Bateria
Nota na história: Quando “Under the Bridge” estourou no mundo, as pessoas queriam saber onde era a tal ponte, e viviam perguntando para Kiedis. O vocalista respondia assim: “No centro da cidade, eu não quero falar sobre isso. Lá não é uma atração turística pelo amor de Deus. É um território de gangues, vocês estão procurando uma bala nos seus miolos?”.
Durante a turnê europeia, o RHCP foram avisados para não se comportarem de forma muito sexual no palco e não usarem as famosas meias. Mas eles fingiram concordar com as exigências e subiram no palco vestidos como damas da idade média. Foram expulsos do palco.
Cartazes dos shows na época.
A turnê do Blood Sugar Sex Magik tinham os shows abertos pelo Smashing Pumpkings. Depois de um tempo, o ex-baterista do RHCP, Jack Irons, ligou e perguntando se a sua nova banda poderia abrir os shows na próxima turnê. Essa banda era o Pearl Jam. Logo foi aceito. Mas com os shows começando a acontecer em estádios, os organizadores começaram a pedir que o Pearl Jam, que na época estava dando os primeiros passos, fossem substituídos por um grupo mais conhecido. Anthony Kiedis entrou em contato com Dave Grohl perguntando se o Nirvana poderia substituir o Pearl Jam. Grohl aceitou a proposta, mas Billy Corgan, vocalista do Smashng Pumpkins se recusou a tocar com o Nirvana, por ele ter tido um caso com a Courtney Love, que era então mulher de Kurt Cobain.
Kiedis VS Frusciante
Com o estrondoso sucesso de Blood Sugar Sex Magik, John Frusciante começou a se sentir incomodado com o status que tinha adquirido. Ele preferia a banda no cenário underground, e acabou entrando em um estado de negação e depressão que acabavam afetando suas performances no palco. Frusciante foi lentamente se afastando do grupo e um ar de discórdia crescia. Quando o RHCP saiu em turnê na Europa, o guitarrista levou a sua namorada Toni Oswald. O que deixou Kiedis muito zangado, já que a banda tinha um pacto de nada de noivas ou namoradas na estrada. Em uma apresentação no Saturday Night Live, durante a apresentação de “Under the Bridge”, um desempenho abaixo do Frusciante irritou o vocalista. Veja a polêmica apresentação abaixo:
“Ele estava tocando como se fosse um mero ensaio. E não era. Estávamos na TV, ao vivo, para milhões de pessoas. Eu comecei a cantar o que achava que era o tom que ele estava tocando. Senti que estava sendo esfaqueado pelas costas e mostrando isso para toda a America, enquanto o cara estava em um canto, tocando algum experimento fora de sintonia,”.
Em 1992, minutos antes de subirem no palco para um show no Japão, Frusciante se recusou a tocar alegando que tinha saído da banda. Depois de muita conversa, o guitarrista concordou em fazer o show, mas afirmando que seria o seu ultimo. Um pouco antes da apresentação no Lollapalooza. O guitarrista Arik Marshall, que praticava até cinco horas por dia, assumiu para completar os compromissos. Assim Frusciante saiu da banda no auge.
Problemas ardidos como pimenta
O barco do RHCP tinha atingido o mais belo mar do sucesso mundial com o disco Blood Sugar Sex Magik, mas a tempestade que se instalou sobre eles não cessava. Em 1993 com Jesse Tobias na guitarra, a banda fez a sua primeira passagem pelo Brasil na quarta edição do extinto festival Hollywood Rock. Foi quando o Flea foi diagnosticado com fadiga crônica e teve que se afastar das atividades musicais durante um ano para se tratar. O ator e amigo particular da banda River Phoenix faleceu por insuficiência cardíaca induzida pelo uso de drogas aos 23 anos de idade. Flea era muito próximo do ator e se abateu ao ponto de piorar a sua doença.
Dave Navarro começa a sua passagem no Red Hot Chili Peppers
No meio desses turbilhões, o guitarrista Dave Navarro, que estava na época no Jane’s Addiction, foi convidado para entrar no RHCP. Seu show de estreia foi no Woodstock ’94. No clássico show em que eles estavam vestidos de lâmpadas. A banda fez uma breve turnê que incluiu abrir um show dos Rolling Stones. As declarações de Kiedis falando que abrir para os Stones era uma experiência horrível geraram uma grande polêmica da época, e para completar, o vocalista ainda teve uma recaída e voltou a usar drogas. Ao mesmo tempo aconteceu o suicido de Kurt Cobain. Flea em choque conta para o Kiedis que começa a fazer uma reflexão sobre a sua vida e escreve “Tearjeker” sobre a sua amizade com Kurt.
O RHCP recrutou mais uma vez o produtor Rick Rubin e foram para o Hawaii em busca de inspiração para o novo trabalho. O futuro álbum teve vários nomes durante o processo. Hypersensitive, Turtlehead, Black Fish Ferris Wheel, The Blight Album e The Good and The Bad Moods of The Red Hot Chili Peppers. Até escolherem o nome…
One Hot Minute (1995)
O sexto álbum chega com uma ingrata missão: substituir o aclamado Blood Sugar Sex Magik. A inclusão de Dave Navarro na guitarra alterou consideravelmente na sonoridade dos RHCP, com riffs mais para o lado do Heavy Metal do que do Funk tradicional. E os últimos acontecimentos sombrios na banda ditam a levada das músicas. Com menos temas sexuais que os trabalhos anteriores, e explorando assuntos mais escuros como depressão, uso de drogas, angústia e luto. Kiedis havia retornado ao seu vicio em cocaína e heroína no ano anterior após permanecer sóbrio por mais de cinco anos, cantou em suas letras os temas mais sérios sobre drogas e seus efeitos mortais.
Navarro durante as gravações questionava os métodos de trabalho do RHCP. O que tornou o processo desconfortável para a banda. One Hot Minute foi um fracasso comercial, apesar de alcançar o quarto lugar na parada da Billboard e ter emplacado três sucessos radiofônicos: “Warped”, “Aeroplane” e “My Friends”. Na verdade o álbum foi incompreendido no seu lançamento. Hoje em dia muitos fãs da banda o consideram um dos melhores trabalhos do RHCP.
Formação:
Anthony Kieds – Vocal Flea – Baixo Dave Navarro – Guitarra Chad Smith – Bateria
Nota na história: A confusa vida de Kiedis continuava a todo vapor. Agora envolvia a sua namorada Jamie de 17 anos. Os pais da menina não aprovavam o namoro com o rockstar, que na época tinha 31 anos. Dessa história nasceu a letra da música “Let’s Make Evil”. Depois de rodarem o mundo, a banda resolver tirar um período de férias enquanto planejava o novo álbum sem data de lançamento. Em 1998, Dave Navarro, anuncia a sua saída da banda para se dedicar ao seu projeto Spread.
A quase morte e retorno de John Frusciante
Desde que tinha saído da banda, John Frusciante estava envolvido com seu vicio em heroína em um grau tão alto que lhe causou falência e quase o matou. Chegou ficar internado em janeiro de 1998 e concluiu o processo em fevereiro do mesmo ano e se mudou para um pequeno apartamento em Silver Lake. Devido ao vicio ele adquiriu muitas lesões, que exigiu uma cirurgia onde ficaram cicatrizes permanentes nos braços, um nariz reestruturado e novos dentes para prevenir uma infecção fatal.
O guitarrista John Frusciante já bem debilitado pelo uso das drogas.
Por sua vez o RHCP estava mais uma vez na beira do abismo para o fim da banda. Com a saída de Navarro, Chad Smith e Flea só conseguiam ver Frusciante como o cara certo para a banda. Mas Kiedis era completamente contra ao retorno. Ele ainda guardava mágoas da época do Blood Sugar Sex Magik. Flea disse ao vocalista que o único jeito de o RHCP voltarem a dar certo seria com Frusciante na guitarra. Anthony Kiedis engoliu o seu orgulho e fez uma visita a John no hospital e pergunta se ele gostaria de voltar. Com os olhos cheios de lágrimas ele disse que sim.
Com um John Frusciante totalmente recuperado e livre do vício, o RHCP novamente estava completo e miraram no novo disco.
Californication (1999)
Quando o clipe de “Scar Tissue” estreou na MTV, e nele mostra um cadillac encardido, surrado e acabado na estrada com seus quatro ocupantes com ferimentos, curativos e marcas de batalhas. Todo mundo entendeu a mensagem do RHCP. “Estamos voltando da guerra, estamos feridos mas estamos bem”. Com a produção de Rick Rubin mais uma vez e o retorno de Frusciante, o álbum entrou na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall Fame.
As letras ainda falam sobre sexo (normal na trajetória da banda) e também sobre viagens, globalização, suicídio, morte, drogas e luxúria. Uma penca de sucessos recheiam o disco. “Otherside”, “Californication”, o funkão “Around the World” e a, já citada na matéria, e vencedora do Grammy “Scar Tissue”. As letras eram basicamente inspiradas nas experiências de Anthony Kiedis. “Porcelain” surgiu depois que ele conheceu uma jovem mãe que tentava se curar do alcoolismo enquanto tinha que cuidar da sua filha bebê. O seu breve relacionamento entre Melanie Chisholm, a Mel C das Spice Girls rendeu a canção “Emit Remmus”, que é Summer Time (horário de verão em inglês) de trás pra frente.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal John Frusciante – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Nota na história: Durante a turnê do Californication, eles se apresentaram no Woodstock ’99, o show infelizmente ficou famoso pelos atos de vandalismo, onde várias pessoas colocaram fogo em barracas, várias mulheres que haviam feito crowd surfinhg (processo onde alguém é passado por cima das cabeças de várias pessoas durante um show) e Mosh (também conhecido como roda-punk) foram estupradas. E a confusão se deu início quando a banda começou a tocar “Fire” seu já clássico cover de Jimmy Hendrix. Muitos meios de comunicação apontaram a banda e a música como estopim da balburdia. Algo absurdo é claro.
Woodstock ’99. esse dia foi louco.
Em 2001, aconteceu a clássica apresentação na noite de fechamento da terceira edição Rock In Rio. Muito mais tranquilo do que no Woodstock, o show teve um publico de 250 mil pessoas, maior publico da história da banda e do festival.
By the Way (2002)
Surfando a onda do sucesso mundial de Californication, depois de quase três anos de anos de turnê e com nenhum membro mais envolvido com drogas, o RHCP lança o seu oitavo disco de estúdio. Com grande participação de John Frusciante na composição, a sonoridade musical é bem emocional e comovente, se tornando para muitos como um dos discos mais leves da banda. Apesar do tradicional funk rock não ser tão forte nele, algumas faixas ainda traziam a identidade dos Peppers nelas.
“The Zephyr Song”, “By the Way”, “Can’t Stop” e “Dosed” viraram hits, as letras falam muito sobre amor, efeitos nocivos das drogas, tem uma referência ao finado guitarrista Hillel Slovak em “This Is the Place” e uma critica a mídia na canção “Throw Away Your Television”. By the Way fazia parte da Era da Tranquilidade que reinou na banda, vendeu mais de um milhão de cópias na semana de lançamento e foi bem recebido pelos fãs e pela critica especializada.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal John Frusciante – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Nota na história: Durante a exaustiva turnê de By The Way, em novembro de 2003, a banda lançou o Greatest Hits, com sucessos da sua carreira e duas músicas inéditas: “Fortune Faded” e “Save the Population”. Também foi comercializado o Live at Slane Castle, gravado na Irlanda. Em 2004 é lançado o Live in Hyde Park, gravado na Inglaterra e rendeu dois CDs do show. Além de vários sucessos, faz parte do trabalho duas músicas inéditas “Rolling Sly Stone” e “Leverage os Space”.
Stadium Arcadium (2006)
O novo trabalho do RHCP é ambicioso. Stadium Arcadium é um álbum duplo que tem nada mais, nada menos do que 28 faixas, Anthony Kiedis disse na época do lançamento que seria na verdade uma trilogia, com cada disco lançado a cada seis meses, mas mudaram os planos e lançaram como álbum duplo (algo inédito na história da banda até então) com 28 musicas e outras 10 canções como b-sides. Os discos se chamam Mars e Júpiter.
“Dani California”, “Tell Me Baby” e “Snow ((Hey Oh))” emplacaram como sucessos logo de imediato nas rádios. Stadium Arcadium recebeu sete indicações para o Grammy de 2007, sendo vencedor em quatro categorias: Melhor Performance de Rock em Dupla ou Grupo (Dani California), Melhor Canção de Rock (Dani California), Melhor Álbum de Rock, Melhor Disco em Edição Especial (Box) e Produtor do Ano para Rick Rubin.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal John Frusciante – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Nota na História: Em 2008 a banda resolveu dar uma pausa em suas atividades, Anthony Kiedis disse em entrevistas que eles estavam cansados pois estavam desde o Californication (1999) trabalhando sem parar. No esquema grava-lança disco-saem em turnês-gravam disco de novo. E os membros resolveram tocar seus projetos paralelos ou simplesmente descansar. Kiedis pretendia passar mais tempo com o seu novo filho, Flea estava experimentando novas ideias musicais, Frusciante queria dar mais foco a sua carreira solo e Chad Smith estava lidando com a sua superbanda Chickenfoot, que além do baterista, faziam parte: Sammy Hagar, Joe Satriani e Michael Anthony.
John Frusciante lança seu décimo disco solo, The Empyrean, o trabalho tem participações de Flea e de Johnny Marr do The Smiths. Em dezembro de 2009 comunica ao publico que estava deixando a banda mais uma vez, sendo que dessa vez sem rancor nem brigas. Que eles apoiavam o guitarrista onde ele fosse feliz.
Com a saída de John Frusciante, Josh Klinghoffer assume a responsabilidade nas guitarras do RHCP
Anos mais tarde para a revista Billboard, o guitarrista falou que nunca tinha pensado em sair do RHCP, mas um dia no meio da turnê de Stadium Arcadium, Flea falou que queria tirar uma férias de dois anos. “Eu fiquei chocado, porque pensei que a gente estava com tudo e deveria continuar fazendo aquilo. Mas quando ele me disse aquilo pensei: ‘o que eu gostaria de fazer em dois anos se eu tivesse dois anos para fazer qualquer coisa que gostaria? ‘ então resolvi fazer aquilo que estava querendo. Correr atrás do meu som”.
I’m With You (2011)
O décimo álbum de estúdio mais uma vez é produzido pelo parceiro Rick Rubin e tem Josh Klinghoffer como novo guitarrista da banda. Anthony Kiedis, Flea e Chad Smith classificaram o trabalho como um novo recomeço. A escolha de Klinghoffer acabou sendo natural, ele era um colaborador musical que tinha se apresentado no final da turnê Stadium Arcadium. Logo após de oficializado, ele começou a compor as músicas do álbum. O guitarrista fez sua estreia para o publico como titular do RHCP quando tocaram “A Man Needs a Maid” do Neil Young.
O primeiro single “The Adventures of Rain Dance Maggie” foi lançado nas rádios em 15 de julho de 2011, sendo que foi lançada três dias antes do planejado, já que a música foi “vazada” na internet. “Monarchy of Roses” foi o segundo single do disco. A critica especializada ficou bem dividida em relação ao I’m With You, muitos gostaram do trabalho, enquanto outros sentiram falta de John Frusciante dizendo que foi uma perda praticamente irreparável.
E mais uma turnê mundial se seguiu…
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal Josh Klinghoffer – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Nota na história: No ano de 2011 o RHCP foi introduzido ao Museu do Rock and Roll. Anthony Kiedis disse que a parte mais emocionante foi lembrar do Hillel Slovak. E em 2012 eles entraram no Hall da Fama do Rock. Em março do mesmo ano foi lançado o 2011 Live EP, com cinco músicas ao vivo escolhidas por Chad Smith. Em primeiro de maio foi o dia do lançamento do Rock & Roll Hall of Fame Covers EP através de download digital, onde a banda tocava covers de artistas que influenciaram em sua carreira.
The Getaway (2016)
Lançado no ano passado, é o primeiro trabalho, desde do Blood Sugar Sex Magik (1991) que não foi produzido por Rick Rubin. Quem assumiu a produção foi Danger Mouse. A justificativa foi que eles buscavam uma nova renovação para o seu característico som, e que uma mudança de olhar musical poderia dar certo.
Muitos falaram que o disco tem mais melodias e minimalista. Logo no começo já se sente a diferença. Sem o tradicional Funkão pesado que sempre abrem os discos dos Peppers, temos a faixa titulo bem calma e com um lindo refrão (comprovem depois). Com algumas faixas passando até pelo eletrônico e a participação de Sir Elton John em “Sick Love”, The Getaway foi classificado pela critica como um dos melhores trabalhos do RHCP.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal Josh Klinghoffer – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Com uma história sólida no rock mundial o Red Hot Chili Peppers carregam multidões aos seus shows para verem seus vários sucessos e as performances arrebatadoras de Anthony Kiedis e Flea. As legiões de fãs se renovam cada vez mais. História essa que foi trilhada com muita autodestruição de alguns de seus membros. Drogas, sucesso, turnês, prisões, mortes e pelados com meias nesse caminho. Com um passado musical bem glorioso e um futuro renovado, ainda veremos muito as pimentas arderem nos palcos ao redor do mundo.
O método do bizarro é o nome do primeiro arco do novo título mensal do Doutor Estranho. Foi lançado entre as edições 1-5 do título Doctor Strange Vol.4, com o roteiro de Jason Aaron e arte de Chris Bachalo. Atualmente, esse arco já foi finalizado na revista mensal do Doutor Estranho que a editora Panini está publicando.
A fase de Aaron e Bachalo com Stephen Strange vem sendo bastante elogiada, o que é um bom sinal para o personagem que, recentemente, teve um filme de sucesso no cinema e, agora, também está vivendo um bom momento nos quadrinhos.
Esse primeiro arco pode ser resumido como uma história introdutória, para quem não conhece o personagem e também para quem já conhecia, afinal, a última vez que o Doutor Estranho teve uma série regular mensal foi nos anos 80. Desde então, ele só fazia aparições nos títulos de outros personagens da Marvel e, eventualmente, ganhava minisséries.
Doutor Estranho #1
“Os danos nos meus nervos nunca se curaram totalmente. Minhas mãos ainda doem e tremem a maior parte do tempo. É por isso que minha caligrafia é atroz, mesmo para um médico. E é por isso que deixo meu assistente, Wong , cozinhar. Mas quando lanço um feitiço do livro de Vishanti … Bom, veja por sim mesmo. Nenhum tremor a vista. O que é ótimo, já que estas mãos são tudo o que se interpõe entre vocês e as forças das trevas. “ – Citação de Doutor Estranho #1.
Como já citado, a história começa introduzindo brevemente a origem do Doutor e ainda traz alguns elementos novos que enriquecem o personagem. Ainda no começo, também é explicada a função do Mago Supremo e algumas “leis” da magia, leis entre aspas porque não são exatamente leis, estão mais para consequências da magia.
“Quanto mais forte o soco, mais você se machuca. Essa é a lição mais importante para um mago.” – Fala do Ancião para Stephen em um flashback.
Doutor Estranho #1
A problemática principal da trama envolve o aparecimento recorrente de criaturas de outras dimensões que não deveriam aparecer na Terra. E, nesse contexto é inserida a personagem Zelma Stanton que, inicialmente, é uma pessoa que precisa de uma cirurgia fora do comum e por isso procura o Doutor Estranho. No final do arco ela acaba se tornando a bibliotecária do Sanctum Sanctorum de Stephen.
Um elemento novo e muito interessante no universo místico do Estranho é a inserção do Bar Sem Portas, que nada mais é do que um lugar em que os magos se encontram para um Happy Hour e também para discutir acontecimentos envolvendo magia. Algumas figuras místicas já conhecidas do Universo Marvel frequentam esse bar, como a Feiticeira Escarlate, Doutor Vodu, Shaman, Magia e Daimon Hellstrom.
Em uma das reuniões de Stephen com seus colegas magos é mencionado que há algo estranho acontecendo com a magia e isso envolve a recorrente aparição de criaturas que não deveriam aparecer na terra. Aqui, é onde começa as pistas para o próximo arco, intitulado os “Os Últimos dias da Magia”.
Durante as cinco primeiras edições que compõe o primeiro arco, são deixadas diversas dicas e plots em aberto, que posteriormente são trabalhados. E isso envolve a morte de magos de vários universos, a morte da magia, e também um novo antagonista chamado Empirikul.
Doutor Estranho #2
Agora, vamos falar da arte de Chris Bachalo, que já é um velho conhecido dos leitores de quadrinhos, principalmente por ter ilustrado diversas fases dos X-Men e uma minissérie da Morte de Sandman. Ele não é um desenhista que agrada a todos e até divide opiniões por causa de seu traço com influência do traço oriental dos Mangas. Os seus personagens não têm um físico escultural, que é o mais comum nos quadrinhos de super-heróis, e a anatomia pode parecer estranha em alguns momentos e é exatamente por isso que ele se encaixa perfeitamente nesse título.
Stephen Strange não é um super-herói com corpo escultural, pelo menos não em sua criação por Steve Dikto, e também está fora do padrão comum de beleza, talvez esteja em um padrão de beleza mais excêntrico. Bachalo consegue transmitir satisfatoriamente as peculiaridades do Doutor Estranho e também de toda a maluquice envolvendo monstros e magia,com muita riqueza de detalhes.
Em relação à escrita é preciso dizer que os textos de Jason Aaron são ótimos. Não é a toa que o escritor foi premiado na categoria de Melhor Escritor do Eisner Awards 2016 por Star War, Doutor Estranho,Thor e Southern Bastards. Aaron utiliza muito bem os diálogos e as caixas de pensamentos para caracterizar Stephen Strange e os personagens secundários da história e também para criar uma trama envolvente.
Doutor Estranho #3
O método do bizarro é um arco bastante satisfatório. Introduz diversos elementos novos para uma nova era do Mago Supremo da Marvel. Ao mesmo tempo que arrebata novos leitores com diversos mistérios, também encanta leitores antigos como novos desenvolvimentos que enriquecem o Doutor Estranho.
O Juiz Dredd vem sendo publicado no Brasil através de uma série de encadernados. É uma prática comum a presença de textos introdutórios ou extras, feitos para melhorar a experiência do leitor, nos quadrinhos em capa dura lançados por aqui e no exterior. Os compilados da Mythos Editora, casa nacional do personagem, não fogem desta prática.
Porém, muitas vezes a falta de espaço (ou páginas) impede que alguns materiais extras componham os quadrinhos, como é o caso do texto de introdução que não esteve presente no encadernado Juiz Dredd: Origens, de 2013. Apesar desse empecilho, você pode conferir este texto – que também serve como uma introdução ao universo do Dredd – com exclusividade abaixo! As imagens não ilustravam o texto original, cedido pelo tradutor e editor-assistente Pedro Bouça.
“Quando foi criado, em 1977, ninguém imaginava que o Juiz Dredd duraria muito tempo. Naquela época, os quadrinhos tradicionais britânicos enfrentavam uma profunda crise, que praticamente os destruiria. Dredd, porém, era um sobrevivente e tanto a série quanto a revista em que é publicada, a famosa 2000 AD, existem até hoje.
No entanto, isto significa que nos seus primeiros anos a série não se deu ao trabalho de estabelecer detalhadamente o personagem e o seu universo. O Juiz Dredd era um superpolicial com autoridade de juiz, júri e executor, impondo a lei em uma gigantesca metrópole futurista que era por sua vez cercada por um meio ambiente desolado, a Terra Maldita, consequência de um confronto nuclear que muitos viam como inevitável naqueles tempos de Guerra Fria. Mas pouco mais foi estabelecido e quando os autores (tanto o criador do personagem John Wagner quanto o editor – e principal escritor da série nos seus primórdios – Pat Mills) se referiam ao passado era geralmente de forma vaga e inconsistente. Um quebra-cabeça em que muitas peças faltavam e as poucas que existiam não se encaixavam muito bem.
Trinta anos depois, John Wagner decidiu botar ordem na história do seu personagem e finalmente detalhar o passado de Dredd e seu mundo, juntando os elementos apresentados anteriormente para criar uma história consistente. Ao seu lado estava o outro criador da série, o desenhista Carlos Ezquerra, para quem o passar dos anos apenas refinou o talento e a disciplina de trabalho. Nesse ponto, pode se dizer que foi um mérito que esta história tenha levado 30 anos para ser contada, já que a dupla Wagner/Ezquerra de 2007 é bem mais talentosa do que era em 1977.
Outro fator importante diz respeito à situação política em 2007. Ao criar o “último presidente americano” Robert L. Booth em 1978 e responsabilizá-lo pela guerra atômica que devastou o mundo de Dredd, Pat Mills parecia apenas demonstrar o seu lado iconoclasta. O presidente americano na altura, Jimmy Carter, era (e é) um conhecido pacifista e os seus equivalentes soviéticos pareciam muito mais propensos a iniciar um conflito nuclear. Em 2007, porém, o então presidente americano George W. Bush era um modelo muito melhor para a mistura de corrupção, beligerância e incompetência que caracteriza Booth nesta história. Claramente Mills estava à frente do seu tempo…
Mas Origens não se limita apenas a contar o passado do personagem. Nela Wagner lança também as bases de boa parte das tramas futuras da série, cujas ramificações são visíveis nas histórias publicadas até hoje em dia no Reino Unido. Por isso ela foi escolhida para iniciar o que esperamos que seja uma duradoura história de publicação do Juiz Dredd no Brasil.
E é essa a história que a Mythos Editora tem a honra de apresentar ao público brasileiro. Esperamos que vocês gostem e não deixem de acompanhar a revista mensal do personagem, que estará em breve em uma banca perto de vocês. Boa leitura!“
E aí? Se você não estava certo de que este material é excelente, foi convencido agora? Juiz Dredd: Origens chegou às livrarias em 2013, contendo 196 páginas em capa dura, e foi o primeiro encadernado do Bom Juiz lançado pela Mythos, marcando o início de uma duradoura série de publicações que continuam a proporcionar experiências de leitura fascinantes aos seus fãs. E que siga dessa forma até o fim dos tempos, trazendo a Lei para os Sem-Lei.
Caso você tenha se interessado, acompanhe os encadernados do Juiz Dredd, com histórias clássicas e modernas, comprando através da Amazon:
Meia-Noite e Apolo é uma minissérie de seis edições lançada no selo DC Rebirth. O roteiro é de Steve Orlando, um nome em ascensão na DC Comics, e a arte é de Fernando Blanco, Rômulo Fajardo Jr. e John Rauch.
Antes de ler essa mini, é necessário ter ciência de que se trata de uma história adulta (+18) com muita violência, sangue e um conteúdo levemente erótico. Estando ciente desse aviso, vamos à história.
A história gira torno do relacionamento do casal Lucas e Andrew, Meia-Noite e Apolo, respectivamente, e, como todo casal, eles tem alguns dilemas a enfrentar, como o fato de Apolo não aprovar o método de matar sem piedade de seu amado. Apesar disso, o relacionamento dos dois seguia firme, até que Apolo é morto. Porém, a morte é só um acontecimento corriqueiro nos quadrinhos. Assim que Lucas descobre que Andrew está no inferno decide resgata-lo.
Enquanto Meia-Noite busca uma forma de chegar ao inferno, Apolo tem uma conversa filosófica com Neron, que não é exatamente um vilão dentro da trama, mas ele tenta convencer o Deus Sol que seu lugar é no Inferno.
“Finalmente eu vou para o Inferno.”
Um fato bastante interessante da história é a reformulação que Steve Orlando traz do personagem Extraño.
Extraño foi um personagem polêmico em sua criação nos anos 80. Ele é um mago hispânico e gay que, mais tarde, é atacado por um vampiro com AIDS chamado Hemo-Goblin e acabou sendo infectado com o vírus. O personagem foi muito mal visto pelo público devido à carga negativa de estereótipos e logo foi parar no limbo editorial.
Graças a Orlando, o personagem que já foi considerado um dos piores da DC Comics, recebeu um novo background e um novo visual. Na trama, Extraño é quem ajuda Meia-Noite descobrir o destino de seu amado após a morte, e também o auxilia em sua ida ao inferno.
Extranõ – Antes | Depois
Na busca por Andrew, Meia-Noite passa por uma série de desafios, enfrenta diversos demônios e encara o próprio inferno personificado. E toda essa aventura fica mais empolgante com a arte de Fernando Blanco, Rômulo Fajardo Jr. e John Rauch. O resultado final da arte é especular do começo ao fim. Para os amantes de ação violenta essa minissérie é um prato cheio.
Pura ação
Teoricamente, ninguém vence no inferno além de Neron, mas, tal façanha é conquistada pelo casal mais poderoso dos quadrinhos. Meia-Noite com seus punhos, e Apolo com sua sabedoria, que lança uma questão que Neron não é capaz de responder corretamente.
Um beijo para celebrar a vida
A minissérie termina com um “final feliz” para Lucas e Andrew e uma despedida que faz referência à Action Comics #583, a famosa história do Alan Moore “O que aconteceu com o Homem de Aço”.
Action Comics #583 | Midnighter and Apolo #6
Em Meia-Noite e Apolo, o Homem Mais Mortal do Mundo e o Deus Sol, tiveram uma história à altura de suas posições.
A única ressalva é que os dois não têm previsão para retornar para os quadrinhos, logo, essa história serve como uma despedida, por enquanto.
Algumas editoras americanas – como a DC e a Marvel – vez ou outra apostam em comerciais para a divulgação de seus respectivos materiais (principalmente em época de filmes no cinema). Mas você sabia que a 2000 AD, maior revista em quadrinhos britânica, também já teve alguns comerciais exibidos na TV? Confira algumas curiosidades abaixo!
Querendo ou não, a televisão é o meio de comunicação mais popular e utilizado no mundo, enquanto a internet ocupa a 2ª posição. Segundo pesquisas feitas pelo próprio governo, no Brasil cerca de 26% das pessoas utilizam mais a internet, enquanto mais de 65% assistem mais televisão.
Isso garante um mercado de divulgação na TV (que não é exclusivo do nosso país), com centenas de comerciais em diversos horários, dos mais aos menos “nobres”. E a 2000 AD já teve alguns comerciais durante sua existência, exibidos lá fora! Vale lembrar que estes são os comerciais que podem ser encontrados no YouTube, e não há informações suficientes para dizer se existiram outros.
O primeiro deles, de 1977:
Este comercial é apresentado pelo Editor Alienígena Tharg, e divulga a primeira edição da 2000 AD, fazendo propaganda do novo e invencível Dan Dare. É engraçado reparar que a nave do editor pousa na Terra e está recheada de 2000 AD’s, a nova revista em quadrinhos da galáxia, com um spinner grátis! Muito divertido.
Esta versão da 2000 AD já foi publicada no Brasil com poucas alterações (basicamente alterações de capa), pela extinta editora EBAL, e durou dez edições. Confira mais informações clicando aqui.
Outro comercial, de 1994:
Um fator curioso é que este comercial é muito bem feito visualmente, e custou muito caro para que se obtivesse este resultado. Com isso, ele se tornou muito mal sucedido, pois os gastos na produção impediram que ele fosse exibido em horários bons! Uma pena…
Os personagens mencionados são: Gideon, Rogue Trooper, Mambo, Sláine e Judge Dredd (este último, é claro, responsável pela frase de efeito para divulgação). Também vale ressaltar que Sláine e Juiz Dredd foram publicados mensalmente na Juiz Dredd Megazine, da Mythos Editora, e a partir da edição 13, Rogue Trooper (com o título Renegado) foi incluído no mix. Infelizmente a revista foi descontinuada na edição 24, porém a editora segue publicando diversos encadernados das mais variadas obras.
E por último, o comercial da “versão infantil” da 2000 AD:
A revista divulgada chamava-se Judge Dredd: Lawman of the Future, e foi publicada na época do lançamento do desastroso filme protagonizado por Sylvester Stallone. Esta revista durou 23 edições, sendo lançada entre Julho de 1995 e Maio de 1996.
Nos EUA uma revista do Juiz Dredd também foi comercializada (material produzido pelos americanos) nesta época graças ao filme protagonizado pelo garanhão italiano, e dizem que o longa foi responsável por uma brusca queda nas vendas das revistas relacionadas ao personagem (incluindo a revista britânica). Uma verdadeira catástrofe.
Capa da primeira edição de Lawman of the Future, que possuía um pôster do filme em seu interior.
Todos os comerciais produzidos pela 2000 AD tiveram algum impacto nas vendas da revista, seja para melhor ou pior. Há algum tempo a empresa não investe na mídia, focando todo seu esforço de produção para as redes sociais, como por exemplo, o canal no YouTube, onde são comentados os lançamentos, fazem dossiês e divulgam novidades.
Contudo, os comerciais ainda existem graças às gravações dos fãs, e servem como um valor histórico importante para retratar épocas do passado. Gostou das curiosidades? Comente abaixo!
O Missionário habita a Terra Maldita, uma vastidão radioativa que engloba a maior parte do que já foram os Estados Unidos. Série spin-off do Juiz Dredd, Lua de Sangue é o primeiro lançamento da Mythos Editora que está correlacionado com o universo do Bom Juiz, entregando muita ação e histórias curtas, porém extremamente divertidas.
Missionário (Missionary Man, no original) surgiu em 1993 na revista inglesa Judge Dredd Megazine. Criada por Gordon Rennie e Frank Quitely, a série narra as aventuras do Pastor Cain, um homem enigmático e durão que traz a ordem e a palavra de Deus para a terra sem lei dominada pelos mutantes e criaturas perversas. Vagueando por estes territórios sem crença, como uma personificação física do anjo da morte, Cain pune os ímpios e perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem, proporcionando o descanso eterno para suas almas.
Com uma premissa simples, as aventuras do Missionário são tão simples quanto aparentam, e a simplicidade as torna extremamente proveitosas. Ao unir elementos de western com ficção-científica, o quadrinho cria um apego instantâneo para os leitores ávidos de Dredd, e funciona bem como stand alone, podendo ser consumido por leitores casuais.
As histórias são curtas, formato típico das publicações britânicas da 2000 AD, onde em poucas páginas os autores demonstram um poder de síntese absurdo. Gordon Rennie teve em Missionary Man a sua estreia escrevendo uma série longeva, e apesar do pouco reconhecimento entre os leitores brasileiros, Rennie veio a se tornar um dos nomes mais respeitáveis e sinônimo de boas histórias dentro da revista. Este início da série do Pastor Cain (que durou quase dez anos de publicação, e foi escrita por Rennie até o fim) já demonstra o bom nível do texto do autor, que entrega sequências de ação com versículos bíblicos extremamente divertidas, casando sempre com o contexto em que as cenas estão inseridas.
Não bastasse o carisma de “personagem durão” do Pastor Cain, alguns dos coadjuvantes também recebem destaque. É o caso de Joe, parceiro mutante do Missionário, condenado à forca por ser feio, e salvo pelo enigmático protagonista. Joe (coincidentemente, o mesmo nome do Juiz Dredd) funciona como uma ponte mais humana para o leitor, sendo o personagem que faz as perguntas ao quase divino (que ironia) e inflexível guerreiro que o auxiliou. E desde as primeiras páginas, o passado de Cain é um mistério que cria uma aura de incerteza ao redor dele, tornando a leitura ainda mais prazerosa.
O time de artistas reunidos nesta compilação encadernada também é de ponta. Frank Quitely, o grande destaque, estava em início de carreira na época em que a série começou a ser publicada, e seu belíssimo traço já era reconhecível como uma marca, sinônimo de qualidade artística em todos os trabalhos posteriores feitos por ele. Para a época em que este quadrinho saiu, a perspectiva de Quitely foi um sopro de ar fresco aos britânicos, visto que todos possuíam um estilo parecido. Todas as aventuras ilustradas por ele estão neste encadernado, e outros dois ilustradores, Garry Marshall e Sean Longcroft, completam o time e entregam belos desenhos em alguns dos sermões do Missionário.
Os problemas com os quais o herói desta série deve lidar são tão bizarros quanto quaisquer outros deste universo. Alienígenas, criaturas selvagens, mutantes, humanos perversos e até mesmo aparições fantasmagóricas são alguns dos que se opõem à palavra do Senhor. Entre estes inimigos, encaixam-se referências diretas ao (mais uma vez) universo dos Juízes, com citações a Texas City, aos acontecimentos de sagas anteriores e a participação ativa dos Gila-Munja, criaturas assassinas e mutantes que se assemelham a animais selvagens, mortais e extremamente violentos.
O encadernado compila seis arcos de Missionary Man, que ao todo possui vinte e quatro aventuras, tendo sido publicado até o ano de 2002. Entre os artistas que assumiram a série após a saída de Quitely estão grandes nomes dos quadrinhos, tais como Simon Davis, Henry Flint e Jesus Redondo.
A pregação do Missionário entrega o que há de melhor nos gibis da 2000 AD: ação, cenas memoráveis, boa ficção-científica, personagens carismáticos e artistas de primeiro escalão. Apesar do lançamento inesperado por parte da Mythos Editora, é importante lembrar que não existem outras compilações da série publicadas no exterior, e caso lancem uma sequência (que com certeza depende do sucesso deste volume), serão materiais exclusivos do mercado brasileiro. E esperamos que estas sequências apareçam por aqui, para que haja alguma chancede redenção para nós pecadores.
Juiz Dredd Apresenta: Missionário – Lua de Sangue é um encadernado de 108 páginas coloridas em formato 18,7cm x 25,9 cm, contendo lombada quadrada, capa dura e preço de capa sugerido de R$ 59,90.