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Ys: Memories of Celceta demostra que envelheceu muito bem

Escrito por Jean Kei

Ys: Memories of Celceta é um jogo da série Ys, lançado originalmente para PS Vita em 2012 (no Japão). O jogo foi muito bem recebido pela crítica na época, afinal, era um RPG de ação perfeito para um console portátil. O jogo possuía um senso de exploração muito bom, controles responsivos e trilha sonora excelente. Em 2016, Ys VIII: Lacrimosa of Dana foi lançado no Japão, chegando no ano seguinte para o resto do mundo. Lacrimosa of Dana foi lançado no  Playstation 4 PS Vita e foi um excelente jogo para novatos e fãs de longa data. Isso porque o jogo pegou toda a base de seu antecessor e melhorou em 200%. O salto de qualidade que a série teve de um jogo para outro foi gigante, não seria exagero dizer que Ys VIII: Lacrimosa of Dana é um dos melhores RPGs de ação desta geração de consoles.

Mas por que estou escrevendo sobre Lacrimosa of Dana num texto dedicado a Ys: Memories Of Celceta? Bem, está é uma análise feita em 2020 para a versão de Playstation 4 do jogo. Não faria sentido falar de Memories of Celceta ignorando o contexto atual da série. Afinal, quem quiser uma análise do jogo como ele foi visto no PSvita em 2014 pode achar facilmente por ai. A ideia desta análise é discutir como é jogar Ys: Memories of Celceta em 2020 no Playstation 4

Mas para isso, eu preciso explicar o que é Ys: Memories of Celceta

Ys: Memories of Celceta é uma releitura de Ys IV: Mask of Sun, não um remake, como muitos acham. Originalmente haviam dois jogos chamados Ys IV, Dawn of Ys para PC-Engine Mask of Sun para Super Famicom. Ambas as versões tinham histórias parecidas e se ambientavam no mesmo lugar, mas eram jogos completamente distintos. Mask of Sun era o considerado canônico da série, inclusive ganhando remake no Playstation 2. Nenhuma das versões de Ys IV havia sido desenvolvida pela Nihon Falcom, portanto, ela decidiu revisitar a região de Celceta e contar a história de sua forma.

E essa história funciona muito bem.

Um dos maiores acertos de Ys IV: Memories of Celceta é como sua narrativa simples conversa bem com o jogo e consegue te engajar.

O jogo começa com Adol Christin, o protagonista da série, perdido e com amnesia na cidade de Casnan, localizada na região de Celceta. Em seguida, Adol recebe a informação de que havia explorado a Floresta de Celceta anteriormente, local conhecido por ser perigoso, cheio de mistérios no qual muitos viajam para lá e não voltam mais. Após se situar pela cidade, ele acaba se envolvendo com a governadora da cidade que lhe pede para explorar novamente a Floresta, pois não existe um mapa completo da região. Além disso, explorar a região pode ser uma excelente oportunidade para Adol lembrar o que aconteceu quando ele explorou o local pela primeira vez e qual a razão de suas memórias terem sido perdidas.

Dentro da jogabilidade, você, enquanto explora, acha fragmentos das memórias de Adol pelo mapa e além de receber pequenos flashbacks que contam sobre quem é ele e sobre sua exploração pela região. Seus Status também aumentam conforme você vai progredindo. Além disso, sempre que você voltar para a cidade de Casnan com um progresso na exploração da região, receberá itens e dinheiro da governadora. Esses incentivos de gameplay funcionam muito bem para fazer com que o jogador se interesse em explorar todo o mapa, revisitar locais com novas habilidades e sentir que sempre está progredindo no jogo.

Além disso, o jogo tem controles responsivos e uma excelente trilha sonora

O que faz tudo funcionar nesse jogo é o quão gosto é joga-lo. O ritmo de luta é rápido e os controles são muito bem responsivos. O jogo possui combos bem simples, mas sempre é gostoso executá-los. Além dessa jogabilidade responsiva, o sistema de refinar seu equipamento com itens encontrados pela região e acrescentando tanto atributos quanto efeitos — você pode fazer sua arma deixar o inimigo mais lento, paralisado, queimar e muito mais — deixa tudo mais recompensador e gostoso de executar.

A cereja do bolo é o sistema de “Flash Guard” e “Flash Move“. Caso você se esquive no momento correto, você executa um Flash Move e o inimigo fica extremamente lento. Caso defenda no momento correto, executará um Flash Guard e além de não levar nenhum dano do ataque nos próximos segundos, todo golpe será crítico. Esse sistema de defesa e esquiva te incentiva a prestar atenção no que está fazendo, e não ficar só esmagando o botão de ataque.

Todos esses pontos positivos brilham mais com a trilha sonora do jogo, que como tudo que joguei da Falcom, possui uma trilha extremamente competente. Memories of Celceta não descarta completamente seus antecessores. Além de reutilizar locais, personagens e alguns contextos, muitas músicas trabalham em cima dos Ys IV anteriores. Contudo, confesso que achei a trilha sonora de Ys: Mask of Sun mais variada.

Ok, o jogo é bom mas e como um port de PS4?

O port de Playstation 4 não é ruim, mas senti falta de um trabalho mais cuidadoso. Ys VIII: Lacrimosa of Dana saiu originalmente para Vita, mas sua versão de Playstation 4, além de conteúdo adicional, recebe todo um trabalho que te faz sentir que está jogando um jogo de console de mesa. A minha primeira reação com Ys: Memories of Celceta foi pensar “isso aqui foi claramente feito para um console portátil“.

Além da questão óbvia dos gráficos, eu sinto que a câmera do jogo não era perfeita nem para o Vita. O jogo possui uma câmera automática que desconsidera quase que por completo o segundo analógico. A minha sensação era de jogar um jogo de Playstation 2, quando ainda não lidávamos tão bem com um controle com dois analógicos. Não que a câmera seja um grande problema, ela tem uma visão bem ampla e poucas vezes tive muitos problemas, mas algumas vezes desejava mudar a mira do inimigo e a câmera não contribuía, ou tinha vontade de mexer só um pouco a câmera pro lado pra ajustar algo.

Mas, meu maior problema foi o mapeamento de botões. Você até pode remapear botões nesse jogo, mas apenas os de face. Em Lacrimosa of Dana você pode esquivar e se defender com os gatilhos, e isso era excelente e intuitivo. Porém em Ys: Memories of Celceta, demorou um tempo para me acostumar a atacar, esquivar, trocar de personagem e defender só usando os botões de face. Arriscaria dizer que o jogo foi pensado originalmente para o PSP, e por isso não implementaram tão bem o esquema de controles e uma câmera pensada para um segundo analógico.

Mas no fim das contas, Memories of Celceta ainda vale muito a pena

Mesmo num contexto onde exista um sucessor que aprimora tudo que Memories of Celceta faz e ele não seja o jogo mais ideal para se jogar fora de um portátil, as qualidades dele ainda se seguram. Talvez se você tenha jogado Lacrimosa of Dana antes sinta uma estranheza maior, mas ainda há muito o que se aproveitar no jogo. E a Falcom sabe disso, tanto que o jogo não é vendido a preço cheio. Talvez Ys: Memories of Celceta seja a melhor porta de entrada para toda a franquia, mesmo não sendo o ápice da série.

O jogo foi testado num Playstation 4 e está disponível para PSVitaPC.

Agradecimentos a Marvelous por fornecer o jogo

Selo Ouro: Recomendável

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Sobre o Autor

Jean Kei