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Não são apenas fantasmas que assombram uma família em A Maldição da Residência Hill

Escrito por Daniel Estorari

Produções sobre fantasmas ou demônios que perturbam o cotidiano de uma determinada família, se tornaram comum ao decorrer que Hollywood tenta evoluir mentalmente e espiritualmente, mas que infelizmente, acaba fracassando. Entretanto, mesmo com diversas obras que estão presas na mesmice, muitas produtoras procuram entregar algo realmente diferente para os seus consumidores, caso da provedora global de filmes e séries de televisão Netflix, visto que em 12 de Outubro do ano 2018, lançou em seu catálogo o seriado de terror A Maldição da Residência Hill, que mesmo com seus diversos defeitos, se sustenta com sua genialidade de contar história através do luto e assombrações fantasmagóricas.

O responsável pela história, é o cineasta Mike Flanagan, que dirige e produz o seriado ao lado da sua esposa e atriz Kate Siegel, na qual interpreta a personagem Theo, filha do meio do casal  Hugh (Henry Thomas/ Timothy Hutton) e Olivia Crain (Carla Gugino) . Flanagan, possui em seu currículo grandes películas, como Hush: A Morte Ouve; Ouija: A Origem do Mal e o vindouro Doctor Sleep. Isto é, ao observar o esforço do diretor em contar narrativas de terror, era de se esperar mais uma fábula de terror e drama que pudesse agradar todos aqueles que se simpatizam com os gêneros.

Sintetizando de maneira breve, Shirley, Theo, Nell, Luke  e Steven são cinco irmãos que cresceram na mansão Hill, a casa mal-assombrada mais famosa dos Estados Unidos. Agora adultos, eles retornam ao antigo lar e são forçados a confrontar os fantasmas do passado, após o suicídio da irmã mais nova.

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Desde o início até o seu final, o seriado é vendido como algo assustador que promete deixar os seus telespectadores sem dormir por noites… mas não é bem assim que as coisas funcionam. Óbvio que a fábula dará uma certa ênfase ao horror (que por sinal é excelente), mas o gênero é apenas uma linda cortina vermelha que esconde a verdadeira alma da produção: o drama. É ele o elemento predominante na maior parte dos episódios, criando uma atmosfera aterrorizante no meio de uma família transtornada por lembranças apavorizantes que assolam seus cotidianos mesmo depois de adultos. Ou seja,  A Maldição da Residência Hill é um show televisivo sobre luto familiar, e não sobre assombrações.

Dissertando sobre parentela, os irmãos Shirley (Elizabeth Reaser/Lulu Wilson), Theo (Kate Siegel/Mckenna Grace), Nell (Victoria Pedretti/Violet McGraw), Luke (Oliver Jackson-Cohen/Julian Hilliard) e Steven (Michiel Huisman/Paxton Singleton) são os verdadeiros heróis um do outro, se ajudando em momentos ápices e nunca desistindo de aquilo que os intriga desde a infância. Mesmo seguindo rumos diferentes, cada irmão tem um destaque especial dentro da produção, evidenciando o potencial de cada um sem que ultrapassem o tempo de tela um do outro. Elemento importantíssimo que foi moldado com cuidado pelos seus indenizadores. Hugh (Henry Thomas/ Timothy Hutton) e Olivia Crain (Carla Gugino) quando o assunto se trata de bons personagens, já que suas atitudes depressivas ao lado de seus filhos, é que carregam o conto nas costas.

Já os fantasmas, servem mais como uma ponte entre o passado e presente. Seus objetivos não são apenas assustar ou possuir algum morador da residência, não; as verdadeiras motivações das assombrações vão além daquilo que qualquer outra produção do ramo já explorou. Ponto positivo.

Uma dica, preste muita atenção nos cenários, pois existem inúmeros espíritos como easter eggs que ficam observando o cotidiano dos Crain. Elemento não muito importante para a história, mas uma ideia assustadoramente genial.

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O excesso de mistérios não chegam a ser um defeito, mas um, pequeno incomodo. Os enigmas em si que são jogados ao decorrer da fábula, são geniais e as suas resoluções, mais extraordinárias possíveis, mas se Mike pensasse em tratar as charadas com mais delicadeza e ponderasse suas análises numéricas a respeito dos quebra-cabeças, o fator seria mais impressionante do que já é.

Uma condição técnica que é de se chamar bastante atenção, é a sua fotografia escura, na qual afunda a mente de quem está assistindo nas trevas da noite que assombram o território Hill.

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Seu final é lindo e emocionante, mas muito incoerente com que o seriado estava querendo trazer desde o seu anúncio pela Netflix. Ele é muito rápido e não poupa com que o espectador se esqueça facilmente do que foi visto, mesmo que um lindo discurso seja feito por um dos personagens. Entretanto, é se se confessar que o desfecho desse primeiro ano foge do convencional visto em outras séries e filmes,

 Finalizando, A Maldição da Residência Hill é encantador, deslumbraste e tenebrosamente dramática. Sem sombras de dúvidas, merece atenção daqueles que amam histórias de terror ao mesmo tempo que procuram assistir algo que se distancie do gênero, mas sem que o mesmo perde a sua áurea.

   Espero que tenham gostado, até a próxima e lembrem-se, os fantasmas são culpa, segredos arrependimentos e fracassos.

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Sobre o Autor

Daniel Estorari

With great powers...

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