Vitrola

Resenha | Tyler, the Creator – IGOR

O criador está de volta! O rapper Tyler, the Creator voltou, e 2 anos após Flower Boy, seu aclamado álbum de 2017, o membro da Odd Future lança seu… IGOR.

Uma série de vídeos começou a ser publicados por Tyler em seu Instagram e canal do Youtube nas últimas semanas. Nos vídeos, Tyler aparecia com uma peruca loura e óculos, dançando em lugares ou de formas peculiares, tudo isso era a campanha intimista de divulgação de IGOR, seu sexto álbum de estúdio.

Igor’s Theme abre o disco com uma confusão musical extremamente deliciosa. É incrível como a série de elementos funciona, há diversos tipos de batidas e musicalidades, além das vozes, tudo isso em perfeita sincronia para apresentar o que vem dentro do álbum. A faixa escolhida por Tyler pra ser a dona do primeiro clipe foi Earfquake, essa que se apresenta de uma forma chiclete com o refrão de Dev Hynes e Charlie Wilson, e com participação de Playboi Carti, a música gruda rapidamente na cabeça com sua sonoridade mais atenuada e ao mesmo tempo bruta.

I Think remete ainda mais a primeira faixa, mas agora com uma letra mais direta sobre o estado mental do rapper, e trazendo outro refrão romantizado e suavizado de certa forma. O primeiro interlúdio já acontece na quarta faixa, Exactly What You Run From You End Up Chasing, que é usado para dar uma pausa no caos sonoro que IGOR estava sendo, no bom sentido. O rapper Frank Ocean contribui na faixa Running Out of Time para suavizar ainda mais a obra, além de trazer mais sentido para a temática que vem sendo construída no álbum. Mas Tyler não se segura, e o álbum volta a explodir de alguma forma em New Magic Wand.

“Please don’t leave me now”

A Boy Is A Gun trata os sintetizadores com mais suavidade e Tyler coloca mais versos do que anteriormente, enquanto compara o relacionamento com portar uma arma… ok. Puppet é o título da oitava faixa, que conta com Kanye West para que os dois discutam sobre obsessão, e é incrível. A volta de sintetizadores abrupta acontece logo no início de What’s Good, uma faixa mais veloz e energética. A música conta com uma virada impactante e versos vorazes, é quase como se Tyler estivesse cuspindo ácido nas linhas (Mas não da maneira que ele fazia antigamente).

Gone, Gone divide a faixa com Thank You, essa junção de duas faixas diferentes é do feitio do rapper. Aqui ele volta a suavizar o álbum com um refrão cantado em formato de coral por uma voz afinada e que lembra até uma música gospel americana. Mas não é só isso, com a duração de mais de 6 minutos, Tyler brinca com a faixa durante todo o tempo, com vocais diferentes e versos simples, porém bem apresentados.

I Don’t Love You Anymore começa lentamente, mas logo se torna uma canção cheia de truques e estranhamente deliciosa de se ouvir. O álbum termina em Are We Still Friends? que completa a faixa anterior e também o álbum todo. É satisfatória e muito bem produzida, sabendo controlar todos os elementos apresentados até o momento para um encerramento digno.

IGOR é fantástico. É incrível como Tyler, the Creator encontra em uma narrativa romântica uma maneira de se comunicar diretamente com seu público e em como ele se relaciona com o mesmo. Tyler aqui extrapola e fala de sentimentos utilizando a música de todas as formas possíveis como ferramenta narrativa. É gostoso, é impactante, é criativo… é com certeza um dos melhores lançamentos do ano!

IGOR de Tyler, the Creator está disponível em todas as plataformas.

Comentários
Compartilhar

Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

Deixar um comentário

Or