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Resenha | Djonga – Ladrão

“Desde pequeno eles te chamam de ladrão… ladrão!”

No último dia 13 de Março, o rapper mineiro, Djonga, lançou seu terceiro álbum em três anos. De acordo com o mesmo, Ladrão, foi gravado no estúdio que montou na casa de sua avó, e isso faz todo sentido pela abordagem tomada por ele no disco.

Novamente com 10 faixas, Djonga desta vez trouxe nomes fortes para a produção dos instrumentais do álbum, seu parceiro de sempre, Coyote e duas faixas produzidas por JNR Beats e Fritz, trazendo uma abordagem mais dinâmica em algumas faixas e mais melódicas em outras. Além da Co-Produção geral de Thiago Braga e os corais de fundo de Rosa Neon. Desta vez, o mineiro quer mostrar tudo que acumulou na experiência de seus dois primeiros discos, Heresia, de 2017, e O Menino Que Queria Ser Deus, de 2018.

Capa de Ladrão

O álbum abre com a faixa Hat-Trick, onde Djonga já abre com um soco no estômago. Ele fala um pouco sobre o aprendizado desses últimos três anos e no refrão ele ordena em uma posição real que abram espaço, de maneira que a faixa se encaixe perfeitamente em uma abertura de disco. No fim da faixa, Djonga ainda dá a posição em que o resto do disco se baseará.

A segunda faixa, Bené, traz um ritmo que lembra os funk’s do inicio dos anos 2000, nela Djonga fala sobre a situação do morro, fazendo um paralelo entre a maldade e o tráfico. Para amenizar um pouco, temos a terceira faixa, Leal, uma música mais romântica, sobre fama e amor.

E o citado Filipe Ret na faixa anterior é a primeira participação do álbum em Deus e o Diabo na Terra do Sol, onde ele e Djonga dividem o paralelo divino de bem e mal, com Djonga trazendo um olhar positivo sem perder o tom do álbum, enquanto Ret aposta mais na crítica, apesar da demora para este segundo pegar o ritmo, mas terminando em um ponto alto.

Tracklist

Sucedendo a música de quase 7 minutos, a faixa cinco, Tipo, traz MC Kaio como participação em um novo love song. Dessa vez, MC Kaio adiciona o refrão que dá o ritmo para a música, com um olhar diferente de Leal para falar sobre paixão. Amenizar tudo com um love song foi a forma perfeita de aumentar o impacto da faixa seguinte.

Ladrão, música que dá nome ao álbum, é onde Djonga fala sobre enriquecer ele e sua família e amigos, e crítica a cultura do racismo e também cutuca a atual posição do rap no Brasil, de maneira forte e bem posicionada, o Robin Hood do rap. Após o soco, Djonga canta para sua avó e pais em Bença, definitivamente a faixa mais emocional do álbum.

Na oitava faixa, Voz, é onde Djonga entrega a música para Doug Now, e Chris MC no refrão, e quando entra na segunda metade, fala sobre dar espaço aos semelhantes e crítica novamente o racismo. Em Mlk 4tr3v1d0, Djonga recita um poema lírico de Jorge Aragão sobre sua vida e vivência. Djonga fecha o álbum em Falcão, onde fala sobre vários assuntos tratados no álbum em um tom de questionamento e otimismo.

Apesar de repetitivo em alguns momentos pontuais, Djonga cria em Ladrão uma obra bem estruturada e com ótimos temas, e acerta em trabalhar a posição de reivindicar para si direitos e também suas origens. Agora nos resta esperar o próximo trabalho de Djonga, ano que vem? Quem sabe.

Ladrão está disponível em todas as plataformas.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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