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Vice é explosivo e descontrolado ao estilo americano

Quando pensamos no vice-presidente dos Estados Unidos… Espera, vamos ser sinceros, ninguém pensa nisso, porém, o diretor Adam McKay, o mesmo que comandou A Grande Aposta em 2015, parou um pouco em um belo dia e decidiu fazer um filme sobre Dick Cheney, o vice-presidente mais polêmico de todos os tempos. Mas o filme Vice é bom? Vamos ver…

Assim como em seu último longa-metragem, McKay aposta em um drama com camadas que vão para um caminho satírico. O primeiro ato de Vice já nos apresenta elementos que ganham uma crescente durante o filme, narração exagerada, letras aparecendo na tela o tempo todo, pausas para explicar quem são as pessoas. Há uma exposição gigantesca por parte do roteiro para tentar criar uma acessibilidade maior.

A exposição verborrágica talvez seja o que mais afete o filme. O filme sente uma necessidade de escrever para quem o assiste cada ponto e vírgula da história, muitas vezes tirando o peso da trama em si e das falhas tentativas de dramatizar momentos. Não há valor algum na exposição, ela não ajuda na construção da história, é uma auto-explicação desnecessária e que chama o público de burro.

Outro grande problema no filme é a falta de equilíbrio de seus elementos, sobrecarregado de tramas e ideias, muitas ficam deslocadas e mal utilizadas. A direção de McKay por outro lado não é tão ruim, apesar de ser aquém de algo bom o bastante para a indicação que lhe foi ganha no Oscar, o diretor trabalha bem alguns elementos e ideias e sabe encontrar certo humor na irregularidade de seu filme, fazendo algumas inserções aleatórias funcionarem.

Já as atuações principais estão ótimas. Christian Bale, apesar de não estar em seu melhor papel, faz uma boa “imitação” de Dick Cheney, dando um charme ao personagem, junto com Amy Adams, que está fantástica como Linne Cheney e consegue dar ao roteiro um valor maior que ele realmente tem. Já Steve Carell faz uma atuação fácil e Sam Rockwell está longe de uma grande performance como George W. Bush, mas ambos fazem trabalhos regulares.

Outro grande impulso para que o filme ganhe força e qualidade é a montagem, essa que dá fluidez a história e faz com que, mesmo explosivo e descontrolado, o longa pareça melhor. Com essa fluidez, a história fica bem contada e o que é demasiado no roteiro fica mais palpável. A montagem em conjunto com a maquiagem e cabelo fazem com que a passagem de tempo do filme fique crível.

Vice não é um grande filme, apesar de encontrar boas ideias e bons momentos, Adam McKay entrega um filme expositivo e irregular, mas com ótimas atuações e certo valor de entretenimento que acrescentam na obra e não permitem que ela fique totalmente vazia.

Vice já está nos cinemas.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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