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Torre Entrevista | Butcher Billy

Escrito por Guilherme Chaves

Grande artista e com trabalhos espetaculares, Bily Mariano da Luz, ou Butcher Billy como é chamado, é conhecido por mesclar figuras da ficção com ícones do cotidiano, seja para crítica ou apenas por diversão. Com um carisma e simpatia enorme o “Açougueiro Pop” respondeu algumas perguntas para a equipe da Torre de Vigilância, confira:

Vamos iniciar falando sobre sua vida pessoal. Como iniciou seu envolvimento com arte? Desde criança existia algum viés para criações artísticas, ou foi algo que se desenvolveu com o passar dos anos?

Desde muito criança eu acho que já me expressava com desenhos antes mesmo de aprender a falar direito. Eu lembro de não ter idade suficiente pra ir ao cinema assistir Caça-Fantasmas, mas já os desenhava em caderninhos só de assistir o comercial na TV.

Você é, assim como nós, um fã de histórias em quadrinhos? Se sim, quais seus personagens favoritos, e como você mergulhou pela primeira vez neste mundo das HQs?

Provavelmente do mesmo jeito que muitas das crianças que cresceram nos anos 80: assistindo os Superamigos e os desenhos “desanimados”da Marvel. Ironicamente meu personagem favorito não é nem o Superman e nem o Batman, mas sim o John Constantine. Me identifico muito porque Alan Moore, Jamie Delano e a maioria dos roteiristas que o escreveram desde os anos 80 conseguiram dar a ele uma personalidade incrivelmente humana, com todas os nuances, falhas, defeitos e tons de cinza que qualquer um de nós possui – tudo isso em meio ao mundo maluco do ocultismo, demônios e magia negra. Acho que é essa dimensão nebulosa em que a ficção e a realidade se misturam que me atrai tanto e se reflete na maioria dos meus trabalhos.

Seus trabalhos são muito característicos. Todas as suas obras, apesar das diferenças, possuem um estilo muito marcante e reconhecível. Como você chegou a este modelo de arte? Quais suas principais inspirações?

Acredito que cheguei muito naturalmente ao meu estilo através das influências de uma seleção um tanto quanto irregular de inspirações. São artistas, designers, empresários, escritores, arquitetos, músicos e diretores de cinema, que dentro da minha cabeça acabam fazendo sentido. Salvador Dali, Stanley Kubrick, Jack Kirby, Toulouse-Lautrec, David Bowie, Frank Gehry, Banksy, Robert Crumb, Vincent Van Gogh, Ian Curtis, Tim Burton, Osamu Tezuka, Nick Hornby, Steve Ditko, Bettie Page, Malcom McLaren, Quentin Tarantino, Andy Warhol, Morrissey, Oscar Wilde, Stan Lee, Edgar Wright, Siouxsie Sioux, Peter Saville, Shigeru Myiamoto, Roy Lichtenstein e… Katy Perry 🙂

Qual a sua formação? E isto definiu seu estilo de trabalho, ou outras coisas acabaram formando-o?

Sou graduado em Design Gráfico pela PUCPR. Foi muito importante ter estudado design já que meu trabalho não se resume apenas ao que eu faço como Butcher Billy. Mas acredito não ter sido imprescindível para esse meu lado que vem chamando atenção mundialmente.

Como você iniciou sua carreira como artista, e quais as principais dificuldades enfrentadas?

Acho que conciliar o meu lado artístico com o lado corporativo é a maior dificuldade, já que quase sempre isso resulta em noites em claro e vida social inexistente 🙂

Você retrata vilões da vida real na pele de vilões dos quadrinhos, bem como ídolos pop na pele dos heróis. Pensando por um lado filosófico, isto faz muito sentido, vide as características de cada pessoa retratada. Você se recorda da primeira vez que você teve esta ideia?

O embrião dessa ideia veio quando assisti uma entrevista com Charles Manson nos anos 70, e me espantou o quanto os trejeitos do psicopata eram parecidos com a interpretação do Heath Ledger para o Coringa. Somei a isso o fato de que Jack Kirby já declarou que baseou a criação de Darkseid em Hitler, e o planeta Apokolips na Alemanha nazista. 

Você pode falar um pouco sobre o processo de criação de seus trabalhos? Algo como um passo a passo resumido de como você possui a ideia e bota ela em prática.

Eu desenho em guardanapos em mesas de bar, e no dia seguinte quando estou sóbrio e acho algum desses sketches no meu bolso, eu finalizo no Illustrator ou Photoshop 🙂

A série “Os Bebês de Laranja Mecânica” retrata uma espécie de desenho animado na pele de um filme extremamente violento e adulto.  Apesar de fantásticos, estes trabalhos podem ser um pouco chocantes ou polêmicos. Você já enfrentou duras críticas acerca das montagens? Se sim, como você reage às críticas?

Eu gosto de qualquer reação passional ao meu trabalho – quando amam ou quando odeiam – de preferência ao mesmo tempo. O real problema é quando uma peça de arte não gera nenhuma reação ou impacto.

Se você pudesse escolher apenas uma montagem sua, algo como um xodó, qual seria? E quais os motivos para tal?

Eu adoro Standing in the Way of Control, que mistura Beth Ditto do The Gossip com o Kirby da Nintendo. Gosto porque é muito bizarra e quase ninguém gosta ou entende 🙂

Quais seus planos e ideias de trabalhos para o futuro?

Como açougueiro pop eu diria que ainda estou obsessivamente à procura do corte perfeito.

Antes de finalizarmos, uma última pergunta: se você possui um(a) ídolo, alguém que gera grande inspiração no seu dia-a-dia, quem é, e por quê?

Não diria que tenho um ídolo especificamente.

Então, Billy, para finalizarmos, deixe um recado para a galera que está assistindo esta entrevista: onde podem encontrar-te, onde comprar algum de seus trabalhos, enfim… O espaço é seu!

Não comprem drogas, galera. Virem artistas de cultura pop que vocês vão conseguir de graça. 🙂

 

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Sobre o Autor

Guilherme Chaves

Empresário de dia, estudante de Administração Pública de noite e redator da Torre nas horas vagas.