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Resenha | BK’ – Gigantes

 

Os Gigantes chegaram! Após mais de dois anos do lançamento do seu clássico instantâneo, “Castelos & Ruínas”, e dos EPs prelúdio “Antes dos Gigantes Chegarem Vol. 1 & 2”,  o rapper carioca, BK’, finalmente retornou com seu segundo disco completo, “Gigantes”, que foi lançado no dia 31 de Outubro.

O primeiro single do trabalho, “Correria”, foi lançado em Agosto e teve um excelente clipe pelas lentes de Ronaldo Land e Calebe Gomes, sem contar o roteiro do próprio BK’. Produzido pelo selo Pirâmide Perdida, o disco conta com instrumentais de El Lif Beatz, JXNV$, Nave e Arit, sem contar a incrível arte de capa do artista plástico Maxwell Alexandre. Também contando com a mixagem do indicado ao Grammy, Arthur Luna e a masterização do produtor internacional, Chris Gehringer.

Capa de “Gigantes” por Maxwell Alexandre

O disco abre com a faixa, “Novo Poder”, que é uma inicial e agressiva faixa sobre domínio e retomada de poder em uma nova era. Apesar de inicialmente lembrar o antecessor, “Castelos & Ruínas”, a abertura do disco ainda já mostra um elemento novo, músicas cantadas em storytelling, que dão mais liberdade ao artista para buscar várias visões e falar sobre os mais variados temas.

Em “Porcentos”, BK’ fala sobre as cobranças, tanto pessoais quanto das de outras pessoas, e como isso o prejudica e também prejudica a vida ao seu redor. Na faixa que leva o nome do álbum, “Gigantes”, temos uma música melódica e sincera, com a participação da artista Juyé, que dá um toque de voz feminina saborosa de se ouvir durante toda a faixa, e ainda assim, BK’ entrega uma letra poderosa e pessoal, e também que faz o ouvinte se questionar sobre o quanto dá de si mesmo para se tornar “gigante”.

BK’ no clipe de “Correria”

Em “Exóticos” temos batidas que começam calmas e vão ficando mais poderosas com o passar da faixa, que por vez fala sobre o racismo intrínseco na sociedade, mostrando como ainda há objetificação do negro nela. Na quinta música do disco, “Julius”, nós ouvimos uma faixa sobre ambição se utilizando de uma linguagem criminal, criando assim um cenário de guerra, a faixa é musicalmente forte, com pequenos toques de melodia ao fundo e com uma virada na batida bem orgânica, o que torna a faixa especial. Sem contar que esta última faz referência direta em seu título ao famoso personagem Julius Rock, da série “Everybody Hates Chris”.

A sexta faixa de “Gigantes” leva o nome de batismo do próprio BK’, “Abebe Bikila” é uma música muito pessoal, mas BK’ também fala sobre como está sendo sua atual vida após a fama, com a participação de KL Jay nos scratches, a faixa ganha poder ao misturar a visão do novo com pequenas partes de clássicos, como Racionais, Black Alien e Filipe Ret.

BK’ pela visão de Maxwell Alexandre

Em “Titãs” temos uma faixa calma, bem produzida e muito bem vinda, que pode ser comentada por uma linha da própria música: “Momento de paz e ambição”. Já na faixa “Vivos”, BK’ trás Luccas Carlos para fazer a segunda voz no refrão e trazer melodia à música, e Baco Exú do Blues acrescenta um poderoso e calmo verso nesta faixa de empoderamento negro, marcante!

“Pretos fazendo dinheiro é tudo que eu vejo”

Luccas Carlos retorna em “Planos”, uma música romântica sobre um relacionamento comum e cotidiano, porém a faixa tem traços que marcam e dão melodia e grandiosidade, fazendo com que ela não se perca no disco. Em “Jovens”, BK’ mostra uma visão crítica sobre o modo de vida dos jovens do século 21, falando sobre o uso de drogas, sexo sem proteção e etc… Apesar da crítica, a faixa ainda lembra algo que se escutaria em uma festa jovem.

Na décima primeira faixa do disco, BK’ incorpora o “Deus do Fundunço”, que dá nome a música, com um instrumental que lembra as discotecas dos anos 70, a música fala sobre a “voz” na nossa cabeça que sempre nos leva a farra, uma das faixas mais divertidas do álbum todo. “Falam” trás a participação de Sain e seu pai Marcelo D2, ambos acrescentaram versos bem escritos nesta faixa sobre as excessivas opiniões das pessoas sobre os músicos.

Fechando o disco, temos “Correria” em sua versão remix, que agora ganha duas vozes adicionais, de Akira Presidente e Drik Barbosa, esta última que dá ao disco um encerramento com chave de ouro ao trabalho. Não seria errado dizer que BK’ novamente trás um dos melhores trabalhos de rap do ano após esse disco.

Clipe de “Correria”

Com certeza mais maduro que “Castelos & Ruínas”, BK’ mostra sua constante evolução e explora mais a musicalidade, e como resultado, tem uma ótima obra em mãos. Com um álbum melódico, diferente, orgânico e acima de tudo, bem feito, BK’ nos entrega outro clássico pronto que merece ser ouvido por todos!

Gigantes” já está disponível em todas as plataformas digitais.

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Sobre o Autor

Carlos Eduardo Rici

Leitor de quadrinhos e apreciador de bom filmes, viso estudar cinema futuramente. Amante de uma boa música e também desenhista.

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