É hora da aula com o Professor Vinicius, e hoje nós vamos aprender alguns motivos que fazem com que japonês seja um povo estranho. E claro que um dos principais motivos são as benditas Light Novels de nome enorme. É o caso de Roku de Nashi Majutsu Koushi to Akashic Records.
Acho interessante começarmos com uma breve introdução. Não sobre o show, nem sobre quem trabalha na obra, mas sim sobre o que diabos são REGISTROS AKÁSHICOS.
Economizando uns cinco minutos da sua vida, eu mesmo procurei no Google e contarei do que se trata: basicamente, estamos falando de uma parte importante da corrente de estudos da Teosofia, que diz que existe um “Compêndio” onde tudo que já aconteceu, tudo que vai acontecer, e tudo que poderia ter acontecido, está arquivado. Esse compilado de informações sobre todas as almas que existem em todos os sistemas planetários se encontra no “Plano Etéreo“, e pode ser acessado por qualquer “portador de alma”, desde que ele esteja sob condições ideais (como em transe ou meditação, por exemplo).
Agora, no que isso tudo se encaixa com o anime que estamos discutindo no dia de hoje? Não faço a menor ideia.
Não, sério, eu realmente não sei como o conceito de “Registros Akáshicos” faz parte do show. O nome da série (que, como sempre, deveria ser um resumo da trama) nos sugere que o Professor de Magia, nosso protagonista, devia ter acesso aos Registros Akáshicos. Mas nada que aconteceu no primeiro episódio passou essa impressão.
Já um ponto que passou uma forte impressão, foi a ambientação do mundo. Enquanto fica claro desde os primeiros minutos que estamos em um mundo mágico, as cidades e as pessoas parecem estar numa Inglaterra vitoriana comum. Não sei se essa diferença brutal entre os dois “núcleos” é proposital ou não, mas o resultado acabou ficando extremamente desconfortável. Isoladamente, cada um funciona muito bem e tem uma qualidade acima da média para o gênero, mas quando tentamos mesclá-los, um verdadeiro choque cultural ocorre. Não apenas um, mas dois: o choque interno, onde ambas as realidades não conversam muito bem no próprio anime; e o choque externo, onde a audiência não sabe como lidar com essa diferença.
Animes ruins me obrigam a beber.
Deixando as inconsistências de lado e focando naquilo que foi realmente sólido, temos um trabalho técnico impressionante. Um nível incrivelmente alto para algo do tipo, que chegou até a me espantar, confesso. Uma animação fluída e com movimentação bonita (do estúdio LIDENFILMS, com direção de Makoto Iino), em conjunto com cenários e backgrounds de tirar o fôlego (arte por Aojashin). Tudo isso para cercar os personagens cujo design é carismático e não te deixa esquecer que estamos assistindo um harém escolar mágico genérico (por Satoshi Kimura), e ambientado por uma excelente trilha sonora, quase boa o suficiente para disfarçar a ruindade da história (composta por Hiroaki Tsutsumi).
O outro lado da moeda, que anda de mãos dadas com o problema da ambientação, é a total antítese entre a aparência e a personalidade dos personagens. Como já dito, os personagens são bonitos pra caramba, bem animados e com uma dublagem excelente, mesmo com o elenco de pouca experiência. Mas… São todos tão planos, tão simples… Esteriótipos andantes que não conseguem sair de sua zona de conforto em momento algum. A melhor personagem da série até aqui é uma garota que teve uma fala só no episódio inteiro, mas mostrou mais personalidade em suas faces como figurante do que todos os protagonistas juntos.
O que falar dessa guria que eu nem conheço e já considero pakas?
Poderia também comentar sobre a história, mas acredito ser muito cedo para isso. O primeiro episódio serviu para simplesmente jogar a premissa de o que virá pela frente, e terminou de uma forma inimaginável: eu não achei que poderia odiar o protagonista mais do que eu já estava odiando, mas… Ah, eu consegui. Apesar disso, toda a estruturação da trama pareceu cliché, e toda aquela exposição feita preguiçosamente através de narrações e diálogos desnecessariamente detalhados não ajudaram nisso.
Se quiser ver o copo meio-cheio, pode imaginar que, por estarmos no fundo do poço, o único caminho possível é pra cima. Eu meio que concordo, por isso acabei dando 5/10 para o primeiro episódio. Se as qualidades técnicas se mantiverem por todo o percurso, e eles tentarem fazer os protagonistas deixarem de ser sacos de batata ambulantes, talvez o show tenha salvação.
O anime possui transmissão simultânea pela Crunchyroll, com novos episódios todas as terças-feiras.
Lançado nesta quarta-feira, o novo trailer de Transformers: O Último Cavaleiro, protagonizado por Mark Wahlberg promete muita ação e é claro, explosões! Nessa nova sequência, os humanos continuam caçando os Transformers, sejam eles Autobots ou Decepticons. Além do retorno de Optimus Prime, que está de volta a Terra.
Confira o trailer:
Dirigido de Michael Bay e roteirizado de Akiva Goldsman, Transformers: O Último Cavaleiro estreia em 22 de junho de 2017 .
O elenco é composto por: Mark Wahlberg, Isabela Moner, Josh Duhamel, Anthony Hopkins, Laura Haddock, Stanley Tucci e Jerrod Carmichael.
Sinopse: “O Último Cavaleiro quebra os principais mitos da franquia Transformers, e redefine o que significa ser um herói. Humanos e Transformers estão em guerra, Optimus Prime desapareceu. A chave para salvar nosso futuro está enterrada nos segredos do passado, na história escondida dos Transformers na Terra. A esperança de salvar nosso mundo cai sobre os ombros de uma aliança improvável: Cade Yeager (Mark Wahlberg); Bumblebee; um lorde inglês (Anthony Hopkins) e uma professora de Oxford (Laura Haddock). Chega um momento na nossa vida que todos somos chamados para fazer a diferença. Em Transformers: O Último Cavaleiro, os caçados serão heróis. Os heróis se tornarão vilões. Apenas um mundo sobreviverá: o deles ou o nosso.”
“Bruce, eu te perdôo por não me salvar. Mas por que, em nome de Deus, ele continua vivo? […] Ignorando tudo que ele já fez. Cega, estupidamente, desconsiderando os cemitérios inteiros que ele preencheu, os milhares que sofreram, os amigos que ele aleijou… Eu pensei… Pensei que ao ter me matado… Eu seria o último que você o deixaria ferir.”
Jason Todd era um garoto de rua, criado pelo pior de Gotham City, seu pai, Willis Todd, um capanga do Harvey Dent (O Duas Caras, aquele cara da moeda), um dia desapareceu misteriosamente quando estava em meio a um, digamos… “trabalho”. Sua mãe, Catherine Elizabeth Todd, era dependente em drogas e acabou falecendo por uma overdose, deixando o pobre garoto órfão.
Vivendo em um abrigo sem qualquer perspectiva de vida, o pequeno Jason decide sair às ruas durante a noite e de repente dá de cara com o Batmóvel estacionado em um beco, e é claro que ele fez o que todos fariam na mesma situação (sim, foi ironia), começa a roubar as rodas do Batveículo (isso mesmo, ELE ROUBA AS FUCKING RODAS DO BATMÓVEL!), mas é pego pelo morcego, amarrado e levado até a Batcaverna.
Jason roubando as rodas do Batmóvel
Após descobrir tudo sobre o garoto (principalmente que ele era órfão), e depois de muita insistência do mesmo, o Batman decide cria-lo e treina-lo, para que Jason pudesse ter um futuro, e não virasse mais uma estatística no mundo do crime de Gotham.
Com um temperamento e atitude completamente impulsivos, Jason foi o Robin mais indisciplinado com quem o Batman já trabalhou. Carregando uma enorme determinação e um pouco de técnica, ele simplesmente achava que podia fazer tudo e quase nunca seguia os planos de seu mentor, mas apesar dos pesares, suas interferências, algumas vezes, davam certo.
Vendo como o sistema funcionava à medida que crescia, Jason não concordava muito com os métodos do morcego, e achava que os criminosos não deviam continuar vivos após o que faziam. Isso acabou deixando-o dentro de um dilema enorme: “porque matar não seria o certo?”, ainda mais quando surge um assassino em série chamado Felipe Garzonas, que sempre escapava da cadeia devido à influência diplomática de seu pai. Após o fim do arco, enquanto Felipe caía de um prédio, Jason é visto apenas olhando a sua morte, mas nunca foi confirmado o que aconteceu, ou ele o empurrou, ou o vilão pulou com medo da agressividade do garoto prodígio.
Em 1988, na edição Batman #428, Jim Starlin faz uma das mais icônicas sagas em meio aos quadrinhos: Morte em Família (não se confunda com morte da família, que é outra saga com participação do coringa nos N52). Nela Jason descobre que Catherine não era a sua verdadeira mãe e sim, Sheila. Quando vai ao seu encontro, descobre que ela trabalhava para o Coringa e tudo aquilo era uma emboscada, num momento marcante e bem doentio, após ser espancado por um pé de cabras usado pelo vilão e abandonado com uma bomba ao seu lado, acontece uma enorme tragédia e assim Bruce Wayne termina com mais uma lápide nos fundos da sua casa.
Morte em Família (1988)
Após alguns anos, Jason, que havia sido ressuscitado em um poço de Lázaro por Talia Al Ghul, volta como Capuz Vermelho (primeira identidade do Coringa), e completamente insano por vingança, sequestra e espanca o coringa utilizando um pé de cabra da mesma forma que foi espancado. Após os acontecimentos, Jason se torna completamente um criminoso, tudo que Bruce temia desde que o adotou.
Atualmente o Capuz Vermelho não é mais um vilão, mas ainda é um fora da lei (E qual vigilante não é?) e utiliza métodos não muito convencionais para alcançar seus objetivos. Fique agora com o Guia de Leitura cronológico do personagem.
por Jim Starlin, Max Allan Collins, Dave Cockrum e Jim Aparopor Chuck Dixon, Scott Beatty, Scott McDaniel e Andy Owenspor Jim Starlin e Jim Aparopor Jim Starlin, Judd Winick,Jim Aparo e Shane Davispor Tony S. Daniel, Geoff Johns e Marlo Alquizapor Judd Winick e Pablo Raimondipor Jeph Loeb e Jim Leepor Judd Winick, Doug Mahnke, Tom Nguyen e Paul Leepor Bruce Jones e Joe Doddpor Tony S. Danielpor Grant Morrison, Philip Tan e Pete Pantazipor Scott Lobdell e Paulo Siqueirapor Scott Lobdell e Kenneth Rocafortpor Peter Tomasi, Patrick Gleason, Cliff Richardspor Scott Snyder, James Tynion IV, John Layman, Ray Fawkes e Tim Seeleypor James Tynion IV, Scott Snyder, Tim Seeley e Steve OrlandoScott Lobdell e Denis Medripor Dexter Soy,Kenneth Rocafort e Scott Lobdell (Em andamento)
OUTRAS MÍDIAS
Em 2010 a Warner Bros. lançou uma adaptação animada do arco Sob o Capuz. Batman contra o Capuz Vermelho(Batman Under the Red Hood). Vale a conferida.
Em 2015, o Capuz Vermelho foi um dos vilões no game Batman: Arkham Knight, que marca o fim da elogiadíssima trilogia.
Elegia e Origem são dois arcos, com o roteiro de Greg Rucka e arte de J. H. Williams III, que foram lançados entre as edições 854-860 d Detective Comics em 2009. O foco das histórias é a Batwoman, que ainda era uma personagem em ascensão na DC Comics, mas após sucesso dessas duas histórias, consolidou-se de vez na editora e não demorou muito até que ganhasse um título próprio nos Novos 52 em 2011.
Em Elegia, Batwoman, a mais recentemente combatente do crime de Gotham, está envolvida em um caso envolvendo um culto violento liderado por uma vilã misteriosa conhecida como Alice, que pretende transformar a cidade num pesadelo ao estilo Alice no País das Maravilhas. Até então, isso é só mais um dia comum em Gotham.
Alice e Batwoman e Detective Comics #854
A grande sacada de Elegia é ligar todos os elementos da trama à Kate Kane, a Batwoman, e a sua origem que, aos poucos, é construída de uma forma mais concisa do que tinha sido apresentado até então. Essa tarefa de construção da personagem recaiu sobre Greg Rucka, escritor familiar a muitos leitores de quadrinhos, cuja uma das marcas registradas é trabalhar com personagens femininas fortes e independentes.
O nome do arco só passa a fazer sentido no final da trama. Sendo elegia uma poesia que lamenta a morte de um ente querido, no final, descobrimos que se trata de um lamento a morte de Alice, que na verdade é a irmã gêmea de Kate, que até então era considerada morta em um sequestro quando as duas ainda eram crianças.
Logo que termina Elegia já começa o arco Origem, desenvolvendo o passado da Batwoman e suas motivações que a transformaram em ume o e um dos fatores que fatores que uma das personagens mais representativas da comunidade LGBT dos quadrinhos.
Detective Comics #859
Parte do sucesso da Batwoman nos quadrinhos também se deu pela de arte de J. H. Williams III, já conhecido por alguns pelo seu trabalho em Promethea com Alan Moore. Williams dá um show visual com dois tipos de arte. O primeiro estilo envolve belíssimas páginas duplas recheadas de ação quando o foco é o desenvolvimento heroico da Batwoman, mas o cenário muda quando o foco é a vida particular de Kate, pois o artista traz um traço mais simples e dinâmico para contrastar com a faceta de vigilante da personagem.
Toda a maestria de arte apresentada em Elegia e Origem rendeu dois prêmios a J. H. Williams III no Eisner Awards 2010 nas categorias de Melhor Arte e Melhor Capa.
Detective Comics #857
Se uma das histórias definitivas do Batman é o Ano Um de Frank Miller e David Mazzucchelli, Elegia e Origem de Greg Rucka e J. H. Williams III são as histórias definitivas da Batwoman.
A Netflix liberou nesta segunda-feira (10) o trailer para divulgar a nova temporada.
Sense8 conta a história de um grupo de pessoas ao redor do mundo que estão ligadas mentalmente, e precisam achar uma maneira de sobreviver sendo caçados por aqueles que os veem como uma ameaça para a ordem mundial.
A segunda temporada de Sense8 será lançada pelo canal de streaming em 5 de maio.
Criada em 1956, a Batwoman já é uma velha conhecida da DC Comics, porém, nunca foi uma personagem notável até ser reformulada. Só em 2006, com uma reformulação completa de personalidade, aparência e background é que a personagem começou a ganhar seu lugar ao sol na editora das lendas.
A única coisa que restou da Batwoman original foi o nome civil, e ainda assim, há uma diferença sutil. Originalmente, Kathy Kane era a identidade civil da mulher morcego. A nova Batwoman se chama Kate Kane, e a semelhança entre as duas versões acaba aí. Uma curiosidade do sobrenome Kane é o fato de ser uma homenagem a Bob Kane, um dos criadores do Batman.
Kate Kane é criação de Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Ken Lashley. Introduzida na série 52 na edição #7, a personagem foi lentamente ganhando espaço junto a Renee Montoya, a Questão. Mais tarde, Kate ganhou bastante destaque na Detective Comics com os arcos Elegia e Origem de Greg Rucka e J. H. Williams III.
Em 2011, Kate ganhou o seu primeiro título mensal sob o selo dos Novos 52 e durou 40 edições até ser cancelado devido a troca na equipe criativa após a edição #24, que resultou num baixo desempenho do título.
Atualmente, a personagem ganhou uma nova oportunidade com o Renascimento da DC. Primeiro na Detective Comics, e, agora, com um novo título mensal com o roteiro de Marguerite Bennett e arte de Steve Epting.
Um dos fatores que consolidou Kate Kane na DC, e também em toda indústria dos quadrinhos, é o fato dela ser lésbica. Hoje, apenas 11 anos desde a sua primeira aparição, a personagem é um dos maiores símbolos de representação LGBT nos quadrinhos, com histórias bem elogiadas pela critica e pelo público.
Por se tratar de uma personagem relativamente nova, a Batwoman não tem muitas histórias em seu currículo. Mas chega de enrolação. Vamos ao Guia:
por Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Keith Giffen e Ken Lashleypor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Keith Giffen e Shawn Mollpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Keith Giffen, Joe Bennett e Todd Nauckpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Drew Johnsonpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Keith Giffenpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Tom Denerick e Joe Pradopor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Joe Bennettpor Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid e Jamal Iglepor Greg Rucka, Matthew Clark e Steve Lieberpor Grant Morrison, J. G. Jones e Doug Mahnkepor Greg Rucka, Philip Tan e Jonathan Glapionpor Tony S. Danielpor Greg Rucka e J. H. Williams IIIpor Greg Rucka e J. H. Williams IIIpor Greg Rucka e Jock(2010) por Greg Rucka e Jockpor Haden Blackman e J. H. Williams IIIpor Haden Blackman e J. H. Williams IIIpor Haden Blackman e J. H. Williams IIIpor Haden Blackman e J. H. Williams IIIpor Marc Andreykopor Marc Andreykopor James Tynion IV e Eddy Barrows
Extra
por Edmond Hamilton e Sheldon MoldoffMarguerite Bennett
Vale ressaltar que DC Bomshells não é um título só da Batwoman, mas sim de todas as heroínas da DC, e não faz parte da linha de quadrinhos principais da editora. A história se passa em um universo alternativo em que as heroínas são mais importantes que os heróis.
Finalizando com uma curiosidade: a identidade visual moderna da Batwoman foi criada por Alex Ross.
Sinopse: ”Nem depois de morto o rei Verence pode descansar. Mesmo como fantasma tem que continuar zelando pelo reino de Lancre, que foi tomado pelo duque Felmet e sua esposa. Com a ajuda de três irmãs, as bruxas Vovó Cera do Tempo, Tia Ogg e Margrete, esse rei fantasma precisa coroar o verdadeiro herdeiro, entregue a uma trupe mambembe de passagem pelos arredores no dia de sua morte. As estranhas irmãs precisarão de muitas artimanhas para localizar um ator nato que interpreta reis como ninguém…”
Terry Pratchett (1948-2015)
A obra ‘’Estranhas Irmãs’’ (Wyrd Sisters), escrita pelo autor inglês Terry Pratchett, publicada em 1988, é o segundo volume do ciclo das bruxas, integrando a saga de livros Discworld. Já comentamos sobre o primeiro volume do ciclo das bruxas, ‘’Direitos Iguais Rituais Iguais’’, você pode conferir aqui.
Temos o retorno da enigmática personagem Vovó Cera do tempo, bruxa famosa pelos recantos das Montanhas de Ramtops, agora acompanhada de Tia Ogg e Margrete, ambas também bruxas, formando o trio mágico (senão uma irmandade, agora entende o título, correto?) em nossa história. Falando em história, a imagem das três bruxas não é tão desconhecido para o leitor que conhece a famosa tragédia de Hamlet com as três bruxas. Se você discordou com algo na frase anterior, você está certíssimo, na verdade as três bruxas descritas por Shakespeare estão na peça Macbeth, não é por acaso que elas são chamadas de estranhas irmãs, o mesmo título da obra de Pratchett que inclusive foi traduzido como Macbest para o alemão.
Ainda retomando Shakespeare, o plano de fundo do enredo nos relembra (agora sim) a peça Hamlet com toques de O Senhor dos Anéis. O Rei Verence, sobreno de Lancre, acabou se ser assassinado pelo Duque, por sorte o herdeiro foi salvo e confinado a nada mais e nada menos que as três bruxas de Ramtops. O Duque assassino chama uma trupe teatral para interpretar uma peça com que faça que as bruxas sejam colocadas contra o povo, relembrando Hamlet. Misturando ‘’viagens no tempo’’, reviravoltas dignas de Deu a Louca na Chapeuzinho 1 (o 2 é bom, mas o 1 ainda é melhor) e claro bastante humor.
Da esquerda para direita: Tia Ogg, Vovó Cera do Tempo e Margrete.
Além disso, Pratchett não só faz uma história mirabolante para puro entretenimento, a mensagem do autor é forte se olharmos com outro viés, como a avareza, inveja e a busca de ter mais e mais dentro da política de Lancre faz com que o Duque assassine o rei. Este que acaba por virar um fantasma desenvolve várias discussões existencialistas que, claro, o autor se utiliza de bastante humor, juntamente com a imagem da Morte, personagem que aparece em praticamente (em todos?) os livros de Discworld.
De fato, com Estranhas Irmãs, o autor se usa para criticar bastante a sociedade inglesa, tanto social quanto no plano político. Outro exemplo bastante interessante é quanto a ‘’viagem no tempo’’ na história, na verdade, uma parada no tempo. O herdeiro de Lancre, possível candidato para a sucessão do trono ao fugir do Duque, só poderia assumir com 15 anos, então as bruxas decidem parar o tempo em Lancre, digno de uma maldição como em A Bela Adormecida durante 15 anos, o autor parodia as eleições na Inglaterra e seus sucessórios representantes. Margaret Thatcher, conhecida como Dama de Ferro do partido conservador, governou durante 10 anos (acredito que Margaret pode ter influenciado o nome da bruxa Margrete) e em seguida John Major, que durou 7 anos de mandato, totalizando 17 anos, coincidência?
Espero que tenham gostado dos comentários sobre o livro e lembre-se que não é necessário ler Direitos Iguais Rituais Iguais para lê-lo. Estranhas Irmãs é um livro concomitante com o atual cenário politico brasileiro, vale a pena a leitura, é um dos melhores livros do ciclo das bruxas e está entre os 10 melhores do Disworld, segundo a rede social de leitores Goodreads. O livro está esgotado, só pode ser encontrado em pdf ou sebos.
Duas séries de Alan Moore em início de carreira, publicadas na revista semanal britânica 2000 AD, verão a luz do dia do mercado brasileiro de quadrinhos mais uma vez. Skizz e D.R. & Quinch retornarão em uma edição de luxo pela Mythos Editora. Confira os detalhes abaixo.
O encadernado será chamado de Choques Alienígenas, fazendo referência ao lançamento do ano passado, os Choques Futuristas. Todas as histórias são em preto e branco, e a compilação terá uma média de 200 páginas, com previsão de lançamento para julho.
D. R. & Quinch é uma famosa série escrita por Alan Moore, contendo a arte de Alan Davis, com aventuras focadas em dois delinquentes alienígenas. A saga estreou na prog317 da 2000 AD, e conta com sete arcos publicados entre 1983 e 1987, tendo sido muito bem recebida graças ao seu humor anárquico, destoando de outros trabalhos do roteirista na época.
Além desta, Skizz, a “versão adulta do E.T. de Steven Spielberg”, série co-criada por Moore e Jim Baikie, estará na mesma edição de luxo, finalizando as republicações de séries do autor. Ambas estas obras já foram lançadas por aqui no início dos anos 2000 de forma ilegal. Skizz possui três arcos escritos por Alan, tendo estreado na prog308 da 2000 AD.
Ao lançar as duas séries, quase tudo que contém o nome Alan Moore na 2000 AD terá sido publicado em edições definitivas oficiais no Brasil. O lançamento mais recente da editora é o encadernado Monstro, uma história de terror criada por Alan Moore e escrita por John Wagner, publicada nas páginas da revista Scream! britânica. Fique ligado na Torre de Vigilância para acompanhar as novidades da 2000 AD no Brasil!
Criado por John Wagner e Carlos Ezquerra no ano de 1977, o Juiz Dredd é o personagem mais famoso dos quadrinhos britânicos, publicado ininterruptamente na revista semanal inglesa 2000 AD. Desde 2013 o Bom Juiz encontrou uma casa no Brasil através da Mythos Editora, inicialmente com uma revista mensal e atualmente em encadernados capa dura e capa cartão. Este Guia tem como objetivo introduzir o personagem a novos leitores e estabelecer uma ordem correta de leitura para seus encadernados, contendo todas as informações básicas e intermediárias para um iniciante.
Confira abaixo o Guia sobre Juiz Dredd mais completo do Brasil!
Introdução ao universo
Em abril de 2031, foi aprovado o novo Sistema Judiciário dos EUA, com uma nova força policial que detinha o poder de prender, julgar e executar. O objetivo desse novo sistema de justiça era combater as gangues que assolavam a vasta conturbação metropolitana que se estendia de Washington até Nova York, e que futuramente se tornaria a maior cidade do mundo, Mega-City Um. Joseph Dredd e seu irmão, Rico Dredd, foram clonados do DNA do Juiz-Chefe Fargo, o primeiro Juiz-Chefe do mundo, em 2066.
No ano de 2070, o então presidente Robert L. Booth deu início à Terceira Guerra Mundial, que destruiu a maior parte do mundo. Algumas megalópoles sobreviveram, entre elas Mega-City Um, Mega-City Dois, Texas City, Brit City e poucas outras. Todo o restante do planeta tornou-se um grande deserto nuclear chamado Terra Maldita, e os resquícios da Guerra se estendem desde o surgimento de mutantes, vivendo neste deserto e alterados geneticamente graças a radiação – ou até mesmo pessoas com poderes psíquicos habitando as cidades – até a colonização do espaço por cidadãos que foram embora da Terra. O então presidente Booth foi julgado pelos Juízes de Fargo, sentenciado a criogenia, e os Juízes assumiram o poder da cidade, com o objetivo de conter os danos da Guerra, que incluíam o caos generalizado nas ruas, pânico, milhões de feridos e a necessidade de reconstrução de tantas vidas.
Mega-City Um: a população e os Juízes
A primeira aventura do Juiz Dredd publicada, ainda em 1977, se passa em 2099. Neste ano, os Juízes já estão estabelecidos como o principal poder das megacidades, e Dredd é o Juiz mais respeitado de todos. Mega-City Um possui uma população de 800 milhões de habitantes, sendo uma cidade futurista avançada tecnologicamente, onde as pessoas vivem em gigantescos blocos-condomínios, prédios onde muitos cidadãos nascem e morrem sem mesmo conhecer o mundo do lado de fora. Os números são impressionantes: há 87% de desemprego na cidade, e boa parte do trabalho é feita por robôs, sendo as pessoas desempregadas mantidas com um apoio mínimo do Estado. E do desemprego, nasce o crime. Todo cidadão é um criminoso potencial.
Os juízes passam por um rigoroso treinamento de 15 anos na Academia da Lei. As cidades possuem divisões muito exóticas, indo de áreas sexuais até becos suburbanos, passando por condos temáticos e espaços tecnológicos. Há todo tipo de coisa em Mega-City, e até mesmo alienígenas e seres dimensionais já existem no planeta Terra. Todos são rigorosamente patrulhados pelos juízes. A população da cidade variou com o passar dos anos: de 800 milhões de habitantes em Mega-City Um para 400 milhões durante a saga A Guerra do Apocalipse (publicada no Brasil pela Mythos Editora), onde a contraparte soviética de Mega-Leste Um deu início a uma guerra contra a cidade, e o Juiz Dredd impediu danos ainda mais catastróficos, tomando decisões cruciais para a sobrevivência. E os números flutuam com o passar dos anos conforme novos desastres ocorrem, como Necrópolis, Guerra Total, Dia do Caos (os dois últimos publicados pela Mythos), etc. Algo interessante a se ressaltar é que a medicina já evoluiu a ponto das pessoas conseguirem viver muito mais que o normal, e Dredd aparenta ter cerca de 50 anos graças ao uso de drogas de rejuvenescimento utilizadas pelo Departamento de Justiça. Contudo, os anos correm em tempo real neste universo. Atualmente, já passaram dos anos 2140.
Inimigos, equipamentos, coadjuvantes e gírias
Dredd possui uma galeria de vilões pequena, especialmente se comparada a dos heróis dos quadrinhos americanos. O motivo é simples: existem duas opções para quem enfrenta os juízes, a morte ou a prisão. Entre os vilões recorrentes alguns se sobressaem, como os Juízes Negros (seres de uma dimensão onde a vida é um crime), o Máquina Malvada (homem lobotomizado por sua família de mutantes, transformado numa máquina de matar), Stan Lee (um lutador de Kung Fu), Chopper (um pichador) e meia dúzia de malfeitores. Entre os itens que Dredd utiliza para julgar os criminosos estão seus equipamentos, destacando-se sua arma, a Legisladora (que dispara cerca de oito tiros diferentes) e as motos Magistradas. Seu capacete possui uma gama de acessórios que vão desde zoom ótico até máscaras de gás e microfones. E o Juiz Dredd nunca mostrou seu rosto, sendo pura e simplesmente um avatar da justiça.
O elenco de apoio das histórias do Dredd varia bastante com o passar dos anos, e alguns até mesmo ganharam suas próprias séries, como a Juíza Anderson. Além dela, existem personagens incríveis como o Juiz Giant, a Juíza Hershey, Guthrie, América e outros. Neste universo também destacam-se as gírias utilizadas pelos personagens, como “Drokk“, uma espécie de profanação, e “Stomm“, que tem significado parecido. “Dreus” é o equivalente a Deus (no original, “Grud“); o dinheiro é chamado de “Creds“, os criminosos de “Vagais“, os mutantes de “Mutunas“, os corpos de “Presuntos“. E caso queira conhecer um pouco mais do background da criação do personagem, confira este texto.
Ordem de leitura
Confira abaixo a ordem de leitura cronológica dos encadernados e especiais publicados oficialmente no Brasil pela Mythos Editora até o momento. Boa parte das sagas essenciais do personagem, como A Terra Maldita e O Juiz Criança permanecem inéditas no Brasil, porém boa parte dos acontecimentos sãosituados aos leitores com os textos presentes nas compilações. Não é tão difícil quanto aparenta. A ordem não é exata, pois algumas edições possuem histórias de outros momentos da cronologia, porém o mais sensato a se fazer é ler na sequência abaixo. Outros materiais foram lançados, por outras editoras, porém não são facilmente encontráveis, então foram limados desta lista. Sem mais delongas:
Outros selos
Dredd já teve histórias publicadas por editoras americanas como IDW, Dark Horse e DC Comics. A IDW licenciou o personagem (e outros da 2000 AD, como o Renegado) em 2013 e vem produzindo material para os americanos desde então, sendo que um deles chegou às bancas brasileiras em 2015 e outro em 2020. Pela Dark Horse, os crossovers com o Predador e com Aliens foram os dois lançamentos, que também receberam duas edições de luxo brasileiras lançadas pela Mythos. E na DC Comics, o personagem já se encontrou com o Batman (em quatro histórias) e com o Lobo. No Reino Unido, o Juiz já teve histórias lançadas em revistas de música, compiladas no encadernado Heavy Metal onde boa parte são ilustradas por Simon Bisley, e também não fazem parte da cronologia oficial da 2000 AD.
Curiosidades
O Juiz Dredd inspirou alguns personagens da cultura pop, como o RoboCop. Um dos concept arts do RoboCop, feito em 1987, possuía uma enorme semelhança com o Juiz, especialmente por conta do capacete;
O personagem teve dois filmes live-action, um em 1995 protagonizado por Sylvester Stallone, e outro (mais fiel) em 2012, onde Karl Urban deu vida ao Dredd. Entre as produções feitas por fãs estão o curta Judge Minty e a série Cursed Edge. Nas animações, foi produzida uma série fan film animada chamada Judge Dredd Superfiend. A Rebellion/2000 AD anunciou há alguns anos que uma série de TV de Mega-City Um está em desenvolvimento.
Com relação aos quadrinhos, diversos gigantes da indústria escreveram ou ilustraram histórias do Dredd. Garth Ennis, Grant Morrison, Mark Millar, Frank Quitely, Alan Grant, Brian Bolland, Simon Bisley, Liam Sharp, Frazer Irving e muitos outros já passaram pelas páginas do Juiz.
A banda de heavy metalAnthrax possui uma música dedicada ao Juiz, chamada “I Am The Law“.
Nos games, existem pelo menos três jogos famosos: Judge Dredd vs Death (PS2), Dredd vs. Zombies (mobile) e Judge Dredd: Countdown Sec 106 (mobile). Nos board games, o Juiz tem alguns jogos de cartas e outros de miniaturas (com tabuleiro).
E aí? Ficou interessado em acompanhar as histórias do Juiz mais durão de Mega-City Um? Compre os encadernados através da Amazon e Loja Mythos, e fique ligado pois os lançamentos não param por aí e, conforme as novidades chegarem, este Guia irá acompanhá-las. Boa leitura, vagal.
Pegue um tanto de punk, adicione umas pitadas de metal, misture com um bocado de funk rock e coloque em uma panela untada de rock psicodélico. Coloque apresentações ao vivo vestidos de lâmpadas, palhaços, cuecas ou simplesmente pelados. Jogue bastante pimenta só para dar um gosto forte e explosivo. A Torre de Vigilância traz na sua Vitrola a história dos californianos do Red Hot Chili Peppers. O embrião da banda foi fecundado em 1979, quando com apenas 15 anos Flea, Hillel Slovak e Jack Irons, eram amigos que nos intervalos das aulas da Fairfax High School em Los Angeles, tinham uma banda chamada Anthym, que tinha como um grande fã, um certo garoto magrelo chamado Anthony Kiedis. Em 1983 era formado o Tony Flow and the Miraculously Majestic Master of Mayhem (ufa!) já com Kiedis no vocal. Que mais tarde viria se tornar o Red Hot Chili Peppers.
A primeira formação do Red Hot Chili Peppers: Anthony Kiedis, Hillel Slovak, Flea e Jack Irons.
Entre mudanças de formação, drogas, morte por overdose, mais drogas, apresentações explosivas e uma saraivada de sucessos mundiais, o Red Hot Chili Peppers (que nessa matéria vamos chamar de RHCP) tem uma história bem consolidada como um dos gigantes do rock mundial.
Red Hot Chili Peppers (1984)
Com apenas seis meses de vida, a banda fechou com a EMI o seu primeiro contrato, mas surgiu um impasse envolvendo o guitarrista Hillel Slovak e o baterista Jack Irons. Ambos faziam parte de uma banda chamada What Is This? que tinha contrato com a MCA Records. E a dupla não levava muita fé que o RHCP fosse muito longe e se recusaram a gravar o álbum. Flea e Kiedis, que tinham a obrigação por contrato de gravar, recrutaram o guitarrista Jack Sherman e o baterista Cliff Martinez para o lugar dos ex-membros.
A gravação foi marcada pelas desavenças entre a banda e o produtor Andy Gill. O produtor queria que o disco tivesse um som mais propício para se tocar nas rádios. O grupo declarou na época que gostava mais das versões demo do que o disco oficial. Kiedis, em sua biografia, disse que se sentiu mal quando viu que Gill tinha escrito em um bloco de notas a palavra “merda” ao lado do título da música “Police Helicopter”. Apesar de não ter sido bem recebido pela criticam, a música “True Men Don’t Kill Coyotes” fica famosa graças ao seu clipe e se torna um sucesso.
https://www.youtube.com/watch?v=KvR86EwYNGU
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal e guitarra rítmica Flea – Baixo Cliff Martinez – Bateria Jack Sherman – Guitarra
Nota na história: O álbum Squeezed do What Is This? também não teve uma boa repercussão com os críticos, e os Peppers começaram a aumentar a sua lista de shows, apesar de não receberem muito pela turnê. Foi quando houve o primeiro racha na banda. Kiedis, Flea e Martinez não tinham bom relacionamento com Jack Sherman e este foi demitido da banda. Para seu lugar Hillel Slovak voltou para o grupo. Foi na mesma época em que Kiedis e Slovak começaram a usar heroína com mais frequência.
Freaky Styley (1985)
O segundo álbum do RHCP já foi mais bem sucedido do que o anterior. Chegando a vender 1 milhão de cópias em todo o mundo. Com produção de George Clinton, que era considerado o “Tio do Funk”, e a volta de Slovak na guitarra, a banda se refugiou no sítio do produtor. Onde foram gravavam, usavam cocaína e pescavam. Apesar de não ser um dos melhores trabalhos da banda, a crítica na época recebeu positivamente dando um gás para a carreira dos caras.
O relativo sucesso de Freaky Styley rende uma turnê pelos Estados Unidos inteiro e levam a banda, em 1986, para seus primeiros shows na Europa. O maior sucesso desse trabalho é a música “Jungle Man”, cujo o clipe é transmitido diversas vezes pela MTV.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal Flea – Baixo Cliff Martinez – Bateria Hillel Slovak – Guitarra
Nota na história: Durante a turnê americana de Freaky Sytley, em um show em Grand Rapids em 1986, cidade natal de Anthony Kiedis, o vocalista faz a apresentação usando as meias (Socks on Cocks). Vocês sabem como é: pelado usando meia no órgão sexual. O que causa um escândalo e acaba taxando o cantor como “ovelha negra” da cidade. É quando acontece mais uma mudança na banda: Cliff Martinez é substituído por Jack Irons.
No mesmo ano o problema com as drogas chega a um nível mais alto, Kiedis estava abusando e perdeu a noção da realidade. Ele consumia drogas embaixo de uma ponte no centro de Los Angeles, andava em becos e tinha contato com algumas gangues. A coisa começou a afetar o desempenho da banda nos palcos, e o vocalista foi convidado a se retirar para cuidar do seu vicio. Kiedis com a ajuda do seu pai se interna em uma clinica de reabilitação.
The Uplift Mofo Party Plan (1987)
Enquanto Kiedis estava na reabilitação, o RHCP começava o processo de gravação do terceiro disco. Depois da recusa do produtor Rick Rubin de trabalhar com eles, Michael Beinhorn aceitou fazer o disco. “Me sugeriram trabalhar com o RHCP, já que ninguém na EMI sabia o que fazer com eles” disse Beinhorn uma vez. Nesse momento, Kiedis já estava ingresso na banda novamente, e depois de uma reunião com o novo produtor sobre a gravação, o vocalista falou que tinha planejado gravar em dez dias e escrever as músicas durante as sessões de gravação. A única letra que tinha pronta era “Figth Like a Brave”, escrita ainda durante a sua estadia na clinica.
Enquanto o álbum estava sendo gravado, Kiedis, que realmente estava limpo das drogas, mas sofria com a abstinência. O que afetava suas contribuições nas musicas. E depois de cinquenta dias sóbrio, desde a sua útima internação, o vocalista se rende mais uma vez ao vício. O processo de gravação se torna cada vez mais difícil, com os desaparecimentos de Kiedis para se drogar. Por mais que a banda não gostasse do retorno do vocalista para as drogas, o clima era agradável por ser o primeiro disco sendo gravado pela formação original do RHCP. Além de “Fight Like a Brave”, as músicas “Me & My Friends”, “Behind the Sun” e o cover de “Subterranean Homesick Blues” de Bob Dylan são os destaques do álbum. As criticas vieram das mais variadas formas, houve quem elogiasse muito o trabalho, mas tiveram alguns críticos que consideram o disco “impreciso”.
https://www.youtube.com/watch?v=doDBApOv2oM
Formação:
Anthony Kieds – Vocal e guitarra rítmica Flea – Baixo Hillel Slovak – Guitarra Líder Jack Irons – Bateria
Nota na história: A EMI se recusou a lançar o disco se o RHCP não mudasse o nome da música “Party on Your Pussy”. Então ela foi renomeada como “Secret Song Especial Inside”. O disco criou uma base de fãs considerados cults, entre eles o jovem John Frusciante, que no futuro iria se tornar guitarrista da banda.
O RHCP sai em turnê pela Europa e na Inglaterra eles tiram a roupa e usando apenas as meias cobrindo os órgãos sexuais, fazem uma paródia da famosa foto dos Beatles na Abbey Road. Logo após, a EMI lança o The Abbey Road EP, um disco com apenas cinco músicas, incluindo o cover de “Fire” de Jimmy Hendrix. Em junho, a banda volta para os EUA onde ocorre a maior tragédia da sua história.
A Morte de Hillel Slovak
Kiedis e Slovak estavam cada vez mais se afundando nas drogas e a situação ia piorando. Foi quando ambos resolveram parar de usar heroína antes da turnê europeia. E fizeram um pacto de um ajudar o outro. Slovak sofreu muito com a abstinência, o que chegou afetar o seu desempenho durante as apresentações, chegando ao ponto de Slovak ter um colapso mental e ficou incapaz de realizar um show. Então ele foi substituído por DeWayne McKnight em algumas apresentações.
Hillel Slovak
Depois de voltar para a banda, Kiedis tentou ajudar tirar Slovak das drogas, o que acabou falhando. Ao retornar para os EUA, Slovak se isola do resto da banda. Semanas depois Flea recebe um telefonema, onde ele pensa primeiro que seria a noticia de que Kiedis havia morrido, mas era Slovak que tinha partido. O guitarrista foi encontrado morto pela policia em seu apartamento no dia 27 de junho de 1988. Segundo a autópsia ele tinha morrido em 25 de junho devido uma overdose de heroína.
O fato quase acabou com a banda. Jack Irons deixou a banda, alegando que não queria fazer parte de um grupo onde seus amigos estavam morrendo. Kiedis se isolou em uma vila mexicana onde ninguém o conhecesse para tentar se livrar do vício. E Flea parte para projetos paralelos. Hillel Slovak tinha apenas 26 anos quando faleceu.
Mother’s Milk (1989)
Flea tinha acabado de se tornar pai e Anthony Kiedis retorna do seu isolamento, e a dupla começa a catar os cacos do RHCP. Continuar o sonho de Hillel Slovak vivo em manter a banda na ativa era o objetivo. Mas eles precisavam encontrar novamente um guitarrista e um baterista. Depois de rodarem muitos músicos nas posições, eles finalmente encontram o jovem John Frusciante de 18 anos. Nos primeiros shows, os fãs se impressionam com a semelhança de Frusciante com o finado Slovak. Não somente musicalmente, como até nos trejeitos. Frusciante idolatrava Slovak e buscava ser o mais próximo dele possível. Logo depois de uma concorrida e cansativa busca por um baterista, Chad Smith assume as baquetas da banda. Depois de terem escolhidos os dois membros, a banda saiu em uma pequena turnê chamada Positive Mental Octopus Tour tocando em alguns concertos e lugares menores para entrosarem os novos membros.
Kiedis, Flea, Chad Smith e John Frusciante a formação que fez mais sucesso
O processo de gravação do Mother’s Milk foi longo e desgastante. Principalmente entre John Frusciante e o produtor Michael Beinhorn, que constantemente discutiam. Beinhorn queria que o álbum tivesse riffs de guitarra no estilo heavy metal, o que não agradava Frusciante que deu para o RHCP mais melodia. Mesmo assim o álbum foi um grande sucesso comercial, vendendo 5 milhões de cópias mundialmente. Mesmo a critica especializada o considerando menos interessante do que o antecessor The Uplift Mofo Party Plan.
As faixas de mais destaque são “Higher Ground” cover do Stevie Wonder, “Knock Me Down” (homenagem ao Hillel Slovak), “Taste the Pain” e a inclusão de “Fire” gravada com a formação original no Abbey Road EP.
Formação:
Anthony Kieds – Vocal Flea – Baixo John Frusciante – Guitarra Chad Smith – Bateria
Nota na história: O que tem de história nessa época… não está no gibi. Com o Mother’s Milk se destacando mais do que os outros trabalhos, a multidão de fãs também aumentou. Houve apresentações onde não foram capazes de acomodar o publico. Pela primeira vez a banda tem um ônibus de turnê próprio para rodar os EUA. Mas voltando à época da turnê Positive Mental Octopus Tour, uma estudante acusou o Anthony Kiedis de atentado ao pudor e má conduta sexual, o vocalista foi preso e liberado sob fiança.
Amsterdã 1989
No final da turnê do Mother’s Milk, depois de um show em Atlanta, Flea convidou uma mulher para seu quarto no hotel para relações sexuais, mas se trancou no banheiro porque sentia remorso ao pensar em sua esposa e na sua filha. Kiedis terminou o relacionamento de dois anos com a atriz Ione Skye e John Frusciante estava começando a entrar no mundo das drogas. Na véspera do ano novo de 1989 eles filmaram o show que fizeram na Long Beach Arena, intitulado como Psychedelic Sexfunk Live from Heaven. Onde foram mais de dez mil expectadores. Em março de 1990, o RHCP foram convidados para realizar a cobertura da MTV de férias da primavera na Flórida. No evento Flea e Chad Smith tentaram animar o publico e a situação saiu do controle. A dupla foi acusada de terem agredido sexualmente e verbalmente uma mulher que estava na plateia. Ambos foram presos e libertados após pagar fiança de $ 2,000.
A canção “Knock Me Down” entrou para a trilha sonora de Uma Linda Mulher (1990), o que alavancou ainda mais a fama da banda.
Blood Sugar Sex Magik (1991)
O reconhecido sucesso. O que muitos consideram como um dos melhores disco de rock já feito (inclusive esse que lhe escreve). Depois de saírem da EMI e assinarem com a Warner Bros. Records, o RHCP lança seu quinto álbum de estúdio. O trabalho tem produção de Rick Rubin. Com letras que tocam em temas que variam de insinuações sexuais passando por drogas e morte, luxuria e preconceitos. Foi o álbum que finalmente elevou a banda ao posto de conhecida mundialmente.
A banda queria gravar em um lugar não convencional. Então Rubin sugeriu The Mansion, onde tinha sido a residência o ilusionista Houdini. Todos concordaram em gravar lá e ficar direto também, apesar de Chad Smith achar o lugar assombrado. O baterista era o único que não dormia lá. O disco foi gravado no esquema ao vivo no estúdio. Rubin queria pegar a energia do RCHP e jogar no álbum. O trabalho durou 30 dias, que rendeu um documentário intitulado Funky Monks.
Documentário Funky Monks
As músicas “Suck My Kiss”, “If You Have to Ask”, “Sir Psycho Sexy”, “Breaking the Girl”, “The Power of Equality” e a explosiva “Give It Away” se tornaram sucessos nas radios. “My Lovely Man” era mais uma homenagem ao amigo Hillel Slovak e a famosa balada “Under the Bridge” é uma autobiografia de Anthony Kiedis, onde ele fala do momento mais baixo da vida, quando usava heroína e cocaína debaixo de uma ponte. A crítica especializada se derreteu ao disco.
Formação:
Anthony Kieds – Vocal Flea – Baixo John Frusciante – Guitarra Chad Smith – Bateria
Nota na história: Quando “Under the Bridge” estourou no mundo, as pessoas queriam saber onde era a tal ponte, e viviam perguntando para Kiedis. O vocalista respondia assim: “No centro da cidade, eu não quero falar sobre isso. Lá não é uma atração turística pelo amor de Deus. É um território de gangues, vocês estão procurando uma bala nos seus miolos?”.
Durante a turnê europeia, o RHCP foram avisados para não se comportarem de forma muito sexual no palco e não usarem as famosas meias. Mas eles fingiram concordar com as exigências e subiram no palco vestidos como damas da idade média. Foram expulsos do palco.
Cartazes dos shows na época.
A turnê do Blood Sugar Sex Magik tinham os shows abertos pelo Smashing Pumpkings. Depois de um tempo, o ex-baterista do RHCP, Jack Irons, ligou e perguntando se a sua nova banda poderia abrir os shows na próxima turnê. Essa banda era o Pearl Jam. Logo foi aceito. Mas com os shows começando a acontecer em estádios, os organizadores começaram a pedir que o Pearl Jam, que na época estava dando os primeiros passos, fossem substituídos por um grupo mais conhecido. Anthony Kiedis entrou em contato com Dave Grohl perguntando se o Nirvana poderia substituir o Pearl Jam. Grohl aceitou a proposta, mas Billy Corgan, vocalista do Smashng Pumpkins se recusou a tocar com o Nirvana, por ele ter tido um caso com a Courtney Love, que era então mulher de Kurt Cobain.
Kiedis VS Frusciante
Com o estrondoso sucesso de Blood Sugar Sex Magik, John Frusciante começou a se sentir incomodado com o status que tinha adquirido. Ele preferia a banda no cenário underground, e acabou entrando em um estado de negação e depressão que acabavam afetando suas performances no palco. Frusciante foi lentamente se afastando do grupo e um ar de discórdia crescia. Quando o RHCP saiu em turnê na Europa, o guitarrista levou a sua namorada Toni Oswald. O que deixou Kiedis muito zangado, já que a banda tinha um pacto de nada de noivas ou namoradas na estrada. Em uma apresentação no Saturday Night Live, durante a apresentação de “Under the Bridge”, um desempenho abaixo do Frusciante irritou o vocalista. Veja a polêmica apresentação abaixo:
“Ele estava tocando como se fosse um mero ensaio. E não era. Estávamos na TV, ao vivo, para milhões de pessoas. Eu comecei a cantar o que achava que era o tom que ele estava tocando. Senti que estava sendo esfaqueado pelas costas e mostrando isso para toda a America, enquanto o cara estava em um canto, tocando algum experimento fora de sintonia,”.
Em 1992, minutos antes de subirem no palco para um show no Japão, Frusciante se recusou a tocar alegando que tinha saído da banda. Depois de muita conversa, o guitarrista concordou em fazer o show, mas afirmando que seria o seu ultimo. Um pouco antes da apresentação no Lollapalooza. O guitarrista Arik Marshall, que praticava até cinco horas por dia, assumiu para completar os compromissos. Assim Frusciante saiu da banda no auge.
Problemas ardidos como pimenta
O barco do RHCP tinha atingido o mais belo mar do sucesso mundial com o disco Blood Sugar Sex Magik, mas a tempestade que se instalou sobre eles não cessava. Em 1993 com Jesse Tobias na guitarra, a banda fez a sua primeira passagem pelo Brasil na quarta edição do extinto festival Hollywood Rock. Foi quando o Flea foi diagnosticado com fadiga crônica e teve que se afastar das atividades musicais durante um ano para se tratar. O ator e amigo particular da banda River Phoenix faleceu por insuficiência cardíaca induzida pelo uso de drogas aos 23 anos de idade. Flea era muito próximo do ator e se abateu ao ponto de piorar a sua doença.
Dave Navarro começa a sua passagem no Red Hot Chili Peppers
No meio desses turbilhões, o guitarrista Dave Navarro, que estava na época no Jane’s Addiction, foi convidado para entrar no RHCP. Seu show de estreia foi no Woodstock ’94. No clássico show em que eles estavam vestidos de lâmpadas. A banda fez uma breve turnê que incluiu abrir um show dos Rolling Stones. As declarações de Kiedis falando que abrir para os Stones era uma experiência horrível geraram uma grande polêmica da época, e para completar, o vocalista ainda teve uma recaída e voltou a usar drogas. Ao mesmo tempo aconteceu o suicido de Kurt Cobain. Flea em choque conta para o Kiedis que começa a fazer uma reflexão sobre a sua vida e escreve “Tearjeker” sobre a sua amizade com Kurt.
O RHCP recrutou mais uma vez o produtor Rick Rubin e foram para o Hawaii em busca de inspiração para o novo trabalho. O futuro álbum teve vários nomes durante o processo. Hypersensitive, Turtlehead, Black Fish Ferris Wheel, The Blight Album e The Good and The Bad Moods of The Red Hot Chili Peppers. Até escolherem o nome…
One Hot Minute (1995)
O sexto álbum chega com uma ingrata missão: substituir o aclamado Blood Sugar Sex Magik. A inclusão de Dave Navarro na guitarra alterou consideravelmente na sonoridade dos RHCP, com riffs mais para o lado do Heavy Metal do que do Funk tradicional. E os últimos acontecimentos sombrios na banda ditam a levada das músicas. Com menos temas sexuais que os trabalhos anteriores, e explorando assuntos mais escuros como depressão, uso de drogas, angústia e luto. Kiedis havia retornado ao seu vicio em cocaína e heroína no ano anterior após permanecer sóbrio por mais de cinco anos, cantou em suas letras os temas mais sérios sobre drogas e seus efeitos mortais.
Navarro durante as gravações questionava os métodos de trabalho do RHCP. O que tornou o processo desconfortável para a banda. One Hot Minute foi um fracasso comercial, apesar de alcançar o quarto lugar na parada da Billboard e ter emplacado três sucessos radiofônicos: “Warped”, “Aeroplane” e “My Friends”. Na verdade o álbum foi incompreendido no seu lançamento. Hoje em dia muitos fãs da banda o consideram um dos melhores trabalhos do RHCP.
Formação:
Anthony Kieds – Vocal Flea – Baixo Dave Navarro – Guitarra Chad Smith – Bateria
Nota na história: A confusa vida de Kiedis continuava a todo vapor. Agora envolvia a sua namorada Jamie de 17 anos. Os pais da menina não aprovavam o namoro com o rockstar, que na época tinha 31 anos. Dessa história nasceu a letra da música “Let’s Make Evil”. Depois de rodarem o mundo, a banda resolver tirar um período de férias enquanto planejava o novo álbum sem data de lançamento. Em 1998, Dave Navarro, anuncia a sua saída da banda para se dedicar ao seu projeto Spread.
A quase morte e retorno de John Frusciante
Desde que tinha saído da banda, John Frusciante estava envolvido com seu vicio em heroína em um grau tão alto que lhe causou falência e quase o matou. Chegou ficar internado em janeiro de 1998 e concluiu o processo em fevereiro do mesmo ano e se mudou para um pequeno apartamento em Silver Lake. Devido ao vicio ele adquiriu muitas lesões, que exigiu uma cirurgia onde ficaram cicatrizes permanentes nos braços, um nariz reestruturado e novos dentes para prevenir uma infecção fatal.
O guitarrista John Frusciante já bem debilitado pelo uso das drogas.
Por sua vez o RHCP estava mais uma vez na beira do abismo para o fim da banda. Com a saída de Navarro, Chad Smith e Flea só conseguiam ver Frusciante como o cara certo para a banda. Mas Kiedis era completamente contra ao retorno. Ele ainda guardava mágoas da época do Blood Sugar Sex Magik. Flea disse ao vocalista que o único jeito de o RHCP voltarem a dar certo seria com Frusciante na guitarra. Anthony Kiedis engoliu o seu orgulho e fez uma visita a John no hospital e pergunta se ele gostaria de voltar. Com os olhos cheios de lágrimas ele disse que sim.
Com um John Frusciante totalmente recuperado e livre do vício, o RHCP novamente estava completo e miraram no novo disco.
Californication (1999)
Quando o clipe de “Scar Tissue” estreou na MTV, e nele mostra um cadillac encardido, surrado e acabado na estrada com seus quatro ocupantes com ferimentos, curativos e marcas de batalhas. Todo mundo entendeu a mensagem do RHCP. “Estamos voltando da guerra, estamos feridos mas estamos bem”. Com a produção de Rick Rubin mais uma vez e o retorno de Frusciante, o álbum entrou na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall Fame.
As letras ainda falam sobre sexo (normal na trajetória da banda) e também sobre viagens, globalização, suicídio, morte, drogas e luxúria. Uma penca de sucessos recheiam o disco. “Otherside”, “Californication”, o funkão “Around the World” e a, já citada na matéria, e vencedora do Grammy “Scar Tissue”. As letras eram basicamente inspiradas nas experiências de Anthony Kiedis. “Porcelain” surgiu depois que ele conheceu uma jovem mãe que tentava se curar do alcoolismo enquanto tinha que cuidar da sua filha bebê. O seu breve relacionamento entre Melanie Chisholm, a Mel C das Spice Girls rendeu a canção “Emit Remmus”, que é Summer Time (horário de verão em inglês) de trás pra frente.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal John Frusciante – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Nota na história: Durante a turnê do Californication, eles se apresentaram no Woodstock ’99, o show infelizmente ficou famoso pelos atos de vandalismo, onde várias pessoas colocaram fogo em barracas, várias mulheres que haviam feito crowd surfinhg (processo onde alguém é passado por cima das cabeças de várias pessoas durante um show) e Mosh (também conhecido como roda-punk) foram estupradas. E a confusão se deu início quando a banda começou a tocar “Fire” seu já clássico cover de Jimmy Hendrix. Muitos meios de comunicação apontaram a banda e a música como estopim da balburdia. Algo absurdo é claro.
Woodstock ’99. esse dia foi louco.
Em 2001, aconteceu a clássica apresentação na noite de fechamento da terceira edição Rock In Rio. Muito mais tranquilo do que no Woodstock, o show teve um publico de 250 mil pessoas, maior publico da história da banda e do festival.
By the Way (2002)
Surfando a onda do sucesso mundial de Californication, depois de quase três anos de anos de turnê e com nenhum membro mais envolvido com drogas, o RHCP lança o seu oitavo disco de estúdio. Com grande participação de John Frusciante na composição, a sonoridade musical é bem emocional e comovente, se tornando para muitos como um dos discos mais leves da banda. Apesar do tradicional funk rock não ser tão forte nele, algumas faixas ainda traziam a identidade dos Peppers nelas.
“The Zephyr Song”, “By the Way”, “Can’t Stop” e “Dosed” viraram hits, as letras falam muito sobre amor, efeitos nocivos das drogas, tem uma referência ao finado guitarrista Hillel Slovak em “This Is the Place” e uma critica a mídia na canção “Throw Away Your Television”. By the Way fazia parte da Era da Tranquilidade que reinou na banda, vendeu mais de um milhão de cópias na semana de lançamento e foi bem recebido pelos fãs e pela critica especializada.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal John Frusciante – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Nota na história: Durante a exaustiva turnê de By The Way, em novembro de 2003, a banda lançou o Greatest Hits, com sucessos da sua carreira e duas músicas inéditas: “Fortune Faded” e “Save the Population”. Também foi comercializado o Live at Slane Castle, gravado na Irlanda. Em 2004 é lançado o Live in Hyde Park, gravado na Inglaterra e rendeu dois CDs do show. Além de vários sucessos, faz parte do trabalho duas músicas inéditas “Rolling Sly Stone” e “Leverage os Space”.
Stadium Arcadium (2006)
O novo trabalho do RHCP é ambicioso. Stadium Arcadium é um álbum duplo que tem nada mais, nada menos do que 28 faixas, Anthony Kiedis disse na época do lançamento que seria na verdade uma trilogia, com cada disco lançado a cada seis meses, mas mudaram os planos e lançaram como álbum duplo (algo inédito na história da banda até então) com 28 musicas e outras 10 canções como b-sides. Os discos se chamam Mars e Júpiter.
“Dani California”, “Tell Me Baby” e “Snow ((Hey Oh))” emplacaram como sucessos logo de imediato nas rádios. Stadium Arcadium recebeu sete indicações para o Grammy de 2007, sendo vencedor em quatro categorias: Melhor Performance de Rock em Dupla ou Grupo (Dani California), Melhor Canção de Rock (Dani California), Melhor Álbum de Rock, Melhor Disco em Edição Especial (Box) e Produtor do Ano para Rick Rubin.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal John Frusciante – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Nota na História: Em 2008 a banda resolveu dar uma pausa em suas atividades, Anthony Kiedis disse em entrevistas que eles estavam cansados pois estavam desde o Californication (1999) trabalhando sem parar. No esquema grava-lança disco-saem em turnês-gravam disco de novo. E os membros resolveram tocar seus projetos paralelos ou simplesmente descansar. Kiedis pretendia passar mais tempo com o seu novo filho, Flea estava experimentando novas ideias musicais, Frusciante queria dar mais foco a sua carreira solo e Chad Smith estava lidando com a sua superbanda Chickenfoot, que além do baterista, faziam parte: Sammy Hagar, Joe Satriani e Michael Anthony.
John Frusciante lança seu décimo disco solo, The Empyrean, o trabalho tem participações de Flea e de Johnny Marr do The Smiths. Em dezembro de 2009 comunica ao publico que estava deixando a banda mais uma vez, sendo que dessa vez sem rancor nem brigas. Que eles apoiavam o guitarrista onde ele fosse feliz.
Com a saída de John Frusciante, Josh Klinghoffer assume a responsabilidade nas guitarras do RHCP
Anos mais tarde para a revista Billboard, o guitarrista falou que nunca tinha pensado em sair do RHCP, mas um dia no meio da turnê de Stadium Arcadium, Flea falou que queria tirar uma férias de dois anos. “Eu fiquei chocado, porque pensei que a gente estava com tudo e deveria continuar fazendo aquilo. Mas quando ele me disse aquilo pensei: ‘o que eu gostaria de fazer em dois anos se eu tivesse dois anos para fazer qualquer coisa que gostaria? ‘ então resolvi fazer aquilo que estava querendo. Correr atrás do meu som”.
I’m With You (2011)
O décimo álbum de estúdio mais uma vez é produzido pelo parceiro Rick Rubin e tem Josh Klinghoffer como novo guitarrista da banda. Anthony Kiedis, Flea e Chad Smith classificaram o trabalho como um novo recomeço. A escolha de Klinghoffer acabou sendo natural, ele era um colaborador musical que tinha se apresentado no final da turnê Stadium Arcadium. Logo após de oficializado, ele começou a compor as músicas do álbum. O guitarrista fez sua estreia para o publico como titular do RHCP quando tocaram “A Man Needs a Maid” do Neil Young.
O primeiro single “The Adventures of Rain Dance Maggie” foi lançado nas rádios em 15 de julho de 2011, sendo que foi lançada três dias antes do planejado, já que a música foi “vazada” na internet. “Monarchy of Roses” foi o segundo single do disco. A critica especializada ficou bem dividida em relação ao I’m With You, muitos gostaram do trabalho, enquanto outros sentiram falta de John Frusciante dizendo que foi uma perda praticamente irreparável.
E mais uma turnê mundial se seguiu…
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal Josh Klinghoffer – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Nota na história: No ano de 2011 o RHCP foi introduzido ao Museu do Rock and Roll. Anthony Kiedis disse que a parte mais emocionante foi lembrar do Hillel Slovak. E em 2012 eles entraram no Hall da Fama do Rock. Em março do mesmo ano foi lançado o 2011 Live EP, com cinco músicas ao vivo escolhidas por Chad Smith. Em primeiro de maio foi o dia do lançamento do Rock & Roll Hall of Fame Covers EP através de download digital, onde a banda tocava covers de artistas que influenciaram em sua carreira.
The Getaway (2016)
Lançado no ano passado, é o primeiro trabalho, desde do Blood Sugar Sex Magik (1991) que não foi produzido por Rick Rubin. Quem assumiu a produção foi Danger Mouse. A justificativa foi que eles buscavam uma nova renovação para o seu característico som, e que uma mudança de olhar musical poderia dar certo.
Muitos falaram que o disco tem mais melodias e minimalista. Logo no começo já se sente a diferença. Sem o tradicional Funkão pesado que sempre abrem os discos dos Peppers, temos a faixa titulo bem calma e com um lindo refrão (comprovem depois). Com algumas faixas passando até pelo eletrônico e a participação de Sir Elton John em “Sick Love”, The Getaway foi classificado pela critica como um dos melhores trabalhos do RHCP.
Formação:
Anthony Kiedis – Vocal Josh Klinghoffer – Guitarra Flea – Baixo Chad Smith – Bateria
Com uma história sólida no rock mundial o Red Hot Chili Peppers carregam multidões aos seus shows para verem seus vários sucessos e as performances arrebatadoras de Anthony Kiedis e Flea. As legiões de fãs se renovam cada vez mais. História essa que foi trilhada com muita autodestruição de alguns de seus membros. Drogas, sucesso, turnês, prisões, mortes e pelados com meias nesse caminho. Com um passado musical bem glorioso e um futuro renovado, ainda veremos muito as pimentas arderem nos palcos ao redor do mundo.