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Resenha | Froid – Teoria do Ciclo da Água

No final do ano passado, o rapper brasiliense, Froid, nos brindou com seu primeiro trabalho solo, “O Pior Disco do Ano”, que conquistou muita gente no meio do rap nacional. Este ano, Froid retorna com seu segundo trabalho, “Teoria do Ciclo da Água”, lançado no dia 17/10, o disco é composto por 13 faixas, todas produzidas pelo mesmo.

A primeira pista do novo trabalho se deu no lançamento do primeiro single em Março deste ano, a música “Teoria do Ciclo da Água”, que dá nome ao disco, chegou de surpresa e deixou muita gente boquiaberta com o músico, que costumava trabalhar com boombap, se aventurando no trap ao melhor estilo ”gringo”.

Tracklist de “Teoria do Ciclo da Água”

Durante o ano, Froid lançou outros três singles com compõem o disco, são eles “Garota”, “Fique Rico ou Moralismo” e “Colibri”, este último que trouxe o anuncio do lançamento oficial do trabalho para o dia 19 de Outubro (Dois dias antes o disco foi liberado pelo rapper em todas as plataformas). Com as cartas na mesa e pronto para nos apresentar a sua viagem completa na batida e estilo do trap, Froid já deveria saber que ia decepcionar boa parte de seus fiéis ouvintes, porém conquistar novos.

Com sua produção autoral e ajuda do DJ LM para a mixagem e masterização do projeto, Froid explora o trap como se fosse um brinquedo na mão de uma criança com um cérebro fluindo como uma máquina. “Teoria do Ciclo da Água” abre o disco com batidas rápidas e ferozes e com ácidas rimas metafóricas sobre drogas, a faixa então continua a fluir entrelaçando diversos assuntos com perfeita precisão, nela, vemos Froid utilizar a distorção na voz com autonune, algo bem popular no meio do trap.

Froid

Conforme as faixas continuam, percebemos o quão experimental é o que estamos ouvindo. “Garota”, faixa com sua parceira, Cynthia Luz, fazendo a segunda voz, é uma música romântica e auto crítica ao mesmo tempo, com uma vibração saborosa e fervorosa trabalhando em conjunto, já “Fique Rico ou Moralismo” é onde Froid se desafia a encarar o mundo do trap com uma ego-trip cheia de punch-lines, o que funciona bem.

O Disco dá uma pausa de si mesmo na quarta faixa, aqui em “Bilhete I”, Froid trás um interlúdio acústico, onde expressa suas mais singelas verdades internas, talvez uma das faixas com mais alma de todo o compilado. Logo após um momento de libertação, Froid retorna ao autotune com o que talvez seja a faixa mais agressiva de todas, “Q?”, parece ser uma explosão de ideias do rapaz, a mistura dos mais diversos flows, retirados diretamente de artistas americanos dão à Froid uma liberdade na rima essencial para a faixa, ela está em constante mudança, tanto na lírica quanto na maneira que é cantada.

“Eu morri tem 5 meses e ainda não fizeram o enterro”

A partir de um ponto do disco, é perceptível que o trabalho parece não ser concebido como um todo, as tracks seguintes, “Lamentável pt. 2” com participação de seu ex-parceiro do grupo UBR, Sampa, e “Sou Alaska II” trazendo Cynthia Luz novamente, agora no refrão, são ótimas faixas, porém que na sequência das que a precedem, ficam cansativas, apesar da ótima lírica de todos os artistas e da produção do Froid, que continua explorando as possibilidades.

Don L

Neste ponto, até os interlúdios “Bilhete II” e “Bilhete III”, que são boas faixas, parecem mais uma espécie de cola com pouco mais de 1 minuto, feitas para tentar grudar tudo de maneira forçada, “Cristal”, faixa metafórica sobre vício perde um brilho no meio de todo o resto. “Colibri” chega para recuperar um pouco o fôlego do disco, e faz bem, nos preparando para “Blogueira”, com a espetacular participação de Don L, o rapper de Fortaleza toma emprestado para si durante um minuto a coroa de dono do disco com um verso cheio de poder.

Fechando o disco, “Bang” é uma faixa interessante e de onde conseguimos tirar várias interpretações. Definitivamente cansativo como um todo, “Teoria do Ciclo da Água” ganha muito se for escutado por partes, mesmo utilizando de várias ferramentas do trap, somente os bumbos rápidos e voz distorcida não entregam o que esta vertente do rap utiliza mais em seu conceito, sendo quase uma remodelagem, mas seu ápice está na parte visual, com videoclipes pelas lentes de Mark Vales, Guilherme Coelho, Mario Cezar, entre outros, o disco ganha em conceito quando é visto acima de tudo.

Froid e Cynthia Luz no videoclipe de “Garota”

“Teoria do Ciclo da Água” está disponível em todas as plataformas. Agora nos resta esperar pelo próximo trabalho do Froid, e torcer de dedos cruzados por algo mais conciso que este, que apesar das falhas, ainda tem um charme em suas faixas.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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