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Sex Education sabe conversar com o público sobre seus temas

Quando eu vi o trailer de Sex Education pela primeira vez eu não fiquei nada interessado, a série da Netflix me pareceu uma versão repaginada de algum besteirol sobre sexo, talvez um American Pie da nova geração? Porém, quando comecei a série logo eu percebi meu equívoco, e eu agradeço por ter tido esse medo inicial, afinal, quem não gosta de uma boa surpresa?

Sex Education conta a história de Otis (Asa Butterfield), um adolescente virgem que tem problemas para se masturbar e cresceu com a mãe, que é terapeuta sexual. O personagem se junta a Maeve (Emma MacKey) para abrir uma clínica na escola, onde Otis dá conselhos sexuais aos alunos de seu colégio em troca de dinheiro.

Otis e Jean.

A série não demora para fisgar quem a assiste, mesmo não entrando na trama principal logo de cara, a direção de Ben Taylor, que cuida dos primeiros quatro episódios, sabe apresentar os personagens e desenvolver todos os seus problemas. Além de Taylor, os últimos quatro episódios são dirigidos por Kate Herron, que continua o trabalho com perfeição.

O roteiro e a direção trabalham em conjunto, a série sabe equilibrar o tom cômico com o drama, sabendo disponibilizar um pouco em cada momento, a supervisão da criadora Laurie Nunn é ótima e mantém a série nos trilhos certos o tempo todo. São poucos os momentos em que a série comete algum pequeno deslize.

A abordagem dada ao tema principal da série é trabalhada de maneira divertida e ao mesmo tempo com veracidade, seu timming cômico é excelente, mas ela sabe quando parar para dar espaço ao drama dos personagens, criando assim personagens com personalidade. Não há sequer um personagem unilateral aqui, todos tem o que dizer e fazer a favor da trama.

Maeve e Jackson.

Asa Butterfield entrega uma ótima atuação como Otis, seu personagem é o vínculo principal da série e isso é demonstrado pelas diversas facetas que ele entrega. O lado cômico da série fica para Ncuti Gatwa, o ator interpreta Eric, o melhor amigo do protagonista, que ganha muita personalidade ao decorrer da série e tem um arco fantástico.

Mas não só os dois ganham peso, Emma Mackey como Maeve, Connor Swindells como Adam, Kedar Williams-Stirling como Jackson, Gillian Anderson como Jean, entre outros personagens tem dramas e peso, que são desenvolvidos de maneira certeira pela direção, não falta algo, todas as adições ao decorrer da série só somam ao que ela tem a dizer.

Mesmo responsável, a série desliza em alguns momentos em que tenta criar humor, são poucos esses, mas existem. Outro problema é a trilha sonora instrumental, que não tem muita lógica e tira o peso de alguns momentos dramáticos. Já a trilha sonora musical é bem escolhida, são músicas que realmente fazem sentido estarem ali e cumprem bem a tarefa. Ponto forte também é a fotografia de Jamie Cairney e Oli Russell, que cria uma sensação de desconforto similar aos assuntos tratados.

Maeve, Eric e Otis.

Sex Education tem um elo seguro e forte em seu desenvolvimento durante os seus oito episódios, é bem construída e sabe como trabalhar os personagens ao seu favor. Além de ter muito a dizer sobre o tema principal, a série não vive só de momentos e funciona perfeitamente como um todo. É uma série para maratonar e chorar por uma segunda temporada!

Sex Education já está disponível na Netflix!

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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