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Conheça um Japão alternativo na série Okko: o Império do Pajão

Na série de quadrinhos Okko, o Pajão é um império situado no ano 1108. Gueixas, samurais, ronins, monges e até mesmo demônios e outras criaturas fantásticas compõem as figuras fabulosas que dão vida ao Pajão, e esta incrível homenagem à cultura japonesa imaginada pelo francês Hub (pseudônimo de Humbert Chabuel) se destaca não somente pela arte, como também pelo carisma único e inventividade de todas as suas criações.

A história é centrada em uma equipe. Okko, que dá nome à série, é um ronin que lidera o pequeno grupo de caçadores de demônios composto pelo próprio, por Noburo – um gigante misterioso que esconde sua face atrás de uma máscara rubra e aparentemente é imortal – e Noshin, um monge beberrão que pode invocar e comandar espíritos da natureza e fazer outros comandos mágicos. O trio viaja pelo Pajão, longe dos campos de batalha, perambulando pelos reinos e realizando as mais diversas missões e investigações.

A estrutura central de Okko se assemelha a uma grande e fértil aventura de RPG. O grupo se divide em um espadachim engenhoso, um berserker imparável e um tipo de mago movido a saquê. Os três ao longo de suas viagens interagem com outras figuras deslumbrantes, que marcam presença em cada um dos Ciclos da saga, tornando-se ou não personagens recorrentes, como é o caso do garoto Tikku, que narra toda a  história e conheceu o grupo de Okko ao solicitar que o trio colaborasse com o resgate de sua irmã, Pequena Carpa. Ao todo, Okko possui cinco Ciclos, e os dois primeiros (da Água e da Terra) já foram publicados no Brasil em dois álbuns.

O roteirista e ilustrador Hub dá asas à sua imaginação com pinceladas que vão formando este universo tão rico na mente do leitor. O autor explora o passado de cada um dos personagens de forma gradativa, enquanto traz características únicas do Pajão em cada uma de suas histórias.

O Ciclo da Água firma as bases e apresenta estas características, ligando-se diretamente ao título através do uso de figuras simbólicas do elemento em questão. São mostradas a fauna e flora, as deidades e tecnologias engenhosas, enquanto ao mesmo tempo os inimigos (demônios ou não) também possuem espaço de destaque nas páginas que desenrolam as tramas.

O Ciclo da Terra expande tudo que foi mostrado nas primeiras aventuras, enriquece o backstory do protagonista e aborda muito bem a vertente religiosa deste mundo, também se utilizando de figuras do elemento que dá nome ao Ciclo para dar continuidade às encrencas onde os heróis estão metidos. Hub possui um traço único e extremamente bem detalhado, e a união do mesmo com as belas cores feitas em parceria com Stéphane Pelayo ambientam perfeitamente o dia, a noite, as tardes e as mais variadas estações do ano. Todo o universo de Okko parece real, como uma versão do nosso Japão onde há mortos-vivos, yokais, castelos flutuantes e muito misticismo.

E além de todas as qualidades gráficas (de ilustração, criação e storytelling) citadas anteriormente, Hub também é capaz de brindar seus leitores com diálogos extremamente bem conduzidos que estabelecem cada um dos personagens. Os maneirismos, as tomadas de decisões, as falhas e os momentos de bravura colaboram para a construção dos heróis e vilões, e os dramas e momentos de descontração podem ser sentidos com naturalidade. Após a leitura do primeiro álbum e mergulhando-se nas páginas do segundo, todas as figuras ali presentes já são queridas e ao mesmo tempo enigmáticas sob determinada ótica.

A cultura pop francesa possui grande admiração pela cultura japonesa. Há diversos autores que trabalham para o mercado francês objetivando a criação de mangás produzidos na Europa, e apesar de a temática da obra de Hub soar perfeita para este gênero e estilo próprio dos quadrinhos, o autor entrega álbuns franco-belgas típicos com muitos quadros por página, texto refinado (com sacadas humorísticas bem pontuais) e expressões que nem sequer remetem às dos mangás. O mundo de Okko não tenta se disfarçar de mangá japonês produzido na França. Okko presta uma grande homenagem à mitologia japonesa, sem se aproximar do estilo narrativo dos quadrinhos do Japão. Essa é sua principal qualidade e o maior mérito do autor.

E enquanto durarem as longas viagens do grupo, além do tempo resgatando mulheres sequestradas (como no primeiro álbum) e investigando assassinatos repentinos (como no segundo), há uma infinidade de assuntos que podem ser inseridos e abordados no Império do Pajão, visto que cada Ciclo possui ligação direta com a trama central narrada por Tikku, e os elementos podem (e irão, aparentemente) ditar os rumos curiosos dos companheiros, que também apresentam evoluções de acordo com as técnicas que cada um domina.

A série Okko está sendo publicada no Brasil pela Mythos Editora em seu selo Gold Edition, que nasceu com o objetivo de apresentar o melhor dos quadrinhos europeus modernos aos leitores tupiniquins. Cada álbum possui cerca de 100 páginas encadernadas em capa dura e grand format (32 x 23 cm), e são apresentadas histórias fechadas com começo, meio e fim em cada um de seus volumes.

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Precisamos de mais Histórias de Amor com a cor Azul

“Só o amor pode salvar o mundo. Por que eu teria vergonha de amar?”

Sempre que eu via algum texto, foto ou algo referente à graphic novel Azul é a Cor Mais Quente, sempre pensava com meus botões “preciso ler isso.” e isso ocorreu durante anos. Pois bem, o dia da leitura chegou, e agora mudo minha frase para um questionamento: “porque, diabos, eu demorei tanto para ler isso?”.

A francesa Julie Maroh, que é ativista do movimento pelos direitos dos homossexuais, começou a escrever a história com 19 anos e levou cinco para concluir. Azul é a Cor Mais Quente foi publicado em 2010, e conta uma história de amor que todos nós gostaríamos de ter vivido. O romance tem encontro e desencontros, brigas, momentos íntimos, felicidade, tristeza, tem o fator de lutar pelo amor, de sair do porto seguro, tem o medo de dar errado, o medo de estar errado e tem a recompensa de quando as coisas vão bem. Ele fala sobre as crises adolescentes, o medo de encarar a sexualidade, de o que a sociedade pode pensar, de viver o que se quer de verdade. E sobre amadurecimento. Tudo que sonhamos encontrar em uma grande história de amor, inclusive nas que gostaríamos ou queremos viver está lá.

No livro conhecemos a simpática Clémentine, uma jovem que leva uma vida normal, com a correria de provas, seus amigos, pais que se preocupam que horas ela vai chegar em casa e namoro escolares. Mas a cinzenta vida da garota ganha uma cor. A azul. Quando ela vê uma bela menina com os cabelos dessa cor que no meio da multidão sorrir para Clémentine. O que vemos daí para frente é uma bela história de idas e vindas pelo verdadeiro amor. O amor que você sente pulsar dentro de ti.

Esse amor é despido de preconceitos. Sejam eles sexuais, raça, estéticos, financeiros e até mesmo moral. O que Clémentine e Emma passam para os leitores é que o amor pode e deve acontecer, não importando o tsunami de coisas contrárias que possam surgir. Muitas vezes deixamos de amar e se permitir ser amados por motivos banais. De como comentários mesquinhos e maldosos. Ou do fato de queremos somente seguir as cartilhas que impõem como corretas, acabam condenando vidas à romances errados. No caso das nossas protagonistas, tudo é mais complicado. Ainda mais em um mundo em que o preconceito é forte e dolorido.

Azul é a Cor Mais Quente é uma grande ciranda de emoções. Quando eu digo que o preconceito é forte, é uma das latentes da trama. Ele brota dos amigos, dos pais e da própria Clémentine. Essa é a primeira ciranda. Ao mesmo tempo que ela se sente bem quando se propõe a amar de verdade, ela sente vergonha. Se sente cometendo um ato falho. E quando ela decide que quer ficar com Emma, que também tem seus problemas. E tem mais uma ciranda. Emma é mais velha, tem um relacionamento longo com outra mulher, ela sente medo de por Clémentine ser muito jovem, isso ser apenas uma fase. A cada página as emoções vão consumindo as duas e o leitor.

Uma coisa que conversa muito bem com o leitor em Azul é a Cor Mais Quente são os gestos. O silêncio em alguns quadros, mas que são gritantes com os gestos e movimentos dos personagens são tocantes e valorizam demais a narrativa. Esse silêncio, juntamente com a palheta de cores engrandecem a obra. O mundo extremamente cinza se contrasta com o azul do amor. Todo momento azul é uma explosão de emoções para Clémentine, mas quando o azul sai de cena, o mundo desmorona.

Falei mais acima que Azul é a Cor Mais Quente é uma lição de amor que todos devemos aprender. E realmente é isso e além. Ele também fala da vida a dois em momentos difíceis e até de fidelidade. De amadurecer rápido, de crescer e assumir responsabilidades que não eram planejadas quando se é apenas uma criança. Lutar contra tudo e contra todos. Até se preocupar com o momento sócio-político que a França passava na época em que Nicolas Sarkozy ganhou as eleições. Mas sempre para viver o amor. Essa é a maior lição de Azul é a Cor Mais Quente, sempre pelo amor.

Azul é a Cor Mais Quente tem formato 25 x 17 cm, 160 páginas e o preço de R$ 44,90. A graphic novel chegou ao Brasil em 2013 pela editora Martins Fontes.

 

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A dublagem da Crunchyroll: Recovery of a MMO Junkie

No nosso segundo episódio dessa série de postagens sobre as dublagens nacionais de animês da Crunchyroll, podemos pular a introdução cheia de ladainhas e ir direto ao assunto, que dessa vez, é um outro tipo de comédia: Recovery of a MMO Junkie.

Caso não tenha visto, a primeira postagem foi sobre a versão brasileira de KonoSuba, que você pode ler clicando aqui.

MMO Junkie é, convenhamos, muito mais family-friendly que KonoSuba. Por ser uma comédia-romântica, ter maior parte do elenco com adultos, e explicar muito bem a sua própria ambientação, o animê se torna muito mais fácil de ser engolido.

Com isso, vejo MMO Junkie como uma boa escolha para a dublagem: é brando o bastante para agradar gregos, e específico o suficiente para agradar troianos. E como comentei na primeira postagem, acredito que a receptividade de um show seja um ponto essencial para o sucesso de sua versão nacional.

Fazendo a ponte aérea, saímos do Rio e vamos para São Paulo, onde o animê foi dublado: no estúdio Unidub, que trabalhou em Dragon Ball Super, Grand Chase e Bob Esponja (entre outros diversos títulos). A direção foi feita por Úrsula Bezerra, ninguém mais, ninguém menos que Naruto Uzumaki e Son Goku (criança) em pessoa.

No elenco, nomes já conhecidos (ou melhor, vozes familiares) da Imprensa Especializada(TM):

  • Priscila Franco como Morioka Moriko (Eternizada como Saber em Fate/Stay Night [2006], mas que provavelmente é mais lembrada como Sharon Carter do MCU);
  • Michel Di Fiori como Sakurai Yuta (O Neji de Naruto, e o Genos de One Punch Man);
  • Fábio Lucindo como Hayashi (Que deu a voz ao Jin de Grand Chase, Shaoran de Sakura Card Captors e… Troy Bolton de Highschool Musical);
  • Michelle Giudice como Lily (Já experiente em animês, dublou Mitsuha de Your Name e Serena de Pokémon XY);
  • Caio Guarnieri como Homare Kowai (O dono dos vocais do Kouga de Pégaso em CdZ Omega, e do Kevin de Steven Universo).

Vou começar pelas reclamações, para não acharem que sou parcial. Meu único problema com a dublagem foi uma simples escolha de direção, que atrapalhou o meu divertimento por todos os episódios: o uso de honoríficos.

Eu sei que eu vivo reclamando disso, mas há momentos onde dá para aturar. Em legendas, por exemplo, eu até entendo quem goste delas. Afinal, você está ouvindo a personagem falar aquilo; já em mangás e novels, eu acredito que seu uso exija, no mínimo, uma nota de tradução; agora, numa dublagem? Onde as personagens estão falando português?

Vamos lá, de novo: para quem não sabe, honoríficos são partículas comuns no idioma japonês, que são adicionadas após nomes de pessoas, para indicar, de certa forma, a relação entre os indivíduos envolvidos no diálogo. Existem honoríficos que demonstram respeito, que demonstram amizade, que demonstram hierarquia… Até não utilizar um honorífico tem um significado. Acontece que isso é algo exclusivo do idioma nipônico. Isso não existe em português. E se você precisar traduzir esses significados descritos no último parágrafo, existem diversas formas de se fazer isso, com expressões que são nativas e naturais para a nossa língua.

O uso dos honoríficos torna a dublagem extremamente alienígena, por causa desses termos japoneses completamente diferentes de todo o resto que é falado. Acima de tudo, dublar uma obra tem como função trazer aquilo para a ambientação nacional. Mesmo que o show se passe no Japão, nós estamos nos dando ao trabalho de regravar todas as vozes de todos os episódios, para deixá-los em português, não estamos? Então qual o sentido de deixar expressões puramente japonesas no produto final?

E o que me deixou mais desconfortável nisso tudo, foi como o uso de honoríficos pareceu aumentar, do nada, já na metade do show. Personagens que se chamavam apenas pelo nome passaram a adicionar os honoríficos, sem razão alguma. Enquanto houve um ou dois casos nos primeiros episódios, ouvi pelo menos quinze nos últimos.

Eu quando acesso alguma rede social.

Porém, acho justo darmos o crédito quando assim é necessário, e todos os outros aspectos da dublagem merecem recomendações positivas. O elenco foi escolhido muito bem, tendo vozes que combinam com as personagens, e que conseguem bater de frente com os gigantes que fizeram a versão japonesa. Em especial, a atuação da Priscila Franco no papel principal foi monumental: a interpretação das cenas mais “exageradas” (típicas de animê, e que podem ser difíceis de fazer parecer naturais) ficou tão boa, que eu senti, pela primeira vez, que esse tipo de reação pode dar certo no nosso idioma.

A adaptação e direção também estão de parabéns, que exceto pelo que já foi discutido, fizeram um show ambientado no Japão passar uma impressão costumeira para os brasileiros, sem parecer careta (o que é muito importante!). Além disso, não vi muitos problemas de sincronia, volume ou desinformação, carimbando assim, uma excelente dublagem.

Recovery of a MMO Junkieestá disponível dublado e legendado na Crunchyroll, e o primeiro episódio da versão nacional pode ser visto gratuitamente no canal do YouTube da Crunchyroll Brasil (que eu já linkei ali em cima, aliás!).

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Em Solitário, o Homem Elefante recebe as bênçãos de uma deusa e vive sonhando

Já consagrado como um dos maiores autores modernos do mercado de quadrinhos da Europa, Christophe Chabouté entrega em Solitário o que se assemelha a uma junção de suas duas obras publicadas no Brasil anteriormente pela editora Pipoca e Nanquim, com a ambientação marítima e desoladora de Moby Dick e a sensibilidade humana de Um Pedaço de Madeira e Aço.

Tal qual a deusa mitológica do destino Dalia, a embarcação Dahlia possui em suas mãos o destino do solitário morador de um farol. E assim como a deusa, esta embarcação – com sua tripulação composta por apenas dois homens – é a responsável por fornecer bens materiais, essenciais para a sobrevivência de Solitário. E as semelhanças não se limitam a estes aspectos, visto que Dalia (filha de Dievas), é muito mais uma executora das vontades de Dievas do que tomadora de decisões. A Dahlia desta história executa as vontades de um pai falecido. Além do destino, o pai de Solitário garantiu que Dahlia seria a incumbida pela riqueza material que forneceria a vida ao isolado faroleiro que não tem seu nome revelado, nesta narrativa que também não possui recordatórios, desenvolvendo todo o álbum com sua arte magistral e nada além de poucos balões de fala ou páginas de impressos.

Ao longo das mais de 370 páginas que compõem o livro seu criador de forma inventiva estabelece a rotina de um personagem curioso, uma figura rejeitada pela sociedade de maneira já conhecida pelo inconsciente popular por histórias como a do Homem Elefante, que consagrou-se através do filme de 1980 dirigido por David Lynch. E o autor não sente a menor pressa para ambientar o leitor, já que através de seus traços característicos e exímio uso de chiaroscuro se utiliza de muitas páginas de pura contemplação através de transições de momento a momento e ação a ação quando em ambientes abertos ou centrado em figuras específicas, e também de aspecto a aspecto quando inserido em ambientes mais fechados, tornando tangível este local.

Notem que o céu de Chabouté quase sempre é aberto e extrapola os limites dos quadros, como é o céu sobre nossas cabeças. As gaivotas são livres para voarem para onde bem entenderem, criando um contraste doloroso quando em comparação com a figura central que vive em sua ilhota, perdido em sua rotina de descobrimentos e imaginando determinadas cenas ou frustrando-se por não conhecer (ou não entender) certos assuntos da vida. O mar em toda sua imensidão traz no balanço de suas ondas um universo de itens perdidos à porta de Solitário, que geram uma miscelânea de descobertas e ligações. E as novidades que descobre não significam nada para a magnitude do oceano, apenas para o sonhador enigmático.

Os enquadramentos tomados pelo autor são extremamente exitosos em garantir uma sensação de liberdade ou claustrofobia, enquanto o céu e o mar rompem as linhas dos quadros e a solidão do farol é retratada quase sempre com suas paredes limitando o ambiente. O autor também brinca com a maneira como Solitário mergulha em seus pensamentos, em cenas como as das páginas 66 e 123, onde a imaginação do protagonista começa a fluir das margens do quadro para o interior, entrando diretamente na vivência limitada em aprendizado e tomando forma somente após um quadro de transição.

A solidão nesta obra não soa forçada. Não é piegas, demasiada melosa ou impalpável. O farol em que vive o protagonista é um verdadeiro labirinto, pois dele aparentemente não há saída. Em seus quadrinhos conhecidos pelo público brasileiro até então, Chabouté abordou aspectos extremamente humanos, como a possessão e sede de vingança, os pequenos momentos que devem ser valorizados, amizades, amores e perdas. Esta parece ser a máxima de suas criações, a capacidade de transmitir sensações reais ao seu leitor. A rotina narrada em Solitário não é cansativa, monótona ou chata para quem a acompanha. A curiosidade até faz com que, nos momentos finais, haja certa apreensão em saber o que acontecerá a seguir.

E somente um verdadeiro mestre e estudioso da nona arte é capaz de unir tamanha imersão narrativa à uma poderosa lição. Não é o destino que o fará repetir os mesmos erros por toda sua vida, e a solidão pode ser apenas autoimposta. A realidade em que você está vivendo pode parecer confortável ou sua única opção, mas ela definitivamente pode não ser a melhor para sua vida. E as pessoas ao seu redor são capazes de desempenhar um papel importantíssimo para melhorar seus sentimentos.

A edição nacional está caprichadíssima, com encadernação em capa dura com soft touch e verniz aplicado apenas no título, no logotipo da editora e na janela do farol, dando um aspecto brilhante para a única fonte de luz natural que ilumina o ambiente escuro. A tradução do meu querido amigo Pedro Bouça é sempre um primor, e não encontrei erros de revisão.

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DestiNation #2 | Confira a entrevista com os autores Alessio Esteves e Lobo Loss

Durante o FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos do ano passado, um dos destaques foi o lançamento de DestiNation. A HQ que mistura gêneros como faroeste, cyberpunk e misticismo chamou atenção, contando a história de Jeff Van Cypher, um mercenário cibernético, que tem um passado misterioso, em sua árdua caçada à Don Juan, um cyberxamã que destruiu a sua família. A Torre de Vigilância fez a sua resenha sobre DestiNation, para saber mais clique AQUI.

Agora chegamos na tão sonhada e prometida continuação. Começou a campanha de financiamento coletivo no Catarse para DestiNation #2 (que em dois dias já está quase em 20%). Agora teremos um foco maior no antagonista Don Juan. A nova edição promete expandir o universo com novos elementos e personagens, coisa que ficamos com gostinho de “quero mais” depois no primeiro número. Serão três histórias, novamente com roteiros de Alessio Esteves (Zikas, Despacho, Na Quebrada) e arte de Lobo Loss ( O Mundo de The Witcher – Old Dragon), confira os títulos e as sinopses abaixo:

  • Pássaro Azul – Uma caçada a bandidos dá errado e Van Cypher vai precisar da ajuda de um índio hacker para escapar;
  • Pé na estrada – A caminho de um novo serviço, motoqueiros tentam roubar o combustível de Smut, a montaria de Van Cypher;
  •  Na teia do Aranha – Um terrorista geneticamente modificado está atacando os trilhos da Kismet e Van Cypher é contratado para capturá-lo.

Para sabermos mais sobre DestiNation #2, batemos um papo com a dupla criadora, Alessio Esteves e Lobo Loss:

1- O que podemos esperar de DestiNation #2?

Lobo: Com certeza um aumento de escopo do que rolou no primeiro!
Alessio: Exato. São mais personagens, mais cenários… O mundo da HQ cresce como um todo.

2- DestiNation é uma grande salada de estilos. Temos o cyberpunk, faroeste, misticismo… quais as principais influências para compor essa “salada”?

Alessio: Vish… Da minha parte, de cara, cito o Universo Marvel 2099 e Transmetropolitan. Mas não dá para não falar de Read Dead Redemption, com suas dezenas de personagens únicos com passado e motivações detalhadas. Quando falamos de misticismo, as várias abordagens mágicas presentes na HQ têm muito de Mago, a Ascensão e Carlos Castañeda.
Lobo: Gosto muito de usar os enquadramentos de filmes de faroeste, fica bacana. Essa coisa de começar no close nos personagens e depois ir para o cenário. Mas no segundo volume tive a oportunidade de mostrar mais ambientes. O primeiro volume tem muitas histórias em locais fechados ou escuros. Agora temos florestas, cidades… Então tive que ver como misturar tudo isso na arte
Alessio: Sem contar que tudo que a gente leu, viveu, meio que entra na HQ de um jeito ou de outro.
Lobo: Aquelas coisas lá no fundo da mente que às vezes entram sem querer.
Alessio: Tem Batman, tem Akira…
Lobo: Nossa, quem gosta de Akira vai pirar lendo este volume!

3- Jeff Van Cypher é um personagem misterioso. Na primeira edição, alguns elementos do seu passado como sua esposa e filha foram levemente abordados. Teremos mais profundidade no passado dele em DestiNation #2?

Alessio: Ô se teremos, mas não rola falar mais por motivos de SPOILER. De qualquer maneira, estamos dando aos leitores as peças de um quebra-cabeça, que eles devem ir montando.

4- Já sabemos que teremos o antagonista Don Juan como um dos principais personagens desse segundo número de DestiNation. Quem seria esse vilão? O estilo dele se equiparia à quem?

Alessio: Mais que o principal vilão de DestiNation, queria reforçar que Don Juan é um antagonista, no sentido que ele é totalmente oposto ao Van Cypher em todos os aspectos.
Lobo: Para mim é difícil comparar o Don Juan a alguém, porque não consigo pensar em ninguém parecido.
Alessio: Verdade. O Van Cypher tem inspirações mais claras.
Lobo: Ele é meio Hellboy, meio Jonah Hex. Já o Don Juan não tem. Acho que podemos bater no peito e segurar essa bronca.
Alessio: Bora pro play!

5- O estilo de DestiNation é um dos pontos diferenciais da HQ. Os traços são lindos. Nas feiras vocês geralmente levam uma miniatura do Jeff Van Cypher. Existe algum planejamento para camisas ou mais miniaturas dessas para o futuro? Quem sabe até uma marca de bebida?

Alessio: Porra, nunca tinha pensado em marca de bebida! É uma boa!
Lobo: Eu sonho em ter uma parada dessas!
Alessio: Temos planos sim de camisetas e miniaturas, mas acreditamos que não é o momento ainda. Estamos focados em fazer a HQ.
Lobo: Tem que firmar a marca, juntar um público. Aí, com isso firme no meio da galera, rola pensar em produtos derivados.

7- Alguns dos personagens secundários do primeiro volume irão retornar agora?

Alessio: Estamos explorando o universo de DestiNation e achamos que é cedo para isso, mas vocês poderão ver que pelo menos um deles está ativo no cenário

8-Teremos algumas referências com pessoas reais ou situações reais?

Alessio: O Don Juan é uma referência bem direta ao mestre do Carlos Castañeda em seus livros sobre xamanismo. E começa nesta edição uma brincadeira envolvendo uma gangue e… Bom, melhor deixar galera ler pra sacar!

9- Ambos são pessoas muito ativas no mercado do quadrinho nacional, como vocês enxergam esse momento? Vejo muita gente falando que estamos em uma espécie de “Era de Ouro”, por causa da quantidade de artistas e produtos de alta qualidade que estão sendo lançados (seja via Catarse ou via Editoras mesmo), concordam com isso?

Alessio: Não gosto de falar em “Era de Ouro”, pois parece que estamos desmerecendo todo mundo que veio antes de nós. Até porque algumas tiragens de décadas atrás são impraticáveis hoje.
Lobo: O que rola hoje é que tem mais canais de divulgação, o que deixa o público mais próximo autor. Então o que rola hoje é muito mais visibilidade do material lançado, mais que quantidade e qualidade.

10- O Lobo é um exímio Mestre no RPG (segundo as boas e más línguas) e o Alessio também é um profundo jogador experiente. Qual a possibilidade de vermos DestiNation um dia como um RPG? 

Alessio: Como alguém que mestra RPG desde os 12 anos, achei a citação à minha pessoa nesta pergunta ofensiva.
Lobo: HAHAHAHAHAHA!! Mas a possibilidade é grande, muito grande.
Alessio: Só estamos esperando a HQ ter mais volumes para o cenário estar mais estabelecido.
Lobo: É muito mais fácil o cenário estar construído para montar o jogo, e evita spoilers.

11- Qual o próximo trabalho da dupla? Seja ele junto ou os individuais.

Alessio: Juntos, é DestiNation e só.
Lobo: É um casamento muito bom, está dando certo, deixa como está.
Alessio: Eu tô participando do VHS, uma coletânea independente de terror com pegada nos filmes de 1980 que entre em financiamento coletivo em breve, e mais dois projetos secretos, que não posso dar detalhes agora.
Lobo: Da minha parte, é mais da área de RPG. Vai sair um Bestiário (não-oficial) de Witcher para Old Dragon, tá rolando o streaming semanal de Vampire Bloodlines que rola no canal da Ethernalys e teremos em breve novidades para o Vampiro, a Máscara 5ª Edição. Sigam Lobo Loss nas redes aí que falo tudo por lá.

DestiNation #2 terá formato americano, 48 páginas em papel couché de sépia com detalhes coloridos e capa cartonada. Para saber mais sobre a campanha, valores e recompensas clique AQUI.

 

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Relembre as Piores Mortes em The Walking Dead

ATENÇÃO!! ESSE ARTIGO CONTÉM SPOILERS!!

E chegou ao fim The Walking Dead, depois de quinze anos convivendo com o apocalipse zumbi e a forma em que a humanidade se portou diante das ruínas da sociedade, Robert Kirkman resolveu dar um ponto final a sua história surpreendendo todos os leitores. Durante todo esse tempo a franquia ficou gigante. Ganhou livros, séries para a TV, games, action figures e tudo que o consumismo da cultura pop lhe dá direito.

Mas principalmente, durante todos esses anos, a HQ trouxe personagens memoráveis (com grande destaque nos vilões). Rick Grimes merece configurar no panteão de grandes personagens de quadrinhos, assim como os seus antagonistas Governador e Negan. Robert Kirkman sempre deixou bem claro que The Walking Dead nunca foi uma história sobre zumbis, sobre a busca de uma cura. Os zumbis seriam algo como um “cenário” de sua trama principal. Sempre foi uma história que tratava de sobrevivência. De até onde uma pessoa pode chegar para viver. Quais os limites e pudores as pessoas podem romper para sobreviver. Mas como a humanidade se portaria diante do fim de tudo quanto é regra social. O autor apresentou o pior do íntimo do ser humano mesclando violência, machismo, violência doméstica, abuso sexual, pedofilia, canibalismo, total falta de caráter e traições. Mas também soube pontuar coisas importantes como amor, trabalho em conjunto, amizade, perdão e romances LGBTQ+.

Buscamos listar as mortes que mais marcaram impacto durante toda a trama. E olhe que não foram poucas. Kirkman nunca teve muito pudor em matar o personagem que fosse. Fique com a gente nessas memórias dos mortos!

The Walking Dead #5 – Andrea mata a sua irmã Amy


The Walking Dead #6 – Jim pede para ser abandonado para morrer


The Walking Dead #6 – Carl Mata Shane


The Walking Dead #14 – O pacto suicida entre Chris e Julie (filha de tyreese)


The Walking Dead #15 – O assassinato de Susie e Rachel, as gêmeas de Hershel Greene


The Walking Dead #41 – O suicídio da Carol


The Walking Dead #46 – A morte de Tyreese


The Walking Dead #48 – A morte de Lori e Judith


The Walking Dead # 48 – O Governador mata Hershel


The Walking Dead #48 – A morte do Governador


The Walking Dead #61 – Ben assassina Billy


The Walking Dead #61 – Carl mata Ben


The Walking Dead #66 – Caçadores massacrados


The Walking Dead #66 – A morte de Dale


The Walking Dead #83 – As mortes de Jessie e seu filho Ron


The Walking Dead #83 – A Morte de Morgan


The Walking Dead #98 – Abraham assassinado


The Walking Dead #100 – A morte de Glenn


The Walking Dead #118 – A morte de Eric


The Walking Dead #118 –  A morte de Shiva


The Walking Dead #144 – A fronteira das cabeças


The Walking Dead #156 – Negan assassina Alpha


The Walking Dead #158 – A morte de Gabriel


The Walking Dead #159 – A “morte” de Lucille


The Walking Dead #167 – A morte de Andrea


The Walking Dead #186 – Rick mata Dwight


The Walking Dead #192 – A morte de Rick Grimes


The Walking Dead: Alien – A morte de Jeffrey Grimes

Apesar de ter encerrado a trama principal de The Walking Dead, Robert Kirkman deixou um universo gigantesco que ainda pode ser explorado e com diversas histórias para serem contadas. Portanto, não será nenhuma surpresa que ainda voltaremos a visitar o apocalipse zumbi.

 

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Precisamos prestar atenção ao que Aruanas tem a nos dizer sobre a situação ambiental do país

”O desmatamento na Amazônia Legal brasileira atingiu 920,4 km² em junho, um aumento de 88% em comparação com o mesmo mês no ano passado. Os dados consolidados do mês foram inseridos nesta quarta-feira (3) no sistema Terra Brasilis, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).”

O fragmento acima envolve a mais recente notícia envolvendo esta prática enraizada há décadas e que acomete completamente toda a fauna, flora e comunidades indígenas que habitam as principais regiões. A todo instante, estamos sendo bombardeados com a degradação do meio ambiente e suas principais consequências. A humanidade avança, mas recua. Acelera, mas desacelera. Evolui, mas regride. O Homo sapiens categoriza como a espécie mais teimosa que se tem história. Existem vários documentários e filmes que abordam este tema, mas estou aqui para falar da nova série exclusiva para o Globoplay.

Aruanas conta a história de uma ONG Aruana (sentinela da natureza em tupi) criada por três amigas para proteger o Meio Ambiente. A partir de uma denúncia anônima, as protagonistas – a jornalista Natalie (Débora Falabella), a advogada Verônica (Tais Araújo), a ativista Luiza (Leandra Leal) e a estagiária Clara (Thainá Duarte) – investigam a ligação entre uma poderosa mineradora e garimpos ilegais na cidade fictícia de Cari, na Amazônia. Ali, elas entram em conflito com Olga (Camila Pitanga), uma lobista que ajuda a mineradora a explorar uma reserva ambiental, a fim de expandir o negócio. 

Se não fosse pelo elenco feminino já visto em novelas e produções da Rede Globo, poderia ser muito bem uma notícia real. Ativistas, garimpeiros e grileiros (o termo grilagem vem da descrição de uma prática antiga de envelhecer documentos forjados para conseguir a posse de determinada área de terra) vivem num pé de guerra frenético que deixa um rastro sanguinolento num caminho marcado pela falta de fiscalização no sistema de terras.

O trio principal já mostrou nesse episódio Piloto que possuem muito a oferecer em seus respectivos papéis e já deixo o destaque para Leandra Leal como a ativista Luiza Laes. A atriz conseguiu se sobressair justamente por ter sido a agente de campo para receber o dossiê de Otávio e com isso, iniciando todo o plot principal. Se o nível continuar deste jeito, veremos atuações maravilhosas de Leal. Assim como de Taís Araújo e Débora Falabella. Não podemos esquecer de Thainá Duarte como Clara começando de forma tímida, porém pode surpreender.

Para um contador de histórias conseguir atrair o seu público, ele precisa dar peso à sua história. A exemplo disso, a série recebe a atenção merecida ao expor protestos reais em prol ao meio ambiente e captura de forma muito positiva essa atmosfera mais crível. Greenpeace é mundialmente conhecido por sua missão de proteção ao planeta, onde denunciam os crimes ambientais e confrontam os governos.

Luiz Carlos Vasconcelos encarna o antagonista Miguel Kiriakos, sendo o responsável pelos garimpeiros trabalhando no meio da mata. O personagem não atua sob uma máscara de bom samaritano. Sabemos de sua índole e suas intenções ao ignorar os sábios da natureza para a construção do garimpo ilegal. O desenvolvimento e progresso não podem parar, não é mesmo?

Em seu primeiro episódio, Aruanas apresentou o mundo das atividades ilegais que põem em grave risco toda a nossa biodiversidade e a tendência é continuar tocando forte nessa ferida. E isso é bom demais. Precisamos parar e prestar atenção no alerta que esta produção pretende passar não só para os brasileiros, assim como para o mundo todo. Até porque, a mensagem é poderosa e real.

A galeria abaixo apresenta imagens reais de regiões desmatadas.

A primeira temporada de Aruanas terá 10 episódios e pode ser vista pelo Globoplay.

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Skybourne: um quadrinho de ação e humor que mistura Rei Arthur com H. P. Lovecraft

Minissérie em cinco partes escrita e ilustrada pelo famoso Frank Cho – uma das figuras mais polêmicas da indústria moderna dos quadrinhos – Skybourne foi lançada em 2016 pela editora norte-americana BOOM! Studios e chegou ao Brasil recentemente através de uma bela edição encadernada da Mythos Editora.

E apesar de o nome não deixar nada muito claro sobre o teor desta série, a história de Skybourne reúne um vasto número de ideias que são apresentadas com muito humor negro e ação desenfreada, onde Cho e seu colorista Márcio Menyz criam um mundo bem ousado que trará elementos principais de Rei Arthur, que movem a história central, e até mesmo de H. P. Lovecraft.

Propositalmente raso, este quadrinho possui uma trama simples e direta: os três filhos de Lázaro são Abraham, Thomas e Grace Skybourne, e todos são dotados de habilidades incríveis como superforça e imortalidade. A Fundação Topo da Montanha foi criada para proteger a Terra de ameaças sobrenaturais, e há muito tempo a principal ameaça enfrentada foi um mago louco que visava acabar com a humanidade: o mago Merlin.

Todos os clichês de filmes de ação e espionagem são os pontos focais de Skybourne. Ação interminável, caracterização de elenco que se desenvolve com poucas imprevisibilidades e muitas cenas divertidas, dramas manjados, entre outros. Entretanto, essas características podem parecer empecilhos para a qualidade da história, mas encarando-a como se deve e da forma como o autor se propôs a apresentá-la, esta se transforma em uma surpresa agradabilíssima e descompromissada.

Frank Cho é dono de um traço extremamente limpo (e bonito) e como roteirista não perde tempo com muitos detalhes, mergulhando o leitor em uma narrativa cinematográfica após poucas páginas de leitura. A trama principal se desenrola com investigações e treinamentos com eventuais descobertas acerca do passado de alguns protagonistas, e rapidamente torna-se perceptível que além dos super-humanos, esta é também uma incrível história de monstros mitológicos.

Skybourne se inicia como uma aventura de ação com superseres, e termina trazendo seres míticos gigantescos (dragões, minotauros, centauros, ciclopes), com uma subtrama ainda mais apoteótica que pode liberar entidades cósmicas de suas prisões secretas, trazendo caos ao mundo. As lendas arturianas, vivas no mundo moderno, misturam-se aos avanços da tecnologia. E as cinco edições são de tamanha fluidez que a leitura passa literalmente voando.

E apesar da imprevisibilidade quase nula no desenrolar da história, o humor negro e bastante ácido é um dos pontos de destaque, tanto quanto as batalhas. Cho é muito exitoso em desenvolver contextos para quebrar a expectativa do leitor em seguida, entregando viradas de página que te pegam de surpresa e provocam risos ou choque sincero.

Thomas e Grace Skybourne são os heróis da aventura, com destaque especial para o primeiro. A enigmática Fundação Topo da Montanha também é desenvolvida com pinceladas de protagonismo por parte de alguns membros-chave da mesma, e o autor possui em suas mãos um universo que renderia mais histórias no mesmo teor desta primeira, com foco na ação e no deslumbrante visual.

Esta é a criação de um Frank Cho mais contido em alguns aspectos, porém extremamente livre e confortável em outros. Em momento algum esta aventura tenta reinventar a forma como os quadrinhos são encarados pelo público, e a sinceridade em se apresentar quase como um storyboard para um épico de ação dos cinemas é o maior mérito da produção.

As cores de Menyz são compatíveis com os traços claros do autor, e revezam muito bem as tonalidades entre os flashbacks, o presente e as monstruosidades. Os diálogos são competentes e batem com a premissa, e a forma como Excalibur e as lendas arturianas foram representadas ao longo dos anos nunca foi tão diferente e criativa quanto aqui.

Skybourne chegou ao Brasil em uma edição de 164 páginas encadernadas em capa dura com verniz aplicado e formato americano (26 x 17 cm), reunindo toda a série original, e o preço sugerido é R$ 72,90. Clique aqui para adquirir o encadernado com 35% de desconto.

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Os 15 documentários sobre quadrinhos que você PRECISA assistir

Além das já costumeiras adaptações cinematográficas baseadas em quadrinhos que chegam quase todos os meses aos cinemas e serviços de streaming, diversos produtores também apostaram em outros conteúdos sobre nossas tão amadas HQs, com especial destaque para os documentários.

Uma forma de expressão artística já tão antiga, que é o caso das histórias em quadrinhos, não poderia deixar de oferecer muito assunto a ser discutido. Grandes autores, grandes obras e editoras tiveram produções sobre suas trajetórias feitas de diferentes formas, e os documentários proporcionam espaço para discussão, entrevistas e abordagens centralizadas em aspectos únicos dos gibis.

Resolvemos elencar abaixo os 15 documentários mais interessantes sobre quadrinhos que você, como fã, precisa assistir! Vale ressaltar que muitos destes documentários não possuem versão brasileira. Entretanto, grande parte está disponível nos serviços de streaming e até mesmo no YouTube.

Batman & Bill (2017)

Uma emocionante narração sobre um fato triste e bem específico da história do Batman, Batman & Bill foi produzido pelo Hulu e estreou em 2017. O documentário mostra o aspecto criativo do personagem, abordando como Bob Kane ficou associado como único criador do herói enquanto o co-criador tão importante quanto Kane, Bill Finger, nunca foi creditado pelo seu trabalho apesar de ter criado boa parte da mitologia do Homem-Morcego.

O documentário traz diversas entrevistas com autores dos quadrinhos norte-americanos como Kevin Smith, Todd McFarlane, Roy Thomas, Carmine Infantino e muitos outros, mas é especialmente focado em Marc Tyler Nobleman, o homem responsável por desvendar todos os detalhes da vida de Bill Finger e iniciar uma verdadeira – e sincera – mudança na forma como o mundo encara a criação da mitologia de Gotham, de sua criação em 1939 até 2015.


Stan Lee’s Mutants, Monsters & Marvels (2002)

Documentário produzido em 2002 pela Creative Light Entertainment, Stan Lee’s Mutants, Monsters & Marvels é basicamente uma entrevista feita pelo diretor e roteirista Kevin Smith com o “pai de todos” da Marvel, Stan Lee. Os dois conversam sobre a vida pessoal de Lee, seu casamento, sobre o primeiro filme do Homem-Aranha de Tobey Maguire e também sobre os quadrinhos do personagem, e muitos outros que o autor veio a criar ao longo de sua prolífica carreira.

O sucesso deste documentário o fez ser incluído nos extras da coleção especial em quatro discos do filme Homem-Aranha, e as filmagens foram feitas em uma comic shop da California, resultando em um bate-papo de quase duas horas de duração.


Tintin et moi (2003)

Tintim, criação máxima do gênio dos quadrinhos Hergé, influenciou gerações através das décadas passando pelas HQs e animações. Tintin et moi (Tintim e Eu, traduzido do francês) é um documentário dinamarquês que, através de longas entrevistas concedidas por Hergé nos anos 70, reportagens e depoimentos de fãs e profissionais da área, oferece um panorama geral sobre a obra máxima do autor, suas influências e marcos.

O documentário também dá pinceladas sobre a vida pessoal e rotina de trabalho do autor, e complementa muito bem uma outra produção de 1976 intitulada Moi, Tintin (Eu, Tintim), filme franco-belga que mistura as entrevistas dadas por Hergé com eventos históricos reais e discute o impacto do personagem no mundo.


The Mindscape of Alan Moore (2003)

A Paisagem Mental de Alan Moore narra a vida e obra de um dos maiores autores que já contaram suas histórias através da nona arte. Produzido pela Shadowsnake como parte de um projeto maior, este é o único produto cinematográfico que o autor apoiou e colaborou com permissão para utilizar seus trabalhos na montagem do mesmo, incluindo V de Vingança, Do Inferno, Monstro do Pântano, Watchmen e outros livros.

O documentário destrincha a vida pessoal de Moore e seu início de carreira como escritor, indo até os dias mais recentes (da época em que o doc. foi produzido), e também dedica uma boa parte de sua 1h20min de duração para desvendar os mistérios por trás de seu interesse por magia. O trabalho mais recente de Moore na época em que este documentário foi produzido iria ser lançado alguns anos depois: Lost Girls.


Secret Origin: The Story of DC Comics (2010)

Com depoimentos de grandes nomes que já trabalharam para a DC Comics (e alguns rivais), Origem Secreta é o documentário definitivo sobre a história da DC, indo dos anos 30 à Era Moderna dos quadrinhos, pincelando aos poucos todas as décadas e obras mais importantes da editora ao longo de sua icônica trajetória de 75 anos, na época em que este foi lançado.

Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde e tantos outros são descritos pelas sábias palavras de autores de quadrinhos como Mark Waid, Neil Gaiman, Geoff Johns, Grant Morrison, Frank Miller, Len Wein, Jim Lee e até mesmo Bob Kane, Alan Moore, Jerry Siegel e muitos, muitos outros. Grandes diretores de cinema, como Christopher Nolan, Zack Snyder e Bryan Singer, e atores e atrizes como Natalie Portman, Christopher Reeve e Lynda Carter também aparecem. Os depoimentos são divididos em dois tipos: entrevistas atuais e outras feitas no passado.


The Image Revolution (2014)

Narrando a revolução que a Image Comics proporcionou à indústria nos anos 90 com a saída dos principais desenhistas da Marvel Comics objetivando a criação de uma nova editora e garantindo os direitos de criação dos personagens aos autores originais, este documentário aborda de forma bem direta e específica um momento-chave dos quadrinhos norte-americanos.

Todd McFarlane, Jim Lee, Rob Liefeld, Jim Valentino, Marc Silvestri, Erik Larsen e Whilce Portacio criaram na década de 90 o que veio a se tornar a terceira maior editora do mercado americano nos dias de hoje, e todos estes autores vão, com depoimentos de outros grandes nomes, descrevendo o processo de criação, as vantagens e problemas enfrentados que levaram a Image Comics a se tornar o que ela é hoje.


Future Shock! The Story of 2000 AD (2014)

A revista britânica 2000 AD foi a responsável por revelar para o mundo grandes nomes como Alan Moore, Grant Morrison, Garth Ennis, Neil Gaiman, Brian Bolland e outros, que posteriormente foram trabalhar na DC Comics e motivaram a criação do selo Vertigo, e apelidados de membros da “Invasão Britânica”, que teve mais de uma parte.

Future Shock! é um documentário com diversos depoimentos de profissionais dos quadrinhos britânicos e norte-americanos, falando sobre a criação da revista na década de 70, suas influências e ideias, e pincelando detalhes sobre seus personagens de destaque, como o Juiz Dredd, Sláine e Strontium Dog. Também é certeiro em esclarecer a importância gigantesca da revista para o mundo da nona arte, e autores como Pat Mills, John Wagner, Carlos Ezquerra e alguns outros foram os principais responsáveis por isso.


Crumb (1994)

O nome mais conhecido do quadrinho underground norte-americano também teve um documentário sobre sua vida produzido na década de 90, com direção de Terry Zwigoff. Robert Crumb possui uma vida conturbada, diversos problemas de entrosamento social e ao longo de sua carreira expôs todo tipo de polêmica em suas obras, consideradas hoje precursoras do movimento alternativo americano.

Crumb leva o espectador ao convívio do autor com sua família repleta de figuras estranhas, às suas relações com as mulheres e, claro, aborda de forma bem clara toda sua carreira fenomenal e o impacto de suas obras no movimento questionador e ousado que ele viria a criar. Um peça única dos documentários sobre quadrinhos.


Moebius Redux (2007)

O genial artista francês Jean Giraud, apelidado por si mesmo como Moebius, é um dos mais famosos e influentes autores de quadrinhos de todos os tempos. Moebius Redux dá um panorama sobre sua vida pessoal e especialmente sobre sua carreira como autor, co-criador da influente revista Métal Hurlant e grande mente por trás do experimentalismo da nona arte.

O documentário é composto por depoimentos do próprio autor (que faleceu em 2012) e outros grandes nomes do quadrinho europeu e mundial, que discutem sua influência e desapego a certos padrões que são praxe em muitas obras. Moebius é especialmente conhecido no Brasil por Incal, O Mundo de Edena e Arzach, mas esta produção não se limita somente às suas obras mais famosas.


Osamu Tezuka: The Secret of Creation (1985)

O “pai do mangá” e autor mais reverenciado dos quadrinhos e das animações japonesas também possui um documentário, produzido na década de 80 (apenas quatro anos antes de sua morte) pelo canal japonês NHK. Osamu Tezuka: The Secret of Creation acompanha a rotina de trabalho de Tezuka em um período bem atarefado de sua vida.

Produzindo três séries de mangá ao mesmo tempo neste período, participando de grandes convenções no Japão e na França e passando uma média de apenas de 60 dias/ano em sua casa com a esposa, Tezuka sempre foi um gigante produtor de quadrinhos e animações, e o documentário expõe ao público detalhes como seu local de trabalho, sua relação com os assistentes e seu incrível desempenho e dedicação, além de proporcionar um leve vislumbre de sua infância e inspirações.


Grant Morrison: Talking With Gods (2010)

Grant Morrison é, facilmente, um dos grandes nomes dos quadrinhos mundiais. Roteirista de obras-primas como Grandes Astros Superman, Asilo Arkham e Homem-Animal, sua influência na indústria é enorme e diversos personagens foram profundamente marcados por sua passagem em seus títulos.

Talking With Gods destrincha, de forma similar ao seu livro e autobiografia Superdeuses, toda sua vida, da infância aos anos mais recentes. Seu início de carreira como escritor, suas principais inspirações e viagens mágicas são contadas pelo próprio e por um seleto grupo de convidados que admiram seu trabalho, como seus colaboradores Frank Quitely, Richard Case e J. G. Jones, e parceiros de profissão como Neil Gaiman, Warren Ellis, Karen Berger e outros.


Laerte-se (2017)

Uma das autoras mais famosas do quadrinho nacional, Laerte Coutinho possui uma carreira longeva como cartunista e chargista, produzindo diversas obras-primas e críticas espetaculares, e é considerada uma das artistas mais importantes da área no Brasil, criando personagens como os Piratas do Tietê e Overman.

Laerte-se é muito mais um documentário sobre sua vida pessoal, ao invés de sua carreira como autora. Laerte se identificou por quase 60 anos como um homem, e revelou em meados de 2010 sua identidade de mulher transexual após identificar-se assim. O documentário aborda as mudanças ao longo de sua vida, seu cotidiano e sua transformação artística através dos depoimentos e entrevistas da autora para as diretoras Eliane Brum e Lygia Barbosa.


Warren Ellis: Captured Ghosts (2011)

Outro nome extremamente conhecido dos quadrinhos mundiais é o do revolucionário Warren Ellis. Autor de obras importantíssimas como Transmetropolitan, Stormwatch, Authority e Planetary, Ellis é uma figura muito presente na internet desde os anos 90 e tornou-se sinônimo de histórias que abordam o uso da tecnologia e as formas como o mundo pode se tornar um lugar mais ácido na presença de super-humanos.

Captured Ghosts proporciona uma visão panorâmica sobre sua carreira, com depoimentos de outros profissionais da área, músicos, atores de Hollywood e uma atriz pornô, fã de seu trabalho. Suas criações e inspirações são abordadas de forma séria, entretanto, este é um dos documentários mais bem-humorados desta lista.


Good Grief, Charlie Brown: A Tribute to Charles Schulz (2000)

Exibida um dia após o falecimento de Charles Schulz, criador da série Peanuts e dos personagens Charlie Brown e seu cachorro Snoopy, esta série especial da CBS é um tributo a toda sua carreira, destacando sua importância como cartunista e grande influenciador da nona arte e do mundo das animações.

Este especial é composto por inserts da série animada que marcou uma geração, e também destaca depoimentos dados por Schulz em outras entrevistas onde o autor compara Peanuts e sua vida pessoal, proporcionando uma visão de suas principais inspirações e influências.


In Search of Steve Ditko (2007)

A busca produzida pela BBC Four segue as tentativas do apresentador Jonathan Ross de rastrear o artista de quadrinhos Steve Ditko, co-criador do Homem-Aranha e da maioria dos personagens coadjuvantes e vilões do herói. Ao longo de uma hora de duração, Jonathan tenta encontrar pistas sobre o paradeiro de Ditko, um dos autores mais reclusos e marcantes da história dos quadrinhos, que sempre viveu de forma privada.

Como outros documentários, este é composto por depoimentos de autores e editores como Jerry Robinson, John Romita Sr., Neil Gaiman, Joe Quesada, Stan Lee, Mark Millar, Alan Moore e outros, que falam sobre a importância do trabalho de Dikto para a história mundial dos gibis. Ross e Gaiman conheceram Ditko em Nova York, porém o mesmo se recusou a ser fotografado ou entrevistado para o programa, apesar de ter iniciado e mantido contato com o apresentador desde então. Existem pouquíssimas fotos divulgadas do autor, que faleceu em junho de 2018.


O universo de documentários sobre quadrinhos é mais extenso e é praticamente impossível comentar sobre todos já produzidos. Tentamos, na lista acima, elencar uma variedade de documentários que falam sobre diferentes tipos de quadrinhos, de diversos países e autores, com diferentes abordagens que vão de entrevistas a homenagens.

Sabemos que alguns ficaram de fora, como os documentários sobre Will Eisner e sobre Neil Gaiman. Entretanto, nós da Torre de Vigilância ainda não conferimos estes e alguns outros, portanto ainda há muito a se explorar.

Acha que faltou algum? Indique nos comentários e espalhe conhecimento!

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Quinta temporada de Black Mirror caminha entre o divertido e o comum. Deveríamos nos preocupar?

Quando uma série conhecida retorna de seu longo hiatus, os fãs comemoram como se fosse final de ano na praia. A rotina ganha novos ares e o marasmo vai embora. Cada semana se torna um pequeno ritual para assistir o episódio e depois comentar nas redes sociais. E quando acontece o contrário? A nova temporada chega de mansinho, ninguém comenta e não recebe a atenção necessária. Quem é o culpado pela frustração? O próprio fã ansioso ou a equipe interna?

De qualquer forma, estou aqui para falar de Black Mirror. Sabe, aquela série distópica que apresenta inúmeros casos como a tecnologia pode nos afetar profundamente? Então, parece-me que a produção da Netflix está meio perdida em reencontrar o seu valioso tom que definia a sua grande matriz: Refletir através do choque.

[CONTÉM SPOILERS ABAIXO] 

Striking Vipers trouxe Anthony Mackie e Yahya Abdul-Mateen II como dois amigos que descobriram o amor através de um jogo moderno, onde ambos podiam interagir dentro daquela realidade virtual. Este foi um tema interessante de se retratar, porém não trouxe aquele fator chocante para a trama. Nos faz pensar? Sim, mas de um jeito aquém do esperado. Não é aquela parada que você fica durante minutos fitando a tela do seu notebook e tentando encontrar palavras para definir essa viagem de 1 hora. Tampouco foi um aceno sobre o vício e como esta prática afeta o usuário, assim como todos ao seu redor.

O episódio não precisou ir mais a fundo para definir a orientação sexual dos personagens por conta deste ato e essa ideia foi bacana. Não era necessário colocar Danny e Karl discutindo se eram héteros, bis, g0ys ou seja lá o que for. A grande surpresa ficou com o consenso criado para que todos fossem felizes. Não criou-se uma relação de aparências. A relação prevaleceu. Só que novos itens foram adicionados nessa equação complicada chamada casamento.

O episódio seguinte já nos trouxe um caso mais comum e pé no chão. Junto com uma crítica social que já estamos familiarizados dentro da própria antologia de Black Mirror. Lembram de Nosedive (3.01) com Bryce Dallas Howard? Então, a mensagem foi melhor repassada aqui do que em Smithereens. Assim como o anterior, ele não causa choque ou repulsa por algo. O personagem principal, Chris, não queria cometer nenhum crime. Apenas queria ser ouvido pelo Big Boss da rede social responsável por transformar a vida dele em pura depressão pela morte de sua noiva.

O mais surpreendente é a causa do acidente e expõe de forma pontual o que estamos vivendo atualmente. Nós (Sim, me incluo nessa de vez em quando) ficamos tão conectados em nossos aparelhos eletrônicos como se tivéssemos com uma espécie de viseira invisível nos lados, que não percebemos as coisas que acontecem ao nosso redor. Perdemos coisas por estarmos flexionando o pescoço para baixo atualizando o celular com novas mensagens ou aplicativos que nos permitam interagir cada vez mais com as pessoas. Pinóquio já dizia: No strings on me!. Será que podemos dizer o mesmo?

E para finalizar a temporada mais curta que o normal, tivemos Rachel, Jack and Ashley Too. Claramente o mais divertido que também trouxe um realismo misturado com o toque básico que a série oferece quando quer. O que parecia uma crítica ao fanatismo de fã, acabou se revelando como a vida de uma artista jovem é destrutiva e corrosiva quando você tem pessoas ao seu redor que agem por benefício próprio.

Miley Cyrus e Angourie Rice estavam ótimas em seus respectivos papéis. Conseguindo então transmitir os principais sentimentos que jovens passam durante essa fase como medo, ansiedade e depressão. Seguindo os demais, este não trouxe um choque ou algo similar para o seu público. Porém, foi tão gostoso de assistir que você esquece qualquer contragosto e apenas se diverte como se estivesse assistindo aquele filme na Sessão da Tarde.

Diante disso, será que estamos presenciando o desgaste de Black Mirror nas mãos do canal de streaming? Muitos já se encontram insatisfeitos com o trabalho realizado desde que saiu da BBC e isso traz um alerta: A tendência é continuar deste jeito com o pretexto de apresentar histórias mais leves, porém que ainda se encaixem na proposta. Ou numa possível sexta temporada, oremos todos, que a equipe criativa retorne com ideias absurdas e surreais, fazendo que os telespectadores recuperem a confiança e digam novamente: Isso é tão Black Mirror!