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WiFi Ralph: Quebrando a Internet: Um mar de divertimento e concepções

Escrito por Thiago Pinto

O mundo digital e a internet são pautas recorrentes no cinema atual. Além de apresentarem uma dinâmica que interfere diretamente em nosso cotidiano, suas complexidades tecnológicas e culturais são chamativas e um combustível para boas histórias. O Jogo da Imitação (2014), por exemplo, aborda um dos precursores fundamentais para esse processo, enquanto A Rede Social (2013) relata a criação polêmica do famoso site Facebook, que se tornou uma das maiores redes de integração no mundo. Já quando se fala de WiFi Ralph: Quebrando a Internet, a animação surpreende em substituir a seriedade por uma comédia simples e eficiente, tornando elementos tecnológicos em personificados e cômicos.

WiFi Ralph parte da premissa que o WiFi é o grande destaque da vez. A instalação da conexão afetará diretamente a vida dos personagens já conhecidos do arcade, pois se tornará uma opção viável para a reconstituição de um dos jogos quebrados. Tal problemática é levada até o fim dos créditos, uma vez que o contraste entre os dois estilos de entretenimento, internet e fliperama, é o tema mais atraente do roteiro, e que será usado como base para a construção dos melhores momentos e de diversas piadas da sequência.

Rich Moore e Phil Johnston, diretores do projeto, trouxeram à vida uma incrível concepção completamente inovadora para a internet. Todas as práticas dos usuários e os elementos presentes no dia-a-dia da era digital (bugs, spans, publicidades, vírus, comentários, etc) são transformados em seres animados com jeitos e manias humanas. As famosas páginas e banners publicitários são transformados em seres segurando uma plaquinha e gritando excessivamente no rosto das pessoas. Estas pessoas, deixando registrado, são apenas bonecos que representam a vida do usuário dentro do servidor digital, inexpressivos e robóticos.

Outros tópicos como compras e comentários são hilários de se verem transformados. Ao apertar o link, um carrinho surge inesperadamente levando o usuário até o respectivo site – todos os sites são representados por casas, prédios ou monumentos – e os comentários se assemelham com o que nós vemos na realidade nua e crua. Embora superficialmente, o longa flerta em discutir questões envolvendo privacidade e manifestações de críticas gratuitas.

Contudo, há de se dizer que as referências, como no antecessor, continuam sendo o maior sucesso. E deve-se dizer que nem é tão difícil formular piadas quando se tem marcas como Google, Disney, eBay, Amazon, entre outras, no seu contrato. WiFi Ralph, portanto, usa essa vantagem com inteligência em prol da constituição de seu entretenimento e o envolvimento de seus protagonistas, e do próprio público, com a narrativa principal.

Toda a sequência ocorrida dentro do espaço da Disney atinge o nível máximo de referências. Star Wars, Marvel, Ursinho Pooh e o lendário Stan Lee são os principais atrativos e forçam o público, inconscientemente, a apontar os dedos e explicar as diversas presenças dentro de tela.  Há inúmeras cenas, aliás, que guardam mais de cinco representações simultaneamente. Algumas delas estão no encontro entre a protagonista Vanellope e, absolutamente, todas as princesas da Disney. O diálogo, que ocorre dentro de um salão de princesas, guarda diversas menções sobre as origens das respectivas personagens, bastante conhecidas pelo público.

Porém, como em diversas animações que apresentam discursos mais inflamados por trás, WiFi Ralph traz consigo uma mudança essencial. Além da alternância entre o protagonismo de Ralph e de Vanellope, que é bem mais importante neste filme do que no anterior, esta fantasia criada pela Disney tenta quebrar diversos paradigmas das fábulas encantadas, deixando clara sua intenção de dar mais notoriedade e importância para as personagens femininas. Mesmo assim, a animação consegue manter um alto nível de divertimento e infiltra críticas razoáveis durante as ações das personagens.

O único problema que estraga WiFi Ralph é a falta de uma narrativa principal convincente. Há tantas coisas acontecendo ao redor do conflito mais significativas, que o clímax acaba sendo desinteressante, acarretando em um final pouco expressivo e impactante. Ao invés de nos importarmos com os acontecimentos da trama, ficamos mais ligados na próxima referência, no aparecimento de algum site conhecido ou de uma personalidade famosa.

Wifi Ralph: Quebrando a Internet cumpre perfeitamente seu papel como animação. Apesar de ter uma história completamente irrelevante e, até certo ponto, boba, agrada por apresentar elementos reais traduzidos para a técnica de animação. Engraçado, divertido e esteticamente deslumbrante, a continuação promete ficar na cabeça dos apreciadores e caçadores de referências por mais um tempo.

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Sobre o Autor

Thiago Pinto

‘’E quando acabar de ler a matéria, terá minha permissão para sair’’

-Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)

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