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Luca celebra a amizade e a autodescoberta

Escrito por Tassio Luan

É sabido dizer que as animações da Disney/Pixar sempre evocam vários sentimentos em quem assiste e também gostam de abordar muitos temas presentes em nossas vidas como amizade, vida e até mesmo a morte. Isso ajuda a quebrar aquele estigma de que os filmes animados foram feitos apenas para as crianças. Depois de inúmeras produções, esse argumento já nem merece ser utilizado nas rodas de discussões. Até o mais bobinho consegue trazer uma mensagem bonita. Eis que a bola da vez é Luca.

Em Luca, acompanhamos uma história de amadurecimento sobre um jovem que vive um verão inesquecível repleto de sorvetes, massas e passeios intermináveis de scooter. Luca compartilha essas aventuras com seu novo melhor amigo, mas toda a diversão é ameaçada por um segredo profundamente bem guardado: eles são monstros marinhos de outro mundo, logo abaixo da superfície da água.

O filme aborda alguns processos que a maioria já passou durante a infância (e até se prolonga depois disso). O primeiro envolve em ser curioso(a). Luca carrega em si esse lado de sempre querer entender o seu redor, mesmo que seja explorar o desconhecido. Dá aquele salto de fé, sabe? Em certos aspectos de nossas vidas, estamos sempre dando esse tipo de salto rumo ao desconhecido. Vivemos explorando o que nos instiga e assim por diante.

Esse contato com o novo só aumenta quando Luca sofre restrições de sua mãe sobre o perigo da superfície. Quem nunca foi testado dessa forma? Quem nunca questionou se a advertência da mãe era apenas bobeira de mãe? Nosso personagem tomou nota dessas perguntas e não desistiu. Ainda mais depois de conhecer Alberto. Assim, partimos para o próximo processo.

Luca Paguro enfrentou o desconhecido e encontrou em Alberto Scorfano a sua primeira amizade na superfície. Por ser um dos seus, ficou bem mais fácil rolar uma identificação. Quando o santo bate de forma positiva com o outro, segundo o ditado popular. Antes dessa entrega, Alberto tratava Luca com total indiferença. Mas aí veio o apego e a amizade se tornou cada vez mais forte, transformando as várias aventuras bem divertidas de serem acompanhadas em Portorosso.

A amizade ganhou uma terceira parte no nome de Giulia Marcovaldo, que sem dúvidas foi o fator importante para o amadurecimento de Luca sobre os diversos estudos que acontecem na superfície, até então desconhecidos para o mesmo. É o tipo de amiga que acaba influenciando o caminho que você seguirá dali em diante. E da curiosidade e amizade, vamos para o próximo processo que gerou debates pela santa internet.

A trama apresentou de uma maneira totalmente positiva o conceito da autodescoberta, ou seja, descobrir quem é você por dentro e também por fora. Luca viveu escondido de uma sociedade que o julgaria ser um monstro por sua aparência sem ao menos conhecê-lo melhor. Então, o Alberto foi esse pilar essencial para o personagem se libertar dessas amarras impostas pela família e ser feliz do jeito que ele é. Só que não é um processo fácil, como o próprio filme mostrou em uma determinada cena. Quando quem está ao seu redor não conhece o seu verdadeiro eu, o medo da rejeição se torna assustador. E o filme transmite cada etapa dessa autodescoberta de forma natural e bem fluída. Não tem exageros. É puro, simples e bonito.

Apesar de sentirmos uma certa alegoria à descoberta da orientação sexual dos personagens, o diretor Enrico Casarosa comentou que o longa não possui contexto homossexual nas entrelinhas. Que Luca é um filme que celebra a amizade destes personagens cativantes.

Belíssimas paisagens que serviram de inspiração para Luca.

(As imagens acima retiradas de Melhores Destinos)

Os cenários do filme foram inspirados na região da Ligúria, onde estão destinos como Cinque Terre e Gênova. a inspiração para o cenário de Luca não é um acaso do destino. Foi nessa região que Enrico passou a infância e viveu boas aventuras, também com um amigo chamado Alberto.

“Esta é uma história profundamente pessoal para mim, não apenas porque está localizada na Riviera Italiana, onde eu cresci, mas também porque o que está no centro desse filme é uma celebração da amizade. Muitas vezes, as amizades da infância determinam a direção das pessoas que queremos nos tornar, e esses laços estão no centro de nossa história em ‘Luca’”, disse o diretor. “Então, além da beleza e charme da costa italiana, nosso filme apresentará uma aventura de verão inesquecível que mudará fundamentalmente Luca”, completa. Via: Melhores Destinos

Nota: Ouro.

Luca está disponível atualmente no Disney+.

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Sobre o Autor

Tassio Luan

Biólogo explorador do horror cósmico e de universos desconhecidos.