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Resenha | Joji – BALLADS 1

Após anos no humor, o antes conhecido como Filthy Frank, Pink Guy e até por seu nome real, George Miller, finalmente lançou seu primeiro disco completo na última sexta-feira (26/10). Agora sobre a alcunha de Joji, o “ex-youtuber” já havia lançado o EP “In Tongues” no fim do último ano, mas só aqui em “BALLADS 1”, Joji finalmente encontra seu amadurecimento e seriedade no meio musical.

Com 12 faixas, o disco começou a ver a luz do dia pela primeira vez com o lançamento do single “YEAH RIGHT”, seguido por “SLOW DANCING IN THE DARK”, “CAN’T GET OVER YOU” e finalmente por “TEST DRIVE”. Visualmente cheio de conceitos excêntricos em seus clipes, Joji já prepara seu público para o que irão encontrar dentro do conjunto da obra, e prepara bem.

Capa do disco “BALLADS 1”

O disco “BALLADS 1” se mostra desde seu inicio como uma obra sobre amor, abandonos e decepções, voltado para um público de lo-fi hip-hop. “ATTENTION”, faixa que abre o disco, já começa de maneira calma, com Joji cantando sobre magoar alguém que ama e como isto afetaria em sua partida. Aqui, já ouvimos pela primeira vez como o disco irá flertar com batidas dançantes que irão, em contra partida de suas letras, criando um cenário distorcido de tristeza e alegria.

“SLOW DANCING IN THE DARK” continua esse trabalho, aqui a música não se prende somente em batidas calmas, desta maneira, explodindo em alguns momentos precisos. A letra fala sobre inseguranças em um relacionamento e como isso afeta psicologicamente um casal, a metáfora sobre “dançar no escuro” funciona como uma luva em lírica e trás melodia quando cantada. Em “TEST DRIVE”, Joji continua cantando sobre relacionamentos falhos, agora com mais variações de vocal e mudanças orgânicas cirúrgicas durante a música, porém abandonando o lo-fi e partindo para algo que lembra uma música do Post Malone.

Joji no clipe de “TEST DRIVE”

A quarta faixa, “WANTED U”, parece conversar mais com o público, é uma letra sobre como a união pode superar os problemas, uma boa ressalva em meio a tanta decepção no amor e afins. “CAN’T GET OVER YOU”, trás a participação do produtor Clams Casino, que domina a música por si só, é quase como se ele dissesse: “Deixe a qualidade desta faixa comigo”, e Joji deixa.

“YEAH RIGHT”, faixa sobre como amores de uma noite podem ser destrutivos e decepcionantes funciona muito bem, sendo uma das melhores tracks do disco, porém há certo cansaço aqui, as faixas continuam se renovando instrumentalmente, mas as letras de Joji começam a parecer repetitivas. Seguindo, temos “WHY AM I STILL IN LA”, com participações de D33J e Shlohmo, com fortes, porém rápidas baterias, esta talvez seja a faixa mais cansativa do disco todo, estendida por longos 3 minutos, a faixa perde demais e deixa um gosto desagradável com Joji forçando cantar em um tom baixo e sussurrado demais.

Clipe de “CAN’T GET OVER YOU” com Clams Casino

Em “NO FUN” o disco se recupera, com uma música dançante sobre o abandono das antigas amizades após a fama, a letra forte e triste cria um bom contraste rítmico com batidas e estalos (sim, de dedos) bem divertido de se ouvir. “COME THRU” é uma faixa rápida, porém que mantém o conceito do disco com elegância, o que havia começado a se perder. Sucedendo-a, temos “R.I.P.”, esta com participação do rapper Trippie Redd, com quem Joji já havia feito uma parceria antes na cypher “18”, nesta nova faixa, ambos trabalham em conjunto para cantar sobre um amor quase que psicótico, o que não funciona tão bem, mas não é uma faixa totalmente dispensável quanto “WHY AM I STILL IN LA”.

Agora falando sobre abandonar um amor pela fama, em “XNXX”, temos uma música que segue a narrativa, fazendo até certa ligação com outras músicas do disco, rápida e precisa, talvez seja um dos maiores acertos da obra. Fechando o trabalho, “I’LL SEE YOU IN 40” fala sobre o envelhecimento da alma das pessoas e como isso as muda de maneira bruta. Melódica, calma e sincera, o disco ganha um encerramento de alto nível.

“Se você tivesse 22 anos para sempre, seria legal.”

Joji no clipe de “WANTED U”

No geral, Joji cria um disco bem produzido, com ótimas melodias e instrumentais incríveis explorando o lo-fi. Mesmo com letras não tão inovadoras e até cheias de clichê românticos/depressivos voltados pro público jovem, o trabalho ainda consegue ser conciso em sua maior parte. Na forma de seu conceito básico, “BALLADS 1” é um acerto, mas longe de ser o melhor trabalho do ano, Joji mostra aqui que ainda podemos esperar mais dele no futuro, e esperaremos.

“BALLADS 1” está disponível em todas as plataformas digitais.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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