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West of Dead mistura ação e precisão em um velho-oeste diferenciado

Escrito por Jean 'Kei' Badji

West of Dead é um jogo roguelike desenvolvido pela Upstream Games e distribuído pela Raw Fury. A minha primeira impressão com West of Dead foi bem mista. A estética e uso de luz do jogo me chamou bastante atenção, mas achei a dificuldade e os controles um tanto frustrantes.

A primeira fase era ridiculamente fácil enquanto a segunda teve um salto muito grande de dificuldade. Não consegui me adaptar bem com a mira não tão precisa e nem com o ritmo que o jogo exigia. A minha primeira partida nesse jogo me fez ter dificuldade em insistir em uma segunda vez.

Mas que bom que insisti.

Com um pouco de insistência eu fui entendendo melhor os controles e me adaptando bem. West of Dead te exige um ritmo entre ser cauteloso e metódico e agressivo. Enquanto é muito importante ficar em coberturas e tomar cuidado com o cenário, ficar parado por um tempo considerável pode ser fatal. Mas tudo bem morrer, é bem provável que demore um pouco pra você chegar longe no jogo até se acostumar com o combate e que tipos de armas você se da melhor.

E do que se trata a jogabilidade de West of Dead?

Bem, West of dead é um Dual Sticker Shooter e um roguelike. O que significa que ele é um jogo sobre repetição. As fases são procedurais e o mapa muda a cada partida. Nenhuma partida será igual a outra. Itens, locais onde inimigos estarão, quantidade de inimigos serão aleatórios, o que te obriga a ter estratégias variadas.  Em uma partida, você pode achar uma ou duas pistolas, e uma shotgun de alto nível, já na outra, você sequer acha uma machadinha.

Roguelikes são jogos um tanto difíceis de ter um equilíbrio de variedade e recompensa, pois a natureza aleatória pode matar o seu senso de progressão. Uma maneira comum desse tipo de jogo dar um senso de progresso e recompensa é dando upgrades permanentes entre as partidas e itens novos desbloqueáveis. West of Dead além de fazer isso, tem uma narrativa separada em capítulos.

No jogo, você tem uma pequena área inicial sem inimigos, onde há alguns NPCs para conversar e um local indicando os itens que você desbloqueou e podem aparecer nos mapas, uma estrutura que me lembra bastante Dead Cells.

A cada três fases do jogo, você enfrenta um boss e recebe um pouco de historia como recompensa, que leva em consideração a repetição constante de suas mecânicas e pode até apresentar NPCs e diálogos novos na área inicial de acordo com a progressão de capítulos.

Ok, mas sobre o que é essa história?

West of Dead conta uma história sobre um homem que morreu e está numa pós-vida sem nenhuma memória de quem ele era enquanto vivo. Tudo que ele sabe é que deve encontrar um “pastor”. Ao fim  de capitulo, o personagem descobre alguma coisa sobre si e sobre o que está acontecendo. Independente de seu progresso, em toda partida você acordará num bar, irá fazer alguns comentários sobre aquele mundo ou sobre algum NPC e seguirá em sua jornada por esse mundo dos mortos surreal com estética de velho oeste.

Uma estética muito boa, por sinal

O clima surreal, a trilha sonora e o uso de luz são as melhores coisas que esse jogo tem para oferecer. O jogo passa muito bem um clima de opressão. Os cenários são escuros e inimigos se camuflam por lá, é possível usar lamparinas espalhadas pelo mapa para iluminar o caminho e atordoar quem estiver por perto. Esse elemento de luz e escuridão faz com que você nunca tenha certeza de quem está enfrentando de cara e te incentiva a ter um nível de atenção maior. Sempre quando a batalha dentro de uma área acaba surge uma pequena música de vitória para indicar, essa música da uma sensação de alívio e satisfação de forma com que poucos jogos conseguem dar.

Mas nem tudo é perfeito

Bem, mesmo saindo do Early Access, ainda sinto que West of Dead ainda não está em sua melhor forma. Os controles poderiam ser um pouco mais precisos e a dificuldade ainda precisa estar melhor balanceada. Nem estou dizendo que o jogo deveria ser mais fácil, mas se a primeira fase fosse um pouco mais desafiadora, a curva de dificuldade seria mais amigável do que o salto extremo que dá. Algumas poucas vezes a aleatoriedade do jogo te coloca em situações absurdas demais, como uma vez que desci escada e fui abraçado por dois inimigos explosivos e um cara com uma shotgun antes de terminar a animação de descer da escada e poder fazer algo de fato.

O jogo além de tiro, tem ataque corpo a corpo. O fato de ambos serem no mesmo botão e a distancia ser única coisa que faz um se discernir do outro, causa alguns problemas. Algumas vezes quis bater pra me afastar e não foi o suficiente, outras quis atirar de perto e bati. Os primeiros chefes principais serem mais fáceis do que subchefes também é algo que me incomoda.

No fim das contas, West of Dead é um bom jogo, com uma estética muito legal e com uma jogabilidade divertida. Porém as qualidades do jogo não ofuscam seus problemas de qualidade de vida. Com algumas atualizações e polimento, esse jogo pode crescer muito mais.

Agradecimento à Raw Fury pelo envio do código. O game foi testado no PC e está disponível também para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch

Selo Prata: Considerável

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Jean 'Kei' Badji

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