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Face Oculta: O Rosto da Aventura

Com uma história situada no final dos anos 1800, Face Oculta (Volto Nascosto no original) é uma minissérie em 14 edições publicada pela Sergio Bonelli Editore. Narrando o período da expansão colonialista da Itália sobre a Etiópia, o quadrinho, que teve um primeiro volume encadernado lançado recentemente pela Panini, é uma história envolvente situada num período não explorado por outras narrativas da nona arte.

Publicada em terras italianas entre os anos de 2007 e 2008, a série situa-se no final do século XIX, quando a Itália possuía ambições expansionistas e voltava sua atenção para a África, especificamente para a Etiópia. Nesta época, tanto os italianos quanto os britânicos rivalizavam por influência na região. Porém, graças especificamente à Itália, uma guerra acabou eclodindo. É em meio a este cenário que o jovem Ugo Pastore e seu pai se veem envolvidos em alguns dos momentos mais decisivos do período, ao mesmo tempo que há o surgimento de um homem sagrado que usa uma máscara prateada, arrebanhado por uma legião de soldados e seguidores por toda a Etiópia. Seu nome é Face Oculta.

Capa do primeiro volume encadernado de Face Oculta, lançado pela Panini em 2016.
Capa do primeiro volume encadernado de Face Oculta, lançado pela Panini em 2016, em parceria com a loja Comix.

A minissérie é uma criação do famoso roteirista italiano Gianfranco Manfredi, criador das bem quistas séries Mágico Vento e Adam Wild, também publicadas pela Bonelli. O texto de Manfredi faz jus a sua fama, seja qual for a história escrita por ele, e Face Oculta não foge deste altíssimo padrão de qualidade, especialmente pelo fato do autor se distanciar dos arquétipos de “lado bom e lado mau” típico de visões históricas como esta. Apesar da história parecer algo muito italiano, feito para italianos lerem, a aventura te prende do começo ao fim através de personagens cativantes, reviravoltas e muitas outras características típicas dos ótimos quadrinhos Bonelli. É importante lembrar que a iniciativa da Bonelli em lançar minisséries fechadas existia há algum tempo, com séries como Brad Barron, Demian e posteriormente Cassidy, mas também era uma empreitada relativamente nova e bem sucedida.

A história apresentada nas quatro primeiras edições encadernadas pela Panini é narrada através dos três personagens italianos principais: Ugo Pastore, um jovem leal que trabalha como contador; Vittorio De Cesari, melhor amigo de Ugo e Tenente do exército italiano, e Matilde Sereni, vítima de uma doença de estresse traumática envolvida numa espécie de triângulo amoroso com os outros dois personagens, algo típico das heroínas de romances e das óperas líricas do período em que a obra se situa. Além destes, temos Face Oculta, o líder de uma espécie de culto da Etiópia, e o Rei Menelik II acompanhado de sua esposa Taytu, estes últimos, um casal de figuras históricas etíopes reais.

A misteriosa figura chamada Face Oculta move parte da narrativa neste início de série.
A misteriosa figura chamada Face Oculta move parte da narrativa neste início da série.

Manfredi conta sua história de forma magistral, passando aos poucos por alguns anos deste período, sem pressa e atento aos mínimos detalhes da trama construída. Seu texto é cativante, envolvente e desperta a curiosidade do leitor, que é ainda mais convencido ao presenciar tamanha beleza em prosa somada à belíssima arte de alguns mestres dos quadrinhos, sendo os responsáveis por estas primeiras edições Goran Parlov, Massimo Rotundo, Alessandro Nespolino e Ersin Burak. Os quatro nomes citados possuem estilos artísticos bem distintos, porém cada um traz uma característica nova e positiva para dentro do quadrinho, fazendo com que o leitor sinta uma boa mudança de ares a cada novo capítulo.

O autor também tem o cuidado de situar o leitor através de textos editoriais no término de cada edição e início da próxima, com comentários adicionais e informações que mostram o que é fato real e o que foi inventado para esta aventura. Manfredi brinca com os fatos e figuras históricas e toma a liberdade que qualquer autor necessita para criar sua própria e, muitas vezes melhor que qualquer outra totalmente fiel à realidade, narrativa.

Os três italianos que protagonizam Face Oculta.
Os três protagonistas italianos de Face Oculta.

O capricho editorial da editora Panini também merece destaque, já que esta é a segunda vez que a obra é publicada no Brasil. Em meados de 2012, a editora multinacional deu início a série lançando-a em capítulos, como no formato original italiano. Com as baixas vendas, o segundo capítulo foi o último a aparecer nas bancas, e a minissérie foi descontinuada. Com esta nova edição os leitores têm a chance de conferir material inédito, visto que o encadernado de 384 páginas compila os quatro primeiros capítulos. A forma que a editora encontrou para lançar este material foi em parceria com a Comix Book Shop, como parte da comemoração de 30 anos da empresa, com baixa tiragem e sendo vendido exclusivamente nesta loja parceira.

Arte de Goran Parlov.
Arte de Goran Parlov.

Apesar do empecilho e da possível dificuldade para encontrar este material, a história apresentada é altamente recomendada para qualquer apreciador de bons quadrinhos, e essencial para qualquer fã dos quadrinhos Bonelli. Na Napoli Comicon de 2008 a série recebeu o Prêmio Attilio Micheluzzi de Melhor Série de Desenho Realista. Nos próximos capítulos (ainda faltam dez para a conclusão da história) os leitores presenciarão a arte de outros ótimos artistas como Leomacs, Roberto Diso, Giovanni Freghieri, Giuseppe Matteoni e Gigi Simeoni, além do retorno de alguns ilustradores presentes nesta primeira edição. A editora Panini prometeu novidades com relação a série para 2017, então permanece viva a esperança de que finalmente poderemos ler a ótima história de Face Oculta até o seu final.

Face Oculta – Volume Um possui 384 páginas no formato 16 x 21 cm, e reúne as quatro primeiras histórias da série italiana com preço de capa de R$ 39,90. O encadernado pode ser encontrado exclusivamente nas lojas física e virtual da Comix.

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Tex Graphic Novel: conheça a linha autoral de Tex

Tex Willer é o personagem mais famoso dos quadrinhos italianos, e um dos personagens mais famosos e longevos do mundo. Publicado ininterruptamente pela Sergio Bonelli Editore desde 1948, o ranger sempre foi sucesso de vendas por onde passa, tendo sido superado por algum tempo na Itália apenas pela série Dylan Dog. Nos seus mais de 60 anos de história, o herói western já teve muitas revistas e séries diferentes, porém nenhuma tão inventiva e desatada de amarras cronológicas como a série Tex Graphic Novel.

Criado por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini, Tex é um marco dos quadrinhos europeus. Por muito tempo o personagem ficou atado às amarras cronológicas e dos mesmos moldes de publicação, até que em 2015 foi lançada na Itália a história “O Herói e A Lenda” (L’eroe e La Leggenda), dando início a uma série de graphic novels apelidadas de “Tex D’autore“, onde os autores estão livres para reinventar o personagem da forma que bem entenderem, e sem precisarem necessariamente se ater à cronologia, podendo voltar ou avançar no tempo conforme sua vontade.

Capa nacional da primeira Tex Graphic Novel.
Capa nacional da primeira Tex Graphic Novel.

Esta primeira edição especial era um projeto há muito tempo idealizado por Sergio Bonelli e Paolo Eleuteri Serpieri, criador da personagem Druuna, porém nunca colocado em prática até poucos anos atrás. Serpieri é um grande ilustrador italiano dotado de uma arte extremamente realística, bem detalhada e sombreada, feita através de seus traços suaves. Sua graphic novel de Tex (que, é importante dizer, deu início a uma série de álbuns em formato maior que as típicas revistas em quadrinhos italianas, além de serem histórias feitas em cores) é tomada como uma “edição zero“, onde o formato foi apresentado e a premissa foi lançada.

A história feita pelo italiano “pai da Druuna” é uma narrativa-prequel que se adequa ao famoso conceito dos quadrinhos Elseworld (mundo diferente), visto que o autor nos apresenta um Águia da Noite (nome navajo de Tex) mais jovem, violento e implacável, algo típico dos quadrinhos de faroeste criados pelo artista, ao mesmo tempo que um Kit Carson envelhecido narra toda a história sentado na poltrona de um asilo. Serpieri quebra o conservadorismo típico dos quadrinhos Tex, e sua reinvenção do personagem pode chocar os fãs do personagem tradicional. De quebra, o ilustrador e roteirista também reserva uma reviravolta surpreendente para o final da narrativa, prestando uma bela homenagem imprevisível.

Página de "O Herói e a Lenda". Tex entra em ação pela primeira vez dentro da história.
Página de “O Herói e a Lenda”. Tex entra em ação pela primeira vez dentro da história.

Movidos pelo sucesso da história de Serpieri, a Sergio Bonelli Editore continuou a lançar histórias no mesmo formato, sendo a sucessora, “Frontera!“, escrita por Mauro Boselli e com arte de Mario Alberti.

Boselli já é figurinha carimbada nos quadrinhos Tex, escrevendo diversas histórias para a editora italiana e também supervisionando tudo que é feito com o ranger. A arte de Mario Alberti, que já passou por outras séries da Bonelli como Nathan Never e Legs Weaver, além de ser capista de quadrinhos da Marvel e DC Comics, nos entrega um Tex com um visual que remete ao tradicional, porém mais jovem, visto que esta história é a primeira desta coleção a se livrar das amarras cronológicas do personagem. Enquanto “O Herói e A Lenda” era uma reinvenção, “Frontera!” é um retorno ao passado.

Capa nacional de "Frontera!".
Capa nacional de “Frontera!”.

Boselli situa o leitor novamente no período em que Tex era um fora-da-lei, e cria uma narrativa envolvendo a vingança da personagem Blanche Denoel e a decisão do fugitivo de sanar a podridão dos rangers que são apresentados ao longo da aventura. Enquanto o volume anterior criado por Serpieri se afastava do tradicional das aventuras de Tex, esta edição insere o leitor novamente na sua zona de conforto, e por isso é tida como o “volume um” desta coleção, apresentando uma história que se assemelha mais aos padrões da série recorrente do ranger, se livrando apenas do tempo atual em que o personagem se encontra.

Os autores então trazem de volta o Tex autêntico, através de um texto bem refinado e uma belíssima arte, com uma boa narrativa e bela colorização. Os fãs mais antigos podem voltar a ver um Kit Carson mais jovem, ainda com seus cabelos (quase totalmente) negros, porém tão bem humorado e rabugento como sempre.

Primeira página de "Frontera!".
Primeira página de “Frontera!”

Existem outros dois volumes publicados na Itália até o momento, sendo eles “Painted Desert” de Mauro Boselli e Angelo Stano, artista de Dylan Dog, e a história “Sfida Nel Montana“, com roteiro de Gianfranco Manfredi, famoso roteirista de quadrinhos Bonelli, como Face Oculta, e arte de Giulio De Vita, artista de Lazarus Ledd, Wisher, Kylion e outros.

Capas dos próximos volumes, ambos publicados na Itália.

A série “Tex Graphic Novel” é uma bela adição às diversas coleções do Águia da Noite, o ranger mais querido dos quadrinhos. Livre de quaisquer amarras editoriais e oferecendo total liberdade para os mais variados e talentosos artistas e roteiristas criarem as histórias que bem quiserem, os volumes publicados até o momento entregam um show de narrativa gráfica, além de servirem como uma boa porta de entrada para novos leitores, ao mesmo tempo que prestam diversas homenagens aos leitores mais antigos. A série é mais uma prova da longevidade infinita e da boa qualidade de histórias destes personagens tão queridos dos quadrinhos italianos.

No Brasil, as duas primeiras Tex Graphic Novel foram publicadas em 2016 pela Mythos Editora, casa do personagem desde 1999. A editora manteve o formato magazine (20,5 x 27,5 cm), com 52 páginas e capa cartão ao valor de R$ 29,90.

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LEGADO | Conheça a história dos Robins

Criado inicialmente para dar um espaço para o público alvo dos quadrinhos da época (que era composto por 99% de crianças), o Robin foi um conceito extremamente marcante e até copiado por outras editoras.

Sua primeira aparição foi na edição Detective Comics #38  no ano de 1940. E na época o novo herói foi super bem recebido pelas crianças já que até então era difícil de se imaginarem dentro daquele cenário, onde salvavam outras pessoas e não o contrário.

Fizemos aqui, além de classificar cada um dos Robins, um apanhado de diversas informações para que você leitor, não fique perdido quanto a cronologia ou história desses diversos personagens. É importante lembrar que dentro do universo regular (o famoso Cânone), tivemos oficialmente 5 pessoas a carregar o manto do passarinho.

Então depressa, para o batmó… Opa desculpe, me empolguei, enfim… vamos começar!

1º Robin – Dick Grayson

Robin / Asa Noturna / Batman
Robin / Asa Noturna / Batman

1ª Aparição – Detective Comics #38 (1940)

Membro de uma família de acrobatas pertencente ao circo Haley e conhecidos como Graysons Voadores, Richard Grayson (ou Dick, para os mais íntimos),  presenciou um dos piores momentos da sua vida ainda criança. O último espetáculo de seus pais foi uma completa tragédia e Dick acabou vendo eles caírem do trapézio para a morte, o que aconteceu na verdade foi um boicote feito a mando de um mafioso chamado Anthony Zucco, para quem o dono do circo devia uma quantia em dinheiro.

Uma das adaptações da morte dos pais de Dick.
Uma das adaptações da morte dos pais de Dick.

Após os acontecimentos, o menino Richard foi mandado para um orfanato mas não ficou muito tempo como interno, já que Bruce Wayne, após ter presenciado e sentido a dor do garoto, resolveu transforma-lo em seu pupilo, como tutor legal. Sentido por seu novo “pai” não dar toda atenção que uma criança precisaria naquele momento, Dick resolve ir investigar o assassinato de seus pais sozinho, mas acaba tropeçando no Batman que também estava investigando o local. Após acordar em um lugar estranho (na Batcaverna), ele descobre que a identidade secreta do morcego é nada menos que seu tutor, e assim lhe é oferecido um espaço ao lado do cruzado encapuzado.

O nome de Robin foi escolhido por Dick, já que era o mesmo nome como sua mãe o chamava desde que nasceu.

Dick Grayson com certeza é o Robin mais amado e também mais conhecido e adaptado fora dos quadrinhos. Utilizando de piadas em meio às lutas e dando um pouco de humor ao seu tutor que se martirizava toda noite, Richard era um excelente pupilo, habilidoso, obediente e evoluía a cada dia. Em meio as aventuras com o morcego, Dick teve um romance com Barbara Gordon (a primeira Batgirl), de quem gosta até hoje.

Após muito tempo de combate lado a lado, em um evento com o Coringa, o Robin é baleado pelo mesmo, no ombro, e por causa disso, Bruce o manda parar um tempo as suas atividades noturnas. Depois de se recuperar, Ravena reúne um antigo grupo formado por Dick e alguns amigos, a Turma Titã, que contava com Robin, Ricardito e Aqualad, porém com novos aliados dentro da equipe, eles tiveram que fazer mudanças e se tornaram os Jovens Titãs.

O afastamento dos parceiros de Gotham city foi ainda maior quando a equipe dos titãs foi formada, e em decorrência disso Bruce diz para o parceiro (ou ex parceiro) que se eles não trabalhavam mais juntos, ele teria que deixar de ser o Robin. Dessa forma Dick acaba passando a liderança da equipe para Donna Troy (a Moça Maravilha), e com a ajuda da sua atual namorada Estelar, ele consegue superar o momento difícil.

Levando uma vida pacata à beira da aposentadoria, Richard encontra o Superman, e o mesmo lhe conta uma história de um lendário super-herói Kryptoniano chamado Asa Noturna, onde o herói após ser expulso de sua família decide ajudar a todos os injustiçados e desprotegidos que estivessem ao seu alcance. Graças a conversa, Dick desiste de se aposentar e toma o manto de Asa Noturna reassumindo por algum tempo a liderança dos Titãs.

Digam olá ao Asa Noturna!
Digam olá ao Asa Noturna!

Após um dos muitos fins da equipe, Dick, agora agindo sozinho, adota sua própria cidade para cuidar, um lugar bem parecido com Gotham City em questão de sujeira e maldade: Bludhaven, Porém após muito tempo de combate ao crime, a cidade acabou  sendo explodida por um ato da sociedade secreta dos super vilões.

Depois de um evento bem ousado onde supostamente o Batman morre pelas mãos de Darkseid em Crise Final, Dick é obrigado ao assumir o manto de Batman por um período de tempo ao lado de Damian Wayne. Mas isso não durou muito tempo e Bruce é encontrado, voltando a carregar o manto do morcego.

Novamente sendo o Asa noturna (Isso já nos N52), O Sindicato do Crime, Viajantes da Terra 3, aprisionam a Liga da Justiça e mostram a identidade secreta do Asa noturna para todo o mundo, durante a saga Vilania Eterna e na intenção de salva-lo com a ajuda de Lex Luthor, o Batman utiliza um composto que para o coração do herói sem mata-lo, para que ele seja declarado morto.

Nightwing sendo desmascarado em Vilania Eterna.
Asa Noturna sendo desmascarado em Vilania Eterna.

Quando sua suposta morte vem à tona, Dick se infiltra numa organização secreta de espiões chamada Espiral, e se torna o Agente 37. Seguindo a carreira de espião duplo até o fim dos N52, ele recentemente retornou para o manto de Asa Noturna no Rebirth.


2º Robin – Jason Todd

Robin / Capuz Vermelho
Robin / Capuz Vermelho

1ª Aparição – Batman #357 (1983)

Jason Todd era um garoto de rua, criado pelo pior de Gotham City, seu pai, Willis Todd, um capanga do Harvey Dent  (O Duas Caras, aquele cara da moeda), um dia desapareceu misteriosamente quando estava em meio a um, digamos… “trabalho”. Sua mãe, Catherine Elizabeth Todd, era dependente em drogas e acabou falecendo por uma overdose, deixando o pobre garoto órfão.

Vivendo em um abrigo sem qualquer perspectiva de vida, o pequeno Jason decide sair às ruas durante a noite e de repente dá de cara com o Batmóvel estacionado em um beco, e é claro que ele fez o que todos fariam na mesma situação (sim, foi ironia), começa a roubar as rodas do Batveículo (isso mesmo, ELE ROUBA AS FUCKING RODAS DO BATMÓVEL!), mas é pego pelo morcego, amarrado e levado até a Batcaverna.

Jason roubando as rodas do Batmóvel
Jason roubando as rodas do Batmóvel

Após descobrir tudo sobre o garoto (principalmente que ele era órfão hehe), e depois de muita insistência do mesmo, o Batman decide cria-lo e treina-lo, para que Jason pudesse ter um futuro, e não virasse mais uma estatística no mundo do crime de Gotham.

Com um temperamento e atitude completamente impulsivos, Jason foi o Robin mais indisciplinado com quem o Batman já trabalhou. Carregando uma enorme determinação e um pouco de técnica, ele simplesmente achava que podia fazer tudo e quase nunca seguia os planos de seu mentor, mas apesar dos pesares, suas interferências, algumas vezes, davam certo.

Vendo como o sistema funcionava à medida que crescia, Jason não concordava muito com os métodos do morcego, e achava que os criminosos não deviam continuar vivos após o que faziam. Isso acabou deixando-o dentro de um dilema enorme: “porque matar não seria o certo?”, ainda mais quando surge um assassino em série chamado Felipe Garzonas, que sempre escapava da cadeia devido à influência diplomática de seu pai. Após o fim do arco, enquanto Felipe caía de um prédio, Jason é visto apenas olhando a sua morte, mas nunca foi confirmado o que aconteceu, ou ele o empurrou, ou o vilão pulou com medo da agressividade do garoto prodígio.

Em 1988, na edição Batman #428, Jim Starlin faz uma das mais icônicas sagas em meio aos quadrinhos: Morte em Família (não se confunda com morte da família, que é outra saga com participação do coringa nos N52). Nela Jason descobre que Catherine não era a sua verdadeira mãe e sim, Sheila. Quando vai ao seu encontro, descobre que ela trabalhava para o Coringa e tudo aquilo era uma emboscada, num momento marcante e bem doentio, após ser espancado por um pé de cabras usado pelo vilão e abandonado com uma bomba ao seu lado, acontece uma enorme tragédia e assim Bruce Wayne termina com mais uma lápide nos fundos da sua casa.

Morte em Família (1988)
Morte em Família (1988)

Após alguns anos, Jason, que havia sido ressuscitado em um poço de Lázaro por Talia Al Ghul, volta como Capuz Vermelho (primeira identidade do Coringa), e completamente insano por vingança, sequestra e espanca o coringa utilizando um pé de cabra da mesma forma que foi espancado. Após os acontecimentos, Jason se torna completamente um criminoso, tudo que Bruce temia desde que o adotou.

Atualmente o Capuz Vermelho não é mais um vilão, mas ainda é um fora da lei (E qual vigilante não é?) e  utiliza métodos não muito convencionais para alcançar seus objetivos.


3º Robin – Tim Drake

Robin / Robin Vermelho
Robin / Robin Vermelho

1ª Aparição – Batman #436 (1989)

Diferentemente dos outros Robins, a história de Timothy Drake (Tim Drake, como é conhecido) não é bem regada a tragédias (inicialmente). O que aconteceu foi o seguinte, Tim sempre teve um talento para investigação e computadores e quando presenciou o assassinato dos Graysons Voadores, começou a acompanhar o caso e a vida de Dick Grayson e Bruce Wayne. Porém, pouco tempo depois do acontecido, o Batman começou a trabalhar com um parceiro e graças aos seus talentos, Timothy juntou as peças e descobriu as identidades secretas de Batman e Robin.

Após o que aconteceu com Jason Todd (você leu agorinha né?), Tim resolve procurar o morcego e mostrar que conseguiu descobrir sozinho o que ninguém havia feito, e o pede para ser o sucessor de Jason. Porém como o Batman não queria mais parceiros e se responsabilizava pela morte do segundo Robin, negou a proposta, mas logo foi convencido por Dick Grayson, o Asa Noturna.

Como Robin, Tim era exatamente o que Bruce queria como parceiro, completamente disciplinado, obediente, discreto e inteligente, o mais parecido com o Batman.

Timothy, que ainda tinha uma família, algumas vezes tinha que justificar a sua saída, mas alguma hora seu pai descobriria, e foi realmente o que aconteceu, quando descobriu seu segredo, um ultimato foi recebido e ele pediu ao Batman para que sua namorada Stephanie Brown fosse a Robin por um tempo.

Jack Drake descobre que seu filho é o Robin.
Jack Drake descobre que seu filho é o Robin.

Não muito tempo depois, na saga Crise de identidade, acontece uma das cenas mais tristes das histórias em quadrinhos, o pai de Drake acaba sendo assassinado e o garoto prodígio se revira em culpa. Após o que aconteceu, Bruce decide adota-lo aumentando mais uma vez sua família.

A morte do pai de Tim Drake.
A morte do pai de Tim Drake.

Timothy drake assim como Dick também liderou alguns grupos dentro dos quadrinhos, primeiramente foi a Justiça Jovem, equipe na qual conheceu o seu melhor amigo Kon-El, o Superboy. Após um tempo, a equipe acabou e grande parte dos seus membros se juntaram aos Titãs, onde Tim também virou líder.

Após a saga Batman R.I.P. quando Dick Grayson assume o manto do Batman e concede a Damian Wayne o manto do Robin, Tim não fica muito contente e decide trabalhar sozinho, adotando o codinome de Robin Vermelho, o qual usa até hoje.


4º Robin – Stephanie Brown

Spoiler / Robin / Batgirl
Spoiler / Robin / Batgirl

1ª Aparição – Detective Comics #647 (1992)

Filha do vilão Mestre das Pistas, Stephanie Brown teve uma infância com um pai não muito presente, já que o mesmo passou muito tempo na cadeia. Quando ele volta a ser um criminoso ela decide criar um alter-ego para prender o pai e se torna a Spoiler (no Brasil foi traduzido para salteadora, porém recentemente nas traduções dos n52 voltaram a usar o nome original).

Após a prisão do seu pai, Steph continuou sua vida como vigilante e conheceu Tim Drake, com quem conseguiu criar um relacionamento. Após o pai de Drake descobrir que ele era o Robin, ele pede ao Batman para que Steph fique no lugar dele carregando o manto, o mentor aceita, treina a garota mas após um tempo diz que ela não estava preparada e que não seria mais seu parceiro.

Quando deixa o manto de Robin, Steph começa uma busca para surpreender o Batman. Ela começa a investigar as famílias de Gotham, e por conta disso, acaba sendo capturada e torturada pelo vilão Máscara negra, mas consegue escapar e procurar ajuda médica. Bruce chega um pouco atrasado mas quando a encontra, ela faz uma última pergunta a ele: “eu realmente fui uma Robin?” quando ele diz que sim, ela fala que precisa descansar agora e acaba falecendo.

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Morte de Stephanie Brown.

Depois de ser dada como morta por muito tempo, Stephanie reaparece viva, e mostra que sua morte foi apenas um plano do Batman com ajuda da Dra Leslie Thompkins para a manter segura. Um ano depois, à pedidos de Cassandra Cain, ela assume o manto de Batgirl.

Stephanie Brown volta dos mortos.
Stephanie Brown volta dos mortos.

Atualmente, após a reformulação do universo dos N52, Stephanie nunca foi Robin, nem Batgirl, apenas continua carregando seu manto de Spoiler dentro da Bat-família.


5º Robin – Damian Wayne

Damian Wayne
Damian Wayne

1ª Aparição – Batman #655 (2006) 

Criado por Grant Morrison, Damian foi um conceito gerado por Denny O’Neil, na trilogia do demônio, em 1987, que até então não era considerado cânone, sem algum motivo explicável dentro da editora DC.

Criado de forma diferente de qualquer outra criança, Damian teve um treinamento muito rigoroso para ser o mais impiedoso e mortal dentre os assassinos, envolvendo morcegos mutantes e ninjas, o que tirou grande parte da sua infância, ou qualquer chance de se tornar um garoto normal.

Damian

Quando conheceu seu pai, Damian já tinha uma certa idade, e Bruce estava disposto a treina-lo, porém como o garoto cresceu achando que matar era algo comum, que apenas ser o mais forte era o que importava, ele não demonstrava nenhum respeito ao pai, já que os métodos usados pelo morcego eram completamente diferentes dos que eram usados pelo seu avô, Ra’s Al Ghul.

Após a suposta morte do Batman, Damian começou a respeitar mais o legado do morcego, e Dick (que tinha se tornado o Batman) resolveu levar o manto de Robin para ele, já que o mesmo não se mostrava mais um garoto instável e entendia o por que dos métodos do pai, mas com o detalhe que ele ainda precisava de boa instrução, diferente de Tim (que ainda era o Robin).

Dick Grayson e Damian Wayne, respectivamente Batman e Robin.
Dick Grayson e Damian Wayne, respectivamente Batman e Robin.

Quando Bruce retorna, Dick volta a ser o Asa Noturna, e Damian ainda é mantido como Robin. Através de mais treinamento com o pai, principalmente dentro de campo, o amadurecimento vai chegando (levando em conta a idade de garoto, que assumiu o posto do Robin com 08 anos), e a confiança também aumenta a seu respeito.

A partir de um plano de Talia al Ghul que se baseava em clonar seu próprio filho (mostrado em Corporação Batman), um clone mais velho do 5º Robin é feito e depois de uma intensa luta, que foi praticamente uma guerra, o Batman perde mais um Robin, só que ainda pior, esse era seu filho.

Nosso herói “cai” após o acontecimento, e não desiste de procurar meios para ressuscitar seu filho, até que uma esperança surge vindo de Apokolips (Lar do terrível Darkseid). Uma espécie de cristal usado como fonte de energia para armas do planeta, consegue fazer o menino prodígio voltar a vida, e com um bônus… Super Poderes!

Após uma terrivel luta contra apokolips, Robin volta a vida.
Após uma terrivel luta contra apokolips, Robin volta a vida.

Depois de realizar algumas missões com a Liga da Justiça, Damian perde seus poderes e volta a ser o Robin que era antes, porém agora muito mais disciplinado (nem tanto assim).


Menção Honrosa – Carrie Kelley

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1ª Aparição – Batman: The Dark Knight Returns #1

Após ser salva pelo morcego, Carrie começa a ficar fascinada por sua história e pretende virar também uma Vigilante. Uma noite, ela costura uma roupa de Robin, pega seu estilingue, e começa a ir atrás de bandidos, porém, primeira missão não dá muito certo e ela é salva pelo Batman mais uma vez.

Ela não desiste e mais uma vez tenta ajudar o Batman, na primeira tentativa de enfrentar o líder mutante, o Morcego acaba levando uma surra e Carrie aparece para salva-lo, a partir daí, Bruce enxerga nela um grande potencial e aceita que ela seja a nova Robin.


Bom, ficamos por aqui, gostaram? Espero que sim, até a próxima e lembre-se, se for combater o crime não se esqueça  das botas verdes e do casaco vermelho!

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Muu! | Saiba tudo sobre a Batvaca

Se você está meio perdido, saiba que não leu o título errado. A Batvaca existe, e ela é maravilhosa. Criada nas páginas de Corporação Batman pelas mãos de Grant Morrison e Chris Burnham, a simpática vaquinha rapidamente se tornou um dos membros mais queridos (e inusitados) da Bat-Família. Confira abaixo tudo sobre a vida da personagem até os dias de hoje! CONTÉM SPOILERS DE “BATMAN INCORPORATED” E “BATMAN & ROBIN”.

Corporação Batman foi a série final de Grant Morrison na vida do Homem-Morcego. O renomado escritor deu início à sua fase no personagem em 2006, na revista Batman #655, onde começou o arco que apresentaria o filho de Bruce Wayne com Tália al Ghul, Damian Wayne. Reaproveitando a ideia de uma história que até então não fazia parte do cânone do Batman (O Filho do Demônio), Morrison explorou Damian ao longo dos anos, com passagens memoráveis como a época em que o garoto assumiu o manto de Robin ao lado de Dick Grayson (atuando como Batman após a “morte” de Bruce na Crise Final), e toda sua passagem no título da Corporação.

Dick Grayson e Damian Wayne na revista Batman & Robin. Arte de Frank Quitely.

A ideia da Corporação Batman pode ser resumida em poucas linhas: Bruce Wayne, após voltar de sua viagem temporal forçada por Darkseid na Crise, assume que financia o Batman e deseja criar um grupo de Batmen ao redor do mundo, unindo justiceiros mascarados de todas as partes do globo (a maioria previamente apresentados no arco A Luva Negra). É então que, na edição número #1 do Volume 2 da Corporação Batman (já nos Novos 52), Damian resgata uma vaca dentro de um abatedouro, enquanto declara que agora é vegetariano e a vaquinha “diferenciada” será a Batvaca.

“A partir de agora, eu sou vegetariano. E esta é a Batvaca.” Arte de Chris Burnham.

A forma como a Batvaca foi introduzida serviu para estabelecer que, apesar de ser treinado pela Liga das Sombras de Ra’s Al Ghul e ser praticamente uma máquina de matar, Damian ainda é uma criança. Outros animaizinhos, como o cachorro Titus e o gatinho Alfred também passaram a habitar a Batcaverna até os dias de hoje. Mas voltando ao tema principal deste texto, a partir da sua primeira aparição a simpática vaquinha marcou presença durante todo o run do Morrison na Corporação.

Corporação Batman #3.
Corporação Batman #3.
Corporação Batman #6.
Corporação Batman #6.
Corporação Batman #7.
Corporação Batman #7.

Então, nas páginas de Corporação Batman #8, Damian Wayne morre. Em uma batalha cruel, o filho do Batman é espancado e empalado por uma espada, encontrando seu derradeiro fim. Bruce dá início aos seus planos em busca de vingança pelo que Tália fez ao seu filho, e a Batvaca protagoniza um momento emocional onde o herói, deprimido, demonstra um pouco de carinho pelo animalzinho que traz lembranças de seu filho.

Corporação Batman #9.
Corporação Batman #9.

Ao final do arco, Morrison encerra em julho de 2013 sua longa passagem pela vida do Cruzado Encapuzado mostrando um Batman de luto, mais revoltado e menos… Atencioso com os pets de seu falecido filho.

"Muu. Cale-se. Miau." Corporação Batman #13.
“Muu. Cale-se. Miau.” Corporação Batman #13.

A próxima aparição da vaquinha foi numa revista especial, em agosto do mesmo ano, protagonizando sua própria aventura. Parece loucura, mas em “Batman Incorporated Special #1” diversos artistas e roteiristas trabalharam com os vários heróis da Corporação, e coube a Dan Didio (Editor Executivo da DC) e Ethan Van Sciver a missão de contar uma história de seis páginas onde a Batvaca (trajada de uma bela capa negra e esvoaçante) salva um bebê que havia sido sequestrado. Ao entrar na frente do carro dos sequestradores, fazendo com que eles batessem o veículo e a polícia os alcançasse, a vaquinha salva o dia. De quebra, a heroína ainda forneceu leite para a mamadeira do bebê.

Capa variante de "Corporação Batman Especial #1"
Capa variante de “Corporação Batman Especial #1”.
A Batvaca fornece leite para o bebê recém resgatado.
A Batvaca fornece leite para o bebê recém resgatado ao final de “Corporação Batman Especial #1”.

Se desvencilhando dos títulos do Homem-Morcego, a Batvaca voltou a aparecer nas páginas dos quadrinhos da DC Comics em outubro de 2014, num encontro especial do Povo da Eternidade com a “Bat-aparição gratuita!“. A revista escrita por Keith Giffen e Dan Didio mostrou o encontro dos protagonistas com a Batvaca na edição número #4. A Bat-vaquinha lambe uma Caixa Materna e dá um presente para Serafina Baldaur. Tudo isso em apenas duas páginas!

Infinity Man and the Forever People #4. Bat-Aparição gratuita!

Dois meses antes, voltando à cronologia do Batman, o escritor Peter Tomasi deu início ao retorno de Damian com o arco “Robin Rises“. Tomasi foi o responsável pela excelente revista Batman & Robin ao longo dos Novos 52, onde trabalhou muito bem a relação de pai e filho entre Bruce e Damian. O arco da ressurreição do Robin teve início na revista especial “Robin Rises: Omega” e se desenvolveu entre as edições #33 e #37 da revista da dupla. Na edição #35 a Batvaca faz uma pequena aparição.

"Batman & Robin #35". Arte de Patrick Gleason.
Batman & Robin #35. Arte de Patrick Gleason.

Ao final do arco, na revista “Robin Rises: Alpha“, a vaquinha marcou presença novamente, e ainda confrontou Kalibak, filho de Darkseid:

Robin Rises: Alpha #1.
Robin Rises: Alpha #1.
Robin Rises: Alpha #1. A Batvaca consegue peitar o Kalibak!
Robin Rises: Alpha #1. A Batvaca consegue peitar o Kalibak!

Pouco tempo depois, já em 2015, a vaquinha voltou a aparecer na revista de Peter Tomasi:

Batman & Robin #40.
Batman & Robin #40.

Meses depois, ainda em 2015, Damian ganhou seu título próprio que durou pouco mais de um ano, chamado “Robin: Son of Batman (Robin: Filho do Batman), escrito e desenhado inicialmente por Patrick Gleason, o artista que trabalhou com Tomasi no título da dupla dinâmica. Esta revista introduziu alguns personagens que vieram a se tornar recorrentes na vida do Robin, durou 13 edições e a Batvaca fez aparições em algumas delas.

Robin: Son of Batman #1.
Robin: Son of Batman #1.
Robin: Son of Batman #9.
Robin: Son of Batman #9.
Robin: Son of Batman #10.
Robin: Son of Batman #10.

Voltando um pouco no tempo, em Abril deste ano a Batvaca também fez uma aparição rápida na revista Batman/Superman #31, escrita por Peter Tomasi e desenhada por Doug Mahnke, onde ela recebe um carinho do Superman em carne e osso.

Batman/Superman #31.
Batman/Superman #31.

Então veio o Rebirth. O grande evento da DC Comics que reiniciou a numeração de suas revistas, trouxe de volta revistas antigas e elementos clássicos da editora e renovou suas equipes criativas vem se provando um grande sucesso de público e crítica. Um dos grandes acertos da editora com este evento foi trazer de volta o Superman pós-Crise, casado com Lois Lane e criando seu filho, Jon Kent, o novo Superboy.

A revista do azulão ficou a cargo das mãos abençoadas de Peter Tomasi, onde ele vem desenvolvendo a relação familiar dos personagens ao longo de suas onze edições publicadas até o momento. Além disso, Superman também vem sendo utilizada para dar início ao título Super Sons, revista que também será escrita por Tomasi e será protagonizada por Damian e Jon, ambos personagens carimbados no currículo do roteirista. Para a surpresa de muitos, na revista Superman #10, Tomasi promoveu o primeiro encontro dos garotos, e de quebra trouxe a Batvaca de volta, em sua aparição mais recente.

Em Superman #10, Damian faz as pazes com Jon Kent e apresenta todos seus mascotes ao Superboy.
Em Superman #10, Damian faz as pazes com Jon Kent e apresenta todos seus mascotes ao Superboy.

A aparição da Batvaca na revista do Superman foi a mais recente até agora. A revista foi lançada há pouco menos de um mês, e os leitores tiveram a chance de vislumbrar mais uma vez os belos olhos brilhantes da vaquinha mais querida da DC Comics.

O conceito da Batvaca foi utilizado por Morrison (seu criador) para, além de humanizar Damian, dar um tom mais leve e aventuresco ao redor do Batman, similar a aventuras do personagem na Era de Prata, época em que Morrison se baseia para criar boa parte de suas histórias. Durante sua passagem na Corporação, Morrison satiriza o ridículo da situação (de um animal qualquer estar vestido de morcego), e ao mesmo tempo torna a ideia aceitável e cria um laço afetivo com os leitores. A própria DC brincou com a personagem, quando sites estrangeiros especularam, na brincadeira, que a grande revelação sobre quem estava vestindo a roupa do Alado (membro da Corporação), seria inusitadamente a Batvaca.

Alado é, na verdade, a Batvaca. Teria sido uma revelação bem mais surpreendente do que a real.
Alado é, na verdade, a Batvaca. Teria sido uma revelação bem mais surpreendente do que a real…

Com Tomasi a cargo de duas revistas da DC, as chances da vaquinha voltar a aparecer são bem grandes. O que será que o futuro reserva para o mamífero ruminante? Será que um dia veremos sua trágica morte nas páginas de um gibi? Só o tempo dirá. E até lá, esperamos que Damian mantenha o melhor feno disponível no comedouro da mimosa.

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DC Comics e a representatividade feminina

O mundo dos quadrinhos vem mudando aos poucos. Discussões sobre igualdade de gênero e sexualização de personagens aparentam estar criando mais consciência dentro das editoras americanas, e a DC Comics tem abraçado a causa em diferentes mídias nos últimos anos. Apesar de estar longe do que seria o ideal com relação à igualdade de gênero, tanto dentro das histórias quanto fora (nas equipes criativas), a Editora das Lendas vem sendo pioneira quando o assunto é a representatividade feminina.

Recentemente, a Mulher-Maravilha, maior heroína da editora, tornou-se embaixadora honorária da ONU para promover o empoderamento feminino. A ação, envolta em polêmicas e discussões sobre o que a personagem, fictícia, representa sendo branca e carregando uma bandeira americana no peito, ainda assim foi de extrema importância histórica para a Amazona, para a DC Comics e para todas as mulheres que se sentem representadas pela personagem e tudo que ela simboliza: força, compaixão, igualdade e paz. Na cerimônia, Lynda Carter e Gal Gadot (ambas atrizes que deram vida à personagem) discursaram sobre a ação, além de outras mulheres envolvidas, como Patty Jenkins, diretora do vindouro filme da personagem.

Mulher-Maravilha tornou-se embaixadora honorária da ONU para empoderamento feminino.
Mulher-Maravilha tornou-se embaixadora honorária da ONU para empoderamento feminino.

A ação tomada pela Organização das Nações Unidas não foi o único feito representativo da personagem nos últimos tempos. No cinema, a Mulher-Maravilha protagonizará, apenas um ano após sua estreia nas telonas, o primeiro filme moderno de uma super-heroína. Com sua estreia em “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” a personagem tornou-se praticamente uma unanimidade de adoração entre os fãs (que tiveram opiniões divididas sobre o filme, bem como sobre o anúncio da atriz escalada, caindo sempre na questão da sexualização da personagem), e voltou a se tornar um pilar da DC Comics, algo que não acontecia há alguns anos. Além disso, Patty Jenkins é uma das poucas diretoras de Hollywood a dirigir um filme blockbuster com um orçamento acima dos 150 milhões de dólares.

Para traçarmos um panorama geral das mudanças mais recentes devemos voltar apenas 5 anos no tempo e tomarmos a iniciativa dos Novos 52 como um pilar de comparação. Na época, a decisão completamente empresarial da DC focava unicamente na quantidade de vendas de cada título, e como consequência, todos os personagens sofreram re-designs. Apesar de boas fases como a de Brian Azzarello no título da Princesa Amazona, ou a Batwoman de J.H. Williams III, grande parte das heroínas e vilãs foram hiper-sexualizadas com seus novos trajes. Supergirl, Estelar, personagens da Legião dos Super-Heróis e a Mulher-Gato ganharam novos uniformes, sendo todos micro-roupas ou trajes colados, afetando diretamente a arte interna das revistas, sempre priorizando as características sexuais de cada uma.

Sonhadora, Supergirl e Estelar após o reboot dos Novos 52.
Sonhadora, Supergirl e Estelar após o reboot dos Novos 52.

Na mesma época a DC também vinha sendo alvo de questionamentos por conta da massiva demissão de funcionárias de cargos criativos. Mais uma vez, a priorização do número de vendas de cada revista afetou o relacionamento entre a editora e as profissionais, tornando o percentual de artistas e roteiristas mulheres dentro da editora um número baixíssimo. Existem diversas artistas que passaram por más experiências na época, trabalhando para a DC, que juram não voltar a trabalhar lá nunca mais.

Polêmicas e um passado ruim (não tão distante) postos de lado, surgiu a reformulação da Batgirl, no número #35 de sua revista, em 2014. Escrita pelos roteiristas Brenden Fletcher e Cameron Stewart, a nova vida da Garota Morcego (que até então era escrita por Gail Simone, famosa roteirista) foi marcada pela reformulação de seu uniforme nas mãos da artista Babs Tarr, tirando o caráter sexual da personagem e criando um apelo para o público feminino (e mais jovem) que até então quase não consumia DC. O chamado “fator Batgirl” abriu os olhos da editora para as mudanças que vieram em seguida, como a reformulação da Canário Negro, das Aves de Rapina, da Arlequina, da Estelar, da Supergirl e de outras personagens. A maioria destas reformulações tiveram, em algum quesito (roteiro ou arte), dedo criativo de mulheres recém-contratadas, especialmente durante o DC You, selo criado após o fim dos Novos 52 visando adotar um aspecto mais indie para os quadrinhos da editora. Nomes como Amanda Conner, Meredith Finch, Annie Wu, Pia Guerra e Emanuela Lupacchino são, dentre outras, algumas das autoras envolvidas neste período, aumentando (e muito) o percentual de mulheres trabalhando na editora.

A jovem heroína de Gotham foi a responsável por grandes mudanças no panorama da editora.
A jovem heroína de Gotham foi a responsável por grandes mudanças no panorama da editora. Na mesma época, a Arlequina de Amanda Conner crescia e tornava-se um sucesso de vendas.

Tamanha foi a mudança no cenário dos quadrinhos que os produtos derivados (como as animações e séries de TV) também começaram a passar por mudanças ao longo dos anos. Em 2012, um ano após o início dos Novos 52, estreava a série de TV Arrow no canal CW. Algum tempo depois a Canário Negro (na época, Sara Lance) foi introduzida na mitologia da série, e posteriormente surgiram outras mulheres para compor as equipes de personagens, como a segunda Canário Negro (Laurel Lance, em seu uniforme muito similar ao da Batgirl de Babs Tarr), Nyssa Al’Ghul, Thea tornando-se a Speedy, assumindo o legado de Roy Harper, e mais recentemente, na quinta temporada, a Ártemis.

O canal CW sempre foi criticado pela escrita pobre de suas personagens femininas. Resumidas a interesses amorosos ou garotas em perigo, por um bom tempo as mulheres de suas séries eram somente alívios cômicos e românticos dentro da história focada em seus heróis. Em 2014, The Flash marcou sua estreia introduzindo Iris West e Caitlin Snow, ambas na época ainda sofrendo de uma má escrita dos roteiristas. E em 2015 os produtores do “CW-verso” criaram a série da Supergirl (primeira série moderna de uma heroína), onde a protagonista é uma mulher, com uma irmã forte (e, mais recentemente descoberta, homossexual), cercada por homens que servem na maioria das vezes exclusivamente como interesse amoroso ou alívio cômico.

Os papéis se inverteram, e o reflexo do sucesso de Supergirl, que lida com discussões sobre igualdade e racismo, foi instantâneo no universo das séries. Vixen ganhou uma série animada e foi apresentada em Arrow; Sara Lance foi, ao lado da Mulher-Gavião, viajar na Waverider com os membros de Legends of Tomorrow; Iris foi ganhando mais foco em suas características de repórter investigativa, enquanto Jesse Quick era apresentada, e gradativamente as personagens deste universo foram sofrendo mudanças e ganhando mais espaço. Mais recentemente, Sara assumiu o posto de Capitã da nave das Lendas e Caitlin Snow começou a desenvolver seus poderes de Nevasca ao mesmo tempo que Jesse foi desenvolvida como uma velocista. Além das séries heroicas o canal também conta com iZombie, adaptação de uma série da Vertigo protagonizada por uma mulher zumbi chamada Olivia Moore.

Em pouco tempo as personagens femininas das séries da CW foram ganhando mais espaço. Longe do que seria ideal e perfeito, mas conquistando gradativamente seus lugares de destaques tão merecidos.
Em pouco tempo as personagens femininas das séries da CW foram ganhando mais espaço. Longe do que seria ideal e perfeito, mas conquistando gradativamente seus lugares de destaques tão merecidos.

Como um ciclo sem fim, o impacto do sucesso das séries e filmes começou a afetar os quadrinhos mais recentes. Com a iniciativa do Rebirth, o aclamado roteirista Greg Rucka retornou à editora assumindo total controle criativo do título da Mulher-Maravilha, acompanhado dos artistas Liam Sharp e Nicola Scott (esta segunda, mulher, desenhando a nova origem da personagem). A Supergirl do DC Rebirth, reformulada, se assemelha muito à forma como a série retrata a personagem. A revista da Garota de Aço (que é escrita por um roteirista homossexual e teve edições desenhadas por uma mulher) somada a outras HQs de heroínas e vilãs como Batgirl, Arlequina, Aves de Rapina, Superwoman e a já citada Mulher-Maravilha compõem parte do atual catálogo diversificado da editora.

Além dos títulos solo, a Mulher-Maravilha também faz parte da Liga da Justiça e da revista Trindade, enquanto Jessica Cruz (a Anel Energético) assumiu o posto de Lanterna Verde na revista Green Lanterns e também faz parte da Liga. O Esquadrão Suicida conta com a presença da Arlequina, Katana e Magia, e os Titãs contam com Donna Troy e Lilith na equipe, enquanto os Jovens Titãs possuem Estelar Ravena (a segunda protagonizando também uma minissérie). O Arqueiro Verde divide seu título com a Canário NegroAcademia Gotham é uma revista protagonizada por uma garota. Detective Comics, clássico título do Batman, conta com uma equipe formada por Batwoman, Stephanie Brown e Cassandra Cain, além das séries paralelas e minisséries como DC Bombshells e Catwoman. Em breve o Cyborg ganhará uma contraparte feminina chamada She-Borg. O novo selo da DC chamado Young Animal traz a reinvenção do clássico personagem Shade, O Homem Mutável, agora reformulado para Shade, A Garota Mutável. Quadrinhos da Hanna Barbera como Flinstones tomam o fronte de criticar as imposições de uma sociedade machista, criando paralelos com os homens das cavernas, e aos poucos todas as obras da DC rumam cada vez mais a uma Era de Ouro de suas personagens.

O DC Rebirth, momento atual da editora nos EUA, é marcado por uma boa quantidade de títulos protagonizados ou com presenças femininas constantes.
O DC Rebirth, momento atual da editora nos EUA, é marcado por uma boa quantidade de títulos protagonizados por mulheres ou com presenças femininas constantes, quase sempre contando também com mulheres nas equipes criativas.

E nas animações? Com uma alta produtividade anual a DC Comics conta com diversos longas animados e séries para TV e web sendo produzidas constantemente. Apesar de deslizes (como o irrefutável erro cometido na animação da Piada Mortal, envolvendo a Batgirl), há também uma preocupação constante com o protagonismo feminino em suas séries e filmes cartoon. As atuais e vindouras séries (como Justice League Action) contam sempre com personagens femininas no elenco fixo, e existem exceções que são totalmente focadas nas garotas.

DC Super Hero Girls é uma série animada que estreou em 2015 visando o público infantil. Com duas temporadas exibidas até o momento, sendo a segunda ainda em andamento, a série de curtas vem fazendo sucesso entre garotas graças ao protagonismo de uma variedade de heroínas e vilãs da editora, todas com designs leves e agradáveis, como a Mulher-Maravilha, Hera Venenosa, Batgirl, Katana, Arlequina e outras. A marca tornou-se forte dentro da DC e o interesse das garotas nas bonecas e produtos derivados da obra (que é focada nas garotas frequentando uma Escola de Super-Heróis) foi tornando a animação uma grande marca, já contando com spin-offs e até mesmo quadrinhos baseados neste universo.

A animação focada nas garotas da DC Comics é um sucesso graças ao streaming nos canais oficiais da série.
A animação focada nas garotas da DC Comics é um sucesso graças ao streaming na internet através dos canais oficiais da série.

Pode não parecer a primeira vista, especialmente quando você está ocupado constantemente em acompanhar universos tão ricos derivados das propriedades intelectuais da DC Comics, mas o fato é que as garotas vem ganhando cada vez mais espaço dentro da editora. A somatória de uma boa representação, oportunidades de trabalho para mulheres dentro da editora, não sexualização das personagens e outros fatores que devem se tornar absolutos vem transformando as iniciativas da casa dos Maiores Heróis do Universo em ideias verdadeiramente revolucionárias.

É inegável que nem tudo são flores. Boa parte das mudanças proporcionadas nos últimos 5 anos tiveram colaboração de fatores externos nem sempre positivos, como as reclamações, denúncias de abuso, algumas poucas ideias inspiradas da Marvel (como a Miss Marvel fazendo sucesso alguns anos atrás), mas o fato também incontestável é que a Editora Azul passou disparada na frente da concorrência na questão da representatividade feminina, em todas as mídias, especialmente nos últimos dois anos com tantas ideias sendo botadas em prática, criando um parâmetro de comparação que, se for seguido por outras editoras, somente beneficiará as consumidoras e todos os leitores de quadrinhos. A expectativa é que as coisas melhorem ainda mais, e que no futuro possamos olhar para trás não lamentando os erros, mas sim nos vangloriando de todos os acertos.

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Dylan Dog | O Investigador de Pesadelos

O que vem à sua mente quando mencionamos a palavra “quadrinhos”? Logicamente, Marvel ou DC. Um outro ainda irá arriscar Image ou Dark Horse. A grande verdade é que se tornou difícil sair desse clichê; talvez por culpa do mercado, ou até mesmo do consumidor que já está habituado a procurar seus personagens preferidos nas bancas e deixar de lado algo novo, algo diferente, algo inusitado. Ou talvez por falta de quem apresente esse algo novo. E é com esse intuito que eu venho aqui, humildemente, escrever essas linhas. Para falar de um dos mais fascinantes heróis(ou, talvez, anti-herói) que já tive o prazer de ler. Seu nome? Dylan Dog. Sim, eu sei, parece uma marca de comida para cães(desculpem, é uma piada recorrente nas histórias), mas este é o melhor Investigador de Pesadelos que você poderá encontrar. Também, pudera: Ele é o único!

Criado por Tiziano Sclavi , um dos maiores ícones dos quadrinhos italianos, tudo começa com uma mulher desesperada e uma horda de zumbis enlouquecidos. Com o título de “A Madrugada dos Mortos-Vivos“(calma, Steve, eu sei que você entendeu…), o primeiro número de Dylan Dog, o Investigador de Pesadelos, em uma tradução literal(Dylan Dog, L’Indagatore dell’Incubo), vem à luz com sua primeira história.

Capa do original italiano do primeiro número de Dylan Dog.
Capa do original italiano do primeiro número de Dylan Dog.

No formato tradicional italiano, ou seja, uma história com início e fim na mesma revista, diferente das costumeiras “grandes editoras”, onde você precisa comprar 5 revistas diferentes para pegar o fio da meada de uma história legal(não é, Marvel?!), a história se desenvolve mostrando toda a gama de influências que ambos possuem dos trash movies. A começar pelo que dá o título à história, passado por “ReAnimator“, este primeiro número foi o que bastou para que a Bonelli investisse pesado no título, dando início a um dos personagens mais queridos da editora, ao lado de Tex Martyn Mystère.

À partir daí, usando muita licença poética, Dylan já enfrentou serial killers, demônios, extraterrestres, fantasmas, lobisomens, fanáticos religiosos, bruxas, anjos, a Morte; já debateu filosofia com Lúcifer, já conversou com entidades milenares anteriores aos dinossauros, já ficou em uma prisão secreta para os piores tipos de assassinos e criminosos. E tudo isso sempre fazendo referências a filmes e livros, desde Eu Sou A Lenda de Matheson, ao Silêncio dos Inocentes.

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Mas nem só de pesadelos escabrosos e monstros abissais vive o Investigador do Oculto. Muitas vezes ele também andou pelo caminho do terror diário, como na excelente história Jhonny Freak, onde ele conhece o garoto Jhonny pelo qual se afeiçoa de forma emocionante, além, é lógico, dos vários amores ao qual se entrega, como todo bom investigador privado.

Dylan Dog é um dos quadrinhos mais consumidos na Itália e completa já 30 anos de história. Entre almanaques e números especiais, já está na edição número 360. No Brasil, houve uma tentativa de importação deste gibi, para fazer companhia ao solitário Tex, porém sem muito sucesso. Foram publicados 12 números pela Editora Record, 1 pela Editora Globo, 6 pela Conrad, 40 pela Mythos(até o momento, a editora que mais trouxe publicações deste título, mesmo que não tenha seguido a numeração da Bonelli) mais 6 edições especiais de coletâneas. E digo isso com bastante tristeza, pois é uma pena que o mercado brasileiro não tenha dado muita importância para um dos personagens mais complexos e com histórias muito bem construídas do quadrinho italiano. Para você, que saiba um pouco de italiano e quer se arriscar, pode tentar comprar através do site da Bonelli (é necessário cadastro), ou procurar no Mercado Livre algum número disponível em português. E eu, permaneço com a esperança de que, um dia, as editoras brasileiras olhem com carinho para o Investigador de Pesadelos.

P.S.: Houve uma tentativa de transformar Dylan Dog em um filme live action, com Brandon Routh, mas eu desaconselho veementemente àqueles que conhecem o quadrinho ou têm vontade de conhecer, por LITERALMENTE não ter nada a ver com o personagem, a não ser o nome e a caracterização. Como divertimento, até passa, mas para fã, é um sacrilégio…

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O DERRADEIRO VOO DO ROBIN | “A Última Cruzada” é uma boa leitura. Boa o bastante.

“Antes de retornar em toda sua sombria glória, o Cavaleiro das Trevas de Frank Miller viveu uma de suas aventuras mais violentas e traumáticas. Uma cadeia de eventos que acabou transformando-o para sempre e resultou nos acontecimentos que todo fã de quadrinhos acompanhou no clássico absoluto Batman: O Cavaleiro das Trevas.”

Lançado pela Panini em paralelo com Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior, atualmente nas bancas, a trama de Cavaleiro das Trevas: A Última Cruzada chega para enriquecer o “Millerverso”. Escrita por Brian AzzarelloFrank Miller, A Última Cruzada conta os anos que antecedem Cavaleiro das Trevas de 1986, incluindo os motivos que levaram a aposentadoria de Bruce Wayne como vigilante e a morte do segundo Robin, Jason Todd pelas mãos do Coringa.

https://www.instagram.com/p/BKGuZR1AGal/
https://www.instagram.com/p/BKGuZR1AGal/

A arte fica a cargo de John Romita Jr., que tenta fazer uma espécie de releitura do icônico traço de Miller, e mesmo dividindo opiniões entre os fãs sobre a qualidade de seu trabalho, consegue entregar um traço muito satisfatório aqui.

O roteiro arroz com feijão até se arrisca a tecer algumas críticas sociais, mas muito superficialmente, nada comparado ao clássico de 86. Personagens como Selina Kyle ganham um background a mais, e algumas questões deixadas em aberto anteriormente são complementadas. Vilões clássicos como Crocodilo e Hera Venenosa também dão as caras.

Teimoso, arrogante, violento e com fortes sinais de psicopatia… são as características que compõem a personalidade de Jason Todd, o segundo Robin. Jason é o foco principal da história, e que muitas vezes se mostra despreparado para assumir o lugar do Homem Morcego, que teme em deixá-lo, pois sabe de suas limitações. De certo modo, Bruce se sente culpado pelo seu comportamento violento.

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Bruce por sua vez, começa a sentir os primeiros sinais de sua própria mortalidade. Seus conflitos internos e sua relutância em deixar o manto sem alguém a altura tiram sua paz e acabam com seu corpo limitado.

Alfred: “-Jovens querem lutar.

Bruce: “-E o que querem os velhos?”

Alfred:“-Serem jovens. Mas nada dura para sempre, senhor.

O Coringa aparece contundente e manipulador em suas poucas aparições.

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“Lobos, cordeiros… Qual a diferença?”

A crescente tensão nos prepara desde o início para o clímax derradeiro e inevitável. O final da trama é seco, abrupto e te deixa com uma sensação ruim, um gosto amargo na boca. Talvez tenha sido essa a intenção da dupla Azzarello/ Miller: chocar o leitor.

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Ainda ficamos com algums dúvidas pendentes em relação aos heróis daquele universo, e o destino de alguns deles, como o Arqueiro Verde. Sabemos que o Arqueiro perdeu um dos braços em um confronto com o Superman, e que depois disso foi preso. Mas como isso aconteceu? E Dick Grayson, o primeiro Robin? São coisas que os fãs gostariam de ver. Talvez tenha ficado para um volume 2? Saberemos em breve.

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Batman: O Cavaleiro das Trevas (1986)

Frank Miller confirma Cavaleiro das Trevas 4

A Panini ainda disponibilizou 4 belas capas, para todos os gostos:

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Na ordem: John Romita Jr., Lee Bermejo, Bill Sienkiewicz e Jim Lee.

Cavaleiro das Trevas: A Última Cruzada é uma ótima One-Shot, vai direto ao ponto sem frescura. Com um preço justo de R$11,90, contendo 68 páginas e um acabamento muito competente, ela é um prato cheio para os já familiarizados e um ponto de partida para os curiosos.

Uma boa leitura . Boa o bastante.

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Como o Rebirth salvou o Superman

Superman. O maior herói de todos os tempos, condenado a sofrer nas mãos de roteiristas que das duas, uma: ou não entendiam o personagem ou simplesmente distorciam tudo que ele sempre representou. Desde o reboot dos Novos 52 em 2011, o Superman deixou de ser um personagem chamariz da DC. A cueca por cima da calça sumiu, e o amor dos fãs mais antigos foi junto. Personagens como a Arlequina começaram a vender mais que o azulão. Mas a nova reformulação da Editora das Lendas, o Rebirth, vem fazendo jus ao personagem, salvando o herói da exposição ao sol vermelho dos últimos cinco anos.

Voltemos à 2011. A DC Comics anuncia seu reboot, com origens dos heróis recontadas (quase todas, pelo menos), artistas assumindo o cargo de roteiristas, velhos nomes voltando (e outros simplesmente largando de vez a editora), entre outras mudanças radicais. Um grande nome recebe a missão de recontar a origem do Superman neste universo mais jovem e com mais “atitude”: Grant Morrison.

Morrison, se encaixando à premissa de um universo de heróis jovens e sem quaisquer experiência, decide aproximar o Superman de suas origens da década de 30, quando Jerry Siegel e Joe Shuster o idealizaram. A revista Action Comics #1 de 1938 foi onde o herói surgiu. E em 2011, também na Action Comics #1 (que teve sua numeração zerada no reboot), Morrison deu início à sua fase que durou cerca de vinte edições. A origem do personagem foi recontada, e nestas revistas podemos captar diversas referências ao Superman inicial dos anos 30, um pouco mais violento e menos “símbolo de esperança“. Esse Superman jovem e mais violento, usando calça jeans e camiseta, posteriormente se tornou o herói com roupa azul sem a clássica cueca por cima da calça (que perdura até os dias de hoje). Mas a atitude menos racional e mais muscular continuou, se expandindo às outras revistas como a Liga da Justiça, Batman/Superman e a própria Superman, que inicialmente era escrita pelo grande George Pérez. Pérez inclusive largou a DC Comics de vez graças à péssima experiência no reboot, perdido no meio da bagunça.

Apesar da boa fase de Morrison no título (que do meio para o fim começou a envolver loucuras como Mxyzptlk e duendes de outras dimensões), pouquíssimas vezes o personagem agia como o que todos os leitores estavam acostumados. O conceito de reset foi literal no herói, enquanto Batman e Lanterna Verde mantiveram suas cronologias. Após essa fase, roteiristas como Greg Pak, Geoff Johns e Scott Lobdell assumiram o personagem, e mesmo com alguns bons momentos (especialmente na curta passagem do Johns), ele não evoluiu em momento algum, e tais fases serviam mais como histórias para cumprir tabela do que boas aventuras propriamente ditas. Em diversos momentos, a DC simplesmente parecia estar perdida: tirou os poderes do herói, revelou sua identidade, fez com que ele ganhasse novos poderes, criou novas revistas (razoavelmente bem sucedidas em vendas, como Superman Sem Limites, que apesar da história fraca contava com nomes top sellers na equipe criativa), etc. E nada parecia atrair a atenção dos leitores. Neste momento estamos prestes a entrar no Rebirth.

Convergência foi publicada. A saga que unia todos os universos alternativos da DC (pré-Crise, pré-Flashpoint, Entre a Foice e o Martelo e uma infinidade de outras realidades) em batalhas por suas sobrevivências serviu cronologicamente para trazer de volta um personagem querido dos fãs: o Superman. O mesmo que teve sua origem recontada por John Byrne na década de 80 logo após a Crise nas Infinitas Terras. O mesmo que se sacrificou enquanto lutava com Apocalypse para salvar a humanidade, e voltou dos mortos algum tempo depois. O personagem que teve sua origem reformulada por Mark Waid. O herói casado com Lois Lane (sem romance com a Mulher-Maravilha, como nos Novos 52), e mais: um pai. Esta Lois Lane pré-Flashpoint (a saga que deu origem aos Novos 52) tem um filho no final da Convergência, e então o Superman e sua esposa ganharam uma revista própria escrita por Dan Jurgens (roteirista do Superman dos anos 90, responsável pelo épico de ação que foi a morte do herói), aclamada pela crítica e fãs, chamada Lois & Clark. O casal está focado em criar seu filho, Jon, e isto foi o pontapé inicial que culminou no Rebirth.

O Superman clássico e querido pelos fãs havia voltado. Mas o Superman jovem dos Novos 52 ainda estava vivo. O que fazer? Simples: matar o dos Novos 52 e ao mesmo tempo criar um legado para este personagem, marca registrada da DC Comics. Com sua morte, o Superman mais velho (que até então agia nas sombras, evitando atrair holofotes) assume seu posto com o objetivo de honrar o símbolo da casa de El ostentado por ambos, e novos heróis surgem, como o Lex ‘Superman’ Luthor e a Superwoman. Grandes nomes como Peter J. Tomasi Patrick Gleason (dupla responsável pela excelente revista Batman & Robin) assumem a revista do Superman. Dan Jurgens fica com Action Comics, com a numeração antiga voltando a partir da edição #957. Isto é uma mensagem clara aos fãs: a esperança e o otimismo proclamados por Geoff Johns na edição especial DC Universe Rebirth também retornaram para o maior herói de todos os tempos. É o mesmo que todos amávamos antes dos Novos 52, aquele que se importa com todas e quaisquer vidas.

Não bastasse este resgate, as referências à história do personagem não param. Ao mesmo tempo, em Action Comics Dan Jurgens traz de volta toda a angústia da Morte do Superman ao fazer o Apocalypse retornar ameaçando a vida de todos, e mostrando o lado heroico de Lex Luthor, inspirado pelo sacrifício do jovem Kal-El, enquanto em Superman, Tomasi e Gleason trazem o Erradicador (personagem do Retorno do Superman) como o principal vilão, botando em risco a vida de Jon Kent, o super-filho, desenvolvendo ainda mais a relação familiar dos dois, algo similar ao excelente trabalho feito pela mesma dupla criativa na revista Batman & Robin, quando Damian e Bruce se aproximaram verdadeiramente como pai e filho.

Derivados como Superwoman guardam ideias que pegaram todos os leitores de surpresa, algo difícil de ser feito nos dias de hoje. Ao mesmo tempo em que a revista da heroína possui ligação com o “Super-universo”, Phil Jimenez também a utiliza para aparar pontas soltas deixadas pela Convergência, entregando brilhantemente uma história que soa como uma homenagem ao passado de Lois Lane e ao mesmo tempo honrando o mito do Superman. Na China, surge o New Super-Man de Gene Luen Yang. A Supergirl clássica está de volta pelas mãos de Steve Orlando. A Liga da Justiça de Bryan Hitch conta com a presença do Superman em tempo integral. E o universo do “Super” está mais próspero do que nunca, algo que não aconteceu nos últimos cinco anos. E os números do mês passado comprovam que o interesse dos leitores pelo personagem aparentemente foi retomado:

Com as edições #2 e #3 o herói continua firme no Top 20 de revistas mais vendidas dos EUA. Em dado momento dos Novos 52, o Superman chegou ao lamentável posto de revista número 310 nas vendas. O Superman Chinês aparece no Top 10, aparentemente tendo atraído a atenção dos leitores. E ainda não temos os números das vendas de revistas como Superwoman e Supergirl, que devem ser divulgados em breve.

Se números não são sinônimo de qualidade (e realmente não são), existe uma alternativa simples: perguntar a qualquer fã do Superman ou ler as diversas críticas em sites de quadrinhos. Superman e Action Comics, respectivamente, são duas das revistas mais elogiadas da reformulação da DC (ao lado do Batman de Tom King, da Mulher-Maravilha do Greg Rucka e do Arqueiro Verde de Benjamin Percy). E acredite: isso também é algo que não acontecia há um bom tempo.

A promessa aparente da DC para com o universo do Superman continua promissora, já que outras séries devem surgir em breve, como Super Sons, focada em Jon (já como Superboy) e Damian, tendo assim mais uma revista relacionada ao kryptoniano. Dan Jurgens, Peter Tomasi e Patrick Gleason seguem insanamente suas histórias, com ganchos promissores, cenas memoráveis e arcos de estreia muito interessantes. O sol amarelo voltou a brilhar e o Superman recobrou seus poderes, agora capaz de alçar vôos inalcançáveis até então. E a esperança dos fãs é de que a editora não jogue mais Kryptonita no personagem num futuro próximo, tornando-o incapaz novamente. O maior herói de todos merece ter o seu melhor oferecido a todos os leitores podendo voltar a inspirar novas gerações, mostrando o verdadeiro significado de ser um símbolo de esperança.

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A turnê da Canário Negro chegou no Brasil

Com a iniciativa DC & Você seguindo a todo vapor em terras brasileiras, a Panini Comics lançou o sexto encadernado da nova fase da Editora das Lendas, sendo este o primeiro inteiramente protagonizado por personagens femininas. “Canário Negro: O Som e A Fúria” conta a história de uma nova fase na vida da heroína, enquanto deve lidar com sua rotina de vocalista e enfrentar inimigos ao mesmo tempo.

Criando um spin-off derivado das páginas de Batgirl, o roteirista Brenden Fletcher recebeu uma importante missão: revitalizar uma das heroínas mais famosas da DC Comics. A Canário Negro sempre foi uma das personagens mais queridas pelos fãs, tida como a segunda mulher mais importante da Liga da Justiça, atrás somente da Mulher-Maravilha. E assim como o competente escritor modernizou a Garota Morcego, a história se repete nas páginas do gibi de Dinah Lance.

Dinah assumiu o posto de vocalista na recentemente rebatizada banda Canário Negro, e a partir daí, começou a causar furor no mundo da música. Usando o apelido DD, a personagem acaba notando que, por algum motivo misterioso, todos os shows de seu grupo (composto por Lorde Byron, Ditto e Incrível Paloma) acabam atraindo algum tipo de confusão, sempre terminando em violência e tudo sendo destruído. A partir daí, a história explora não somente a vida da banda, como também o passado de Dinah e os inimigos que ela acaba enfrentando.

Assim como o Bizarro de Gustavo Duarte foi uma modernização de um personagem conhecido, a revista da Canário Negro introduz novos elementos que funcionam muito bem. O roteiro, acompanhado das belíssimas artes de Annie Wu e Pia Guerra, sempre tenta focar no dia-a-dia da banda encrenqueira, acompanhando seus shows, backstages e até mesmo os elementos do passado do grupo, já que Dinah não foi a vocalista fundadora.

Compilando as edições #1 a #7, o encadernado possui um arco fechado que funciona muito bem. Aos poucos uma trama maior vai sendo costurada, e a história não falha ao tentar explorar um pouco mais do passado da protagonista. Por ser uma revista de super-heróis, todas as edições obviamente acabam descambando para momentos de porradaria, mas isso acaba sendo uma tendência de mercado para agradar todos os públicos. Afinal, seria inviável contar uma história somente da vida de artista de uma mulher que possui um grito fatal.

Mas já que é necessário termos momentos de ação, também é importante citar seus méritos. As cenas de luta são muito bem ilustradas, algumas misturando elementos musicais (como ondas sonoras, instrumentos e partituras), outras simplesmente de porrada bruta. E nisso entram os vilões, com motivações um pouco clichés, mas que funcionam dentro da proposta da revista. No final do arco, o grande vilão é bem mais interessante. Algo que beira o lado Grant Morrison da vida.

É importante lembrar que, pela história ser parte do novo universo da DC, elementos da antiga cronologia não fazem parte do passado da personagem. Porém, mesmo para os mais saudosistas, as novas personagens utilizadas são boas a ponto de segurar a história contada, já que todas possuem personalidades interessantes e bem construídas (especialmente Lorde Byron e Ditto, a garotinha).

No fim das contas, O Som e A Fúria é uma aventura despretensiosa, nova e ao mesmo tempo muito interessante graças a sua proposta, que é muito bem trabalhada – apesar de alguns clichés básicos – e se encerra de maneira inesperada (no bom sentido da palavra). Por ser um arco fechado, talvez o aproveitamento seja ainda melhor do que em outros encadernados publicados recentemente (como Arqueiro Verde: Pássaros da Noite, que deixou um arco pela metade). Porém, ainda existem pontas que estão soltas e devem ser exploradas num segundo volume.

Canário Negro: O Som e A Fúria é um encadernado em capa cartão contendo 164 páginas em Papel LWC e distribuição nacional ao preço de R$ 22,90.

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Bizarro ser pior gibi engraçado nas bancas

Para o Bizarro, ruim significa bom. Pior significa melhor. Bonito quer dizer feio. E apesar de todos os sentidos invertidos, a única coisa certa é que a diversão de se acompanhar a road trip do monstrengo e seu pior amigo Jimmy Olsen é garantida desde o começo.

Bizarro é um lançamento recente da editora Panini para as bancas de todo o Brasil. Nos EUA, esta série foi publicada em seis edições e compilada posteriormente, sendo um dos destaques da iniciativa DC & Você (DC You, no original), recebendo muita atenção do público brasileiro graças ao artista envolvido no projeto: Gustavo Duarte.

Criado por Otto Binder e George Papp, Bizarro já passou por diversas remodelagens através dos longos anos de existência da DC Comics, indo de clonagem ou alienígena de um planeta quadrado até criação de Lex Luthor, passando nas mãos de diferentes equipes criativas. Já a reformulação do personagem feita em 2015 e presente no encadernado da Panini foca em um aspecto importantíssimo: a diversão.

A premissa é simples: Bizarro estava tentando agir “bem”, mas a população de Metrópolis está cansada desses “bons gestos”. Jimmy Olsen então convida o Superman às Avessas para uma viagem até os “Estados Unidos Bizarro”, também conhecido como Canadá. Mas quais as verdadeiras intenções do fotógrafo do Planeta Diário? E como será o dia-a-dia dos dois, acompanhados de (pasmem) seu Chupacabra de estimação?

O roteiro desta minissérie foi escrito por Heath Corson (Batman: Assalto em Arkham, Liga da Justiça: Guerra), e apesar de possuir algumas piadas bem inocentes o roteirista acerta ao brincar com o universo DC, utilizando personagens como a Zatanna e o Desafiador. Além disso, quando o autor apela para o nonsense, a história e as piadas funcionam de forma ainda mais positiva.

Porém, um dos pontos fracos de todas as edições é a linguagem confusa. Pudera, é o Bizarro! Em diversos momentos, a forma como o personagem fala torna a leitura pouco fluida e até mesmo confusa, com textos que dão voltas e voltas e não levam a lugar algum. Alguns destes diálogos são engraçados, porém outros são somente bobos. E aí entra a bela arte de Gustavo Duarte adicionando uma camada extra de qualidade na confusão.

Não, a arte não é boba! Ela é cartunesca, e por isso mesmo se encaixa tão bem nessa premissa. Quem já leu outros trabalhos do autor, como Có & Birds, Chico Bento: Pavor Espaciar, Monstros! ou até mesmo sua série na Marvel, os Guardiões da Galáxia, já está acostumado com o tipo de humor e narrativa utilizados. E assim como em todas as obras citadas, no Bizarro é possível sentir as brincadeiras feitas através dos desenhos.

Gustavo faz brincadeiras com expressões corporais, capricha nas piadinhas espalhadas pelo cenário e é complementado em todas as edições com a arte em uma única página feita por convidados como Kelley Jones, Francis ManapulBill Sienkiewicz e outros, sempre em momentos especiais da história. Sobra até para o Batman!

No fim das contas, Bizarro é um quadrinho simples, e a simplicidade é bela. Para um personagem tão diferente, focar no humor é um caminho muito certo, e tudo apresentado torna a história amigável para qualquer geração de leitores, especialmente mais jovens (não ignorando, é claro, aquele fã mais velho da DC).

A série completa foi publicada em um único encadernado Capa Cartão que possui 148 páginas ao preço de R$ 21,90, com distribuição nacional. Mais informações aqui.