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Review | Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise

Escrito por Jean Kei

Deadly Premonition não é uma franquia fácil de se analisar de forma objetiva e fria. Afinal, se eu falar sobre as qualidades e os defeitos da série, é bem provável que você ache que tive uma experiência ruim. Deadly Premonition tem uma gameplay repetitiva, simplória, gráficos feios e roda mal. Por outro lado, mesmo com essas questões técnicas, eu tive uma boa experiência com os jogos.

Acontece que os defeitos técnicos do jogo não apagam suas qualidades. Mesmo sendo problemático de se jogar, o roteiro, ambientação e personagens fazem tudo valer a pena. A trilha sonora encaixada em cenas que não parece combinar nem um pouco com o clima, o senso de humor bizarro e a estranheza causada acabam virando um charme. Por outro lado, eu não acho que Deadly Premonition seja “tão ruim que vira bom”. O que faz a franquia ser boa é a historia intrigante, ambientação única e personagens bem escritos. Nenhuma das qualidades dos jogos tem relação com seus defeitos técnicos e gráficos ruins.

Mas afinal, do que se trata Deadly Premonition?

Deadly Premonition é uma franquia dirigida e escrita por Hidetaka Suehiro (SWERY). o primeiro jogo é um survival horror com investigação e mundo aberto. Você joga com Francis York Morgan, um agente do FBI que possivelmente possui uma segunda personalidade que vai para a cidade de Greenvale investigar um assassinato. Ambos os jogos possuem duas estruturas: Investigar a cidade e interagir com seus moradores, e entrar num outro mundo onde tudo está mais grotesco e você enfrenta criaturas monstruosas e zumbis. A princípio, nenhuma parte conversa com a outra diretamente. York nunca comenta com os moradores da cidade sobre esse outro mundo, fazendo com que o jogador se pergunte se aquilo é real ou não.

Apesar da parte com criaturas monstruosas, Deadly Premonition nunca é realmente assustador. Ele é esquisito, tenso e estranho, mas não assustador.

O game faz muitas referências diretas a diversos filmes e séries, em especial Twin Peaks, e a forma com que isso é implementada no jogo é bem escrita. York é um entusiasta de filmes e isso é um traço forte de sua personalidade, e isso gera interações muito boas.

Mas isso é uma review de Deadly Premonition 2, do que se trata o segundo jogo?

Deadly Premonition 2 é uma sequel e uma prequel ao mesmo tempo. O jogo começa com uma agente chamada Aaliyah Davis interrogando o nosso protagonista, agora decrépito, aposentado e vivendo em um apartamento sujo. O interrogatório leva York a contar sobre um caso que ele supostamente fechou a 14 anos atrás, antes do caso de Greenvale, do primeiro jogo. Assim sendo, somos transportados para 2005 numa cidade pequena chamada Le Carré. Ao contrário do caso de Greenvale, York chega em Le Carré por acaso, fica sabendo de um assassinato ocorrido ali e decide investigar por achar que seria algo interessante.

York no começo de sua investigação acaba se envolvendo com uma garotinha de 12 anos chamada Patricia, e ao contrário de qualquer bom senso, deixa ela acompanha-lo na investigação de um caso de assassinato. Por outro lado, a dinâmica de York e Patricia tem coisas bem divertidas, então fico feliz que ele tenha sido irresponsável nesse ponto.

A estrutura do jogo é muito parecida com o primeiro, porém com algumas melhorias em gameplay e muito mais problemático tecnicamente.

O que melhora?

Bem, andar pela cidade de Le Carré é bem melhor do que Greenvale. As coisas são melhor localizadas e agora você tem um skate como veículo no lugar de um carro, que é bem mais fácil de controlar. O design do outro mundo e dos monstros são mais interessantes nesse jogo e o combate é levemente mais agradável por agora você poder andar e atirar.

E o que piora?

O jogo é a coisa mais mal otimizada que joguei no Switch. Há momentos que o jogo chora pra ter uma taxa de quadros de dois digitos, o game crashou pelo menos quatro vezes e o fato dele rodar tão mal, dá muito desânimo. Há também coisas no cenário que demoram pra carregar. Demorei muito pra terminar o jogo porque não queria lidar com esses problemas técnicos.

Mas que bom que insisti

Mesmo sendo um jogo graficamente feio e cheio de problemas técnicos, ainda saí positivo de Deadly Premonition 2. Os personagens e mundo excêntrico continuam sendo charmosos. Um jogo que começa com uma investigação séria e tensa envolvendo um cinéfilo, uma mulher que gosta de citar Nieztche e um cara que adora pizza de uma maneira grandiosa, e ainda assim não soar algo mal escrito é um mérito maior do que se imagina.

Vale dizer que o jogo teve alguns patchs que melhoraram um pouco sua perfomance e está previsto para ter mais. Além de um patch que corrigiu um momento de mal gosto com uma personagem trans (que mesmo alterando o diálogo, ainda tem coisas problemáticas em relação a personagem). Infelizmente, olhando em retrospecto, até mesmo no primeiro jogo tem umas questões problemáticas envolvendo identidade e sexualidade de um personagem. O jogo não é gratuitamente ofensivo ou só cai no esteriótipo de piada, mas ainda assim é problemático na forma com que aborda o tema.

Deadly Premonition 2 não é pra qualquer um. É um jogo que requer um certo esforço para se apreciar, mas se você conseguir deixar de lado todos os problemas técnicos, controle ruim e gráficos feios, vai encontrar um jogo único e muito interessante.

Ah, e nem pense em jogar o segundo jogo sem ter o contexto do primeiro. Muitas coisas do jogo só serão impactantes e terão algum significado pra você caso tenha o contexto do primeiro jogo.

Deadly Premonition 2 é exclusivo de Nintendo Switch.

Agradecimentos à Rising Star Games pelo envio do código.

Selo Prata: Considerável

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Sobre o Autor

Jean Kei