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Toy Story 4 | Divertido e emocional, franquia prova que ainda tem algo a nos dizer

Com um encerramento digno quase 10 anos atrás, poucas pessoas ficaram animadas com a ideia da Pixar de realizar um Toy Story 4, porém, aconteceu. Felizmente, o filme ganha um novo olhar e mostra que a, agora quadrilogia, sempre tem algo novo a dizer.

Nos primeiros minutos do filme nós somos apresentados à trama por um flashback de nove anos antes, onde vemos todos os brinquedos reunidos para resgatar um deles que está em perigo. Neste flashback, descobrimos finalmente com que aconteceu com a boneca Bety (Annie Potts), que havia ficado de fora no filme antecessor, e nesse, tem uma participação grandiosa e vital.

O novo diretor, Josh Cooley, logo mostra traços de direção interessantes em não fazer uma transição brusca da cena no passado para o presente, e sim nos relembrar dos momentos vitais que levaram o filme até ali, através de transições inteligentes e fluídas. É notável aqui que o filme reconhece que o público seria nostálgico ao rever os adoráveis personagens, por isso, a nostalgia é injetada diretamente na trama, ajudando a narrativa a andar durante boa parte do filme.

Depois da introdução, a história começa a fluir. Garfinho (Tony Hale), um personagem novo feito (literalmente) por Bonnie (Madeleine McGraw) no Jardim de Infância, é o que faz a trama começar a girar. As diversas, e divertidas, tentativas de se atirar no lixo do personagem, fazem com que Woody (Tom Hanks) o salve nas mais complicadas situações, os levando a se perderem de Bonnie durante uma viagem de família.

Uma das questões trabalhadas pelo filme é sobre o significado da existência, algo que já foi trabalhado em outros filmes da franquia, mas aqui, é feito de forma diferente, utilizando vários pontos de vista, além do próprio cowboy ter seu próprio questionamento de lugar no mundo, após tantos anos com Andy. O roteiro de Andrew Stanton e Stephany Folsom é consistente e sabe lidar com todas as filosofias que o filme se dispõe a discutir. Enquanto Cooley as coloca em pratica de uma maneira divertida e pontual.

A direção de Cooley consegue fluir entre os mais diversos gêneros, e isso garante que as situações não fiquem repetitivas. O filme consegue ser dramático, mas também ultrapassa linhas corajosas, enquanto flerta com um suspense e terror nas cenas da vilã Gabby Gabby (Christina Hendricks) e seus bonecos de ventríloquo. Mas a parte cômica aqui é garantida por diversos personagens, o humor vem principalmente dos novos coadjuvantes, Ducky (Keegan-Michael Key), Bunny (Jordan Peele), Giggle McDimples (Ally Maki) e Duke Caboom (Keanu Reeves), que conseguem tirar risadas do público e ainda assim tem arcos interessantes.

Apesar de todas as qualidades, o filme não tem tanta confiança na compreensão do público, talvez por ainda apostar num público muito jovem, isso acaba criando diálogos extremamente expositivos. E os antigos coadjuvantes, como Jessie, Rex ou Sr. Cabeça de Batata, não tem grande participação aqui, com uma consciência que a trama deles já foi encerrada no filme anterior, o longa não arrisca dar peso para eles, dando total protagonismo ao Woody e a ideia de renovação.

Buzz Lightyear (Tim Allen) por outro lado é injetado na trama de maneira que funcione de apoio para Woody, mas não tem tanto peso quanto nos filmes anteriores. Toda a construção dada ao longa e envolta do protagonista fazem o final ser emotivo o bastante, não no mesmo nível do filme anterior, mas ele entrega um encerramento digno, talvez não para a franquia em si, que mostrou que as mentes por trás podem sempre ter novas ideias para se renovar, mas o público que conhece e ama os personagens a tanto tempo vai se emocionar.

Visualmente, assim como Os Incríveis 2, a Pixar mostra uma extrema evolução na parte gráfica, com a computação de mais alto nível na criação de cenários e texturas. Além da animação extremamente bem realizada, a fotografia do filme consegue casar com a direção de Cooley em cada frame, trazendo belíssimos planos. A trilha é utilizada de maneira correta para gerar emoções durante o filme, mas as músicas clássicas conseguem ser introduzidas de forma ainda mais acertada.

Divertido e cheio de ótimas ideias, Toy Story 4 reconhece o encerramento do filme anterior, mas injeta fôlego à franquia, com um filme bem escrito e uma direção excepcional, que mostra que ainda tinham algo a nos dizer e ainda garante lágrimas com a aventura dos seus já amados personagens.

Toy Story 4 já está nos cinemas.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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