A Marvel Comics divulgou via CBR as primeiras páginas finalizadas de Marvel Legacy #1, onde apresenta os Vingadores Pré-Históricos. A Iniciativa Legacy vai retornar a numeração original das HQs e conectar os personagens da Casa das Ideias a um grande ciclo que vem desde 1.000.000 AC até os dias atuais. Saiba mais detalhes AQUI.
Marvel Legacy #1 será um one-shot de 50 páginas com roteiro de Jason Aaron e desenhos de Esad Ribic. Compõem os Vingadores Pré-Históricos: Pantera Negra, Estigma, Agamotto, Fênix, Punho de Ferro, Motoqueiro Fantasma e Odin. Confira a as páginas na galeria abaixo:
“Marvel Legacy #1 apresentará a todos os fãs – novos leitores e leitores atuais – o melhor salto na história das histórias em quadrinhos”, disse Axel Alonso, editor da Marvel. “O que Jason e Esad criaram é grandioso e mais gigantesco do que qualquer coisa que já vimos antes e introduz conceitos e personagens nunca vistos no Universo Marvel. Os fãs vão testemunhar um olhar novo que começa desde os primórdios dos tempos até o presente”.
Segundo a própria Marvel, a Iniciativa Legacy arma o palco para o próximo capítulo do universo da editora. Logo após a publicação do especial, as HQs que retornam as bancas em outubro nos Estados Unidos com a numeração original e o selo Marvel Legacy.
Você vai ganhar um doce se você adivinhar quem está de volta ao universo da Marvel! Se bem que você já olhou o título dessa matéria, esperto leitor. Sim ela mesmo, a Jean Grey na versão adulta, e junto dela a entidade Fênix. A HQ faz parte da iniciativa Marvel Legacy.
Phoenix Resurrection é um arco de cinco edições que tem roteiro de Matthew Rosenberg e artes de Leinil Yu. E celebrando o poder do personagem e seu status icônico, a minissérie também irá reunir cinco artistas de sucesso não só durante as histórias, mas também nas capas variantes.
“Eventos estranhos nunca foram uma surpresa para os mutantes dos X-Men, mas quando eles começam a acontecer de uma maneira mais especifica e estranha que o normal, o grupo é forçado a confrontar uma verdade: estaria Jean Grey viva? E como essa Jean vai lidar com um mundo que é tão diferente que ela deixou anos atrás?” diz a sinopse de Phoenix Resurrection.
“Matt veio a nós com uma abordagem muito interessante e única para trazer a Jean de volta”, disse Mark Paniccia, editor sênior da Marvel Comics. “Não estava nos nossos planos, mas o jeito que Matt conta a história nos convenceu. É um mistério muito legal para um clímax mental. E tem muito do que esperamos de um épico dos X-Men dessa magnitude. Ação, romance, sacrifício, muitos mutantes e cinco grandes artistas”.
Phoenix Resurrection será lançada em 27 de setembro nos Estados Unidos.
Desde o mês passado vem sendo noticiado internet afora sobre a fase de testes da coleção A Espada Selvagem de Conan que, se a fase preliminar for bem sucedida, ganhará um lançamento nacional e possível serviço de assinaturas, como é de praxe em outros títulos da Salvat.
Porém, algo errado saiu em vários sites e vídeos de internet e viemos aqui explicar do que se trata. Com este celebrado lançamento, a coleção brasileira foi erroneamente divulgada com a seguinte imagem como referência:
Na imagem acima temos já com sua lombada formada em 91 volumes a coleção La Espada Salvaje de Conan, publicada na Espanha pela editora Planeta DeAgostini, que também atua no mercado brasileiro e inclusive já realizou lançamentos em quadrinhos por aqui com a concluida em 70 volumes Coleção Comics Star Wars, que também ganhou uma versão em Portugal.
Porém, essa coleção do Conan da DeAgostini NÃO É a mesma a ser lançada no Brasil. O projeto, que visa publicar em capa dura e formato magazine as 235 edições em preto e branco (assim como no original) do título da Marvel Comics sobre o cimério mais famoso das HQs tem na Europa ao menos DUAS coleções distintas, porém com o mesmo material de conteúdo. Por isso a discrepância nas informações
A nossa coleção será inspirada da versão da editora Hachette, que já está com o material lançado na França e Itália e que, ao todo, terá 70 volumes, 21 a menos que a versão espanhola.
Para tal conclusão, vamos a alguns fatos:
Capas
O início de qualquer edição. É evidente que as capas não são de mesmo trabalho gráfico.
Apesar de várias capas de ambas as coleções estamparem a mesma ilustração, as imagens são apresetadas de outra forma. Além do mais, a edição 1 que a Salvat lançou em teste por aqui tem uma ilustração que equivale à mesma imagem da Hachette. Porém, na versão da DeAgostini, este mesmo desenho da capa só está presente na edição 4.
Lombada
Comparemos das duas lombadas, além da já citada versão da DeAgostini, esta é a versão da Hachette:
Bem diferente, não? O total de 21 volumes a mais(ou a menos) faz toda a diferença. A coleção da Hachette possui exemplares com mais páginas, assim diminuindo o número de entregas.
Conteúdo
A coleção da DeAgostini chegou ao fim, tanto que no site espanhol não é mais possível fazer assinatura. Consultando a relação de entregas, percebemos que a história O Colosso Negro é publicada na edição 3; Na versão na Hachette, a mesma história sai na edição 2. Na DeAgostini temos uma média de 4 a 5 histórias por edição; Na versão da Hachette, o número passa de 7.
Vale lembrar que a Salvat já alterou coleções de lançamento oficial em relação a sua fase de testes. A Coleção Definitiva do Homem-Aranha em sua versão de avaliação tinha capas com design diferentes, sem logotipo e tampouco grande variação de cores.
Além de uma numeração diferente de lombada, que propunha a mesma ideia vista na coleção da capa preta: Lançamentos que não coincidiam com o número da entrega. Por exemplo: A entrega número 1, com a história Caído Entre os Mortos em sua lombada trazia o número 40 por se tratar de uma história publicada em uma data posterior (2004) à entrega número 3, que continha o título A Original Saga do Clone (1975) e em sua lombada o número 5. Com o lançamento oficial, apesar da ordem de histórias ser mantida, a numeração de lombada foi alterada, tendo sua ordem similar à coleção de capa vermelha.
Assim, os volumes distribuídos na fase de testes NÃO NECESSARIAMENTE são iguais à coleção oficial. Porém, há de se pensar que seria muito, mas MUITO DIFÍCIL uma coleção mudar de forma tão drástica, a ponto de alterar todas as características citadas entre a coleção da Hachette e DeAgostini, ainda mais mudar todo o projeto gráfico e conteúdo de cada exemplar em individual.
Portanto, nossa coleção tem tudo para seguir os moldes da versão da Hachette assim como já está sendo feito na fase de testes. Ainda mais porque, em suas coleções de quadrinhos lançadas no Brasil, a Salvat até agora não seguiu nenhuma coleção da DeAgostini lançada no exterior, uma vez que a DeAgostini atua por conta própria no mercado brasileiro há anos. De qualquer forma, melhor aguardar o lançamento oficial.
ATUALIZANDO: De acordo com o site de assinaturas da Salvat, nossa coleção terá ao todo 75 volumes. Não se sabe ao certo o porque do acréscimo de 5 exemplares, uma vez que é uma coleção de material que não é mais editado hoje em dia e a lombada é a mesma da Hachette. A maior suspeita é a diminuição de alguns volumes, mas qualquer informação adicional publicaremos por aqui! Agradecemos ao leitor Marcelo Curvelo pela dica.
A Torre de Vigilância já falou para você, querido leitor, sobre Marvel Generations, o especial de dez histórias produzido pela “Casa das Ideias” que contará com as parcerias entre os heróis originais e aqueles que vieram a assumir depois seus codinomes e funções. Para mais informações clique AQUI.
Marvel Generations começa semana que vem nos Estados Unidos e a editora divulgou uma prévia (via CBR) de Generations: Banner & The Totally Awesome Hulk #1 que reunirá os dois Hulks, o velho e bom Bruce Banner e o novato Amadeus Cho. Confira na galeria abaixo:
“Bruce Banner. Amadeus Cho. Ambos levam a maldição do Hulk. Agora, eles ficam cara a cara, mas será um encontro como amigos ou inimigos?” diz a sinopse de Generations: Banner & The Totally Awesome Hulk #1, que tem roteiros de Greg Pak e desenhos de Matteo Buffagni.
A Marvel Comics vai lançar a minissérie Deadpool vs Old Man Logan. O anuncio foi feito já com a divulgação de algumas páginas, capa da primeira edição e a equipe criativa da HQ. O título será escrito por Declan Shalvey e terá desenhos de Mike Henderson.
“É como fosse uma comédia de dois amigos, que não são tão amigos assim. Com direito a muita briga, explosões e esfaqueamentos que você esperaria em uma HQ com o Deadpool e o Logan”, disse Henderson. “A dupla estão disputando para poder ajudar uma jovem mutante”.
Já Declan Shalvey disse em um comunicado da editora, que a história terá tudo o que se possa querer ver em uma HQ do Deadpool ou do Wolverine. “São personagens que têm muito em comum, mas com personalidades claramente muito diferentes”, disse Shalvey.
Deadpool vs Old Man Logan terá cinco capítulos e começa a ser publicado em outubro. Além de uma capa de Shalvey, ainda terá capas variantes de Ron Lim e do brasileiro Rafael Albuquerque.
A HQ do Deadpool vai também embarcar na reformulação da Marvel Comics. Na nova fase da editora o Mercenário Tagarela vai voltar as suas origens, ou seja, vai exercer o papel de vilão como na sua criação nos aos 90.
Em The Despicable Deadpool, Wade Wilson terá que sanar sua divida com o vilão Conflyto e o preço é matar quatro pessoas. A primeira dela é o antigo parceiro Cable. Para quem não sabe, Confyto ajudou Deadpool a salvar a família Preston, fato que ocorreu antes de Secret Empire.
A capa criada por David Lopez.
A série vai ter roteiro de Gerry Duggan e desenhos de Scott Koblish. Você pode saber mais sobre a reformulação Marvel Legacy clicando AQUI.
Segundo informações do The Hollywood Reporter, Joan Lee, a esposa da lenda da Marvel Comics, Stan Lee, faleceu nesta quinta-feira em Los Angeles. Ela tinha 93 anos de idade. Foi um casamento de 69 anos.
“Eu posso confirmar a notícia triste que Joan Lee faleceu nessa manhã de forma serena e cercada pela família,” um representante de Stan Lee e sua família disse em um comunicado ao The Hollywood Reporter. “A família pede que vocês por favor deem a eles tempo para se recuperarem e respeitam suas privacidades durante esse momento tão difícil e doloroso.”
Joan Lee sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) no começo da semana e foi hospitalizada, de acordo com fontes.
A modelo britânica e Lee eram casados desde 5 de dezembro de 1947. Eles tiveram duas filhas: J.C. (Joan Celia), que nasceu em 1950, e Jan, que morreu três dias depois do seu nascimento em 1953.
Toda a equipe da Torre de Vigilância deseja paz para a família de Stan Lee, e que ele tenha muita força para superar esse momento.
A Marvel Comics anunciou que vai homenagear discos de rock em algumas capas variantes. As edições escolhidas até agora foram Guardiões da Galáxia, Inumanos, Thor, X-Men Blue e X-Men Gold. Confira as capas na galeria abaixo junto com os seus respectivos discos:
Os artistas autores das capas variantes são:
Guardians of Galaxy #9 – Nathan Fairbairn e Mike Hawthorne
Inhumans: Once and Future #2 – Damion Scott
Mighty Thor #23 – Marco Rudy
X-Men Blue #11 – Daniel Acuna
X-Men Gold #11 – Mile Del Mundo (que ainda não foi revelada)
Como a Marvel Comics não confirmou se vai produzir mais dessas capas variantes, estendendo a homenagem para outras edições, fica a torcida para que possamos ver os maiores heróis da Casa das Ideias em uma arte igual ao clássico dos BeatlesSgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.
Você soube aqui pela Torre de Vigilância que a Marvel Comics vai publicar uma nova série em quadrinhos protagonizada pelo Darth Vader. Essa série vai se ambientar logo após os acontecimentos de Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith, ou seja, o foco vai ser os primeiros anos de Vader, mostrando o vilão bem menos experiente.
A Marvel Comics divulgou uma pequena prévia e as belas capas variantes da edição Nº 1. Confira na galeria abaixo:
“O vilão mais temível de todos retorna em uma série totalmente nova! Quando Anakin Skywalker caiu, tanto para o lado escuro, quanto para o sabre de luz de Obi-Wan Kenobi, ele se levantou mais máquina do que homem. Tendo perdido tudo o que amava, o primeiro escolhido deve dar seus primeiros passos em um mundo mais sombrio… como Darth Vader!” diz a sinopse da HQ.
O roteirista Charles Soule já disse que o primeiro arco vai focar em como Darth Vader começou a usar o icônico sabre de luz vermelho. E que personagens da animação Star Wars: Rebels vão aparecer na nova série.
Darth Vader #1 tem além de roteiros de Charles Soule, desenhos de Giuseppe Camuncoli, e começa a ser publicada nos EUA a partir desse mês de junho.
Há um bom tempo queria entrevistar o Paul Pope. Dono de um traço original e versátil, suas histórias chamavam minha atenção. Nos encontramos em uma cafeteria no meio de uma tarde chuvosa em São Paulo e Pope, muito atencioso como em todas as vezes em que conversamos, falou sobre suas experiências com a Marvel e DC, trabalhos passados, sobre a tão aguardada conclusão do segundo volume de Bom de Briga, projetos futuros, artes e muito mais que você confere logo abaixo, na PRIMEIRA entrevista concedida por ele em 2017!
Muitas das suas HQs são ligadas aos quadrinhos underground pelo estilo do seu traço, que apesar de ter influências de Hugo Pratt, Victorio Girardino, Alex Toth e etc. tem um quê de alternativo. Você já se sentiu como um ”estranho no ninho” ao trabalhar para grandes editoras como Marvel, Dc, Kodansha, Dargaud…?
Às vezes. Vejo a Marvel e DC como se fossem selos de gravadoras. Assim eu seria como um músico de jazz em uma gravadora de música pop. Porque meu estilo é bem diferente comparado ao que é publicado no mainstream americano.
Você já trabalhou para mercados dos Estados Unidos, Japão e Europa. Como essa mistura de ideias e cultura influenciaram em suas histórias?
Sempre me interessei em procurar uma síntese de estilo, quando se tira os melhores elementos de Bande Dessineé, Mangá e os quadrinhos americanos. Deste último, mais precisamente os quadrinhos clássicos e underground, como os do Robert Crumb. Assim se constrói um novo estilo.
Capa de Strange Tales #1 (Marvel Comics, 2009)
Lá pelo ano de 2010 você fez apresentações como DJ. Essas, eram acompanhadas de um vídeo. Algo interessante é que esse vídeo não está disponível em lugar algum. Você também já disse que gosta que as pessoas imaginem como é algo que não é tão fácil de se obter…
Sim, acho importante. Principalmente nessa era onde está tudo tão fácil disponível online acho bom que ainda haja algum mistério. Também acho que há um grande valor em não ter acesso a tudo pois assim pode exercitar sua imaginação. O vídeo ao qual você se referiu tem cerca de 30 minutos de duração e é uma série de trechos de filmes de ficção científica e documentários sobre explorações espaciais, porém exibidos em um ritmo mais lento. São luzes, lens flares, planetas e imagens cósmicas. Uma espécie de filme impressionista para reagir com a música…
…é por isso (o não tão fácil acesso às coisas) que o protagonista de Bom de Briga tem um passado obscuro? Algo que não acontece com a Aurora West, que tem uma HQ contando seu passado?
Acho que porque o Bom de Briga é descendente de deuses; A Aurora, de humanos. Aurora representa heróis como o Homem de Ferro ou Batman, que não têm superpoderes, apenas trajes e aparatos modernos. Pelo BB ser um Deus acho que é necessário ter um quê de mistério sobre suas culturas, por isso não vemos muito sobre ele.
Você costuma desenhar ouvindo música. Em imagens do seu estúdio já vi pedais de distorção e cabos de amplificador pelo lugar. Música é seu Heavy Liquid (referência a uma HQ homônina de Pope. Inédita no Brasil)? É como o Robin que seu Batman na história Teenage Sidekick precisa para não se tornar um Coringa?
[Risos] Eu vim de uma família de músicos. Sempre gostei de tocar e gravar. Essas coisas estão lá porque costumo usá-las. Já fiz trilhas e vários amigos meus de Nova York são músicos e compositores de Jazz e Rock. Sou muito influenciado por música pois não há aspectos visuais nela, apenas sons. Por sua vez, quadrinhos não tem som. Por isso penso que música pode ser um complemento para a arte de fazer HQs.
Uma grande influência sua, Hugo Pratt, depois que criou o Corto Maltese se tornou mais sério perante seu público. Ele achava que não levariam a sério o Corto caso os leitores percebessem que seu autor era frívolo. Algum personagem ou autor influenciou sua forma de pensar e agir depois de você ler suas histórias?
Você diz sobre a relação entre arte e o autor ou sobre mim mesmo?
Pode ser sobre as duas coisas.
Pratt é intrigante porque ele é uma figura tão internacional. Admiro muito ele e Moebius, que deixaram seu país para ir a outros lugares. Também vejo isso em Attilio Micheluzzi, que era arquiteto na Líbia até Muammar Gaddafi chegar ao poder e aí [voltando à Itália] começou a fazer quadrinhos. Outro é Daniel Torres, que foi escultor na Espanha. Como minha formação é de História da Arte e Artes Visuais, comecei nos quadrinhos após 8 anos de faculdade, onde eu pintava esculpia e fazia coisas do gênero. Dessa forma, me sinto mais como um autor europeu, desses autores que transitaram entre outras artes antes ir aos quadrinhos…
Por isso você se tornou um quadrinista ao invés de músico?
De certa forma. Quando eu era mais jovem toquei muito. Tive bandas, fiz shows. Era necessário muito tempo dedicado para ambas as artes então tomei a decisão dos quadrinhos ser a arte dominante. Já fiquei sem tocar guitarra por 2 ou 3 anos daí voltei. Hoje em dia voltei a fazer e gravar música. É interessante, porém não tem como tomar a maior parte do meu tempo. Também tenho interesse em esculturas. Estou fazendo esculturas de brinquedo, porém não tenho tempo de fazer algo em bronze ou outro tipo de metal.
Quando Escapo foi reeditado, sua publicação veio em cores. A primeira era preto-e-branco. No posfácio da edição em capa dura você diz que obras em cores vendem. São mais atrativas aos leitores.
Saíram duas histórias de Escapo. Existe uma terceira história dele que devo publicar quando os direitos sobre o personagem voltarem para mim. Quando eu reeditar, vai ser em preto-e-branco novamente. Alguns projetos levam muito tempo para serem concluídos. Comecei as histórias do Escapo em 1995; A segunda história saiu em 2001. Por volta de 2008 voltei a mexer com Escapo, quando finalmente tive ideias para uma nova história. Portanto, demorou quase 20 anos para chegar ao fim.
É por isso (sobre o uso de cores) que Bom de Briga tem um traço mais limpo, sem muito uso de preto e sombras? Mas porque Rise of Aurora West é em preto-e-branco?
[sobre Bom de Briga] Sim, é isso mesmo. [sobre Aurora West] foi uma decisão editorial, não minha. Assim como o formato de Bom de Briga. Não gosto muito daquele formato publicado. É muito pequeno. Mas estou conversando com a editora para ter edições publicadas em um formato maior.
Capa de Fall of the House of West (First Second books, 2015)
Mas esse formato não foi uma ideia para poder encaixar em estantes de bibliotecas?
Sim. Nesse sentido, isso é muito bom porque a First Second (selo da editora Roaring Brook Press que publica Bom de Briga nos Estados Unidos) é bem conservadora. Publicaram diversos livros mas apenas recentemente começaram a publicar Graphic Novels. Mas acho que precisamos, além de experimentar esse formato que custa em média 10 dólares e de disponibilidade em bibliotecas, também ter publicações em formatos maiores e em preto-e-branco atrativo a outros públicos, que gostam de apreciar a arte. Por isso estou conversando com a editora para tornar isso possível.
Agora que você finalmente está concluindo Bom de Briga, você mira fazer desta obra algo imortal, uma HQ para ser lembrada para esta e as próximas gerações. Quais obras você considera neste nível?
Os quadrinhos d’O Pato Donald feitos por Carl Barks, o Tintim de Hergé, qualquer obra do Katsuhiro Otomo ou [Osamu] Tezuka, Robert Crumb, o Bone de Jeff Smith, espero que Bom de Briga… Tudo que Jack Kirby fez para a Marvel nos anos 60 e começo dos anos 70, qualquer uma feita por Moebius, como Incal… acho que essa já é uma boa lista.
Você considera Bom de Briga sua obra mais pessoal? Pelo tempo dedicado, ideias colocadas na história e etc.
Acho que foi a mais exigente, porém não a mais pessoal. Tenho um projeto com a Dargaud chamado Psychonaut que considero muito pessoal. É sobre sonhos e análises sobre os mesmos. E isso é um contraponto com Bom de Briga que é algo mítico, uma jornada heroica ou a minha versão a respeito disso. Por isso [em BB] tentei colocar tudo que acho bacana e que não existe em quadrinhos para leitores mais jovens. Algo contemporâneo e ainda assim clássico. O lado interessante da publicação é que tenho conhecido leitores de cerca de 12 anos de idade que leram BB e essa é a única HQ que eles têm até então. Isso é ótimo, um jeito de apresentar graphic novels a uma nova geração.
Curiosa essa resposta porque eu estava para perguntar sobre um projeto da Dargaud antes chamado La Chica Bionica. O que aconteceu com esse projeto? E qual é o novo nome?
Agora se chama La Bionica e é um tipo de ópera. No momento tenho dois contratos com a Dargaud: Um para Psychonaut, outro para La Bionica. Sobre o cronograma, ambos são projetos exigentes. Psychonaut se tornou mais dominante. Então, estou terminando Psychonaut junto com Bom de Briga e La Bionica virá depois. Desta última, tenho cerca de 30 páginas finalizadas de um total de 76. Psychonaut é um pouco maior e faltam, talvez, 10 a 15 páginas para terminar.
Há algum prazo para o lançamento de tal?
Não. Haverá quando sabermos exatamente onde acaba e quando eu puder entregar estas páginas. É o mesmo com Bom de Briga no momento, que está em processo de enviar das páginas para os próximos estágios de produção. Em BB a história já foi escrita e estou terminando as páginas do segundo volume mas não há como colocar no programa de lançamento antes de tudo estar finalizado e daí podemos trabalhar a respeito disso. Eles [os editores] não querem que eu divulgue exatamente quando a HQ deve sair ainda mas acredito que no próximo ano, provavelmente.
Bom de Briga é para todas as idades, igual várias séries animadas do Cartoon Network (Hora de Aventura, Apenas um show…). Qual foi a parte mais difícil de agradar todos os públicos, sendo que hoje a média de idade dos leitores de quadrinhos nos EUA varia de 27-35 anos para homens e 17-26 para mulheres? A DC Comics já recusou um projeto seu sobre o Kamandi por este motivo (não coadunar com o público-alvo).
Respondendo a primeira parte da pergunta, eu procuro não me preocupar sobre às expectativas do público. A parte mais difícil de Bom de Briga além da história por completo, o quanto levará para ser feita e todos os diferentes altos e baixos tem sido a necessidade de compromisso com a editora porque também sou diretor de arte, todas as minhas HQs têm se saído bem e eu tenho controle sobre o design de minhas publicações e, à partir do momento que não tenho é muito frustrante para mim porque é limitar o que os leitores mais jovens estão aptos a ver sobre o potencial da obra. Por isso também estão disponíveis apenas estes volumes menores por enquanto, mas como eu disse, estou trabalhando para mudar isso. E é verdade, eu tive conversas com a DC sobre uma publicação dedicada um público mais velho. Na época, era para ser do Kamandi mas, conversando com Frank Miller e tendo em vista a repercussão da minha HQ do Batman [Ano 100] e o potencial de trabalhar com uma grande editora, esta dentre as seis maiores do mundo [Holtzbrinck Publishing Group, atual dona da Roaring Book Press] com possibilidade de licenciamento em diversos idiomas ao redor do mundo e a chance de minha publicação sempre estar em circulação, acho que esta foi a decisão mais sábia, especialmente considerando quando o projeto do Kamandi não foi adiante e vim com uma ideia original. São meus personagens. Eu poderia fazer um personagem como o Batman mas ELE é o original. Ele é diferente. Acho que os mais jovens estão procurando por isso porque eles já têm o Capitão América, Star Wars, Mickey Mouse… todos estes hoje são da Disney. Então eles precisam de coisas novas. Hora de Aventura é este sucesso porque é novo.
Página interna de Bom de Briga (Companhia das Letras, 2014)
Em uma entrevista ao Omelete durante a Comic Con Experience de 2016, você disse que só recentemente estava descobrindo novas HQs graças a todos esses anos dedicados a esta graphic novel. Qual foi a última grande HQ que você descobriu?
Acabei de comprar aqui uma HQ muito perturbadora chamada Psico Sour[de Ronaldo Bressane e Adams Carvalho]. É uma história muito pornográfica e violenta, mas que prende muito sua atenção por ser poderosa. Esta é literalmente a última HQ que comprei. O Daniel Semanas [que estava presente na cafeteria durante a entrevista] também acho que é um talento muito promissor. Gosto também do Bruno Seelig, que visitei esta semana. [Rafael] Coutinho também gosto muito. Acho que aqui no Brasil há muitos artistas talentosos. Essa uma das razões porque estou investindo tempo aqui além de ter amizade com artistas como Rafael Grampá, Fabio Moon e Gabriel Bá. Estou interessado em conhecer mais artistas aqui porque acho que têm uma cultura e abordagem diferente de fazer quadrinhos. Não me sinto tão à vontade, por exemplo, comparado aos quadrinistas independentes dos Estados Unidos e Canadá, apesar de por lá conseguir trabalhar sem problemas no mainstream.
Você planeja falar sobre este sincretismo da sua arte com a forma que fazemos quadrinhos aqui durante a sua Masterclass no b_arco*?
Espero que sim. Pretendo focar em compartilhar ideias fundamentais sobre como desenvolver um estilo. Quando eu estava na Escola de Artes sempre tínhamos críticas sobre pintar e até passávamos o dia debatendo ideias de como fazer e entregar esse método de trabalho. Acho que essa é a coisa mais importante para alguém: Esse senso de processo pessoal. De você saber como desenvolver, produzir e sobreviver nos quadrinhos, design, Graphic Novels ou mesmo enquanto se administra [estas artes] com outro trabalho. Tudo que pode te ajudar a se tornar melhor no que faz penso que é importante. Até de forma comercial, talvez.
Para finalizar, uma bem rápida: O que você acha que precisa ser feito para, igual sua mensagem ao fim da história Teenage Sidekick, fazer as pessoas lerem mais quadrinhos?
Pessoas precisam continuar fazendo material surpreendente e recompensador [de ser lido]. Continuar inventando. Eu estou tentando o meu melhor, Bom de Briga é novo e chegou ao topo dos mais vendidos do New York Times em sua categoria, é publicado em vários idiomas, possui contrato para a produção de um longa-metragem que está em desenvolvimento pela Paramount, há uma linha de brinquedos a serem lançados em breve… há muita energia em volta de Bom de Briga. Novos desafios necessitam mais tempo e concentração nas novas áreas da franquia, mas no fim das contas estou escrevendo e desenhando uma história original então procuro balancear todos estes elementos.
*Nota: A entrevista foi concedida na véspera da Masterclass na escola de artes b_arco, ocorrida em 27 de abril de 2017.