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Star Wars: Os Últimos Jedi é o filme mais diferente e inovador de toda a saga

Escrito por Cláudio Gabriel

Quando O Despertar da Força saiu, a principal crítica em relação ao filme era sempre baseada nele ser extremamente similar a Uma Nova Esperança. Em termos da sua trama principal – inicialmente – é bem claro que aquele longa se baseava sim no início de toda a saga criada por George Lucas. Logo que todo o material promocional de Os Últimos Jedi começou a sair, já houveram ideias, teorias e comparações com a continuação da antiga trilogia, O Império Contra-Ataca, considerado pela maioria dos fãs a melhor obra da franquia. Chegado o seu lançamento, o diretor Rian Johnson (Looper) mostrou que esse filme não é similar a nada mostrado antes, mas ele parece muito mais um início, uma inovação, um novo ciclo se inciando e isso é absurdamente bom.

A história aqui começa no instante seguinte ao final do Episódio VII, com Rey entregando o sabre para Luke e a Rebelião fugindo da Primeira Ordem. O senso de urgência aqui é muito importante, já que a nova heroína da série precisa aprender com o antigo mestre Jedi e levá-lo de volta para a batalha. Ao mesmo tempo que a General Leia busca maneiras de encontrar uma nova base e recomeçar o Senado. Por fim, Kylo Ren também vive um momento de urgência, aonde precisa se provar logo para Snoke que ele é capaz de ser tão forte como o mestre.

O equilíbrio é a palavra da vez. Seja ele nas ações dos protagonistas, em decisões passadas de antigos heróis e em cada um dos lados desse grande conflito. Os maiores nomes disso são os protagonistas dessa nova trilogia: Rey e Ben Solo. Eles dois estão cercados de dúvidas e medos, anseios do que pode ser da vida deles dali pra frente. A primeira quer aprender os caminhos com Luke Skywalker, mas que esta arrasado demais emocionalmente pelo tempo e também muito apegado ao passado. Já o segundo ainda não parece totalmente claro com suas ideias, ainda mais após ter matado seu pai no filme anterior. Esse conflito e balanço entre o lado da luz e o lado sombrio em cada dos personagens, transforma tudo aqui em algo mais, algo inesperado.

Se teve algo que muitos fãs gostaram em Rogue One – Uma História Star Wars foi ele ser uma obra de guerra e Os Últimos Jedi segue isso, mas de uma maneira melhor. A guerra e o conflito estão muito próximos e o perigo é eminente. Perdas são extremamente reais e acontecem dos dois lados e elas são extremamente sentidas, mas, como a própria Leia diz no longa, “é preciso se lamentar depois do confronto”, já que as situações ainda podem piorar.

Falando mais dos personagens antigos, Luke e Leia estão incríveis. Mark Hamill faz a melhor atuação de sua carreira, levando um lado que nem havia visto antes em nada a franquia. O mais interessante de tudo é que todas as teorias criadas pelos fãs simplesmente caem por terra, já que certas ideias estão muito diferentes aqui. Já Carrie Fisher possui um brilho gigante em tela. Ela parece estar realmente mais amadurecida e o seu maior tempo de tela gera situações emocionantes e cativantes.

Se todo filme de Star Wars possui pelo menos alguma cena marcante, nesse será difícil até contar quantas. Para os apaixonados pela franquia, ele pode ser muito bom ou muito ruim, mas, definitivamente, marcante. Mesmo assim, a quantidade de vezes para se emocionar aqui não são poucos. O melhor, a quantidade de vezes pra se arrepiar, não cabe nem nos dedos da mão. É um longa extremamente empolgante e que vai despertar muitos sentimentos. Quatro deles são extremamente absurdos e três são envolvendo personagens clássicos da saga.

Talvez o único problema aqui seja o arco de Finn e Rose, que é um pouco arrastado. Mesmo assim, a química dos personagens é interessante e funciona extremamente bem. E o melhor: tem muita coisa a se dizer. O papel deles dentro dessa linha narrativa é buscar algo muito maior, é ir em busca de se sacrificar nessa batalha e isso acaba sendo muito importante, mas acaba sendo um pouco arrastado e se alongando demais.

Star Wars: Os Últimos Jedi chega ao nível de O Império Contra-Ataca como um dos melhores filmes de toda a saga. É emocionante, inteligente, ambicioso, trágico e totalmente diferente. É um pilar para o que virá daqui para frente, já que o Episódio IX terá que responder algumas perguntas deixadas. É um longa de meio de trilogia, aquele em que o conflito e a epopeia acontecem. E como acontecem…

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Cláudio Gabriel

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