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Isolados: Medo Invisível/Safer at Home: A narrativa distópica da pandemia que se aproxima da realidade

Escrito por Tassio Luan

Ao longo das décadas, as crises sanitárias que aconteceram no mundo impulsionaram inúmeras produções tentando adaptar de forma fiel essa realidade através de Contágio (2011) ou quando caíram de cabeça no drama apocalíptico para entreter seus telespectadores com The Walking Dead em seus 11 anos de estrada com os personagens tentando sobreviver num novo mundo com zumbis. Entre muitos outros exemplos. Se eu fosse mencionar todos, tomaria todo o texto.

No último dia 20, o Amazon Prime Video lançou em sua plataforma dois filmes falando sobre a pandemia do novo coronavírus. O mais interessante aqui é que apesar da mesma temática, esses projetos cinematográficos possuem propostas diferentes sobre o desenvolvimento de suas tramas em relação ao amor e amizade. Ao abordarem assuntos como passaporte de imunidade, lei marcial, variantes mais letais, número surpreendente de mortos e etc… parece até que estão pontuando alguma notícia real, né?

Isolados: Medo Invisível (2020)

O vírus Covid-23 sofre uma terrível mutação e se torna ainda mais mortal do que seus antecessores. Nesse contexto, os governos decretam bloqueio global e surge um jovem que inesperadamente é imune ao vírus.

Isolados retratou o caos que o mundo ficou após as variantes do novo coronavírus terem varrido boa parte da população para a morte, fazendo que os governos iniciassem medidas drásticas para evitar que o número de mortes chegasse a níveis ainda mais alarmantes. Lei marcial imposta e apenas os ditos imunes conseguiam transitar pelas ruas para continuarem com suas vidas, enquanto o restante da população seguia em casa em quarentena rígida.

O longa trouxe perspectivas diferentes através de uma trama dividida em núcleos com a finalidade de mostrar como os personagens principais estavam se adaptando aos métodos impostos pelo governo, seja uma rotina de live com a May, o mundo dos negócios da família Griffin, Dozer vencendo seus demônios, o serviço de entregas de Nico e o desejo de mudar a vida de Sara.

Apesar do tema ter sido a pandemia, a grande força foi o amor entre Nico e Sara. O encontro desses núcleos distintos só foi possível por causa das ações desse casal e deu uma pequena movimentada na trama. Destaco o papel de antagonista de Peter Stormare como Emmett Harland, o responsável por isolar os infectados e atrasar o sucesso do plano do casal.

Isolados: Medo Invisível não é o tipo de filme que você termina e vai procurar alguém pela vasta internet para debater sobre, porém é um entretenimento válido para passar o tempo. Na situação que a história se passa, valeria até pensar num prequel para contar a trajetória do vírus até chegar nessa variante atual com mais detalhes. Eu fiquei curioso em saber também mais sobre o desenvolvimento dos imunes. Acredito que o desejo ficará apenas na minha mente mesmo.

Nota: 3/5

Safer at Home (2021)

Para quem já assistiu Amizade Desfeita (2014) e Host (2020) vai perceber que a proposta de Safer at Home não é nada original: reunião virtual + jovens + uma dose de drogas = caos completo. Apesar da ausência de um pano de fundo sobrenatural, o filme conseguiu prender a nossa atenção com a tensão instalada nessa reunião após o incidente. O barato foi acompanhar o nervosismo e desespero dos demais dentro de casa, enquanto lá fora tinha uma quarentena rígida que precisava ser obedecida. Caso contrário, o cidadão poderia sofrer as consequências. Esse pequeno detalhe trouxe mais adrenalina para a jornada do personagem em questão (sem muitos detalhes para não dar spoiler).

A história se passa dois anos após o início da pandemia, mostrando a existência da variante Covid-22 e as consequências letais da mesma na população desprotegida. Por conta disso, existe o toque de recolher com vigia policial para que ninguém quebre a quarentena.

O plot twist no terceiro ato trouxe um certo alívio, porém invalidou toda tensão que mencionei acima. Com isso, ficou um misto de sentimentos sobre o final. Ainda mais que acabou invertendo a situação de perigo e finalizou de uma forma que fez referência ao grande protesto do movimento Black Lives Matter sobre o excesso dos policiais nas batidas.

Assim como Medo Invisível, Safer at Home consegue te entreter em quase 90min e é uma boa distração no catálogo do Prime Video. Nada muito marcante que te deixe alucinado, mas fica o destaque de como os dois possuem semelhanças com a nossa realidade mesmo que alguns elementos tenham sido pro lado mais distópico. Apesar disso, há de se considerar um pouco da distopia no nosso cotidiano.

Nota: 3/5

Boa parte do mundo passou por quarentenas rígidas em 2020 e houve também toque de recolher em alguns países para evitar a circulação de pessoas em horários pré-determinados. Sobre o lance de imunes: não é tão fantasia assim. Desde o ano passado, cientistas estão estudando casos de pessoas com imunidade a Covid-19 (digo sem o auxílio da vacina). Outra situação envolve a existência de variantes, que também estamos vendo. Para melhor entendimento, os especialistas nomearam as variantes de acordo com o alfabeto grego. A mais transmissível é a Delta. A Covid-22 mostrada em Safer já está sendo considerada e cogitam ser mais intensa que a Delta. Links sobre esses assuntos abaixo:

Imunidade

Covid-22

That’s All Folks! 

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Sobre o Autor

Tassio Luan

Biólogo explorador do horror cósmico e de universos desconhecidos.

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