Segundo informações do Crunchyroll, via Bastien Guetta, os diretores Hiroyuki Seshita e Tadahiro “Tady” Yoshihira estão no Annecey Festival, na França, promovendo o anime Gozilla: Monster Planet, produção da Polygon Pictures e da Netflix.
No evento, eles deram novidades da série Knights of Sidonia e do filme Blame. Sidonia vai ganhar uma terceira temporada e Blame terá outro filme. Ambos já estão em desenvolvimento. A animação continuará com produção da Polygon.
Adaptadas das obras de Tsutomu Nihei, que já esteve no Brasil para a Comic Con Experience (CCXP),Knights of Sidonia ganhou duas temporadas em 2014 e 2015, e Blame teve um filme produzido neste ano. Os animes de ambos encontram-se disponíveis no acervo da Netflix, e os mangás são publicados pela Editora JBC.
Após exatos 30 anos, O Sombra de Howard Chaykin será republicado no Brasil. Chegando às livrarias em um encadernado de luxo lançado pela Mythos Editora, a republicação também irá conter uma história inédita do personagem. Confira os detalhes abaixo!
Sangue e Sentença, a história que fez a carreira de Howard Chaykin, pela primeira vez no Brasil desde 1987, num único e luxuoso volume! Quando os amigos e operativos do Sombra começam a ser brutalmente assassinados, o herói é obrigado a voltar de uma aposentadoria, depois de décadas. Também na edição, em aventura totalmente inédita, o triunfal retorno de Chaykin ao personagem, quase 30 anos depois, na história Meia- Noite em Moscou!
A minissérie foi publicada originalmente no Brasil em 1987 pela editora Abril na revista do Batman, entre os números 2 e 5. Na época a revista compilava histórias do Homem-Morcego, do Questão e a série do Sombra de Howard Chaykin, que assina tanto roteiro quanto arte.
Pela Mythos Editora O Sombra foi publicado em três outros encadernados: O Fogo da Criação, A Revolução e O Sombra/Besouro Verde: Cavaleiros das Trevas. Outro material clássico de Howard Chaykin republicado pela editora foi American Flagg, um dos destaques de 2015.
O Sombra: Grandes Mestres – Howard Chaykin possui 252 páginas encadernadas em capa dura no formato 26 x 17 cm, com preço sugerido de R$ 84,90.
Durante uma coletiva de imprensa para divulgar Homem-Aranha: De Volta ao Lar, a produtora da Sony (Amy Pascal) confirmou que os projetos independentes do estúdio como Gata Negra e Venom estarão situados no Universo Cinematográfico da Marvel. Confira a entrevista abaixo:
[BREAKING NEWS] Amy Pascal confirm Black Cat and Vanom movie will pass in the same universe of "Spider-Man: Homecoming pic.twitter.com/qfAKOulqwE
Amy: ”Todos esses filmes se passarão no universo que estamos criando para Peter Parker. Quer dizer, eles serão derivados, podem estar em diferentes locais, mas ainda estarão no mesmo mundo e estarão conectados uns aos outros.”
Ainda na coletiva, Pascal foi questionada sobre a provável participação de Tom Holland. Ela respondeu:
”Sim, há uma chance. Sempre há uma possibilidade.”
Homem-Aranha: De Volta ao Lar será lançado em 7 de julho nos cinemas brasileiros.
Exibido na E3 2017, a Focus Home Interactive divulgou o novo trailer de Call of Cthulhu, jogo de terror psicológico baseado no conto homônimo do autor H. P. Lovecraft.
Confira ao vídeo abaixo:
No game você controla Edward Price, um detetive particular que está investigando a morte de um famoso artista e de sua família. Mas as investigações levam à um rumo onde compreensão humana nunca tinha chegado antes.
Call of Cthulhu será lançado ainda neste ano para Playstation 4, XBOX ONE e PC.
Quem assistiu ao filme dirigido por Patty Jenkins nos cinemas, deve ter visto os momentos em que a Rainha Hipólita (Connie Nielsen) conta para a jovem Diana (Lilly Aspell) a história de como as Amazonas foram criadas, e como Ares entrou em confronto o Deus do Olimpo, através de belas pinturas.
Agora, a artista Houston Sharp, uma das artistas dessas ilustrações, resolveu divulgá-las, via Comic Book Movie, ao público. Além dela, participaram das artes: Igor Sid, Piotr Jablonski, Yuriy Chemezov, Roman Kupriyanov, Eve Ventrue, Max Schulz, Didier Konings, e Raffy Ochoa.
MONTE OLIMPO
DEUSES NO TOPO DO OLIMPO
DEUSES NO TOPO DO OLIMPO
HUMANIDADE FELIZ
HUMANIDADE CORROMPIDA
FORA DA ÁGUA
ESCRAVIZADAS
LUTA PELA LIBERDADE
ARES MATA OS DEUSES – PINTURA 1
ARES MATA OS DEUSES – PINTURA 2
ZEUS ATINGE ARES
TEMISCIRA
ANDANDO COM A HUMANIDADE
TRAÍDAS
Mulher-Maravilha tem no seu elenco: Gal Gadot como Diana Prince/Mulher-Maravilha, Chris Pine como Steve Trevor, Robin Wright como General Antiope, David Thewlis como Sir Patrick, Connie Nielsen como Rainha Hippolyta, Elena Anaya como Maru/Doutora Poison, Lucy Davis como Etta Candy, Doutzen Kroes como Venelia, Ewen Bremner como Charlie, Danny Huston como General Erich Ludendorff, Eleanor Matsuura como Epione, Mayling Ng como Orana, Eugene Brave Rock como Chefe, Samantha Jo como Euboea, Saïd Taghmaoui como Sameer, Florence Kasumba como Senador Acantha, Emily Carey como Jovem Diana, Lisa Loven Kongsli como Menalippe, Brooke Ence como Penthiselea, Ann Ogbomo como Phillipus, Ann Wolfe como Artemis, Madeleine Vall como Egeria, Jacqui-Lee Pryce como Niobe e Lilly Aspell como Pequena Diana.
A direção é de Patty Jenkins com roteiro de Allan Heinberg, Zack Snyder, Allan Heinberg, Jason Fuchs e William Moulton Marston. O filme está em cartaz nos cinemas brasileiros.
O Queens of the Stone Age divulgou o nome, a tracklist e de lambuja a inédita “The Way You Used to Do” nova música do seu mais recente disco Villains. O sétimo na carreira da banda. A canção foi lançada no popular programa do Zane Lowe na Beats 1.
Confira a capa e a tracklist de Villains:
Feet Don’t Fail Me
The Way You Used to Do
Domesticated Animals
Fortress
Head Like a Haunted House
Un-Reborn Again
Hideaway
The Evil Has Landed
Villains of Circumstance
Com produção de Mark Ronson, que já trabalhou com Adele, Amy Winehouse e Lady Gaga, Villains chega para ser o sucessor do elogiado …Like Clockwork (2013) o ultimo trabalho do Queen of The Stone Age.
“O Queens é a minha banda favorita” disse Ronson. “Houve momentos durante a gravação do disco que eu sabia que estava assistindo a meus heróis musicais criando algo que se tornaria um dos meus momentos favoritos em qualquer disco do Queens. E fazer parte disso foi como um sonho. Um sonho bem pesado, escuro e maravilhoso.”
Villains chega às lojas e plataformas digitais no dia 25 de agosto.
O Imagine Dragons divulgou a sua nova música, “Walking The Wire” que faz parte do terceiro álbum da banda intitulado de Evolve. É a terceira faixa divulgada até agora do novo trabalho, as duas primeiras foram “Believer” e “Thunder”.
Ouça abaixo “Walking The Wire”, a canção tem uma sonoridade menos extrovertida das outras músicas divulgadas anteriormente.
O Imagine Dragon já divulgou as datas da turnê mundial do novo disco, que vai começar em Phoenix nos Estados Unidos no dia 26 de setembro. Ainda terão apresentações em toda a América do Norte, e fica a torcida para que os caras passem pelo Brasil também.
O novo álbum Evolve já se encontra disponível em pré-venda, só clicar AQUI.
Há 25 anos atrás em um episódio da clássica série animada do Batman, a Arlequina fazia a sua primeira aparição. Foi no dia 11 de setembro de 1992 no episódio “Joker’s Favor” (Um Favor para o Coringa aqui no Brasil). Criada por Paul Dini e Bruce Timm, a personagem chegou a um patamar que nem a dupla gestora imaginou que a Dra. Harleen Frances Quinzel alcançaria.
A Arlequina já saiu da sombra do Coringa faz tempo, e é sucesso em diversas plataformas. Ganhou sua própria HQ, se tornou um dos principais nomes do Esquadrão Suicida e é um dos personagens mais rentáveis da Editora das Lendas.
Confira a capa variante feita por Jim Lee:
O one-shot tem lançamento planejado para setembro, no mesmo dia em que o episódio foi ao ar 25 anos atrás. E vai contar com diversas histórias da Arlequina, na equipe criativa fazem parte os escritores Amanda Conner e Jimmy Palmiotti. Oco-criador Paul Dini também vai produzir uma história. Os desenhos serão de Chad Hardin. Além deles a dupla Chip Zdarsky e Joe Quinones, que trabalharam muito tempo com Howard o Pato na Marvel Comics, também vão participar da edição.
Marvel Legacy #1 será uma história especial lançada em one-shot pela Marvel Comics que marcará o início de uma nova fase para a Casa das Ideias. O roteiro será de Jason Aaron e arte de Esad Ribic, a dupla consagrada de Thor: O Deus do Trovão.
A trama de Legacy ligará os personagens principais da Marvel a uma trama maior que envolve uma formação de Vingadores de 1.000.000 aC repleta de rostos conhecidos.
O que tudo isso significa? Todos os heróis da Marvel, novos e antigos, são parte de um Legado de heróis da antiguidade
E quem são os Vingadores de 1.000.000 ac? Odin, Agamotto e versões antigas do Punho de Ferro, Pantera Negra, Motoqueiro Fantasma, Fênix e Estigma.
“Marvel Legacy # 1apresentará a todos os fãs – novos leitores e leitores atuais – o melhor salto na história das histórias em quadrinhos”, disse o editor da Marvel, Axel Alonso. “O que Jason Aaron e Esad Ribic criaram é mais grandioso e mais gigantesco do que qualquer coisa que já vimos antes e introduz conceitos e personagens nunca vistos no Universo Marvel. Os fãs vão testemunhar um olhar totalmente novo sobre o Universo Marvel, começando em um dos primeiros momentos do tempo até o presente.”
Marvel Legacy #1 de Jason Aaron e Esad Ribic está previsto para estrear em Setembro nos EUA.
Para muitos, Batman: O Cavaleiro das Trevas se trata de uma simples história sobre um duelo entre os dois maiores ícones da DC Comics. E se eu te disser que não? E se eu te disser que ela vai muito além disso?
“Eu quero que você se lembre, Clark, em todos os anos que estão por vir, em seus momentos mais íntimos, eu quero que você se lembre da minha mão na sua garganta, eu quero que você se lembre do único homem que te derrotou.”
Vindo de uma família pobre de operários irlandeses, Frank Miller se mudou para o violento bairro de Hell’s Kitchen em Nova York ainda em sua adolescência, para tentar a vida como artista. No início, Miller trabalhou em títulos genéricos na Gold Key Comics. Até que, em 1979 teve a chance de mostrar seu talento a Jim Shooter, na época editor-chefe da Marvel Comics. Em pouco tempo, assumiu o título do Demolidor, que vinha de uma constante queda nas vendas, mas isso a gente deixa pra outro dia.
O jovem Frank Miller na San Diego Comic Con (direita) em 1982 e sua estreia no título do Demolidor na edição 158 de 1979
Em Batman: O Cavaleiro das Trevas, Frank Miller consagrou o Batman que conhecemos hoje. Psicótico, violento e sombrio, características que já estavam sendo apresentadas alguns anos antes por Denny O’Neil e Neal Adams na década de 70. Policiais não eram mais os mocinhos e você não podia confiar em seus pais, o morcego entrava na Era Moderna dos quadrinhos, onde o mundo não era mais o mesmo, e todos eram passíveis de corrupção.
Batman #244 (O Demônio vive outra vez) escrita por Denny O’Neil e desenhada por Neal Adams, já retratava um Batman mais adulto e sombrio.
Antes de tudo, é preciso entender o contexto e a época em que a história é baseada. O ano era 1986, a Era do novo conservadorismo de Ronald Reagan nos Estados Unidos e a tensão nuclear da Guerra Fria regiam o mundo. Era uma época sombria de incertezas. A energia nuclear poderia ser a nossa salvação ou nossa destruição. Muitos heróis e vilões criados durante o início dos anos 60 receberam seus poderes advindos da radiação.
Bruce Banner ganha seus poderes através da radiação gama em Hulk #1. A radiação era o assunto nos quadrinhos durante a Guerra Fria.
Desemprego, violência, inflação, decadência… eram coisas que incomodavam a mente tempestuosa de Miller na época.
Na história, ambientada em um futuro distópico e autoritário, Bruce Wayne está aposentado há 10 anos de suas atividades como vigilante, após a trágica morte de seu parceiro, Robin(Jason Todd) e de diversas pressões governamentais, que tornara qualquer atividade de mascarados ilegais. O Batman não existe mais e o mundo vive em decadência, a mercê das gangues e da corrupção. Mas agora, com 55 anos, ele se vê obrigado a reviver velhos hábitos e vestir novamente o manto do protetor de Gotham:
”O momento chegou. Em seu íntimo você sabe, pois eu sou sua alma. Não há como escapar de mim. Você é frágil, você é pequeno…Você é menos que nada, uma carcaça vazia, um trapo que não pode me conter. Ardentemente eu queimo sua pele e assim brilho cada vez mais belo e feroz. Você não pode me deter, nem mesmo com o vinho ou o peso da idade! Você não tem como me deter, e mesmo assim ainda tenta, ainda foge.” Em uma de suas alucinações, vemos o morcego retomar o controle de Bruce Wayne.
Considerado um fora da lei, ele age como um agente anti-governo para proteger o povo. Para muitos, chega a ser um personagem com tendências fascistas, já que ele atua como juiz, júri e executor, passando por cima de qualquer burocracia ou legislação. O traço de Miller casa perfeitamente com a narrativa, dando um tom ”sujo” e decadente a história. Não podemos esquecer da arte-final magistral de Klaus Janson e as cores de Lynn Varley que complementam a obra e toda sua atmosfera.
Um detalhe interessante em algumas das páginas da Graphic Novel é seu formato 4×4. Uma grade de 16 quadros com textos e diálogos torna a leitura mais densa e pode assustar alguns leitores inexperientes logo de cara. A inspiração de Miller para o personagem veio de uma figura carimbada dos filmes de ação. Clint Eastwood, de Impacto Fulminante de 1983, onde o policial Harry Callahan é forçado a voltar a ativa e botar ordem na casa com sua Magnum 357. Um clássico do cinema Brucutu!
Cavaleiro das Trevas foi um marco no mercado também. Visto antes como um produto infantil, os quadrinhos ganharam notoriedade e atenção da mídia da época. O impacto da obra e o boca-a-boca fizeram com que o título tivesse 4 reimpressões seguidas, coisa que não acontecia há pelo menos 30 anos.
Entrevista de Frank Miller a badalada Revista Rolling Stone em Janeiro de 1986.
Logo na primeira parte da trama, somos apresentados ao reabilitado ex-promotor público e criminoso, Harvey Dent (Duas Caras). Através de uma cirurgia plástica, Harvey tem sua face reconstruída e aparentemente arrependido de seus crimes, deseja ser reintroduzido a sociedade. Mas se tratando de vilões do Batman, nada termina com um final feliz e Harvey acaba ressurgindo ainda pior e mais obssessivo com o número 2 e sua dualidade (bem e mal). Os diálogos poéticos de Miller trazem uma profundidade ímpar as páginas.
Fato curioso, é que percebemos que o Morcego é tão perturbado quanto os vilões que combate, e tudo que ele vê é um reflexo.
Também somos apresentados a Carrie Kelley, a carismática sidekick que, com uma fantasia caseira de Robin e inspirada pelos atos do Morcego decide fazer a diferença no mundo e lutar contra aquilo que acha errado. Essa é uma característica muito marcante de Frank Miller e seus personagens. O “American Way of Life” de fazer as coisas. Lutar por aquilo em que acredita, liberdade, direitos à vida e a busca pela felicidade. A relação paternal e hierarquica entre os dois personagens ao decorrer da trama é outro ponto alto do gibi.
Não faltam críticas ácidas às políticas brandas de punição e aos Direitos Humanos. Os diálogos televisivos mostram sempre a dualidade das opiniões em relação a violência. De um lado, a hipocrisia dos intelectuais, do outro, Lana Lang, a ‘advogada do Diabo’, defendendo os atos ilegítimos do Morcego.
Até onde vão os direitos de um criminoso? Tema muito debatido até hoje, principalmente nas Redes Sociais.
Nem a mídia escapa. Em seu prefácio, publicado aqui no Brasil na edição definitiva, Miller faz duras críticas aos meios de comunicação, e a parcialidade dos mesmos.
“O Cavaleiro das Trevas é, obviamente, uma história do Batman. Em grande parte, procurei usar a escalada da criminalidade no mundo ao meu redor para retratar um mundo que precisava de um gênio obsessivo, hercúleo e razoavelmente maníaco para por as coisas em ordem. Mas isso era apenas metade do serviço. Eu não guardei meu veneno mais poderoso pro Coringa ou pro Duas-Caras, mas para as insípidas e apelativas figuras da mídia que cobriam de forma tão pobre os gigantescos conflitos daquela época. O que essas pessoas insignificantes fariam se gigantes andassem sobre a Terra? Que tratamento elas dariam a um herói poderoso, exigente e inclemente?”
As autoridades sempre se esquivam quando questionadas sobre a escalada da violência em Gotham. Um jogo de Volleyball de responsabilidades, que passa do Presidente, ao Governador, do Prefeito ao Comissário.
O Dr. Bartholomew Wolper representa os direitos humanos. Cumpre o papel de sempre defender vilões, e sempre atribuir a culpa a terceiros e ao próprio Batman pela violência em Gotham.
Batman passa a sentir prazer na tortura que inflige aos criminosos. Miller nos faz sentir empatia por um personagem sádico e violento, ao mesmo tempo que nos apresenta adversários tão violentos quanto. Seria uma forma de justificar os seus métodos. Fogo contra fogo.
“Foi difícil carregar 120 quilos de sociopata até o topo das Torres de Gotham… o ponto mais alto da cidade. Mas os gritos compensaram”.
Alguém está armando a Gangue Mutante em Gotham. Ao interrogar um dos membros da sádica gangue de jovens, Batman chega ao General do Exército, que se suicida ao saber que foi descoberto. Impossível não associar ao famoso escândalo Caso Irã-Contras, episódio onde os EUA facilitara a venda de armas aos Iranianos em troca de reféns estadunidenses, sequestrados pelo Hezbollah e o Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica. Oliver North, na época membro do Conselho de Segurança Nacional, usara o dinheiro das armas para financiar os Contras na Nicarágua em uma campanha rebelde anticomunista.
O Coronel Oliver North na capa da revista Time (esquerda) O General do exército se suicida ao ser descoberto (direita) O quadro representa a morte da moral e da ética.
Os jovens integrantes da Gangue Mutante se resumem simplemente a brutalidade. Não se importam com dinheiro, apenas chocar a sociedade.
“Mulher explode no Metrô. Imagens no noticiário às onze.” A violência nas estações de metro nos anos 80 retratada em ‘Cavaleiro das Trevas.
As gangues eram o assunto do momento, inclusive na música e no cinema.
Em seu primeiro confronto contra o Líder Mutante, Batman acaba percebendo que não é páreo para o vigor e a selvageria da juventude. Outro ponto interessante que marcou e influenciou o personagem em seus anos seguintes nos quadrinhos: a necessidade constante de sempre estar se testando diante de inimigos mais fortes.
A juventude em Cavaleiro das Trevas é retratada como uma massa sem direção, a procura de um líder. Ela clama por um líder. Um tópico bem atual hoje em dia também. Isso é exemplificado na épica luta contra os Mutantes, onde, após humilhar o Líder Mutante em uma poça de lama, ganha a liderança dos jovens, sedentos por brutalidade.
“Isso não é uma poça de lama! É uma mesa de operação, e eu sou o cirurgião!”
O Líder Mutante é humilhado na frente de todos os seus soldados, brutalmente espancado. Uma vitória moral.
Os Mutantes agora não existem mais e têm um novo líder.
”Gotham City pertence ao Batman!” Os Mutantes foram extintos. Os remanescentes da antiga gangue foram presos, e a maioria se juntou a nova gangue: Os Filhos do Batman.
Ainda falando de vilões, Brüno, uma vilã com suásticas nazistas tatuadas nos seios e glúteos, aterroriza Gotham a serviço do Coringa.
Brüno teve seu visual inspirado em um vilão de sucesso da época: Ivan Drago de Rocky IV (1985).
A volta de Batman a ativa trouxe não só os holofotes da mídia para si, mas também de um antigo inimigo: O Coringa, há 10 anos no Asilo Arkham sem um objetivo, agora desperto, planeja uma aparição na TV junto ao seu médico, o Dr.Bartholomew Wolper.
O Coringa planeja algo grande para sua aparição na TV.
The David Endochrine Show vs Late Show With David Letterman: uma paródia ao icônico apresentador, responsável por difundir formatos de Talk Shows.
O Palhaço do Crime está no ápice de sua insanidade. Mata todos no estúdio, centenas de pessoas inocentes. Agora, ele quer que o Batman o cace, como um jogo de gato e rato, como nos velhos tempos. Mas agora é diferente. O morcego se sente responsável por todas aquelas vidas ceifadas. Decidido de vez a acabar com o Coringa, parte com tudo pra cima do Palhaço. Desta vez não haverá prisioneiros.
Carrie Kelley fica chocada com a pilha de mortos deixada pelo Coringa na Feira da Amizade. Pelo menos 16 escoteiros.
“Pretendo contar os mortos, um a um. Vou pôr todos na lista, Coringa. A lista das pessoas que eu assassinei, por ter deixado você viver[…] Consegue ver, Coringa? Eu sinto como estivesse escrito em meu rosto. Passei noites em claro planejando, visualizando a cena. Noites sem fim. Considerando todos os métodos possíveis, saboreando cada momento imaginário. Desde o começo eu sabia, que não há nada errado em você que eu não possa resolver com minhas mãos.”
A luta contra o Coringa é sangrenta e implacável. Ela se estende por toda a Feira, passando pela casa de espelhos até ter seu desfecho no Túnel do Amor. Miller não poderia ter escolhido lugar melhor para terminar. No último instante, a moral do Morcego prevalece.
“Vozes me chamando de assassino. Eu gostaria de ser.”
Ele desiste da ideia de matar o Coringa, mas o aleija, deixando o vilão paralítico do pescoço pra baixo e um pouco decepcionado.
“Eu estou desapontado com você, querido. O momento era tão perfeito, e você não teve coragem. Uma pressãozinha a mais e eu teria…”
Em um último ato de vilania, ele termina de quebrar o próprio pescoço. Este é o fim do Palhaço do Crime. Batman agora precisa fugir da polícia o quanto antes, mas não sem antes de um último adeus. Digno.
Na útlima parte, temos a cereja do bolo, ou pelo menos o momento mais lembrado pelos fãs. Batman x Superman.
Mesmo impedindo a bomba nuclear, o Superman não consegue impedir o blackout total, gerado pelo pulso eletromagnético da explosão. Antes, sufocando pelo calor angustiante, agora a cidade perece com a ausência de energia elétrica e luz solar, esta última bloqueada pela fuligem das cinzas da bomba. Pessoas estão morrendo de frio e de fome, o caos é instaurado e o sentimento de egoísmo toma conta dos corações dos cidadãos de Gotham, que querem a qualquer custo sobreviver. Mesmo que para isso tenham que matar seus vizinhos.
“Não existe desculpa pro que fizemos. Não estávamos loucos. Simplesmente viramos um bando de animais egoístas”.
Batman e sua nova Gangue, os Filhos do Batman, botam ordem ao caos, não só combatendo aqueles que se negam a ajudar, mas inspirando os cidadãos a despertar o seu bom senso. Dentre todas as cidades afundadas em desordem e desespero, Gotham é a única que consegue se manter no controle.
“Hoje nós somos a lei. Hoje, eu sou a lei”.
Isso enfurece o presidente, que agora com a opinião publica contra suas políticas, aciona o Superman para dar cabo, de uma vez por todas no Vigilante de Gotham. Presidente este que atua diante as câmeras, um falso otimismo em meio ao pânico nacional. Uma alfinetada de Miller ao presidente Ronald Reagan, que foi ator em sua juventude.
“Nada que não possamos resolver, pessoal. Nós ainda somos a América e eu ainda sou o presidente.”
É interessante frisar que este Superman submisso ao presidente não é o mesmo Superman que estamos acostumados. Há sempre aquele papo de “Frank Miller descaracterizou o meu Superman”. É bom lembrar que este universo é pertencente a Terra-31. Essa é a beleza do Multiverso da DC Comics e as variadas versões de seus personagens. Voltando…
A luta contra o Escoteiro é curta e épica. Contando com apenas meia dúzia de páginas, cheia de simbolismos, e com diálogos magistrais e poéticos, nos apresenta uma analogia do Povo contra o Estado. Um Estado este ausente e omisso, que não garante nem protege nenhum dos direitos básicos, e manipula a opinião pública a seu favor. Todos falharam, é a nossa vez de tentar.
”Naquele momento víamos o fogo do Liberalismo acabar com a época calma e conservadora dos anos 80.”
-Mark Waid
A surra no Azulão dói. Mas não é uma dor física. O Superman toma uma surra moral, um choque de realidade.
“Você traiu a todos nós, Clark. Deu a eles o poder que devia ter sido nosso!”
Um ataque cardíaco coloca fim a luta. O Batman está morto, ou quase isso. Depois de forjar a própria morte, e com um exército secreto no subterrâneo, o Morcego é um fantasma, que agirá pelas sombras secretamente onde o Estado falhar, para proteger e guiar a população. Fascista para alguns, herói para outros, o Batman de Frank Miller sempre vai dividir opiniões nos campos ideológicos.
Em 2012 e 2013, Batman: O Cavaleiro das Trevas ganhou uma adaptação animada. Não tem todo o background dos quadrinhos, mas mesmo assim é um ótimo entretenimento.
Em 2015 foi lançado um prequel da história, The Dark Knight Returns: The Last Crusade. Confira nossa crítica aqui.
Resumir Batman: O Cavaleiro das Trevas a uma simples porradaria entre Batman e Superman ou ao “Roteirismo” deveria ser um crime. Ela é muito mais que isso. É uma história atemporal, de relevância histórica, com uma narrativa desafiadora que até hoje influencia os autores e personagens de quadrinhos. É, sem dúvidas, um material indispensável em qualquer coleção e independente de qualquer orientação política.