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Stranger Things 3 tem início lento, mas atinge clímax fantástico e grandioso

Desde a sua grandiosa estreia em 2016, Stranger Things vem conquistando cada vez mais fãs, e com isso, a Netflix investe cada vez mais dinheiro na série. Com o terceiro ano do show estando finalmente entre nós, podemos notar como o que inicialmente parecia um show de referências, agora se torna um espetáculo que caminha muito bem sozinho.

Desta vez, o grupo de adolescentes precisa lidar com estranhos acontecimentos que acercam o estranho shopping Starcourt, que vem tomando todas as atenções durante as férias de verão em Hawkins. Os primeiros dois episódios são escritos e dirigidos por Ross Duffer e Matt Duffer, os criadores da série. Talvez esses sejam os episódios mais problemáticos da temporada.

Os episódios iniciais tem uma grande preocupação em estabelecer terreno para a temporada, gastando tempo demais em tramas adolescentes e discussões amorosas, e deixando plots maiores para serem estabelecidos aos poucos, criando uma lentidão demasiada no início. Estes problemas vão diminuindo com o passar dos episódios, e a série começa a encontrar seu ritmo.

O tempo em tela nesta temporada é muito bem dividido, mesmo ainda Eleven (Millie Bobby-Brown), Joyce (Winona Ryder) e Jim Hooper (David Harbour) continuarem tendo arcos maiores e mais protagonismo. Os outros personagens, como Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin), Max (Sadie Sink), Jonathan (Charlie Heaton) e Nancy (Natalia Dyer) não ficam atrás, apesar de funcionarem mais como apoio ou terem como foco os arcos problemáticos. Já Will (Noah Schnapp) aqui perde muito e vira uma espécie de radar para as ameaças sobrenaturais.

Quem ganha espaço neste ano é Dustin (Gate Matarazzo), Steve (Joe Keery) e a novata Robin (Maya Hawke) que ganham um arco bem humorado e que conta com o apoio da pequena e cheia de atitude, Erica (Priah Ferguson), os quatro juntos dão um show a parte. Do lado dos vilões humanos, além de Billy (Dacre Montgomery), que está fantástico encarnando o novo hospedeiro do Devorador de Mente, a série se aproveita do cenário da guerra fria e temos todos os tipos de russos malvados, de cientistas até uma versão do Exterminador do Futuro russa.

A temporada tem seus problemas, algumas batidas narrativas prejudicam um pouco, além de muito humor mal colocado e a insistência na disfuncional trama amorosa que acerca todos os núcleos. Outro problema chato é o uso excessivo de trilha sonora, que tenta forçar o público em toda cena a sentir algo. Porém, os problemas não são maiores que os acertos.

Em certo ponto, o mistério criado no início começa a tomar forma e a série não foge disso. A partir do episódio quatro, que cria um clima de suspense e terror fantástico, temos uma reviravolta que injeta na série o fôlego necessário, e a partir daí, tudo fica maior e melhor. Os arcos são bem trabalhados e quando finalmente todos os núcleos se encontram, cria-se um clímax de dois episódios finais fantásticos, que ironicamente também são dirigidos pelos irmãos Duffer.

Unindo isso à ótima fotografia e design de produção, a criatividade da série transparece em vários momentos, visualmente maior, os efeitos especiais aqui são realistas e tem peso, dando a possibilidade de criarem cenas cheias de gore e monstros assustadores. A ficção científica aqui também extrapola os níveis das outras temporadas e tem uma grande influência nas tramas, fazendo com que o sobrenatural ganhe um parceiro de peso entre essas coisas estranhas.

Apesar de um começo com tropeços, os irmãos Duffer mostram que ainda podem ser criativos e trabalhar para reinventar esse mundo criado por eles. Com muitos acertos, Stranger Things traz um grande terceiro ano e mostra que ainda pode ter muito a nos mostrar nas próximas temporadas.

Stranger Things está disponível na Netflix.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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