Gameplay

Resident Evil: Village e o Retorno Triunfal da Franquia

Escrito por José Victor

Resident Evil é uma das franquias mais famosas no mundo dos videogames. Passando por diversas decepções como o sexto título da franquia, o jogo inovou em sua gameplay com o lançamento de Resident Evil 7 em 2017, apresentando-se em primeira pessoa e retomando as origens do survival horror com características de jogos fluentes na época, como Outlast.

No jogo acompanhamos uma nova história com Ethan Winters, um civil que vai em busca de sua mulher desaparecida. Essa jornada o leva para uma mansão que aparentemente estava abandonada, mas que na realidade estava habitada pela família Baker. O sétimo título da franquia dividiu a opinião dos fãs: enquanto alguns achavam que a essência da franquia havia retornado, outros desaprovaram a câmera em primeira pessoa e o excesso de gore e terror, fazendo com que consequentemente estes dois elementos fossem reduzidos na sua continuação. Inclusive, este foi o jogo da franquia que menos obteve lucro no Japão.

No Metacritic, 'Resident Evil Village' se torna um dos jogos mais bem avaliados da franquiaAgora, alguns anos se passaram desde os eventos do jogo anterior e Ethan Winters vive tranquilamente com a sua esposa, Mia. Ambos estavam construindo uma vida nova com sua filha, Rose, até que Chris Redfield surge e muda a vida dos dois. A partir disso, Ethan se vê em um vilarejo estranho e irá precisar combater os novos monstros da franquia para resgatar sua filha. Sendo uma continuação direta de Resident Evil 7, a trama agora apresenta mais detalhes acerca do universo apresentado no seu antecessor e explora bem os novos personagens inseridos na franquia, seja por meio de diálogos ou documentos – coisa que o título anterior não fez de forma correta.

Por si só a história já consegue ser mais cativante do que a do título anterior – mesmo que o plot inicial seja relativamente semelhante, é diferente do seu antecessor  em diversos aspectos. Enquanto a história de Resident Evil 7 tem um início lento e gradual onde o seu ápice é focado apenas em gore, neste em seus dez minutos iniciais já somos apresentados ao que está por vir em uma sequência de tirar o fôlego e que gera diversas perguntas ao jogador. E em suma, a trama é isso: inúmeros mistérios que surgem a cada momento e provocam uma busca desenfreada pelas respostas, que revela mais ameaças e áreas para se explorar.

Infelizmente o jogo não está livre de momentos tediosos e monótonos em algumas ambientações. Entretanto, no fim das contas, cumpre seu papel e acaba prendendo o jogador do início ao fim. A duração do jogo é relativa, a minha primeira jogatina foi na dificuldade média e explorei o máximo possível dos cenários, demorando cerca de 19 horas registradas na Steam para concluir o jogo.

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Outra melhora observada é que, enquanto em seu antecessor os personagens passavam despercebidos (onde o próprio protagonista não era carismático, não tinha rosto e apresentava poucos diálogos), no atual não só o personagem principal como os demais – incluindo alguns vilões da trama – apresentam um certo desenvolvimento e mais diálogos, cativando o jogador e trazendo uma importância aos mesmos. Ethan agora apresenta um rosto, diálogos em todos os momentos com reclamações e comentários sarcásticos a respeito do que está acontecendo. Além disso, sua motivação é clara e é impossível não se ligar aos sentimentos do protagonista e ao seu amor paterno pela Rose.

A partir desse ponto entra uma das decepções do jogo: Lady Dimitrescu. O marketing do jogo deu um foco absurdo em uma das vilãs enquanto durante a jogatina sua presença é bem rápida e não provoca nenhuma sensação ao jogador. Juntando isso ao final medíocre da personagem, ela se torna apenas uma personagem secundária que não foi aproveitada na franquia.

Fica nítido que Resident Evil: Village é um somatório de todos os acertos feitos nos remakes da empresa e no sétimo título junto com as correções que deveriam ter sido feitas nos respectivos jogos.

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Village pode ser definido como uma junção entre a ambientação e a ação presentes no Resident Evil 4 com a jogabilidade de Resident Evil 7. O jogo se passa em grande parte do tempo no vilarejo semelhante ao que Leon Scott Kennedy visita em seu título, trazendo nostalgia para a jogatina. Conforme você progride, novas ambientações são desbloqueadas sendo elas o local de cada boss do jogo. Todos os cenários são bem feitos e apresentam detalhes impressionantes mas os destaques mesmo são o vilarejo e a casa Beneviento, sendo este último um dos melhores momentos do jogo. Enquanto isso, tal como a personagem o cenário que mais deixa a desejar mesmo é o castelo da Dimitrescu.

Os gráficos do jogo são os mesmos observados nos remakes e no anterior, sendo bem otimizado e rodando tranquilamente em computadores com placa de vídeo integrada no processador – entretanto, o desempenho pode ser comprometido em processadores da AMD segundo os testes realizados e relatos vistos na internet.

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Os puzzles do jogo intercalam entre serem bons, exigindo certo raciocínio e entre serem um pouco arrastados em determinados pontos. Os novos inimigos da saga apresentam visuais únicos e apresentam uma IA excelente se comparado com outros jogos da franquia, apresentando um certo nível de desafio e dificuldade principalmente por parte dos chefes. A jogabilidade do título é a mesma apresentada no anterior, com novidades que foram bem-vindas: agora os itens importantes para progressão são separados do inventário normal, não ocupando espaço e há como fazer upgrades no personagem.

Outra novidade é o retorno do modo The Mercenaries, sendo a mesma coisa apresentada nos títulos anteriores: você precisa eliminar um determinado número de inimigos no tempo estipulado para ganhar pontos e desbloquear itens e habilidades para o personagem. Este modo é extremamente nostálgico e divertido para passar o tempo, prolongando a vida útil do jogo.

De fato o único problema observado durante a jogatina foi a dublagem dessincronizada: o áudio, independente da linguagem selecionada, apresentou-se adiado em relação a legenda e a cutscene. Ignorando esse problema que comprometeu um pouco a experiência, o restante do jogo fluiu bem e sem quedas de FPS ou travamentos mesmo utilizando uma placa de vídeo integrada. Até o momento desta análise, o problema não foi corrigido.

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Então, é bom?

Por mais que certos elementos estejam ausentes neste novo título, Resident Evil: Village acaba sendo o resultado de uma soma onde as variáveis são todos os acertos dos títulos anteriores e, assim, consegue se tornar excelente. Juntando a mecânica do sétimo com a ambientação do quarto, o título consegue transportar o jogador e dar ao mesmo uma imersão na pele de Ethan Winters mesmo que, em alguns momentos, o seu decorrer seja monótono.

De fato o único problema observado durante a jogatina e que afeta levemente a mesma foi o áudio dessincronizado com as cutscenes – desconsiderando isso, tudo o que foi prometido está devidamente entregue neste título. O título está longe de ser o melhor da franquia, mas sem dúvida alguma marca o retorno triunfal da franquia ao ser nostálgico com os elementos do quarto jogo e se consolida como o maior acerto da empresa nesses últimos anos.

Apresentando uma ambientação de tirar o fôlego junto com uma trama sólida e que prende o jogador, Resident Evil: Village é indispensável aos fãs da famosa franquia da Capcom.

Nota: 4/5 – Ouro

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Sobre o Autor

José Victor

Estudante de Odontologia durante o dia, redator da Torre durante a noite e apaixonado por audiovisual e jogos todo o tempo. Nas horas vagas, streamer no canal da Twitch.

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