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Resenha | Menina Má

Escrito por Ravel Medrado

Sinopse: ”Publicado originalmente em 1954, MENINA MÁ se transformou quase imediatamente em um estrondoso sucesso. Polêmico, violento, assustador eram alguns adjetivos comuns para descrever o último e mais conhecido romance de William March. Os críticos britânicos consideraram o livro apavorantemente bom. Ernest Hemingway se declarou um fã.

Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.

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Capa da edição brasileira, Darkside.

Menina Má (The Bad Seed) foi publicada em abril de 1954 e virou sucesso de imediato, obra do autor norte-americano William March, foi inspiração para várias obras de terror. A história gira em torno da família Penmark que se mudou recentemente de Baltimore, conhecemos Rhoda filha do casal, uma garota de 8 anos que aparenta doçura e meiguice, mas apresenta tendências estranhas que os pais não desconfiam.

Kenneth Penmark viajou para a América do Sul a trabalho, deixando sua esposa Christine e sua filha Rhoda. No belo dia de junho ocorrerá o piquenique anual da Escola Primária Fern, claro que Rhoda não poderia faltar, na mesma manhã do piquenique a vizinha Monica Breedlove oferece belos presentes para a garota, um óculos e uma corrente, contudo a garota não está satisfeita por causa da derrota na nomeação anual de melhor caligrafia da escola, ganha pelo seu colega Claude juntamente com uma bela medalha. Mal sabe Christine Penmark, que o piquenique será um evento catastrófico e vai desenterrar o seu passado sombrio.

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Patty McCormak interpretando Rhoda na versão cinematográfica de 1956.

A história é de surpreender sendo original e distinta de um simples enredo sobre psicopatia, porque explora não somente Rhoda, e sim, diversas tramas de outros personagens como Leroy, o empregado do edifício em que vive Monica e os Penmark, e sua fascinação por Rhoda que chega a ser uma das bizarrices do livro, ou momentos cômicos de Monica Breedlove ao comentar sobre Sigmund Freud e várias ideias quanto ao tema de psicologia.

A ação é resultado da infância bastante caótica e infeliz do autor que, de acordo com o prefácio de Elaine Showalter, critica literária: ‘’A vida adulta de March com certeza mostrou sinais de perversão, talvez até trauma. […] Além disso, teve dois colapsos psicológicos severos e, a despeito do sucesso nos negócios e de algum reconhecimento literário, tornou-se cada vez mais excêntrico, isolado e obcecado por sexualidade e crime. […]’’. Cada personagem reflete partes da personalidade do autor, como sua fixação em caligrafia que é evidente no nome da família Penmark (‘’Marca de Caneta’’) e na própria Rhoda.

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Cena do filme A Tara Maldita (The Bad Seed) 1956.

   ”Tudo mudou quando li esse livro no colegial.’‘ – Lady Gaga

A psicopatia é adquirida ou é da natureza do individuo? O título traduzido ao pé da letra seria ‘’A Semente Maldita’’, o autor discute muito sobre o assunto da hereditariedade e doenças psiquiátricas, Menina Má foi uma boa escolha por ser mais acolhedor, diferente do nome A Tara Maldita, tradução dada ao filme de 1956. Sobre o filme de 1956, alcança bastante o clima do volume literário apesar do final inusitado fora do livro, e destaque para a atriz Patty McCormak que interpretou Rhoda majestosamente recebendo prêmios na época.

A capa que dá impressão de ser um livro young-adult, o que foi outra surpresa, já que a proposta se difere facilmente de um young-adult devido a sua trama complexa e escrita um pouco rebuscada. Tanto o filme quanto o livro foram influentes em futuros filmes de terror, inspirando escritores como Stephen King e na criação de ícones do terror como Chucky, o boneco assassino.

Menina Má promete satisfazer os seguidores da coleção Crime Scene da editora Darkside voltada justamente para assassinatos e serial killers, uma obra curta de apenas 272 páginas que passam em um piscar de olhos pela facilidade que conquistar o leitor, seu desfecho é sarcástico e hilário. Tenham uma ótima leitura.

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Sobre o Autor

Ravel Medrado

A felicidade só existe na aceitação.