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Yamada-kun and the Seven Witches | Como uma comédia romântica conserta um harém

Embora esteja atrasado para o Halloween, acredito que não poderia deixar de falar sobre Yamada-kun and the Seven Witches e sua fórmula que “conserta” o gênero harém. Com o lançamento dublado. do show pela Crunchyroll vi esta como a oportunidade perfeita para finalmente falar sobre Ryuu Yamada e sua bizarra história de amor.

Yamada e Shiraishi trocam de corpo

Escrito e ilustrado por Miki Yoshikawa, Yamada-kun to 7-nin no Majo, como é conhecido no Japão, começou a ser serializado em 22 de fevereiro de 2012 e teve seu último capítulo lançado exatamente cinco anos depois em fevereiro de 2017. O mangá foi concluído com 28 volumes, e embora ainda não tive a oportunidade de lê-lo, fui capaz de assistir a adaptação de 2015 de mesmo nome. Vale citar que anteriormente Yoshikawa havia trabalhado como assistente de Hiro Mashima, autor de Fairy Tail.

A adaptação em anime produzida pelo estúdio Liden Films foi transmitida de abril a junho de 2015, contando com 12 episódios. A série também conta com dois episódios especiais, o primeiro lançado em dezembro de 2014 juntamente ao volume 15 e o segundo em maio de 2015 com o volume 17.

A história gira em torno de Ryuu Yamada, um jovem que estava decidido a mudar sua atitude e começar uma vida estudantil nova. Porém, ele acaba ficando conhecido como um delinquente preguiçoso que sempre se mete em brigas. Um dia, ele beija Urara Shiraishi por acidente ao cair da escada. Logo, ambos descobrem que trocaram de corpos, o que pode ser algo vantajoso como problemático.

Ele praticamente beija todos os personagens. Todos.

Yamada-kun é um anime harém que funciona. Através das atividades do Clube de Estudos Sobrenaturais eles descobrem que existem várias garotas na escola como Shiraishi que tem algum tipo de poder, o qual Yamada pode conseguir através de um beijo. Através desta mecânica, Yamada-kun conserta o maior ponto fraco dos animes harém, onde todas as garotas da trama, por algum motivo inexplicável gostam do protagonista de uma forma sexualmente abusiva.

A história funciona sob a ideia de que Yamada pode conseguir o poder de quem ele beijar, isto é, se esta for uma das sete bruxa. Em Yamada, é estabelecido bem cedo na trama o interesse de Ryuu por Shiraishi, logo, o espectador fica ciente que o fato de Yamada beijar outras garotas não é só um conflito entre os personagens como interno para o próprio Ryuu, hesitante que isso possa arruinar suas chances com Shiraishi.

De fato, isto é algo que realmente me surpreendeu enquanto assistia ao show, a forma como o protagonista hesita em beijar outras garotas mesmo que haja o desejo, mas apenas pela afeição do menos por causa de uma garota específica. Não posso negar que diversas vezes eu ri histericamente ao ver Yamada tentar driblar a situação ao máximo para que ele pudesse beijar Shiraishi, mesmo que tivesse que arranjar a desculpa mais extraordinária possível.

No fim, o que realmente diferencia um show é sua capacidade de inovar ao executar uma mesma ideia. Yamada-kun faz isto com maestria ao utilizar o elemento das bruxas para desenvolver seus personagens. Cada bruxa tem um poder condizente com algum aspecto da sua personalidade, isso ajuda a criar um background dramático que mesmo não sendo o foco da trama, serve para enfatizar a realidade das personagens.

Enquanto não posso falar absolutamente nada sobre um mangá que sequer li, certamente posso afirmar que Yamada-kun é um excelente anime. Não apenas como um harém, mas como uma história de amor, mesmo que bizarra onde todos os personagens acabam se beijando em algum ponto da história.

Devo dizer que o desenvolvimento dos personagens e conceito da trama tornam alguns personagens incrivelmente trágicos, como a irmã de Miyamura ou Saioniji. Estes personagens por sua vez tornam a trama ainda mais interessante, indo além de apenas beijos descompromissados e um objetivo superficial.

Eu assisti o show pela primeira vez quando eu estava no meu primeiro ano do colegial, e para fazer este texto me senti na obrigação de assisti-lo novamente. Aproveitando a chance, acabei dando um olhada na dublagem brasileira de Yamada-kun pelo Crunchyroll.

Pessoalmente, eu não um grande fã de dublagem, isso é um fato que todos que me conhecem sabem. O que pode soar uma grande hipocrisia vindo de alguém que assistiu animes dublados durante toda a infância, como Dragon Ball Z ou Cavaleiros do Zodíaco. Porém, com o recente lançamento de One Punch Man dublado pela Netflix, passei a tolerar dublagem um pouco mais considerando excelente trabalho que foi feito.

Quanto a dublagem de Yamada-kun and the Seven Witches pelo Crunchyroll, devo admitir que ficou boa. Como alguém que raramente assiste a algo dublado, acredito que não terei propriedade para falar sobre o assunto, ainda sim, acho que a dublagem não ficou nada mal. E pelo visto, as opiniões da comunidade quanto a dublagem tem sido até que positivas.

Ao terminar de assistir o anime novamente, senti a necessidade ir correndo ler o mangá. Embora não tenha muito tempo no momento, e ainda pretenda voltar a falar sobre outras séries como Monogatari, pretendo ler o mangá de Yamada-kun, mesmo que não chegue a falar sobre o mesmo aqui.

Yamada-kun and the Seven Witches me surpreendeu tanto como uma comédia romântica quanto um harém. É o tipo de show que eu recomendo especialmente para aqueles que preferem uma comédia romântica mais agitada mas que ainda sim consegue entregar uma história satisfatória.

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Sobre o Autor

Luis Alex Butkeivicz

Estudante colegial, fã da cultura pop japonesa moderna e contemporânea aka otaku e escritor

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