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Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 é mais do que apenas nostalgia.

Escrito por Jean Kei

Tony Hawk’s Pro Skater é uma franquia que inegavelmente marcou uma geração. Mesmo tendo um hiato muito grande após títulos desastrosos (Pro Skater 5, to falando de você) ainda havia um carinho muito grande por parte das pessoas. A evidência desse carinho foi que desde que Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 foi anunciado, vi pessoas que nem jogam mais videogame empolgadas para revisitar um jogo tão querido do final da década de 90.

As expectativas para o game aumentaram bastante sempre que o jogo indicava que estava tomando um caminho fiel aos dois primeiros jogos originais, conseguindo licenciar várias das músicas memoráveis, e com músicas novas que combinavam muito bem com o espírito dos jogos. Bem, o jogo lançou e felizmente é exatamente o que você espera de um jogo bom da franquia Tony Hawk.

Mas do que se trata Tony Hawk Pro Skater 1+2?

Tony Hawk Pro Skater 1+2 é um jogo de skate focado em fazer manobras variadas pelo cenário. É um jogo que abraça um lado arcade pra ser fácil de se compreender e não se preocupa com realismo de quase nenhuma maneira. Mas isso não significa que o jogo é trivial. Fazer manobras elaboradas e combos grandes pode ser arriscado e provavelmente você vai cair muitas vezes no jogo, mas não demora muito para se notar onde está errando e onde há espaço para melhorias na execução de manobras.
Uma comparação curiosa que posso fazer, é dizer que o prazer que tenho em Tony Hawk é o mesmo prazer que possuo jogando Devil May Cry. Ambos são jogos que focam em você realizar ações de formas variadas, criativas e que te instiga a perseguir combos cada vez maiores. Os verbos são diferentes (afinal, você ta andando de skate, não matando demônios), mas o que move o jogador são coisas parecidas.

E tudo é muito bem executado por causa do bom level design

O jogo contém todas as pistas dos dois primeiros jogos da franquia, e logo de cara mostra o porquê Tony Hawk virou uma franquia tão querida. Cada fase tem uma série de objetivos, envolvendo desde fazer pontuações e combos altos a pegar itens coletáveis pelo cenário. É normal se sentir meio perdido ao chegar numa fase nova, mas isso passa rápido. Ir atrás dos coletáveis serve muito bem para te fazer ficar familiarizado com o local novo e te dar ideias de manobras. Mesmo que você não seja muito bom em executar combos e manobras complexas no jogo, você sempre tem objetivos simples que exigem o básico para estar sempre tendo uma sensação de progresso. Claro, o jogo te recompensa mais se você dominar certas técnicas e executar tudo de forma mais rápida.

Por exemplo, você pode se deparar com um item localizado numa parte superior de uma rua, se você quiser, pode ir normalmente por uma subida e alcançar ali. Porém, se quiser ser mais rápido, pode fazer um wallride e pular direto pra parte mais elevada, que vai lhe poupar tempo e garantir mais espaço para concluir outros objetivos. Aliás, o tutorial é essencial pra quem nunca jogou Tony Hawk, por favor, não pule.

Nas minhas primeiras partidas, tentava fazer as coisas da forma mais segura possível, mas depois de um tempo comecei a fazer tudo encaixando alguma manobra e tentando alcançar lugares de formas criativas. Eu poderia até cair e falhar por tentar sempre encaixar algo arriscado no que fazia, mas nunca era frustrante. Ao longo das fases você pode coletar itens que te ajudam a melhorar seu skatista, e você sempre pode redistribuir os pontos. Então caso você tenha dificuldades em alcançar uma área, talvez redistribuir seus atributos pro personagem pular mais alto seja uma boa.

E o jogo não é frustrante por tudo nele fluir bem

O jogo tem loadings perceptíveis, mas nunca demoram a ponto de frustrar. Isso é bom porque as vezes pra tentar alcançar a melhor pontuação que conseguia, reiniciava uma partida várias e várias vezes até acertar um combo que me deixasse satisfeito. O fato do tempo de loading entre um restart e outro ser curto e a trilha sonora nunca parar, me fazia sempre estar no pique.

A trilha sonora do jogo é excelente e conta com uma playlist que combina completamente com o tema. Caso entre um restart e outro a trilha desse uma pausa, inevitavelmente acabaria rolando um desânimo. Estar sempre ouvindo uma boa playlist faz com que eu sempre esteja de bom humor no jogo, falhando miseravelmente ou fazendo combos maravilhosos, e claro, os controles funcionarem bem ajudam completamente a não se frustrar com o jogo.

Mas nada é perfeito

Por mais que seja o remake de dois jogos e tenha bastante conteúdo para de desbloquear, eu consigo imaginar alguém se enjoando do jogo antes de desbloquear todo conteúdo que tem para ser visto.
O sistema de progressão para habilitar novas fases (quanto mais objetivos em fases completados, mais fases  são desbloqueadas) é bom, mas a customização de personagem depende do seu nível, que as vezes não tem um bom equilíbrio na quantidade de XP ganha. O conteúdo ganho por níveis é primariamente estético, porém.

O online do jogo é legal e funcionou bem num geral, mas o matchmaking não me pareceu equilibrado. Há uma modalidade no multiplayer em que ganha quem graffitar mais partes do cenário, mas eu não faço ideia de como graffitar e o jogo não me explicou (ou eu sou muito burro e não vi essa parte).

No fim, Tony Hawk Pro Skater 1+2 é um ótimo remake

O jogo além de ser uma carta de amor e deixar qualquer fã nostálgico feliz, mostra que a franquia ainda tem potencial e que os primeiros jogos envelheceram bem. Pois a essência de tudo ta lá e ainda funciona muito bem em 2020.

Agradecimentos à Activision pelo envio do código para a review. O jogo foi testado em um PlayStation 4 e está disponível também para Xbox One e PC (via Epic Games Store).

Selo Ouro: Recomendado

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Jean Kei

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