Raul é a gíria para os indivíduos que aplicam golpes envolvendo obtenção fraudulenta de dados bancários e falsificação dos cartões magnéticos.
Entendendo o que significa o nome da graphic novel Raul, a reportagem em quadrinhos, publicada pela Editora Elefante, em seu debute no segmento da nona arte, a gente entende mais sobre a história que será contada na obra. E muito bem contada por Alexandre de Maio.
A trama mescla diversas frentes: uma que conta a origem e evolução até os dias de hoje desse crime silencioso, onde o bandido assalta sem portar uma só arma. Que provoca grandes perturbações aos lesados. Mas também é um relato fiel da criminalidade em geral, da truculência e subornos de alguns policiais, a vida nas regiões carentes, o grito abafado de agonia do sistema presidiário nacional (desde as casas para menores até as grandes prisões), tudo isso seguindo a vida de Rafa.
A história de Rafa é real e tanto o seu nome quanto os dos demais personagens apresentados na HQ, são ficcionais. Alexandre de Maio conta a vida de Rafa desde criança, quando chega a São Paulo, o início ainda jovem no crime, as vezes que foi preso, o poder aquisitivo que o golpe de Raul o deu. Mostrando de como ele chegou a ser um rapper famoso com uma carreira consolidada.
A realidade de um jovem que vê no crime uma forma de crescer na vida, não é novidade em nenhum lugar no mundo. Ainda mais no Brasil onde a divisão entre pobreza e riqueza são absurdamente enormes. A trama já começa com o pé lá embaixo, com a trajetória do jovem Rafa em golpes curtos, antes de entrar no circuito dos cartões, e suas idas e vindas às delegacias. O relacionamento com sua mãe que busca métodos poucos ortodoxos para “convencê-lo” a sair do crime.
Quando Rafa, depois de tantas experiências, resolve seguir no mundo do rap, Alexandre de Maio brinca na sequência. Ele traz a narrativa o protagonista levando uma vida que foi bem sucedida, com sucessos nas rádios, clipes em Youtuber entre os mais assistidos e a balança de manter uma carreira em um mundo tão competitivo como o da música. A dúvida entre seguir como rapper ou retornar a vida do crime é latente nessa fase da HQ e praticamente salta as páginas. Como se afogasse Rafa em um mar revolto.
A arte de Alexandre de Maio é como estar lendo um álbum de Sin City com Frank Miller nos melhores dias. O sombreamento, as páginas escuras e os personagens praticamente sem rostos não atrapalham a leitura e em certos momentos (principalmente os mais tensos, vide todas as cenas das cadeias) são sufocantes, mas só ajuda a passar a realidade do que Rafa estava vivendo no momento.
Alexandre de Maio fez um excelente trabalho investigativo em Raul. Pois além de uma biografia praticamente perfeita, vemos também como um golpe, que as agências bancárias insistem em esconder por causa das publicidades negativas, evolui ao passar dos anos. Fiquei curioso para saber mais coisas sobre outros golpes, que não são badalados pela grande mídia também.
Espero que mais obras de jornalismo em quadrinhos, que é tão comum lá fora, ganhem mais produções aqui no Brasil. Temos um nicho muito bom para explorar de situações que somente em Terras Tupiniquins acontecem. A excelente graphic novel Raul é uma prova disso.
Está sendo lançada no Brasil, Sem Volta, a obra clássica de Charles Burns. Publicada originalmente como uma trilogia com os seguintes títulos: X’ed Out, The Hive e Sugar Skull, a Quadrinhos na Cia. está compilando tudo em um único volume. O autor mistura ação e mistério e mantém o leitor em um estado de constante tensão a cada ponto que confrontamos o passado e conhecer a nossa própria história. Será possível voltar atrás?
Sem Volta é uma jornada delirante pelo território incerto e sombrio da memória. Uma história em quadrinhos com uma atmosfera de sonho e realidade distorcida.
As capas originais da trilogia
O jovem Doug, enquanto se recupera de um terrível trauma, tenta buscar as peças do seu passado. Sua paixão por Sarah, uma estudante de artes brilhante e atormentada; a doença do pai. Mas o que de fato aconteceu? Entre homens-lagarto, ovos verdes gigantes e a cena punk do final dos anos 1970, a história vai sendo montada e desmontada.
Sem Volta tem formato 20,8 x 27 cm, 176 páginas e o preço de R$ 69,90. O título já se encontra em pré-venda na Amazon Brasil.
E chegou ao final a trajetória de Jane Foster, empunhando o Mjolnir e se aventurando como a Poderosa Thor. O gran finale foi publicado em Mighty Thor #706, lançado recentemente nos Estados Unidos, e com a HQ, se encerra uma das fases mais queridas por diversos leitores ao redor do mundo. Para você que quer saber como tudo começou clique AQUI.
Jane Foster sempre teve uma vida corrida e sofrida. A sua mãe morreu quando ela era ainda muito jovem. O seu pai trabalhou a vida inteira para lhe garantir um grande futuro, onde ela veio se tornar enfermeira e logo depois médica. Depois das idas e vindas ao relacionamento com Thor, ela se casou com o médico Dr. Keith Kincaid, com quem teve um filho chamado James. Mas depois de um desentendimento com Kincaid, ela pediu o divórcio e perdeu a custódia do filho.
Dr. Keith Kincaid, Jane Foster e o pequeno James em Thor Vol.1 #394.
Foi na época em que Thor enfrentava Gorr, o Carniceiro dos Deuses, que Jane tomou outro golpe pesado da vida: ela descobre que estava com um câncer de mama em um estágio bem avançado. O então, Deus do Trovão, queria levá-la para Asgard e tratar a doença com magia, mas Jane Foster recusou. Alegando que toda magia tem seu preço, e sendo uma mulher da ciência, ela preferia tratar em Midgard. Logo após ela assumiu o papel de parlamentar no Congresso dos Mundos, onde representava a Terra.
O roteirista Jason Aaron trouxe uma humanidade incomum que não se encontra normalmente em alguns personagens em quadrinhos. Que despertou a simpatia dos leitores pela saga da Poderosa Thor. É complicado e difícil você simplesmente trocar um personagem como Odinson e implantar outro no lugar. Ao longo dos anos diversos quadrinhos fizeram isso, e ainda fazem. Muitos dos pretextos das editoras são “para conservar o personagem”, mas muitas vezes é somente para alavancar o título com uma nova visão. Seja lá o que for, Aaron acertou em cheio, utilizando de clichês como identidade secreta. Algo que não é muito usado, salvo por alguns personagens, na Marvel Comics.
Uma das coisas mais legais das histórias, foi utilizar “argumentos” de alguns leitores logo no começo da carreira da jovem médica na vida de heroína. Na quinta edição, em uma briga contra o Homem-Absorvente, o vilão fala que não deveria chama-la de Thor. Pelo fato do original ser um “homem”. Falando até que se ela quiser ser uma super-heroína que arrume o próprio nome. E não pegue de ninguém. Além de fazer uma alusão ao feminismo. Bem, o resultado é um soco bem dado da Thor no “poderoso” vilão.
Quando se troca um personagem do quilate do Thor, sempre há de existir a reclamação. Agora, imagina se troca por uma mulher? A enxurrada de criticas no início foram fortes. Mas Jason Aaron segurou a marimba, juntamente com a Marvel, e prosseguiu. E sem beber muito da água de diferença de gêneros, feminismo ou coisas do tipo.
E acabou que Jane Foster se tornou uma das mais queridas. A trajetória dela como Thor é fantástica e pode-se levar para nossas vidas pessoais como exemplo de perseverança. Jane sofria de um câncer em um estado avançado. Por várias vezes vemos (e sentimos) o sofrimento da quimioterapia faz nas pessoas. O procedimento é doloroso, pois a química implantada nele busca destruir as células cancerígenas. Mas, em contra partida, arrasam a saúde do enfermo. Quando porta o martelo, Jane Foster, elimina todo esse veneno do seu corpo, mas a magia do martelo não é capaz de eliminar o câncer.
O ato de se transformar para Jane Foster é uma lufada de bons ventos em meio à tempestade da doença. É quando ela se sente útil. Forte. Determinada. Fazendo uma comparação “pobre”, é como aquela pessoa que está enfermo (seja lá com qual doença for) e recebe uma visita querida, ou então consegue dar um passeio para um lugar diferente de sua rotina no hospital ou que simplesmente recebe uma nova perspectiva de vida para o que enfrenta.
A Jane Foster que foi apresentada por Jason Aaron, nada mais é do que uma pessoa comum. Ela tinha o problema da doença, nas suas transformações era como levantar do leito e correr em verdes pastos, mas sabendo que voltaria a enfrentar o seu destino. Ela sabia da dádiva que tinha, e que não era para todas as pessoas que sofrem da mesma forma. Sabendo disso, ela procurava fazer o melhor para essas pessoas também. Existe uma passagem muito bonita na edição #8, quando ela narra a sua rotina e fala de uma amiga, que ela a leva para pescar, e no dia seguinte se assegura para que não chovesse no seu funeral.
Esses fatos é uma retomada na humanidade do mito Thor. Odinson, só veio se apegar aos humanos, após ser forçado a viver entre eles. Com Jane Foster foi diferente. Ela já tem esse lado humano mais aflorado. Por ser natural da Terra, ser médica, ela conhece as mazelas da vida. E muitas vezes se revoltam contra os Deuses que insistem em suas causas pequenas e muitas vezes mesquinhas, enquanto milhares de humanos simplesmente se ajoelham e depositam sua fé em orações que são ignoradas.
Exercendo o maior poder: implantar esperança.
Seria totalmente injusto colocar todos os créditos do sucesso de Poderosa Thor somente em Jason Aaron. O desenhista Russel Dauterman fez um belíssimo trabalho. Com seus traços, detalhes nas páginas e diagramações. Juntamente com Matthew Wilson, o colorista, com belas paletas deram outro astral e vida as publicações. Repare os quadros em que Jane está na Quimioterapia, as cores são quase opacas, sem vidas. E quando está como Thor, principalmente logo após da transformação, as cores ficam mais alegres, um tanto quanto que vivas.
Depois dos fatos de Mighty Thor #706, a Jane Foster vai ter uma nova jornada, não sabemos se um dia ela voltará a empunhar o Martelo. Apesar de Jason Aaron continuar escrevendo para a série, nada é certo.
Jane Foster sempre foi uma figura recorrente na Marvel Comics, apesar de muitas vezes, ficar no segundo escalão das personagens que compõe o relacionamento com o herói principal. Ela por exemplo, nunca teve (até então) um destaque ou a popularidade de uma Mary Jane. Os filmes do Thor, com Natalie Portman no papel, ajudaram a levantar uma popularidade e torná-la mais conhecida para o grande público.
A caminhada da Jane Foster como a Poderosa Thor, foi mais do que uma fase. Foi um alento ler e acompanhar todas as batalhas da personagem como heroína e como mulher. Fica a esperança de que as pessoas tenham absorvido tudo de bom e positivo dela. E em meio de tantos atos humanitários. Com a poesia da transição da humana para deusa. Com o sacrifício peculiar, o fardo pesado e a sua história sofrida e forte desde que foi criada. Não tem como não amar Jane Foster.
Por meio de um belo trailer, a Editora Devir, divulgou a graphic novel Lazarus – Vol.1. A obra que tem roteiro de Greg Rucka e artes de Michael Lark foi publicada originalmente pela Image Comics e recebeu uma indicação ao Eisner na categoria Melhor Nova Série em 2014. Confira o trailer abaixo:
Em Lazarus, não existem mais fronteiras geopolíticas no mundo, agora as divisões são econômicas. Riqueza é poder, e o poder está concentrado em um punhado de Famílias. Aqueles que fornecem algum tipo de serviços às Famílias são protegidos. Todo o resto são considerados Refugos.
Cada Família possue uma pessoa que recebe o melhor dos treinamentos, tecnologia, recursos e vantagens cientificas. Essa pessoa se torna o protetor da sua Família, o seu Lazarus. Na Família Carlyle, Forever, a protagonista da trama, assume esse papel.
A Legendary Pictures e a Matt Tolmach Productions adquiriram os direitos de produzir uma série para a Amazon Prime. Co-criador da série, Greg Rucka, está ligado ao projeto que ainda não tem previsão de lançamento.
Lazarus – Vol. 1 tem formato 17 x 26 cm, 104 páginas e já se encontra em pré-venda, em versão capa dura e cartão.
Foram divulgadas as primeiras imagens de Hunt For Wolverine: Weapon Lost #1, a minissérie que marca o retorno de Logan ao Universo da Marvel Comics. A publicação tem roteiro de Charles Soule e artes de Matteo Buffagni, e será lançada em breve nos Estados Unidos.
A trama tem um clima noir/detetive e mostra que depois de algumas pessoas terem avistado um homem que acreditam ser o Logan, o Demolidor reúne um grupo formado por Misty Knight, Frank McGee e o mutante Cypher, no intuito de rastrear Wolverine e resolver o mistério. A trupe acaba descobrindo uma profunda conspiração que tem enormes ramificações em todo o mundo.
As minisséries com diferentes equipes criativas vão apresentar diferentes gêneros explicando o retorno do Wolverine. Weapon Lost será uma trama investigativa. Adamantium Agenda terá ação e aventura. Claws of the Killer terá um clima de terror. E em Mystery in Madripoor será uma história de romance.
Saiba mais sobre os mistérios que envolvem Hunt For Wolverine clicando AQUI.
Lançado recentemente nos Estados Unidos, o especial Hunt For Wolverine #1, é o pontapé inicial para explicar o retorno de Logan do mundo dos mortos. Como já falamos AQUI, a trama inicia-se com Donald Pierce e seus Carniceiros adentrando na Cabana onde jaz o corpo do canadense em seu esquife de Adamantium, com a intenção de roubar seus restos mortais e lucrar no mercado negro. Mas acontece que os X-Men chegam e tentam frustrar os planos do bando.
Enquanto a luta ocorre do lado de fora, Pierce e Cylla usam um canhão molecular e dispara contra a estátua de Adamantium. E para a surpresa da dupla, ela está vazia!
Obviamente, já sabíamos que estava vazia graças à aparição de Logan em Marvel Legacy #1, onde a jovem Jean Grey ao visitar a Cabana, encontra o túmulo partido ao meio.
Marvel Legacy #1
Desde então, pensávamos que Logan tinha desperto e destruído para sair. Mas, agora com Hunt For Wolverine, ficamos sabendo que foram os Carniceiros que abriram a estátua. Então, quem tirou o corpo antes?
A resposta é bem simples. Kitty Pride. Em um flashback, os X-Men decidem em não deixar o corpo de Logan ali meio que vulnerável para caçadores de recompensas. Então, a mutante intangível é chamada para praticamente “puxar” o corpo para fora. Logo depois, um funeral em um belo vale verde é realizado e o corpo é enterrado.
Mas acontece que um belo dia, em que Kitty Pride está no túmulo percebe que o pano que foi usado para envolver o corpo de Logan está pendurado em uns galhos. E ela enfia o braço pela terra e sente que o corpo não está mais lá!
Eis que o mistério começa a tomar forma a partir desse momento. Como ele voltou à vida? Ele teve ajuda de alguém para sair do túmulo? Ou conseguiu por conta própria? Vale lembrar também, que em Marvel Legacy #1, Jean Grey fala: “Welcome Back. We missed you”, (“Bem vindo de volta. Nós sentimos saudades de você”, em tradução literal). Será que a jovem mutante tem algo a ver com a sua ressurreição? As respostas começam a serem reveladas a partir de agora nas minisséries que compõem Hunt For Wolverine.
A minissérie Archie Meets Batman’66 vai marcar o encontro entre os estudantes mais famosos de Riverdale com a dupla dinâmica imortalizada por Adam West e Burt Ward na icônica série que foi produzida entre os anos de 1966 e 1968. É o segundo encontro entre a DC Comics e a Archie Comics em menos de um ano. Em 2017, foi publicada uma história escrita por Paul Dini, em que Arlequina e Hera Venenosa encontram Betty Cooper e Verônica Lodge.
Ainda não foram divulgados muitos detalhes sobre a trama, somente que uma batalha que começa em Gotham City acaba indo parar em Riverdale. E o Sr. Lodge se torna o inimigo número 1 da Dupla Dinâmica. Mas os roteiristas Jeff Parker e Michael Moreci prometem grandes encontros. Como o do Coringa com o Jughead.
“Todos nós queremos ver o que o Jughead e o Coringa vão aprontar. Vamos mostrar a dinâmica de romance na Riverdale High, com Dick Grayson e Barbara Gordon participando,” disse Jeff Parker.
A arte de Archie Meets Batman ’66 #1 será de Dan Parent, J. Bone e Kelly Fitzpatrick. A publicação será uma minissérie que terá seis edições e o lançamento está previsto para julho nos EUA.
Uma das mais premiadas e elogiadas séries do selo Vertigo está sendo relançada pela Panini. Fábulas, criada por Bill Willingham e desenhada, na sua maioria, por Mark Buckingham começou a ser publicada nos Estados Unidos em 2002 e arrebatou elogios de críticos especializados e leitores e se tornou vencedora de múltiplos prêmios Eisner.
Em Fábulas, diversas personagens de contos de fadas e folclore de várias partes do mundo, convivem em uma comunidade clandestina chamada de Cidade das Fábulas, que fica bem no meio de Nova York. Elas vieram para o “mundo real” depois de serem expulsas de suas Terras Natais por um inimigo desconhecido, chamado apenas de Adversário.
As tramas, misturam ação com temas políticos, romances, vingança, assuntos familiares, têm como protagonistas personagens que fazem parte dos contos de fadas como Branca de Neve, Lobo Mau, Cachinhos Dourados, Garoto Azul, Pinóquio, a Bela e a Fera, Príncipe Encantado entre outros. Fábulas, originalmente, tiveram 150 edições publicadas e ganhou alguns derivados como Jack of Fables e Fairest.
A edição da Panini irá reunir as HQs publicadas em Fables #1 a #10 com extras como uma nova introdução e esboços feitos por Bill Willingham, Lan Medina e Mark Buckingham. Ótima oportunidade para adicionar um excelente material a sua coleção.
Fábulas – Edição de Luxo – Livro 1, tem formato 18,5 x 27,5 cm, 264 páginas, capa dura e o preço de R$ 78,00. O material já se encontra em pré-venda nos sites especializados.
O ano era 1992. E o Superman ia mal, e não foi por causa de nenhuma Kryptonita ou algum ardiloso plano do Lex Luthor. O maior ícone da DC Comics e dos quadrinhos em geral já não tinha mais a força editorial e perdia a popularidade cada vez mais. Os filmes de sucesso já estavam no passado. O Batman tinha recebido uma injeção de ânimo graças aos filmes Batman (1989) e Batman: O Retorno (1992), e ainda bebia muito da água de O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller que tinha instalado uma forma mais “pesada” para as histórias do Homem-Morcego, como por exemplo, o arco Morte em Família. Nesse meio todo, ainda surgiam personagens com atitudes agressivas e o Homem de Aço estava taxado como ultrapassado.
A DC Comics fazia de tudo para tentar levantar o seu maior símbolo. E tentar coloca-lo no auge novamente como tinha atingido nos meados dos anos 80 (você gostando ou não) na fase de John Byrne. Medidas foram tomadas como: Lois Lane descobriu a identidade secreta, o casal começou a namorar pra valer, noivaram, Luthor morreu, o seu “filho”, conhecido como Lex Luthor II ficou no seu lugar e a Supermoça, que tinha sido introduzida por Byrne, começou a ser mais participativa. Mas mesmo assim as vendas ainda iam mal. As histórias não funcionavam e não eram da altura do personagem. Enquanto isso, os Mutantes da Marvel Comics e a Image Comics ganhavam cada vez mais força no mercado de quadrinhos.
Hoje em dia esse anúncio é considerado item raro.
E qual foi a solução que a Casa das Lendas teve para levantar o seu maior personagem? Vamos matar o Superman! E foi realmente uma jogada de mestre. A DC Comics soube mexer com a mídia e com os leitores na época. As HQs da editora viam com um anúncio Doomsday is coming for Superman!, em tradução literal, O Apocalypse está vindo para o Superman!. A edição escolhida para o terrível ato foi Superman #75. Que antes estava programada para ser o casamento de Clark e Lois.
Man of Steel #18
Na verdade, nessa edição, é apresentado um pequeno prelúdio de sete páginas, onde uma misteriosa e poderosa criatura foge de uma prisão e começa e destruir tudo em seu caminho.
Justice League of America #69 – “Saldos da Derrota”
Com uma equipe formada (não riam) por Besouro Azul, Gladiador Dourado, Guy Gardner (com o Anel Amarelo), Fogo, Gelo, Máxima e Bloodwynd. Eles tomam uma surra tremenda do monstro.
Superman #74 – “Contagem regressiva para o Apocalypse”
O Azulão se une à derrotada Liga da Justiça para tentar deter o avanço do monstro, que nesse momento já era chamado de Apocalypse pela imprensa.
Adventures of Superman #497 – “Sob Fogo Cerrado”
O Superman deixa de perseguir o monstro por um tempo para ajudar seus amigos feridos, e logo depois, volta a pancadaria.
Action Comics #684 – “…Apocalypse está Chegando”
A batalha chega aos laboratórios Cadmus, onde Apocalypse enfrenta o Guardião. E decide seguir para Metrópolis. Por quê? Porque no capitulo anterior ele viu um comercial de TV sobre a maior luta do século que aconteceria na cidade.
Man of Steel #19 – “O Dia do Apocalypse”.
A fera chega em Metrópolis. Supermoça, a Unidade de Crimes Especiais e o Professor Hamilton, tentam em vão, derrotar o Apocalypse.
Superman#75 – “Apocalypse”.
O ato final. A edição que mostrava a ultima batalha do Superman, é o melhor capitulo de toda a saga. Dan Jurgens fez a história toda com páginas de splash. Com quadros de páginas inteiras. A revista é repleta de tensão, urgência e belas artes. Mostrando o desespero do Superman em deter a fera. A grande sacada é focar no herói, Lois e Jimmy Olsen. Três personagens que sempre foram bases em diversas histórias aos longos dos anos.
A trama no geral é bem simples, como diz o título. Depois de uma perseguição onde o Superman apanha, bate um pouco, cai e levanta de novo, o monstro Apocalypse surra os heróis com uma das mãos amarradas nas costas! Depois de diversas edições, quando chega no clímax final e nas últimas quatro páginas, somente então, o herói descobriu uma forma de ferir a fera.
O roteiro tem umas escorregadas, mas existem pontos interessantes que merecem menções: a década de 90 estava começando e alguns órgãos criticavam o excesso de violência que as historias em quadrinhos estavam trazendo. Era uma época em que Wolverine, por exemplo, decapitava em suas histórias, o Spawn trucidava os inimigos. O selo Vertigo começava a dar os primeiros passos, e seu conteúdo era algo mais adulto. Na sua primeira participação na trama, o Superman, participa de um programa de TV de Cat Grant. A atração é transmitida direto de uma escola e os alunos fazem perguntas ao herói. E uma aluna faz sobre o excesso de violência usado por alguns heróis.
Em outro momento, refletia o que os jovens pensavam sobre o Superman. Um garoto reclamando que ele é ultrapassado. Que se a entrevista fosse com o Guy Gardner, seria melhor. Outra boa sacada da trama é o que a impressa pode fazer para conseguir audiência, como se arriscam por uma matéria. No caso, para cobrir a luta final.
Uma coisa bacana no arco é as participações de personagens secundários na mitologia do Superman, mas que são figuras participativas nas histórias do herói. Alem dos já citados Lois e Jimmy, vemos boas adições nas histórias de Bibbo, Professor Hamilton, Cat Grant, a UCE e o Projeto Cadmus. Os personagens são bem explorados a sua maneira, mas ao mesmo tempo, favorecem no excesso desnecessário de páginas.
O visual assustador e a fúria incontrolável se tornaram características do Apocalypse. Mas, no mais, o mostro só anda e bate. Será que somente uma selvageria imparável seria capaz de matar o Superman? Apesar de ser nobre o fato dele dar tudo de si no final, vamos fazer um exercício de imaginação? Não seria mais legal e interessante se a morte fosse pelas mãos de algum de seus grandes inimigos como Luthor e Brainiac?
Hoje em dia, infelizmente, o Apocalypse, se tornou um personagem que é usado em aparições com intuito de levantar alguma grana a mais na venda da luta contra o seu maior algoz. Como sua primeira aparição na clássica história, ele se tornou um caça-níquel da editora. Ele já voltou várias vezes, já teve a origem aprofundada, mas nada mais publicado dando a devida importância do vilão. Apesar de ter uma personalidade de uma porta, ele é o único ser, que até então, matou o Superman.
Monstro influenciado pela mídia.
Mike Carlin, era o capitão dos títulos do Homem de Aço na época. Ele foi um dos responsáveis por transformar e coordenar os eventos e arcos que envolvem a Morte e o Retorno. Obviamente, que alguns deles foram extensos sem muita necessidade, mas o objetivo era vender.
A Morte do Superman se tornou um clássico da DC Comics. E por mais que soubéssemos que o personagem não continuaria morto, não imaginávamos que ele voltaria tão cedo. A saga original foi apenas a ponta do iceberg. Em menos de um ano veio Funeral para um Amigo e O Retorno do Superman. Apesar da saga como um todo ter sido bem dividida, dando um espaçamento entre uma e outra, ainda ficava o sentimento de algumas coisas foram “para encher linguiça”. Alguns fãs se sentiram desapontados e se viram dentro de um mero golpe publicitário. As edições do Retorno já não mantiveram o mesmo pique de vendas da abertura da saga. O que é até normal, dado a importância da publicação. Um exemplo foi o estudo da organização varejista das Comics Stores americanas, revelou que muitas das vendas de Superman #75, por exemplo, foram feitas por pessoas que não acompanhavam os quadrinhos. Mas queriam ter a edição histórica à titulo de coleção ou de valorização financeira para o futuro.
Mas o objetivo da DC Comics tinha sido atingido. As publicações do personagem venderam horrores. O Superman, e toda a indústria dos quadrinhos, voltaram às grandes mídias. A notícia correu o mundo em uma velocidade incrível para uma época em que a internet era apenas um planejamento distante. Lembro de estar assistindo o Fantástico na Rede Globo, e uma matéria sobre a Morte do Superman (ainda sendo chamado no Brasil de Super-Homem) surgiu. Nela, era falado sobre os novos caminhos dos quadrinhos americanos. Como a força que os X-Men se transformaram falando de preconceitos, os heróis e anti-heróis da Image Comics, o futuro Batman aleijado e a morte do Superman.
Em todo o mundo, a jogada da editora americana deu certo comercialmente. Inclusive aqui no Brasil ela funcionou e muito bem. A Editora Abril, publicou, praticamente simultaneamente com os Estados Unidos, uma edição especial que compilava todo o arco. Assim como tinha acontecido com Guerras Secretas da Marvel Comics. Pode não parecer, mas uma estratégia dessa naquela época era ousada e requeria um planejamento diferente. Como acabou adiantando alguns fatos que ainda não tinham sidos publicados por aqui, por exemplo, o Guy Gardner como Lanterna Amarelo, a editora tupiniquim providenciou uma nota explicativa no começo da revista que fala sobre fatos e personagens ainda inéditos no nosso país).
A Clássica edição de A Morte do Super-Homem publicada pela Editora Abril aqui no Brasil.
A (linda) edição especial, era uma capa toda preta que mostrava o icônico S sangrando em alto relevo e com efeitos metalizados. O miolo era em papel LWC e repleto de brindes. Um fac-símile de Superman #75 em formato americano com os momentos finais da luta. Uma revista Newstime sobre a morte do herói, com depoimentos de celebridades e matérias e um histórico pôster de Dan Jurgens que mostra o cortejo fúnebre com diversos personagens da DC Comics. Eu tive essa edição!
Até hoje uma das maiores discussões é se foi golpe publicitário ou não da DC Comics. Eu tenho certeza que foi. Mas também é muita ingenuidade pensar que não haveria a ressurreição do personagem. Algo tão normal EM TODAS AS EDITORAS é matar um personagem e voltar com ele depois. E com um dos maiores ícones dos quadrinhos não seria diferente. A Morte do Superman, assim como tudo que vem depois, é uma leitura necessária que todo fã e leitor do Homem de Aço deve fazer. Pode ser uma trama simples. Foi algo para alavancar as vendas e recuperar um prestigio do personagem. E alcançou os dois objetivos. E se tornou um fato histórico não só na história da DC Comics. E em toda indústria dos quadrinhos.
O Superman já morreu e voltou diversas vezes nos quadrinhos. Mas, com certeza, a mais impactante foi a de 1992. Era um período difícil para o personagem e a ação publicitária que envolveu a publicação rendeu bons frutos para a DC Comics. Esse ano ela completa 25 anos. Muitos podem falar que ela envelheceu mal. Outros podem falar que se tornou essencial para o personagem. Eu, particularmente, acho um pouco de ambos. Acredito que se fossem produzir algo mais recentemente (para valer mesmo, na mesma situação em que se encontrava comercialmente o personagem, e não na transição igual dos Novos 52) seria menos o sistema correria e pancadaria, como foi em 1992. Acho que seria algo mais poético até.
O FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos desse ano já está chegando e as novidades nos quadrinhos nacionais estão começando a pipocar. Uma delas é a promissora DestiNation. A trama, que mistura os gêneros faroeste e cyberpunk, traz a história de um mercenário cibernético que está caçando um ciberxamã que destruiu a sua família.
DestiNation tem roteiros de Alessio Esteves (Gibi Quântico, Zikas, Kimera – A última Cidade, Despacho entre outras) e com artes de Lobo Loss (O Mundo de The Witcher – Old Dragon) e apresenta um mercenário em busca de vingança. Uma religiosa aplacando sua ira por meio da fé. Um jovem que só quer conhecer seu ídolo. Um xamã hacker com ritual inacabado. Confira na galeria abaixo uma prévia, artes promocionais e a capa da HQ:
DestiNation é composta de quatro histórias em 48 páginas com tons de sépia coloridos e em formato americano. São os títulos das histórias:
O Troféu: Quem está andando por aí com o chapéu do famoso Jeff Van Cypher? Como ele conseguiu o objeto?
Descanse em Paz: Um momento de luto torna-se uma batalha morta.
O Fã Número 1: O encontro com o seu maior ídolo pode mostrar que tudo o que se sabe sobre ele está errado.
A Benção, irmã: Quando seu inimigo usa magia, toda ajuda é necessária. Mas até a benção de Deus tem seu preço.
Para saber mais detalhes e novidades sobre DestiNation, acompanhe a Page oficial da publicação, clicando AQUI. Como dito antes, a HQ será lançada oficialmente no FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, que acontecerá em Belo Horizonte/MG entre os dias 30 de maio a 03 de junho.