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Review | A Plague Tale: Innocence

Escrito por Stenyo Araújo

Guerra dos Cem anos, peste negra e perseguições da Inquisição. É nessa terrível fase da humanidade que a Asobo Studios lança o seu novo título, A Plague Tale: Innocence, um jogo de suspense e com muitos elementos de furtividade.

Na história, você controla Amicia e seu irmão mais novo Hugo, que é portador de uma doença misteriosa. Após sua casa ser invadida por soldados que queriam levar o seu irmão, ela precisa fugir e levar Hugo a um lugar seguro, mas logo de cara eles se deparam com a brutal realidade da época. Amicia então, precisa amadurecer rápido, pois além do seu irmão nunca ter saído do seu quarto durante 5 anos, o qual ela tem uma relação bastante estreita, ainda tem os soldados em seu encalço e as terríveis hordas de ratos que estão destruindo tudo.

No decorrer da história, eles encontram pessoas que os ajudam. Enquanto a relação entre os irmãos evolui, Amicia se torna mais protetora, e mais responsável.

Diferente dos jogos de RPG que quase sempre usam a fantasia na era medieval, A Plague Tale: Innocence trás algo mais realista e cruel. Por muitas vezes, o jogo conseguiu me chocar ao ver cenas como: ruas abandonadas, barracas infestadas de moscas nas frutas e carnes podres, animais e pessoas mortas tão bem retratadas.

Completando toda a representação desse período sombrio, a peste negra é retratada como hordas de ratos capazes de destruir e comer tudo em seu caminho, e a única coisa capaz de afasta-los é a luz. Mas com o tempo você consegue usa-los a seu favor em determinadas situações.

Se tratando do gameplay, o jogo tem grande parte de sua jogabilidade voltada para furtividade e resolução de quebra-cabeças. Amicia conta com uma atiradeira, que é sua principal arma durante a jornada. Ao passar pela Inquisição, você descobrirá que há várias maneiras de progredir: jogar um pote para causar uma distração, acertar um objeto de metal com uma pedra, extinguir fogo para convocar ratos ou até matá-los com uma variedade de munição.

Além de coletar materiais para melhorar seus equipamentos, e fabricar mais munições, você aprenderá receitas alquímicas ao longo do jogo para efeitos variados. Através de um menu rápido você pode selecionar qual a munição apropriada pra a situação, lembrando um pouco Horizon Zero Dawn.

O jogo é claramente voltado para ações furtivas, muitas vezes obrigando o jogador a não ter escolhas. Mas quando algo dá errado e você precisa entrar em combate, ou você utiliza bem os elementos do cenário e suas munições, ou os adversários alcançam você com muita facilidade e sua morte será certa.

Ainda sobre a jogabilidade, chegamos em um dos pontos principais, os ratos.

Definitivamente o jogo não é para quem não gosta dos roedores, e você terá contato com eles, por mais que não goste da ideia. Como já havia mencionado, você precisará utilizar bem o fogo e a luz para afasta-los ou usa-los a seu favor.

Um dos produtores citou que os ratos, apesar de ameaçadores e letais, não são, inimigos da dupla de protagonistas. “Os ratos são, definitivamente, uma força da natureza. Eles não são aliados, nem inimigos, são apenas ratos e não fazem distinção se você é uma criança ou um adulto, um soldado ou um civil. Você precisa apenas aceitá-los e lidar com eles da melhor forma possível”, explica, completando que a presença deles no jogo age como uma representação da Peste Negra digna de pesadelo, quando “você está com medo e não encontra uma explicação racional para o que acontece ao redor”

Os gráficos de A Plague Tale: Innocence merecem um grande destaque, pois além de conseguir trazer com qualidade o horror, em algumas vezes nos faz parar para observar a beleza das paisagens. Os elementos da natureza e a luminosidade são um show à parte.

Os efeitos sonoros merecem muitos elogios. A dublagem dos personagens foi muito bem colocada, e conseguem reproduzir os sentimentos dos personagens em várias situações. As trilhas sonoras se encaixam e conseguem melhorar os momentos de tensão, horror, suspense.

Na cena com milhões de ratos, o som de todos eles ao seu redor enfurecidos e esperando qualquer brecha para pularem em você, é bastante agoniante os guinchos dos ratos.

Infelizmente como todo jogo, A Plague Tale: Innocence sofre com algumas falhas que prejudicam algumas partes. Como por exemplo, enquanto a dublagem faz um papel maravilhoso de emocionar o jogador com os sentimentos dos personagens, as expressões faciais são um pouco estáticas. Algumas vezes precisei não prestar atenção no personagem para não cortar o clima da cena.

Outro ponto negativo, é a falta de opção quando você é notado pelos soldados. Por mais que você corra, eles conseguem chegar muito rápido até você, e sua única opção é tentar usar o comando para esquivar, que quase sempre não lhe ajuda.

A furtividade também sofre em alguns pontos. Algumas vezes a I.A. dos soldados é um pouco abaixo da média, facilitando muitas vezes a vida do jogador.

A A Plague Tale: Innocence com toda certeza consegue prender o jogador com sua incrível história. Particularmente me vi preso e não consegui parar de jogar por horas, sempre curioso para saber o que ia acontecer no próximo capítulo. Mesmo sendo um tema ousado, o jogo conseguiu trazer uma ótima experiência e inovação para o mercado de jogos.

Nota: 8,5

Agradecimentos à Asobo Studio e à Focus Home Interactive pelo envio do código, o game foi testado em um PlayStation 4.

 

 

     

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Sobre o Autor

Stenyo Araújo

Gamer, Geek, Otaku , RPGista, Rokeiro, essas são as cinco palavras que me definem muito bem.

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